Sinais Vitais: Quando verificar?

Sinais vitais são medidas essenciais para avaliar o estado de saúde de uma pessoa. Eles incluem aferições como temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e saturação de oxigênio.

“Na minha rotina como técnica de enfermagem intensivista há 16 anos, aprendi que a frequência e a atenção aos sinais vitais fazem a diferença entre identificar uma deterioração clínica a tempo — ou não.”

Em que situações deve verificar os sinais vitais?

  • Na admissão — Quando um paciente chega a um hospital ou clínica, a medição dos sinais vitais é um passo inicial crucial para avaliar o estado geral e identificar possíveis alterações.
  • Na pré-consulta ou consulta ambulatorial — Fundamental para detectar alterações fisiológicas precoces.
  • Após qualquer intervenção ou procedimento — Cirurgias, exames ou procedimentos exigem monitorização para detectar reações adversas.
  • Quando o paciente apresenta sintomas de emergência — Dor no peito, falta de ar ou confusão exigem verificação imediata.
  • Antes e depois da administração de medicamentos — Especialmente relevante com drogas vasoativas.

“Na UTI, medicamentos como noradrenalina e dopamina exigem monitorização contínua ou de minuto em minuto da pressão arterial durante a titulação — um erro de frequência aqui pode significar hipotensão grave ou perfusão inadequada de órgãos.”

  • Antes e depois de mudanças no tratamento — Avalia a resposta terapêutica.
  • Quando o paciente relata alterações nos sintomas — Febre, tontura ou palpitações.
  • Quando o paciente apresenta ansiedade ou dor — Fatores emocionais e físicos alteram os parâmetros vitais.

Na Enfermaria: frequência de verificação baseada em risco (Escala NEWS)

Em áreas de internação, a frequência de verificação não é fixa — ela é determinada pelo escore de risco do paciente, seguindo a Escala NEWS (National Early Warning Score):

  • Categoria 0 (baixo risco): controle a cada 12 horas
  • Categorias 1–4: controle entre 4 e 6 horas
  • Categoria 5 ou mais (ou pontuação 3 em qualquer parâmetro isolado): controle a cada 1 hora
  • Categoria 7 ou mais: monitorização contínua

Cabe à equipe técnica coletar e registrar os dados, mas a avaliação da pontuação total e a definição de conduta são privativas do enfermeiro.

Um exemplo de caso real:

“No pós-operatório de uma colectomia, um paciente de 64 anos clinicamente assintomático apresentou uma deterioração sutil em seus sinais vitais: a frequência respiratória subiu para 21 mpm (+2 pontos), a saturação de oxigênio caiu para 94% (+1 ponto) e a frequência cardíaca elevou-se para 92 bpm (+1 ponto). Embora individualmente aceitáveis, a soma desses parâmetros gerou um escore NEWS de 4 (Alerta Amarelo), o que acionou uma avaliação médica imediata e a realização de uma tomografia de urgência; o exame diagnosticou precocemente uma fístula na anastomose intestinal com peritonite inicial, permitindo a reoperação cirúrgica imediata e evitando que o quadro evoluísse para um choque séptico grave.”

Sinais vitais em situações específicas

  • Contenção mecânica: a equipe de enfermagem deve reavaliar sinais vitais, nível de consciência e estado geral a cada 15 minutos durante todo o procedimento.
  • Dimensionamento de equipe: sinais vitais e outros controles são um dos indicadores oficiais usados para calcular a carga de trabalho e o dimensionamento de pessoal de enfermagem.

“Em 16 anos de UTI, aprendi que a falência orgânica raramente avisa em voz alta; ela prefere sussurrar através de pequenas variações na frequência respiratória e no pulso. Negligenciar um único sinal vital alterado é ignorar o único rastro visível de uma tempestade clínica que já começou a se formar. No ambiente hospitalar, a sensibilidade de ferramentas como o NEWS salva vidas justamente porque transforma a vigilância sutil em ação imediata, muito antes que o pior aconteça.” – Christiane Ribeiro

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Resolução Cofen nº 746, de 20 de março de 2024. Normatiza os procedimentos de Enfermagem na contenção mecânica de pacientes. Disponível em: cofen.gov.br
  2. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Parecer Normativo nº 1/2024/Cofen. Parâmetros para o planejamento da força de trabalho da Enfermagem pelo Enfermeiro. Disponível em: cofen.gov.br
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO PARANÁ (Coren-PR). Parecer Técnico Coren/PR nº 030/2024 — Aplicação da Escala NEWS (National Early Warning Score) pela equipe de enfermagem. Disponível em: ouvidoria.cofen.gov.br
  4. Link interno: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 

Admissão: O que anotar?

A admissão de um paciente é um processo importante que envolve a coleta de dados relevantes sobre sua condição de saúde, história clínica, alergias, medicamentos em uso, entre outros.

Itens importantes

O que anotar na ficha de admissão depende do tipo de serviço e da instituição onde o paciente será atendido, mas alguns itens são comuns a todos os casos:

  • Dados pessoais: nome completo, data de nascimento, sexo, estado civil, profissão, endereço, telefone, documento de identidade, CPF, cartão do SUS ou convênio.
  • Motivo da admissão: o que levou o paciente a procurar o serviço de saúde, quais são seus sintomas, há quanto tempo eles começaram, se há alguma causa conhecida ou suspeita.
  • História clínica: doenças prévias, cirurgias realizadas, internações anteriores, vacinação em dia, hábitos de vida (tabagismo, alcoolismo, atividade física), antecedentes familiares de doenças crônicas ou hereditárias.
  • Exame físico: sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, respiração), peso, altura, índice de massa corporal (IMC), avaliação da pele, mucosas, cabelos, unhas, olhos, ouvidos, nariz, boca, pescoço, tórax, abdome, membros superiores e inferiores, genitais, ânus e reto.
  • Exames complementares: resultados de exames laboratoriais, de imagem ou outros que o paciente tenha realizado ou que sejam solicitados pelo médico responsável.
  • Diagnóstico: a conclusão do médico sobre o quadro clínico do paciente, baseada nos dados coletados e nos exames realizados.
  • Plano terapêutico: as medidas que serão tomadas para tratar o paciente, incluindo medicamentos prescritos, procedimentos cirúrgicos ou invasivos, orientações sobre dieta, repouso, atividade física e cuidados gerais.
  • Evolução: o registro diário da situação do paciente durante sua permanência no serviço de saúde, incluindo sua resposta ao tratamento, eventuais complicações ou intercorrências e alta ou transferência para outro serviço.

Esses são os principais pontos que devem ser anotados na admissão de um paciente. É importante que as informações sejam claras, objetivas e completas, para garantir uma assistência de qualidade e segurança ao paciente e à equipe de saúde.

Referência:

  1. COREN-SP