Classificação de Queimaduras

A Queimadura é toda lesão provocada pelo contato direto com alguma fonte de calor ou frio, produtos químicos, corrente elétrica, radiação, ou mesmo alguns animais e plantas (como larvas, água-viva, urtiga), entre outros. Se a queimadura atingir 10% do corpo de uma criança ela corre sério risco. Já em adultos, o risco existe se a área atingida for superior a 15%.

Os Tipos

  • Queimaduras térmicas: são provocadas por fontes de calor como o fogo, líquidos ferventes, vapores, objetos quentes e excesso de exposição ao sol;
  • Queimaduras químicas: são provocadas por substância química em contato com a pele ou mesmo através das roupas;
  • Queimaduras por eletricidade: são provocadas por descargas elétricas.

Quanto à profundidade, as queimaduras podem ser classificadas como:

  • 1º grau: atingem as camadas superficiais da pele. Apresentam vermelhidão, inchaço e dor local suportável, sem a formação de bolhas;
  • 2º grau: atingem as camadas mais profundas da pele. Apresentam bolhas, pele avermelhada, manchada ou com coloração variável, dor, inchaço, despreendimento de camadas da pele e possível estado de choque. Queimaduras de 2º grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às queimaduras de 3º grau. Como há risco de destruição das terminações nervosas da pele, este tipo de queimadura, que é bem mais grave, pode até ser menos doloroso que as queimaduras mais superficiais. As glândulas sudoríparas e os folículos capilares também podem ser destruídos, fazendo com a pele fique seca e perca seus pelos. A cicatrização demora mais que 3 semanas e costuma deixar cicatrizes;
  • 3º grau: atingem todas as camadas da pele e podem chegar aos ossos. Apresentam pouca ou nenhuma dor e a pele branca ou carbonizada.

Os Primeiros socorros

Colocar a parte queimada debaixo da água corrente fria, com jato suave, por, aproximadamente, dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas. Se houver poeira ou insetos no local, mantenha a queimadura coberta com pano limpo e úmido.

No caso de queimaduras em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos urgentes.

– nunca toque a queimadura com as mãos;
– nunca fure bolhas;
– nunca tente descolar tecidos grudados na pele queimada;
– nunca retire corpos estranhos ou graxa do local queimado;
– nunca coloque manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura – somente o médico sabe o que deve ser aplicado sobre o local afetado.

Prevenção

– ao acender um fósforo, mantenha o palito longe do rosto. Assim, se escapar alguma chama, não irá atingir o cabelo ou a sobrancelha;
– ao acender uma vela, observe se está longe de produtos inflamáveis, como botijões de gás, solventes ou tecidos;
– manter crianças longe da cozinha durante o preparo dos alimentos, e sempre direcionar o cabo das panelas para a área do fogão;
– não manipular álcool, querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis perto do fogo. Esses produtos devem ser guardados longe do alcance das crianças;
– em festas juninas, dar preferência às fogueiras pequenas, que só devem ser acesas longe de matas, de depósitos de papel, de produtos inflamáveis ou ventanias.

Referências:

  1. Ministério da Saúde e Confederação Nacional dos Transportes. Queimaduras
  2. Sociedade Brasileira de Queimaduras
  3. Sociedade Brasileira de Queimaduras. Dia de Luta Contra as Queimaduras (cartaz)

Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção

A lesão por fricção (LF) é uma ferida rasa, limitada à derme e que tem como característica principal a presença de um retalho de pele em algum momento de sua evolução.

O retalho pode ser denominado retalho epidérmico, quando o traumatismo separa a epiderme da derme (ferida de espessura parcial) e retalho dermoepidérmico, que ocorre quando epiderme e derme permanecem unidas e o traumatismo as separa das estruturas subjacentes (ferida de espessura total).

Recentemente foi descrito que as lesões por fricção podem resultar numa separação parcial ou total das camadas externas da pele. Tais lesões podem ocorrer devido à força de cisalhamento, atrito ou a um trauma sem corte, fazendo com que a epiderme se separe a partir da derme (ferida de espessura parcial) ou tanto a epiderme e a derme se separem das estruturas subjacentes (ferida de espessura total) .

Classificação STAR

O Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção, classifica essas feridas em cinco categorias que examina a presença/ausência do retalho da pele e sua viabilidade, apresenta um glossário de termos inerentes à LF seguido de orientações.

Equivalente ao Sistema STAR foi desenvolvida uma classificação denominado pelo International Skin Tear Advisory Panel (ISTAP) de Skin Tear Classification que avalia a presença/ausência do retalho cutâneo. Essas lesões podem ser categorizadas em: (Tipo 1) sem perda da pele, (Tipo 2) com perda parcial do retalho, e (Tipo 3) com perda total do retalho.

  • Categoria 1a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 1b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 2a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 2b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 3: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo está completamente ausente.

As LFs são lesões pouco estudadas e, consequentemente, subnotificadas, sendo frequentemente confundidas com lesões por pressão. O Brasil é um dos poucos países latinoamericanos com estudos publicados a respeito das LFs e, ainda assim, essas lesões são pouco conhecidas na prática clínica.

Referência:

  1. Adaptação cultural, validade de conteúdo e confiabilidade interobservadores do “STAR Skin Tear Classification System” https://doi.org/10.1590/0104-1169.3523.2537

Classificação das Cirurgias

O Centro Cirúrgico é um lugar especial dentro do hospital, convenientemente preparado segundo um conjunto de requisitos que o tornam apto à prática da cirurgia.

Todas elas possuem características que definem o estilo de cirurgia e até mesmo o nível de complexidade.

Decore para a Prova Classificação quanto à urgência

  • CIRURGIA ELETIVA: tratamento cirúrgico proposto, mas a realização pode aguardar ocasião propícia, ou seja, pode ser programado. Por ex.: mamoplastia, gastrectomia.
  • CIRURGIA DE URGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer pronta atenção e deve ser realizado dentro de 24 a 48 horas. Por ex.: apendicectomia, brida intestinal.
  • CIRURGIA DE EMERGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer atenção imediata por se tratar de uma situação crítica. Por ex.: ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural.

Decore para a Prova Classificação quanto à finalidade do tratamento cirúrgico

  • CIRURGIA CURATIVA: objetivo é extirpar ou corrigir a causa da doença, devolvendo a saúde ao paciente. Para essa finalidade, às vezes é necessário a retirada parcial ou total de um órgão. Ex.: apendicectomia.
  • CIRURGIA PALIATIVA: tem a finalidade de atenuar ou buscar uma alternativa para aliviar o mal, mas não cura a doença. Ex.: gastrostomia.
  • CIRURGIA DIAGNÓSTICA: realizada com o objetivo de ajudar no esclarecimento da doença. Ex.: laparotomia exploradora.
  • CIRURGIA REPARADORA: reconstitui artificialmente uma parte do corpo lesada por enfermidade ou traumatismo. Ex.: enxerto de pele em queimados.
  • CIRURGIA RECONSTRUTORA / COSMÉTICA / PLÁSTICA: realizada com objetivos estéticos ou reparadores, para fins de embelezamento. Ex.: rinoplastia, mamoplastia etc.

Decore para a Prova Classificação quanto ao porte cirúrgico (tempo de duração)

  • PORTE I: com tempo de duração de até 2 horas. Por ex.: rinoplastia.
  • PORTE II: cirurgias que duram de 2 a 4 horas. Por ex.: colecistectomia,gastrectomia.
  • PORTE III: de 4 a 6 horas de duração. Por ex.: craniotomia.
  • PORTE IV: com tempo de duração acima de 6 horas. Por ex.: transplante de fígado. 

Decore para a Prova Classificação quanto a potencial contaminação

  • CIRURGIA LIMPA: eletiva, primariamente fechada, sem a presença de dreno, não traumática. Realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local. Cirurgias em que não ocorreram penetrações nos tratos digestivo, respiratório ou urinário. Por ex.: mamoplastia.
  • CIRURGIA POTENCIALMENTE CONTAMINADA: realizada em tecidos colonizados por microbiota pouco numerosa ou em tecido de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório, e com falhas técnicas discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa. Por ex.: colecistectomia com colangiografia.
  • CIRURGIA CONTAMINADA: cirurgia realizada em tecidos abertos e recentemente traumatizados, colonizados por microbiota bacteriana abundante, de descontaminação difícil ou impossível, presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção ou grande contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se inclui nesta categoria. Por ex.: colectomia.

Cirurgias de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB)

Tem-se ainda a classificação de cirurgias conforma a tabela utilizada pelo sistema de cobrança dos hospitais segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) que caracteriza de acordo com o procedimento anestésico. Varia do porte 0 a 8, sendo o porte zero, um procedimento com anestesia local e por ordem crescente, cresce a complexidade anestésica e consequentemente a cirúrgica.

As cirurgias também podem ser classificadas de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), que diz:

Para a AMB as cirurgias são classificadas de porte 0 a 8, sendo o porte zero um procedimento com anestesia local e à medida que se utiliza a classificação em ordem crescente, existe também crescimento da complexidade cirúrgica. Portanto, trata-se de uma classificação com finalidade de cobrança do convênio e Serviço Único de Saúde (SUS), principalmente dos honorários médicos (anestesista e cirurgião), da instrumentação cirúrgica e da sala de operação.

Referências:

  1. MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 1993.
  2. CIRINO, L. M. I. Manual de técnica cirúrgica para graduação. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 2003.
  3. FULLER, J. R. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
  4. Conselho Federal de Medicina

Classificação de Johnson: Decore Sem Confundir

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

A classificação de Johnson continua aparecendo em provas de cirurgia, gastroenterologia e enfermagem, mas existe uma armadilha: decorar apenas “tipo I, II, III, IV e V” não ajuda muito se você não souber onde está a úlcera e com que situação ela está associada. A classificação foi criada décadas atrás e permanece útil principalmente para descrever a localização e algumas associações clássicas das úlceras gástricas.

O que é a classificação de Johnson?

A classificação de Johnson organiza as úlceras gástricas em cinco tipos, considerando principalmente a localização da lesão e sua associação com úlcera duodenal ou uso de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Ela não deve ser confundida com a classificação de Forrest, utilizada na endoscopia para descrever estigmas de sangramento e ajudar na avaliação do risco de ressangramento.

Tipo I

É a forma clássica, geralmente localizada na pequena curvatura do estômago, próxima à incisura angular.

Historicamente, está associada a secreção ácida normal ou reduzida. Atualmente, porém, essa relação com a acidez deve ser entendida como uma característica histórica da classificação, e não como uma regra para determinar a causa da úlcera.

Tipo II

É uma úlcera gástrica associada a úlcera duodenal, podendo haver lesão duodenal ativa ou cicatrizada.

A classificação original relacionava esse padrão à maior secreção ácida, mas essa explicação fisiopatológica não deve ser utilizada isoladamente na avaliação atual do paciente.

Tipo III

Localiza-se na região pré-pilórica, geralmente até cerca de 3 cm do piloro.

Tradicionalmente, também foi associada à maior secreção ácida. Para fins de estudo, o ponto mais importante é reconhecer a localização pré-pilórica.

Tipo IV

É uma úlcera localizada na região proximal do estômago, próxima à cárdia e à junção gastroesofágica, sendo geralmente descrita na pequena curvatura alta.

Assim como no tipo I, a classificação clássica relacionava essa localização a secreção ácida normal ou reduzida.

Tipo V

Pode ocorrer em diferentes regiões do estômago e está classicamente associada ao uso de AINEs, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno, além de outros medicamentos ulcerogênicos.

Esse tipo merece atenção porque o uso de AINEs continua sendo um dos principais fatores relacionados à doença ulcerosa péptica. Quando possível, deve-se avaliar a necessidade de manter o medicamento e considerar estratégias para reduzir o risco gastrointestinal.

O que mudou na interpretação?

A classificação de Johnson continua válida para fins descritivos e didáticos, mas não é uma classificação moderna de gravidade da úlcera. Ela também não substitui a investigação da causa.

Atualmente, diante de uma úlcera péptica, a avaliação deve considerar principalmente fatores como H. pylori, uso de AINEs ou ácido acetilsalicílico, características endoscópicas, sangramento, perfuração e possibilidade de neoplasia.

Na prática assistencial, isso faz diferença. Imagine um paciente internado que relata uso diário de anti-inflamatório por dor musculoesquelética e chega com melena e queda da hemoglobina. A equipe não deve ficar apenas na identificação de “úlcera tipo V”; o dado realmente relevante é relacionar o achado endoscópico com o possível fator desencadeante, observar sinais de sangramento e comunicar rapidamente alterações clínicas.

Endoscopia: onde a classificação entra?

A endoscopia digestiva alta permite identificar a lesão, determinar sua localização e características e, quando indicado, realizar biópsias. Em uma úlcera gástrica, a possibilidade de malignidade precisa ser considerada, por isso a avaliação histológica e o acompanhamento são particularmente importantes.

Recomendações recentes orientam que úlceras gástricas sejam avaliadas com biópsia quando clinicamente apropriado e reavaliadas após o tratamento para confirmar cicatrização. O intervalo pode variar conforme o protocolo e o contexto, mas referências recentes recomendam acompanhamento endoscópico em torno de 6–12 semanas.

Um detalhe que costuma passar despercebido durante o cuidado de enfermagem é justamente o acompanhamento. Se o paciente retorna para nova endoscopia porque a úlcera gástrica ainda precisa ser documentada como cicatrizada, não se trata simplesmente de “repetir um exame”: existe uma preocupação clínica com persistência da lesão, cicatrização inadequada ou necessidade de nova investigação.

Pylori e AINEs continuam no centro da avaliação

A infecção por Helicobacter pylori e o uso de AINEs estão entre os principais fatores relacionados à doença ulcerosa péptica. Por isso, identificar medicamentos utilizados pelo paciente, inclusive aqueles tomados por conta própria, pode fornecer uma informação importante para a equipe.

Nas recomendações atuais para H. pylori, pacientes infectados devem receber tratamento de erradicação adequado ao contexto e, depois, confirmação da erradicação conforme as recomendações vigentes. O esquema antibiótico não deve ser escolhido simplesmente com base em tratamentos antigos, porque resistência antimicrobiana influencia a seleção terapêutica.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, vale observar dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão, aceitação da dieta e sinais de sangramento digestivo, como melena, hematêmese, palidez, tontura, taquicardia ou hipotensão. Também é importante investigar e registrar o uso de AINEs, anticoagulantes e outros medicamentos relevantes, além de acompanhar hemoglobina, sinais vitais e resposta ao tratamento conforme prescrição.

Em um paciente com suspeita de hemorragia digestiva, uma mudança aparentemente pequena, como apresentar melena associada a tontura e taquicardia, deve ser comunicada rapidamente. Nessa situação, a classificação anatômica de Johnson deixa de ser a prioridade imediata; a avaliação da gravidade e a estabilização passam à frente.

Para não errar na prova

Uma forma simples de memorizar é associar localização e situação:

Tipo I: pequena curvatura, próximo à incisura angular.
Tipo II: gástrica + duodenal.
Tipo III: pré-pilórica.
Tipo IV: proximal, próxima à cárdia.
Tipo V: associada principalmente a AINEs e pode ocorrer em diferentes regiões.

A classificação de Johnson ajuda a reconhecer o padrão da úlcera, mas não informa sozinha a gravidade, o risco de sangramento ou se a lesão é benigna ou maligna. Para isso, são necessários avaliação clínica, endoscópica e, quando indicada, histopatológica.

Resumo para salvar

Classificação de Johnson da Úlcera

  • Tipo I: pequena curvatura próxima à incisura angular
  • Tipo II: úlcera gástrica associada à duodenal
  • Tipo III: úlcera pré-pilórica
  • Tipo IV: úlcera proximal próxima à cárdia
  • Tipo V: associada principalmente ao uso de AINEs

Referências:

  1. JOHNSON, H. D.; LOVE, A. H.; ROGERS, N. C.; WYATT, A. P. Gastric ulcers, blood groups, and acid secretion. Gut, v. 5, n. 5, p. 402-411, 1964. DOI: 10.1136/gut.5.5.402. Disponível em: PubMed – Johnson et al.
  2. CHEY, W. D. et al. ACG Clinical Guideline: Treatment of Helicobacter pylori Infection. The American Journal of Gastroenterology, v. 119, n. 9, p. 1730-1753, 2024. DOI: 10.14309/ajg.0000000000002968. Disponível em: PubMed – ACG Clinical Guideline.
  3. BRITISH SOCIETY OF GASTROENTEROLOGY; ASSOCIATION OF UPPER GASTROINTESTINAL SURGEONS. British Society of Gastroenterology and Association of Upper Gastrointestinal Surgeons guidance on best practice for upper gastrointestinal endoscopy. Frontline Gastroenterology, 2025. DOI: 10.1136/flgastro-2025-103455. Disponível em: Frontline Gastroenterology – BSG guidance.
  4. GIORDANO-NAPPI, José; MALUF FILHO, Fauze. Aspectos endoscópicos no manejo da úlcera péptica gastroduodenal. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 35, n. 2, p. 124-131, 2008. DOI: 10.1590/S0100-69912008000200010. Disponível em: Artigo original – Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Classificação Internacional para a Segurança do Paciente da OMS

A grande função desta parte da Classificação Internacional para a Segurança do Paciente (CISP) é poder descrever o incidente em uma categoria específica, bem como descrever o que ele causou ao paciente, ou seja, é dar as características que dão o “diagnóstico” do incidente, bem como sua “repercussão clínica”. Sendo assim, aqui estão as duas categorias que são fundamentais quando pensamos no paciente, dentro da CISP.

Incidentes, apenas recordando, são eventos ou circunstâncias que poderiam resultar, ou resultaram, em dano desnecessário ao paciente.

Tipos de Incidente

  • Circunstância de Risco (reportable circumstance): é uma situação em que houve potencial significativo de dano, mas não ocorreu um incidente;
    • Exemplo: a escala de enfermagem de uma UTI está defasada em um determinado plantão.
  • “Quase – erro” (“near-miss”): incidente que não atinge o paciente;
    • Exemplo: uma enfermeira iria colocar uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas percebe antes de instalar.
  • Incidente sem dano(no harm incident): um evento que ocorreu a um paciente, mas não chegou a resultar em dano;
    • Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas o sangue é compatível e o paciente não tem reação.
  • Incidente com dano = EVENTO ADVERSO (harmful incident): incidente que resulta em dano para um paciente (danos não intencionais decorrentes da assistência e não relacionadas à evolução natural da doença de base).
    • Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação febril.

Incidentes de uma natureza comum agrupados por características semelhantes.

Existem 13 tipos de incidente (Tabela 1), que por sua vez, se abrem em sub-grupos que ajudam à entender o que se caracteriza em cada um dos 13 grupos, bem como a detalhar mais a classificação do tipo de incidente, facilitando o agrupamento, a análise e a divulgação.

Tabela 1 – Tipos de Incidente

1 Administração clínica
2 Processo clínico/ Procedimentos
3 Documentação
4 Infecção hospitalar
5 Medicação/ Fluídos endovenosos
6 Hemoderivados
7 Nutrição
8 Gases/ Oxigênio
9 Equipamento médico
10 Comportamento
11 Acidentes com o paciente
12 Estrutura
13 Gerenciamento de recursos/ Organizacional

Desfechos do Paciente

Conceitos que dizem respeito ao impacto sobre o paciente, que é inteiramente ou em parte atribuível a um incidente.

Inclui-se aqui 3 características. As duas primeiras são descritivas, por exemplo, o tipo de dano foi um trauma craniano em uma queda do paciente, o impacto social e econômico pode ser medido em função da sequela que ele teve e do tempo de reabilitação que precisará.

Quanto ao Grau de Dano, este é variável e deve ser visto em função das informações da Tabela 2. Interessante ressaltar aqui que quando lembramos dos grupos de incidentes, as Circunstâncias de Risco, os “Quase-erros” e os Incidentes sem Dano sempre causam NENHUM dano, enquanto que os EVENTOS ADVERSOS devem ser detalhados entre leves, moderados, graves ou responsáveis por óbito.

  • Tipo de Dano
  •  Impacto Social/Econômico
  • Grau de Dano

Tabela 2 – Grau de Dano

NENHUM Nenhum sintoma, ou nenhum sintoma detectado e não foi necessário nenhum tratamento.
LEVE Sintomas leves, perda de função ou danos mínimos ou moderados, mas com duração rápida, e apenas intervenções mínimas sendo necessárias (ex.: observação extra, investigação, revisão de tratamento, tratamento leve).
MODERADO Paciente sintomático, com necessidade de intervenção (ex.: procedimento terapêutico adicional, tratamento adicional), com aumento do tempo de internação, com dano ou perda de função permanente ou de longo prazo.
GRAVE Paciente sintomático, necessidade de intervenção para suporte de vida, ou intervenção clínica/cirúrgica de grande porte, causando diminuição da expectativa de vida, com grande dano ou perda de função permanente ou de longo prazo.
ÓBITO Dentro das probabilidades, em curto prazo o evento causou ou acelerou a morte.

 Tabela 3 – Grau de Dano conforme o grupo de Incidentes

Circunstância de Risco          Nenhum
“Quase-Erro”          Nenhum
Incidente sem Dano          Nenhum
Evento Adverso Leve

Moderado

Grave

Óbito

Tabela 4 – Exemplos de Eventos Adversos conforme o Grau de Dano

Leve Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica (coceira no corpo), que precisa de uma avaliação de um médico que prescreve uma dose de anti-alérgico, cessando os sintomas.
Moderado Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica intensa que resulta em mais dois dias de internação para controle dos sintomas, sendo que esses dois dias não eram previstos dentro da causa inicial da internação.
Grave Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica.
Óbito Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica. O paciente desenvolve uma pneumonia na UTI e vai a óbito por choque séptico.

Referência:

  1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final Technical Report and Technical Annexes, 2009. Disponível em: http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/

Classificação de Feridas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Uma ferida não deve ser descrita apenas como “aberta” ou “profunda”. Para a enfermagem, identificar como ocorreu, qual tecido foi atingido, quanto está contaminada e quais estruturas podem estar comprometidas muda completamente a avaliação e a conduta.

Principais classificações

As feridas podem ser classificadas por diferentes critérios. O mecanismo de trauma continua sendo útil para reconhecer o tipo de lesão:

  • Incisa ou cortante: apresenta bordas geralmente regulares e é provocada por objetos com gume, como lâmina ou bisturi.
  • Lacerada: ocorre por rasgo ou tração dos tecidos, apresentando bordas irregulares.
  • Contusa: resulta principalmente de impacto ou compressão, podendo existir dano tecidual mesmo sem grande abertura da pele.
  • Perfurante: provocada por objeto pontiagudo, como prego ou agulha, com predomínio da profundidade sobre a extensão superficial.
  • Perfuroincisa: causada por objeto que possui ponta e gume, podendo produzir uma pequena abertura externa e lesão profunda.
  • Perfurocontusa: está associada a mecanismos de alta energia, como projéteis de arma de fogo, podendo apresentar trajetos e comprometimento de estruturas profundas.
  • Escoriação: ocorre pelo atrito ou raspagem da superfície da pele, com perda principalmente superficial.

Já equimose e hematoma são manifestações de extravasamento sanguíneo nos tecidos, geralmente sem perda inicial da continuidade da pele.

Feridas e risco de contaminação

Na classificação cirúrgica tradicional, as feridas são divididas em limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e sujas/infectadas.

A ferida limpa ocorre sem inflamação e sem entrada nos tratos respiratório, gastrointestinal, genital ou urinário não contaminado. A limpa-contaminada envolve a entrada controlada nesses sistemas, sem contaminação incomum.

A classificação contaminada inclui, entre outras situações, feridas traumáticas abertas recentes, grande quebra da técnica asséptica ou derramamento importante do trato gastrointestinal. Já a categoria suja/infectada envolve feridas com infecção estabelecida, perfuração de víscera, tecido desvitalizado ou contaminação importante associada a atendimento tardio.

Um cuidado importante: contaminada não significa necessariamente infectada. Uma ferida pode conter microrganismos sem apresentar infecção clínica. O acompanhamento deve procurar sinais como aumento da dor, calor, vermelhidão, edema, secreção purulenta, mau odor e, em situações mais graves, manifestações sistêmicas.

Profundidade também precisa ser registrada

A classificação não termina no mecanismo do trauma. Na avaliação, observe localização, comprimento, largura, profundidade, tipo de tecido presente, exsudato, odor, condição das bordas e pele ao redor, além de possíveis lesões de nervos, vasos, tendões, músculos ou ossos.

Em uma ferida traumática da mão, por exemplo, uma abertura aparentemente pequena pode esconder comprometimento de tendões, nervos ou vasos. Por isso, o exame deve considerar função e estruturas profundas, e não somente o tamanho da lesão na pele.

Não confunda com lesão por pressão

Lesão por pressão possui um sistema próprio de classificação. Atualmente são reconhecidos Estágio 1, Estágio 2, Estágio 3, Estágio 4, lesão por pressão não classificável e lesão por pressão de tecido profundo. Lesões de membrana mucosa não devem ser classificadas nesses estágios.

Da mesma forma, úlceras relacionadas ao diabetes, especialmente as do pé, devem ser avaliadas por sistemas específicos, como os propostos pela IWGDF, que consideram características relevantes para prognóstico e tratamento.

Duas situações reais da assistência

  • Situação 1: um paciente chega ao pronto atendimento após pisar em um prego. A abertura plantar é pequena, mas existe uma lesão perfurante profunda. O erro seria avaliar somente o tamanho do orifício. O mecanismo, a profundidade, a possibilidade de corpo estranho, o estado vacinal e o risco de comprometimento de estruturas profundas precisam entrar na avaliação.
  • Situação 2: durante a troca de curativo de uma ferida traumática, observa-se aumento da dor, calor local, edema e secreção purulenta em comparação com a avaliação anterior. Nesse caso, não basta registrar “ferida contaminada”: a evolução sugere sinais clínicos de infecção e precisa ser comunicada e investigada conforme o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, registre tipo e mecanismo da ferida, localização, dimensões, profundidade, tecido presente, exsudato, odor, bordas, pele adjacente e evolução. Observe também dor, perfusão, sensibilidade e mobilidade quando houver possibilidade de comprometimento neurovascular.

Na limpeza de feridas traumáticas, a irrigação e a remoção de contaminantes são fundamentais. A técnica deve ser adequada ao tipo de lesão, com analgesia quando necessária e avaliação para presença de corpo estranho, lesão profunda e necessidade de encaminhamento. Antibióticos não são indicados automaticamente para toda ferida; a decisão depende do risco e da avaliação clínica.

Um registro como “ferida em MID, 4 × 2 cm, bordas irregulares, profundidade aproximada de 0,5 cm, exsudato seroso pequeno, sem odor, pele perilesional íntegra, dor 3/10” comunica muito mais do que simplesmente “ferida com aspecto bom”.

Resumo para salvar

Classificação de Feridas: O Que Você Precisa Saber

  • Feridas podem ser classificadas pelo mecanismo, contaminação e profundidade
  • Ferida contaminada não é sinônimo de ferida infectada
  • A avaliação deve registrar tamanho, profundidade, tecido, exsudato, bordas e pele ao redor
  • Lesão por pressão e pé relacionado ao diabetes possuem sistemas próprios de classificação

Referências:

  1. WORLD SOCIETY OF EMERGENCY SURGERY; ACADEMY OF EMERGENCY MEDICINE AND CARE. Management of traumatic wounds in the Emergency Department: position paper. World Journal of Emergency Surgery, 2016. Acessar publicação
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. The International Guideline: Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries. International Guideline, 2025–2026. Consultar classificação internacional de lesões por pressão
  3. INTERNATIONAL WORKING GROUP ON THE DIABETIC FOOT. IWGDF Guidelines on the classification of diabetes-related foot ulcers: 2023 update. 2023. Consultar diretriz IWGDF de classificação
  4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Surgical site infections: prevention and treatment — recommendations. NICE. Consultar recomendações do NICE
  5. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Wound dressings – acute traumatic wounds: clinical practice guideline. Melbourne: RCH. Consultar guideline sobre feridas traumáticas
  6. OLUTOYE, Oluyinka O. et al. Management of Acute Wounds—Expert Panel Consensus Statement. Wounds, 2024. Consultar publicação sobre manejo de feridas agudas

Classificação dos Recém-Nascidos

Classificar o recém-nascido (RN) quanto ao seu peso, idade gestacional (IG) e estado nutricional é importante na identificação das mobilidades mais comuns nos RN.

As alterações no crescimento do feto, tanto para mais como para menos, até o momento do parto dá-nos condições para analisar alguns distúrbios de crescimento ou alterações metabólicas.

A identificação precoce relacionadas a classificação do RN é importante para prevenção imediata e tratamento do RN.

Alguns fatores podem influenciar no desenvolvimento do feto como a idade materna; estilo de vida, alimentação, condições ambientais, hábitos, assistência pré-natal, doenças maternas, tipos de parto, gestações anteriores, entre outros.

Classificação do recém-nascido

No que respeita ao peso:

  • o RN que nasce com peso abaixo de 1.000 g é classificado como recém-nascido extremo baixo peso;
  • os que nascem com peso de 1.000 g à 1.449 g são classificado como recém-nascidos de muito baixo peso;
  • os recém-nascidos com 1.500 g à 2.500 g são classificado como recém-nascido de baixo peso.

Quanto à idade gestacional:

  • o RN é classificado como recém-nascido pré-termo extremo (menos de 30 semanas de IG);
  • recém-nascido muito prematuro (de 30 à 33 semanas e 6 dias);
  • recém-nascido pré-termo tardio (de 34 à 36 semanas e 6 dias);
  • recém-nascido termo ( de 37 à 41 semanas e 6 dias);
  • recém nascido pós-termo (mais de 41 semanas).

O RN pode ainda ser classificado pelo tamanho como:

  • recém-nascido pequeno para a idade gestacional (PIG);
  • recém-nascido adequado para a idade gestacional (AIG);
  • recém-nascido grandes para a idade gestacional (GIG).

A classificação é feita pelo estado nutricional por meio da avaliação do peso e da IG, de acordo com as curvas de crescimento fetal padronizadas.

As classificações servem para identificar as especificidades físicas, fisiológicas e comportamentais de cada RN, adaptando o tratamento adequado diminuindo ou eliminando as morbidades.

Referências:

  1. Aquino-Cunha, M., Queiroz-Andrade,M., Tavares-Neto, J., Andrade,T. (2002). Pregnancy in Adolescence: Relation to Low Birth Weight. RBGO – v. 24, nº 8.
  2. Araujo Filho, A.C.A., Sales, I.M.M., Araújo, A.K.L., Almeida,P.D., Rocha, S.S. (2017). Epidemiological aspects of neonatal mortality in a capital from northeastern Brazil. Revista Cuidarte; 8(3): 1767-76. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte…. 
  3. MINISTÉRIO DA SAÚDE – Atenção à saúde do Recém-Nascido

Classificação de Edema: Sinal de Godet/Cacifo

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Um edema não deve ser descrito apenas como “perna inchada”. Na prática de enfermagem, pressionar a pele e observar o que acontece depois fornece uma informação objetiva que pode ser registrada e acompanhada ao longo da internação: é o sinal de Godet, também chamado de sinal do cacifo ou edema depressível.

O que o sinal de Godet mostra

O exame é realizado aplicando pressão digital sobre uma área edemaciada, preferencialmente sobre uma proeminência óssea, como a região anterior da tíbia. Se, após retirar o dedo, permanecer uma depressão visível ou palpável, há edema com cacifo (pitting edema). A profundidade da depressão e o tempo necessário para a pele retornar são informações úteis para documentar a intensidade do achado.

O sinal pode aparecer principalmente em membros inferiores, mas também pode ser observado em outras regiões, dependendo da distribuição do edema. Em situações de retenção importante de líquidos, o edema pode ser mais extenso, inclusive envolvendo região sacral e outras áreas dependentes.

Como classificar o cacifo

Uma classificação frequentemente utilizada na prática de enfermagem é:

Grau Descrição habitual
1+ Depressão discreta, com retorno rápido
2+ Depressão moderada, com retorno mais demorado
3+ Depressão profunda, com retorno prolongado
4+ Depressão muito profunda, com retorno bastante prolongado

É importante não transformar os valores de profundidade e tempo em uma regra universal. Diferentes referências utilizam critérios diferentes para os graus de edema; por isso, o registro deve seguir a escala adotada pelo serviço e, quando possível, informar localização, profundidade, tempo de retorno e distribuição do edema. Uma referência de avaliação física utiliza 1+ para depressão pouco perceptível e 4+ para depressão profunda com retorno superior a 20 segundos.

Godet positivo não revela a causa

Encontrar cacifo significa que existe edema depressível, mas o exame sozinho não informa por que o líquido se acumulou no tecido. O achado pode acompanhar situações como insuficiência cardíaca, alterações renais ou hepáticas, insuficiência venosa, obstrução venosa, excesso de administração de fluidos e efeitos de determinados medicamentos.

Por isso, a avaliação deve considerar bilateralidade, localização, dor, calor, vermelhidão, integridade da pele, evolução e contexto clínico. Um edema bilateral e simétrico tem uma interpretação diferente de um edema que surgiu de forma súbita em apenas uma perna, principalmente quando acompanhado de dor, calor ou sensibilidade.

Edema com cacifo ou sem cacifo?

O edema com cacifo deixa uma depressão após a pressão. Já no edema sem cacifo, a pressão não produz uma depressão persistente. O edema linfático, por exemplo, pode apresentar cacifo nos estágios iniciais e tornar-se progressivamente mais endurecido e não depressível à medida que ocorre fibrose tecidual.

Essa diferenciação é especialmente útil na avaliação de enfermagem porque acrescenta uma característica objetiva ao exame físico e ajuda a acompanhar mudanças ao longo do tempo.

Duas situações que fazem diferença na prática

Em um paciente internado em UTI que começa a apresentar edema bilateral em membros inferiores após reposição importante de fluidos, a comparação diária pode revelar aumento progressivo do volume das pernas. Nesse cenário, registrar apenas “edema presente” perde informação. Descrever a localização, o grau do cacifo e a evolução permite comparar o exame atual com os anteriores e comunicar a mudança à equipe.

Em outra situação, um paciente pode apresentar edema novo apenas em uma perna, acompanhado de dor e aumento da temperatura local. A presença de cacifo não permite concluir que se trata de trombose, mas a assimetria associada aos demais sinais merece avaliação clínica rápida. Edema unilateral com dor, calor ou vermelhidão pode ocorrer em trombose venosa profunda e em outras condições, portanto não deve ser interpretado isoladamente.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação do edema, compare os dois membros quando aplicável, observe pele, coloração, temperatura e presença de dor, faça o exame no mesmo ponto quando estiver acompanhando a evolução e registre o grau conforme o protocolo institucional.

Também acompanhe peso corporal, balanço hídrico e evolução clínica quando esses parâmetros forem pertinentes. Alterações súbitas ou progressivas, especialmente quando associadas a dispneia, dor, assimetria importante, alterações de perfusão ou deterioração clínica, devem ser comunicadas prontamente.

Um detalhe simples melhora muito a anotação: em vez de escrever apenas “edema +++”, registre algo como “edema com cacifo 2+ em região maleolar bilateral, pele íntegra, sem hiperemia ou dor à palpação”, adaptando a descrição ao que realmente foi observado.

! Atenção na Prova Para memorizar

Godet positivo = ao pressionar a pele, permanece uma depressão após retirar o dedo.

A classificação mais comum utiliza 1+ a 4+, mas os critérios de profundidade e tempo variam entre referências. Portanto, para uma avaliação segura, use a escala padronizada pelo serviço e registre também a localização e as características do edema.

Resumo para salvar

Sinal de Godet: Você Sabe Avaliar?

  • Godet positivo indica edema com depressão após pressão digital
  • A classificação mais utilizada vai de 1+ a 4+
  • Profundidade e tempo de retorno podem variar conforme a escala utilizada
  • A avaliação deve considerar localização, simetria, dor, pele e evolução do edema

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Edema: Por que os pacientes na UTI ficam inchados?

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Referências:

  1. JARVIS, Carolyn. Physical Examination & Health Assessment. 9. ed. St. Louis: Elsevier, 2024.
  2. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Cardiovascular Examination. Rahway: Merck & Co., 2026. Disponível em: Merck Manual – Cardiovascular Examination.
  3. OPEN RESOURCES FOR NURSING. Nursing Skills: Integumentary Assessment – Edema. NCBI Bookshelf, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Integumentary Assessment
  4. OPEN RESOURCES FOR NURSING. Nursing Skills: Cardiovascular Assessment. NCBI Bookshelf, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Cardiovascular Assessment.
  5. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Some Causes of Edema. Rahway: Merck & Co., 2026. Disponível em: Merck Manual – Causes of Edema.
  6. ROCCO, José Rodolfo. Semiologia médica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

Insuficiência Renal Aguda: Classificação Clínica

A IRA é definida como a redução aguda da função renal em horas ou dias. Refere-se principalmente a diminuição do ritmo de filtração glomerular e/ou do volume urinário, porém, ocorrem também distúrbios no controle do equilíbrio hidro-eletrolítico e ácido básico.

Existem na literatura mais de 30 definições de IRA. A utilização de diferentes definições dificulta a comparação de estudos, a análise da evolução destes pacientes, bem como, a comparação de diferentes estratégias terapêuticas e de tratamentos dialíticos.

Recentemente, uma rede internacional de especialistas propôs uma nova definição e classificação de IRA, a fim de uniformizar este conceito para efeitos de estudos clínicos e principalmente, prevenir e facilitar o diagnóstico desta síndrome, na tentativa de diminuir a alta morbidade e mortalidade ainda encontrada nos dias atuais.

Um grupo multidisciplinar internacional (AKIN) propõe a seguinte classificação baseada na dosagem sérica da creatinina e no volume urinário:

Definição e Classificação da IRA

Estágios Creatinina sérica Diurese
Estágio 1 Aumento de 0,3 mg/dl ou aumento de
150-200% do valor basal (1,5 a 2 vezes)
< 0,5 ml/Kg/h por 6 horas
Estágio 2 Aumento > 200-300% do valor basal (> 2-
3 vezes)
< 0,5 ml/Kg/h por > 12
horas
Estágio 3 Aumento > 300% do valor basal ( > 3
vezes ou Cr sérica ≥ 4,0 mg/dl com
aumento agudo de pelo menos 0,5 mg/dl)
< 0,3 ml/Kg/h por 24 horas
ou anúria por 12 horas

Somente um dos critérios (Cr ou diurese) pode ser utilizado para inclusão no estágio. Pacientes que necessitem de diálise são considerados estágio 3, independente do estágio em que se encontravam no início da terapia dialítica.

CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DA IRA

1. IRA PRÉ-RENAL – Este quadro ocorre devido à redução do fluxo plasmático renal e do ritmo de filtração glomerular. Principais causas: hipotensão arterial, hipovolemia (hemorragias, diarréias, queimaduras).

Observações complementares no diagnóstico de IRA pré-renal:

a) oligúria não é obrigatória;
b) idosos podem ter a recuperação após 36h da correção do evento – aguardar 48h;
c) NTA por sepse, mioglobinúria e por contraste podem ser não-oligúricas e nos casos de oligúria, podem apresentar FENa < 1% e/ou FEU < 35%;
d) diuréticos podem aumentar a FENa na IRA pré renal – usar FEU < 35%;

2. IRA RENAL (Intrínseca ou estrutural) – A principal causa é a necrose tubular aguda (NTA isquêmica e/ou tóxica). Outras causas: nefrites tubulo-intersticiais (drogas, infecções), pielonefrites, glomerulonefrites e necrose cortical (hemorragias ginecológicas, peçonhas).

Situações especiais comuns:

a) NTA SÉPTICA (associada a duas ou mais das seguintes condições de SIRS):

– temperatura > 38o C ou < 36o C;
– frequência cardíaca > 90 bpm;
– frequência respiratória > 20 ipm;
– PaCO2 < 32 mmhg;
– leucócitos > 12.000 ou < 4.000 mm3 mais de 10% de bastões ou metamielócitos, foco infeccioso documentado ou hemocultura positiva.

b) NTA NEFROTÓXICA
Uso de nefrotoxina em tempo suficiente níveis séricos nefrotóxicos precedendo a ira ausência de outras causas possíveis reversão após a suspensão da nefrotoxina recidiva após a reinstituição e.g. são não-oligúricas.

c) IRA POR GLOMERULOPATIAS

– Exame de urina I com proteinúria e proteinúria acima de 1g/dia;
– Hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo ou cilindros hemáticos no sedimento urinário;
– Biópsia renal positiva;

d) IRA POR NEFRITE INTERSTICIAL AGUDA

Manifestações periféricas de hipersensibilidade, febre e rash cutâneo ou eosinofilia;
– Uso de droga associada a NIA – Por ex., penicilinas, cefalosporinas, quinolonas, alopurinol, cimetidina, rifampicina forte suspeita clínica;
– Patologias frequentemente associadas: leptospirose, legionella, sarcoidose biópsia renal positiva.

e) IRA VASCULAR

– Dor lombar;
– Hematúria macroscópica;
– Contexto clínico predisponente;
– ICC, estados de hipercoagulação, vasculites, síndrome nefrótica, evento cirúrgico precipitante com confirmação com exame de imagem de cintilografia compatível;
– Tomografia ou angioressonância magnética;
– arteriografia compatível

f) EMBOLIZAÇÃO POR COLESTEROL

– Evento precipitante até 30 dias, da manipulação de grandes vasos;
– Cateterismo arterial;
– Trauma;
– Anticoagulação, petéquias, livedo reticularis, eosinofilia, hipocomplementemia.

g) IRA HEPATORENAL

Critérios Maiores – todos devem estar presentes para o diagnóstico:

– Perda de função renal (ClCr < 60 ml/min ou Cr > 1,5 mg/dL);
– Ausência de outras causas de IRA;
– Ausência de melhora após expansão plasmática;
– Ausência de melhora após suspensão de diuréticos;
– Proteinúria < 500 mg/dia;
– Ausência de obstrução urinária;
– Ausência de IRA parenquimatosa;

Critérios Menores – podem estar presentes ou não:
– Diurese < 500 ml/dia;
– Sódio urinário < 10 meq/l;
– Osmolalidade urinária > plasmática;
– Sódio sérico < 130 meq/l;
– Hemácias na urina < 50 p/c.

3. IRA PÓS-RENAL (OBSTRUTIVA)

Secundárias a obstrução intra ou extra-renal por cálculos, traumas, coágulos, tumores e fibrose retroperitoneal.

a) obstrução urinária;
b) dilatação pielocaliceal ao exame ultrasonográfico;
c) diâmetro antero-posterior da pelve renal maior que 30 mm ou;
d) diâmetro ap da pelve maior que diâmetro ap do rim;
e) evidência clínica de iatrogenia intra-operatória;
f) anúria total.


Referência: SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA