O que são Vasos Colaterais?

Os Vasos Colaterais são como verdadeiras pontes naturais que ligam uma área pré-obstrução a outra, pós-obstrução, fazendo com que permaneça o suprimento contínuo ao tecido.

Como o Vaso Colateral atua?

A irrigação e nutrição do coração ocorrem fundamentalmente pelas coronárias, que são vasos que saem da aorta, nossa principal artéria. É através delas que o oxigênio e os nutrientes chegam ao músculo cardíaco permitindo seu funcionamento.

Existem vasos bem finos, os capilares, que também fazem parte dessa imensa rede de vasos no organismo. Entretanto, eles não são capazes de irrigar de forma satisfatória o coração, sendo essa função exercida principalmente pelas coronárias.

Quando não há uma boa irrigação, devido a placas de gordura ou trombos, pode ocorrer uma obstrução do caminho pelo qual o sangue chega a uma determinada área do coração. Isso provoca uma falta de irrigação desta região, que é denominada isquemia e posterior surgimento de situações com a angina pectoris ou o infarto.

A gravidade desse último dependerá do tempo em que esse bloqueio se desenvolveu, assim como a área obstruída.

Curiosidade

Um fato curioso sobre esse mecanismo é que nosso corpo procura meios para “burlar” os bloqueios em seus vasos, permitindo a manutenção de sua irrigação. São os denominados vasos colaterais.

Essas estruturas são como verdadeiras pontes naturais que ligam uma área pré-obstrução a outra, pós-obstrução, fazendo com que permaneça o suprimento contínuo ao tecido.

Quando é necessário, especialmente quando o fluxo de sangue é maior, o organismo promove a indução das células dos pequenos vasos capilares a se modificarem, provocando um progressivo alargamento dos mesmos, dando origem a colaterais. Infelizmente, essa formação não se dá subitamente e quando assim ocorre um bloqueio, temos um fenômeno de isquemia aguda, que pode ser fatal.

Há décadas, muitos métodos têm sido desenvolvidos para impedir o surgimento das obstruções ou permitir a desobstrução de vasos, como por exemplo, a angioplastia com balão e stent (uma espécie de tubo que é colocado dentro do vaso, permitindo a passagem do sangue).

Contudo, nem todos os pacientes podem ser submetidos a esse procedimento e, a cada intervenção, maior é o risco. Além disso, ele não é capaz de reverter o processo natural da doença, pois se trata de um recurso paliativo.

Não obstante, medidas preventivas como os exercícios físicos, permitem que haja um estímulo ao desenvolvimento de colaterais, reduzindo, portanto o surgimento de angina e infarto. Essa seria uma maneira elegante e natural de permitir a criação de vias naturais e eficientes de alívio ao coração.

Referência: 

  1. Circulation 2007; 116: e340 – e341

Morfina: Efeitos Colaterais

morfina

A morfina apresenta diversos efeitos colaterais, e nesse ponto, convém destacar que efeito colateral é inerente à própria ação farmacológica do medicamento, uma consequência secundária ao efeito principal, o efeito esperado.

Assim, nesse caso da morfina, os efeitos colaterais dependem do mecanismo de ação, e para compreender esses efeitos, é preciso compreender o mecanismo de ação: A morfina inibe a passagem do estímulo nervoso, hiperpolarizando as membranas celulares. Isso está relacionado ao aumento da saída de potássio ou a diminuição da entrada de cálcio das terminações sinápticas e uma menor liberação de neurotransmissores excitatórios na fenda sináptica.

Como a morfina é capaz de interagir com vários tipos de receptores, e cada tipo apresenta efeitos diferenciados. Os efeitos farmacológicos da morfina, e efeitos colaterais dependem do tipo de receptor envolvido.

Assim, temos:

Receptores Opióides

a) Responsável pela maioria dos efeitos analgésicos (supraespinhal, espinhal e periférica).  Responsável por alguns efeitos indesejáveis:

  • Depressão respiratória;
  • Constrição pupilar;
  • Motilidade do TGI reduzida;
  • Euforia ou Sedação;
  • Dependência Física;

b) (delta) Importantes na periferia. Contribuem também para a analgesia (espinhal).

Efeitos colaterais:

  • Depressão respiratória;
  • Motilidade do TGI reduzida;

c) (kappa) Analgesia ao nível espinhal e periférica.

Efeitos colaterais:

  • Motilidade do TGI reduzida;
  • Disforia;
  • Sedação;

Não contribuem para a dependência.

Ações da morfina

  • Analgesia;
  • Euforia (mediada por receptores µ e equilibrada pela disforia associada com a ativação de receptores k);
  • Sensação poderosa de bem-estar e contentamento;
  • Depressão respiratória;
  • Aumento na pressão parcial de dióxido de carbono – ocorre com uma dose normal analgésica de morfina;
  • Ocorre diminuição na sensibilidade do centro respiratório à PCO2;
  • Os neurônios no centro respiratório bulbar não parecem estar deprimidos, quando aplicados na superfície ventral – efeito depressor sobre a respiração;
  • Depressão respiratória não é acompanhada pela depressão dos centros bulbares que controlam a função cardiovascular. Ocorre com doses normais a depressão respiratória;
  • Náuseas e vômitos, ocorrem em até 40% dos pacientes que fazem uso pela primeira vez de morfina;
  • São transitórios e desaparecem com a administração repetida;
  • Constrição Pupilar o Mediada pelo µ e k. o Pupilas puntiformes;
  • Efeitos no TGI o Reduz a motilidade do TGI, resultando em constipação que pode ser severa e incômoda;
  • Aumento da pressão no sistema biliar, por causa da contração da vesícula biliar e da constrição do esfíncter biliar;
  • Dependência Física o Caracteriza-se por uma Síndrome de Abstinência nítida;
  • Causa irritabilidade aumentada, perda de apetite e padrões comportamentais anormais – sacudidas e tremores;
  • Sintomas Físicos – máximos após 2-3 dias. Desaparecem em 8-10 dias;