Entenda sobre a Tuberculose

A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa geralmente causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB), ou também conhecida como Bacilo de Koch.

A tuberculose afeta geralmente os pulmões, embora possa também afetar outras partes do corpo.

A maioria das infeções não manifesta sintomas, sendo nesses casos denominada tuberculose latente.

Cerca de 10% das infeções latentes evoluem para tuberculose ativa.

Se não for tratada, a tuberculose ativa causa a morte a metade das pessoas infectadas!

Quais são os sintomas clássicos da TB?

Podendo ser assintomática, ou seja, o portador pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma, mas posteriormente podem ocorrer febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares.

Dificuldade na respiração, eliminação de sangue (Hemoptise) e acúmulo de secreção na pleura pulmonar são características em casos mais graves.

Como é ocorrido a Transmissão?

A tuberculose é transmitida pelos bacilos expelidos por um indivíduo contaminado quando tosse, fala, espirra ou cospe.

A tuberculose se dissemina através de aerossóis no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram.

Contactos próximos (pessoas que tem contato frequente) têm alto risco de se infectarem.

A transmissão ocorre somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa ativa (e não de quem tem a doença latente).

A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.

A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia anti tuberculose eficaz.

A tuberculose resistente é transmitida da mesma forma que as formas sensíveis a medicamentos.

A resistência primária se desenvolve em pessoas infectadas inicialmente com micro-organismos resistentes.

A resistência secundária (ou adquirida) surge quando a terapia contra a tuberculose é inadequada ou quando não se segue ou se interrompe o regime de tratamento prescrito.

Como é diagnosticado?

Uma avaliação médica completa para a tuberculose ativa inclui um histórico médico, um exame físico, a baciloscopia de escarro, uma radiografia do tórax e culturas microbiológicas.

A prova tuberculínica (também conhecida como teste tuberculínico ou teste de Mantoux) está indicada para o diagnóstico da infecção latente, mas também auxilia no diagnóstico da doença em situações especiais, como no caso de crianças com suspeita de tuberculose. Toda pessoa com tosse por três semanas ou mais é chamada sintomática respiratória (SR) e pode estar com tuberculose.

Quais são as prevenções e o tratamento?

A imunização com vacina BCG dá entre 50% a 80% de resistência à doença. Em áreas tropicais onde a incidência de micobactérias atípicas é elevada (a exposição a algumas “micobactérias” não transmissoras de tuberculose dá alguma proteção contra a Tuberculose), a eficácia da BCG é bem menor. No Reino Unido, adolescentes de 15 anos são normalmente vacinadas durante o período escolar.

O tratamento para tuberculose é feito com antibióticos orais, como a Isoniazida e a Rifampicina, que eliminam do organismo a bactéria que provoca o surgimento da doença. Uma vez que a bactéria é muito resistente, é necessário fazer o tratamento por cerca de 6 meses, embora, em alguns casos, possa durar entre 18 meses a 2 anos até se atingir a cura.

Os casos mais fáceis de tratar são os de tuberculose latente, ou seja, quando a bactéria está no corpo mas se encontra adormecida, não causando sintomas, nem podendo ser transmitida. Já a tuberculose ativa é mais difícil de tratar e, por isso, o tratamento pode demorar mais tempo e pode necessário tomar mais do que um antibiótico para atingir a cura.

Assim, os medicamentos utilizados no tratamento variam de acordo com idade do paciente, estado geral de saúde e o tipo de tuberculose.

A Tuberculose e a Precaução por Aerossóis

Pacientes internados sob suspeita ou confirmação de Tuberculose, precisam estar isolados por precaução de Aerossóis, precisando:

  • Ficar em quarto privativo (ou coorte, que deve ser evitada) que possua pressão de ar negativa em relação às áreas vizinhas; e com filtragem com filtros HEPA, e as portas devem ser mantidas fechadas;
  • Deve obter a proteção respiratória com máscara que possua capacidade adequada de filtração e boa vedação lateral, máscara nº 95.
  • E o transporte dos pacientes deve ser limitado, mas se for necessário eles devem usar máscara (a máscara cirúrgica é suficiente).

Veja Também:

Pseudomonas

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)

https://enfermagemilustrada.com/pneumonia/

https://enfermagemilustrada.com/os-tipos-de-isolamento/

Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)

Cateteres Flexíveis

Os Cateteres Flexíveis, também conhecido como “Abocath, Jelco” são cateteres de curta permanência que servem para monitorar o paciente, administração de soroterapia medicamentosa, onde são constituídos por materiais cilíndricos, canulados e perfurantes.

Contudo, são destinados (exclusiva ou simultaneamente) a viabilizar a drenagem de elementos do tecido sanguíneo e/ ou infusão de soluções líquidas, na direção exterior corporal ou interior dos vasos, nos respectivos sentidos do fluxo.

Mas possuem uma extremidade destinada à perfuração e à penetração das estruturas corporais e outra, ao “plug adaptador”, para promover conexões com seringa(s) ou equipo(s).

Entretanto, muitos o conhecem pelos nomes comerciais “jelco, abocath”, mas vale lembrar que isto é somente um nome comercial, todavia que existem outros nomes para este tipo de cateter.

Conhecendo as Características do Cateter

A agulha é confeccionada em aço inoxidável com bísel trifacetado com a finalidade de perfurar a pele até chegar ao acesso venoso, preservando a integridade do cilindro, evitando que ele se dobre ou se quebre até chegar ao vaso.

Portanto, é confeccionado de polímero policloreto de vinila (Teflon® ou Vialon), ou polímero poliuretano (PU), ambos flexíveis, de calibres que vão de 14G a 24G.

Em uma das extremidades possui um conector 6% luer onde se observa o retorno sanguíneo e promove a conexão com a seringa, equipo, multivias, etc. para que se inicie a infusão posteriormente.

As Indicações de Cada Cateter

Nº14: Adolescentes e Adultos, cirurgias importantes, procedimentos de ressuscitação, sempre que se deve infundir grandes quantidades de líquidos. Portanto, a inserção mais dolorosa exige veia calibrosa.

16: Pré-adolescentes, adolescentes e adultos, mas também serve para administração de hemoderivados e hemocomponentes e outras infusões viscosas. Portando, a  Inserção mais dolorosa exige veia calibrosa.

18: Crianças, adolescentes e adultos. Certamente é adequado para a maioria das infusões venosas de sangue e outros hemoderivados.

Nº 20: Bebês, crianças, adolescentes e adultos (em especial, idosos). Certamente é adequado para a a maioria das infusões, portanto, é mais fácil de inserir em veias pequenas e frágeis, contudo deve ser mantida uma velocidade de infusão menor. Eventualmente indicado em casos de inserção difícil, como pele resistente.

Nº22 e 24: RN’s, bebês, crianças, adolescentes e adultos (em especial, idosos). Certamente é adequado para a maioria das infusões, mas a velocidade de infusão deve ser menor.

Portanto, é ideal para veias muito estreitas, todavia como exemplo, pequenas veias digitais ou veias internas do antebraço em idosos.

Enfim, destacando que o cateter 24G é que a sua cânula é bem fina e pode ser utilizado em neonatos sem causar o rompimento do vaso.

Validade de Troca

Decerto é indicado consultar o Protocolo Operacional Padrão (POP) de sua instituição para averiguar o prazo de validade padronizado naquele âmbito hospitalar.

Contudo é recomendado em diversas literaturas para o prazo de troca, mesmo que não obtenha sinais flogísticos, ou flebite, em até 72 horas, sempre revezando o lugar a ser puncionado.

Veja também:

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

Cateter Venoso Central (CVC)

Cateter Central Totalmente Implantado

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

Que Medicamento é Esse?: Noradrenalina

Que Medicamento é Esse?: Noradrenalina

Noradrenalina, também chamada de Norepinefrina, é uma das monoaminas (também conhecidas como catecolaminas, que mais influencia o humor, ansiedade, sono e alimentação junto com a Serotonina, Dopamina e Adrenalina.

O Hemitartarato de Norepinefrina

O Hemitartarato de Norepinefrina, que é a substância ativa, é usado no controle da pressão sanguínea em certos estados hipotensivos agudos (feocromocitomectomia, simpatectomia, poliomielite, infarto do miocárdiosepticemia, transfusão sanguínea e reações a fármacos).

Sendo utilizado também como coadjuvante no tratamento da parada cardíaca e hipotensão profunda, contudo esta versão é a mais utilizada em âmbito hospitalar.

Como Funciona?

A Norepinefrina age no aumento das pressões sistólica e diastólica e em geral da pressão do pulso. Sendo assim, a resistência vascular periférica aumenta na maioria dos vasos sanguíneos e o fluxo sanguíneo em cada uma das artérias que irrigam o coração aumenta.

Os Efeitos Colaterais

Dentre os mais comuns que podem ocorrer com o uso deste fármaco são:

  • Lesões que fazem parar ou diminuir a circulação do sangue que irriga o órgão;
  • Deficiência de oxigênio no sangue, células ou tecidos;
  • Diminuição do ritmo cardíaco;
  • Ansiedade;
  • Dor de cabeça;
  • Dispneia;
  • Morte tecidual por extravasamento no local da injeção.

Quando é Contraindicado?

Não deve ser usado em:

  • Pessoas que tenham alergia ao hemitartarato de norepinefrina ou quaisquer outros componentes da formulação;
  • Além disso, também não deve ser administrado em hipotensos por diminuição no volume sanguíneo;
  • Pessoas com trombose vascular mesentérica ou periférica ou durante a anestesia com ciclopropano e halotano;
  • Grávidas ou mulheres a amamentar.

Os Cuidados de Enfermagem

  • A medicação deve ser administrada exatamente conforme recomendado e o tratamento não deve ser interrompido, sem o conhecimento do médico;
  • A medicação não deve ser usada durante a gestação. No caso de gravidez (confirmada ou suspeita) ou, ainda, se a paciente estiver amamentando, o médico deverá ser comunicado imediatamente;
  • Informe ao paciente as reações adversas mais freqüentes relacionadas ao uso da medicação e na ocorrência de qualquer uma, principalmente as incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser consultado.
  • Após o início da infusão, monitore: a P.A a cada 5 minutos;
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas;
  • IV: Dilua em Soro Glicosado à 5% e deve ser infundido em veia de grosso calibre e sob monitorização constante;
  • Nos pacientes idosos ou com doença vascular periférica, não infunda na veia femural, monitore o local da infusão;
  • Evite o extravasamento da droga no tecido intersticial;
  • Se a solução estiver rosa ou marrom, não administre!

Saiba por que não se deve misturar certos medicamentos!

Saiba por que não se deve misturar certos medicamentos!

Todo medicamento tem efeitos colaterais e, por mais que eles tenham sido criados para combater doenças, também podem oferecer riscos para a saúde. Um fenômeno tem se tornado cada vez mais comum entre a população: a chamada “polifarmácia”. Você sabia que a diferença entre o remédio e o veneno está na circunstância e na dose? Pois é.

Veja os medicamentos que parecem “inofensivos”, mas que oferecem riscos à saúde!

Anticoncepcional + antidepressivo fitoterápico (hipérico ou erva de São Jorge)

A mistura diminui em até 60% o efeito contraceptivo da pílula.

Anti-inflamatórios + ácido acetilsalicílico (aspirina)

A mistura pode causar uma irritação na mucosa gástrica devido a um efeito somatório, aumentando o risco de desenvolvimento de gastrite e úlceras.

Anti-inflamatórios + paracetamol

Os dois remédios juntos podem gerar problemas renais, levando a quadros hepáticos.

Antidepressivos + antigripal (anfetamina)

Essa combinação pode gerar grande aumento da pressão, levando até a delírios.

Anti-inflamatórios + corticoides

Aumenta a retenção de líquidos e sal, causando inchaço, e pode levar ao aumento de pressão. Também pode irritar o estômago, gerando, em alguns casos, sangramentos e formação de úlceras.

Antiácidos + antibióticos

O antiácido pode interferir na absorção do antibiótico, diminuindo sua eficiência.

Anti-hipertensivo + calmantes

Causa sonolência e queda de pressão.

Remédios para disfunção erétil + antidepressivos

Aumenta os riscos de priapismo, quando o pênis fica ereto por mais de seis horas, causando problemas para o órgão.

Anticoncepcional + anti-inflamatórios

Em algumas situações pode causar sangramentos.

Colírios + descongestionantes nasais

Em alguns casos pode gerar aumento de pressão, especialmente em idosos e crianças.

Anti-hipertensivo + diurético

A combinação pode levar a perda de sais minerais, causando desidratação e problemas renais.

Anticoncepcional + antibiótico

Alguns tipos de antibióticos podem causar alterações pontuais no metabolismo do anticoncepcional.

Remédios para emagrecer + antidepressivo

Pode causar taquicardia e aumento da pressão arterial.

Inibidores de apetite + ansiolíticos

A combinação traz possibilidade de o paciente sentir irritabilidade, confusão mental, alterações de batimentos cardíacos e tontura.

Anticoncepcional + hormônios femininos, como estrógeno

Dependendo do tipo de pílula pode haver excesso de estrógeno, aumentando o risco de coagulação sanguínea.

Anticoagulantes + antifúngicos

Há alteração no metabolismo dos medicamentos e pode causar arritmias cardíacas.

Anticoagulante + anti-inflamatório

Aumentam os riscos de hemorragia.

Aspirina + Anticoagulantes

Dois diluentes do sangue que juntos aumentam o risco de hemorragias com o uso prolongado.

Aspirina + Antiinflamatório Não Esteroidal 

Medicamentos sem necessidade de prescrição que, quando combinados, podem causar sangramentos, ulceração ou perfuração do estômago.

Que Medicamento é Esse?: Atenolol

Que Medicamento é Esse?: Atenolol

O Atenolol,  é um medicamento com indicação de controle da hipertensão, angina de peito e arritmias, podendo ser usado no tratamento do infarto do miocárdio ou após o infarto, em adultos.

Entretanto, age predominantemente sobre os receptores beta-1 adrenérgicos do tecido cardíaco, reduzindo o débito cardíaco e o consumo de oxigênio e diminuindo a secreção da renina.

Como Funciona?

Este medicamento é um composto que pertence à classe dos anti-hipertensivos, que atua sobre os receptores do coração e da circulação. Quando usado continuamente, o Atenolol é assim capaz de reduzir a pressão arterial.

Após a administração de oral de Atenolol, os picos de concentração de medicamento no sangue ocorrem cerca de 2 a 4 horas após a sua administração.

Os Efeitos Colaterais

Alguns dos efeitos colaterais mais comuns de Atenolol podem incluir cansaço extremo, mãos e pés frios, tontura, alterações de humor, queda de pressão, desmaio, problemas de estômago e intestino ou boca seca.

Quando é Contraindicado?

O Atenolol está contraindicado para pacientes com doenças ou problemas de coração, pressão baixa ou muito baixa, problemas de circulação, pacientes com má alimentação ou com feocromocitoma e para pacientes com alergia ao Atenolol ou a outros componentes da fórmula.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Instrua o paciente a tomar a medicação, exatamente conforme recomendado (todos os dias sempre no mesmo horário), e a não interromper o tratamento, sem o conhecimento de seu médico, ainda que alcance melhora.
  • O uso da medicação não deve ser suspenso subitamente ou sem o conhecimento do médico, informe ao paciente os sintomas relacionados à suspensão súbita do seu uso (Angina e IAM).
  • As doses devem ser reduzidas lenta e gradualmente, durante mais de 2 semanas.
  • A medicação deve ser usada cuidadosamente nos casos de ICC e em pacientes com broncoespasmo, asma, ou enfisema (principalmente em doses de 100mg).
  • Informe ao paciente as reações adversas mais frequentes relacionadas ao uso da medicação e na ocorrência de qualquer uma delas, principalmente aquelas incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser comunicado.
  • Recomende ao paciente que que evite os substitutos do sal e os alimentos que contém altos níveis de potássio ou sódio, exceto quando prescritos pela nutricionista.
  • Pode causar tontura. Recomende que o paciente evite dirigir e outras atividades que requerem estado de alerta, durante a terapia.
  • Recomende que o paciente evite o uso de qualquer outra droga ou medicação, sem o conhecimento de seu médico, durante a terapia.
  • Antes da administração, monitore: Periodicamente o pulso radial e , diante pulso <60bpm, não administre a droga sem o conhecimento do médico!
  • Durante a terapia, monitore a PA (o uso da medicação pode mascarar os sinais de choque ou hipoglicemia).
  • Interações Medicamentosas: Atenção ao uso concomitante de outras drogas!
  • VO: A medicação deve ser administrada durante as refeições, para evitar as reações gastrintestinais.

A Anatomia de uma Cápsula Mole

A Anatomia de uma Cápsula Mole

A Cápsula Mole, ou também conhecido como Softgel, contém material feito de gelatina, onde protege as substâncias ativas dos medicamentos contra agentes externos desfavoráveis como a luz e o oxigênio, além de algumas vezes camuflar o sabor particularmente desagradável.

Qual é a diferença da Cápsula Mole para uma Cápsula Dura (aquelas que possuem duas cores distintas)?

As cápsulas moles são usadas principalmente para conter líquidos, enquanto as duras são usadas para conter o pó.

Mas nestas cápsulas, o invólucro é constituído pelos mesmos componentes básicos que são utilizados na produção das cápsulas duras, embora as proporções sejam diferentes. Apresentam maior quantidade relativa de glicerina, em detrimento da gelatina, o que confere maior flexibilidade à cápsula. O invólucro é mais espesso, e é formado, enchido e fechado durante um único ciclo de fabricação.

O conteúdo é líquido ou pastoso, e de natureza oleosa para evitar que o invólucro seja dissolvido.

Quem inventou esta tecnologia?

Foi inventado este método de tecnologia em 1933, pelo Dr.  Robert Pauli Scherer.

Que Medicamento é Esse?: Dexametasona

Que Medicamento é Esse?: Dexametasona

A dexametasona, também conhecida pelo nome comercial Decadron, é um medicamento que pertence à classe dos glicocorticoides, um dos mais potentes grupos de fármacos anti-inflamatórios e imunossupressores.

Diversas são as doenças que podem ser tratadas com esse glicocorticoide, incluindo problemas de origem reumática, imunológica, cutânea, ocular, endocrinológica, pulmonar, sanguínea, gastrintestinal, neurológica e neoplásica.

Como Funciona?

A Dexametasona é um corticoide sintético, que apresenta um potente efeito anti-inflamatório, anti-reumático e anti-alérgico. Embora sua atividade anti-inflamatória seja acentuada, mesmo com doses baixas, seu efeito no metabolismo eletrolítico é leve.

O número de condições médicas que podem ser tratados com a dexametasona é tão grande que é até difícil citar todas. A lista abaixo é bem grande, mas não está completa.

  • Doenças do origem alérgica: rinite alérgica, asma brônquica, dermatite de contato, dermatite atópica, doença do soro, reações de hipersensibilidade a medicamentos, edema laríngeo não infeccioso e urticária.
  • Doenças reumatológicaslúpus eritematoso sistêmico, cardite reumática aguda, artrite psoriática, artrite reumatoide, espondilite anquilosante, bursite aguda e subaguda, tenossinovite aguda, artrite gotosa, osteoartrite pós-traumática, epicondilite, dermatomiosite e polimiosite.
  • Doenças dermatológicas: pênfigo, dermatite bolhosa herpetiforme, síndrome de Stevens-Johnson, dermatite esfoliativa, eritrodermia esfoliativa, micose fungoide, psoríase grave, dermatite seborreica grave, queloide, líquen simples crônico, alopecia areata.
  • Teste de diagnóstico: diagnóstico de hiperfunção adrenocortical.
  • Distúrbios endócrinos: insuficiência adrenal, hiperplasia adrenal congênita, tireoidite não supurativa, hipercalcemia associada ao câncer.
  • Doenças gastrointestinais: para proteger o paciente durante o período crítico da colite ulcerativa ou da enterite regional.
  • Alterações hematológicas: púrpura trombocitopênica idiopática, anemia hemolítica auto-imune, aplasia pura dos glóbulos vermelhos.
  • Neoplasias: manejo paliativo de leucemias e linfomas em adultos e leucemia aguda da infância.
  • Sistema nervoso: exacerbações agudas da esclerose múltipla, edema cerebral associado a tumor cerebral primário ou metastático.
  • Doenças oftalmológicas: processos alérgicos e inflamatórios graves envolvendo o olho, tais como conjuntivite alérgica, ceratite, blefarite alérgica, úlceras alérgicas da córnea, herpes zoster oftálmico, irite e iridociclite, coriorretinite, uveíte posterior difusa e coroidite, neurite ótica, arterite temporal.
  • Doenças respiratórias: sarcoidose, Síndrome de Löeffler, beriliose, tuberculose pulmonar fulminante ou disseminada em associação com antibioterapia apropriada, pneumonite por aspiração, pneumonias eosinofílicas idiopáticas.

Os Efeitos Colaterais

Alguns dos efeitos colaterais de Dexametasona podem incluir:

Retenção de líquidos, aumento de peso, pressão alta, níveis elevados de açúcar no sangue, aumento da necessidade de medicamentos para controlar a diabetes, osteoporose, aumento do apetite, menstruação irregular, dificuldade em cicatrizar feridas, problemas ou doenças na pele, inchaço nos lábios ou língua, convulsões, problemas psicológicos como alterações de humor ou dificuldade de julgamento, aumento da sensibilidade para contrair infecções, fraqueza nos músculos e úlcera gastrintestinal.

Quando é Contraindicado?

A Dexametasona está contraindicada para pacientes com infecções causadas por fungos, pacientes que necessitem de tomar vacinas de vírus vivo durante o tratamento e para pacientes com histórico de sensibilidade a sulfitos ou a algum dos componentes da fórmula.

Os Cuidados de Enfermagem

  • A medicação deve ser administrada exatamente conforme recomendado e o tratamento não deve ser interrompido, sem o conhecimento do médico, ainda que o paciente alcance melhora. Se 1 dose for esquecida, ela deverá ser administrada tão logo possível,  exceto quando no mesmo horário da próxima dose. O uso da medicação não deve ser suspenso subitamente, principalmente após terapias prolongadas. As doses devem ser reduzidas lenta e gradualmente, durante o tratamento. Informe ao paciente o objetivo da medicação para facilitar tanto a compreensão do seu diagnóstico como a sua colaboração no tratamento.
  • Durante a gestação ou lactação, a medicação somente deverá ser usada quando os benefícios superarem os riscos potenciais de seu uso. No caso de gravidez (confirmada ou suspeita) ou, ainda, se a paciente estiver amamentando, o médico deverá ser comunicado imediatamente. Recomende à paciente o emprego de métodos contraceptivos seguros e adequados, durante a terapia.
  • Informe ao paciente as reações adversas mais freqüentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente sinais de insuficiência adrenal (fadiga, fraqueza muscular, dores nas articulações, febre, anorexia, náusea, dispneia, tontura), como também aquelas incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser comunicado imediatamente. O uso da medicação também pode mascarar infecções e amebíase. Recomende ao paciente, principalmente aquele sob terapia prolongada, que consulte periodicamente um oftalmologista.
  • Durante o tratamento, o paciente não deverá receber qualquer forma de imunização, sem o conhecimento do médico.
  • Os pacientes idosos são mais suscetíveis à osteoporose. Recomende a prática regular de exercícios e o uso de vitamina D ou cálcio, conforme prescrição médica.
  • Recomende ao paciente que evite o consumo de álcool e o uso concomitante de analgésicos AINEs, como também de qualquer outra droga ou medicação, sem o conhecimento do médico, durante a terapia.
  • Durante a terapia, monitore: o peso; a P.A; os etetrólitos; o nível de glicose no sangue (principalmente em pacientes diabéticos que podem requerer aumento da dose de insulina); e avalie: sinais de hipocalemia (relacionados ao uso de diuréticos e de anfotericina B), sinais de depressão e episódios psicóticos (principalmente em regimes de doses altas).
  • Exames laboratoriais: em terapias crônicas, os testes de função adrenal devem ser realizados periodicamente, para avaliação do grau da supressão do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA); as crianças e os pacientes, sob uso de doses mais altas do que as recomendadas, são mais suscetíveis ao desenvolvimento de supressão do eixo HPA.
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas.
  • VO: a medicação deve ser administrada pela manhã para obtenção de um melhor resultado e da redução da toxicidade; a medicação deve ser administrada com alimentos.
  • Tópico: recomenda-se cautela no uso de curativos oclusivos, fraldas e sob áreas cobertas devido ao aumento de sua absorção; deve-se evitar o uso prolongado próximo de olhos e das áreas genital e retal.
  • IM: administre profundamente no músculo glúteo e alterne os locais de aplicação para evitar atrofia muscular.
  • SC: o uso por esta via não é recomendado devido ao risco de atrofia e abscesso.

Livedo Reticular (LR)

Livedo Reticular

Certamente, você já deve ter visto em algum momento um paciente com estas características na pele.

Lembrando vagamente como se fosse uma textura “marmorizada”, com coloração levemente avermelhada e puxado mais para o arroxeado, é uma alteração da coloração da pele caracterizada por cianose em forma de placas, circundada por áreas de palidez.

Mas quando muito intenso, a pele adquire o aspecto de mármore e recebe a denominação de “cutis marmorata.” ou Livedo Reticular (LR).

O Livedo Reticular ocorre por uma contração das arteríolas causada tanto pelo frio quanto por doenças orgânicas e possui grande influência da temperatura ambiente, aumentando com o frio e diminuindo como calor.

Embora, a manifestação ocorre em 1 a 5% das pessoas sadias, em especial idosas, mas atinge principalmente as extremidades dos membros, como antebraços, pernas, coxas e pés.

Afinal, é discreta nos meses quentes e acentuada nos meses frios, uma vez que, nessa época, ocorre maior contração das arteríolas para manter o calor do corpo.

Embora existam pacientes nos quais a causa de livedo reticular é desconhecida, sendo considerado doença idiopática, o livedo reticular pode ser manifestação de doença secundária como: lúpus eritematoso sistêmico, poliarterite nodosa, doenças da tireóide, e a síndrome do anticorpo antifosfolípide, entre outras doenças.

Que Medicamento é Esse?: Adrenalina

Adrenalina

A Adrenalina, também conhecida como Epinefrina, é um hormônio liberado na corrente sanguínea que tem a função de manter o corpo alerta para situações de fortes emoções ou estresse como luta, fuga, excitação e medo, por exemplo.

Como medicamento em forma sintética, é um potente medicamento com efeito antiasmático, vasopressor e estimulante cardíaco que pode ser utilizado em situações de urgência ou em UTI, como para tratar uma reação anafilática ou para estimular os níveis de pressão.

Como Funciona?

A Adrenalina atua no alívio do broncoespasmo, no alívio das reações de hipersensibilidade devida a medicamentos e outros alérgenos. Também pode ser utilizada para restabelecer o ritmo cardíaco na parada cardíaca, mas não deve ser usada em insuficiência cardíaca ou choque cardiogênico, traumático ou hemorrágico.

Pode ser usada no alívio de sintomas da doença do soro, urticária e edema angioneurótico; para ressuscitação na parada cardíaca devido a acidente anestésico, no glaucoma simples (ângulo aberto); para o relaxamento e inibição da contração da musculatura uterina.

Os Efeitos Colaterais

Pode ocasionar:

  • Fibrilação ventricular fatal, hemorragia subaracnoide ou cerebral, aumento da PA, podendo causar ruptura aórtica, angina pectoris. obstrução da artéria central da retina;
  • Náuseas ou Vômito;
  • Diminuição do débito urinário, retenção urinária, disúria, espasmo vesical;
  • Queimação transitória (durante a administração);
  • Fotofobia, visão turva, hipersensibilidade, dor nos olhos;
  • Anorexia, tendência suicida ou homicida, tontura, ansiedade, medo, palidez, desorientação, perda da memória, agitação psicomotora, alucinação, inquietação, sonolência, tremor, insônia, convulsão, depressão no SNC, sintomas de paranóia, cefaleia.

Quando é Contraindicado?

Nos casos de hipersensibilidade às aminas simpaticomiméticas ou bissulfitos ou fluorocarbonos (recomenda-se evitar o uso de alguns inalantes em pacientes com hipersensibilidade ou intolerância prévia a essas drogas).

Use cuidadosamente nos casos de doença cardíaca, hipertensão, hipertiroidismo, diabetes, glaucoma (exceto para uso oftálmico) e em pacientes idosos (mais suscetíveis a reações adversas; recomenda-se reduzir a dose).

O uso excessivo, por via intranasal, pode causar tolerância e broncoespasmo paradoxal. Gestação (terceiro trimestre), lactação e crianças <2 anos não há segurança ainda estabelecida.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Instrua o paciente a usar a medicação exatamente conforme recomendado e a não exceder as doses indicadas, devido ao risco de desenvolvimento de reações adversas (broncoespasmo paradoxal) ou da perda de sua eficácia. O uso prolongado ou excessivo também pode levar ao desenvolvimento de tolerância.
  • A eficácia pode ser restabelecida com a suspensão da medicação, durante alguns dias, e, em seguida, reinicia-se o tratamento. Se 1 dose for esquecida, ela deverá ser administrada tão logo possível. As doses restantes devem ser administradas em intervalos regulares. As doses esquecidas não devem ser dobradas. A medicação deve ser administrada logo ao primeiro sinal de broncoespasmo. Se, após a administração da medicação, não houver alívio na falta de ar ou se ela for acompanhada de diaforese, tontura, palpitações ou dor torácica, recomende que o paciente comunique imediatamente ao médico.
  • Broncodilatador: antes e durante a terapia, avalie: a ausculta pulmonar, o padrão respiratório, o pulso e a  PA; relate a quantidade, a cor e o aspecto da secreção produzida e comunique ao médico quaisquer achados anormais; antes do início e periodicamente durante a terapia, monitore: os testes de função pulmonar para determinar a efetividade do tratamento; e avalie: broncoespasmo paradoxal (respiração ofegante) e, diante esta ocorrência, suspenda imediatamente o uso da medicação e comunique ao médico; sinais de tolerância à droga e broncoespasmo de rebote; os pacientes que requerem> 3 inalações/dia (vigilância rigorosa), pois, se, após 3-5 inalações, em 6-12h, houver apenas um mínimo ou nenhum alívio, o tratamento apenas com aerossol não é recomendado; reações de hipersensibilidade (rash, urticária, edema de face, lábios ou pálpebras) e, diante desta ocorrência, suspenda imediatamente o uso da medicação e comunique ao médico.
  • Choque: a hipovolemia deve ser corrigida antes da administração IV de isoproterenol; choque anafiláctico: é necessário administrar concomitantemente a reposição de volume com a epinefrina; os glicocorticóides e os anti-histamínicos podem ser usados com a epinefrina.
  • Vasopressor: freqüentemente durante a administração IV, monitore: a PA, o pulso, o ECG, a freqüência respiratória (os parâmetros hemodinâmicos e o débito urinário também devem ser monitorizados continuamente); e avalie: dor torácica, arritmia, freqüência cardíaca> 110bpm e hipertensão (consulte o médico sobre as avaliações de pulso, PA e alterações ao ECG para possibilitar o ajuste da dose ou a suspensão da medicação).
  • Antes da administração, avalie cuidadosamente a dose, a concentração e a via, para evitar reações fatais devido a erros na administração da medicação.
  • Exames laboratoriais: pode causar: diminuição transitória nas concentrações de potássio sérico, aumento da glicose no sangue e das concentrações séricas de ácido láctico (devido ao uso por via intranasal [inalação] ou em doses mais altas do que as recomendadas).
  • Superdosagem e Toxicidade: Os sintomas são: agitação persistente, dor ou desconforto torácico, hipotensão, tontura, hiperglicemia, hipocalemia, convulsão, taquiarritmia, tremor persistente e vômito; sendo o tratamento com a suspensão do broncodilatador adrenérgico e de outros agonistas beta-adrenérgicos e terapia de manutenção sintomática; os bloqueadores beta adrenérgicos cardios-seletivos devem ser usados cuidadosamente, uma vez que podem induzir broncoespasmo.
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas!
  • Inalação: instrua o paciente que são necessários intervalos de 1-2min. entre as inalações (solução, aerossol); que, quando em uso concomitante de glico-corticóides ou inalações de ipratrópio, o broncodilatador deve ser administrado primeiro e os outros medicamentos 5min. após, para evitar toxicidade pela inalação de propulsores de fluorocarbono (exceto quando recomendado de outra forma); sobre a técnica correta de inalação (aerossol, respiração por pressão positiva intermitente [RPPI], inalante dosimetrado); informe ao paciente que após cada inalação, o bocal deve ser sempre lavado e que os enxágues orais minimizam as reações adversar (como boca seca), sendo que o spray não deve ser usado próximo aos olhos; a manutenção de uma ingestão de líquidos adequada (2-3 litros/dia) auxilia na fluidificação das secreções viscosas ou aderentes; na falta de alívio ou a piora dos sintomas respiratórios, após a inalação, ou na presença de dor torácica, cefaleia, tontura severa, palpitações, nervosismo ou fraqueza, o médico deverá ser comunicado imediatamente .
  • Endotraqueal: se o paciente estiver intubado, a droga poderá ser injetada diretamente na árvore bronquial, através do tubo endotraqueal; execute 5 insuflações rápidas; administre vigorosa mente 10ml (1 mg/ml) diretamente no tubo; prossiga com 5 insuflações rápidas.
  • SC ou IM: a suspensão só deve ser administrada por via SC; não use soluções que apresentem alterações (rosa ou castanho) em sua cor original ou que contenham partículas; a droga pode causar irritação do tecido; alterne os locais de aplicação para evitar a necrose do tecido; logo após a administração, massageie os locais de aplicação para aumentar a absorção da droga e diminuir a vasoconstrição local; evite administração IM no músculo glúteo; agite bem a suspensão antes de administrar e injete rapidamente.
  • IV: não use soluções que apresentem alterações (rosa ou castanho) em sua cor original ou que contenham partículas; após o seu preparo, qualquer solução não usada, dentro de 24h, deve ser descartada; direta: administre cada 1mg em, pelo menos, 1min.; administrações mais rápidas podem ser usadas durante ressuscitação cardíaca; intermitente: em choques anafiláticos severos, a dose de 0,1-0,25mg pode ser repetida a cada 5-15min.; administre além de 5-10min.; contínua: administre 1-4mcg/min.

 

As Reações Transfusionais

Reações Transfusionais

As reações transfusionais são, portanto, toda e qualquer intercorrência que ocorra como conseqüência da transfusão sanguínea, durante ou após a sua administração. A transfusão é um evento irreversível que acarreta benefícios e riscos potenciais ao receptor. Apesar da indicação precisa e administração correta, reações às transfusões podem ocorrer. Portanto, é importante que todos profissionais envolvidos na prescrição e administração de hemocomponentes estejam capacitados a prontamente identificar e utilizar estratégias adequadas para resolução e prevenção de novos episódios de reação transfusional.

A ocorrência destas reações está associada a diferentes causas, dentre as quais fatores de responsabilidade da equipe hospitalar como erros de identificação de pacientes, amostras ou produtos, utilização de insumos inadequados (equipos, bolsa, etc.), fatores relacionados ao receptor e/ou doador como existência de anticorpos irregulares não detectados em testes pré-transfusionais de rotina.

Como são classificados estas reações?

Podem ser classificadas em imediatas (até 24 horas da transfusão) ou tardias (após 24 horas da transfusão), imuno­lógicas e não-imunológicas.

  Imune Não-imune
Imediata Reação febril não-hemolítica (RFNH) Sobrecarga volêmica
Reação hemolítica aguda (rha) Contaminação bacteriana
Reação alérgica (leve, moderada, grave) Hipotensão por inibidor da ECA
TRALI (Transfusion Related Lung Injury) Hemólise não-imune
Hipocalcemia
Embolia aérea
Hipotermia
Tardia Aloimunização eritrocitária Hemossiderose
Aloimunização HLA Doenças infecciosas
Reação enxerto x hospedeiro
Púrpura pós-transfusional
Imunomodulação

Quais são os Sinais e Sintomas?

A ocorrência destas reações pode associar-se a um ou mais dos seguintes sinais e sintomas como:

a) Febre com ou sem calafrios (definida como elevação de 1°C na temperatura corpórea), associada à transfusão;

b) Calafrios com ou sem febre;

c) Dor no local da infusão, torácica ou abdominal;

d) Alterações agudas na pressão arterial, tanto hipertensão como hipotensão;

e) Alterações respiratórias como: dispnéia, taquipnéia, hipóxia, sibilos;

f) Alterações cutâneas como: prurido, urticária, edema localizado ou generalizado;

g) Náusea, com ou sem vômitos.

A ocorrência de choque em combinação com febre, tremores, hipotensão e/ou falência cardíaca de alto débito sugere contaminação bacteriana, podendo também acompanhar o quadro de hemólise aguda. A falência circulatória, sem febre e/ou calafrios, pode ser o dado mais importante de anafilaxia. A alteração na coloração da urina pode ser o primeiro sinal de hemólise no paciente anestesiado.

O que fazer quando ocorrer estas reações?

  • Interromper imediatamente a transfusão e comunicar o médico responsável pela transfusão;
  • Manter acesso venoso com solução salina a 0,9%;
  • Verificar sinais vitais e observar o estado cardiorrespiratório;
  • Verificar todos os registros, formulários e identificação do receptor. Verificar à beira do leito, se o hemocomponente foi correta­mente administrado ao paciente desejado;
  • Avaliar se ocorreu a reação e classificá-la, a fim de adequar a conduta específica;
  • Manter o equipo e a bolsa intactos e encaminhar este material ao serviço de hemoterapia;
  • Avaliar a possibilidade de reação hemolítica, TRALI, anafilaxia, e sepse relacionada à transfusão, situações nas quais são necessárias condutas de urgência;

Se existir a possibilidade de algumas destas reações supracitadas, coletar e enviar uma amostra pós-transfusional junto com a bolsa e os equipos (garantir a não-contaminação dos equipos) ao serviço de hemoterapia, assim como amostra de sangue e/ou urina para o laboratório clinico quando indicado pelo médico;

  • Registrar as ações no prontuário do paciente.

 Observações: As amostras devem ser colhidas preferencialmente de outro acesso que não aquele utilizado para a transfusão. Em casos de reação urticariforme ou sobrecarga circulatória, não é necessária a coleta de amostra pós transfusional.

Alguns Cuidados com a Transfusão Sanguínea:

  • Treinamento dos profissionais da saúde quanto às normas de coleta e identificação de amostras e do paciente;
  • Avaliação criteriosa da indicação transfusional;
  • Avaliação das transfusões “de Urgência”;
  • Realizar uma história pré-transfusional detalhada, incluindo história gestacional, transfusional, diagnóstico, e tratamentos anteriores;
  • Atenção em todas as etapas relacionadas à transfusão;
  • Atenção redobrada na conferência da bolsa e do paciente à beira do leito;
  • Infusão lenta nos primeiros 50 ml;
  • De acordo com a reação transfusional utilizar pré-medicações, sangue desleucocitado, irradiado ou lavado.