A gravidez é um evento fisiológico, mas não está isenta...
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Sulfadiazina de Prata
A Sulfadiazina de Prata é uma substância com ação antimicrobiana capaz de eliminar diferentes tipos de bactérias e alguns tipos de fungos.
Indicações
Feridas com grande potencial de infecção e risco de evolução para infecção generalizada;
Queimaduras;
Úlceras de perna, escaras de decúbito;
Feridas cirúrgicas.
Benefício
Valido por 24 meses;
Fácil aplicação.
Precauções e Contraindicações
Uso por gestantes no final da gestação, em crianças prematuras e recém-natos nos dois primeiros meses de vida;
Pacientes alérgicos às sulfas e aos demais componentes da formulação.
Frequência de Troca
Feridas secas ou pouco exsudativas: troca em até 24 horas;
Feridas de muito exsudato: troca até 12h.
Considerações
A longo prazo, o uso recorrente pode levar a impregnação por prata – Hipersensibilidade local ou sistêmica.
Classificação de Feridas
As feridas podem ser classificadas de várias maneiras: pelo tipo do agente causal, de acordo com o grau de contaminação, pelo tempo de traumatismo, pela profundidade das lesões, sendo que as duas primeiras são as mais utilizadas.
Quanto ao agente causal
Incisas ou cortantes
São provocadas por agentes cortantes, como faca, bisturi, lâminas, etc.; suas características são o predomínio do comprimento sobre a profundidade, bordas regulares e nítidas, geralmente retilíneas. Na ferida incisa o corte geralmente possui profundidade igual de um extremo à outro da lesão, sendo que na ferida cortante, a parte mediana é mais profunda.
Corto-contusa
O agente não tem corte tão acentuado, sendo que a força do traumatismo é que causa a penetração do instrumento, tendo como exemplo o machado.
Perfurante
São ocasionadas por agentes longos e pontiagudos como prego, alfinete. Pode ser transfixante quando atravessa um órgão, estando sua gravidade na importância deste órgão.
Pérfuro-contusas
São as ocasionadas por arma de fogo, podendo existir dois orifícios, o de entrada e o de saída.
Lácero-contusas
Os mecanismos mais frequentes são a compressão: a pele é esmagada de encontro ao plano subjacente, ou por tração: por rasgo ou arrancamento tecidual. As bordas são irregulares, com mais de um ângulo; constituem exemplo clássico as mordidas de cão.
Perfuro-incisas
Provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes que possuem gume e ponta, por exemplo, um punhal. Deve-se sempre lembrar, que externamente, poderemos ter uma pequena marca na pele, porém profundamente podemos ter comprometimento de órgãos importantes como na figura abaixo na qual pode ser vista lesão no músculo cardíaco.
Escoriações
A lesão surge tangencialmente à superfície cutânea, com arrancamento da pele.
Equimoses e hematomas
Na equimose há rompimento dos capilares, porém sem perda da continuidade da pele, sendo que no hematoma, o sangue extravasado forma uma cavidade.
Quanto ao grau de contaminação
Esta classificação tem importância, pois orienta o tratamento antibiótico e também nos fornece o risco de desenvolvimento de infecção.
Limpas – são as produzidas em ambiente cirúrgico, sendo que não foram abertos sistemas como o digestório, respiratório e genito-urinário. A probabilidade da infecção da ferida é baixa, em torno de 1 a 5%.
Limpas-contaminadas – também são conhecidas como potencialmente contaminadas; nelas há contaminação grosseira, por exemplo, nas ocasionadas por faca de cozinha, ou nas situações cirúrgicas em que houve abertura dos sistemas contaminados descritos O risco de infecção é de 3 a 11%.
Contaminadas – há reação inflamatória; são as que tiveram contato com material como terra, fezes, etc. Também são consideradas contaminadas aquelas em que já se passou seis horas após o ato que resultou na ferida. O risco de infecção da ferida já atinge 10 a 17%.
Infectadas – apresentam sinais nítidos de infecção.
Referências:
DEALEY, C. Cuidando de Feridas-Um guia para as enfermeiras. São Paulo: Atheneu, 2001.
DUARTE, Y.A. O; DIOGO, M. J. D. Atendimento Domiciliar: Um Enfoque Gerontológico. 1.ed. São Paulo: Atheneu, 2000.
JORGE, S. A. , DANTAS, S. R. P. E. Abordagem Multiprofissional do Tratamento de Feridas. São Paulo: Atheneu, 2003.
Manual de Condutas para Úlceras Neutróficas e Traumáticas – Brasília, D. F. 2002.
Hidrogel
O Hidrogel é indicado para o tratamento de feridas secas, pouco úmidas e de média exsudação, com presença de tecido inviável (necrose e esfacelo) e também para o estímulo da granulação e da epitelização através do meio úmido. Pode ser aplicado em feridas de qualquer etiologia, infectadas ou não, podendo estar associado ao alginato.
BENEFÍCIO:
Mantém o meio úmido;
Promove o desbridamento autolítico.
INDICAÇÃO DE USO:
Feridas secas ou pouco exsudativas;
Tecidos desvitalizados em feridas abertas;
Áreas doadoras de pele;
Queimaduras de 1º e 2º graus;
Desbridamento leve de necrose de liquefação (esfacelo) e de necrose de coagulação (escara).
PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:
Feridas com exsudato em média ou grande quantidade;
Pele íntegra;
Queimaduras de terceiro grau;
Sensibilidade aos componentes do produto.
FREQUÊNCIA DE TROCA:
Troca em até 48 horas;
Feridas infectadas: no máximo a cada 24 horas.
CONSIDERAÇÕES:
Macera as bordas da lesão e a pele adjacente.
Técnicas de Curativos
Em um ambiente onde seja em uma Uti, enfermaria, ou na residência do cliente, é indispensável o bom conhecimento técnico para realizar os curativos, acompanhar as cicatrizações e controlar as possíveis infecções. Quem poderá avaliar as feridas, e indicar o tipo de tratamento, é o enfermeiro, onde o mesmo realiza o exame físico e a anamnese. O técnico de enfermagem as executa, de forma correta, anota os aspectos e características da ferida, e acompanha juntamente com o enfermeiro a evolução da mesma.
Exemplo de carrinho de curativo.
Um bom curativo começa com uma boa preparação do carro de curativos. Este deve ser completamente limpo. Deve-se verificar a validade de todo o material a ser utilizado. Quando houver suspeita sobre a esterilidade do material que deve ser estéril, este deve ser considerado não estéril e ser descartado. Deve verificar ainda se os pacotes estão bem lacrados e dobrados corretamente.
O próximo passo é um preparo adequado do paciente. Este deve ser avisado previamente que o curativo será trocado, sendo a troca um procedimento simples e que pode causar pequeno desconforto. Os curativos não devem ser trocados no horário das refeições. Se o paciente estiver numa enfermaria, deve-se usar cortinas para garantir a privacidade do paciente. Este deve ser informado da melhora da ferida. Esse métodos melhoram a colaboração do paciente durante a troca do curativo, que será mais rápida e eficiente.
A limpeza das mãos com água e sabão, que deve ser feita antes e depois de cada curativo. O instrumental a ser utilizado deve ser esterilizado; deve ser composto de pelo menos uma pinça anatômica (par de ferro), duas hemostáticas e um pacote de gaze; e toda a manipulação deve ser feita através de pinças e gazes, evitando o contato direto e consequentemente menor risco de infecção.
Exemplo de bandeja de curativo.
Deve ser feita uma limpeza da pele adjacente à ferida, utilizando uma solução que contenha sabão, para desengordurar a área, o que removerá alguns patógenos e vai também melhorar a fixação do curativo à pele. A limpeza deve ser feita da área menos contaminada para a área mais contaminada, evitando-se movimentos de vai-e-vem.
Nas feridas cirúrgicas, a área mais contaminada é a pele localizada ao redor da ferida, enquanto que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da ferida. Deve-se remover as crostas e os detritos com cuidado; lavar a ferida com soro fisiológico em jato, ou com PVPI aquoso (em feridas infectadas, quando houver sujidade e no local de inserção dos cateteres centrais); por fim fixar o curativo com atadura ou micropore.
Em certos locais o micropore não deve ser utilizado, devido à motilidade (articulações), presença de pêlos (couro cabeludo) ou secreções. Nesses locais deve-se utilizar ataduras. Esta vede ser colocada de maneira que não afrouxe nem comprima em demasia. O enfaixamento dos membros deve iniciar-se da região dista para a proximal e não deve trazer nenhum tipo de desconforto ao paciente.
O micropore deve ser inicialmente colocado sobre o centro do curativo e, então, pressionando suavemente para baixo em ambas as direções. Com isso evita-se o tracionamento excessivo da pele e futuras lesões.
O micropore deve ser fixado sobre uma área limpa, isenta de pêlos, desengordurada e seca; deve-se pincelar a pele com tintura de benjoim antes de colocar o mesmo. As bordas devem ultrapassar a borda livre do curativo em 3 a 5 cm; a aderência do curativo à pele deve ser completa e sem dobras. Nas articulações o micropore deve ser colocado em ângulos retos, em direção ao movimento.
Durante a execução do curativo, as pinças devem estar com as pontas para baixo, prevenindo a contaminação; deve-se usar cada gaze uma só vez e evitar conversar durante o procedimento técnico. Os procedimentos para realização do curativo, devem ser estabelecidos de acordo com a função do curativo e o grau de contaminação do local.
Obedecendo as características acima descritas, existem os seguintes tipos de curativos padronizados:
CURATIVO LIMPO
Ferida limpa e fechada;
O curativo limpo e seco deve ser mantido oclusivo por 24 horas;
Após este período, a incisão pode ser exposta e lavada com água e sabão;
Utilizar PVPI tópico somente para ablação dos pontos.
CURATIVO COM DRENO
O curativo do dreno deve ser realizado separado do da incisão e o primeiro a ser realizado será sempre o do local menos contaminado;
O curativo com drenos deve ser mantido limpo e seco. Isto significa que o número de trocas está diretamente relacionado com a quantidade de drenagem;
Se houver incisão limpa e fechada, o curativo deve ser mantido oclusivo por 24 horas e após este período poderá permanecer exposta e lavada com água e sabão;
Sistemas de drenagem aberta (p.e. penrose ou tubulares), devem ser mantidos ocluídos com bolsa estéril ou com gaze estéril por 72 horas. Após este período, a manutenção da bolsa estéril fica a critério médico.
Alfinetes não são indicados como meio de evitar mobilização dos drenos penrose, pois enferrujam facilmente e propiciam a colonização do local;
A mobilização do dreno fica a critério médico;
Os drenos de sistema aberto devem ser protegidos durante o banho.
CURATIVO CONTAMINADO
Estas normas são para feridas infectadas e feridas abertas ou com perda de substância, com ou sem infecção. Por estarem abertas, estas lesões são altamente susceptíveis à contaminação exógena.
O curativo deve ser oclusivo e mantido limpo e seco;
O número de trocas do curativo está diretamente relacionado à quantidade de drenagem, devendo ser trocado sempre que úmido para evitar colonização;
O curativo deve ser protegido durante o banho;
A limpeza da ferida deve ser mecânica com solução fisiológica estéril;
A anti-sepsia deve ser realizada com PVP-I tópico;
As soluções anti-sépticas degermantes são contra-indicadas em feridas abertas, pois os tensoativos afetam a permeabilidade das membranas celulares, produzem hemólise e são absorvidos pelas proteínas, interferindo prejudicialmente no processo cicatricial;
Gaze vaselinada estéril é recomendada nos casos em que há necessidade de prevenir aderência nos tecidos;
Em feridas com drenagem purulenta deve ser coletada cultura semanal (swab), para monitorização microbiológica;
Tipos de Feridas
Agudas – São feridas traumáticas. Características de cicatrização:
– O processo de cicatrização dura cerca de 06 dias. Sangra ⇒ Coagula ⇒ Desidrata ⇒ Crosta.
Crônicas – São feridas de longa duração. Características de Cicatrização:
– O processo de cicatrização é extenso.
Migração Celular ⇒Limpeza da Lesão por Fagocitose ⇒ Granulação ⇒ Contração dos Bordos ⇒Epitelização ⇒Remodelagem.
Finalidade
Tem como finalidade :
Aliviar a dor (Analisar a possibilidade de fazer analgesia prévia).
Evitar traumas (Aplicar e retirar as coberturas sem traumas, umedecendo a ferida sempre que necessário. Limpar a ferida com solução salina em jatos, utilizando seringa de 20Ml e agulha 40x 12)
Evitar a Infecção (Utilizar técnica estéril e proteger as feridas abertas).
Manter a ferida com umidade natural (Após a limpeza da ferida, secar apenas os bordos da ferida).
Tratar as cavidades no caso de feridas crônicas (Ocupar o espaço morto com coberturas, favorecendo a cicatrização mais rápida).
Tratar as necroses no caso de feridas crônicas (Remover tecido necrótico para acelerar a cicatrização).
Tratamento para Feridas
Feridas Agudas:
Feridas Crônicas:
Materiais utilizados para tratamento de feridas
O que observar e anotar sobre as Feridas:
Localização anatômica;
Aspecto dos Tecidos Adjacentes: Edema, Coloração, Pulso;
Em caso de dúvida, comparar com o membro não acometido pela ferida;
Medidas da Ferida – mensurar em sua extensão e profundidade em centímetros na admissão e semanalmente para observar a evolução do tratamento;
No caso de haver exposição óssea, prevenir osteomielite;
Aspecto e quantidade do exsudato: Seroso, purulento, Sanguinolento, misto;
Bordos da ferida: Contração, Maceração, Integridade;
Tecidos da ferida: Granulação, Esfacelo, Necrose.
Coleta de Material: A coleta de material, para avaliação de microorganismos nas feridas, deve ser feita com técnica asséptica, após a limpeza da ferida com soro fisiológico 0.9% e, preferencialmente, aspirar o exsudato (se houver coleções fechadas). Se não for possível, o swab só tem valor se colhido profundamente em tecido limpo (livre de esfacelo e necrose) para não dar falso resultado, ou seja, detectar apenas a colonização da ferida. O material colhido deve ser encaminhado ao laboratório o mais brevemente possível.
Placas de Hidrocolóides
Os Hidrocolóides são curativos contendo agentes em formato gelatinoso, geralmente carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina. São normalmente embalados em placas de filme ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações. Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas de diferentes formas. Pode ser encontrado também em formato de pasta, empregadas para preenchimento de cavidades.
Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso entre o curativo e o leito da úlcera; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação. Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas expostas no leito da ferida, os Hidrocolóides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados.
Em estado intacto os Hidrocolóides são impermeáveis aos vapores de água, mas com o processo de gelatinização no leito da ferida, o curativo se torna progressivamente mais permeável. A perda de água através do curativo aumenta sua capacidade de contribuir com a formação do exsudato. Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso.
Os Hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. É preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.
Indicações principais:
Curativo primário ou secundário em feridas com exsudatomínimo ou leve.
Vantagens:
Propicia desbridamento autolítico;
Dificulta a invasão bacteriana;
Pode reduzir a dor;
Fácil de aplicar
É autoadesivo e de fácil modelagem ao local;
Capacidade de absorção de leve a moderada;
Pode ser utilizado sob terapia compressiva;
Reduz o trauma em áreas de pressão;
A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida).
Desvantagens:
Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável;
Com o calor e a fricção amolece e perde o formato;
Pode provocar hipergranulação;
Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta).
Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.
Desaconselhável em:
Feridas com exsudato moderado ou abundante;
Feridas com franca infecção;
Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada;
Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas;
Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa;
Alguns autores recomendam EXTREMA CAUTELA em diabéticos, vasculite e feridas com componente isquêmico “devido risco aumentado de infecção por anaeróbios”.
Pergunta feita pela Sônia: “Sobre feridas, os curativos que são de competência do enfermeiro, a partir de qual tamanho ou profundidade uma escara deve ser cuidada exclusivamente pelo enfermeiro?” Cara Sônia, o tratamento de feridas tem sido desenvolvido por profissionais de Enfermagem desde o surgimento da profissão. Sabe-se que o profissional de enfermagem possui um […]
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