Tipos de Embalagens na CME

No Centro de Material e Esterilização (CME), a escolha da embalagem correta é fundamental para garantir a segurança do paciente e a eficácia dos processos de esterilização. Cada tipo de embalagem tem características próprias e é indicado para situações específicas. Neste artigo, vamos explorar os principais tipos de embalagens utilizados atualmente, os menos utilizados e até aqueles que foram proibidos pela Anvisa. Tudo de forma clara, objetiva e acessível para estudantes e profissionais de enfermagem.

As Embalagens Mais Utilizadas na CME

Tecido Não Tecido (SMS)

O SMS (Spunbond-Meltblown-Spunbond) é uma das embalagens mais comuns na CME. Ele é feito de polipropileno em três camadas, o que garante alta resistência mecânica e barreira contra microrganismos.

É descartável e compatível com a maioria dos métodos de esterilização, como vapor saturado sob pressão e óxido de etileno. Por ser leve, flexível e seguro, é bastante utilizado para embalar conjuntos cirúrgicos, principalmente quando se deseja um equilíbrio entre custo, segurança e praticidade.

Cuidados de enfermagem: Verificar a integridade do material antes e após o uso, garantir que a selagem seja adequada e realizar o manuseio com técnica asséptica.

Papel Grau Cirúrgico

O papel grau cirúrgico é outro material amplamente utilizado, principalmente para embalagens individuais de instrumentos. Ele possui uma face de papel celulósico e outra de filme plástico transparente, permitindo visualização do conteúdo.

Além de oferecer boa barreira microbiana, é permeável aos agentes esterilizantes como vapor, óxido de etileno e formaldeído. Requer seladora térmica para vedação.

Cuidados de enfermagem: Inspecionar o fechamento da embalagem, observar a validade da esterilização e evitar empilhamento excessivo para não comprometer a integridade.

Papel TYVEK

Menos comum que o SMS e o grau cirúrgico, o Tyvek é um material de alta tecnologia, composto por fibras de polietileno. Ele é extremamente resistente a rasgos, perfurações e umidade.

É indicado para métodos de esterilização por baixa temperatura, como óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio, sendo ideal para dispositivos termossensíveis.

Cuidados de enfermagem: Utilizar exclusivamente com os métodos compatíveis, conferir a integridade antes da esterilização e respeitar as recomendações do fabricante.

Contêiner Rígido

O contêiner rígido é uma alternativa reutilizável e altamente segura. Fabricado em alumínio, aço inox ou polipropileno, ele possui filtros e válvulas que permitem a entrada e saída dos agentes esterilizantes, sem necessidade de embalagem adicional.

É indicado para grandes volumes, como bandejas cirúrgicas. Além de durável, oferece excelente proteção física e microbiológica.

Cuidados de enfermagem: Conferir os filtros e travas antes do uso, manter a limpeza e realizar controle periódico de integridade e funcionamento dos sistemas de barreira.

Tecido de Algodão

Apesar de estar em desuso em muitos serviços, o tecido de algodão ainda é utilizado em algumas instituições. Ele é reutilizável, sendo necessário realizar a lavagem, secagem, inspeção e reesterilização após cada uso.

É compatível somente com esterilização por vapor e deve ser usado em dupla camada para garantir uma barreira adequada contra microrganismos.

Cuidados de enfermagem: Realizar controle rigoroso do número de reutilizações, observar desgaste do tecido e manter registro de processamento.

Embalagens Menos Utilizadas e Proibidas

Papel Crepado

O papel crepado é flexível, descartável e biodegradável. Embora ainda seja usado, sua resistência é inferior aos materiais mais modernos. Exige dupla embalagem, especialmente para itens perfurocortantes.

Apesar de apresentar barreira bacteriana razoável, não é compatível com métodos de baixa temperatura, como plasma.

Cuidados de enfermagem: Verificar se o material está seco e sem rasgos antes de embalar e sempre utilizar dupla camada.

Papel Kraft – Proibido pela ANVISA

O papel kraft era usado como alternativa de baixo custo, porém não garante barreira microbiana eficaz nem resistência adequada. Por isso, foi proibido pela Anvisa, conforme determina a RDC nº 15/2002, que regula o reprocessamento de produtos para saúde.

Segundo o Art. 21 da norma, “não é permitida a utilização de papel kraft como material de embalagem para produtos para saúde a serem esterilizados.”

Cuidados de enfermagem: Jamais utilizar esse tipo de embalagem. Caso ainda esteja presente no setor, comunicar a supervisão e orientar a equipe quanto à norma vigente.

Conhecer os tipos de embalagens e suas indicações é essencial para garantir a segurança dos processos de esterilização e a integridade dos produtos para saúde. O papel do enfermeiro vai além de apenas embalar: ele precisa avaliar, escolher o material adequado e assegurar a qualidade do processo, protegendo tanto a equipe quanto o paciente.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO – SOBECC. Diretrizes de práticas em enfermagem perioperatória e processamento de produtos para saúde. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. Disponível em: https://sobecc.org.br
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia/publicacoes/rdc-no-15-de-15-de-marco-de-2012.pdf