
A paralisia cerebral (PC) é um grupo de distúrbios motores permanentes causados por danos ao cérebro em desenvolvimento, geralmente antes, durante ou logo após o nascimento. Ela afeta o movimento, a postura e o tônus muscular, podendo ser acompanhada por alterações sensoriais, cognitivas e de comunicação.
A PC é classificada em três grupos principais, de acordo com as características motoras: espástica, discinética e atáxica.
Grupo Espástico (Espasticidade)
Caracterizado por rigidez muscular e dificuldade de movimento devido à hipertonia (aumento do tônus muscular). É o tipo mais comum, representando cerca de 70-80% dos casos. Divide-se em:
- Hemiplegia espástica: Afeta um lado do corpo (braço e perna do mesmo lado). Geralmente, a função das pernas é menos comprometida que a dos braços.
- Diplegia espástica: Predominantemente afeta as pernas, com menor comprometimento dos braços. É comum em prematuros.
- Quadriplegia espástica: Envolve todos os membros, tronco e face, sendo a forma mais grave. Frequentemente associada a outras condições, como epilepsia e dificuldades de deglutição.
Grupo Discinético (Movimentos Involuntários)
Caracteriza-se por movimentos descontrolados e variações no tônus muscular (hipotonia ou hipertonia flutuante). Representa cerca de 10-15% dos casos. Subdivide-se em:
- Atetóide: Movimentos lentos, contorcidos e involuntários, principalmente nas extremidades.
- Distônico: Posturas anormais e movimentos repetitivos devido à contração muscular sustentada.
Grupo Atáxico (Problemas de Equilíbrio e Coordenação)
O tipo menos comum (cerca de 5-10% dos casos), caracterizado por:
- Hipotonia (tônus muscular diminuído) na infância.
- Dificuldades de equilíbrio e coordenação (ataxia), com marcha instável e tremores intencionais.
- Dificuldades em movimentos precisos, como escrever ou pegar objetos pequenos.

Cuidados de Enfermagem
A paralisia cerebral exige uma abordagem de enfermagem especializada, focada na promoção da qualidade de vida, prevenção de complicações e apoio à família. Os cuidados variam conforme o tipo e a gravidade da PC, mas alguns princípios são essenciais:
Cuidados Gerais
Avaliação contínua:
- Monitorar funções vitais, tônus muscular, mobilidade e sinais de dor.
- Observar alterações na deglutição, respiração e comunicação.
Prevenção de úlceras por pressão:
- Mudar o paciente de posição a cada 2-3 horas (se acamado).
- Usar colchões e coxins de alívio de pressão.
- Manter a pele limpa e hidratada.
Controle da dor e espasticidade:
- Auxiliar na administração de medicamentos (ex.: toxina botulínica, baclofeno).
- Aplicar técnicas de posicionamento e alongamento suave.
Nutrição e hidratação:
- Ajustar dieta conforme dificuldades de mastigação/deglutição (alimentos pastosos ou uso de sonda, se necessário).
- Monitorar peso e hidratação para evitar desnutrição.
- Cuidados Específicos por Tipo de PC
Pacientes com PC Espástica (Hemiplegia, Diplegia, Quadriplegia)
- Alongamentos e exercícios passivos para evitar contraturas.
- Uso de órteses (talas, palmilhas) para alinhamento postural.
- Estimular movimentos funcionais (ex.: treino de marcha na diplegia).
Pacientes com PC Discinética (Atetose/Distonia)
- Auxiliar no controle postural (cadeiras adaptadas, suportes).
- Proteger contra movimentos involuntários (ex.: usar grades no leito).
- Adaptar objetos para facilitar a preensão (talheres engrossados).
Pacientes com PC Atáxica
- Oferecer apoio na marcha (andadores, barras de apoio).
- Estimular exercícios de equilíbrio e coordenação.
- Ambiente seguro para evitar quedas (piso antiderrapante).
Cuidados Respiratórios
- Fisioterapia respiratória para pacientes com quadriplegia ou dificuldades de tosse.
- Aspiração de vias aéreas, se necessário (em casos de secreção excessiva).
- Evitar refluxo gastroesofágico (posicionamento elevado após alimentação).
A enfermagem desempenha um papel vital no cuidado integral ao paciente com PC, desde a estabilização clínica até o apoio à autonomia e inclusão. Cuidados individualizados e humanizados fazem a diferença na evolução desses pacientes.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral. Brasília, 2013.
- KUBAN, K. C. K.; LEVITON, A. Cerebral palsy. New England Journal of Medicine, 1994.
- OMS. Paralisia cerebral. Genebra: OMS, 2022.
- ROSENBAUM, P. et al. A report: The definition and classification of cerebral palsy. Developmental Medicine & Child Neurology, 2007.

O perímetro cefálico (PC) é uma medida simples, mas fundamental, que consiste em circundar a cabeça de uma pessoa com uma fita métrica para determinar sua circunferência. Essa medida é especialmente importante nos primeiros anos de vida, pois reflete o tamanho e o crescimento do cérebro.
Por que o Perímetro Cefálico é Importante?
- Crescimento cerebral: O cérebro de um bebê cresce rapidamente nos primeiros meses e anos de vida. O perímetro cefálico acompanha esse crescimento, fornecendo uma indicação visual de se o cérebro está se desenvolvendo adequadamente.
- Detecção precoce de problemas: Desvios significativos no perímetro cefálico podem sinalizar condições médicas como microcefalia (cabeça pequena) ou macrocefalia (cabeça grande), que podem estar associadas a diversos problemas de saúde.
- Monitoramento do desenvolvimento: O acompanhamento regular do perímetro cefálico permite aos médicos monitorar o crescimento da criança e identificar quaisquer desvios precocemente.
Medidas
A medida do perímetro cefálico é realizada da seguinte forma:
- Posição: A criança deve estar deitada em uma superfície plana e firme, com a cabeça em posição neutra.
- Fita métrica: Uma fita métrica flexível é colocada ao redor da cabeça, passando pela parte mais proeminente da testa (acima das sobrancelhas) e pela parte mais proeminente da nuca.
- Leitura: A medida é obtida no ponto em que a fita se encontra.
Tabela de Medidas
| Sexo |
Meninas |
Meninos |
| Idade |
Medida em Centímetros |
Medida em Centímetros |
| Ao nascer |
31,5 a 36,2 |
31,9 a 37 |
| 1 mês |
34,2 a 38,9 |
34,9 a 39,6 |
| 2 meses |
35,8 a 40,7 |
36,8 a 41,5 |
| 3 meses |
37,1 a 42 |
38,1 a 42,9 |
| 4 meses |
38,1 a 43,1 |
39,2 a 44 |
| 5 meses |
38,9 a 44 |
40,1 a 45 |
| 6 meses |
39,6 a 44,8 |
40,9 a 45,8 |
| 7 meses |
40,2 a 45,4 |
41,5 a 46,4 |
| 8 meses |
40,7 a 46 |
42 a 47 |
| 9 meses |
41,2 a 46,5 |
42,5 a 47,5 |
| 10 meses |
41,5 a 46,9 |
42,9 a 47,9 |
| 11 meses |
41,9 a 47,3 |
43,2 a 48,3 |
| 1 ano |
42,2 a 47,6 |
43,5 a 48,6 |
| 1 ano e 1 mês |
42,4 a 47,9 |
43,8 a 48,9 |
| 1 ano e 2 meses |
42,7 a 48,2 |
44 a 49,2 |
| 1 ano e 3 meses |
42,9 a 48,4 |
44,2 a 49,4 |
| 1 ano e 4 meses |
43,1 a 48,6 |
44,4 a 49,6 |
| 1 ano e 5 meses |
43,3 a 48,8 |
44,6 a 49,8 |
| 1 ano e 6 meses |
43,5 a 49 |
44,7 a 50 |
| 1 ano e 7 meses |
43,6 a 49,2 |
44,9 a 50,2 |
| 1 ano e 8 meses |
43,8 a 49,4 |
45 a 50,4 |
| 1 ano e 9 meses |
44 a 49,5 |
45,2 a 50,5 |
| 1 ano e 10 meses |
44,1 a 49,7 |
45,3 a 50,7 |
| 1 ano e 11 meses |
44,3 a 49,8 |
45,4 a 50,8 |
| 2 anos |
44,4 a 50 |
45,5 a 51 |
| 2 anos e 1 mês |
44,5 a 50,1 |
45,6 a 51,1 |
| 2 anos e 2 meses |
44,7 a 50,3 |
45,8 a 51,2 |
| 2 anos e 3 meses |
44,8 a 50,4 |
45,9 a 51,4 |
| 2 anos e 4 meses |
44,9 a 50,5 |
46 a 51,5 |
| 2 anos e 5 meses |
45 a 50,6 |
46,1 a 51,6 |
| 2 anos e 6 meses |
45,1 a 50,7 |
46,1 a 51,7 |
| 2 anos e 7 meses |
45,2 a 50,9 |
46,2 a 51,8 |
| 2 anos e 8 meses |
45,3 a 51 |
46,3 a 51,9 |
| 2 anos e 9 meses |
45,4 a 51,1 |
46,4 a 52 |
| 2 anos e 10 meses |
45,5 a 51,2 |
46,5 a 52,1 |
| 2 anos e 11 meses |
45,6 a 51,2 |
46,6 a 52,2 |
| 3 anos |
45,7 a 51,3 |
46,6 a 52,3 |
| 3 anos e 1 mês |
45,8 a 51,4 |
46,7 a 52,4 |
| 3 anos e 2 meses |
45,8 a 51,5 |
46,8 a 52,5 |
| 3 anos e 3 meses |
45,9 a 51,6 |
46,8 a 52,5 |
| 3 anos e 4 meses |
46 a 51,7 |
46,9 a 52,6 |
| 3 anos e 5 meses |
46,1 a 51,7 |
46,9 a 52,7 |
| 3 anos e 6 meses |
46,1 a 51,8 |
47 a 52,8 |
| 3 anos e 7 meses |
46,2 a 51,9 |
47 a 52,8 |
| 3 anos e 8 meses |
46,3 a 51,9 |
47,1 a 52,9 |
| 3 anos e 9 meses |
46,3 a 52 |
47,1 a 53 |
| 3 anos e 10 meses |
46,4 a 52,1 |
47,2 a 53 |
| 3 anos e 11 meses |
46,4 a 52,1 |
47,2 a 53,1 |
| 4 anos |
46,5 a 52,2 |
47,3 a 53,1 |
| 4 anos e 1 mês |
46,5 a 52,2 |
47,3 a 53,2 |
| 4 anos e 2 meses |
46,6 a 52,3 |
47,4 a 53,2 |
| 4 anos e 3 meses |
46,7 a 52,3 |
47,4 a 53,3 |
| 4 anos e 4 meses |
46,7 a 52,4 |
47,5 a 53,4 |
| 4 anos e 5 meses |
46,8 a 52,4 |
47,5 a 53,4 |
| 4 anos e 6 meses |
46,8 a 52,5 |
47,5 a 53,5 |
| 4 anos e 7 meses |
46,9 a 52,5 |
47,6 a 53,5 |
| 4 anos e 8 meses |
46,9 a 52,6 |
47,6 a 53,5 |
| 4 anos e 9 meses |
46,9 a 52,6 |
47,6 a 53,6 |
| 4 anos e 10 meses |
47 a 52,7 |
47,7 a 53,6 |
| 4 anos e 11 meses |
47 a 52,7 |
47,7 a 53,7 |
| 5 anos |
47,1 a 52,8 |
47,7 a 53,7 |
Quando o Perímetro Cefálico Deve Ser Medido?
O perímetro cefálico é medido regularmente nos primeiros anos de vida, especialmente nas consultas de puericultura. É importante seguir as orientações do pediatra para realizar essa medida.
Fatores que Podem Influenciar o Perímetro Cefálico
- Genética: A genética desempenha um papel importante no tamanho da cabeça.
- Nutrição: Uma nutrição adequada é essencial para o crescimento cerebral e, consequentemente, para o perímetro cefálico.
- Doenças: Algumas doenças podem afetar o crescimento cerebral e, consequentemente, o perímetro cefálico.
Cuidados de Enfermagem na Medição do Perímetro Cefálico
- Preparo do material:
- Fita métrica flexível e inextensível.
- Caneta para anotar a medida.
- Gráfico de crescimento infantil.
- Prontuário do paciente.
- Posicionamento da criança:
- A criança deve estar deitada em uma superfície plana e firme, com a cabeça em posição neutra.
- O enfermeiro deve certificar-se de que a criança está relaxada.
- Técnica de medição:
- A fita métrica deve ser passada pela parte mais proeminente da testa (acima das sobrancelhas) e pela parte mais proeminente da nuca, circundando a cabeça.
- A fita deve ser ajustada de forma confortável, mas sem apertar.
- A medida deve ser realizada duas vezes e a média dos valores deve ser registrada.
- Registro:
- Anotar a medida obtida no prontuário do paciente, juntamente com a data da medição.
- Comparar o valor obtido com o gráfico de crescimento infantil para verificar se está dentro dos parâmetros de normalidade.
- Comunicação:
- Informar a mãe ou responsável sobre o resultado da medida e a importância de acompanhar o crescimento da criança.
- Em caso de desvios, orientar a procurar o pediatra para avaliação e acompanhamento.
Interpretação dos Resultados
A interpretação dos resultados da medida do perímetro cefálico deve ser realizada em conjunto com outros dados clínicos e com o auxílio de um gráfico de crescimento. Desvios significativos podem indicar a necessidade de investigação mais aprofundada.
Quais as principais causas de alterações no perímetro cefálico?
- Microcefalia: Pode ser causada por infecções congênitas, como a Zika, ou por distúrbios genéticos.
- Macrocefalia: Pode estar associada a hidrocefalia, tumores cerebrais ou outras condições neurológicas.
- Outras causas: Desnutrição, prematuridade e síndromes genéticas também podem influenciar o crescimento da cabeça.
Observação: É fundamental que o enfermeiro esteja atento a qualquer sinal de alerta durante a avaliação da criança, como fontanelas abauladas ou deprimidas, irritabilidade, vômitos e convulsões.
Referências:
- MARCONDES, E.; YUNES, J. PERÍMETRO CEFÁLICO EM CRIANÇAS ATÉ TRÊS ANOS DE IDADE. INFLUÊNCIA DE FATORES SOCIOECONÔMICOS. SciELO [SNIPPET],, p. 1-9, 1973.
- Macchiaverni, L. M. L., & Barros Filho, A. A. (1998). Perímetro cefálico: Por que medir sempre. Revista de Medicina de Ribeirão Preto, 31(5), 595-609.
- Sociedade Brasileira de Pediatria