Notícias da Enfermagem

Ministério da Saúde dispõe valores de dezembro referentes ao Piso da Enfermagem

O Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº 6.272, de 26 de dezembro de 2024, dispõe sobre os valores referentes à parcela do mês de dezembro, de que trata o Título IX-A da Portaria de Consolidação GM/MS nº 6, de 28 de setembro de 2017, relativos ao repasse da assistência financeira complementar referente ao […]

Notícias da Enfermagem

Em reunião com Cofen, Ministério da Saúde enfatiza importância da Enfermagem na eliminação de infecções e doenças

Na quinta-feira (12), o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Dathi/MS), Draurio Barreira, participou da 572ª Reunião Ordinária de Plenário do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Durante o encontro foram discutidos pontos importantes para a construção de documento com as práticas de Enfermagem para […]

Diagnóstico vs. Prognóstico: Qual a diferença?

Diagnóstico e prognóstico são dois termos frequentemente utilizados no contexto médico, mas com significados distintos. Vamos entender cada um deles e ilustrar com exemplos:

Diagnóstico

  • O quê é: É a identificação de uma doença ou condição de saúde, baseada em uma avaliação completa do paciente, incluindo seus sintomas, histórico médico, resultados de exames e outros fatores relevantes.
  • Objetivo: Determinar a causa exata de um problema de saúde.
  • Exemplo: Um médico diagnostica um paciente com pneumonia após analisar os sintomas (febre, tosse, dificuldade para respirar), ouvir os sons dos pulmões com um estetoscópio e analisar um raio-X.

Prognóstico

  • O quê é: É uma estimativa da evolução provável de uma doença ou condição de saúde, ou seja, uma previsão sobre como a doença pode se desenvolver ao longo do tempo.
  • Objetivo: Oferecer ao paciente e à equipe médica uma ideia de como a doença pode progredir e quais as possíveis complicações.
  • Exemplo: Após o diagnóstico de pneumonia, o médico pode fornecer um prognóstico favorável, indicando que, com o tratamento adequado, o paciente deve se recuperar completamente em algumas semanas. No entanto, se a pneumonia for grave, o prognóstico pode ser mais reservado, alertando para a possibilidade de complicações como insuficiência respiratória.

Em resumo:

Característica Diagnóstico Prognóstico
Foco Identificar a doença atual Prever a evolução da doença
Tempo Presente Futuro
Baseado em Sintomas, exames, histórico médico Diagnóstico, fatores de risco, resposta ao tratamento
Objetivo Estabelecer um plano de tratamento Informar o paciente e a equipe médica sobre o futuro

Para ilustrar ainda mais:

Imagine que você vai ao médico com dor de cabeça. Após uma consulta, o médico pode:

  • Diagnosticar: “Você tem uma enxaqueca.” (Isso é o diagnóstico: a identificação da causa da dor de cabeça.)
  • Prognosticar: “Com o uso de medicamentos adequados, suas dores de cabeça devem diminuir significativamente em alguns dias. No entanto, é importante identificar e evitar os gatilhos que desencadeiam as crises.” (Isso é o prognóstico: uma previsão sobre como a enxaqueca pode evoluir e como você pode lidar com ela.)

Em conclusão, o diagnóstico é o ponto de partida para o tratamento, enquanto o prognóstico fornece uma perspectiva sobre o futuro e ajuda a tomar decisões sobre o cuidado do paciente. É importante ressaltar que o prognóstico pode mudar ao longo do tempo, dependendo da evolução da doença e da resposta do paciente ao tratamento.

Referência:

  1. Sousa, M. R. de ., & Ribeiro, A. L. P.. (2009). Revisão sistemática e meta-análise de estudos de diagnóstico e prognóstico: um tutorial. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 92(3), 241–251. https://doi.org/10.1590/S0066-782X2009000300013

O que faz um Técnico de Enfermagem de UBS?

O técnico de enfermagem desempenha um papel fundamental na Unidades Básicas de Saúde (UBS), atuando como um dos pilares da atenção primária à saúde. Sua atuação é marcada pela proximidade com a comunidade, realizando diversas atividades que contribuem para a promoção, prevenção e recuperação da saúde.

Principais atividades

  • Coleta de dados: Mede pressão arterial, temperatura, peso e altura, além de realizar outros exames simples.
  • Administração de medicamentos: Aplica injeções, realiza curativos e administra medicamentos conforme prescrição médica.
  • Procedimentos básicos: Realiza coleta de material para exames laboratoriais, prepara pacientes para consultas e procedimentos, e auxilia em pequenas cirurgias.
  • Educação em saúde: Orienta pacientes sobre hábitos saudáveis, prevenção de doenças e cuidados com a saúde.
  • Vacinação: Aplica vacinas conforme o calendário vacinal, contribuindo para a imunização da população.
  • Visitas domiciliares: Realiza visitas a pacientes em suas casas, oferecendo cuidados e acompanhamento.
  • Participação em programas de saúde: Colabora em programas de saúde como hipertensão, diabetes, saúde da mulher e saúde da criança.
  • Organizar e controlar os materiais de uso na UBS: Fazer o pedido, receber, armazenar e controlar os medicamentos, materiais médicos e de higiene, além de equipamentos e insumos.
  • Manter os estoques organizados e adequados às necessidades da UBS: Realizar inventários, controlar validade dos produtos e garantir a qualidade e segurança dos materiais.
  • Orientação e educação em saúde: Esclarecer dúvidas sobre medicamentos, procedimentos e cuidados com a saúde, orientar sobre doenças e medidas preventivas.
  • Manter os estoques organizados e adequados às necessidades da UBS: Realizar inventários, controlar validade dos produtos e garantir a qualidade e segurança dos materiais.
  • Participar de reuniões e atividades da equipe multiprofissional: Trabalhar em conjunto com médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais para oferecer um atendimento integral ao paciente.
  • Registrar as atividades desenvolvidas em prontuários e sistemas informatizados: Manter a documentação do paciente atualizada e organizada, garantindo a comunicação eficaz entre os profissionais.
  • Auxiliar no planejamento e execução de atividades de saúde pública: Participar de campanhas de vacinação, ações de prevenção de doenças, atividades de educação em saúde e outras atividades voltadas para a comunidade.
  • Garantir a segurança do paciente e do ambiente de trabalho: Seguir rigorosamente as normas de biossegurança, utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, realizar o descarte correto de materiais perfurocortantes e outros resíduos, além de manter a higiene e a organização do ambiente.

As atividades do Técnico de Enfermagem podem variar de acordo com a estrutura da UBS, número de profissionais e demanda de atendimento, mas, de modo geral, todas essas atividades contribuem para garantir um atendimento de qualidade e acolhedor à população.

Referências:

  1. COFEN: https://www.cofen.gov.br/parecer-no-01-2018-cofen-ctab/
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. 4a ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2007. (Série E. Legislação de Saúde; Série Pactos pela Saúde 2006, v. 4).

OMS: Novas recomendações para Cirurgia Segura

No intuito de garantir a segurança do paciente no ato cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a primeira edição do manual “WHO Guidelines for Safe Surgery” (Diretrizes da OMS para Cirurgia Segura) em 2008.

Em 2016, a organização lançou as Diretrizes Globais para a Prevenção da Infecção do Sitio Cirúrgico. Os fatores de risco para a infecção cirúrgica são multifatoriais e a prevenção destas é complexa e requer a integração de uma série de medidas preventivas nos períodos antes, durante e após a cirurgia.

As principais diretrizes da OMS

A meta da OMS é que tais medidas forneçam uma gama de recomendações para intervenções que reduzam o risco de infecção do sítio cirúrgico durante os períodos pré, intra e pós-operatório.

Confira a seguir as orientações da instituição para manter o paciente seguro no pré, peri e pós-operatório:

Pré-operatório

  • o paciente deve tomar banho antes da cirurgia. A sugestão é ele utilize um sabão simples ou antimicrobiano;
  • recomenda-se o uso de pomada de mupirocina a 2% com ou sem a combinação de lavagem corporal com clorexidina aos pacientes que serão submetidos a cirurgia cardiotorácica ou ortopédica;
  • de acordo com o tipo de cirurgia, a administração de profilaxia antibiótica antes da cirurgia ajuda a evitar infecção do sítio cirúrgico;
  • não se deve fazer tricotomia nas salas de cirurgia em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Quando absolutamente necessário, pelos e cabelos devem ser removidos apenas com máquinas de cortar;
  • recomenda-se o uso de soluções antissépticas alcoólicas — baseadas em gluconato de clorexidina — para a preparação da pele do sítio cirúrgico de todos os pacientes que serão submetidos a cirurgias;
  • não se deve utilizar selantes antimicrobianos após a preparação da pele nos pacientes do sítio cirúrgico;
  • a preparação das mãos para a cirurgia é essencial: recomenda-se sabonete antimicrobiano apropriado e água ou lavagem com escova adequada à base de álcool antes de colocar luvas estéreis.

Intra-operatório

  • recomenda-se a administração de fórmulas nutricionais orais ou entéricas reforçadas com múltiplos nutrientes em pacientes com baixo peso que passarão por grandes cirurgias;
  • a OMS sugere não interromper medicações imunossupressoras antes da cirurgia com a finalidade de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de aquecimento na sala de cirurgia e durante o procedimento cirúrgico para o aquecimento do corpo do paciente;
  • para prevenir infecção, podem ser usados tanto campos estéreis de tecido reutilizáveis quanto campos estéreis descartáveis que não sejam de tecido, assim como aventais cirúrgicos;
  • o uso de campos fenestrados adesivos de plástico com ou sem propriedades antimicrobianas não são recomendados;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de proteção de feridas em cirurgias abdominais potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas a fim de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • a OMS sugere o uso de terapia profilática com pressão negativa em pacientes adultos em incisões cirúrgicas com fechamento primário, desde que sejam feridas de alto risco;
  • não é recomendado o uso de sistemas de ventilação com fluxo de ar laminar para a procedimentos de cirurgia de artroplastia total.

Pós-operatório

  • não é recomendado o prolongamento da administração de profilaxia antibiótica cirúrgica após a conclusão do procedimento;
  • não se deve usar qualquer tipo de curativo avançado ao invés de um curativo padrão sobre feridas cirúrgicas com fechamento primário;
  • a profilaxia antibiótica perioperatória não deve ser continuada na presença de um dreno na ferida;
  • quando clinicamente indicado, recomenda-se a remoção do dreno da ferida.

Em vias gerais, a cultura da segurança do paciente envolve diferentes critérios atrelados a valores, atitudes, normas, estratégias, práticas, políticas e comportamentos.

Portanto, as diretrizes da OMS objetivam não apenas a redução dos danos nos eventos cirúrgicos, mas a reflexão sobre a importância da adequação às propostas do órgão.

Por fim, ao implementar as recomendações para prevenir infecção do sítio cirúrgico, os profissionais da saúde têm a oportunidade de melhorar o cuidado assistencial e a qualidade dos serviços.

Além disso, a adoção dessas medidas possibilita a substituição do sentimento de culpa quanto aos erros eventualmente cometidos pela oportunidade de um aprendizado constante.

Referências:

  1. World Health Organization
  2. PebMed
  3. Orientações da OMS para a Cirurgia Segura 2009

O que faz um Enfermeiro de UBS?

O enfermeiro de UBS (Unidade Básica de Saúde) é um profissional de saúde fundamental na atenção primária, atuando como elo entre a comunidade e o sistema de saúde.

Sua atuação é abrangente e impacta diretamente a saúde da população, desempenhando um papel crucial na promoção, prevenção e tratamento de doenças.

Principais funções do enfermeiro de UBS

  • Atenção individualizada: realizar consultas de enfermagem, administrar medicamentos, realizar curativos, coletar material para exames, orientar sobre saúde e prevenção de doenças, realizar vacinação e acompanhamento de pacientes com doenças crônicas.
  • Promoção da saúde: desenvolver ações educativas em saúde, palestras, campanhas de vacinação, grupos de apoio, atividades de promoção da saúde, atividades com foco em saúde mental e bucal.
  • Prevenção de doenças: realizar ações de vigilância epidemiológica, identificar e notificar doenças, orientar sobre hábitos saudáveis, realizar exames preventivos (como preventivo de colo de útero e mamografia).
  • Assistência em saúde da família: realizar visitas domiciliares, acompanhar gestantes, crianças, idosos, pessoas com deficiência e pessoas com doenças crônicas, promover o cuidado integral à família.
  • Gerenciamento de recursos: auxiliar na organização e gestão da UBS, controlar estoques de medicamentos e materiais, participar de reuniões e treinamentos, elaborar relatórios e registros de atividades.
  • Trabalho em equipe: atuar em conjunto com outros profissionais de saúde da UBS, como médicos, dentistas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e agentes comunitários de saúde.
  • Gerenciamento: Planejar, gerenciar, coordenar, executar e avaliar a Unidade de Saúde da Família (USF), levando em conta as reais necessidades de saúde da população atendida;
  • Capacitação: Supervisionar e executar ações para capacitação dos agentes comunitários de saúde e auxiliares de enfermagem, com vistas ao desempenho das funções.

Habilidades e características essenciais

  • Comunicação eficaz: saber se comunicar com pacientes, familiares e outros profissionais de saúde de forma clara, respeitosa e empática.
  • Empatia e escuta ativa: ter a capacidade de se colocar no lugar do paciente e entender suas necessidades e dificuldades.
  • Organização e gestão do tempo: realizar múltiplas atividades e tarefas com eficiência e organização.
  • Trabalho em equipe: colaborar e trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde.
  • Atualização profissional: acompanhar as novidades e tendências na área da saúde, através de cursos, congressos e leituras.
  • Resiliência e capacidade de lidar com situações desafiadoras: lidar com a pressão do trabalho, situações complexas e demandas diversas.

O enfermeiro de UBS é um profissional essencial na saúde da comunidade. Sua atuação abrangente contribui para a melhoria da qualidade de vida da população, garantindo acesso à saúde e promovendo o bem-estar.

Para se tornar um enfermeiro de UBS, é necessário:

  • Graduação em Enfermagem: concluir o curso de Enfermagem em uma instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC.
  • Registro no Conselho Regional de Enfermagem (COREN): após a graduação, o profissional deve se registrar no COREN do seu estado.
  • Experiência em atenção primária: o conhecimento e experiência em atenção primária são importantes para o desenvolvimento da carreira.

O trabalho do enfermeiro de UBS é desafiador, mas gratificante. É uma oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e saudável.

Referência:

  1. Soares, C. E. dos S., Biagolini, R. E. M., & Bertolozzi, M. R.. (2013). Atribuições do enfermeiro na unidade básica de saúde: percepções e expectativas dos auxiliares de enfermagem. Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 47(4), 915–921. https://doi.org/10.1590/S0080-62342013000040002

Notificação Compulsória e as Mudanças na Enfermagem

Notificação Compulsória

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 12/09/2026.

Na enfermagem, reconhecer uma doença ou agravo de notificação compulsória não significa apenas preencher uma ficha. A informação precisa chegar à vigilância no tempo correto para que uma suspeita individual possa ajudar a identificar surtos, riscos e mudanças no perfil epidemiológico da população.

O que é notificação compulsória?

É a comunicação obrigatória à autoridade de saúde sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de determinada doença, agravo ou evento de saúde pública incluído na lista nacional.

A obrigação alcança profissionais de saúde e responsáveis por estabelecimentos públicos ou privados. A notificação pode ser imediata ou semanal, conforme o agravo e a periodicidade estabelecida na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Estados e municípios também podem estabelecer notificações adicionais para problemas relevantes em seus territórios.

Um erro bastante comum na rotina é associar “notificação compulsória” automaticamente a “24 horas”. Esse prazo é utilizado para os eventos classificados como notificação imediata; os demais seguem a periodicidade semanal prevista na lista. Em uma unidade de pronto atendimento, por exemplo, identificar um caso suspeito de um agravo de notificação imediata exige acionar rapidamente o fluxo institucional, sem esperar a confirmação laboratorial quando a norma determina a comunicação da suspeita.

A lista nacional mudou em 2026

É justamente aqui que materiais antigos podem confundir quem está estudando para prova ou trabalhando na assistência.

A Lista Nacional de Notificação Compulsória é vinculada à Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017 e vem sendo modificada por novas portarias. Em 2025, a esporotricose humana foi incluída. Em janeiro de 2026, entraram as anomalias congênitas. Já em maio de 2026, a Portaria GM/MS nº 11.211 incluiu caxumba (parotidite) e febre do Oropouche, retirou a Covid-19 como item isolado e alterou nomenclaturas e periodicidades de diferentes eventos.

Por isso, decorar uma lista antiga encontrada em apostilas pode levar ao erro. Para consulta profissional ou estudo, vale conferir sempre a versão vigente da lista nacional.

Notificação imediata ou semanal?

A diferença é simples, mas precisa ser entendida.

Notificação imediata: deve ser comunicada em até 24 horas, conforme o destinatário indicado na lista, podendo envolver Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério da Saúde.

Notificação semanal: segue o fluxo e prazo semanal estabelecido para aquele agravo.

A própria lista especifica quem deve receber a comunicação imediata, portanto não é correto aplicar o mesmo fluxo para todas as doenças. A legislação atual também apresenta situações específicas para casos, óbitos, gestantes, anomalias congênitas e outros eventos.

SINAN e o registro da informação

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) é um dos principais instrumentos utilizados para registrar e acompanhar os agravos de notificação compulsória. A informação coletada permite analisar a distribuição dos eventos, identificar riscos e subsidiar medidas de controle e planejamento em saúde.

Na prática, o profissional que identifica uma situação notificável deve seguir o fluxo definido pelo serviço e pela vigilância epidemiológica local. Dependendo do evento, a comunicação imediata pode precisar ocorrer por telefone ou outro canal definido pela autoridade sanitária, além do registro no sistema correspondente.

Um cenário frequente acontece quando o paciente chega com uma condição suspeita e ainda não existe confirmação laboratorial. Se a legislação determinar notificação a partir da suspeita, esperar o resultado para só depois comunicar pode atrasar uma ação de vigilância que deveria começar naquele momento.

O que mudou em relação aos materiais antigos?

A antiga referência à Portaria nº 204/2016 não deve mais ser utilizada como base principal para apresentar a lista atual. A legislação foi incorporada e posteriormente modificada pela Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017 e por diversas atualizações posteriores.

Também é preciso ter cuidado com materiais que ainda apresentam a Covid-19 simplesmente como um item independente da lista. A atualização de maio de 2026 retirou essa denominação isolada e passou a contemplá-la dentro da Síndrome Gripal por covid-19 confirmada, além de alterar a nomenclatura relacionada à SRAG.

Outro exemplo importante é a febre do Oropouche: atualmente, casos são de notificação semanal, enquanto óbitos, gestantes, anomalias congênitas e óbitos fetais relacionados ao evento possuem notificação imediata conforme a nova regulamentação.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve reconhecer situações suspeitas, comunicar imediatamente quando o agravo exigir, preencher corretamente os dados disponíveis e seguir o fluxo institucional e da vigilância epidemiológica.

Também é fundamental evitar informações incompletas ou inconsistentes, preservar o sigilo do paciente, registrar a assistência no prontuário e colaborar com a investigação epidemiológica quando solicitada. A qualidade da informação interfere diretamente na capacidade da vigilância de identificar riscos e orientar medidas de controle.

Em uma situação de atendimento com suspeita de doença transmissível, por exemplo, a notificação não substitui as medidas assistenciais imediatas: precauções, isolamento quando indicado, coleta adequada de material e comunicação à equipe precisam acontecer de acordo com o caso.

Para não errar na prova ou na prática

★ Cai em Concurso

Guarde quatro pontos: notificação compulsória pode ocorrer por suspeita ou confirmação; pode ser imediata ou semanal; o prazo de 24 horas não vale para todos os agravos; e a lista nacional deve ser consultada em sua versão vigente.

A legislação muda porque a vigilância epidemiológica também muda. Para quem trabalha ou estuda enfermagem, acompanhar essas atualizações evita decorar uma lista que já deixou de representar a realidade normativa.

Resumo para salvar

Notificação Compulsória: O Que Mudou?

  • A notificação pode ser imediata ou semanal
  • O prazo de 24 horas não vale para todos os agravos
  • A lista nacional foi atualizada em 2026
  • O SINAN é um importante instrumento de registro e vigilância

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Notificação compulsória. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026. Altera a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública. Brasília, DF, 2026.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 10.175, de 23 de janeiro de 2026. Inclui anomalias congênitas na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Brasília, DF, 2026.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 6.734, de 18 de março de 2025. Inclui a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Brasília, DF, 2025.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 28 de setembro de 2017. Consolida as normas sobre os sistemas e subsistemas do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF, 2017.
Notícias da Enfermagem

Ministério da Saúde faz primeiro repasse de recurso complementar para estados e municípios para pagamento do piso da enfermagem

Ministério da Saúde efetuou, nesta segunda-feira (21), o primeiro repasse do recurso complementar para estados e municípios efetivarem o pagamento do piso nacional da enfermagem. O pagamento é referente à quatro parcelas – maio, junho, julho e agosto – transferido fundo a fundo aos gestores estaduais e municipais. Ao todo, são nove etapas em 2023, […]

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Cofen dialoga com Ministério da Saúde sobre dimensionamento e Piso Salarial

Buscando construir pontes em busca da valorização da categoria, a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Santos, e a chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional (DGEP/Cofen), Heloísa Helena da Silva, participaram, na manhã desta terça-feira (14/2), de reunião com o enfermeiro Bruno Almeida, diretor do Departamento de Gestão e da Regulação […]

Notícias da Enfermagem

24º CBCENF terá capacitação em Enfermagem e Saúde Mental

Estande coordenado pela Comissão Nacional de Enfermagem em Saúde Mental (Conaesm/Cofen) oferecerá capacitação durante o 24º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (24º CBCENF). O espaço recebe minicursos, com participação dos especialistas engajados no Programa Enfermagem Solidária e capacidade para 25 pessoas. Temas como autismo, risco de suicídio, manejo de crise psicótica e recursos terapêuticos em […]