Pancreatite: Sinais

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode ser causada por diversos fatores, sendo os mais comuns os cálculos biliares e o consumo de álcool.

Em alguns casos, a pancreatite aguda pode ser grave e levar à necrose, hemorragia e infecção do pâncreas e dos tecidos adjacentes.

Os Sinais

Nesses casos, podem surgir sinais de extravasamento de sangue para a cavidade abdominal, como o sinal de Cullen e o sinal de Grey-Turner.

O sinal de Cullen é uma equimose periumbilical, ou seja, um hematoma na região do umbigo.

O sinal de Grey-Turner é uma equimose nos flancos, ou seja, um hematoma nas laterais do abdome.

Esses sinais aparecem 24 a 48 horas após a ruptura do pâncreas e indicam um prognóstico desfavorável, com alta taxa de mortalidade.

Diagnóstico

O diagnóstico da pancreatite aguda é feito pela avaliação clínica, dosagem de enzimas pancreáticas no sangue e exames de imagem. O tratamento é baseado em hidratação, analgesia e suporte nutricional.

Alguns Cuidados

  • Monitorar sinais vitais e sinais de choque ou peritonite;
  • Avaliar características da pele e mucosas, especialmente em relação à icterícia;
  • Manter o paciente em jejum absoluto e hidratado por via parenteral;
  • Administrar medicamentos conforme prescrição médica, como analgésicos, antieméticos, antibióticos e insulina;
  • Prevenir complicações como infecções, hemorragias, necrose ou pseudocistos pancreáticos;
  • Orientar o paciente sobre a dieta adequada, a abstinência alcoólica e o acompanhamento médico regular.

Referências:

  1. De Campos T, Parreira JG, Utiyama E, Rasslan S. Pesquisa nacional sobre condutas na pancreatite aguda. Rev Col Bras Cir [Internet]. 2008Sep;35(5):304–10. Available from: https://doi.org/10.1590/S0100-69912008000500006

Sinal de Homans

O sinal de Homans é um sinal médico de desconforto ou dor na panturrilha após dorsiflexão passiva do pé. É causado por uma trombose das veias profundas da perna (trombose venosa profunda). Recebe este nome em homenagem ao médico americano John Homans.

No Sinal de Homans, o examinador faz um movimento de dorsiflexão do pé para avaliação realizada no membro inferior.

Em geral, quando a dor é positiva, o paciente refere dor na panturrilha. Contudo,é válido ressaltar que o diagnóstico deve ser corroborado por outros sinais e sintomas e exames específicos, pois esse sinal não é diagnóstico definitivo de tromboflebite, já que a dor relatada também pode ser causada por estiramento muscular.

Referências:

  1. Lopes, AC et al. Tratado de Clínica Médica. 3a ed. São Paulo: Roca, 2016.
  2. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 19th ed. New York:McGraw-Hill, 2015.
  3. Medicina de emergências: abordagem prática / Herlon Saraiva Martins, Rodrigo Antonio Brandão Neto, lrineu Tadeu Velasco. –11. ed. rev. e atual. — Barueri, SP: Manole, 2017.
  4. Medicina de emergência: revisão rápida / editores Herlon Martins…[et al.]. – Barueri, SP: Manole, 2017.

Sinais Vitais: Quando verificar?

Sinais vitais são medidas essenciais para avaliar o estado de saúde de uma pessoa. Eles incluem aferições como temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial.

Em que situações deve verificar os sinais vitais?

Na admissão

Quando um paciente chega a um hospital ou clínica, a medição dos sinais vitais é um passo inicial crucial. Isso permite que os profissionais de saúde avaliem o estado geral do paciente e identifiquem possíveis alterações.

Na Pré consulta ou Consulta Hospitalar ou Ambulatorial

É importante medir os sinais vitais na pré consulta ou consulta médica de rotina, para avaliar as alterações fisiológicas e detectar possíveis problemas de saúde.

Após qualquer intervenção ou procedimento

Após cirurgias, exames ou outros procedimentos médicos, é importante monitorar os sinais vitais para detectar qualquer reação adversa ou mudança significativa.

Quando o paciente apresentar sintomas de emergência

Se um paciente manifestar sintomas graves, como falta de ar, dor no peito ou confusão, a verificação imediata dos sinais vitais é essencial para avaliar a gravidade da situação.

Antes e depois da administração de medicamentos

Alguns medicamentos podem afetar os sinais vitais. Portanto, é importante medir esses parâmetros antes de administrar qualquer tratamento.

Antes e depois de mudanças no tratamento

Sempre que houver alterações na terapia (como ajustes de dose ou troca de medicamentos), verificar os sinais vitais ajuda a avaliar a resposta do paciente.

Quando o paciente relata alterações nos sintomas

Se o paciente mencionar mudanças em seu estado de saúde, como febre, tontura ou palpitações, a medição dos sinais vitais pode fornecer informações importantes.

Quando o paciente apresenta ansiedade ou dor

A ansiedade e a dor podem afetar os sinais vitais. Monitorar esses parâmetros ajuda a entender o impacto emocional ou físico no paciente.

Referência:

  1. Central de Consultas

Sinal da Prega Cutânea e a desidratação

A desidratação é geralmente definida como a depleção da água corporal total devido a perda patológica de fluídos, diminuição da ingestão de líquidos, ou uma combinação de ambos. No entanto, não havendo consenso nesta definição, há quem defenda que não exista qualquer definição absoluta de desidratação.

Como a desidratação é um estado patológico agudo grave, a toma de medidas precoces pode prevenir complicações sérias e até mesmo hospitalizações. Crianças, idosos e adultos com outras patologias ou comorbidades sérias são especialmente suscetíveis a esta condição, podendo ser fatal.

O Sinal da Prega Cutânea

Este sinal faz parte dos sinais e sintomas moderados e graves da desidratação, onde  depois de beliscada e pele não volta ao normal – (sobretudo em bebês e idosos).

Referência:

  1. Wakefield BJ, Mentes J, Holman JE, Culp K. Postadmission dehydration: risk factors, indicators, and outcomes. Rehabil Nurs [Internet]. 2009;34(5):209–16. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19772119

Sinal de Blumberg

O Sinal de Blumberg é um sinal médico caracterizado por dor ou piora da dor à compressão e descompressão súbita do ponto de McBurney. A pesquisa do sinal é feita no ponto de McBurney, também chamado de ponto apendicular.

Como é avaliado?

É traçado uma linha que liga a cicatriz umbilical com a espinha ilíaca ântero-superior. Divide-se esta linha em 3 partes, sendo o ponto referido o local que corresponde ao encontro do terço médio com o terço distal da linha.

Dor no ponto de McBurney, percebido durante o exame físico, é indicativo de peritonite naquele local e, apesar de não ser patognomônico, geralmente associa-se à apendicite aguda.

O verdadeiro sinal de Blumberg positivo ocorre somente quando a dor ocorre em dois tempos: durante a compressão e na descompressão, sendo nesta de muito maior intensidade.

Somente a descompressão dolorosa – dor em um tempo – não caracterizaria o sinal. Idealmente, como foi descrito no artigo em que foi publicado, o sinal de Blumberg só é pesquisado no ponto de Mcburney, sendo que a descompressão dolorosa em qualquer outra parte do abdome não é reconhecida como este sinal.

O nome do sinal é em homenagem ao cirurgião alemão Jacob Moritz Blumberg.

Referência:

  1. Ramos Jr. Semiotécnica da Observação Clínica, 1995

Sinal de Frank e a Doença Coronariana

A presença de uma ruga diagonal no lobo da orelha, ou Sinal de Frank, pode ser indício de doença arterial coronariana (DAC), uma das principais causas de infarto e morbimortalidade na população adulta.

E Sinal de Frank indica envelhecimento precoce e perda das fibras elásticas e vasculares. A importância do reconhecimento deste sinal pelo profissional de saúde se dá pela probabilidade de um processo aterosclerótico semelhante estar ocorrendo em artérias mais importantes, como as coronárias, responsáveis pela perfusão do coração.

O Exame Físico

Durante o exame físico, no momento da consulta, o médico deve atentar para o Sinal de Frank, principalmente, em pacientes que apresentam fatores de risco para aterosclerose e consequentemente para DAC, como obesidade, idade avançada, dislipidemia, tabagismo, diabetes, hipertensão e história familiar.

A detecção desses fatores de risco com antecedência e o seu controle, por meio da adoção de melhores hábitos de vida ou tratamento medicamentoso, diminui consideravelmente o risco de intercorrências, como infarto.

Não é uma doença, apenas um sinal!

É importante ressaltar que o Sinal de Frank não representa a doença em si do paciente, mas sim, um indicativo que ele pode ter um problema maior – nesse caso, de origem aterosclerótica – que pode estar se apresentando de forma assintomática.

Em situações em que o paciente apresenta dor precordial, o reconhecimento do Sinal de Frank pelo profissional de saúde pode vir a ajudar no diagnóstico de um infarto não detectado pelo eletrocardiograma (ECG), mas que é visto quando o paciente se submete a um exame mais invasivo, como a cineangiocoronariografia, ou cateterismo, que mostra a imagem de importantes obstruções coronarianas.

Pacientes apresentando o Sinal de Frank possuem uma predisposição de até três vezes mais distúrbios cardíacos.

Por isso, é extremamente importante que o indivíduo realize consultas de rotina com um profissional de saúde especializado, como com um cardiologista, o qual deve sempre examinar o seu paciente como um todo, visto que a detecção de um simples sinal semiológico, como o de Frank, pode contribuir para um diagnóstico precoce e para prevenir futuras complicações.

Referência:

  1. AAC – Associação Acadêmica de Cardiologia

Sinal de Rovsing

Os sinais clínicos da apendicite aguda vão depender da localização do órgão e do momento em que o paciente vai procurar assistência médica.

Um recurso propedêutico interessante o Sinal de Rovsing:

A palpação do quadrante inferior esquerdo do abdômen do paciente resultar em dor no quadrante inferior direito, diz-se que o paciente é positivo para o sinal de Rovsing.

Essa palpação é realizada procurando-se “ordenhar” o intestino grosso, a partir do sigmóide, retrogradamente, em direção ao cólon descendente, transverso e finalmente ascendente, onde o acúmulo de gases e/ou fezes gera a dor pois é aí que se encontra o apêndice.

Referência:

  1. Pebmed

Sinal de Tinel

A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia mais comum da extremidade superior. O diagnóstico é clínico e determinado pela história e pelo exame físico, que inclui os testes de Tinel, Phalen e Durkan.

O sinal de Tinel, consiste na percussão leve sobre o punho, transmite uma sensação de parestesia na região de distribuição do nervo mediano.

O sinal de Tinel recebe este nome em homenagem ao médico francês Jules Tinel (1879-1952).

Como é feito?

O médico aplica pequenos golpes sobre o nervo mediano, no nível do punho. Isso pode fazer com que a dor dispare, desde o punho até a mão.

A percussão do nervo mediano ao nível do canal do carpo ou imediatamente proximal a ele pode provocar choques ou hiperestesia no território inervado pelo nervo mediano na Síndrome do túnel do carpo.

Referência:

  1. Arnaldo Gonçalves de Jesus Filho, Bruno Fajardo do Nascimento, Marcelo de Carvalho Amorim, Ronald Alan Sauaia Naus, Elmano de Araújo Loures, Lucas Moratelli Estudo comparativo entre o exame físico, a eletroneuromiografia e a ultrassonografia no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo Revista Brasileira de Ortopedia, Volume 49, Issue 5, September–October 2014, Pages 446-451

Sinal de Piparote

sinal de Piparote, também chamado de teste da onda líquida, é uma manobra realizada durante o exame físico do abdômen do paciente.

É realizado com o paciente deitado de costas e auxilia no diagnóstico de ascites. No exame, o examinador coloca sua mão em um dos flancos do abdômen e um dedo médio do outro lado, empurrando contra o flanco contralateral. Este movimento fará com que o líquido ascítico se mova, formando uma onda que será percebida pelo tato das digitais.

O exame será positivo para ascite quando a ascite tiver um grande volume líquido.

Mas, o que é a Ascite?

A ascite ou “barriga d’água” é o acúmulo anormal de líquido rico em proteínas no interior do abdômen, no espaço entre os tecidos que revestem o abdômen e os órgãos abdominais. A ascite não é considerada uma doença mas sim um fenômeno que está presente em várias doenças, sendo a mais comum a cirrose hepática.

A ascite não tem cura, porém, pode ser tratada com remédios diuréticos, restrição de sal na alimentação e com a não ingestão de bebidas alcoólicas, para eliminar o excesso de líquidos no abdômen.

Os líquidos que podem se acumular dentro do abdômen podem ser o plasma sanguíneo, que é o nome dado ao líquido do sangue, e a linfa, que é um líquido transparente presente em todo o corpo que faz parte da circulação das ínguas.

Referências:

  1. Ascite – estado da arte baseado em evidências. Rev Assoc Med Bras . 55. 4; 489-496, 2009
  2. UNASUS

Manobra de Phalen

A Manobra de Phalen é um exame diagnóstico para a Síndrome do Túnel do Carpo (STC).

Como é feito o teste?

Solicita-se ao paciente que mantenha seus punhos em flexão completa e forçada (empurrando as superfícies dorsais de ambas mãos juntas) por 30-60 segundos.

Essa manobra aumenta moderadamente a pressão no túnel do carpo e possui o efeito de prensar o nervo mediano entre a borda proximal do ligamento transverso do carpo e a borda anterior da porção distal do rádio.

Ao comprimir o nervo mediano no interior do túnel do carpo, sintomas característicos (como queimação, pontada ou formigamento no polegar, indicador, dedo médio e dedo anelar) são considerados sinais positivos e sugerem uma síndrome do túnel do carpo.

A Síndrome do Túnel do Carpo

É uma condição médica causada pela compressão do nervo mediano no ponto em que passa pelo túnel cárpico do pulso.

Os sintomas mais comuns são dor, falta de sensibilidade, formigueiro nos dedos polegar, indicador, e do lado do polegar do dedo anelar. Os sintomas geralmente começam-se a manifestar de forma gradual e durante a noite.

Em alguns casos a dor pode-se espalhar para o braço. Após um longo período de tempo, o desgaste dos músculos na base do polegar pode causar diminuição da força necessária para agarrar objetos. Em mais da metade dos casos, ambos lados são afetados.

Fatores de Risco

–  Obesidade;

– Trabalho repetitivo com o pulso;

– Gravidez;

– Artrite reumatoide.

Existem alguns indícios de que o hipotireoidismo aumenta o risco, e existe também uma associação ligeira da diabetes com a STC.

A utilização da pílula contraceptiva não influencia o risco.

Referência:

1. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Carpal Tunnel Syndrome Evidence-Based Clinical Practice Guideline. http://www.aaos.org/ctsguideline. Published February 29, 2016.