Discinesia Tardia

A discinesia tardia é um distúrbio do movimento que se manifesta por contrações musculares involuntárias e repetitivas. Ela é um efeito colateral comum do uso crônico de medicamentos antipsicóticos, que são utilizados para tratar condições como esquizofrenia e transtorno bipolar.

O que causa a discinesia tardia?

A causa exata da discinesia tardia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações nos níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor importante para o movimento e o humor.

Os antipsicóticos atuam bloqueando os receptores de dopamina, o que pode levar a um desequilíbrio nesse neurotransmissor e, consequentemente, aos movimentos involuntários característicos da discinesia tardia.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da discinesia tardia podem variar em gravidade e podem afetar diferentes partes do corpo. Os mais comuns incluem:

  • Movimentos involuntários da face: como protrusão da língua, movimentos mastigatórios, piscar rápido e contorções faciais.
  • Movimentos involuntários das extremidades: como tremores, torções e movimentos rápidos e repetitivos.
  • Movimentos involuntários do tronco: como inclinações e contorções.

Quem está mais em risco?

O risco de desenvolver discinesia tardia aumenta com:

  • Uso prolongado de antipsicóticos: quanto mais tempo uma pessoa usar esses medicamentos, maior o risco.
  • Uso de altas doses de antipsicóticos: doses mais altas aumentam o risco.
  • Idade avançada: idosos são mais suscetíveis.
  • Sexo feminino: mulheres parecem ser mais propensas a desenvolver a doença.
  • História familiar de discinesia tardia: a predisposição genética pode aumentar o risco.

Como a discinesia tardia é diagnosticada?

O diagnóstico da discinesia tardia é feito por um profissional de saúde, geralmente um neurologista ou psiquiatra, com base nos sintomas do paciente e em um exame físico. Não existem exames específicos para confirmar o diagnóstico, mas a avaliação clínica é fundamental.

Qual é o tratamento?

Não existe cura para a discinesia tardia, mas o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas. As opções de tratamento incluem:

  • Redução da dose ou troca do medicamento antipsicótico: em alguns casos, reduzir a dose ou mudar para outro medicamento pode ajudar a aliviar os sintomas.
  • Uso de outros medicamentos: existem medicamentos que podem ajudar a reduzir os movimentos involuntários, mas eles podem ter efeitos colaterais significativos.
  • Terapia ocupacional: a terapia ocupacional pode ajudar o paciente a aprender a lidar com os sintomas e a realizar suas atividades diárias.

Prevenção

A melhor forma de prevenir a discinesia tardia é utilizar os antipsicóticos de forma cuidadosa e monitorar regularmente os pacientes que fazem uso desses medicamentos. É importante que os médicos pesem os benefícios e os riscos dos antipsicóticos antes de prescrevê-los e que os pacientes informem seus médicos sobre quaisquer sintomas novos ou agravantes.

Cuidados de Enfermagem

  • Monitoramento dos sintomas: O enfermeiro deve realizar avaliações regulares para identificar e documentar a gravidade dos movimentos involuntários, observando a frequência, duração e intensidade. É importante utilizar escalas de avaliação específicas para a discinesia tardia, como a Escala de Avaliação de Movimentos Involuntários (AIMS).
  • Educação do paciente e da família: É fundamental orientar o paciente e seus familiares sobre a discinesia tardia, suas causas, sintomas e tratamento. O enfermeiro deve esclarecer dúvidas, fornecer informações sobre a importância do acompanhamento médico e auxiliar na adesão ao tratamento.
  • Monitoramento dos efeitos colaterais dos medicamentos: O enfermeiro deve estar atento aos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados no tratamento da discinesia tardia, como sonolência, tontura e outros. É importante comunicar qualquer alteração ao médico responsável.
  • Promoção da segurança: Pacientes com discinesia tardia podem apresentar dificuldades para realizar atividades diárias devido aos movimentos involuntários. O enfermeiro deve adaptar o ambiente e auxiliar o paciente a realizar suas atividades com segurança, evitando quedas e outros acidentes.
  • Suporte emocional: A discinesia tardia pode causar impacto significativo na qualidade de vida do paciente e de sua família. O enfermeiro deve oferecer suporte emocional, ouvindo as queixas e preocupações do paciente e de seus familiares.
  • Encaminhamento para outros profissionais: O enfermeiro deve identificar a necessidade de encaminhamento para outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que podem auxiliar no tratamento da discinesia tardia.
  • Registro e comunicação: É essencial que o enfermeiro registre todas as observações e intervenções realizadas, comunicando-as à equipe multidisciplinar para garantir a continuidade do cuidado.

Prevenção da discinesia tardia

A prevenção da discinesia tardia é um aspecto importante dos cuidados de enfermagem. O enfermeiro deve:

  • Monitorar o uso de antipsicóticos: É fundamental monitorar o uso de antipsicóticos, observando a necessidade de ajuste da dose ou a troca do medicamento.
  • Identificar fatores de risco: O enfermeiro deve identificar os fatores de risco para o desenvolvimento da discinesia tardia, como idade avançada, sexo feminino e uso prolongado de antipsicóticos.
  • Promover a adesão ao tratamento: É importante que o enfermeiro incentive a adesão ao tratamento, esclarecendo as dúvidas do paciente e da família sobre a importância da medicação.

Referência:

  1. Andrade, L. A. F., Bertolucci, P. H. F., & Pereira, J. S.. (1984). Discinesia tardia: I. fisiopatologia e tratamento. Arquivos De Neuro-psiquiatria, 42(4), 362–370. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1984000400008

Os tipos de Bolsa coletora de urina

Quando se trata de cuidados médicos, especialmente para pacientes com dificuldades de mobilidade ou condições específicas que afetam a função urinária, as bolsas coletoras de urina são dispositivos essenciais.

Elas permitem a coleta e o armazenamento seguro da urina, facilitando o monitoramento e a análise da saúde do paciente. Vamos explorar os diferentes tipos de bolsas coletoras de urina e seus usos específicos:

Sistema Aberto

O sistema aberto de coleta de urina é frequentemente utilizado em ambientes hospitalares para pacientes acamados ou em recuperação pós-operatória. Este sistema permite o escoamento da urina diretamente do cateter não invasivo como o uripen para a bolsa coletora, que pode ser esvaziada conforme necessário. A principal vantagem é a facilidade de monitoramento visual do volume de urina, o que é crucial para avaliar a função renal e ajustar tratamentos.

Sistema Fechado

O sistema fechado, por outro lado, é um método mais higiênico e seguro de coleta de urina. Ele é composto por um cateter ligado diretamente da bexiga do paciente a uma bolsa coletora, formando um circuito que impede a entrada de ar e reduz o risco de infecções. Este sistema é ideal para uso prolongado, especialmente em pacientes com incontinência ou aqueles que necessitam de medições precisas da diurese para monitoramento clínico.

Diurese Horária

A bolsa coletora de diurese horária é projetada para medir a quantidade de urina produzida por hora. Este tipo de bolsa é essencial em unidades de terapia intensiva (UTI), onde é necessário um controle rigoroso do balanço hídrico do paciente. Através dela, os profissionais de saúde podem avaliar rapidamente a função renal e responder a mudanças na condição do paciente.

Bolsa de Perna

Por fim, a bolsa coletora de urina de perna é uma solução prática para pacientes que precisam de mobilidade mas sofrem de incontinência urinária. Ela é fixada à perna do usuário, permitindo que ele se movimente livremente sem preocupações. Este tipo de bolsa é discreto, confortável e pode ser usado sob a roupa, proporcionando autonomia e qualidade de vida ao paciente.

Cada tipo de bolsa coletora de urina tem seu propósito e aplicação específicos, e a escolha do tipo adequado depende das necessidades individuais do paciente e das recomendações médicas. É importante que os pacientes e cuidadores estejam bem informados sobre o uso correto desses dispositivos para garantir a eficácia e a segurança no monitoramento da saúde urinária.

Referências:

  1. BBraun
  2. Medsonda
  3. Utilidades Clínicas
  4. Angular Saúde

HIV Vs AIDS: As diferenças

O HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um retrovírus transmitido através do contato com fluidos corporais, como sangue, leite materno e sêmen.

Como é adquirido?

Pode ser adquirido por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, compartilhamento de agulhas ou de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação.

Os Sintomas

A infecção pelo HIV pode causar sintomas iniciais, como cansaço excessivo, dor muscular, dor de cabeça ou garganta, suor noturno e ínguas. Esses sintomas podem surgir na infecção inicial pelo HIV, chamada síndrome retroviral aguda.

Por outro lado, a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é a evolução do HIV. Ela ocorre quando o vírus do HIV provoca danos no sistema imunológico, tornando-o menos capaz de combater infecções e doenças.

Os sintomas da AIDS são mais intensos e surgem quando o sistema imunológico já está muito debilitado pelo HIV. Isso favorece o surgimento de infecções ou doenças oportunistas, como herpes, candidíase, toxoplasmose, sarcoma de Kaposi ou hepatite.

Você sabia?

É importante destacar que ter a infecção pelo HIV não significa automaticamente ter AIDS. Uma pessoa pode ser portadora do vírus HIV e estar fazendo tratamento, sendo considerada saudável.

No entanto, a AIDS ocorre quando o vírus do HIV causa danos significativos ao sistema imunológico.

As diferenças sutis

  • HIV: Vírus que pode provocar a AIDS.
  • AIDS: Síndrome resultante da destruição do sistema imunológico pelo vírus HIV.

Lembre-se sempre da importância da prevenção e do tratamento adequado para controlar a infecção pelo HIV e evitar a progressão para a AIDS. Consultar um profissional de saúde é fundamental para receber orientações específicas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Trach Care: Sistema fechado de aspiração

O “Trach Care” ou sistema fechado de aspiração de secreções, remove secreções traqueais de pacientes com ventilação mecânica (VM) que não devem ser desconectados, quando houver secreção visível em via aérea, presença de ruído no tubo traqueal, desconforto respiratório do paciente, queda da saturação, oscilações da curva de fluxo do ventilador.

Indicação

Em pacientes isolados por aerossolterapia, garantindo maior segurança ao profissional envolvido no procedimento.

Materiais necessários para este procedimento

  • Sistema de aspiração fechado de número compatível com peso e idade;
  • Soro fisiológico;
  • Seringa;
  • Ampola de soro fisiológico;
  • Agulha;
  • Intermediário de aspiração;
  • Equipamentos de proteção individual.

Etapas

  • Higienizar as mãos;
  • Escolher conector e tubo avaliando a idade e peso;
  • Conferência de todos os materiais necessários;
  • Utilizar equipamentos de proteção individual na ordem a seguir: Avental, Máscara N95 ou FFP2 e Máscara cirúrgica, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Gorro e Luvas de procedimento.
  • Posicionar o paciente com cabeceira elevada à 30º – 45º;
  • Explicar procedimento ao paciente;
  • Realizar a abertura da sonda de aspiração;
  • Reservar o invólucro para auditoria;
  • Avaliar o tamanho do sistema do trach care que será conectado de acordo com o tamanho do tubo oro traqueal do paciente;
  • Retirar o conector do tubo oro traqueal e conectar o adaptador escolhido de acordo com o tamanho do tubo;
  • Conectar o circuito do respirador a segunda conexão do adaptador do trach care;
  • Identificar o circuito com fita adesiva colorida que compõe o kit do trach care de acordo com o dia da semana no qual o mesmo foi instalado (O tempo de troca do dispositivo será a cada 72h);
  • Conectar o intermediário de aspiração no vácuo;
  • Antes de conectar o sistema fechado ao paciente, realizar o teste de sucção ativando a válvula com o polegar;
  • Conectar a válvula de controle ao dispositivo de aspiração;
  • Conectar dispositivo lateral do conector ao sistema de ventilação;
  • Aspirar soro fisiológico em uma seringa;
  • Abrir e testar o funcionamento do sistema de aspiração;
  • Conectar o intermediário de aspiração (látex) no sistema de aspiração fechado;
  • Caso haja necessidade, ajustar no ventilador mecânico FO2 de 100% ou modo de aspiração se este estiver disponível, com o objetivo de pré-oxigenar antes do procedimento;
  • Girar a trava de segurança do sistema de aspiração para abrir o sistema;
  • Introduzir a sonda de aspiração do sistema fechado no tubo traqueal até perceber resistência, onde se encontra a carina, neste ponto elevar 1 a 2 centímetros da sonda;
  • Liberar o vácuo de aspirar apertando o clamp do sistema;
  • Realizar movimentos lentos de vai e vem e retirar lentamente a sonda ( *Este procedimento não deve durar mais de 10 segundos devido ao risco de hipoxemia);
  • Inserir a seringa no local recomentado contendo a solução fisiológica, lavar a sonda do sistema de aspiração, mantendo o vácuo ativado ao mesmo tempo da introdução do soro;
  • Realizar este procedimento quantas vezes forem necessárias;
  • Ao termino do procedimento lavar novamente o sistema de aspiração fechado;
  • Desconectar a seringa e e descarta-la;
  • Travar a válvula de segurança do sistema de aspiração fechado;
  • Desconectar o vácuo do sistema;
  • Colocar a tampa protetora do sistema de aspiração fechado;
  • Lavar o intermediário de aspiração;
  • Desligar o sistema a vácuo;
  • Identificar e armazenar o látex no conector lateral do sistema de aspiração;
  • Organizar o leito do paciente, fazer a retirada dos EPI’s na ordem a seguir: Luvas, Avental, Gorro, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Máscaras.

Lembrando que: Esta prática é indicada em pacientes com precaução por aerossóis; pacientes com sangramento pulmonar ativo e excesso de secreções nas vias aérea.

Referências:

  1. https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2020/03/Tabela-Traduzida-EPI-OMS.pdf;
  2. http://www2.ebserh.gov.br/documents/17082/3086452/POP+REABILITA%C3%87%C3%83O+RESPIRAT%C3%93RIA+ADULTO.pdf/500f4ac4-2c60-493d-9c78-6779d3be6448 
  3. https://www.youtube.com/watch?v=fii379Gfgso
  4. https://www.salvavidas.eu/pt/el-proyecto/especial-covid-19;
  5. BRASIL, Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde / Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, 2013.
  6. http://www.cfernandes.com.br/produto/sonda-aspiracao-sistema-fechado-bioteq/

Dieta Enteral: Sistema Aberto e Fechado

A dieta enteral é uma forma de nutrição que utiliza uma sonda para fornecer os nutrientes necessários ao organismo.

Existem dois tipos de sistemas para a administração da dieta enteral: o sistema aberto e o sistema fechado.

As diferenças

O sistema aberto requer uma manipulação prévia da dieta, que pode ser em pó ou líquida, e é acondicionada em frascos que devem ser trocados a cada 24 horas.

O sistema fechado utiliza dietas líquidas, estéreis e industrializadas, que são armazenadas em bolsas ou recipientes herméticos que se conectam diretamente ao equipo de infusão.

O sistema fechado tem menor risco de contaminação, mas requer o uso de uma bomba de infusão para controlar a vazão da dieta.

Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens, e devem ser escolhidos de acordo com as necessidades e condições do paciente.

Referência:

  1. Silva, S. M. R., Assis, M. C. S. de ., Silveira, C. R. de M., Beghetto, M. G., & Mello, E. D. de .. (2012). Sistema aberto ou fechado de nutrição enteral para adultos críticos: há diferença?. Revista Da Associação Médica Brasileira, 58(2), 229–233. https://doi.org/10.1590/S0104-42302012000200020

Sistema Circulatório: Fluxo sanguíneo cardíaco

O coração e os vasos sanguíneos constituem o sistema cardiovascular (circulatório). O coração bombeia o sangue para os pulmões para que ele possa receber oxigênio e depois bombeia o sangue rico em oxigênio para o corpo.

O sangue que circula nesse sistema distribui oxigênio e nutrientes para os tecidos do corpo e retira produtos residuais (como dióxido de carbono) dos tecidos.

A função do coração

A única função do coração é bombear sangue.

  • O lado direito do coração: bombeia sangue para os pulmões, onde oxigênio é adicionado ao sangue e o dióxido de carbono é eliminado;
  • O lado esquerdo do coração: bombeia sangue para o restante do corpo, onde oxigênio e nutrientes são fornecidos para os tecidos e os resíduos (como dióxido de carbono) são transferidos para o sangue para serem removidos por outros órgãos (como os pulmões e rins).

O sangue faz a seguinte trajetória: O sangue proveniente do corpo, pobre em oxigênio e carregado de dióxido de carbono, flui através das duas veias maiores – a veia cava superior e a veia cava inferior, que, em conjunto, são chamadas veias cavas – para o átrio direito.

Quando o ventrículo direito relaxa, o sangue que está no átrio direito é despejado através da válvula tricúspide no ventrículo direito. Quando o ventrículo direito está quase cheio, o átrio direito se contrai, enviando sangue adicional para o ventrículo direito, que se contrai em seguida.

Essa contração fecha a válvula tricúspide e impulsiona o sangue pela válvula pulmonar até as artérias pulmonares, que irrigam os pulmões. Nos pulmões, o sangue flui pelos pequenos capilares que rodeiam os alvéolos. Aqui, o sangue absorve oxigênio e libera dióxido de carbono, que depois é exalado.

O sangue proveniente dos pulmões, agora rico em oxigênio, circula pelas veias pulmonares até o átrio esquerdo. Quando o ventrículo esquerdo relaxa, o sangue do átrio esquerdo passa para o ventrículo esquerdo através da válvula mitral.

Quando o ventrículo esquerdo está quase cheio, o átrio esquerdo se contrai, enviando sangue adicional ao ventrículo esquerdo, que, em seguida, contrai-se. (Em idosos, o ventrículo esquerdo não fica totalmente cheio antes da contração do átrio esquerdo, o que faz com que essa contração do átrio esquerdo seja especialmente importante).

A contração do ventrículo esquerdo fecha a válvula mitral e impulsiona o sangue pela válvula aórtica até a aorta, a maior artéria do corpo. Esse sangue leva oxigênio a todo o corpo, exceto aos pulmões.

A circulação pulmonar é o trajeto entre o lado direito do coração, os pulmões e o átrio esquerdo.

A circulação sistêmica é o trajeto entre o lado esquerdo do coração, a maior parte do corpo e o átrio direito.

Referência:

  1. Fisiologia cardiovascular. In: Fisiologia Humana: uma abordagem integrada. D. Silverthorn. Ed. Manole. 2a.edição, 2003, pp. 404-441. 

Sistema Condutor do Coração

O coração é um órgão do sistema cardiovascular e gera seus próprios impulsos elétricos que cursam um trajeto próprio, especialmente desenhado para ajudar na distribuição de um potencial de ação através do músculo cardíaco.

Os nós e redes das células “especializadas” do coração constituem o sistema de condução cardíaca. Os componentes deste sistema são os nós sinoatrial e aurículo-ventricular, o feixe aurículo-ventricular, com os seus ramos esquerdo e direito e o plexo subendocárdico das células de condução ventricular (fibras de Purkinje).

O ritmo de pacemaker do coração é gerado ao nível deste sistema, sendo influenciado por nervos e transmitido especificamente das aurículas até aos ventrículos e, a partir daí, a toda a musculatura.

Nó sinoatrial

O nó sinoatrial é o marcapasso do coração, e está localizado superior ao sulco terminal do átrio (aurícula) direito, próximo à abertura da veia cava superior. Esse feixe de tecido nervoso propaga os impulsos elétricos e portanto governa o ritmo sinusal de minuto a minuto.

Se esse nó falhar, o nó atrioventricular (aurículo-ventricular) possui a capacidade de assumir o papel de marcapasso.

Nó atrioventricular (aurículo-ventricular)

O nó atrioventricular (aurículo-ventricular) também está localizado no átrio direito, em um nível que o dispõe póstero-inferiormente ao septo interatrial (interauricular) e próximo à cúspide septal da valva (válvula) tricúspide.

Ele recebe e continua os potenciais de ação produzidos pelo nó sinoatrial e em alguns casos pode mesmo propagar alguns potenciais de ação próprios. Essa área cobre os átrios (aurículas) do coração, assim como faz o nó sinoatrial.

Feixe de His

O feixe de His é uma coleção de fibras nervosas que se encontram no septo interatrial (interauricular). Eles encaminham os impulsos elétricos do nó atrioventricular e os enviam para os ramos direito e esquerdo. Os ramos direito e esquerdo são um acúmulo contínuo de nervos que inervam os ventrículos e o septo interventricular do coração.

O lado direito possui um único feixe que atinge o ápice do ventrículo direito antes de se curvar sobre si mesmo e voltar ao longo do lado direito do coração.

O lado esquerdo possui uma divisão anterior e posterior. A divisão anterior cursa ao longo do ventrículo direito através de sua parede anterossuperior, enquanto a divisão posterior se comporta da mesma forma que o ramo direito e circula ao redor do lado esquerdo do coração após atingir seu ápice.

Fibras de Purkinje

Os feixes terminais de tecido nervoso são conhecidos como fibras de Purkinje, e essas são responsáveis por garantir que cada pequeno grupo de células é atingido pelo estímulo elétrico, de forma que uma contração muscular máxima possa ocorrer.

O sistema de condução do coração controla o ritmo cardíaco, porém, ele sofre influência da inervação parassimpatica e simpática. Leia o artigo abaixo para compreender melhor como isso acontece.

Referências:

  1. Frank H. Netter, MD, Atlas of Human Anatomy, Fifth Edition, Saunders – Elsevier, Chapter 3 Thorax, Subchapter 22 Heart, Guide Thorax: Heart Page 114.
  2. Ramin Assadi, MD, Richards A. Lange, MD. Conduction system of the Heart. Emedicine. November 6, 2013.
  3. Cardiology teaching package. University of Nottingham. 

Cuidados Essenciais com a Nutrição Enteral

As nutrições enterais são dietas especificamente elaboradas para pacientes que durante o curso ou recuperação de uma doença, estão impossibilitados de receber alimentação via oral e portanto recebem via sonda.

A terapia nutricional enteral é um método simples e seguro que ajudará você a manter seu estado nutricional adequado.

A dieta enteral pode ser recomendada para pessoas em muitas condições e circunstâncias diferentes. Ela pode ajudar indivíduos com:

  • Problemas no aparelho digestivo (boca, esôfago ou estômago);
  • Problemas de deglutição, que os coloca em risco de asfixia, ou de aspiração de alimentos ou líquidos para os pulmões;
  • Desnutrição, ou alimentação insuficiente.

Formas de administração a dieta enteral 

A dieta enteral pode ser administrada de forma intermitente ou contínua, se valendo de três métodos:

  • Por gravidade;
  • Por seringa;
  • Por bomba de infusão.

A escolha do método dependerá da necessidade e condições clínicas de cada paciente, cabendo ao médico a definição do diagnóstico e o melhor método para o caso do paciente.

Administração da dieta enteral intermitente por gravidade

A administração da dieta enteral por gravidade é a mais utilizada para os mais diversos casos.

Nela é utilizado um frasco descartável e é realizada em intervalos, como se fossem refeições em cada período do dia.

Aqui, é importante que o paciente fique sentado ou com as costas elevadas no momento do procedimento, evitando engasgos.

Com a refeição preparada, verifique se a pinça do equipo está fechada e coloque o frasco em suporte seguro elevado.

É importante que a refeição fique suspensa a no mínimo 60cm acima da cabeça do paciente.

Feito isso, sem conectar o equipo a sonda, abra a pinça, deixe o liquido preencher toda extensão da tubulação e feche-a em seguida.

Retire a tampa de proteção, faça o encaixe na sonda e abra a pinça novamente regulando a velocidade conforme orientação médica.

Após o término do conteúdo do frasco, feche a pinça e desconecte o equipo da sonda, que DEVE ser higienizada.

Para isso, utilize uma seringa para aspirar de 10 a 20ml de água limpa e filtrada e injete na sonda.

Feito isso, basta fechar a sonda com a tampa de segurança até o momento da próxima refeição.

Fique atento também a alguns cuidados importantes:

  • O paciente deve permanecer na posição sentada ou elevada de 20 a 30 minutos após as refeições;
  • O mesmo frasco não deve ficar conectado ao mesmo bico e à sonda por mais de 6h sobre o risco de contaminação;
  • O equipo e o frasco devem ser trocados, no máximo, a cada 24 horas.

Administração contínua por bomba de infusão

Caso o paciente esteja com uma sonda posicionada no duodeno ou jejuno, é possível realizar a administração contínua da dieta enteral, realizada por gotejamento, com o auxílio de uma bomba de infusão e que ocorre em um período de até 24 horas.

Para os cuidadores esse método é menos trabalhoso, uma vez que o processo é contínuo e o tempo controlado pela própria bomba.

A cada troca de frasco, porém, é necessário realizar a higiene da sonda, com o auxílio da seringa, e a troca do equipo.

É importante também manter a posição elevada.

Administração intermitente por seringa

Em casos de gastrostomia, a dieta enteral pode ser administrada através de seringas.

Para isso é necessário separar a quantidade de dieta prescrita em um vasilhame limpo, aspirando o conteúdo com uma seringa.

Retire a tampa de segurança da sonda, posicione a seringa e faça a administração cuidadosamente.

Esse processo deve demorar de 20 a 30 minutos ao todo.

É muito importante não apertar a seringa de forma a despejar o conteúdo todo de uma vez.

Validade

Os materiais utilizados para a administração da dieta ENTERAL devem ser utilizados por um período de 24 horas, ou de acordo com a orientação do médico(a)/nutricionista, isso também inclui a nutrição PARENTERAL.

– Frascos de Sistema aberto ou fechado;
– Equipos gravitacionais ou para bomba de infusão;
– Seringa própria para nutrição enteral

Devem ser todos DESCARTADOS após o período de 24 horas, realizando higienização da sonda enteral a cada troca!

Durante a infusão da dieta, a cada administração de medicamentos, a sonda deve ser lavada com mínimo de 20 ml e máximo de 40 ml (antes e depois de administrar). Por que?

Porque devido as sondas serem finas, pode entupir-se facilmente, impossibilitando a administração da dieta ou medicamento.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA)

O sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona recebe esse nome por causa da interação entre esses três hormônios. Atuam de uma forma sequencial para que aconteçam reações orgânicas que vão equilibrar a pressão sanguínea e a quantidade de sódio e água do organismo.

Por que é ativado o SRAA?

Ele é ativado quando a pressão fica baixa demais ou quando há perda excessiva de líquidos, desencadeando uma série de reações orgânicas para que eles voltem a estabilizar.

Como esse sistema funciona?

Você viu que o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona entra em ação quando existe uma tendência para queda da pressão arterial. Esses hormônios vão atuar em partes distintas do corpo desencadeando reações simultâneas para estabilização sistêmica da pressão.

Assim, acontecem diferentes etapas durante a ativação desse sistema. A seguir você confere quais são elas e o que ocorre em cada uma:

1ª etapa: Conversão da pró-renina em renina

Quando acontece uma queda da pressão arterial também ocorre uma redução da perfusão renal. Essa reação é captada pelos receptores que estão presentes nas arteríolas conectadas aos rins. Então, inicia-se a conversão da Pró-renina em Renina. É a estimulação dos nervos renais que aumenta a secreção da renina pelas células.

2ª etapa: Liberação de angiotensina I

Nessa etapa acontece uma segunda reação desencadeada pela renina. Quando presente no plasma sanguíneo, ela atua na conversão de Angiotensinogênio em Angiotensina I, que tem uma atividade biológica mais baixa.

3ª etapa: Conversão da angiotensina I em angiotensina II

Nesse momento entra em ação uma outra enzima, localizada predominantemente nos rins chamada de Conversora de Angiotensina (ECA). A ação dessa enzima de conversão acontece nos pulmões e nos rins, desencadeando uma reação catalisadora que converte a angiotensina I em Angiotensina II.

4ª etapa: Liberação da Aldosterona

Com a ativação da Angiotensina II, hormônio vasoconstritor ativado, ele vai atuar no córtex das glândulas suprarrenais fazendo com que a aldosterona seja sintetizada e secretada. Esse hormônio atua nas células dos rins incentivando o órgão a aumentar a reabsorção de sódio. Com isso, há um aumento da quantidade de líquido dentro dos vasos sanguíneos com objetivo de corrigir os níveis de pressão arterial.

5ª etapa: Estímulo renal direto

Voltando à ação da Angiotensina II, ela vai atuar estimulando a troca de sódio e hidrogênio nesse órgão. Ao mesmo tempo, vai aumentar a retenção renal de sódio e também de bicarbonato.

6ª etapa: Aumento da sede e ação antidiurética

Nessa etapa de ativação do sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona, a Angiotensina II vai atuar mais uma vez. Porém, aqui ela estimulará o hipotálamo a aumentar a sensação de sede, para que a pessoa seja incentivada a beber água. Ao mesmo tempo, ocorre o estímulo da secreção do Hormônio Antidiurético ( ADH) para que o organismo retenha mais água ingerida ou produzida pelo metabolismo.

7ª etapa: Vasoconstrição

Como explicamos, o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona também vai provocar uma redução do diâmetro dos vasos sanguíneos pela ação da Angiotensina II. Ela vai atuar diretamente sobre as pequenas artérias e arteríolas fazendo com que se contraiam.

E o Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA)? Como e quando agem?

O Inibidores são aqueles de diminuem ou bloqueiam a atividade orgânica da enzima conversora da angiotensina, assim produzindo vasodilatação periférica, diminuindo a pressão arterial. Eles entram em ação no organismo quando a o quadro de hipertensão não é regularmente controlada, podendo ocasionar complicações aos pacientes como AVC/AVE, aneurisma, etc.

Em resumo…

A diminuição da Pressão Arterial ativa o SRAA, produzindo um conjunto de respostas tentando normalizar a P.a.

A resposta mais importante é o efeito da aldosterona aumentando a reabsorção renal de Na⁺. Ao se promover a reabsorção de Na⁺, aumenta-se o volume do líquido extracelular e o volume sanguíneo, com isso ocorre aumento do retorno venoso, e pelo mecanismo de Frank-Starling, aumento do débito cardíaco e da pressão arterial.

Referência:

  1. Heran BS, Wong MMY, Heran IK, Wright JM. Blood pressure lowering efficacy of angiotensin converting enzyme (ACE) inhibitors for primary hypertension. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008, Issue 4. Art. No.: CD003823. DOI: 10.1002/14651858.CD003823.pub2

Princípios do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o arranjo organizacional do Estado brasileiro que dá suporte à efetivação da política de saúde no Brasil, e traduz em ação os princípios e diretrizes desta política.

Compreende um conjunto organizado e articulado de serviços e ações de saúde, e aglutina o conjunto das organizações públicas de saúde existentes nos âmbitos municipal, estadual e nacional, e ainda os serviços privados de saúde que o integram funcionalmente para a prestação de serviços aos usuários do sistema, de forma complementar, quando contratados ou conveniados para tal fim.

Os Princípios do SUS

Princípios Doutrinários

  • Universalização: a saúde é um direito de cidadania de todas as pessoas e cabe ao Estado assegurar este direito, sendo que o acesso às ações e serviços deve ser garantido a todas as pessoas, independentemente de sexo, raça, ocupação, ou outras características sociais ou pessoais;
  • Equidade: o objetivo desse princípio é diminuir desigualdades. Apesar de todas as pessoas possuírem direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades distintas. Em outras palavras, equidade significa tratar desigualmente os desiguais, investindo mais onde a carência é maior;
  • Integralidade: este princípio considera as pessoas como um todo, atendendo a todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação. Juntamente, o princípio de integralidade pressupõe a articulação da saúde com outras políticas públicas, para assegurar uma atuação intersetorial entre as diferentes áreas que tenham repercussão na saúde e qualidade de vida dos indivíduos.

Princípios Organizativos

  • Regionalização e Hierarquização: os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade, circunscritos a uma determinada área geográfica, planejados a partir de critérios epidemiológicos, e com definição e conhecimento da população a ser atendida. A regionalização é um processo de articulação entre os serviços que já existem, visando o comando unificado dos mesmos. Já a hierarquização deve proceder à divisão de níveis de atenção e garantir formas de acesso a serviços que façam parte da complexidade requerida pelo caso, nos limites dos recursos disponíveis numa dada região.
  • Descentralização e Comando Único: descentralizar é redistribuir poder e responsabilidade entre os três níveis de governo. Com relação à saúde, descentralização objetiva prestar serviços com maior qualidade e garantir o controle e a fiscalização por parte dos cidadãos. No SUS, a responsabilidade pela saúde deve ser descentralizada até o município, ou seja, devem ser fornecidas ao município condições gerenciais, técnicas, administrativas e financeiras para exercer esta função. Para que valha o princípio da descentralização, existe a concepção constitucional do mando único, onde cada esfera de governo é autônoma e soberana nas suas decisões e atividades, respeitando os princípios gerais e a participação da sociedade;
  • Participação Popular: a sociedade deve participar no dia-a-dia do sistema. Para isto, devem ser criados os Conselhos e as Conferências de Saúde, que visam formular estratégias, controlar e avaliar a execução da política de saúde.

Referências:

  1. Ministério da Saúde (https://www.saude.gov.br/)