Centro Cirúrgico: Divisão de Zonas

Quando se fala em centro cirúrgico, é fundamental compreender que existem áreas com diferentes níveis de restrição de acesso, variando de acordo com o tipo de procedimento realizado e o grau de contaminação do ambiente.

Essas áreas são classificadas em restrita, semi-restrita e não restrita.

Área Restrita (Área Estéril)

    • A área restrita é a parte mais crítica do centro cirúrgico. Nela, são realizados procedimentos invasivos que envolvem acesso a áreas estéreis do corpo do paciente, como cirurgias abdominais, cardíacas e neurológicas.
    • Essa área é rigorosamente controlada e monitorada, com acesso restrito a profissionais devidamente capacitados e paramentados.
    • Para entrar na área restrita, é necessário passar por uma sala de transição, onde os profissionais trocam de roupa e equipamentos de proteção individual (EPIs), como gorros, máscaras, aventais, luvas e sapatilhas.
    • Dentro da área restrita, não é permitida a circulação de pessoas não essenciais ao procedimento, como familiares, estudantes ou curiosos.
    • Também é proibido o uso de celulares, câmeras fotográficas ou quaisquer outros equipamentos que possam comprometer a assepsia do ambiente.

Área Semi-Restrita (Área Limpa)

    • A área semi-restrita é a parte intermediária do centro cirúrgico, onde são realizados procedimentos menos invasivos, como cirurgias ortopédicas, oftalmológicas e otorrinolaringológicas.
    • O grau de contaminação é menor do que na área restrita, mas ainda assim é necessário manter um controle rígido de acesso.
    • Assim como na área restrita, é obrigatório o uso de EPIs e a higienização das mãos antes de entrar na área semi-restrita.
    • É permitida a circulação de pessoas não essenciais ao procedimento, desde que estejam devidamente paramentadas e autorizadas pelo responsável técnico.
    • Também é permitido o uso de celulares e outros equipamentos eletrônicos na área semi-restrita, desde que não interfiram na assepsia do ambiente.

Área Não Restrita (Área de Proteção)

    • A área não restrita é a parte mais periférica do centro cirúrgico, onde ficam os vestiários, a sala de espera, o posto de enfermagem e outras áreas de apoio.
    • Nessa área, não há a necessidade de paramentação ou higienização das mãos, mas é importante manter uma conduta adequada de higiene e segurança.
    • Na área não restrita, é permitida a circulação de pessoas devidamente identificadas e autorizadas, como acompanhantes de pacientes, funcionários administrativos e fornecedores.
    • No entanto, é proibido o acesso de pessoas com sintomas de infecção ou doenças contagiosas.

Referências:

  1. Strattner

Método ZIM e o PICC

O método ZIM é uma abordagem sistemática para determinar o local de inserção ideal para o cateter PICC no braço, baseado na mensuração do comprimento do braço e na divisão dessa área em três zonas, tendo como referência anatômica o início do epicôndilo medial do úmero e como final a linha axilar.

Por que utilizar este método?

O método ZIM visa reduzir as complicações relacionadas à inserção do PICC, como trombose venosa, infecção, extravasamento e migração do cateter.

Também facilita a escolha do tamanho adequado do cateter, evitando excesso ou falta de material. É indicado para pacientes adultos e pediátricos, mas requer treinamento e habilidade dos profissionais que realizam o procedimento.

Como é feito?

Para realizar a inserção do cateter PICC pelo método ZIM, é necessário seguir os seguintes passos:

  • Avaliar o paciente e verificar as indicações e contraindicações para o uso do PICC.
  • Escolher o braço para a inserção, preferencialmente o braço não dominante e sem lesões ou alterações vasculares.
  • Medir o comprimento do braço desde o início do epicôndilo medial do úmero até a linha axilar e dividir essa medida em três partes iguais, formando as zonas 1, 2 e 3.
  • Identificar a veia mais adequada para a punção, de acordo com o calibre, trajeto e profundidade. A veia basílica é a mais recomendada, seguida da veia cefálica e da veia braquial. A zona 1 é a preferida para a punção, pois permite uma maior estabilidade do cateter e menor risco de complicações. A zona 2 é a segunda opção, mas requer mais cuidado na fixação do cateter. A zona 3 é a última opção, pois aumenta o risco de trombose, infecção e migração do cateter.
  • Realizar a antissepsia da pele e colocar os equipamentos de proteção individual (EPIs).
  • Realizar a punção venosa com técnica asséptica, usando uma agulha introdutora ou um dispositivo de acesso vascular periférico (DAVP).
  • Confirmar o retorno venoso e avançar o cateter pelo introdutor ou pelo DAVP até atingir a veia cava superior ou inferior, de acordo com o comprimento previamente calculado.
  • Retirar o introdutor ou o DAVP e fixar o cateter na pele com um curativo transparente e adesivo.
  • Realizar uma radiografia de tórax para confirmar a posição correta do cateter e avaliar possíveis complicações.
  • Liberar o uso do cateter após a confirmação radiológica e registrar o procedimento em prontuário.

Referências:

  1. Protocolo Núcleo de Protocolos Assistenciais Multiprofissionais/03/2017 Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) Neonatal e Pediátrico: Implantação, Manutenção e Remoção
  2. Cateter central de inserção periférica em pediatria e neonatologia: possibilidades de sistematização em hospital universitário 
  3. Método de inserção de zona PICCTM (ZIMTM): uma abordagem sistemática para determinar o local de inserção ideal para PICCs no braço 
  4. Colocación de PICC: el método ZIM y la tunelización, 2 recursos claves para asegurar su éxito