Reações de Hipersensibilidade: Tipos e Cuidados

Reações de Hipersensibilidade: Tipos e Cuidados

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 03/11/2026.

Uma reação de hipersensibilidade pode começar com uma alteração discreta na pele e evoluir rapidamente para comprometimento respiratório ou circulatório. Para a enfermagem, reconhecer o mecanismo ajuda na compreensão, mas identificar a gravidade e agir sem demora é o que faz diferença no atendimento.

A classificação de Gell e Coombs divide as reações de hipersensibilidade em quatro tipos, conforme o mecanismo imunológico envolvido. Essa divisão é útil para estudar imunologia e relacionar manifestações clínicas, embora algumas doenças apresentem mecanismos combinados.

Tipo I: reação imediata

É geralmente mediada por imunoglobulina E (IgE). Após o contato com determinado alérgeno, mastócitos e basófilos podem liberar mediadores inflamatórios, provocando urticária, angioedema, rinite, broncoespasmo ou anafilaxia. A manifestação costuma surgir em minutos, mas o tempo e a intensidade variam.

Na prática, durante a administração de um medicamento, o paciente pode apresentar prurido, placas de urticária e edema labial. Se houver rouquidão, dificuldade respiratória, hipotensão ou alteração do nível de consciência, a equipe deve suspeitar de anafilaxia, mesmo que não existam lesões cutâneas. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha, conforme protocolo de emergência.

Tipo II: anticorpos contra células ou tecidos

Nesse mecanismo, anticorpos IgG ou IgM reconhecem antígenos presentes na superfície celular ou em estruturas teciduais. Isso pode desencadear destruição celular, inflamação ou alteração da função do tecido.

Entre os exemplos estão anemia hemolítica autoimune, algumas formas de trombocitopenia imune e reações hemolíticas transfusionais. Em uma reação transfusional, sinais como febre, calafrios, dor lombar, hipotensão ou urina escurecida exigem interrupção imediata da transfusão e avaliação conforme protocolo institucional.

Tipo III: formação de imunocomplexos

Ocorre quando complexos formados por antígenos e anticorpos se depositam nos tecidos, ativando o complemento e desencadeando inflamação. As manifestações dependem do local atingido e podem envolver pele, articulações, vasos ou rins.

A doença do soro, algumas vasculites por imunocomplexos e a glomerulonefrite pós-infecciosa são exemplos. Na assistência, edema, artralgia, alterações cutâneas, hematúria ou redução da diurese devem ser registrados e comunicados, especialmente quando aparecem após uma infecção ou exposição medicamentosa.

Tipo IV: reação tardia mediada por células

Diferentemente dos tipos anteriores, essa reação é mediada principalmente por linfócitos T. O início costuma ocorrer horas ou dias após a exposição, e o quadro pode variar conforme o mecanismo celular envolvido.

A dermatite de contato por níquel e algumas reações cutâneas a medicamentos são exemplos. A classificação também inclui mecanismos celulares diferentes, como os envolvidos em algumas reações cutâneas graves. Por isso, uma erupção extensa, bolhas, lesões em mucosas, febre ou comprometimento sistêmico após uso de medicamento exige avaliação imediata, sem aguardar a evolução da reação.

Cuidados de enfermagem

Durante uma suspeita de reação de hipersensibilidade, interrompa a exposição ao possível agente desencadeante quando isso puder ser feito com segurança e avalie rapidamente vias aéreas, respiração, circulação, estado neurológico e pele. Verifique sinais vitais, mantenha monitorização conforme gravidade e acione a equipe responsável.

Na suspeita de anafilaxia, solicite ajuda imediatamente e siga o protocolo institucional para administração de adrenalina intramuscular na região anterolateral da coxa. Oxigênio, acesso venoso e reposição de cristaloides podem ser necessários conforme o quadro. Anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina no tratamento inicial da anafilaxia.

Em reações relacionadas a medicamentos ou transfusões, documente o agente suspeito, horário de início, sinais apresentados, medidas realizadas e resposta do paciente. A informação deve ser comunicada à equipe e registrada no prontuário para reduzir o risco de nova exposição.

Reconhecimento e registro fazem diferença

Imagine que, durante uma infusão, o paciente começa a coçar o corpo e apresenta placas avermelhadas. A equipe precisa interromper a exposição suspeita, avaliar se há sinais respiratórios ou circulatórios e acompanhar a evolução, em vez de considerar a alteração cutânea isoladamente.

Em outra situação, um paciente pode apresentar febre, dor lombar e hipotensão durante uma transfusão. A interrupção imediata, a avaliação clínica e o acionamento do protocolo transfusional são essenciais; a investigação posterior deverá esclarecer o tipo de reação.

Resumo para salvar

Reações de Hipersensibilidade: Tipos e Cuidados

  • Tipo I é geralmente mediado por IgE e pode causar anafilaxia
  • Tipo II envolve anticorpos contra células ou tecidos
  • Tipo III ocorre por formação e deposição de imunocomplexos
  • Tipo IV é mediado por células T e costuma ser tardio

Referências:

  1. WORLD ALLERGY ORGANIZATION. World Allergy Organization anaphylaxis guidance 2020. World Allergy Organization Journal, v. 13, n. 10, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.waojou.2020.100472. 
  2. EUROPEAN ACADEMY OF ALLERGY AND CLINICAL IMMUNOLOGY. EAACI guidelines: Anaphylaxis (2021 update). Allergy, v. 77, n. 2, p. 357-377, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1111/all.15032. 
  3. UZZAMAN, Ashraf; CHO, Seong H. Chapter 28: Classification of hypersensitivity reactions. Allergy and Asthma Proceedings, v. 33, supl. 1, p. 96-99, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.2500/aap.2012.33.3561. 
  4. GLÄSSNER, et al. In vitro diagnostics of drug allergies. JDDG: Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.15466. 

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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