
Vá direto ao ponto!
- 1. O que é a carteira de vacinação digital?
- 1.1. Por que esse assunto é importante para a Enfermagem?
- 1.2. O profissional de Enfermagem pode ajudar o paciente a acessar?
- 1.3. Como o paciente acessa a carteira de vacinação digital?
- 1.3.1. Acesse o Meu SUS Digital
- 1.3.2. Entre com a conta Gov.br
- 1.3.3. Uma orientação simples que faz diferença
- 1.4. Onde encontrar os dados de vacinação?
- 1.5. E se uma vacina não aparecer?
- 1.6. Por que a vacina pode não aparecer?
- 1.7. “Mas eu tomei a vacina e não aparece no aplicativo”
- 1.8. E se o paciente perdeu a caderneta de vacinação?
- 1.9. A importância do CPF e da identificação correta
- 1.10. O papel da Enfermagem começa antes da vacina
- 1.11. Uma situação muito comum na rotina de vacinação
- 1.12. O que o profissional deve conferir no registro?
- 1.13. SUS Digital Profissional: uma ferramenta importante para a Enfermagem
- 1.14. Como a Enfermagem pode ensinar o paciente sem fazer tudo por ele?
- 1.15. E quando o paciente é idoso ou tem dificuldade com tecnologia?
- 1.16. Um cuidado importante: nunca compartilhar senha
- 1.16.1. E se o paciente não tiver celular?
- 1.16.2. Carteira digital substitui a carteira física?
- 1.17. A carteira digital pode ajudar na continuidade do cuidado
- 1.18. Vacinação e segurança do paciente
- 1.19. Cuidados de Enfermagem relacionados à carteira de vacinação digital
- 1.19.1. Preservar a privacidade
- 1.19.2. Conferir a identificação
- 1.19.3. Não presumir que “não aparece” significa “não tomou”
- 1.19.4. Orientar sobre a unidade de origem
- 1.19.5. Incentivar o paciente a manter seus registros
- 1.19.6. Promover autonomia
- 1.20. Por que essa orientação também demonstra experiência profissional?
- 1.21. ★ Cai em Concurso O que o estudante de Enfermagem precisa guardar?
Às vezes, o paciente chega à unidade de saúde preocupado porque perdeu a caderneta de vacinação. A primeira reação costuma ser pensar: “Agora vai precisar refazer tudo?”. Nem sempre. Antes de revacinar, procurar papéis antigos ou simplesmente mandar o paciente “baixar um aplicativo”, existe uma oportunidade importante de cuidado: a Enfermagem pode ajudá-lo a recuperar e compreender seu histórico vacinal por meio do Meu SUS Digital.
Mais do que ensinar alguém a mexer no celular, essa orientação faz parte de uma assistência que favorece a continuidade do cuidado, a conferência do histórico vacinal e o acesso do cidadão às próprias informações de saúde.
O Meu SUS Digital, plataforma oficial do Ministério da Saúde, permite ao cidadão consultar informações de saúde, incluindo histórico e carteira de vacinação, a partir dos registros disponíveis nos sistemas integrados ao SUS. A plataforma está disponível na versão web e também como aplicativo para Android e iOS.
E aqui existe um detalhe que merece muita atenção: a Enfermagem não deve apenas ensinar o paciente a acessar a carteira digital; também precisa saber explicar o que fazer quando uma vacina não aparece, quando existe alguma informação divergente ou quando o paciente não possui uma conta Gov.br.
Vamos entender isso na prática.
O que é a carteira de vacinação digital?
A Carteira de Vacinação Digital é uma forma de visualizar eletronicamente os registros de vacinação do cidadão por meio do Meu SUS Digital.
Ela reúne informações que foram registradas pelos serviços de saúde e encaminhadas aos sistemas que integram a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O Ministério da Saúde informa que o Meu SUS Digital apresenta dados provenientes, entre outros, do SI-PNI, e-SUS APS e sistemas próprios das secretarias estaduais e municipais.
Isso é importante porque existe uma diferença entre: ter tomado uma vacina e ter o registro dessa vacina disponível digitalmente.
A pessoa pode ter recebido determinada dose e, por alguma razão relacionada ao registro ou transmissão dos dados, aquela informação ainda não aparecer na plataforma. Por isso, o profissional de Enfermagem precisa evitar uma conclusão precipitada. Se o paciente disser: “Minha vacina não aparece no aplicativo.” A resposta não deve ser automaticamente: “Então você não tomou.”
O correto é investigar o registro.
Por que esse assunto é importante para a Enfermagem?
A vacinação faz parte de diferentes momentos da assistência de Enfermagem, desde a Atenção Primária até serviços hospitalares, ambulatórios, campanhas e acompanhamento de grupos específicos.
Durante um atendimento, o profissional pode descobrir que o paciente:
- perdeu a caderneta;
- não sabe quais vacinas recebeu;
- mudou de município;
- possui registros antigos em papel;
- precisa comprovar vacinação;
- não sabe acessar a carteira digital;
- tem dificuldade para utilizar ferramentas digitais;
- encontrou informações incompletas no aplicativo.
Nesse momento, a orientação sobre o Meu SUS Digital deixa de ser simplesmente uma questão tecnológica. Ela passa a fazer parte da educação em saúde e da continuidade do cuidado.
O próprio Ministério da Saúde destaca que o Meu SUS Digital tem como objetivo facilitar o acesso às informações de saúde, contribuindo para continuidade do cuidado, transparência e segurança dos dados.
O profissional de Enfermagem pode ajudar o paciente a acessar?
Sim, o profissional pode orientar o paciente sobre o acesso à plataforma, explicar como utilizar a conta Gov.br, ajudá-lo a localizar a área de vacinação e orientar sobre o que fazer quando os dados estiverem ausentes ou divergentes.
Existe inclusive uma plataforma específica para profissionais, o SUS Digital Profissional, que permite, dentro do contexto de atendimento, consultar informações disponíveis na Rede Nacional de Dados em Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, profissionais de Enfermagem estão entre os profissionais habilitados a utilizar essa plataforma.
Isso amplia a possibilidade de integração entre a informação disponível para o cidadão e aquela acessível ao profissional durante o atendimento. Mas há uma diferença importante: orientar o paciente não significa acessar a conta pessoal dele de maneira indiscriminada.
A privacidade e a segurança das informações de saúde precisam ser preservadas.
Como o paciente acessa a carteira de vacinação digital?
O caminho atual é pelo Meu SUS Digital, o acesso pode ser feito pelo aplicativo ou pela versão web da plataforma. O login utiliza a conta Gov.br. De maneira geral, o profissional pode orientar o paciente assim:
Acesse o Meu SUS Digital
O paciente pode utilizar o aplicativo oficial Meu SUS Digital ou acessar a versão web. O Ministério da Saúde disponibiliza o serviço nas versões para celular e navegador.
Entre com a conta Gov.br
O acesso é feito utilizando CPF e senha da conta Gov.br, caso o paciente ainda não possua uma conta, será necessário realizar o cadastro ou recuperar o acesso. É importante lembrar que o profissional de Enfermagem não deve solicitar ou guardar a senha pessoal do paciente. O ideal é orientar e permitir que o próprio cidadão realize o login.
Uma orientação simples que faz diferença
Na prática, existe uma situação bastante comum. O paciente entrega o celular para o profissional e diz: “Enfermeiro, você consegue ver para mim?” É tentador pegar o aparelho e fazer tudo rapidamente. Mas existe uma questão de segurança e privacidade envolvida.
Eu prefiro pensar que o profissional deve ensinar o caminho, acompanhando o paciente quando necessário, mas permitindo que ele próprio digite seus dados de acesso. Essa pequena atitude ajuda a preservar a confidencialidade das informações.
Também ensina o paciente a repetir o procedimento sozinho em outra ocasião. Esse é um exemplo simples de como uma orientação aparentemente tecnológica pode se transformar em educação em saúde.
Onde encontrar os dados de vacinação?
Depois de realizar o login, o paciente poderá acessar os serviços relacionados à vacinação disponíveis no Meu SUS Digital. A plataforma permite consultar o histórico de vacinação e a carteira de vacinação digital.
O profissional pode explicar que a carteira digital não substitui a importância de manter os registros e documentos de vacinação preservados, principalmente quando ainda existem informações antigas que podem não estar disponíveis eletronicamente.
O Ministério da Saúde também orienta que o cidadão mantenha seu cartão de vacinas atualizado.
E se uma vacina não aparecer?
Essa provavelmente é uma das dúvidas mais importantes para o profissional de Enfermagem saber responder, imagine: O paciente acessa a carteira digital e encontra algumas vacinas, mas uma dose que ele lembra ter recebido não aparece.
Isso não significa automaticamente que a vacina não foi administrada. Os registros apresentados pelo Meu SUS Digital dependem das informações registradas pelos estabelecimentos de saúde e transmitidas aos sistemas integrados.
Nesse caso, o paciente deve procurar o estabelecimento onde a vacinação foi realizada para verificar o registro. O Ministério da Saúde orienta que, quando uma vacina não aparece ou existe divergência, o cidadão procure o local onde recebeu a vacinação para verificar e, quando necessário, corrigir a informação.
Por que a vacina pode não aparecer?
Existem diferentes possibilidades, o registro pode ainda não ter sido enviado ou processado na base de dados; pode existir alguma inconsistência nos dados de identificação do cidadão; a vacinação pode ter ocorrido em um sistema que ainda não disponibilizou aquela informação; ou simplesmente pode haver necessidade de correção do registro.
O importante é que o profissional não tente “resolver” a ausência do registro simplesmente supondo que o paciente não foi vacinado. A conduta depende da situação e das orientações do serviço de saúde.
“Mas eu tomei a vacina e não aparece no aplicativo”
Essa frase merece atenção: O profissional pode explicar ao paciente que a carteira digital é alimentada pelos registros realizados pelos serviços de saúde. O Ministério da Saúde esclarece que os dados de vacinação são registrados pelos estabelecimentos responsáveis pela aplicação e enviados às bases utilizadas para disponibilização das informações no Meu SUS Digital.
Portanto, o caminho mais adequado é verificar o registro na unidade onde a vacina foi aplicada. Em caso de ausência ou divergência, a correção precisa ocorrer na origem do registro, e não simplesmente dentro do aplicativo.
O próprio Ministério informa que não é possível ao cidadão adicionar ou corrigir diretamente informações de vacinação no Meu SUS Digital. Esse é um ponto excelente para orientar estudantes de Enfermagem: o aplicativo apresenta o registro; ele não é o local onde o cidadão simplesmente edita sua história vacinal.
E se o paciente perdeu a caderneta de vacinação?
A perda da caderneta não significa necessariamente que todo o histórico esteja perdido. Uma das possibilidades é consultar os registros disponíveis no Meu SUS Digital. Além disso, o Ministério da Saúde informa que a ausência do cartão de vacinas não impede a aplicação das vacinas indicadas e que, em caso de perda, é possível solicitar uma nova via.
Mas é importante não transformar isso em uma regra simplista do tipo: “Perdeu a carteira? É só tomar tudo novamente.” A situação deve ser avaliada conforme o histórico disponível, registros existentes, idade, condições clínicas, recomendações do Calendário Nacional de Vacinação e orientação da equipe de saúde.
A importância do CPF e da identificação correta
Os registros de vacinação precisam estar associados corretamente à identificação do cidadão. O Ministério da Saúde informa que o acesso aos dados da carteira digital depende da identificação do cidadão, utilizando CPF ou CNS válidos no contexto do registro da vacinação.
Isso mostra por que a conferência dos dados no momento da vacinação é tão importante. Um erro de identificação pode gerar consequências muito além de um simples problema administrativo.
Pode dificultar a visualização do histórico e comprometer a continuidade do cuidado.
O papel da Enfermagem começa antes da vacina
Quando falamos em carteira digital, é fácil pensar apenas no paciente que já foi vacinado. Mas existe outro ponto fundamental: a qualidade do registro realizado pelo serviço de saúde. Se a equipe registra corretamente a vacinação, utilizando os sistemas de informação disponíveis e os dados corretos do paciente, aquela informação poderá posteriormente integrar os sistemas de saúde e aparecer para o cidadão.
O Ministério da Saúde destaca que os registros são realizados pelos estabelecimentos de saúde responsáveis pela vacinação e alimentam as bases utilizadas pelo Meu SUS Digital. Portanto, registrar corretamente é também cuidar.
Uma situação muito comum na rotina de vacinação
Na prática, principalmente quando existe grande movimento em uma unidade, é fácil imaginar que o registro seja apenas a última etapa burocrática depois da aplicação, mas não é. Pense em uma pessoa que recebe uma vacina hoje e, alguns meses depois, precisa comprovar aquela dose para estágio, trabalho, viagem ou acompanhamento de saúde.
Se o registro estiver incompleto ou associado incorretamente ao cidadão, aquela pessoa poderá enfrentar uma dificuldade que começou no momento da vacinação. Por isso, a orientação que sempre considero importante para quem está aprendendo Enfermagem é: a aplicação termina com a administração do imunobiológico; o cuidado não termina ali. O registro também faz parte da assistência.
O que o profissional deve conferir no registro?
Durante o processo de vacinação, devem ser observadas as informações exigidas pelo sistema de registro utilizado pelo serviço, sempre conforme as normas e rotinas vigentes. A identificação correta do cidadão é essencial.
Também é importante que os dados relacionados à vacina sejam registrados corretamente, evitando inconsistências que possam prejudicar a rastreabilidade. O profissional deve seguir o sistema utilizado no serviço e as orientações do Programa Nacional de Imunizações.
SUS Digital Profissional: uma ferramenta importante para a Enfermagem
Existe uma diferença entre o Meu SUS Digital, voltado ao cidadão, e o SUS Digital Profissional, destinado ao uso profissional no contexto do atendimento.
Segundo o Ministério da Saúde, o SUS Digital Profissional permite ao profissional de saúde acessar informações existentes na RNDS, incluindo registros de vacinação. Atualmente, profissionais de Medicina, Odontologia e Enfermagem estão entre os habilitados a utilizar a plataforma.
Entretanto, o acesso aos registros clínicos não é apresentado como uma consulta livre e indiscriminada. O Ministério informa que a visualização ocorre no contexto de atendimento, sendo necessário iniciar o atendimento no prontuário eletrônico para habilitar o acesso. Isso reforça um princípio importante: informação de saúde não é informação pública.
O acesso profissional precisa estar relacionado à assistência e respeitar as regras de segurança e confidencialidade.
Como a Enfermagem pode ensinar o paciente sem fazer tudo por ele?
Uma boa orientação pode seguir uma sequência simples. Primeiro, pergunte se o paciente possui uma conta Gov.br. Depois, explique que o acesso ao Meu SUS Digital é feito por essa conta.
Oriente o paciente a abrir o aplicativo ou acessar a versão web e mostre onde localizar as informações de vacinação. Se houver alguma vacina ausente, explique que isso precisa ser verificado com a unidade onde a dose foi administrada, e principalmente, não peça ao paciente para fornecer sua senha. Esse último ponto parece óbvio, mas merece ser reforçado.
Orientar é diferente de assumir o controle da conta pessoal do paciente.
E quando o paciente é idoso ou tem dificuldade com tecnologia?
Aqui a Enfermagem tem uma oportunidade enorme de exercer educação em saúde: Nem todos os pacientes possuem a mesma familiaridade com aplicativos. Um paciente jovem pode fazer o procedimento em poucos segundos. Para uma pessoa idosa, entretanto, pode ser necessário explicar cada etapa com calma.
Em vez de simplesmente pegar o celular e resolver, vale mostrar:
- “Primeiro vamos abrir o aplicativo.”
- “Agora vamos entrar na sua conta.”
- “Depois vamos procurar a parte de vacinação.”
- “Agora confira comigo se as informações estão corretas.”
Isso transforma uma ação pontual em aprendizado. E, se possível, incentive o paciente a realizar os passos com as próprias mãos.
Um cuidado importante: nunca compartilhar senha
A conta Gov.br dá acesso a informações e serviços digitais do cidadão. Por isso, o profissional não deve solicitar, anotar ou guardar a senha do paciente, se for necessário ajudar, o paciente pode realizar o login enquanto o profissional orienta. Esse cuidado protege tanto o paciente quanto o profissional.
E se o paciente não tiver celular?
Não ter smartphone não significa estar excluído do acesso. O Meu SUS Digital também possui versão web. Além disso, a vacinação continua sendo registrada e acompanhada nos serviços de saúde.
O profissional deve evitar criar a impressão de que a carteira digital é a única maneira válida de comprovar vacinação. Ela é uma ferramenta de acesso e organização das informações; a assistência à vacinação continua acontecendo nos serviços de saúde.
Carteira digital substitui a carteira física?
É melhor pensar nas duas como formas complementares de acesso ao histórico. A versão digital facilita muito a consulta, principalmente quando o cidadão está fora de casa ou não está com o cartão físico. Porém, documentos e registros físicos antigos podem conter informações que ainda não estejam disponíveis na plataforma digital.
Por isso, quando o paciente possui a caderneta física, é recomendável mantê-la guardada. O próprio Ministério da Saúde continua orientando que o cartão de vacinas seja mantido atualizado e preservado.
A carteira digital pode ajudar na continuidade do cuidado
Imagine um paciente que muda de cidade. Ele não necessariamente terá facilidade para localizar todos os registros físicos anteriores. Quando os dados estão disponíveis digitalmente, o acesso ao histórico pode facilitar a continuidade da assistência.
Esse é um dos grandes benefícios da integração dos dados de saúde. O Meu SUS Digital foi desenvolvido justamente para permitir que o cidadão acompanhe informações de saúde e para favorecer a continuidade do cuidado.
Vacinação e segurança do paciente
Existe uma relação direta entre registro adequado e segurança, um histórico vacinal confiável ajuda a equipe a tomar decisões mais seguras. Quando há dúvida sobre uma dose, o profissional precisa consultar as informações disponíveis, avaliar o contexto e seguir as recomendações vigentes.
Um registro incompleto pode gerar dúvidas desnecessárias, e um registro incorreto pode gerar uma decisão inadequada. Por isso, a qualidade da informação também é uma dimensão da segurança do paciente.
Cuidados de Enfermagem relacionados à carteira de vacinação digital
Embora o acesso ao Meu SUS Digital pareça uma tarefa simples, alguns cuidados devem fazer parte da assistência.
Preservar a privacidade
Não solicitar ou armazenar senhas do paciente. Orientar o acesso sem assumir o controle da conta pessoal.
Conferir a identificação
Durante o atendimento e a vacinação, conferir corretamente os dados do cidadão, conforme os protocolos e sistemas utilizados.
Não presumir que “não aparece” significa “não tomou”
Uma vacina ausente no aplicativo deve ser investigada.
Orientar sobre a unidade de origem
Se houver ausência ou divergência no registro, orientar o paciente a procurar o estabelecimento onde recebeu a vacina. O Ministério da Saúde recomenda esse caminho para verificação e correção.
Incentivar o paciente a manter seus registros
A carteira digital é útil, mas documentos físicos e demais comprovantes também podem ser importantes.
Registrar adequadamente a vacinação
O profissional deve realizar os registros conforme o sistema utilizado e os protocolos do serviço.
Promover autonomia
Sempre que possível, ensinar o paciente a acessar sua própria informação, em vez de simplesmente fazer tudo por ele.
Por que essa orientação também demonstra experiência profissional?
Um conteúdo sobre vacinação digital poderia simplesmente ensinar: “Baixe o aplicativo, faça login e clique em vacinas.” Mas isso seria insuficiente para a realidade da assistência.
Quem está na Enfermagem sabe que o paciente raramente chega com uma pergunta perfeitamente organizada. Ele pode chegar dizendo:
- “Minha vacina sumiu.”
- “Eu perdi meu cartão.”
- “Meu aplicativo não mostra nada.”
- “Eu tomei essa vacina, mas não aparece.”
- “Minha mãe não sabe mexer no celular.”
É nesse momento que conhecimento técnico precisa se transformar em orientação clara. Na prática assistencial, muitas vezes a diferença entre uma orientação boa e uma orientação ruim está justamente nesses detalhes.
O profissional que entende o processo consegue explicar o que o aplicativo mostra, de onde vem a informação, quem pode corrigir um registro e quando é necessário procurar a unidade de saúde. Essa é uma experiência que vai além de simplesmente conhecer o nome do aplicativo.
★ Cai em Concurso O que o estudante de Enfermagem precisa guardar?
Se você está estudando para uma prova, estágio ou concurso, tente memorizar a lógica: Meu SUS Digital: plataforma para o cidadão acessar informações de saúde, incluindo carteira e histórico de vacinação.
- Acesso: realizado por meio da conta Gov.br.
- Registros: são provenientes dos sistemas de vacinação integrados e dos registros realizados pelos serviços de saúde.
- Vacina ausente ou incorreta: o paciente deve procurar o estabelecimento onde a vacinação foi realizada para verificar o registro e solicitar correção quando necessário.
- Profissional de Enfermagem: pode utilizar o SUS Digital Profissional, dentro das condições de acesso profissional e no contexto de atendimento, para consultar informações disponíveis na RNDS.
A carteira de vacinação digital representa uma mudança importante na maneira como o cidadão acessa suas próprias informações de saúde. Mas existe algo ainda mais importante por trás dela: Não adianta ter tecnologia se o paciente não souber utilizá-la.
É justamente aí que a Enfermagem pode fazer diferença. O profissional pode orientar, esclarecer dúvidas, preservar a privacidade, conferir a qualidade do registro, identificar problemas e encaminhar o paciente para o local adequado quando uma informação estiver ausente ou incorreta.
E existe uma lição que vale para qualquer estudante ou profissional:
educação em saúde não acontece somente quando explicamos uma doença ou ensinamos um procedimento. Ela também acontece quando ajudamos uma pessoa a compreender e utilizar melhor as ferramentas disponíveis para cuidar da própria saúde.
A carteira de vacinação digital é uma dessas ferramentas. E ensinar o paciente a utilizá-la pode parecer uma pequena intervenção, mas, quando pensamos em continuidade do cuidado, histórico vacinal, acesso à informação e autonomia, ela ganha outra dimensão.
Carteira de vacinação digital: como a Enfermagem pode ajudar o paciente?
- O Meu SUS Digital permite ao cidadão consultar sua carteira e histórico de vacinação
- O acesso é realizado por meio da conta Gov.br, preservando a autonomia e a privacidade do paciente
- Vacinas ausentes ou com dados incorretos devem ser verificadas junto ao estabelecimento onde a vacinação foi realizada
- A Enfermagem pode orientar o paciente, melhorar a qualidade dos registros e promover autonomia no acesso às informações de saúde
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Meu SUS Digital. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Meu SUS Digital – Ministério da Saúde.
- BRASIL. Ministério da Saúde. O que é o Meu SUS Digital? Brasília, DF, 2026. Disponível em: Perguntas e respostas – Meu SUS Digital.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Quais os serviços disponíveis no Meu SUS Digital? Brasília, DF, 2026. Disponível em: Serviços disponíveis no Meu SUS Digital.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Digital (SEIDIGI): dados do Meu SUS Digital. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Saúde Digital – Ministério da Saúde.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Vacinação – Ministério da Saúde.
- BRASIL. Ministério da Saúde. SUS Digital Profissional: perguntas frequentes. Brasília, DF. Disponível em: SUS Digital Profissional – Atendimento SUS.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Os dados da vacina contra a COVID-19 apresentados no Meu SUS Digital estão divergentes. Como corrigir as informações? Brasília, DF, 2026. Disponível em: Orientações para correção de dados vacinais.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 e Caderneta Digital. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/conecte-sus.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html.
-
SOUZA, Mariana et al. A importância da informatização e do registro eletrônico na imunização no âmbito do SUS. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 76, n. 4, e20220192, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/7J5X8n9Z6WqK4mP8vYzLjQw/?lang=pt.
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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