Meios de Prevenção de Quedas

As quedas em ambiente hospitalar são eventos indesejáveis que podem causar lesões graves aos pacientes e gerar consequências negativas para a instituição. Felizmente, existem diversas medidas preventivas que podem ser adotadas para reduzir significativamente o risco de ocorrências.

Medidas Preventivas Comuns

Uso da Campainha Beira-Leito

 A campainha deve estar sempre ao alcance do paciente para que ele possa solicitar ajuda quando precisar se levantar ou realizar alguma atividade.

Meias Antiderrapantes

 O uso de meias com sola antiderrapante proporciona maior aderência ao piso, diminuindo o risco de escorregões.

Proximidade do Posto de Enfermagem

 Ao posicionar o leito do paciente próximo ao posto de enfermagem, a equipe pode monitorar mais de perto e atender rapidamente às suas necessidades.

Grades do Leito Elevadas

 As grades de proteção do leito devem ser mantidas elevadas, especialmente durante a noite ou quando o paciente estiver sonolento, evitando que ele caia da cama.

Calçados Adequados

 O uso de calçados fechados e com sola antiderrapante é fundamental para garantir a segurança do paciente ao caminhar.

Iluminação Adequada

O ambiente deve estar bem iluminado, tanto durante o dia quanto à noite, para evitar tropeços e quedas.

Mobiliário Fixo

 O mobiliário deve ser fixo e estável, evitando que o paciente se apoie em objetos que possam se mover.

Corredores Livres de Obstáculos

 Os corredores devem estar livres de objetos que possam obstruir a passagem e causar tropeços.

Avaliação Regular do Risco de Queda

 É fundamental realizar uma avaliação regular do risco de queda de cada paciente, identificando os fatores de risco e implementando as medidas preventivas adequadas.

Orientação ao Paciente e Acompanhante

O paciente e seus acompanhantes devem ser orientados sobre a importância das medidas de segurança e como solicitar ajuda quando necessário.

Programa de Prevenção de Quedas

A instituição deve implementar um programa de prevenção de quedas que envolva todos os profissionais da saúde e seja atualizado regularmente.

Outros Exemplos de Medidas Preventivas

  • Uso de Alarme de Saída da Cama: Para pacientes com alto risco de queda, o uso de alarmes de saída da cama pode ser uma medida eficaz.
  • Uso de Barreiras Laterais na Cadeira de Rodas: As barreiras laterais na cadeira de rodas ajudam a prevenir que o paciente escorregue para fora da cadeira.
  • Adaptações no Banheiro: A instalação de barras de apoio no banheiro e o uso de assentos sanitários elevados podem reduzir o risco de quedas durante o banho.
  • Exercícios de Fortalecimento: A prática regular de exercícios de fortalecimento muscular pode melhorar o equilíbrio e a força do paciente, diminuindo o risco de quedas.

A importância da equipe multidisciplinar

A prevenção de quedas é uma responsabilidade de toda a equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais. A comunicação entre os membros da equipe é fundamental para garantir a eficácia das medidas preventivas.

Referência:

  1. BRASIL. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Segurança do Paciente – Prevenção de Quedas. 2019. 

Por que não funciona meu acesso venoso periférico?

Há diversas razões pelas quais um acesso venoso periférico (AVP) pode não estar funcionante. Estas razões podem ser divididas em problemas relacionados ao cateter, à veia ou ao paciente.

O que pode ser?

Problemas relacionados ao cateter:

  • Mal posicionamento: O cateter pode estar fora da veia, na parede da veia ou perfurando a parede posterior da veia.
  • Obstrução: Coágulos sanguíneos (trombose), medicamentos precipitados, ou fragmentos de tecido podem obstruir o lúmen do cateter.
  • Deslocamento: O cateter pode ter se deslocado da veia.
  • Dobramento ou torção: O cateter pode estar dobrado ou torcido, impedindo o fluxo.
  • Danos ao cateter: O cateter pode ter sido danificado durante a inserção ou uso.
  • Incompatibilidade com a solução infundida: Alguns medicamentos podem precipitar dentro do cateter.
  • Cateter com ponta extravasada: A ponta não está na veia.
  • Falha na técnica de inserção: Técnicas inadequadas podem levar a um cateter mal posicionado ou obstruído.

Problemas relacionados à veia:

  • Tromboflebite: Inflamação da veia com formação de coágulo.
  • Flebotrombose: Formação de coágulo na veia.
  • Veia fragilizada: Veias finas, frágeis ou esclerosadas podem se romper ou colapsar facilmente.
  • Veia ocluída: Veia totalmente obstruída por coágulo, inflamação ou compressão.
  • Extravasamento: A solução administrada escoa para fora do vaso sanguíneo.

Problemas relacionados ao paciente:

  • Desidratação: A desidratação reduz o volume sanguíneo, dificultando a visualização e punção das veias.
  • Uso de drogas vasoconstritoras: Drogas que constrigem os vasos sanguíneos podem dificultar a punção venosa.
  • Obesidade: A gordura subcutânea pode dificultar a localização das veias.
  • Edema: O edema periférico dificulta a visualização e a palpação das veias.
  • Uso de drogas intravenosas: Uso prolongado pode danificar as veias, tornando-as inadequadas para a punção.
  • Cirurgia ou trauma prévio: Cirurgias ou traumas prévios podem ter danificado as veias.
  • Doenças vasculares: Doenças como a arterioesclerose ou a insuficiência venosa podem prejudicar as veias.
  • Idade avançada: As veias tendem a tornar-se mais frágeis com o envelhecimento.

É importante lembrar que esta lista não é exaustiva e um profissional de saúde precisa avaliar o caso individualmente para determinar a causa específica da disfunção do AVP. A avaliação inclui a revisão da técnica de inserção, exame físico da área e, se necessário, exames de imagem.

Referências:

  1. Negri, D. C., Avelar, A. F. M., Andreoni, S., & Pedreira, M. L. G. (2012). Fatores predisponentes para insucesso da punção intravenosa periférica em crianças. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(6), [08 telas].
  2. COREN-MS
  3. JOHANN, Derdried Athanasio; DANSKI, Mitzy Tannia Reichembach; VAYEGO, Stela Adami; BARBOSA, Dulce Aparecida; LIND, Jolline. Fatores de risco para complicações no cateter venoso periférico em adultos: análise secundária de ensaio clínico randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 2016;24:e2833. DOI: 10.1590/1518-8345.1457.2833.

A Troca da roupa de cama com paciente

arrumação do leito hospitalar é um procedimento essencial para garantir o conforto e a higiene dos pacientes acamados.

Como realizar?

Materiais Necessários:

  • Lençol de baixo limpo
  • Lençol de cima limpo
  • Lençol móvel ou meio limpo
  • Fronha(s) limpa(s)
  • Edredom ou cobertor limpo (opcional)

Passos:

  1. Remova a roupa de cama usada:
    • Retire o edredom ou cobertor (se houver).
    • Retire o lençol de cima, meio ou móvel e as fronhas.
    • Por fim, retire o lençol de baixo.
  2. Faça a cama:
    • Vire o paciente para um dos lados do leito.
    • Enrolar os lençóis da metade livre da cama, em direção às costas da pessoa.
    • Estender o lençol limpo na metade da cama que está sem lençol.
    • Virar a pessoa sobre o lado da cama que já tem o lençol limpo e remover o lençol sujo, esticando o resto do lençol limpo.
    • Coloque o lençol de baixo no colchão e prenda-o sob os quatro cantos.
    • Coloque o lençol de cima sobre o colchão, alinhando as bordas com as bordas do lençol de baixo.
    • Coloque as fronhas nos travesseiros, acomodando o paciente sobre o mesmo.
    • Por fim, arrume o edredom ou cobertor (se houver) sobre o lençol de cima.

Dicas:

  • Para facilitar, dobre o lençol de baixo ao meio no comprimento e depois ao meio na largura. Isso criará uma linha central que você pode usar para alinhar o lençol no colchão.
  • Para esticar o lençol de cima, segure dois cantos opostos do lençol e puxe-os firmemente sobre os cantos opostos do colchão.
  • Troque a roupa de cama regularmente para manter um ambiente limpo e higiênico.

Referência:

  1. POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G.. Fundamentos de Enfermagem. 9.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

Áreas de Tricotomia para Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos

A tricotomia, ou remoção de pelos em áreas específicas do corpo antes de um procedimento cirúrgico, é uma prática comum para reduzir o risco de infecção. Nos procedimentos cardíacos, a área a ser tricotomizada varia de acordo com o tipo de cirurgia e o acesso vascular necessário.

Conheça as áreas para a tricotomia para procedimentos cirúrgicos cardíacos

Cateterismo Cardíaco

  • Acesso vascular: Geralmente, o acesso vascular para o cateterismo cardíaco é feito através da artéria femoral ou radial.
  • Área de tricotomia: A região inguinal (para acesso femoral) ou o punho (para acesso radial) são as áreas primárias de tricotomia.
  • Objetivo: A remoção dos pelos nessas áreas facilita a punção arterial e minimiza o risco de infecção no local de acesso.

Cirurgia Cardíaca

  • Acesso cirúrgico: A cirurgia cardíaca pode envolver diferentes incisões, como esternotomia mediana, toracotomia lateral ou mini-esternotomia.
  • Área de tricotomia: A área tricotomizada dependerá da incisão escolhida. Por exemplo:
    • Esternotomia mediana: Toda a região torácica anterior, desde o pescoço até o abdome superior.
    • Toracotomia lateral: A região lateral do tórax, incluindo a axila.
    • Mini-esternotomia: Uma área menor na região esternal.

Pericardiocentese

  • Acesso: A pericardiocentese é um procedimento que envolve a inserção de uma agulha no pericárdio para drenar o líquido acumulado.
  • Área de tricotomia: A região torácica incluindo a paraesternal esquerda, próxima ao apêndice xifóide.
  • Objetivo: A remoção dos pelos nessa área facilita a visualização do local da punção e reduz o risco de infecção.

Observações importantes:

  • Extensão da tricotomia: A extensão da área tricotomizada deve ser determinada pelo cirurgião ou pelo médico responsável pelo procedimento.
  • Método de tricotomia: A tricotomia pode ser realizada com tesoura, máquina de cortar cabelo ou creme depilatório. O método escolhido dependerá da preferência do profissional e das características dos pelos do paciente.
  • Tempo da tricotomia: A tricotomia deve ser realizada logo antes do procedimento, para evitar a recontaminação da área.
  • Cuidados pós-tricotomia: Após a tricotomia, a área deve ser limpa com solução antisséptica para reduzir o risco de infecção.

É fundamental ressaltar que a extensão da tricotomia pode variar de acordo com cada caso.

Referência:

  1. Lima Gebrim, Cyanéa Ferreira; Melchior, Lorena Morena Rosa; Menezes Amaral, Neyuska; Soares Barreto, Regiane Aparecida Santos; Prado Palos, Marinésia Aparecida. Tricotomia pré-operatória: aspectos relacionados à segurança do paciente. Enfermería Global, v. 13, n. 34, p. 264-275, 2014.  

Hipotermia Terapêutica

A parada cardiorrespiratória é um evento de alta mortalidade, e a hipotermia terapêutica é reconhecida pela neuroproteção após parada cardiorrespiratória (PCR) sendo recomendada pelas diretrizes da ILCOR em 2015.

A isquemia cerebral difusa relacionada ao hipofluxo cerebral frequentemente leva à injúria neurológica grave e ao desenvolvimento de estado vegetativo persistente. No entanto, a hipotermia terapêutica representa um importante avanço no tratamento da encefalopatia anóxica pós-parada cardíaca.

O tratamento

A hipotermia terapêutica é o único tratamento que tem demonstrado, de forma consistente, reduzir a mortalidade e melhorar os desfechos neurológicos em pacientes sobreviventes pós-parada cardiorrespiratória até o presente momento.

Seus efeitos neuroprotetores têm sido amplamente demonstrados em várias situações de isquemia neuronal. A hipotermia terapêutica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Apesar disso, a hipotermia ainda é um tratamento subutilizado no manejo da síndrome pós-ressuscitação. Um protocolo assistencial simples pode ser implantado em qualquer unidade de terapia intensiva para garantir que a hipotermia seja aplicada de forma eficaz em pacientes críticos reanimados após parada cardiorrespiratória.

Em resumo, a hipotermia terapêutica é uma técnica médica valiosa após uma parada cardíaca, com o objetivo de proteger o cérebro e melhorar os resultados neurológicos em pacientes sobreviventes.

A Técnica

Essa técnica médica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Ela deve ser iniciada o mais rápido possível após a parada cardíaca, pois o sangue deixa imediatamente de transportar a quantidade necessária de oxigênio para o funcionamento do cérebro.

No entanto, pode ser atrasada até 6 horas após o coração voltar a bater, mas nesses casos, o risco de desenvolver sequelas é maior.

A hipotermia terapêutica serve para diminuir o risco de formação de coágulos e lesões neurológicas, sendo principalmente indicada após um infarto. Além disso, ela também pode ser recomendada em situações como trauma cranioencefálico em adultos, AVC isquêmico e encefalopatia hepática.

O procedimento consiste em três fases:

  • Fase de indução: a temperatura corporal é reduzida até alcançar temperaturas entre os 32 e 36ºC;
  • Fase de manutenção: é monitorada a temperatura, pressão arterial, ritmo cardíaco e frequência respiratória;
  • Fase de reaquecimento: a temperatura da pessoa vai-se elevando de forma gradual e controlada de forma a atingir temperaturas entre os 36 e 37,5º.

Para o resfriamento do corpo os médicos podem utilizar várias técnicas, no entanto, as mais utilizadas incluem o uso de compressas de gelo, colchões térmicos, capacete de gelo ou soro gelado direto na veia dos pacientes, até que a temperatura atinja valores entre os 32 e 36°C.

Além disso, a equipe médica também utiliza remédios relaxantes para garantir o conforto da pessoa e evitar o surgimento de tremores.

Geralmente, a hipotermia é mantida durante 24 horas e, durante esse tempo, a frequência cardíaca, a pressão arterial e outros sinais vitais são constantemente vigiados por um enfermeiro de forma a evitar complicações graves. Após esse tempo, o corpo é lentamente aquecido até atingir a temperatura de 37ºC.

Possíveis complicações

Embora seja uma técnica bastante segura, quando é feita no hospital, a hipotermia terapêutica também tem alguns riscos, como:

  • Alteração do ritmo cardíaco, devido à diminuição acentuada dos batimentos cardíacos;
  • Diminuição da coagulação, aumentando o risco de sangramentos;
  • Aumento do risco de infecções;
  • Aumento das quantidades de açúcar no sangue.

Devido a estas complicações, a técnica só pode ser feita em uma Unidade de Terapia Intensiva e por uma equipe médica e de enfermagem treinadas, uma vez que é necessário fazer várias avaliações ao longo das 24 horas, para diminuir as chances de desenvolver qualquer tipo de complicação.

Referências:

  1. ANJOS, Cláudia Nogueira et- al.. O potencial da hipotermia terapêutica no tratamento do paciente crítico. O Mundo da Saúde São Paulo. 32. 1; 74-78, 2008
  2. RECH, Tatiana Helena; VIEIRA, Sílvia Regina Rios. Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada cardiorrespiratória: mecanismos de ação e desenvolvimento de protocolo assistencial . Rev Bras Ter Intensiva. 22. 2; 196-205, 2010
  3. 2015 International Consensus on Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science With Treatment Recommendations Circulation. 2015; 132:
    S2-S39 / Resuscitation 95 (2015) e1-e31
  4. CEPETI

A Contenção Mecânica

A contenção mecânica é um procedimento que deve ser utilizado com extrema cautela e sob rigorosa supervisão médica e de enfermagem. Consiste na aplicação de dispositivos físicos para restringir os movimentos de um paciente, geralmente em situações de agitação psicomotora ou risco iminente de autolesão ou lesão a terceiros.

A importância da Resolução COFEN 746/2024

Diante da relevância desse tema e da necessidade de garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) publicou a Resolução nº 746, de 20 de março de 2024. Essa norma estabelece diretrizes claras e atualizadas para a prática da contenção mecânica no âmbito da enfermagem, com o objetivo de:

  • Humanizar a assistência: Priorizar a comunicação terapêutica, o manejo não farmacológico e outras alternativas antes da contenção mecânica.
  • Minimizar riscos: Garantir que a contenção seja utilizada apenas como último recurso e em situações de real necessidade, sempre com o consentimento familiar, quando possível.
  • Assegurar a segurança: Estabelecer protocolos rigorosos para a aplicação, monitoramento e remoção dos dispositivos de contenção, visando prevenir lesões e complicações.
  • Promover a formação: Incentivar a educação continuada dos profissionais de enfermagem sobre as técnicas adequadas de contenção e as implicações éticas e legais envolvidas.

Pontos-chave da Resolução

  • Prescrição médica ou de enfermagem: A contenção mecânica deve ser prescrita por profissional habilitado, com indicação precisa e tempo determinado.
  • Supervisão direta: A aplicação da contenção deve ocorrer sob a supervisão direta do enfermeiro.
  • Monitoramento constante: O paciente em contenção deve ser monitorado continuamente por um profissional de saúde.
  • Documentação: Todo o processo de contenção, desde a indicação até a remoção, deve ser devidamente registrado.

É fundamental ressaltar que a contenção mecânica não é uma medida punitiva e deve ser utilizada apenas como último recurso. A busca por alternativas terapêuticas menos restritivas e o respeito aos direitos do paciente são princípios éticos que devem nortear a prática profissional.

Quem Prescreve a Contenção do Paciente?

A prescrição da contenção mecânica deve ser realizada por um profissional de saúde habilitado, geralmente um médico ou, em alguns casos específicos e de acordo com a legislação local, um enfermeiro.

Referência:

  1. COFEN

Complicações da Canalização do Acesso Venoso Periférico

A canalização do acesso venoso periférico, embora seja um procedimento comum na prática médica, pode apresentar diversas complicações, que variam em gravidade e frequência. É fundamental que tanto profissionais de saúde quanto pacientes estejam cientes dessas possíveis ocorrências para que possam ser identificadas precocemente e tratadas de forma adequada.

Complicações Locais

  • Infiltração: É a mais comum e ocorre quando o líquido infundido extravasa para os tecidos circunvizinhos, causando edema, dor e, em casos mais graves, necrose tecidual.
  • Flebite: Inflamação da veia, caracterizada por eritema, dor, calor e endurecimento ao longo do trajeto venoso. Pode evoluir para trombose venosa.
  • Trombose: Formação de um coágulo sanguíneo dentro da veia, podendo obstruir o fluxo sanguíneo e causar dor, edema e risco de embolia.
  • Infecção: Pode ocorrer na pele ao redor do local da punção ou na própria corrente sanguínea, causando febre, calafrios e eritema.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes: Ocorre quando medicamentos irritantes para os tecidos extravasam para fora da veia, causando lesões teciduais graves.

Complicações Sistêmicas

  • Embolia: Um fragmento do coágulo sanguíneo pode se desprender e migrar para outras partes do corpo, causando obstrução vascular em órgãos vitais.
  • Sepse: Infecção generalizada grave que pode levar a falência de múltiplos órgãos.
  • Sobrecarga hídrica: Ocorre quando o volume de líquido infundido excede a capacidade de eliminação do organismo, levando a edema pulmonar e outras complicações.
  • Reações alérgicas: Podem ocorrer em resposta a medicamentos ou componentes do equipo de infusão, manifestando-se por urticária, angioedema, broncoespasmo e choque anafilático.

Fatores de Risco

  • Condições da veia: Veias pequenas, tortuosas ou com histórico de trombose aumentam o risco de complicações.
  • Tipo de cateter: Cateteres de pequeno calibre ou com ponta afiada podem aumentar o risco de flebite e trombose.
  • Tempo de permanência do cateter: Quanto mais tempo o cateter permanecer na veia, maior o risco de infecção e trombose.
  • Tipo de solução infundida: Soluções hipertônicas ou medicamentos vesicantes aumentam o risco de extravasamento e irritação tecidual.
  • Técnicas de inserção: A técnica inadequada de inserção do cateter pode aumentar o risco de todas as complicações.

Prevenção

  • Seleção adequada do local de punção: Escolher veias de bom calibre, com bom fluxo sanguíneo e longe de articulações.
  • Técnica asséptica rigorosa: Utilizar luvas, anti-sepsia da pele e equipamentos estéreis.
  • Fixação segura do cateter: Evitar movimentos do cateter e reduzir o risco de infiltração.
  • Monitoramento regular do local de punção: Observar sinais de inflamação, edema ou extravasamento.
  • Rotatividade dos locais de punção: Evitar o uso prolongado do mesmo local.
  • Uso de dispositivos de segurança: Reduzir o risco de acidentes com agulhas.

Tratamento das Complicações após Canalização Venosa Periférica

O tratamento das complicações após a canalização venosa periférica varia de acordo com a gravidade e o tipo de complicação. É fundamental que o profissional de saúde avalie cada caso individualmente e inicie o tratamento de forma rápida e eficaz.

Complicações e seus respectivos tratamentos

  • Infiltração:
    • Leve: Elevar o membro, interromper a infusão, aplicar compressas frias e utilizar medicação anti-inflamatória.
    • Moderada a grave: Aplicar calor úmido, utilizar medicamentos vasoativos e, em casos extremos, realizar cirurgia.
  • Flebite:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anti-inflamatórios não esteroides.
    • Moderada a grave: Utilizar antibióticos em casos de infecção, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
  • Trombose:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
    • Moderada a grave: Utilizar anticoagulantes de ação prolongada e, em casos graves, realizar trombólise.
  • Infecção:
    • Local: Remover o cateter, limpar a ferida com antisséptico e utilizar antibióticos.
    • Sistêmica: Hospitalização, coleta de culturas para identificação do microrganismo e uso de antibióticos de amplo espectro.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes:
    • Leve: Interromper a infusão, elevar o membro e aplicar compressas frias.
    • Moderada a grave: Utilizar antídotos específicos, se disponíveis, e realizar tratamento cirúrgico em casos graves.

Medidas gerais para todas as complicações

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente o local da punção e os sinais vitais do paciente.
  • Higiene: Manter o local da punção limpo e seco.
  • Elevação do membro: Facilitar o retorno venoso e reduzir o edema.
  • Analgesia: Utilizar medicamentos para aliviar a dor.
  • Prevenção de novas complicações: Trocar o cateter com frequência, utilizar técnicas assépticas e selecionar o local de punção de forma adequada.

Outras informações importantes

  • Prevenção: A melhor forma de tratar as complicações é preveni-las. A adoção de práticas seguras durante a canalização venosa periférica é fundamental.
  • Educação do paciente: É importante orientar o paciente sobre os sinais e sintomas das complicações, a fim de que ele possa procurar ajuda médica o mais rápido possível.
  • Registro: É fundamental registrar todas as complicações ocorridas, bem como as medidas terapêuticas adotadas.

Referências:

  1. 3M
  2. Complicações relacionadas ao uso do cateter venoso periférico: ensaio clínico randomizado
  3. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/6661/5908
  4. https://periodicos.ufms.br/index.php/pecibes/article/view/13332/9195

OMS: Novas recomendações para Cirurgia Segura

No intuito de garantir a segurança do paciente no ato cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a primeira edição do manual “WHO Guidelines for Safe Surgery” (Diretrizes da OMS para Cirurgia Segura) em 2008.

Em 2016, a organização lançou as Diretrizes Globais para a Prevenção da Infecção do Sitio Cirúrgico. Os fatores de risco para a infecção cirúrgica são multifatoriais e a prevenção destas é complexa e requer a integração de uma série de medidas preventivas nos períodos antes, durante e após a cirurgia.

As principais diretrizes da OMS

A meta da OMS é que tais medidas forneçam uma gama de recomendações para intervenções que reduzam o risco de infecção do sítio cirúrgico durante os períodos pré, intra e pós-operatório.

Confira a seguir as orientações da instituição para manter o paciente seguro no pré, peri e pós-operatório:

Pré-operatório

  • o paciente deve tomar banho antes da cirurgia. A sugestão é ele utilize um sabão simples ou antimicrobiano;
  • recomenda-se o uso de pomada de mupirocina a 2% com ou sem a combinação de lavagem corporal com clorexidina aos pacientes que serão submetidos a cirurgia cardiotorácica ou ortopédica;
  • de acordo com o tipo de cirurgia, a administração de profilaxia antibiótica antes da cirurgia ajuda a evitar infecção do sítio cirúrgico;
  • não se deve fazer tricotomia nas salas de cirurgia em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Quando absolutamente necessário, pelos e cabelos devem ser removidos apenas com máquinas de cortar;
  • recomenda-se o uso de soluções antissépticas alcoólicas — baseadas em gluconato de clorexidina — para a preparação da pele do sítio cirúrgico de todos os pacientes que serão submetidos a cirurgias;
  • não se deve utilizar selantes antimicrobianos após a preparação da pele nos pacientes do sítio cirúrgico;
  • a preparação das mãos para a cirurgia é essencial: recomenda-se sabonete antimicrobiano apropriado e água ou lavagem com escova adequada à base de álcool antes de colocar luvas estéreis.

Intra-operatório

  • recomenda-se a administração de fórmulas nutricionais orais ou entéricas reforçadas com múltiplos nutrientes em pacientes com baixo peso que passarão por grandes cirurgias;
  • a OMS sugere não interromper medicações imunossupressoras antes da cirurgia com a finalidade de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de aquecimento na sala de cirurgia e durante o procedimento cirúrgico para o aquecimento do corpo do paciente;
  • para prevenir infecção, podem ser usados tanto campos estéreis de tecido reutilizáveis quanto campos estéreis descartáveis que não sejam de tecido, assim como aventais cirúrgicos;
  • o uso de campos fenestrados adesivos de plástico com ou sem propriedades antimicrobianas não são recomendados;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de proteção de feridas em cirurgias abdominais potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas a fim de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • a OMS sugere o uso de terapia profilática com pressão negativa em pacientes adultos em incisões cirúrgicas com fechamento primário, desde que sejam feridas de alto risco;
  • não é recomendado o uso de sistemas de ventilação com fluxo de ar laminar para a procedimentos de cirurgia de artroplastia total.

Pós-operatório

  • não é recomendado o prolongamento da administração de profilaxia antibiótica cirúrgica após a conclusão do procedimento;
  • não se deve usar qualquer tipo de curativo avançado ao invés de um curativo padrão sobre feridas cirúrgicas com fechamento primário;
  • a profilaxia antibiótica perioperatória não deve ser continuada na presença de um dreno na ferida;
  • quando clinicamente indicado, recomenda-se a remoção do dreno da ferida.

Em vias gerais, a cultura da segurança do paciente envolve diferentes critérios atrelados a valores, atitudes, normas, estratégias, práticas, políticas e comportamentos.

Portanto, as diretrizes da OMS objetivam não apenas a redução dos danos nos eventos cirúrgicos, mas a reflexão sobre a importância da adequação às propostas do órgão.

Por fim, ao implementar as recomendações para prevenir infecção do sítio cirúrgico, os profissionais da saúde têm a oportunidade de melhorar o cuidado assistencial e a qualidade dos serviços.

Além disso, a adoção dessas medidas possibilita a substituição do sentimento de culpa quanto aos erros eventualmente cometidos pela oportunidade de um aprendizado constante.

Referências:

  1. World Health Organization
  2. PebMed
  3. Orientações da OMS para a Cirurgia Segura 2009

Triagem Neonatal

A triagem neonatal é um conjunto de testes simples, rápidos e indolores realizados em recém-nascidos para detectar precocemente doenças graves e passíveis de tratamento.

Principais testes que devem ser realizados ao nascer

No Brasil, esse conjunto inclui o famoso teste do pezinho, mas também outros testes igualmente importantes:

  • Teste do Pezinho: Detecta doenças genéticas e metabólicas, como hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria e anemia falciforme. Deve ser realizado entre o 3º e 7º dia de vida.
  • Teste da Orelhinha: Avalia a audição do bebê, identificando possíveis perdas auditivas. Realizado entre o 1º e 3º mês de vida.
  • Teste do Olhinho: Examina a visão do bebê, detectando doenças como catarata congênita e retinoblastoma. Realizado entre o 1º e 3º mês de vida.
  • Teste do Coraçãozinho: Identifica doenças cardíacas congênitas, como sopros e cardiopatias. Realizado entre o 1º e 3º mês de vida.
  • Teste da Linguinha: Avalia a sucção, deglutição e freno lingual (língua presa), importantes para a amamentação e desenvolvimento da fala. Realizado entre o 4º e 6º mês de vida.

Por que a triagem neonatal é importante?

  • Diagnóstico precoce: Permite identificar doenças graves em seus estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz e pode prevenir sequelas graves e até mesmo o óbito.
  • Tratamento oportuno: Ao detectar a doença precocemente, o tratamento adequado pode ser iniciado rapidamente, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida da criança.
  • Redução de complicações: O tratamento precoce das doenças detectadas na triagem neonatal pode prevenir complicações graves, como deficiências intelectuais, problemas de desenvolvimento e sequelas físicas.

Onde os testes são realizados?

A triagem neonatal é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em maternidades e unidades básicas de saúde em todo o país.

Lembre-se:

  • A triagem neonatal é um direito de todos os recém-nascidos brasileiros.
  • Os testes são simples, rápidos e indolores.
  • O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno podem salvar vidas e garantir uma melhor qualidade de vida para as crianças.

Não deixe de levar seu bebê para fazer a triagem neonatal!

Referências:

  1. Ministério da Saúde
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria
  3. Cuidado Neonatal – Ministério da Saúde

Medicamentos que causam Flebite

A flebite é uma inflamação das veias, que pode causar dor, inchaço, vermelhidão e calor na região afetada. Em casos mais graves, pode levar à formação de coágulos sanguíneos (trombose), o que pode ter sérias consequências para a saúde.

Vários medicamentos são vesicantes e podem aumentar o risco de flebite, principalmente quando administrados por via intravenosa (IV).

Medicamentos Vesicantes

Os medicamentos vesicantes são aqueles que, quando extravasados durante a administração intravenosa, causam danos graves aos tecidos no local da infusão.

Efeitos do extravasamento:

  • Queimadura química: Dor intensa, vermelhidão, inchaço e formação de bolhas no local.
  • Necrose: Morte das células e dos tecidos, podendo levar a úlceras profundas e até mesmo à amputação de membros em casos graves.
  • Danos nervosos: Dor persistente, formigamento, dormência e fraqueza muscular.

Medicamentos que podem causar Flebite

Antibióticos

  • Vancomicina;
  • Benzilpenicilina;
  • Aminoglicosideos (gentamicina);
  • Cefalosporinas (ceftriaxona);
  • Quinolonas (ciprofloxacina);

Soluções intravenosas

  • Soluções com alto teor de osmolalidade (açúcar) ou pH alcalino (> 8,5);

Drogas Vasoativas

  • Dopamina;
  • Adrenalina;
  • Amiodarona;
  • Noradrenalina;
  • Vasopressina;
  • Dobutamina;

Nutrição Parenteral Parcial e Total

Eletrólitos

  • Cloreto de Potássio 19,1%;
  • Cloreto de Sódio 20 %;
  • Bicarbonato de Sódio;
  • Gluconato de Cálcio;

Hemoderivados

  • Hemácias;
  • Plasma;
  • Plaquetas

Corticoides

  • Dexametasona

Anti-inflamatórios não esteroides (AINES)

  • ibuprofen;
  • piroxicam;
  • diclofenaco

Contrastes

  • Sulfato de bário;
  • Ioxitalamato de meglumina e de sódio;
  • Iobitridol;
  • Iodixanol;
  • Ioexol;
  • Iomeprol;
  • Iopamidol;
  • Ácido gadotérico;
  • Hexafluoreto de enxofre

Quimioterápicos

  • Doxorubicina (Adriamicina);
  • Daunorubicina (Cerubidina);
  • Vincristina (Oncovin);
  • Vinblastina (Velban);
  • Mitoxantrona (Novantrone);
  • Epirrubicina (Ellence);
  • Ifosfamida (Ifex);

Outros

  • Azul de metileno;
  • Aminofilina;
  • Diazepam;
  • Fenitoína;
  • Prometazina

Fatores de risco adicionais para flebite

Cateteres venosos periféricos (CVPs):

    • Tempo de permanência do cateter
    • Tipo de cateter
    • Local de inserção

Idade:

    • Acima de 65 anos

Histórico de flebite:

    • Episódios anteriores aumentam o risco

Imobilização:

    • Pacientes acamados ou com pouca mobilidade

Desidratação:

    • Redução do volume sanguíneo

Câncer:

    • Tumores malignos e quimioterapia

Doenças inflamatórias:

    • Doença de Crohn, colite ulcerativa, lúpus

Prevenção da flebite

Inserção e manutenção adequadas do cateter:

    • Siga os protocolos rigorosos de inserção e manutenção de cateteres.
    • Utilize o menor cateter possível pelo menor tempo necessário.
    • Troque o curativo do cateter regularmente.

Hidratação adequada:

    • Mantenha o paciente hidratado com líquidos intravenosos ou orais.

Mobilização precoce:

    • Incentive o paciente a se mover o máximo possível.

Medicação profilática:

    • Em alguns casos, medicamentos podem ser usados ​​para prevenir a flebite.

Referências:

  1. Guia Farmacêutico – Medicamentos Irritantes e Vesicantes: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/medicamentos-de-alerta/lista-de-medicamentos/
  2. PRAS-TC-002-PROTOCOLO DE EXTRAVASAMENTO DE MEDICAÇÕES VESICANTES NÃO-QUIMIOTERÁPICAS: https://jornal.hcfmb.unesp.br/wp-content/uploads/2022/03/PRC-Amb-ONCO-002-%E2%80%93-PROTOCOLO-EXTRAVASAMENTO-DE-QUIMIOTERAPICOS-atualizado.pdf
  3. PARECER COREN-SP CAT Nº 019/2009 / – Assunto: Infusão de fármacos antineoplásicos vesicantes: https://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2012_18.pdf