Lâminas de Bisturis: Tipos e Indicações

A Lâmina de Bisturi trata-se de um instrumento cirúrgico em forma de faca, de lâmina com punho e que fora projetado para fazer cortes em tecidos macios.

As lâminas classificam-se segundo o tamanho do encaixe do cabo, seu formato e aplicabilidade.

Os Tipos de Lâminas (Para cabos número 3 e 3L)

Lâmina nº10

É reta na parte superior e convexa na borda cortante. É utilizada para incisões em pele e músculos.

Lâmina nº11

Possui forma triangular e ponta bastante afiada, sendo utilizada em pequenas incisões e na drenagem de abscessos.

Lâmina nº12

Tem ponta curva cortante na face côncava; é utilizada em procedimentos mucogengivais.

Lâmina nº15

Possui formato pontiagudo em sua extremidade e superfície curva cortante; é utilizada em incisões delicadas em pele, músculos e periósteo.

Para Cabos número 4 e 4L

Lâmina nº20 ao 22

São de tamanho crescente, semelhantes à lâmina 10.

Lâmina nº23

Possui ponta cortante , pontiaguda em formato de folha.

Veja também:

Fios de Suturas: Tipos e Indicações

Fios de Suturas: Tipos e Indicações

Uma sutura, conhecida popularmente como pontos cirúrgicos, é um tipo de ligação usada por cirurgiões, para manter unido pele, músculos, vasos sanguíneos e outros tecidos do corpo humano, após terem sido seccionados por um ferimento ou após uma cirurgia nos ossos, os fios usados na cirurgia ou no local do ferimento, o que podemos chamar de Síntese Cirúrgica.

A Síntese Cirúrgica

Tem como função a aposição das bordas do ferimento, facilitando a cicatrização e o processo de restauração.

Para tanto é necessário o uso de materiais como os fios de sutura, sua agulhas etc. Entende-se por síntese o conjunto de manobras manuais e instrumentais, destinadas a unir os tecidos separados, restituindo sua continuidade anatômica e funcional.

O Diâmetro das Agulhas

O diâmetro das agulhas é um fator importante a ser considerado deve ser comprida o suficiente para abranger os dois lados da incisão:

  • Diâmetro muito grande resulta em maior trauma tecidual;
  • As agulhas que tiverem proporção entre o diâmetro e comprimento superior a 1:8, tendem a quebrar ou entortar facilmente;
  • Formato varia de acordo com o tecido a ser suturado.

Fio de Sutura Ideal

Não existe um material de sutura ideal, porém alguns dos que existem disponíveis possuem excelentes propriedades:

  • Ser confortável ao usar;
  • Ter boa segurança nos nós;
  • Adequada resistência tênsil;
  • Baixa reação tecidual;
  • Não provocar reações alérgicas;
  • Não ser carcinogênico;
  • Não ser eletrolítico.
  • Não provocar nem manter infecção;
  • Deve manter a tensão de estiramento até servir ao seu propósito, mantendo as bordas das feridas aproximadas pelo menos até a fase de proliferação;
  • Ser resistente ao meio no qual atua;
  • Se for absorvível, ter seu tempo de absorção previsível;
  • Se for inabsorvível, que seja encapsulado sem complicações;
  • Não ser capilar e sim monofilamentar;
  • Baixo custo.

Fios de Sutura Absorvíveis

Os fios de sutura absorvíveis vão perdendo gradualmente sua resistência até serem hidrolisados ou fagocitados e são utilizados para suturas invasivas.

São eles:

De Origem Orgânico ou Natural

  •  Categute simples
    • Tempo de absorção: 7 – 10 dias;
    • Reação com o tecido: Grande;
    • Uso: Ligar vasos hemorrágicos, anastomoses intestinais e fechamento de plano subcutâneo;
    • Características: Sintético, trançado e maior incidência de infecções.
  • Categute cromado
    • Tempo de absorção: 21 – 28 dias;
    • Reação com o tecido: Grande;
    • Uso: Igual ao simples;
    • Características: Obtido de intestino de boi ou carneiro e tratado com cromo.

De Origem Sintética

  • Ácido poligalático (Vycril)
    • Tempo de absorção: 14 – 30 dias;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Fechar aponeuroses e subcutâneo;
    • Características: Fio sintético, trançado e maior chance de infecções.
  •  Polidiaxona (PDS)
    • Tempo de absorção: 14 – 30 dias;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Anastomoses intestinais e urológicas; os mais calibrosos podem ser utilizados em aponeuroses. Uso permitido em presença de infecção;
    • Características: Monofilamentar, incolor ou violeta e de difícil manejo pela rigidez.

Fios de Sutura Inabsorvíveis

Os fios de sutura não absorvíveis se mantém no tecido onde foram colocados e são utilizados para suturas externas.

De Origem Orgânico ou Natural

  • Seda
    • Mantém tensão por aproximadamente 1 ano;
    • Reação com o tecido: Baixa;
    • Uso: Ligaduras vasculares e mucosa oral;
    • Características: Filamento proteico, fácil manuseio e fixação. Não deve ser utilizado na presença de infecção.
  • Algodão
    • De 6 meses a 2 anos, mantendo boa tensão;
    • Reação com o tecido: Baixa;
    • Uso: Ligaduras vasculares e mucosa oral;
    • Características: Filamento proteico, fácil manuseio e fixação. Não deve ser utilizado na presença de infecção.

De Origem Sintética

  • Nylon
    • Degradação em 2 anos aproximadamente;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Suturas dérmicas;
    • Características: Mono ou polifilamentar. Pode ser preto, verde ou branco.
  • Polipropileno (Prolene)
    • Mantém-se por tempo indefinido, mantém tensão por anos;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Intradérmico, fáscia e microvascular;
    • Características: Monofilamentar. Pode ser utilizado em contaminação ou infecção. Incolor ou azul.

Diâmetro dos Fios de Sutura

O diâmetro do fio é determinado em milímetros e expresso em zeros. Quanto menor o calibre do fio, maior o número de zeros.

Menor calibre: n° 12-0 (diâmetro de 0,001 a 0,01 mm).

Maior calibre: n° 3 (diâmetro de 0,60 a 0,80 mm).

Ordem dos Diâmetros

12-0, 11-0, 10-0, 9-0, 8-0, 7-0, 6-0, 5-0, 4-0, 3-0, 2-0, 0, 1, 2, 3.

Usam-se fios mais finos em tecidos mais delicados e em locais sem tensão e fios mais grossos em tecidos mais grosseiros ou em tecidos com mais tensão.

Eis alguns exemplos dos fios com diâmetros mais utilizados:

  • Fio 6-0: Mais fino. Utilizado em face e áreas com importância estética;
  • Fio 5-0: Utilizado em suturas da mão e dedos;
  • Fio 4-0: Utilizados para reparo de extremidades proximais e tronco;
  • Fio 3-0: Fio de grande calibre, utilizado para planta do pé e escalpo;
  • Fio 2-0: Couro cabeludo.

Acrescentando, os fios de sutura finos 6-0 a 4-0 são indicados para uso em cirurgias plásticas, microcirurgias, reconstruções de estruturas finas, suturas de pele e cirurgias vasculares.

Já os fios de sutura intermediários, entre 3-0 a 1-0 são usados em cirurgias abdominais e ginecológicas. Fios grossos, de 1 a 3, são utilizados em cirurgias abdominais ou torácicas sobre regiões de grande tensão, músculos, entre outros.

Referências

  1. GOFFI, Fabio Schmidt, 1922 -Técnica Cirúrgica -Bases Anatômicas, Fisiopatológicas e Técnicas da Cirurgia – 4 ed. 2001.
  2. HOCHBERG J., MEYER K. M., MARION M. D. Suture choice and methods of skin closure. Surg. Clin. N. Am. 89; 627 a 641, 2009.
  3. MAGALHÃES, Helio Pereira de, 1938 -Técnica cirúrgica e cirurgia experimental/ Helio Pereira de Magalhães. São Paulo: Sarvier, 1996.
  4. SARDENBERG T., MULLER S. S. , SILVARES P. R. A., MENDONÇA A. B., MORAES R. R. L. Avaliação das propriedades mecânicas e dimensões de fios de sutura utilizados em cirurgias ortopédicas. Acta. Ortop. Bras. 11 (2), Abr./Jun., 2003.

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Instrumentação Cirúrgica: O que você precisa saber!

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

Na sala cirúrgica, conhecer o nome de uma pinça é apenas o começo. O verdadeiro domínio da instrumentação cirúrgica está em antecipar o próximo tempo operatório, manter o campo organizado e, principalmente, não perder de vista a segurança do paciente.

A instrumentação cirúrgica é uma atividade de enfermagem, mas não é ato privativo da enfermagem. Quando realizada por profissional de enfermagem, a Resolução Cofen nº 214/1998 estabelece sua subordinação ao enfermeiro responsável técnico pela unidade. Na prática, o instrumentador precisa dominar os instrumentais, os tempos cirúrgicos, os princípios de técnica asséptica e a dinâmica do procedimento.

Os quatro tempos cirúrgicos

Os tempos cirúrgicos ajudam a organizar a sequência do procedimento e também orientam a escolha e a disposição dos instrumentais.

Diérese é a separação dos tecidos para permitir o acesso à região operatória. Pode envolver incisão, punção, divulsão, dilatação, curetagem e outras técnicas, conforme o procedimento.

Hemostasia reúne as manobras destinadas a prevenir ou controlar o sangramento, utilizando recursos como compressão, pinçamento, ligadura, eletrocirurgia e agentes hemostáticos.

Exérese corresponde à intervenção propriamente dita, incluindo a exploração e a retirada de tecido ou órgão quando essa for a finalidade do procedimento.

Síntese é a aproximação dos tecidos ao final da intervenção, geralmente por meio de suturas, com o objetivo de restabelecer a continuidade tecidual.

Durante uma cirurgia abdominal, por exemplo, a mudança rápida de uma tesoura de dissecção para uma pinça hemostática e, posteriormente, para o porta-agulha acompanha exatamente essa evolução dos tempos cirúrgicos. É por isso que a mesa organizada não é apenas uma questão de estética: ela reduz atrasos e facilita a resposta da equipe.

Principais instrumentais cirúrgicos

Os instrumentos podem ser agrupados conforme sua finalidade. Entre os mais conhecidos estão os de diérese, hemostasia, síntese, preensão e afastamento.

Nos instrumentos de diérese aparecem bisturis e tesouras, como a Metzenbaum e a Mayo, escolhidas conforme o tecido e a finalidade. Na hemostasia são comuns pinças como Kelly, Crile e Halsted. Para síntese, destacam-se os porta-agulhas, como Hegar e Mathieu. Já as pinças anatômicas, dente de rato, Allis e outras são utilizadas para diferentes formas de preensão, enquanto afastadores como Farabeuf e Volkmann auxiliam na exposição do campo.

A indicação exata de cada instrumento depende da especialidade, do procedimento e da preferência técnica da equipe. Por isso, decorar nomes sem compreender sua função costuma ser menos útil do que relacionar instrumental + finalidade + tempo cirúrgico.

O trabalho do instrumentador

Antes da incisão, o instrumentador participa da preparação da mesa, confere os materiais necessários, organiza os instrumentos de acordo com a sequência esperada e mantém atenção permanente à técnica asséptica.

Durante o procedimento, acompanha o ritmo do cirurgião, entrega os instrumentos de maneira segura, antecipa necessidades previsíveis e comunica a falta ou necessidade de materiais complementares. A comunicação precisa ser objetiva, porque uma solicitação mal compreendida dentro de um campo operatório pode interromper o fluxo do procedimento.

Em uma situação comum de sala, o cirurgião solicita uma pinça específica enquanto o procedimento já está avançando para a hemostasia. O instrumentador que conhece a sequência e a disposição da mesa consegue localizar o instrumento imediatamente, sem precisar interromper a dinâmica para procurar entre vários materiais.

Ao final, a conferência dos instrumentos, compressas e materiais perfurocortantes é parte essencial da segurança. A Lista de Verificação de Cirurgia Segura da OMS inclui essa conferência antes da saída do paciente da sala operatória.

Instrumentação e segurança do paciente

A instrumentação está diretamente relacionada à cirurgia segura. Identificação correta do paciente, procedimento e sítio cirúrgico, comunicação da equipe, conferência de materiais e contagem de instrumentos, compressas e perfurocortantes formam barreiras contra eventos evitáveis.

A RDC Anvisa nº 36/2013 estabelece ações para segurança do paciente nos serviços de saúde e inclui a segurança cirúrgica entre os processos que devem integrar a gestão de riscos.

Por isso, a contagem não deve ser encarada como uma simples tarefa burocrática. Se houver discrepância, a equipe deve interromper o fechamento conforme o protocolo institucional e realizar a investigação necessária antes da conclusão do procedimento.

Do centro cirúrgico para o CME

Terminada a cirurgia, o trabalho com o instrumental não termina. Os produtos reutilizáveis precisam seguir o fluxo estabelecido para processamento, respeitando as etapas de pré-limpeza quando aplicável, transporte, limpeza, inspeção, preparo, esterilização ou desinfecção conforme a classificação e as características do produto, armazenamento e distribuição.

A RDC Anvisa nº 15/2012 determina que cada etapa do processamento de instrumentais cirúrgicos siga POP baseado em evidências científicas atualizadas e na regulamentação pertinente, além de estabelecer requisitos de rastreabilidade e controle do processamento.

Esse cuidado é especialmente importante quando um instrumental apresenta sujidade residual, dano ou alteração de funcionamento. Ele não deve simplesmente retornar à mesa porque “parece limpo”; precisa passar pela avaliação e pelo fluxo definido pelo CME.

Cuidados de enfermagem

Na instrumentação cirúrgica, alguns cuidados são indispensáveis:

  • conferir materiais, integridade das embalagens e funcionamento dos instrumentos antes do procedimento;
  • manter técnica asséptica e preservar a esterilidade do campo;
  • organizar a mesa de acordo com o procedimento e os tempos cirúrgicos;
  • acompanhar e registrar as contagens conforme protocolo institucional;
  • comunicar imediatamente qualquer divergência, quebra ou perda de instrumental;
  • encaminhar os materiais reutilizáveis ao fluxo correto de processamento no CME;
  • participar da comunicação e da Lista de Verificação de Cirurgia Segura.

O objetivo não é apenas entregar o instrumento certo no momento certo. É manter um processo previsível, seguro e rastreável durante toda a cirurgia.

Para memorizar para a prova

! Atenção na Prova

Diérese → abre ou separa.
Hemostasia → controla o sangramento.
Exérese → realiza a retirada/intervenção.
Síntese → aproxima e fecha os tecidos.

Essa sequência continua sendo uma das formas mais rápidas de organizar o raciocínio sobre instrumentação cirúrgica e costuma aparecer em avaliações de enfermagem.

Resumo para salvar

Instrumentação Cirúrgica

  • Conheça os quatro tempos cirúrgicos
  • Associe os instrumentais às suas funções
  • A contagem de materiais é uma barreira de segurança
  • O instrumental reutilizável deve seguir o fluxo do CME

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2012. RDC Anvisa nº 15/2012
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2013. RDC Anvisa nº 36/2013
  3. BRASIL. Ministério da Saúde; ANVISA; FIOCRUZ. Protocolo para cirurgia segura. Brasília, DF, 2013. Protocolo para Cirurgia Segura
  4. COFEN. Resolução Cofen nº 214/1998. Dispõe sobre a Instrumentação Cirúrgica. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Enfermagem, 1998. Resolução Cofen nº 214/1998
  5. OLIVEIRA, Rita de Cássia Burgos de; TURRINI, Ruth Natalia Teresa. Tempos cirúrgicos, eletrocirurgia e laser. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, 2007. Repositório USP – Tempos cirúrgicos
  6. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. WHO Surgical Safety Checklist. Geneva: WHO. WHO – Surgical Safety Checklist