Curativo Oclusivo x Curativo Compressivo: Entendendo as Diferenças

O cuidado com feridas faz parte da rotina da enfermagem e exige conhecimento técnico aliado a um olhar sensível. Entre os muitos tipos de curativos, dois se destacam pelo uso frequente e por atenderem a objetivos bastante distintos: o curativo oclusivo e o curativo compressivo.

Para o estudante de enfermagem, entender as diferenças entre esses dois tipos é essencial para aplicar um cuidado seguro e eficaz. Nesta publicação, vamos explicar com detalhes o que caracteriza cada curativo, suas indicações, objetivos e cuidados de enfermagem.

O Curativo, Nosso Grande Aliado: Mais Que Um Simples Band-Aid

Antes de detalhar cada tipo, é bom lembrar qual é o objetivo geral de qualquer curativo:

  • Proteger a ferida: Contra contaminação externa, atrito e traumas.
  • Absorver exsudato: Gerenciar o fluido que a ferida produz.
  • Manter um ambiente úmido: Essencial para a cicatrização (a não ser em casos específicos).
  • Promover o conforto: Reduzir a dor e proteger o local.

Curativo Oclusivo: O Escudo Protetor e o Ambiente Ideal

Imagine um curativo que sela a ferida, isolando-a completamente do ambiente externo. É isso que faz o curativo oclusivo. Ele é como um “escudo” ou uma “barreira” que mantém a umidade ideal para a cicatrização e protege contra a entrada de bactérias e outros microrganismos.

Como é Feito?

    • Utiliza materiais que não permitem a passagem de ar ou fluidos, criando um ambiente fechado.
    • Exemplos comuns incluem filmes transparentes semipermeáveis (aqueles que parecem um plástico fininho e grudam na pele, permitindo ver a ferida), hidrocoloides, hidrogéis e algumas espumas.
    • É sempre fixado firmemente na pele ao redor da ferida, garantindo que não haja “brechas” para a entrada de ar ou bactérias.

Para Que Serve? Quais Suas Indicações?

    • Manter a Umidade: A principal função é criar um ambiente úmido. Isso é super importante, pois a cicatrização ocorre de forma mais eficiente em meio úmido, facilitando a migração celular e a formação de novo tecido. Feridas secas cicatrizam mais lentamente.
    • Prevenção de Contaminação: Por isolar a ferida, impede que bactérias, sujeira ou outras partículas do ambiente entrem em contato com a lesão.
    • Autólise: Alguns materiais oclusivos (como os hidrocoloides) promovem o desbridamento autolítico, que é a remoção natural de tecido morto do corpo, amolecendo-o.
    • Proteção de Cateteres: É amplamente utilizado em sítios de inserção de cateteres venosos centrais (CVC), como o PICC ou o cateter de curta permanência, para protegê-los de infecções. Nesses casos, usa-se o filme transparente que permite a visualização do sítio.
    • Feridas Limpas: Geralmente indicado para feridas limpas, com pouca ou nenhuma infecção, e que apresentem pouca exsudação.

Cuidados de Enfermagem Essenciais:

    • Avaliação Diária da Ferida: Mesmo sob oclusão, é crucial observar a ferida diariamente através do curativo transparente ou, se o material for opaco, na troca do curativo. Fique atento a sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, dor, calor, pus), odor fétido ou aumento da exsudação.
    • Integridade do Curativo: Checar se o curativo está bem aderido, sem descolamento nas bordas, que comprometeria a oclusão.
    • Troca no Tempo Certo: Seguir as recomendações do fabricante do material ou o protocolo da instituição para a frequência de troca.
    • Limpeza Rigorosa: Sempre realizar a limpeza da pele ao redor da ferida e do próprio curativo (se transparente) com técnica asséptica.

Curativo Compressivo: A Força Contra o Sangramento e o Edema

Agora, pense em um curativo que não só cobre, mas também aplica uma pressão firme sobre a ferida ou a área lesionada. Esse é o curativo compressivo. Sua principal função não é selar, mas sim comprimir.

Como é Feito?

    • Utiliza gazes, compressas ou ataduras elásticas aplicadas com firmeza sobre a área, exercendo pressão.
    • Pode ser aplicado sobre um curativo de base (oclusivo ou não) para reforçar a pressão.
    • A pressão deve ser firme, mas nunca a ponto de prejudicar a circulação.

Para Que Serve? Quais Suas Indicações?

    • Controle de Hemorragias: É a indicação mais imediata e vital. A pressão direta sobre um sangramento ajuda a estancá-lo, favorecendo a formação do coágulo.
    • Prevenção de Hematomas e Edemas: Após cirurgias (especialmente plásticas ou ortopédicas) ou lesões, a compressão ajuda a limitar o acúmulo de sangue (hematoma) ou líquido (edema/inchaço) na área.
    • Fixação de Enxertos: Em cirurgias de enxerto de pele, o curativo compressivo ajuda a manter o enxerto bem aderido ao leito receptor, promovendo sua “pegada”.
    • Imobilização: Em alguns casos, pode auxiliar na imobilização de uma área, especialmente após torções ou fraturas.
    • Redução de Espaço Morto: Após a retirada de drenos cirúrgicos, uma compressão leve pode ajudar a obliterar o espaço que existia, evitando acúmulo de líquidos.

Cuidados de Enfermagem Essenciais:

    • Avaliação Circulatória: Crucial! Após aplicar um curativo compressivo, avaliar imediatamente e com frequência a circulação distal ao curativo. Checar:
      • Pulsos: Estão presentes e fortes?
      • Coloração: A pele está rosada, não pálida ou cianótica (azulada)?
      • Temperatura: A pele está aquecida, não fria?
      • Sensibilidade: O paciente sente dor, formigamento ou dormência?
      • Edema: Há inchaço abaixo do curativo?
    • Alívio da Dor: Se o paciente referir dor intensa ou crescente após a aplicação, pode ser sinal de que o curativo está muito apertado.
    • Reapertar se Necessário: Em sangramentos ativos, pode ser necessário reapertar o curativo e, se a hemorragia persistir, comunicar o médico imediatamente.
    • Monitoramento da Ferida: Se o curativo compressivo for opaco, a ferida só será visualizada na troca, que deve ser feita no tempo adequado, ou antes, se houver sinais de complicação.

As Diferenças no “Olho do Cuidado”:

Característica Curativo Oclusivo Curativo Compressivo
Principal Objetivo Proteger e manter ambiente úmido para cicatrização Estancar sangramento, prevenir hematomas/edema
Como Age? Cria uma barreira selada, impede entrada de ar/bactérias Aplica pressão física sobre a área
Materiais Típicos Filmes transparentes, hidrocoloides, hidrogéis, espumas Gaze, compressas, ataduras elásticas, faixas de crepe
Principal Risco Infecção se a ferida já estiver contaminada ou se oclusão for quebrada Compromisso circulatório se muito apertado (síndrome compartimental)
Tipo de Ferida Limpas, com pouca exsudação, proteção de sítios Com sangramento, pós-cirúrgico, prevenção de inchaço

Cuidados de enfermagem na aplicação dos curativos

No curativo oclusivo

  • Avaliar sinais de infecção antes da aplicação.
  • Garantir que a pele esteja seca ao redor da ferida.
  • Evitar excesso de umidade que possa causar maceração.
  • Orientar o paciente a não retirar o curativo antes do tempo indicado.

No curativo compressivo

  • Avaliar pulso distal antes e depois da aplicação para verificar perfusão.
  • Observar sinais de comprometimento circulatório (palidez, frialdade, dormência).
  • Manter a pressão uniforme, sem pontos de estrangulamento.
  • Reposicionar o membro elevado, quando indicado, para auxiliar o retorno venoso.

A correta escolha do tipo de curativo depende da avaliação do enfermeiro, das características da ferida e das condições clínicas do paciente. O uso inadequado pode causar complicações e atrasar o processo de cicatrização.

Embora ambos sejam chamados genericamente de “curativos”, o oclusivo e o compressivo têm propósitos distintos e complementares. O sucesso na cicatrização de uma ferida depende, entre outros fatores, da correta escolha do tipo de curativo, da técnica adequada e da observação constante dos sinais clínicos.

Para o estudante e profissional de enfermagem, dominar esses conhecimentos é fundamental para oferecer um cuidado eficaz, seguro e centrado no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_curativos_normas_tecnicas.pdf
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. 
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre cuidado de feridas e pele).
  4. SILVA, A. L. F. et al. Cuidados com feridas: práticas baseadas em evidências. Revista de Enfermagem UFPE, v. 8, n. 3, p. 6132-6139, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem
  5. MEDEIROS, E. A. A. et al. Manual de curativos: prevenção, tratamento e cuidados. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2018.
  6. FERRARI, M. C. C. et al. Terapia compressiva no tratamento de úlceras venosas: uma revisão. Revista Brasileira de Enfermagem, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben

Retirada de Pontos pela Enfermagem

A retirada de pontos, também chamada de remoção de sutura, é um procedimento simples, mas que requer técnica, atenção e responsabilidade por parte da equipe de enfermagem. Após a realização de uma sutura, seja por procedimento cirúrgico ou por fechamento de feridas traumáticas, chega o momento de avaliar a cicatrização e decidir pelo momento ideal de retirada desses fios.

Nesta publicação, vamos explicar de forma clara como esse procedimento é realizado, quando ele deve ser feito, os principais cuidados de enfermagem e as orientações ao paciente.

Por que os pontos são usados?

A sutura é uma técnica que visa unir bordas de uma ferida ou incisão cirúrgica, facilitando a cicatrização por aproximação dos tecidos. O uso de fios de sutura (não absorvíveis) ou grampos permite estabilizar a pele e estruturas mais profundas durante o processo inflamatório e regenerativo.

Quando a ferida já passou pelas fases iniciais da cicatrização e a epiderme está reconstituída, os pontos se tornam desnecessários e sua permanência pode aumentar o risco de infecção ou provocar marcas mais evidentes na pele.

Quando os pontos devem ser retirados?

A decisão de quando remover os pontos não é arbitrária. Depende de vários fatores:

  • Local da Ferida: Áreas com mais movimento (como joelhos e cotovelos) ou mais tensão (como as costas) geralmente precisam de mais tempo para cicatrização e, consequentemente, os pontos ficam por mais tempo.
  • Tipo de Ferida: Incisões cirúrgicas limpas cicatrizam mais rápido do que feridas com bordas irregulares ou mais profundas.
  • Idade e Saúde do Paciente: Pessoas mais jovens e saudáveis tendem a cicatrizar mais rapidamente. Pacientes com diabetes, desnutrição, imunidade baixa ou que usam certos medicamentos (como corticoides) podem ter uma cicatrização mais lenta e os pontos podem precisar ficar por mais tempo.
  • Tensão na Ferida: Se a ferida está sob muita tensão, os pontos podem ficar por mais tempo para evitar que ela se abra.
  • Material do Ponto: Alguns pontos são absorvíveis (caem sozinhos ou são absorvidos pelo corpo), outros são não absorvíveis (precisam ser retirados). Estamos falando aqui dos pontos não absorvíveis.

Em geral, os pontos podem ser retirados entre 7 a 15 dias após a sua colocação. Feridas no rosto, por exemplo, podem ter os pontos retirados em 5 a 7 dias para evitar cicatrizes. Já em áreas de maior movimento, como o joelho, pode-se esperar 14 dias ou mais. A equipe médica sempre deixará uma prescrição ou orientação sobre o tempo ideal.

Quem pode retirar os pontos?

De acordo com a legislação brasileira, o enfermeiro pode realizar a remoção de pontos desde que seja respaldado por prescrição médica ou protocolo institucional, além de possuir conhecimento técnico sobre o procedimento.

Técnicos e auxiliares de enfermagem também podem ser responsáveis pela execução do procedimento, sob supervisão do enfermeiro, desde que o protocolo da instituição permita e a conduta esteja prescrita.

Etapas do procedimento: como retirar os pontos corretamente

A retirada de pontos deve ser feita com técnica asséptica, material esterilizado e muita atenção para evitar complicações, como abertura da ferida ou dor ao paciente.

Passo a passo geral:

  1. Higienização das mãos e paramentação com luvas de procedimento.
  2. Avaliação da ferida: verificar se há sinais de infecção, deiscência (abertura da sutura), vermelhidão ou dor.
  3. Reunião do material necessário, como:
    • Pinça anatômica estéril
    • Tesoura de ponta curva ou removedor de sutura
    • Gaze estéril
    • Antisséptico (geralmente clorexidina aquosa ou PVPI)
  4. Antissepsia do local da ferida com gaze embebida em antisséptico.
  5. Retirada do ponto, cortando o fio próximo à pele e puxando cuidadosamente a outra extremidade com a pinça. Isso evita arrastar a parte externa do fio por dentro da ferida.
  6. Contagem e registro do número de pontos removidos.
  7. Curativo, se necessário, com gaze estéril e micropore.
  8. Orientações ao paciente sobre sinais de alerta e cuidados domiciliares.

Cuidados de enfermagem antes, durante e após a retirada dos pontos

O procedimento em si é rápido, mas o cuidado da enfermagem vai muito além da técnica. É preciso uma avaliação contínua do processo de cicatrização e orientação ao paciente.

Antes da remoção:

  • Verificar a prescrição médica e o prazo adequado
  • Explicar o procedimento ao paciente, promovendo segurança
  • Avaliar se o local apresenta sinais de infecção (pus, dor, rubor, calor)

Durante a remoção:

  • Utilizar técnica asséptica rigorosa
  • Manter o conforto do paciente durante o procedimento
  • Ter atenção para não causar trauma à pele ou sangramentos

Após a remoção:

  • Observar se os bordos permanecem unidos
  • Registrar o procedimento no prontuário
  • Orientar o paciente sobre cuidados com o local da sutura, como:
    • Evitar exposição ao sol por algumas semanas
    • Manter a região limpa e seca
    • Observar sinais de abertura da ferida ou infecção

Quando não remover os pontos?

Existem situações em que a retirada dos pontos deve ser adiada, como:

  • Presença de infecção local
  • Bordos da ferida não aproximados
  • Secreção purulenta ou sangramento persistente
  • Dor intensa à palpação
  • Febre sem causa aparente

Nesses casos, a equipe deve reavaliar com o médico e registrar no prontuário os motivos da não realização do procedimento.

A remoção de pontos, apesar de ser considerada um procedimento simples, envolve responsabilidade, conhecimento técnico e atenção aos detalhes. O profissional de enfermagem tem um papel essencial, tanto na avaliação da ferida quanto no cuidado com o paciente antes, durante e após o procedimento.

Para o estudante de enfermagem, aprender a realizar esse procedimento com segurança é mais do que dominar uma técnica — é compreender o processo de cicatrização, respeitar o tempo do corpo e garantir um cuidado humanizado.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_curativos_normas_tecnicas.pdf. Acesso em: 17 jun. 2025.
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre cuidado com feridas e suturas).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre cuidado de feridas e pele).
  4. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução nº 564/2017. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em:
    https://www.portalcofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html
  5. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

Teoria de Ida Jean Orlando: Processo Deliberativo de Enfermagem

No meio de tantos nomes, conceitos e teorias que aprendemos na graduação, algumas se destacam por oferecerem uma perspectiva diferente e muito prática sobre o nosso fazer diário.

Uma dessas figuras é Ida Jean Orlando, uma enfermeira e pesquisadora que nos deixou um legado importantíssimo sobre como a interação entre enfermeiro e paciente pode ser a chave para um cuidado verdadeiramente eficaz.

Sua teoria, conhecida como Teoria do Processo Deliberativo de Enfermagem, pode parecer só mais um nome complicado à primeira vista, mas garanto que, ao entendê-la, você vai perceber o quanto ela faz sentido no “aqui e agora” do cuidado. A proposta de Orlando não é criar um plano de cuidados de longo prazo cheio de etapas complexas, mas sim focar naquilo que acontece imediatamente quando você e seu paciente estão frente a frente. Vamos desvendar juntos como funciona esse processo?

O Ponto Central: A Necessidade Imediata do Paciente

Antes de entrarmos nas etapas, é fundamental entender o coração da teoria de Orlando: tudo gira em torno de identificar e atender a necessidade imediata de ajuda do paciente.

Ela observou que muitas vezes o comportamento do paciente (o que ele diz, o que ele faz, sua expressão facial, seu tom de voz) é um sinal de algum tipo de angústia ou necessidade não atendida. O grande objetivo do enfermeiro, segundo Orlando, é descobrir qual é essa necessidade e agir de forma deliberada (ou seja, pensada, intencional) para aliviá-la.

Desmembrando o Processo Deliberativo: As Etapas na Visão de Orlando

Embora possamos fazer um paralelo com as etapas clássicas do Processo de Enfermagem (SAE), é importante ver como Orlando as interpreta de maneira única, focada na interação dinâmica.

  1. O Início de Tudo: Percepção do Comportamento e Reação da Enfermeira (Nosso “Levantamento de Dados” Imediato)

Tudo começa com a sua percepção. Você, enfermeiro(a), observa o paciente. O que ele está fazendo? O que ele está dizendo? Como ele está agindo? Esse é o comportamento do paciente. Pode ser algo verbal (“Estou com dor”) ou não verbal (um rosto contorcido, agitação na cama, choro silencioso).

Ao perceber esse comportamento, algo acontece dentro de você:

  • Percepção: O que seus sentidos captaram (viu, ouviu).
  • Pensamento: O que você interpreta ou associa àquela percepção (“Ele parece desconfortável”, “Será que é dor ou medo?”).
  • Sentimento: Como aquilo te afeta emocionalmente (preocupação, empatia, talvez até frustração).

Orlando chama essa resposta interna (percepção + pensamento + sentimento) de reação da enfermeira. Atenção: essa reação é automática e sua, não necessariamente a realidade do paciente. E é aqui que mora o perigo das suposições e o diferencial da teoria dela. Esse conjunto (comportamento do paciente + reação inicial da enfermeira) seria o equivalente ao nosso levantamento de dados, mas focado no momento presente.

  1. O Pulo do Gato: A Validação (O “Diagnóstico” da Necessidade Real)

Aqui está a etapa mais crucial e distintiva da teoria de Orlando: a validação. Antes de sair fazendo qualquer coisa baseada apenas na sua reação interna, Orlando diz que você precisa checar com o paciente se a sua percepção ou pensamento está correto.

Como fazer isso? Compartilhando sua percepção ou pensamento de forma exploratória. Por exemplo:

  • Em vez de assumir que o paciente agitado está com dor e já administrar um analgésico, você valida: “Percebi que você está se mexendo bastante na cama. Tem alguma coisa te incomodando agora?”.
  • Ou se você pensou que o choro era de tristeza: “Notei que você está chorando. Quer conversar sobre o que está sentindo?”.

Essa validação serve para confirmar (ou corrigir) sua interpretação e identificar a real necessidade imediata do paciente naquele momento. É como se fosse o “diagnóstico” da situação presente, feito junto com o paciente. É descobrir o que realmente está causando a angústia ou o comportamento observado. Sem essa etapa, corremos o risco de realizar ações que não ajudam em nada ou até pioram a situação, pois são baseadas em nossas suposições.

  1. A Ação Deliberada: Planejando e Implementando a Ajuda Certa

Uma vez que a necessidade foi validada junto ao paciente, aí sim entra a ação da enfermagem. Mas não qualquer ação. Orlando enfatiza que a ação deve ser deliberativa. Isso significa que ela deve ser:

  • Intencional: Pensada especificamente para atender àquela necessidade que foi confirmada.
  • Útil: Que realmente ajude a aliviar a angústia ou resolver o problema imediato.
  • Validada: Idealmente, a própria ação proposta também pode ser verificada com o paciente (“Se eu te ajudar a mudar de posição, você acha que aliviaria esse desconforto?”).

Essa ação deliberada é a junção do planejamento (decidir o que fazer com base na necessidade validada) e da implementação (realizar a ação). Na prática de Orlando, essas duas fases acontecem de forma muito integrada e rápida, logo após a validação. O foco não é em rotinas pré-estabelecidas, mas na resposta personalizada à necessidade imediata identificada.

  1. Fechando o Ciclo (ou Recomeçando): A Avaliação da Resposta

E como saber se a sua ação deliberada funcionou? Observando novamente o paciente. A avaliação, na teoria de Orlando, é verificar se a ação da enfermagem atendeu à necessidade original e aliviou a angústia.

Você vai observar:

  • O comportamento do paciente mudou?
  • Ele expressa alívio verbalmente?
  • Sua expressão facial está mais tranquila?
  • A necessidade que ele apresentou foi resolvida?

Se a resposta for sim, ótimo! O processo imediato foi eficaz. Se a resposta for não, ou se surgir um novo comportamento indicando outra necessidade, o ciclo recomeça: nova percepção, nova reação interna, nova validação, nova ação deliberada… e assim por diante. É um processo dinâmico e contínuo.

Por Que a Teoria de Orlando Ainda é Tão Relevante?

Em um mundo cada vez mais tecnológico e, por vezes, impessoal na saúde, a Teoria do Processo Deliberativo de Ida Orlando nos resgata para a essência da enfermagem: a relação terapêutica e a comunicação eficaz. Ela nos lembra constantemente:

  • Não assuma, pergunte.
  • Ouça ativamente o seu paciente.
  • Valide suas percepções antes de agir.
  • Foque na necessidade real e imediata.
  • Suas ações devem ser pensadas e intencionais para aquela pessoa, naquele momento.

Entender e tentar aplicar o processo deliberativo no dia a dia pode transformar a qualidade do seu cuidado, tornando-o mais centrado no paciente, mais eficaz e, sinceramente, mais gratificante para ambos, paciente e enfermeiro. É um convite a estar verdadeiramente presente na interação.

Referências:

  1. GEORGE, J. B. et al. Teorias de enfermagem: os fundamentos para a prática profissional. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
  2. ORLANDO, I. J. The dynamic nurse-patient relationship: function, process and principles. New York: G.P. Putnam’s Sons, 1961. [Reeditado pela National League for Nursing Press – NLN Press, 1990. ISBN 978-0887374897].
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 

O que é um Abreviador de Jejum?

Abreviadores de jejum são suplementos nutricionais especialmente formulados para serem consumidos durante o período de jejum pré-operatório. Eles visam minimizar os efeitos adversos do jejum prolongado, como a sensação de fome e sede, e auxiliar na recuperação pós-operatória.

Como funcionam?

A maioria dos abreviadores de jejum é composta por líquidos claros contendo carboidratos, que são rapidamente absorvidos pelo organismo, fornecendo energia e evitando a perda de massa muscular. Essa suplementação nutricional ajuda a manter os níveis de glicose no sangue estáveis, reduzindo o estresse metabólico do paciente.

Benefícios da abreviação do jejum:

  • Menor desconforto: Reduz a sensação de fome e sede, proporcionando maior conforto ao paciente.
  • Melhor recuperação: Auxilia na recuperação pós-operatória, diminuindo o tempo de internação e as complicações.
  • Menor risco de desnutrição: Evita a perda de massa muscular e preserva o estado nutricional do paciente.
  • Menor estresse metabólico: Mantém os níveis de glicose sanguínea estáveis, reduzindo o estresse do organismo.

Quando é indicado?

A abreviação do jejum é indicada para pacientes adultos que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos, exames de imagem com acompanhamento de anestesista e exames de endoscopia e colonoscopia.

Quais os tipos de abreviadores de jejum?

Existem diversos tipos de abreviadores de jejum disponíveis no mercado, com diferentes formulações e sabores. A escolha do produto ideal deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde.

Quais as precauções?

  • Orientação médica: É fundamental consultar um médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer tipo de suplementação.
  • Respeitar as indicações: Seguir rigorosamente as orientações do profissional de saúde quanto à quantidade e frequência de uso do produto.
  • Verificar a composição: Ler atentamente a composição do produto e verificar se há alguma substância à qual o paciente seja alérgico.

A abreviação do jejum é uma prática cada vez mais comum nos centros cirúrgicos, pois proporciona diversos benefícios para os pacientes. Ao reduzir o desconforto e melhorar a recuperação, essa prática contribui para uma experiência mais positiva e segura para o paciente.

Referências:

  1. AcCamargo
  2. Fresenius-Kabi

Tipos de Cateteres Venosos Centrais

A terapia intravenosa é uma das práticas mais comuns na assistência hospitalar, principalmente em pacientes críticos ou que necessitam de medicações em longo prazo. Nesse contexto, os cateteres venosos centrais (CVCs) são recursos fundamentais para garantir acesso venoso confiável, seguro e eficaz.

Existem diferentes tipos de CVCs, e cada um tem indicações específicas, vantagens e cuidados próprios. Saber diferenciá-los é essencial para qualquer profissional e estudante de enfermagem que deseja atuar com excelência na área hospitalar, especialmente em unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico ou oncologia.

Nesta publicação, vamos falar de maneira clara e completa sobre os principais tipos de cateteres venosos centrais, divididos por grupos: curta permanência, longa permanência e PICC.

O que é um Cateter Venoso Central?

O CVC é um dispositivo introduzido em veias de grande calibre, como a subclávia, jugular interna ou femoral, com a extremidade do cateter posicionada na veia cava superior ou inferior. Isso permite a infusão segura de soluções irritantes, nutrição parenteral, quimioterápicos, além da monitorização hemodinâmica central.

Cateteres de Curta Permanência

Esses são os mais comuns em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes críticos, cirúrgicos ou que necessitam de terapia intensiva por poucos dias.

CVC não tunelado

É um cateter de inserção direta, geralmente implantado pela veia jugular interna, subclávia ou femoral. Seu uso é indicado para terapia intensiva de curta duração (em média, até 7 a 14 dias).

Características:

  • Pode ter um, dois ou três lúmens.
  • Instalação feita por técnica asséptica, com auxílio do ultrassom em muitos serviços.
  • Mais sujeito a infecções se comparado aos de longa permanência.

Cuidados de enfermagem:

  • Trocar curativo a cada 48h (gaze) ou 7 dias (curativo transparente), ou quando estiver sujo/úmido.
  • Higienizar a conexão antes de manusear.
  • Observar sinais de infecção (eritema, dor, secreção).
  • Lavagem dos lúmens com SF 0,9% entre medicações incompatíveis ou antes de desuso.

Cateteres de Longa Permanência

Indicados para terapias prolongadas, como quimioterapia, antibioticoterapia de longa duração, nutrição parenteral crônica ou pacientes em cuidados paliativos.

Cateter Tunelado (tipo Hickman ou Broviac)

São inseridos cirurgicamente, e parte do cateter passa por um túnel subcutâneo antes de atingir a veia central. Esse túnel forma uma barreira natural contra infecções.

Indicações:

  • Terapia de meses a anos.
  • Pacientes com necessidade contínua de infusões.

Características:

  • Menor risco de infecção.
  • Possui cuff (manguito) que estimula aderência ao tecido subcutâneo.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo inicial reforçado e trocado semanalmente.
  • Técnica asséptica rigorosa.
  • Monitoramento frequente de sinais flogísticos e permeabilidade.

Cateter totalmente implantado (Port-a-Cath)

Conhecido como “port”, é implantado sob a pele, com um reservatório conectado a um cateter venoso central. A punção é feita com agulha específica (agulha de Huber).

Indicações:

  • Pacientes oncológicos.
  • Terapias intermitentes de longa duração.

Vantagens:

  • Fica totalmente sob a pele (menor risco de infecção).
  • Estética mais favorável.

Cuidados de enfermagem:

  • Punção com agulha Huber sob técnica estéril.
  • Troca da agulha a cada 7 dias (em uso contínuo).
  • Lavagem com heparina se ficar em desuso por longos períodos.

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

O PICC é um cateter central, mas inserido por veia periférica (geralmente basílica ou cefálica), com a extremidade posicionada na veia cava superior. É uma excelente alternativa para pacientes com acesso venoso periférico difícil ou que precisarão de acesso por semanas.

Indicações:

  • Uso de 7 dias até 1 ano.
  • Antibióticos, nutrição parenteral, quimioterapia.

Características:

  • Pode ser inserido por enfermeiros treinados.
  • Mais confortável para o paciente.
  • Menor risco de complicações pulmonares ou cardíacas.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo com filme transparente trocado semanalmente.
  • Fixação com dispositivo próprio (não usar esparadrapo comum).
  • Lavagem com SF 0,9% e, em alguns protocolos, heparina.
  • Observar sinais de trombose (edema no braço, dor, dificuldade de infusão).

Comparativo Geral dos Tipos de CVC

Tipo de CVC Duração esperada Via de inserção Risco de infecção Manutenção
Não Tunelado Curta (até 14 dias) Jugular, subclávia Moderado Alta
Tunelado (Hickman) Longa (meses-anos) Cirúrgica subcutânea Baixo Moderada
Port-a-Cath Longa (anos) Cirúrgica subcutânea Muito baixo Baixa
PICC Intermediária Periférica (braço) Baixo Moderada

Prevenção de complicações

Independente do tipo de CVC, a atuação da enfermagem é fundamental na prevenção das complicações, principalmente a Infecção da Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (IPCS). Cada CVC inserido representa um risco, e é nosso dever minimizá-lo com:

  • Higiene das Mãos Rigorosa: Sempre, sempre, sempre!
  • Técnica Asséptica: Para inserção e manutenção do curativo, flushing e administração de medicações.
  • Avaliação Contínua: Observar diariamente o sítio de inserção e os sinais vitais do paciente.
  • Flushing Adequado: Manter a permeabilidade é manter a segurança.
  • Remoção Precoce: Se o CVC não for mais necessário, ele deve ser retirado para diminuir o risco.

Entender os diferentes tipos de cateteres venosos centrais é um conhecimento essencial para a prática segura da enfermagem. Cada tipo tem indicações específicas, características únicas e exige cuidados distintos. A atuação da enfermagem é crucial tanto na prevenção de complicações quanto na manutenção da funcionalidade desses dispositivos.

Saber reconhecer sinais de infecção, garantir curativos bem feitos, aplicar técnicas assépticas rigorosas e orientar o paciente são responsabilidades que impactam diretamente na segurança e recuperação da pessoa assistida.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/publicacoes/documentos-de-orientacao/medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude
  2. PERRY, A. G.; POTTER, P. A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. SILVA, R. A. et al. Cuidados de Enfermagem com Cateter Venoso Central. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 234–240, 2019.Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/JQwQnvPRvcq6s4gVpPbsT6F/
  4. GARCEZ, A. P. N.; MACHADO, R. C. M.; AZEVEDO, L. M. M. Cateter Venoso Central: revisão sobre indicação, inserção, manutenção e complicações. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 23, n. 4, p. 556-560, out./dez. 2013. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/544/cateter-venoso-central-revisao-sobre-indicacao–insercao–manutencao-e-complicacoes. Acesso em: 18 jun. 2025.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE INFECTOLOGIA (SOBEI). Recomendações para a Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateteres Vasculares. São Paulo: SOBEI, 2017. (Buscar em publicações da SOBEI ou outras sociedades de controle de infecção).

Conhecendo o Carrinho de Anestesia

O carrinho de anestesia é um equipamento essencial no centro cirúrgico, funcionando como uma verdadeira estação de suporte para o anestesista e a equipe durante os procedimentos operatórios. Para o estudante e profissional de enfermagem, entender sua composição e organização é fundamental para garantir segurança, agilidade e apoio eficiente à anestesia.

Embora muitas vezes passe despercebido, esse carrinho carrega insumos e medicamentos que podem ser determinantes em situações críticas. Neste post, vamos explorar em detalhes como ele é composto externamente, o que contém em suas gavetas e quais os cuidados que a equipe de enfermagem deve ter.

O que é o carrinho de anestesia?

O carrinho de anestesia é um móvel com rodízios, geralmente posicionado ao lado do aparelho de anestesia, que contém compartimentos, gavetas e superfícies para organização dos materiais utilizados pelo anestesista. Ele facilita o acesso rápido a medicamentos, dispositivos e materiais de emergência, promovendo mais fluidez no atendimento ao paciente anestesiado.

Estrutura externa do carrinho

À primeira vista, o carrinho de anestesia parece um móvel robusto com rodas. E ele é! Projetado para ser móvel e resistente, ele precisa suportar o peso dos equipamentos e ser facilmente transportado. Mas sua parte externa já revela muito de sua funcionalidade:

  • Aparelho de Anestesia/Máquina de Anestesia: Este é o coração do sistema. É nele que os gases medicinais (oxigênio, óxido nitroso, ar comprimido) são conectados, onde os anestésicos inalatórios são vaporizados e onde o ventilador mecânico acoplado permite que o paciente respire. Ele possui monitores integrados para os parâmetros ventilatórios.
  • Monitores Multiparamétricos: Geralmente acoplados ou ao lado do carrinho, esses monitores exibem em tempo real os sinais vitais do paciente: eletrocardiograma (ECG), pressão arterial (invasiva e não invasiva), oximetria de pulso (SpO2), capnografia (CO2 exalado), temperatura e, por vezes, monitor de profundidade anestésica (BIS).
  • Bandeja Superior: É a área de trabalho imediata. Nela, o anestesista e nós da enfermagem preparamos e organizamos os medicamentos que serão utilizados na indução e manutenção da anestesia. Costuma ter espaço para seringas, agulhas, equipos e ampolas.
  • Suporte para Soro/Bombas de Infusão: Geralmente um mastro acoplado ao carrinho, onde são pendurados os soros e fixadas as bombas de infusão, que controlam a velocidade e o volume dos medicamentos administrados.
  • Rodas com Trava: Essenciais para garantir que o carrinho fique estável durante os procedimentos, evitando movimentos indesejados.
  • Lixeira: Pequenas lixeiras para descarte rápido de materiais, otimizando o fluxo de trabalho.
  • Caixa de Descarte de Perfurocortantes (Descartex): Fundamental para a segurança, permitindo o descarte imediato de agulhas e ampolas.

O que há nas gavetas do carrinho de anestesia?

As gavetas do carrinho de anestesia são verdadeiros cofres de medicamentos e materiais. E a ordem aqui não é apenas estética; é uma questão de segurança e agilidade. Em uma emergência, não há tempo para procurar. Por isso, a organização e a padronização do conteúdo são cruciais, e essa é uma das grandes responsabilidades da enfermagem no centro cirúrgico.

Embora o conteúdo possa variar ligeiramente entre hospitais, a lógica de organização é geralmente a mesma: os medicamentos de emergência ficam sempre à mão, na primeira gaveta.

Gaveta 1: A Emergência na Ponta dos Dedos 

Esta é a gaveta mais importante e deve estar sempre acessível e com os itens devidamente checados antes de cada cirurgia. Ela contém os medicamentos para intercorrências graves e ressuscitação.

Vasoativos/Drogas de Emergência Cardíaca:

    • Adrenalina (Epinefrina): Para parada cardíaca, choque anafilático.
    • Noradrenalina (Norepinefrina): Para choque séptico, hipotensão refratária.
    • Atropina: Para bradicardia (coração muito lento).
    • Efedrina/Fenilefrina: Para hipotensão.
    • Amiodarona/Lidocaína: Para arritmias cardíacas.

Anti-histamínicos/Corticosteroides:

    • Dexametasona/Hidrocortisona: Para reações alérgicas graves, choque anafilático.
    • Prometazina/Dexclorfeniramina: Anti-histamínicos.

Diuréticos:

    • Furosemida: Para edema agudo de pulmão, sobrecarga hídrica.
  • Glicose 50%: Para hipoglicemia (açúcar baixo no sangue).
  • Bicarbonato de Sódio: Para acidose metabólica grave.
  • Sulfato de Magnésio: Para arritmias, crises convulsivas, eclâmpsia.
  • Soluções para Volume: Pequenos frascos de soro fisiológico ou glicosado para diluições rápidas.
  • Seringas e Agulhas: Vários tamanhos para preparo imediato.

Gaveta 2: Indução e Manutenção da Anestesia 

Aqui encontramos os medicamentos que induzem e mantêm o paciente dormindo e sem dor.

Anestésicos Intravenosos:

    • Propofol: Para indução rápida e manutenção da anestesia.
    • Etomidato: Opção para indução em pacientes instáveis.
    • Midazolam/Diazepan: Benzodiazepínicos para sedação, ansiólise.

Relaxantes Musculares (Bloqueadores Neuromusculares):

    • Rocurônio, Atracúrio, Cisatracúrio, Succinilcolina: Para paralisar os músculos e facilitar a intubação e o campo cirúrgico.

Reversores de Bloqueio Neuromuscular:

    • Sugamadex, Neostigmina + Atropina/Glicopirrolato: Para reverter o efeito dos relaxantes musculares ao final da cirurgia.

Analgésicos Opioides:

    • Fentanil, Remifentanil, Sufentanil, Morfina: Para controle da dor intensa durante e após a cirurgia.

Anticolinérgicos:

    • Atropina: Usada aqui para pré-medicação ou junto com Neostigmina.

Gaveta 3: Analgesia e Outros Suportes (O Conforto Pós-Cirurgia)

Esta gaveta guarda medicamentos para controle da dor leve a moderada, náuseas e outros suportes.

AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides):

    • Diclofenaco, Cetoprofeno, Tenoxicam, Dipirona: Para controle da dor e inflamação.

Anti-eméticos:

    • Ondansetrona, Dexametasona (também usada para anti-inflamação), Bromoprida: Para prevenir e tratar náuseas e vômitos pós-operatórios.

Outros Analgésicos:

    • Paracetamol (Acetaminofeno) EV: Analgésico e antipirético.

Anti-hipertensivos/Vasodilatadores:

    • Nipride (Nitroprussiato de Sódio), Nitroglicerina: Para controle de picos hipertensivos.

Antipiréticos: Além da dipirona e paracetamol, outros para controle de febre.

Gavetas Inferiores: Materiais e Equipamentos Complementares

As gavetas de baixo geralmente armazenam materiais de uso menos imediato, mas igualmente importantes.

Material para Via Aérea:

    • Laringoscópios com lâminas de diferentes tamanhos, tubos orotraqueais de diversos tamanhos, cânulas de Guedel, máscaras laríngeas, guias para intubação.

Material para Punção Venosa:

    • Cateteres intravenosos (jelcos) de vários calibres, garrotes, algodão, álcool 70%, esparadrapo.
  • Seringas e Agulhas: Em maior quantidade e variedade de tamanhos.
  • Scalps e Extensores: Para conexões.
  • Luvas: De procedimento e estéreis.
  • Fitas Adesivas/Micropore: Para fixação de tubos e cateteres.
  • Outros: Soluções para limpeza, gaze, algodão, protetores oculares.

Cuidados de enfermagem com o carrinho de anestesia

A equipe de enfermagem tem papel crucial no cuidado, organização e reposição dos materiais do carrinho de anestesia. Alguns cuidados importantes incluem:

  • Verificar diariamente se todos os medicamentos e materiais estão disponíveis e dentro do prazo de validade
  • Conferir o funcionamento de dispositivos como laringoscópios e oxímetros
  • Repor itens imediatamente após o uso, evitando desabastecimento
  • Garantir que os rótulos estejam legíveis
  • Realizar higienização do carrinho e de suas superfícies ao final de cada turno ou cirurgia
  • Documentar o uso de medicações, especialmente as de controle rígido como opióides

Manter o carrinho bem organizado e abastecido pode literalmente salvar vidas em situações emergenciais.

Conhecer o carrinho de anestesia e seu conteúdo é um aprendizado essencial para quem atua ou pretende atuar em centro cirúrgico. Para a enfermagem, é mais do que saber onde estão os itens — é garantir um ambiente seguro, eficiente e preparado para qualquer situação.

Cada detalhe conta: desde a organização das gavetas até a atenção aos prazos de validade. O carrinho de anestesia é uma extensão da prática segura e do cuidado centrado no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das mãos. Brasília: ANVISA, 2013.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/seguranca-do-paciente/publicacoes/higienizacao-das-maos
  2. MORAES, R. B. et al. Carrinho de emergência e medicamentos: organização e rotinas. Revista de Enfermagem Atual In Derme, v. 94, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/1045
  3. KAPLAN, J. A. Kaplan’s Cardiac Anesthesia: The Echo Era. 7. ed. Philadelphia: Elsevier, 2017.
  4. BARASH, P. G.; CULLEN, B. F.; STOELTING, R. K.; CAUDA, E. V.; LANDELL, B. F. Anestesia Clínica de Stoelting e Miller. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. (Consultar capítulos sobre equipamento de anestesia e farmacologia anestésica).
  5. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre carrinho de emergência e organização do centro cirúrgico).

Os Critérios de Admissão e Alta em uma UTI

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente de alta complexidade, onde cada minuto conta e a vida do paciente está em jogo. Não é um lugar para qualquer um, e sua capacidade é limitada. Por isso, a decisão de quem entra e quem sai de uma UTI é estratégica e baseada em critérios bem definidos, que levam em conta a condição clínica do paciente, a necessidade de recursos e o prognóstico.

Para nós, profissionais e estudantes de enfermagem, entender esses critérios é fundamental para compreendermos o fluxo de trabalho e o raciocínio clínico que permeiam o ambiente intensivo.

Vamos desvendar essa porta de entrada e saída?

A UTI: Um Refúgio para Pacientes Críticos

A UTI é um setor hospitalar projetado para atender pacientes em estado grave ou com risco iminente de agravamento, que necessitam de monitorização intensiva e suporte de vida avançado. É um ambiente com equipamentos de ponta, equipe multiprofissional altamente especializada e uma proporção reduzida de pacientes por profissional, o que permite um cuidado mais individualizado e constante.

Critérios de Admissão na UTI: Quem Precisa Entrar?

A decisão de internar um paciente na UTI é complexa e exige uma avaliação criteriosa por parte da equipe médica, muitas vezes em conjunto com a equipe de enfermagem. O principal objetivo é salvar vidas, mas também é preciso otimizar os recursos disponíveis. Basicamente, os pacientes que são admitidos na UTI são aqueles que:

  1. Possuem Instabilidade Fisiológica Aguda e Grave: Ou seja, suas funções vitais (coração, pulmões, rins, cérebro) estão comprometidas e precisam de suporte imediato para sobreviver.
    • Exemplos:
      • Insuficiência Respiratória Aguda: O paciente não consegue respirar adequadamente por conta própria e precisa de ventilação mecânica (respirador). Pode ser por pneumonia grave, crise asmática refratária, edema agudo de pulmão.
      • Choque: O sistema circulatório está falhando em fornecer sangue e oxigênio suficientes para os órgãos. Pode ser choque séptico (por infecção grave), choque cardiogênico (coração não bombeia), choque hipovolêmico (perda de muito sangue ou líquidos).
      • Emergências Cardiológicas: Infarto agudo do miocárdio com complicações, arritmias graves com instabilidade, insuficiência cardíaca descompensada.
      • Emergências Neurológicas: AVC grave com risco de edema cerebral, trauma cranioencefálico com aumento da pressão intracraniana, coma de causas diversas.
      • Insuficiência Renal Aguda Grave: Requerendo diálise de urgência.
      • Instabilidade Hemodinâmica: Pressão arterial muito baixa, frequência cardíaca muito alta ou muito baixa, que não respondem a tratamentos menos intensivos.
  2. Necessitam de Monitorização Intensiva Contínua: Mesmo que ainda não estejam em falência de órgãos, têm alto risco de desenvolver complicações graves.
    • Exemplos:
      • Pós-operatório de cirurgias de grande porte (cardíacas, neurológicas, transplantes) com risco de instabilidade.
      • Pacientes com sepse (infecção generalizada) em fase inicial, que necessitam de monitorização rigorosa para prevenir choque séptico.
      • Queimaduras extensas.
      • Intoxicações graves.
  3. Têm Potencial de Recuperação: A UTI não é para pacientes que não têm chance de melhora. Os recursos são destinados àqueles que, com o tratamento intensivo, têm boa perspectiva de recuperação ou estabilização. Pacientes em fase terminal, sem possibilidade de benefício do tratamento intensivo, geralmente não são admitidos, a menos que haja um objetivo muito claro de estabilização paliativa em concordância com a família.
  4. Recursos Necessários: A UTI possui equipamentos e equipe especializados que não estão disponíveis em outras unidades do hospital, como monitores multiparamétricos, ventiladores mecânicos, bombas de infusão, equipamentos para hemodiálise, e a presença constante de médicos intensivistas e enfermeiros especializados.

Critérios de Alta da UTI: Quando o Paciente Pode Sair?

A alta da UTI é um momento de transição importante e também é baseada em critérios rigorosos. Não basta o paciente estar “melhor”; ele precisa estar estável o suficiente para continuar o tratamento em uma unidade de menor complexidade, como a enfermaria ou a unidade de internação. Os principais critérios para a alta da UTI incluem:

  1. Estabilidade Clínica:
    • Estabilidade Hemodinâmica: Pressão arterial e frequência cardíaca estáveis, sem necessidade de medicamentos vasopressores (para manter a pressão).
    • Estabilidade Respiratória: Capaz de manter a respiração por conta própria, sem ventilação mecânica (desmame do respirador realizado com sucesso) ou apenas com oxigenoterapia simples.
    • Estabilidade Neurológica: Nível de consciência adequado para o prognóstico, sem sinais de piora neurológica.
    • Função Renal e Hidroeletrolítica Estável: Rins funcionando adequadamente, sem necessidade de diálise de urgência, e eletrólitos equilibrados.
  2. Não Necessidade de Monitorização Invasiva Contínua: O paciente não precisa mais de cateteres arteriais para monitorização invasiva da pressão, ou de cateteres venosos centrais para administração de medicações complexas que exigem monitoramento intensivo.
  3. Ausência de Risco Iminente de Agravamento: O risco de o paciente piorar subitamente e precisar de retorno à UTI é baixo.
  4. Capacidade da Unidade de Destino de Oferecer o Cuidado Necessário: A enfermaria precisa ter as condições e a equipe para continuar o tratamento do paciente (administração de medicações, curativos, fisioterapia, etc.).
  5. Critérios Específicos para Patologias: Por exemplo, em pacientes com IAM, a alta da UTI pode ocorrer após 24-48 horas se não houver complicações. Em pacientes com choque séptico, após estabilização e controle do foco de infecção.

A Visão da Enfermagem: Nossa Essência no Processo

Nós, profissionais de enfermagem, estamos no centro desses processos de admissão e alta.

Na Admissão:

  • Recepção do Paciente: Receber o paciente e a família, acolhê-los, explicar o ambiente da UTI e os procedimentos iniciais.
  • Avaliação Inicial de Enfermagem: Realizar uma avaliação rápida e completa, coletando dados essenciais, verificando o estado neurológico, respiratório e circulatório.
  • Organização do Leito: Preparar o leito com os equipamentos necessários (monitor, bomba de infusão, ventilador, etc.).
  • Instalação de Dispositivos: Passar acesso venoso, instalar sondas, iniciar a monitorização.
  • Documentação: Registrar detalhadamente todas as informações da admissão.

Na Alta:

  • Preparo do Paciente e Família: Preparar o paciente para a transição, explicando para onde ele vai, quem o atenderá e quais serão os próximos passos do tratamento. Orientar a família sobre a nova rotina.
  • Organização da Transição: Checar a disponibilidade de leito na unidade de destino, garantir a transferência segura, incluindo o transporte e a entrega de toda a documentação e informações relevantes para a equipe que vai receber.
  • Desconexão de Equipamentos: Remover os equipamentos e dispositivos que não serão mais necessários na enfermaria.
  • Documentação Detalhada: Registrar o processo de alta, incluindo o motivo, a condição do paciente e as orientações dadas.

A UTI: Um Cuidado Dinâmico e Desafiador

Os critérios de admissão e alta refletem a dinamicidade da UTI. É um ambiente onde o paciente está em constante avaliação, e a equipe atua de forma integrada para otimizar cada etapa do tratamento. Para nós, profissionais de enfermagem, essa compreensão nos permite atuar com mais segurança, ética e eficácia, contribuindo para o sucesso do tratamento e a recuperação da saúde dos nossos pacientes mais críticos. A UTI é um lugar onde a ciência encontra a humanidade em sua forma mais intensa.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 7, de 24 de fevereiro de 2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Brasília, DF: ANVISA, 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/rdc0007_24_02_2010.pdf.
  2. OLIVEIRA, L. B. et al. Critérios de Admissão e Alta em Unidade de Terapia Intensiva: Uma Revisão Integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 68, n. 4, p. 748-755, jul./ago. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/qXwS3P9G6J8sQ6yH4hX7gK7/?lang=pt.

Antieméticos: Grupos, Medicamentos e Cuidados de Enfermagem

Sentir náuseas e vomitar é algo desconfortável para qualquer pessoa, sobretudo para pacientes em tratamentos como quimioterapia, pós-operatório ou gravidez. É aí que entram os antieméticos — medicamentos com ação específica para prevenir e tratar esses sintomas. No entanto, cada grupo atua de forma distinta e exige atenção da equipe de enfermagem na escolha, administração e monitoramento.

Nesta publicação, explico de forma natural e prática os principais grupos de antieméticos, os medicamentos dentro deles e os cuidados necessários para usá-los de forma segura e eficaz.

Por Que Sentimos Náuseas e Vômitos? O Sistema de Alerta do Corpo

Antes de falar dos medicamentos, é importante saber que náuseas e vômitos não são doenças em si, mas sim sintomas. Eles são um mecanismo de defesa do nosso corpo, uma forma de expulsar substâncias que ele considera prejudiciais ou de sinalizar que algo não está bem.

O centro de vômito, localizado no cérebro, é ativado por diversas vias:

  • Estímulos do trato gastrointestinal: Irritação no estômago ou intestino.
  • Zona quimiorreceptora de gatilho (ZQG): Uma área no cérebro sensível a substâncias tóxicas no sangue (como quimioterápicos).
  • Sistema vestibular: Envolvido no equilíbrio, responsável pelo enjoo de movimento.
  • Córtex cerebral: Estímulos como dor, estresse, ansiedade, ou até mesmo cheiros e visões desagradáveis.

Os antieméticos atuam bloqueando esses diferentes sinais, impedindo que cheguem ao centro de vômito e causem o mal-estar.

Anticolinérgicos (Antimuscarínicos)

Os anticolinérgicos, também chamados antimuscarínicos, agem bloqueando os receptores de acetilcolina no sistema nervoso central e periférico, sendo eficazes em náuseas associadas a distúrbios vestibulares, como tontura e enjoos de movimento.

O exemplo mais conhecido é a escopolamina, usada em adesivo transdérmico para prevenir náuseas por movimento. Entre os efeitos adversos, são comuns boca seca, visão turva, retenção urinária e constipação.

Cuidados de enfermagem: observar sinais de retenção urinária, orientação para não expor a adolescentes/desconforto ocular e registrar a aplicação correta do adesivo.

Anti-histamínicos

Esses medicamentos bloqueiam receptores H1, reduzindo náuseas causadas por estimulação vestibular (como enjoo de movimento ou labirintite). Entre eles estão a prometazina, a dimenidrinato e a hidroxizina .

São eficazes, mas causam sedação, tontura e efeitos anticolinérgicos.

Cuidados de enfermagem: monitorar nível de consciência, orientar sobre evitar atividades que exijam atenção (como dirigir) e planejar administração à noite.

Antagonistas dos receptores de dopamina (principalmente D₂)

Atuam na zona gatilho quimiorreceptora, sendo úteis em vômitos por opióides, anestesia ou quimioterapia. Os principais são a metoclopramida, domperidona, clorpromazina e droperidol. Esses fármacos podem causar sintomas extrapiramidais e prolongar o intervalo QT.

Cuidados de enfermagem: monitorar sinais extrapiramidais (tremores, rigidez), avaliar ECG se houver risco, observar episódios de sonolência e avisar médicas sobre efeitos adversos.

Antagonistas dos receptores de serotonina (5‑HT₃)

São os fármacos mais usados atualmente para vômitos pós-quimioterapia ou pós-operatório. Entre eles destacam-se a ondansetrona, granisetrona, dolasetrona, tropisetrona e palonosetrona.

Esses medicamentos bloqueiam receptores 5‑HT₃ no sistema nervoso central e nas terminações vagais intestinais, reduzindo efetivamente a náusea. Têm efeitos adversos como cefaleia, constipação e prolongamento do QT.

Cuidados de enfermagem: verificar histórico cardíaco, monitorar frequência cardíaca, registrar resposta ao medicamento e ajustar doses conforme prescrição.

Antagonistas dos receptores de neurocinina‑1 (NK₁)

Principais representantes: aprepitanto, fosaprepitanto, casopitanto, rolapitant. Esses bloqueiam os receptores da substância P, sendo eficazes em vômitos tardios relacionados à quimioterapia.

Cuidados de enfermagem: acompanhar possíveis efeitos gastrointestinais (fadiga, diarreia), interações medicamentosas via CYP3A4 (com corticosteroides, por exemplo), e registrar o perfil hepático.

Canabidiol e canabinóides (como nabilona)

Os canabinoides atuam em receptores CB1 e modulam também os receptores 5‑HT₃, reduzindo náuseas. A nabilona, um canabinoide sintético, é aprovada pela FDA para náuseas induzidas por quimioterapia. Já o canabidiol (CBD) tem efeito antiemético e pode ser prescrito no Brasil sob controle especial .

Cuidados de enfermagem: monitorar efeitos como tontura, aumento de apetite, hipotensão ortostática, interações com outros medicamentos e orientar sobre possíveis efeitos psicoativos (mais prevalente com THC).

Outras classes mencionadas em prática

Embora não tenham sido foco principal, vale mencionar: benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam) usados para náuseas emocionais, e glucocorticoides (dexametasona), frequentemente combinados com antagonistas 5‑HT₃ e NK₁ para tratar vômitos induzidos por quimioterapia.

Cuidados de Enfermagem

Nós, profissionais de enfermagem, temos um papel crucial no manejo das náuseas e vômitos:

  • Avaliação Abrangente: Não basta saber que o paciente está com náuseas. Precisamos investigar a causa, a intensidade, o que piora e o que melhora.
  • Administração Segura: Conhecer o medicamento, a dose correta, a via, o tempo de infusão e os principais efeitos colaterais.
  • Monitoramento da Eficácia: Observar se o medicamento fez efeito e se o paciente está mais confortável.
  • Manejo de Efeitos Colaterais: Estar atento aos efeitos adversos e saber como agir.
  • Conforto e Medidas Não Farmacológicas: Além do medicamento, oferecer conforto: ambiente calmo, ventilação, compressas frias, alimentos leves (se permitido), e apoio emocional.
  • Educação ao Paciente: Explicar sobre os medicamentos, seus efeitos esperados e os efeitos colaterais que deve relatar.

Os antieméticos não são soluções universais; cada grupo atua em receptores específicos e demanda cuidado dedicado na escolha e uso. Para o estudante de enfermagem, valorizar a farmacologia, aplicar técnicas seguras e observar sinais de complicações torna o cuidado mais eficiente e centrado no paciente.

Referências:

  1. GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 13. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill Brasil, 2018. (Consultar capítulos sobre fármacos que atuam no sistema nervoso autônomo, agentes procinéticos e antieméticos).
  2. KATZUNG, B. G.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. (Consultar capítulo sobre fármacos que atuam no sistema nervoso central e antieméticos).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA (SBOC). Guia de Recomendações SBOC: Manejo de Náuseas e Vômitos Induzidos por Quimioterapia (NVIQ). Disponível em publicações da SBOC (geralmente atualizadas periodicamente).
  4. LECTURIO. Antieméticos: classes e ação em diferentes receptores. 2022. Disponível em: https://www.lecturio.com/es/concepts/antiemeticos/
  5. NCBI. Cannabinoid Antiemetic Therapy. StatPearls, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535430/
  6. MEDICINE.CANCER.GOV. Cannabis y canabinoides – náuseas e vômitos. 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov/espanol/cancer/tratamiento/mca/pro/cannabis‑pdq/
  7. WIKIPEDIA. Nabilona. 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nabilona

Dreno de Penrose: Para que serve?

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes cirúrgicos ou de internação, nos deparamos com uma infinidade de dispositivos que, embora pareçam simples, são cruciais para a recuperação do paciente. Um desses dispositivos, que já salvou muitos pós-operatórios de complicações, é o dreno de Penrose.

Ele é, talvez, o mais “básico” dos drenos, mas sua eficácia e a simplicidade de seu mecanismo o tornam um velho conhecido e um grande aliado.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, compreender o que é, para que serve e como cuidar de um Penrose é fundamental. Vamos desvendar esse “caninho de borracha”?

O Que é o Dreno de Penrose? Um “Caminho” para o Excesso

Imagine que, após uma cirurgia ou um trauma, há um espaço no corpo onde se pode acumular sangue, soro, pus ou outros fluidos. Se esses fluidos ficam ali parados, eles podem formar coleções, servir de cultura para bactérias e causar infecções, inchaço excessivo ou até mesmo dificultar a cicatrização. É aí que entra o dreno!

O dreno de Penrose é um tipo de dreno passivo e por capilaridade. Isso significa que ele não utiliza sucção ativa (como outros drenos, que puxam o líquido). Ele é simplesmente um tubo de borracha macia e flexível (geralmente de látex) que é colocado na ferida cirúrgica ou no local da coleção.

O fluido escorre por fora e por dentro desse tubo, seguindo a gravidade e o princípio da capilaridade (como a água sobe em um canudo fino), para fora do corpo.

  • Formato: Ele parece uma fita ou um tubo achatado de borracha. Geralmente é fixado à pele com um ponto de sutura para não sair do lugar.
  • Mecanismo: Funciona como um “atalho” ou “canal” para que o líquido acumulado saia da cavidade e seja absorvido por um curativo externo ou coletado em uma bolsa.

Para Que Serve o Dreno de Penrose? Os Cenários de Uso

O Penrose é usado em cirurgias ou em situações onde se espera um acúmulo moderado de líquidos e onde não há necessidade de monitorar o volume exato do que está sendo drenado.

  • Drenagem de Coleções de Líquido: É sua principal função. Ajuda a prevenir o acúmulo de:
    • Seroma: Acúmulo de líquido seroso (claro, amarelado), comum após cirurgias onde há um “espaço morto” ou manipulação de tecidos (ex: mastectomias, cirurgias de hérnia).
    • Hematoma: Acúmulo de sangue.
    • Abscessos: Coleções de pus, onde o dreno é inserido após a drenagem do pus para manter o “caminho” de saída.
  • Prevenção de Infecções: Ao remover o líquido acumulado, o Penrose ajuda a reduzir o risco de infecção no local da cirurgia ou lesão, já que o líquido parado pode ser um meio de cultura para bactérias.
  • Cuidado com Feridas Contaminadas: Em feridas que já estão contaminadas ou infectadas, o Penrose pode ser usado para manter a drenagem e auxiliar na limpeza do local.

Exemplos de Cirurgias Onde o Penrose é Comum:

  • Cirurgias de mama (mastectomia, quadrantectomia)
  • Cirurgias de tireoide
  • Drenagem de abscessos
  • Algumas cirurgias abdominais de pequeno e médio porte
  • Cirurgias plásticas

Cuidados de Enfermagem com o Dreno de Penrose

O Penrose é simples, mas exige cuidados de enfermagem rigorosos para garantir sua eficácia e prevenir complicações. Nós somos os guardiões desse dreno!

Monitoramento da Drenagem:

    • Aspecto e Volume: Observar o tipo de drenagem (seroso, serossanguinolento, sanguinolento, purulento), a coloração, odor e a quantidade. Registrar essas características no prontuário.
    • Frequência da Troca de Curativo: O curativo externo (gaze e micropore) deve ser trocado sempre que estiver úmido ou saturado de drenagem, pois um curativo úmido facilita a entrada de bactérias.
    • Comunicação: Qualquer mudança brusca no aspecto ou volume da drenagem (ex: aumento súbito, drenagem purulenta, odor fétido) deve ser comunicada imediatamente ao médico.

Manutenção da Integridade e Fixação:

    • Fixação: Verificar se o dreno está bem fixado à pele pelo ponto de sutura. Se o ponto estiver frouxo ou rompido, comunicar ao médico.
    • Posicionamento: Certificar-se de que o dreno não esteja tracionado ou dobrado, o que pode impedir a drenagem.
    • Protetor de Pele: Em peles muito sensíveis ou com muita drenagem, pode-se usar um protetor cutâneo ao redor da pele para evitar irritação e assaduras.

Cuidados com o Curativo:

    • Técnica Asséptica: Realizar a troca de curativo utilizando técnica estéril, com luvas estéreis, solução antisséptica (clorexidina ou PVPI degermante, conforme protocolo) para limpar a pele ao redor doreno e soro fisiológico para a pele ao redor e ferida cirúrgica.
    • Limpeza do Sítio: Limpar o dreno da base (próximo à pele) para a extremidade, e a pele ao redor de forma suave.
    • Proteção: Usar gazes estéreis ao redor do dreno para absorver a drenagem e cobrir com curativo oclusivo, mas que permita a visualização se o dreno for transparente.

Sinais de Infecção:

    • Local da Inserção: Observar a pele ao redor do dreno para sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor, dor ou presença de pus.
    • Sinais Sistêmicos: Monitorar a temperatura do paciente (febre pode indicar infecção).

Educação ao Paciente e Família:

    • Explicação: Explicar o propósito do dreno e o que a família deve observar (aspecto da drenagem, sinais de alerta).
    • Cuidados em Casa: Se o paciente for para casa com o dreno, orientar sobre a troca do curativo, a frequência, como observar e quando procurar o hospital.

A Retirada do Penrose: O Último Passo

A retirada do dreno de Penrose é geralmente simples e feita pelo médico ou enfermeiro (em alguns protocolos, o enfermeiro pode retirar). O dreno é removido quando a drenagem diminui significativamente ou cessa, indicando que o espaço foi obliterado e não há mais risco de acúmulo. Após a retirada, um curativo oclusivo é feito sobre o pequeno orifício, que cicatriza por segunda intenção (de dentro para fora).

O dreno de Penrose, apesar de sua simplicidade, é um grande aliado na prevenção de complicações pós-operatórias. Conhecer suas particularidades e aplicar os cuidados de enfermagem adequados garante a segurança e o conforto do paciente, acelerando sua recuperação e diminuindo o risco de reintervenções. Mais uma vez, é a nossa atenção aos detalhes que faz a diferença!

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. (Disponível em sites oficiais do Ministério da Saúde ou no portal da Biblioteca Virtual em Saúde).
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre drenos e cirurgia).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre drenagens e cuidados com feridas).

Diabetes Tipo 5: A Nova Classificação

O universo da diabetes é vasto e complexo. Por muito tempo, nos acostumamos a falar principalmente em Diabetes Tipo 1 e Tipo 2, além da gestacional. No entanto, a ciência está sempre avançando, e com ela, nosso entendimento sobre as nuances dessa doença crônica.

Recentemente, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) tem promovido discussões e levantado a possibilidade de uma nova classificação, a Diabetes Tipo 5. Essa categorização, embora ainda em debate e não amplamente consolidada na prática clínica global, representa um passo importante para um olhar mais individualizado e preciso sobre a doença.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, é crucial estar por dentro dessas discussões. Afinal, uma classificação mais detalhada pode significar diagnósticos mais precisos, tratamentos mais personalizados e, consequentemente, um cuidado de enfermagem mais efetivo e humano. Vamos entender o que é essa “nova” Diabetes Tipo 5 e por que ela é tão relevante?

Por Que Uma Nova Classificação? A Limitação das Categorias Tradicionais

Por décadas, a divisão entre Diabetes Tipo 1 e Tipo 2 foi a base do nosso entendimento.

  • Diabetes Tipo 1: Doença autoimune, onde o corpo destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Geralmente surge na infância ou adolescência e exige uso de insulina desde o diagnóstico.
  • Diabetes Tipo 2: Mais comum, associada a resistência à insulina (o corpo não usa a insulina de forma eficaz) e/ou deficiência progressiva na produção de insulina. Ligada a fatores genéticos, obesidade e sedentarismo.

No entanto, com o avanço das pesquisas e a observação clínica, percebeu-se que muitos pacientes não se encaixavam perfeitamente nessas duas caixas. Existem subtipos com características distintas que podem responder de forma diferente a tratamentos. A ideia da Diabetes Tipo 5 surge, então, da necessidade de refinar essa classificação para oferecer um cuidado mais direcionado.

O que é o Diabetes Tipo 5?

O Diabetes Tipo 5, antes conhecido como “diabetes relacionado à desnutrição” ou “diabetes tropical” (desde 1955 em regiões como a Jamaica), caracteriza-se por uma grave deficiência na secreção de insulina devido ao comprometimento do desenvolvimento das células beta pancreáticas, muitas vezes gerado por desnutrição calórico-proteica na infância ou até mesmo no período intrauterino .

Diferentemente do tipo 1, não há reação autoimune, e ao contrário do tipo 2, não se trata de resistência à insulina .

Esse tipo de diabetes costuma atingir jovens de até 30 anos com IMC abaixo de 18,5–19 kg/m². A escassez de insulina – e não a resistência – é sua marca principal, e há uma prevalência estimada entre 20 e 25 milhões de pessoas, principalmente na Ásia e África.

Por que a IDF reconheceu o Tipo 5?

Embora tenha sido identificado há muito tempo, esse padrão não havia sido oficialmente reconhecido como tipo distinto, dificultando o diagnóstico e cuidados direcionados.

Em janeiro de 2025, especialistas (como a Dra. Meredith Hawkins e o Dr. Nihal Thomas) apresentaram evidências robustas diferenciando o Tipo 5 dos tipos 1 e 2, com sua secreção insulinopênica característica.

No Congresso Mundial da IDF, em abril de 2025, ocorreu a aprovação unânime da classificação oficial.

A decisão também incluiu a formação de um grupo de trabalho para desenvolver diretrizes de diagnóstico e tratamento nos próximos anos.

Como identificar e diferenciar o Tipo 5?

O diabetes tipo 5 pode ser confundido com os tipos já conhecidos, especialmente o tipo 1, devido à idade jovem e peso baixo. No entanto, há sinais que apontam para essa nova classificação:

  • Ausência de anticorpos autoimunes;
  • Ausência de cetoacidose, apesar da hiperglicemia;
  • Resposta ruim ou hipoglicemia risco com insulina convencional;
  • História de sofrimento nutricional prolongado na infância.

Por Que Essa Classificação é Importante Para Nós, profissionais de enfermagem?

Mesmo que a Diabetes Tipo 5 não esteja no nosso livro didático padrão ainda, a discussão sobre ela já nos traz insights valiosos:

  1. Olhar Holístico para o Paciente: Reforça que a diabetes não é apenas uma doença do açúcar no sangue. Ela afeta múltiplos sistemas do corpo, incluindo o sistema nervoso central. Isso nos lembra de ir além da glicemia e considerar o estado cognitivo, o humor e as queixas neurológicas dos nossos pacientes diabéticos.
  2. Monitoramento Abrangente: Em pacientes com diabetes (especialmente Tipo 2) que apresentam queixas cognitivas ou alterações de humor, isso nos alerta para a possibilidade de uma disfunção mais complexa. Podemos registrar essas observações e comunicá-las à equipe.
  3. Terapias Futuras: Se essa classificação se consolidar, ela poderá abrir portas para tratamentos mais específicos que visem a resistência à insulina cerebral, o que exigirá de nós um conhecimento aprofundado sobre novas terapias e seus cuidados.
  4. Educação ao Paciente: Ao entender melhor as interconexões da doença, podemos educar nossos pacientes sobre a importância do controle glicêmico não apenas para evitar complicações renais ou visuais, mas também para a saúde cerebral a longo prazo.
  5. Pesquisa e Desenvolvimento: Para quem se interessa por pesquisa em enfermagem, essa é uma área em efervescência, com muitas oportunidades para contribuir com o conhecimento sobre como a diabetes afeta o cérebro e como a enfermagem pode atuar.

Tratamento e cuidados de enfermagem

Embora não exista ainda um protocolo definitivo, espera-se que o manejo seja diferente:

  1. Atenção nutricional: Estratégias para recuperar o estado nutricional e combater deficiências micronutricionais.
  2. Uso cauteloso de insulina: Em muitos casos, doses convencionais pioram o quadro. A introdução deve ser lenta, sob monitoramento rigoroso.
  3. Medicamentos orais: Em regiões com recursos limitados, podem ser eficazes e mais acessíveis.
  4. Abordagem integrada: Inclui avaliação de comorbidades, monitorização de glicemia e acompanhamento contínuo.

O papel da enfermagem envolve:

  • Registro detalhado do histórico nutricional e familiar
  • Monitoramento da glicemia e sinais de hipoglicemia
  • Auxílio na educação do paciente sobre nutrição e uso de antidiabéticos
  • Colaboração com nutricionistas e médicos no plano terapêutico

A classificação oficial do Diabetes Tipo 5 pela IDF remete a um avanço significativo na compreensão da doença. Saber identificar essa forma de diabetes e aplicar cuidados adequados pode transformar a prática clínica e melhorar significativamente a vida de muitos pacientes jovens e desnutridos.

Para o estudante de enfermagem, esse conhecimento amplia a capacidade de atuação e consolida uma abordagem mais criteriosa e humanizada na assistência à diabetes.

Referências:

  1. INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION. IDF launches new type 5 diabetes working group. 2025. Disponível em: https://idf.org/news/new-type-5-diabetes-working-group/ 
  2. DIABETES. Entenda o que é diabetes tipo 5, nova forma de classificação da doença. CNN Brasil, 17 abr. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-o-que-e-diabetes-tipo-5-nova-forma-de-classificacao-da-doenca 
  3. MEDICALXPRESS. Research leads to designation of new type of diabetes: Type 5. 9 abr. 2025. Disponível em: https://medicalxpress.com/news/2025-04-diabetes.html 
  4. MEDSCAPE. Malnutrition‑Related Diabetes Officially Named ‘Type 5’. 11 abr. 2025. Disponível em: https://www.medscape.com/viewarticle/malnutrition-related-diabetes-officially-named-type-5-2025a10008pd 
  5. VERYWELLHEALTH. What Is Type 5 Diabetes? A New Form of Diabetes Linked to Childhood Malnutrition. 2025. Disponível em: https://www.verywellhealth.com/type-5-diabetes-11733288 
  6. AMERICAN DIABETES ASSOCIATION (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes—2025. Diabetes Care, Alexandria, v. 48, suppl. 1, jan. 2025. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/issue/current.  (É fundamental consultar a edição mais recente dos “Standards” da ADA, pois eles incorporam as discussões e classificações mais atualizadas).
  7. FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE DIABETES (IDF). IDF Diabetes Atlas. 10. ed. Brussels, Belgium: International Diabetes Federation, 2021. Disponível em: https://diabetesatlas.org/.  (A IDF é a fonte primária para as discussões sobre novas classificações. Consultar as últimas edições do Atlas e publicações no site oficial da IDF para informações sobre a Diabetes Tipo 5).