
Vá direto ao ponto!
- 1. O que significa UI na insulina?
- 2. Tipos e tamanhos de seringas
- 3. Graduação de 1 UI ou 2 UI
- 4. E a seringa de resíduo zero?
- 5. ! Atenção na Prova Conversão de UI para mL
- 6. Atenção: U-100 não é igual a qualquer insulina
- 7. E quando não existe seringa de insulina?
- 8. Cinco exercícios de cálculo de insulina
- 8.1. Prescrição de 15 UI
- 8.2. Prescrição de 35 UI
- 8.3. Prescrição de 48 UI
- 8.4. Prescrição de 72 UI
- 8.5. Frasco com 100 UI/mL e prescrição de 8 UI
- 9. Cuidados de enfermagem
- 10. ✓ Decore para a Prova O que realmente precisa ficar na memória
A seringa de insulina é um daqueles materiais que parecem simples até aparecer uma prescrição de 18 UI, uma seringa diferente da habitual ou um frasco com concentração que não bate com a graduação. É justamente aí que pequenos detalhes podem virar grandes erros de dose. Para quem está na enfermagem, entender capacidade, graduação, concentração e conversão é tão importante quanto saber fazer a aplicação.
O que significa UI na insulina?
A insulina é dosada em Unidades Internacionais (UI ou U). Uma apresentação muito comum é a U-100, que contém 100 UI em cada 1 mL. Portanto, nessa concentração, podemos estabelecer uma relação simples:
100 UI = 1 mL
50 UI = 0,5 mL
20 UI = 0,2 mL
10 UI = 0,1 mL
1 UI = 0,01 mL
Essa relação é fundamental para transformar uma dose prescrita em unidades no volume correspondente quando a administração é feita com uma seringa convencional.
Tipos e tamanhos de seringas
As seringas próprias para insulina podem ser encontradas, entre outras apresentações, em 0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL. Considerando a concentração U-100, isso corresponde respectivamente a 30 UI, 50 UI e 100 UI de capacidade. Existem modelos com diferentes graduações, por isso é indispensável observar a escala impressa na própria seringa antes de aspirar.
Uma seringa de 0,3 mL (30 UI) costuma ser interessante para doses menores, enquanto a de 0,5 mL (50 UI) comporta doses intermediárias. Já a de 1 mL (100 UI) permite aspirar até 100 UI quando utilizada com insulina U-100. O importante é não escolher apenas pelo tamanho: a graduação e a concentração da insulina precisam ser compatíveis com a dose prescrita.
Graduação de 1 UI ou 2 UI
Nem toda seringa apresenta a mesma divisão entre os traços. Há modelos cuja graduação permite identificar 1 UI por marcação e outros nos quais cada marcação representa 2 UI. Para doses pequenas ou que exigem maior precisão, a graduação de 1 em 1 UI facilita a leitura e reduz a possibilidade de erro.
Por isso, nunca assuma que “cada risquinho vale 1 UI”. Olhe a escala da seringa utilizada.
E a seringa de resíduo zero?
O termo resíduo zero está relacionado ao desenho do dispositivo, especialmente ao espaço residual existente no bico da seringa. Nos modelos comercializados como “resíduo zero”, o êmbolo foi projetado para avançar mais próximo do bico, reduzindo a quantidade de solução que permanece dentro da seringa após a administração. Isso diminui desperdícios e pode ser particularmente relevante quando se trabalha com medicamentos de pequenas quantidades.
Na prática, vale uma atenção importante: “resíduo zero” não significa que a dose prescrita possa ser alterada. A dose continua sendo determinada pela prescrição, pela concentração da insulina e pela escala do dispositivo.
! Atenção na Prova Conversão de UI para mL
Quando temos uma insulina U-100 e precisamos utilizar uma seringa convencional, a regra de três resolve o cálculo.
Exemplo: foram prescritas 25 UI de insulina U-100.
100 UI — 1 mL
25 UI — X
X = 25 × 1 ÷ 100
X = 0,25 mL
Portanto, seriam 0,25 mL.
O mesmo raciocínio pode ser utilizado para qualquer dose, desde que a concentração esteja corretamente identificada. O material do Cofen sobre cálculo e diluição de medicamentos utiliza justamente essa lógica para transformar unidades de insulina em volume quando não há seringa própria disponível.
Atenção: U-100 não é igual a qualquer insulina
Essa é uma das informações que mais merece atenção durante o cálculo. U-100 significa 100 UI/mL, mas existem apresentações de insulina com outras concentrações. Há, por exemplo, produtos U-300, nos quais 1 mL contém 300 UI.
Assim, não se deve pegar uma insulina de concentração diferente, aplicar automaticamente a relação 100 UI = 1 mL e utilizar a escala como se fosse U-100. Antes de calcular, confira sempre nome da insulina, concentração, via, dose prescrita e dispositivo utilizado.
E quando não existe seringa de insulina?
Imagine uma prescrição de 20 UI de insulina U-100, mas a unidade dispõe apenas de uma seringa convencional de 3 mL.
A relação será:
100 UI — 1 mL
20 UI — X
X = 20 × 1 ÷ 100
X = 0,2 mL
Nesse caso, o volume correspondente é 0,2 mL. É exatamente por isso que a regra de três continua sendo uma ferramenta importante na formação e na prática da enfermagem.
Cinco exercícios de cálculo de insulina
Todos os exercícios abaixo consideram insulina U-100, ou seja, 100 UI/mL.
Prescrição de 15 UI
Paciente com prescrição de 15 UI de insulina U-100. Quantos mL devem ser aspirados em uma seringa convencional?
100 UI — 1 mL
15 UI — X
X = 15 × 1 ÷ 100
X = 0,15 mL
Resposta: 0,15 mL.
Prescrição de 35 UI
Foram prescritas 35 UI de insulina U-100.
100 UI — 1 mL
35 UI — X
X = 35 × 1 ÷ 100
X = 0,35 mL
Resposta: 0,35 mL.
Prescrição de 48 UI
Prescrição: 48 UI de insulina U-100.
100 UI — 1 mL
48 UI — X
X = 48 × 1 ÷ 100
X = 0,48 mL
Resposta: 0,48 mL.
Prescrição de 72 UI
Prescrição: 72 UI de insulina U-100.
100 UI — 1 mL
72 UI — X
X = 72 × 1 ÷ 100
X = 0,72 mL
Resposta: 0,72 mL.
Frasco com 100 UI/mL e prescrição de 8 UI
Paciente deverá receber 8 UI de insulina U-100 utilizando seringa convencional.
100 UI — 1 mL
8 UI — X
X = 8 × 1 ÷ 100
X = 0,08 mL
Resposta: 0,08 mL.
Perceba como o cálculo permanece o mesmo: a dose prescrita fica de um lado, a concentração disponível do outro, e o volume procurado é obtido pela regra de três. O cuidado maior está em confirmar a concentração antes de começar a conta.
Cuidados de enfermagem
Antes da administração, confira a prescrição e faça a conferência dos chamados certos da administração de medicamentos, principalmente paciente, medicamento, concentração, dose, via e horário. Verifique também a validade, integridade da embalagem, aspecto da insulina e compatibilidade entre a seringa e a concentração utilizada.
Na prática, uma situação muito comum é encontrar uma prescrição de 6 UI ou 8 UI e perceber que a seringa disponível possui uma graduação pouco precisa para aquela dose. Nessa situação, trocar o dispositivo por um modelo com graduação adequada pode fazer diferença na precisão da administração. Materiais educativos sobre insulinoterapia recomendam atenção especial à graduação da seringa justamente porque doses pequenas podem ser difíceis de medir com precisão.
Outra situação frequente durante o plantão é a prescrição em UI acompanhada de uma seringa convencional porque a seringa específica de insulina não está disponível. É nesse momento que a regra de três deixa de ser apenas conteúdo de prova: 100 UI/mL, prescrição em UI e seringa graduada em mL precisam ser convertidos corretamente antes da administração.
Também é essencial lembrar que seringas são dispositivos de uso único e devem ser descartadas adequadamente após utilização, conforme as normas e o protocolo institucional.
✓ Decore para a Prova O que realmente precisa ficar na memória
Para U-100:
100 UI = 1 mL
50 UI = 0,5 mL
25 UI = 0,25 mL
10 UI = 0,1 mL
1 UI = 0,01 mL
E a fórmula mais importante para quem está começando é: Dose prescrita × volume disponível ÷ dose disponível
Quando a concentração for 100 UI/mL, usando 1 mL como referência: UI prescritas × 1 ÷ 100 = mL a administrar.
O cálculo é simples. O que não pode ser simples demais é a conferência: concentração diferente, seringa diferente ou graduação diferente podem mudar completamente a resposta.
Seringa de Insulina: Guia Prático
- Insulina U-100 contém 100 UI por mL
- Seringas podem ter capacidades de 0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL
- Resíduo zero reduz o volume residual no dispositivo
- Na U-100, a regra de três permite converter UI em mL
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas de cuidado com o uso de insulina por usuários com Diabetes Mellitus tipo 2. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Biblioteca do Cofen – documento sobre uso de insulina
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Boas práticas: cálculo seguro – volume 2: cálculo e diluição de medicamentos. Brasília, DF: Cofen. Cofen – Cálculo e diluição de medicamentos
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Seringas descartáveis para insulina – registros e especificações de dispositivos médicos. Brasília, DF: Anvisa. Anvisa – Biblioteca de documentos
- SÃO PAULO (Estado). Bolsa Eletrônica de Compras. Seringa descartável graduada em 1 em 1 UI para insulina. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo. BEC/SP – especificação de seringa para insulina
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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