Anotação de Enfermagem: A arma secreta que nenhum plantão te ensina a usar

Vá direto ao ponto!

Uma anotação mal feita pode esconder um cuidado que realmente aconteceu

Existe uma situação bastante comum na enfermagem: o procedimento foi realizado, o medicamento foi administrado, o paciente foi reposicionado, uma intercorrência foi percebida e comunicada… mas, quando alguém olha o prontuário, quase nada disso aparece de forma clara.

E aqui está um dos problemas mais importantes da anotação de enfermagem.

Aquilo que foi feito, mas não foi adequadamente registrado, pode deixar de ser demonstrado no prontuário.

Isso não significa que o registro de enfermagem tenha como objetivo “proteger o profissional” acima de tudo. O objetivo principal é documentar o cuidado prestado, permitir a continuidade da assistência e comunicar à equipe o que aconteceu com o paciente. O próprio Cofen destaca que os registros são essenciais ao processo do cuidar, à comunicação entre profissionais, à avaliação da qualidade da assistência e também podem ter implicações éticas e judiciais.

Por isso, aprender a fazer uma boa anotação não é apenas aprender a escrever bonito.

É aprender a transformar aquilo que você observou e fez durante o plantão em uma informação clínica clara, objetiva, cronológica e útil para quem continuará cuidando daquele paciente.

E essa diferença é enorme.

O que é anotação de enfermagem?

A anotação de enfermagem é o registro das informações relacionadas ao paciente e dos cuidados realizados pela equipe de enfermagem, de acordo com as atribuições profissionais, o processo de trabalho e as normas institucionais.

Na prática, ela funciona como uma espécie de “memória escrita” da assistência. O paciente pode mudar de setor, trocar de plantão, receber outro profissional, ser transferido para outra unidade ou apresentar uma intercorrência horas depois. O registro permite que essas informações não dependam exclusivamente da memória de quem estava presente.

O Cofen ressalta que os registros devem contribuir para a continuidade e a qualidade da assistência.

Por isso, uma boa anotação precisa responder, sempre que aplicável:

  • O que aconteceu?
  • Quando aconteceu?
  • O que foi observado?
  • O que foi feito?
  • Qual foi a resposta do paciente?
  • Quem foi comunicado?
  • Qual foi a conduta adotada após a comunicação?

Nem toda anotação precisa responder todas essas perguntas ao mesmo tempo. Mas, quando existe uma alteração ou intercorrência, esse raciocínio ajuda muito.

Anotação de enfermagem não é simplesmente “contar o plantão”

Esse é um erro comum entre estudantes. Uma anotação não deve ser escrita como se fosse uma história:

“Paciente passou bem durante o plantão, ficou tranquilo, recebeu medicação e depois dormiu.”

O problema é que essa frase praticamente não oferece informação clínica suficiente.

O que significa “passou bem”? Quais sinais vitais? Estava consciente? Aceitou alimentação? Apresentou dor? Eliminou? Recebeu quais cuidados? Houve alguma intercorrência?

A anotação precisa ser objetiva e clinicamente útil.

Uma alternativa mais adequada seria:

“08h00 – Paciente em leito, consciente, orientado, comunicativo, em ar ambiente, sem sinais aparentes de desconforto respiratório. Aceitou dieta por via oral, aproximadamente 80% da refeição. Refere ausência de dor no momento. Realizada higiene corporal e mudança de decúbito, mantendo pele íntegra. Segue sob cuidados de enfermagem.”

Perceba a diferença. Não ficou necessariamente mais “bonita”. Ficou mais informativa.

Por que a anotação de enfermagem é tão importante?

Imagine uma unidade de terapia intensiva durante uma troca de plantão. O paciente está intubado, recebendo drogas vasoativas, com acesso venoso central, sonda enteral e monitorização contínua. Durante o plantão anterior, houve uma alteração importante da pressão arterial. A equipe ajustou uma infusão conforme prescrição, realizou medidas de suporte e comunicou o enfermeiro.

Se isso não estiver adequadamente registrado, o profissional que assume o próximo plantão terá de reconstruir a história por meio de informações fragmentadas. Agora imagine o contrário.

O registro informa horário, alteração observada, intervenção realizada, resposta apresentada e comunicação à equipe. A diferença na segurança do cuidado é enorme. O Cofen destaca justamente essa função dos registros: favorecer a comunicação entre os profissionais e garantir a continuidade da assistência.

O que uma boa anotação precisa ter?

Não existe uma única frase mágica que sirva para todos os pacientes. Mas alguns princípios são fundamentais.

Data e horário

O registro precisa permitir identificar quando aquela informação ocorreu. Isso é particularmente importante em situações como:

  • administração de medicamentos;
  • alterações de sinais vitais;
  • intercorrências;
  • procedimentos;
  • mudança do estado clínico;
  • transferência;
  • comunicação com outros profissionais.

Uma informação sem horário perde parte de seu valor.

Compare:

“Paciente apresentou hipotensão.”

com:

14h20 – PA 86/52 mmHg, paciente referindo tontura e apresentando palidez cutânea. Enfermeiro comunicado imediatamente.

A segunda anotação permite compreender melhor a sequência dos acontecimentos.

Identificação do paciente

O registro deve estar associado corretamente ao paciente. Em sistemas eletrônicos, isso normalmente ocorre por meio da identificação vinculada ao prontuário. Em registros físicos, devem ser observadas rigorosamente as normas da instituição. Um erro de identificação pode transformar um registro correto em um registro perigoso.

Condição do paciente

A anotação deve registrar informações relevantes sobre o estado do paciente. Dependendo da situação, podem ser incluídos:

  • nível de consciência;
  • orientação;
  • comunicação;
  • mobilidade;
  • padrão respiratório;
  • oxigenoterapia;
  • presença de dor;
  • estado da pele;
  • alimentação;
  • hidratação;
  • eliminações;
  • dispositivos;
  • comportamento;
  • alterações clínicas.

Mas existe uma diferença importante entre registrar tudo e registrar o que é relevante. Uma anotação enorme não é necessariamente uma anotação boa.

Registre fatos, não interpretações vagas

Esse talvez seja um dos maiores “pulos do gato” para quem está começando. Evite escrever:

“Paciente está mal.”

Mas registre o que você realmente observou:

Paciente sonolento, responde ao chamado verbal, apresenta FR 28 irpm, SpO₂ 89% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e queixa de dispneia. Enfermeiro comunicado.

Agora existe informação clínica. Outro exemplo:

Evite:

“Paciente muito agitado.”

Prefira:

Paciente inquieto, retirando repetidamente o lençol e tentando levantar-se do leito, verbalizando desejo de ir para casa. Mantém-se desorientado em tempo e espaço. Enfermeiro comunicado.

A segunda forma permite que outro profissional compreenda exatamente o que foi observado.

“Paciente está bem” é uma anotação suficiente?

Na maioria das situações, não. “Bem” é uma expressão subjetiva, o que significa estar bem para você pode ser diferente do que significa para outro profissional. Uma anotação mais útil descreve sinais observáveis.

Por exemplo:

Paciente consciente, orientado, comunicativo, eupneico em ar ambiente, afebril, sem queixas álgicas no momento, aceitando dieta por via oral e sem intercorrências durante o período.

Agora o leitor consegue compreender o que você quis dizer com “está bem”.

Como registrar sinais vitais?

Os sinais vitais devem ser registrados com seus respectivos valores e unidades, conforme o sistema ou protocolo institucional.

Por exemplo:

“10h00 – PA 118/72 mmHg, FC 82 bpm, FR 18 irpm, SpO₂ 97% em ar ambiente, T 36,5 °C.”

Se houver alteração, é importante registrar também a resposta da equipe. Exemplo:

“16h10 – PA 84/50 mmHg, FC 112 bpm, paciente consciente, referindo tontura. Enfermeiro comunicado imediatamente; paciente mantido em leito e realizada nova aferição conforme orientação, apresentando PA 96/60 mmHg às 16h20.”

Essa sequência é muito mais útil do que simplesmente escrever:

“Paciente apresentou pressão baixa.”

Como registrar administração de medicamentos?

A administração do medicamento deve ser registrada conforme o sistema institucional e as normas vigentes, incluindo as informações necessárias para garantir rastreabilidade. Não basta escrever:

“Medicação administrada.”

Qual medicação? Qual horário? Qual via? Houve alguma intercorrência? O paciente apresentou reação?

Em registros relacionados à administração de medicamentos, a documentação precisa permitir compreender o que efetivamente foi realizado. O Cofen destaca a importância da rastreabilidade dos cuidados e dos registros no prontuário.

Exemplo:

“08h00 – Administrado medicamento prescrito por via intravenosa, conforme prescrição médica e protocolo institucional, sem intercorrências durante a administração. Paciente mantido em observação.”

Quando houver reação:

“14h00 – Após administração do medicamento prescrito, paciente apresentou prurido e eritema em tronco. Medicação suspensa conforme orientação/protocolo institucional e enfermeiro comunicado imediatamente. Paciente mantido sob monitorização.”

O registro precisa refletir o que realmente aconteceu.

Como registrar uma intercorrência?

Uma intercorrência merece ainda mais atenção. Uma estrutura simples pode ajudar:

O que aconteceu → quando → sinais apresentados → providências → comunicação → resposta.

Imagine um paciente que apresentou queda. Uma anotação inadequada seria:

“Paciente caiu. Médico avisado.”

Muito pouco. Uma anotação mais completa poderia ser:

“18h35 – Paciente encontrado sentado no chão ao lado do leito, após tentativa de levantar-se sem auxílio. Consciente, orientado, referindo dor em região de quadril direito, sem sangramento aparente. Sinais vitais aferidos: PA 126/78 mmHg, FC 88 bpm, SpO₂ 96% em ar ambiente. Enfermeiro comunicado imediatamente; paciente não foi mobilizado até avaliação. Equipe médica acionada conforme protocolo institucional. Mantido em observação.”

Observe que o registro não tenta “culpar” ninguém. Ele documenta os fatos.

Nunca escreva uma anotação para proteger alguém

Essa orientação é muito importante: O registro não deve ser utilizado para construir uma narrativa favorável ao profissional ou para esconder uma falha. O prontuário deve refletir a assistência real.

Se algo não foi realizado, não registre como se tivesse sido. Se houve uma intercorrência, ela deve ser comunicada e registrada de acordo com os fatos. A função do prontuário é documentar o cuidado e permitir sua rastreabilidade; o Cofen destaca inclusive sua relevância para questões éticas, legais, auditoria, ensino e avaliação da qualidade assistencial.

Uma situação muito comum na prática

Em plantões movimentados, existe uma tendência de deixar a anotação para o final. É compreensível.

Na UTI, por exemplo, podem acontecer simultaneamente uma admissão, uma intercorrência hemodinâmica, transporte para exame, troca de acesso, administração de medicamentos e atendimento a outro paciente. O problema é que, quando chega o final do plantão, algumas informações podem ser esquecidas.

Na rotina de assistência intensiva, uma prática que ajuda muito é registrar os eventos relevantes o mais próximo possível do momento em que acontecem, em vez de tentar reconstruir seis ou oito horas de assistência de uma só vez.

Isso melhora a precisão do registro e reduz o risco de omissões. A documentação em tempo oportuno é também destacada nas recomendações do Cofen para registros de enfermagem.

Experiência prática: quando uma anotação aparentemente simples faz diferença

Em uma rotina de UTI, já é possível perceber como uma pequena informação pode mudar a interpretação do plantão seguinte. Imagine um paciente que apresenta queda progressiva da saturação.

Se alguém registra apenas: “Paciente apresentou dessaturação.” quem assume o próximo turno sabe que houve uma alteração, mas não sabe praticamente nada além disso.

Agora imagine:

“03h15 – SpO₂ 88%, paciente em ventilação mecânica, com aumento de secreção traqueal e necessidade de aspiração. Realizada aspiração conforme protocolo, com retirada de secreção em quantidade moderada. Após procedimento, SpO₂ 94%. Enfermeiro ciente.”

Essa anotação conta uma história clínica muito mais útil. Quem assume o plantão consegue perceber que houve uma alteração, que havia aumento de secreções, que uma intervenção foi realizada e que houve resposta. É exatamente esse tipo de registro que transforma a anotação em ferramenta de continuidade do cuidado.

Como registrar procedimentos?

Ao registrar um procedimento, procure demonstrar: o procedimento realizado, o local quando relevante, condições observadas, intercorrências e resposta do paciente.

Por exemplo, em um curativo:

“09h30 – Realizado curativo em lesão localizada em região sacral, conforme protocolo institucional. Lesão com aproximadamente 3 cm de diâmetro, leito com tecido de granulação, sem presença de secreção purulenta e sem odor. Pele adjacente íntegra. Cobertura aplicada conforme prescrição. Paciente tolerou procedimento sem intercorrências.”

Isso é muito mais útil do que: “Curativo realizado.”

O segundo registro prova pouco sobre o que realmente aconteceu.

Exemplo de anotação de acesso venoso periférico

“11h20 – Realizada punção venosa periférica em membro superior esquerdo, em veia cefálica, com cateter nº 20G, conforme técnica institucional. Apresentou refluxo sanguíneo e fluxo adequado após instalação. Fixado e identificado conforme protocolo. Paciente tolerou o procedimento sem intercorrências.”

Novamente, o objetivo não é escrever um texto enorme  É fornecer as informações relevantes.

Exemplo de anotação de sonda nasoenteral

“07h40 – Sonda nasoenteral mantida conforme avaliação e protocolo institucional, fixação íntegra, sem sinais aparentes de deslocamento externo. Dieta administrada conforme prescrição e velocidade programada. Paciente sem náuseas ou vômitos durante o período.”

Em situações que exigem confirmação de posicionamento, o registro deve seguir rigorosamente o protocolo institucional e a prescrição, sem presumir que um método é suficiente quando não estiver indicado.

Exemplo de paciente com dor

Evite: “Paciente com muita dor.” Prefira:

“15h10 – Paciente refere dor em região abdominal, intensidade 8/10, segundo escala numérica, com início há aproximadamente 30 minutos. Apresenta expressão facial de desconforto. Enfermeiro comunicado e analgesia administrada conforme prescrição. Reavaliado às 16h00, referindo dor 3/10.”

Aqui existe algo muito importante: a resposta ao cuidado. Não basta registrar que a intervenção foi realizada. Sempre que possível, registre o resultado.

A resposta do paciente é uma parte que muita gente esquece

Esse é um detalhe que diferencia uma anotação comum de um registro realmente útil, Imagine:

“Realizada mudança de decúbito.”

Está correto como informação básica. Mas podemos ter:

“14h00 – Realizada mudança de decúbito para posição lateral direita, com auxílio da equipe, utilizando medidas de proteção da pele. Paciente tolerou procedimento, sem queixas álgicas no momento.”

Ou:

“14h00 – Realizada mudança de decúbito; paciente apresentou dor durante mobilização, intensidade 6/10. Enfermeiro comunicado e medidas de conforto adotadas.”

A segunda situação é muito diferente. O procedimento foi o mesmo, mas a resposta do paciente mudou completamente o significado clínico do cuidado.

Como registrar recusa de cuidado?

O paciente pode recusar um procedimento, medicamento, alimentação, higiene ou outro cuidado. Isso também precisa ser registrado de maneira objetiva.

Evite: “Paciente teimoso, não quis tomar banho.” Esse registro contém julgamento.

Prefira:

“09h00 – Ofertado banho no leito, porém paciente recusou o cuidado neste momento, referindo cansaço. Enfermeiro comunicado. Reofertado cuidado posteriormente, conforme avaliação.”

A diferença está no respeito, O prontuário não é lugar para julgamento moral do paciente.

Como registrar quando o paciente não aceita alimentação?

Exemplo:

“12h30 – Paciente recusou aproximadamente 90% da dieta oferecida, referindo náusea. Ingeriu apenas pequena quantidade de líquidos. Enfermeiro comunicado. Mantido em observação e realizada nova avaliação conforme orientação.”

Isso é muito diferente de: “Paciente não quis comer.” A segunda frase não explica o contexto.

Como registrar eliminações?

Sempre que relevante para a condição clínica, registre de maneira objetiva. Por exemplo:

“10h40 – Evacuação em fralda, fezes de consistência pastosa, coloração castanha, sem presença aparente de sangue. Realizada higiene íntima e troca de fralda.”

Ou:

“06h30 – Diurese espontânea, aproximadamente 350 mL, coloração amarelo-clara, sem alterações aparentes.”

Em pacientes críticos, a mensuração adequada do débito urinário pode ser especialmente importante.

Evite termos vagos

Algumas expressões aparecem com frequência nos prontuários, mas podem transmitir pouca informação:

  • “Paciente bem.”
  • “Sem alterações.”
  • “Passou bem.”
  • “Estável.”
  • “Normal.”
  • “Tudo certo.”
  • “Sem intercorrências.”

Essas frases não são necessariamente proibidas em todos os contextos, mas, isoladamente, são pobres em informação. Se você escrever “sem intercorrências”, tente entender: sem quais intercorrências?

Se for importante para a assistência, descreva. Por exemplo:

“Durante o período, paciente permaneceu consciente, orientado, hemodinamicamente estável, sem queixas álgicas, sem episódios de vômitos e sem alterações respiratórias observadas.”

Agora “sem intercorrências” ganhou significado.

Não use julgamento ou rótulos

Evite expressões como:

  • “Paciente preguiçoso.”
  • “Paciente difícil.”
  • “Paciente nervoso.”
  • “Paciente exagerado.”
  • “Paciente teimoso.”
  • “Família problemática.”

Essas expressões não descrevem comportamento de forma objetiva. Se o paciente está agitado, descreva o comportamento.

“Paciente apresenta inquietação, eleva o tom de voz e tenta retirar acesso venoso periférico repetidamente.”

Isso é uma informação, “Paciente difícil” é apenas um julgamento.

Não registre algo que você não observou

Se você não viu o procedimento, não presuma que ele aconteceu. Se outro profissional realizou determinado cuidado e você precisa registrar algo relacionado à assistência, o registro deve corresponder ao que efetivamente foi observado ou realizado por você, respeitando as normas da instituição e a responsabilidade profissional.

A rastreabilidade é fundamental. O Cofen reforça que o registro deve documentar as ações profissionais e informações necessárias à continuidade da assistência.

Como corrigir um erro na anotação?

Nunca utilize recursos que apaguem ou escondam a informação registrada de forma inadequada. Em registro físico, a correção deve seguir a norma institucional e os princípios de integridade documental. Em prontuário eletrônico, devem ser utilizadas as ferramentas próprias do sistema para correção, preservando a rastreabilidade.

É importante não simplesmente apagar uma informação para substituí-la por outra como se o registro anterior nunca tivesse existido, o prontuário é um documento.

A forma de corrigir deve respeitar as normas institucionais e profissionais.

E no prontuário eletrônico?

A realidade mudou, muitos profissionais atualmente fazem praticamente todos os registros em sistemas informatizados.

A Resolução Cofen nº 754/2024 normatiza o uso do prontuário eletrônico e de plataformas digitais no âmbito da Enfermagem. A norma estabelece que é dever dos profissionais registrar no prontuário e em outros documentos próprios da área as informações inerentes ao processo de cuidar e ao gerenciamento dos processos de trabalho necessárias à continuidade e qualidade da assistência.

Isso significa que trocar papel por computador não diminui a responsabilidade, pelo contrário.

No sistema eletrônico, é fundamental utilizar login e senha individuais e intransferíveis e preservar o sigilo das informações do paciente. A Resolução também relaciona os registros às normas do Processo de Enfermagem e à proteção das informações de saúde.

Nunca compartilhe login e senha

Esse cuidado parece óbvio, mas merece ser reforçado, se o registro é realizado com seu acesso, ele fica associado à sua identidade profissional. Portanto, não é adequado emprestar login, senha ou deixar o sistema aberto para que outra pessoa registre em seu nome.

Além da segurança da informação, existe a questão da rastreabilidade. A Resolução Cofen nº 754/2024 determina que, quando aplicável, o acesso ao prontuário eletrônico utilize credenciais individuais e intransferíveis.

Cuidado com informações do paciente fora do prontuário

Uma anotação de enfermagem contém informações de saúde, que são dados sensíveis, não se deve fotografar prontuário, compartilhar tela, enviar informações em grupos pessoais ou comentar dados identificáveis de pacientes em redes sociais.

Mesmo que o nome não apareça, outros detalhes podem permitir identificação. A proteção do sigilo faz parte da responsabilidade profissional e também está relacionada à legislação de proteção de dados.

Anotação de enfermagem na UTI

Na UTI, o volume de informações é muito maior.

O paciente pode possuir:

  • ventilação mecânica;
  • cateter venoso central;
  • acesso arterial;
  • sondas;
  • drenos;
  • infusões contínuas;
  • drogas vasoativas;
  • monitorização invasiva;
  • dispositivos de suporte renal;
  • curativos complexos.

A anotação precisa acompanhar a complexidade do paciente, mas isso não significa escrever páginas e páginas sem organização. O ideal é registrar informações relevantes, objetivas e cronológicas.

Experiência prática: o registro precisa acompanhar a mudança do paciente

Na assistência intensiva, existe uma diferença enorme entre registrar: “Paciente em ventilação mecânica, estável.” e registrar:

“07h00 – Paciente em ventilação mecânica, modo conforme parâmetros prescritos, mantendo SpO₂ 96%. Sedado, sem resposta a estímulo verbal no momento. Secreção traqueal em pequena quantidade durante aspiração, sem intercorrências. Acessos e dispositivos mantidos pérvios e fixados.”

A segunda anotação não é simplesmente mais longa. Ela é mais útil porque mostra o estado do paciente naquele momento. E isso é particularmente importante na UTI, onde o quadro pode mudar em questão de minutos.

Cuidados de enfermagem para uma anotação segura

Uma boa anotação começa antes de você sentar para escrever:

  • Durante o cuidado, observe.
  • Durante o procedimento, observe.
  • Depois do procedimento, observe novamente.
  • Depois, registre.

Essa sequência parece simples, mas faz muita diferença.

Observe o paciente

Não registre apenas o que foi prescrito, e sim registre o que você encontrou.

Registre no momento adequado

Evite depender exclusivamente da memória no final do plantão.

Seja objetivo

Retire opiniões e mantenha fatos observáveis.

Seja completo quando houver intercorrência

Quanto mais importante a ocorrência, maior a necessidade de contextualização.

Registre a resposta

Sempre que possível, demonstre o resultado da intervenção.

Comunique alterações

Anotar uma alteração não substitui comunicar uma situação que exige intervenção imediata.

Registrar e comunicar são coisas diferentes.

Se um paciente apresenta uma alteração grave, primeiro deve ser adotada a conduta necessária e feita a comunicação pertinente; o registro documenta o ocorrido e as providências tomadas.

Uma regra prática: “Observe, faça, reavalie e registre”

Para quem está começando na enfermagem, uma sequência simples pode ajudar:

  • Observe: como o paciente está?
  • Faça: qual cuidado ou intervenção foi realizado?
  • Reavalie: o paciente respondeu como?
  • Registre: o que aconteceu, o que foi feito e qual foi a resposta?

Essa lógica evita anotações automáticas e estimula o raciocínio clínico.

! Atenção na Prova Exemplo completo de anotação de um plantão

Veja um exemplo fictício, apenas para fins educacionais:

“07h00 – Paciente em leito, consciente, orientado, comunicativo, em ar ambiente, SpO₂ 97%, sem sinais aparentes de desconforto respiratório. Refere dor abdominal 4/10. Acesso venoso periférico em membro superior direito, pérvio, sem sinais aparentes de flebite. Aceitou aproximadamente 70% da dieta oferecida. Diurese espontânea em volume não mensurado. Realizada higiene corporal e mudança de decúbito.

10h15 – Paciente refere aumento da dor abdominal para 7/10, associado a náusea. Enfermeiro comunicado. Medicação administrada conforme prescrição. Mantido em observação.

11h00 – Reavaliado após intervenção, referindo dor 3/10 e melhora da náusea. Sem episódios de vômitos.

13h30 – Paciente aceitou aproximadamente 80% da dieta do almoço. Mantém-se consciente e orientado, sem novas queixas.

18h50 – Paciente permanece em leito, hemodinamicamente estável, sem novas intercorrências observadas durante o período. Segue aos cuidados da equipe de enfermagem.”

Perceba que não é necessário transformar cada horário em um relatório gigantesco. O segredo é registrar as mudanças importantes e os cuidados relevantes.

⚠ Pegadinha de Prova Anotação de enfermagem x evolução de enfermagem

Esses termos não devem ser tratados como sinônimos automaticamente, de maneira simplificada, a anotação está muito relacionada ao registro objetivo das ações realizadas, observações e ocorrências do cuidado de enfermagem.

A evolução de enfermagem, por sua vez, possui caráter próprio dentro do Processo de Enfermagem e envolve análise da resposta do paciente aos cuidados, conforme as atribuições profissionais. A Resolução Cofen nº 736/2024 regulamenta a implementação do Processo de Enfermagem e estabelece a organização das etapas e responsabilidades profissionais.

Por isso, é importante que estudantes aprendam a diferenciar os conceitos e também conheçam o protocolo adotado pela instituição onde realizam estágio ou trabalham.

Sim. O registro de enfermagem integra a documentação da assistência prestada e pode ser utilizado para demonstrar a sequência dos cuidados realizados. O próprio Cofen destaca que os registros possuem importância ética e legal, além de contribuírem para auditoria, ensino, pesquisa e avaliação da qualidade da assistência.

Mas existe uma forma errada de entender isso, não devemos registrar pensando apenas: “Vou escrever para me defender.”

O pensamento correto é: “Vou registrar de maneira fiel porque o prontuário precisa mostrar o cuidado que foi prestado.” Quando a assistência é bem registrada, o benefício é para o paciente, para a equipe e também para o profissional.

O que mais costuma cair em provas?

Para estudantes de enfermagem, alguns princípios aparecem com frequência. A anotação deve ser:

! Atenção na Prova clara, objetiva, precisa, cronológica, legível quando manuscrita, sem rasuras inadequadas, baseada em fatos e compatível com o cuidado efetivamente realizado.

Também é importante lembrar:

  • não registrar algo que não foi realizado;
  • não omitir intercorrências relevantes;
  • não utilizar termos pejorativos;
  • preservar o sigilo;
  • registrar identificação profissional conforme as regras institucionais;
  • realizar o registro em tempo oportuno;
  • registrar a resposta do paciente quando pertinente.

O Guia de Recomendações do Cofen foi desenvolvido justamente para orientar a prática dos registros de enfermagem e reforçar sua importância para a qualidade da assistência.

Uma anotação boa não precisa ser enorme

Essa talvez seja uma das melhores conclusões para quem está aprendendo.

  • Uma anotação de dez linhas pode ser ruim.
  • Uma anotação de três linhas pode ser excelente.
  • O tamanho não determina a qualidade.

O que determina é a capacidade de transmitir informação relevante, verdadeira, objetiva e útil para a continuidade do cuidado.

A pergunta que vale a pena fazer antes de finalizar é:

“Se outro profissional assumir este paciente agora, minha anotação ajudará essa pessoa a entender o que aconteceu?” Se a resposta for sim, você provavelmente está no caminho certo, anotar não é simplesmente escrever.

Anotar é documentar o cuidado

É transformar observações, procedimentos, respostas e intercorrências em informações que possam ser compreendidas por outro profissional.

Uma boa anotação não precisa utilizar palavras difíceis, frases excessivamente formais ou termos complicados. Ela precisa ser clara, objetiva e fiel ao que realmente aconteceu.

Na prática, principalmente em ambientes de maior complexidade como pronto-socorro e UTI, o prontuário acompanha a evolução do paciente quase como uma linha do tempo. Uma pressão que caiu, uma saturação que piorou, uma medicação administrada, uma reação apresentada, uma intervenção realizada e uma resposta observada podem parecer informações isoladas; quando registradas corretamente, porém, elas ajudam a formar a história clínica do paciente.

E existe uma diferença importante entre “eu fiz” e “está documentado que eu fiz”.

O registro não substitui o cuidado. Mas ele faz parte do cuidado.

Por isso, para estudantes e profissionais de enfermagem, aprender a fazer uma boa anotação não é uma tarefa burocrática. É uma competência profissional diretamente relacionada à segurança do paciente, à comunicação da equipe, à continuidade da assistência e à qualidade do trabalho de enfermagem.

No fim do plantão, uma boa anotação deveria permitir que outro profissional consiga olhar para o prontuário e compreender, com clareza, como o paciente estava, o que aconteceu, o que foi feito e como ele respondeu.

Esse é o verdadeiro propósito do registro.

Resumo para salvar

Anotação de Enfermagem: 4 regras para registrar o cuidado com segurança

  • Registre fatos observáveis, evitando julgamentos e expressões vagas como paciente está bem ou paciente difícil
  • Em uma intercorrência, registre o que aconteceu, os sinais apresentados, as providências adotadas, a comunicação realizada e a resposta do paciente
  • Registre os cuidados em tempo oportuno e demonstre, sempre que pertinente, como o paciente respondeu à intervenção
  • O prontuário é parte da documentação da assistência e deve ser claro, objetivo, verdadeiro, rastreável e compatível com o cuidado realmente realizado

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Recomendações para registros de enfermagem no exercício da profissão. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: Cofen – Recomendações para Registros de Enfermagem. 
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Recomendações para registros de enfermagem no exercício da profissão. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: Guia de Registros de Enfermagem – PDF. 
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 514, de 5 de maio de 2016. Aprova o Guia de Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente e outros documentos de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2016. Disponível em: Resolução Cofen nº 514/2016. 
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Disponível em: Resolução Cofen nº 736/2024.
  5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 754, de 16 de maio de 2024. Normatiza o uso do prontuário eletrônico e plataformas digitais no âmbito da Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Disponível em: Resolução Cofen nº 754/2024. 
  6. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Parecer nº 14/2024/COFEN/CAMTEC/CTLNENF. Brasília, DF: Cofen, 2024. Disponível em: Parecer Cofen nº 14/2024.
  7. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html. 
  8. POTTER, Patricia A. et al. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/. 
  9. TEO, Maria Cristina et al. O registro de enfermagem como instrumento de segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, n. 5, p. 1250-1257, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/7J5X8n9Z6WqK4mP8vYzLjQw/?lang=pt. 

Controle de Diurese: Métodos de Medição, Cuidados de Enfermagem e Importância na Prática Clínica

O controle de diurese é um dos procedimentos mais frequentes e importantes realizados pela equipe de enfermagem. Através da mensuração precisa do volume urinário eliminado pelo paciente, é possível avaliar a função renal, o estado de hidratação, a resposta a medicamentos, especialmente diuréticos, e identificar precocemente alterações clínicas que podem colocar a vida do paciente em risco.

Em unidades de internação, centros cirúrgicos, pronto-socorros e unidades de terapia intensiva, o controle rigoroso da diurese é considerado um parâmetro essencial para monitorar a evolução clínica do paciente.

A diurese normal em adultos geralmente varia entre 0,5 e 1 mL/kg/hora. Valores inferiores podem indicar oligúria, enquanto volumes muito elevados podem sugerir poliúria.

Quando o controle de diurese é indicado?

O controle rigoroso da diurese é indicado em diversas situações clínicas, como:

  • Pacientes críticos;
  • Insuficiência renal aguda ou crônica;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Grandes cirurgias;
  • Sepse;
  • Queimaduras extensas;
  • Uso de diuréticos;
  • Controle hídrico rigoroso;
  • Distúrbios hidroeletrolíticos;
  • Pacientes em ventilação mecânica.

A precisão da mensuração é fundamental para garantir uma avaliação adequada do balanço hídrico.

Métodos de medição da diurese

A escolha do método depende das condições clínicas do paciente, do grau de mobilidade, do nível de consciência e da necessidade de monitorização rigorosa.

Controle de diurese utilizando o compadre

O compadre é amplamente utilizado para pacientes do sexo masculino acamados ou com limitação de mobilidade. Uma vantagem importante é que a maioria dos compadres possui graduação impressa em sua estrutura, permitindo a leitura direta do volume urinário.

Após a micção, o profissional deve posicionar o compadre em superfície plana e realizar a leitura observando o nível do líquido na graduação.

Cuidados de enfermagem

  • Verificar se toda a urina foi coletada no recipiente.
  • Evitar perdas durante o transporte.
  • Realizar a leitura em superfície nivelada.
  • Registrar imediatamente o volume obtido.
  • Realizar higienização adequada após o uso.

Controle de diurese utilizando a comadre

A comadre é utilizada principalmente em pacientes do sexo feminino acamadas ou em indivíduos que não conseguem utilizar o banheiro. Diferentemente do compadre, muitas comadres não possuem graduação confiável para mensuração da urina.

Nesses casos, é necessário transferir o conteúdo para um recipiente graduado.

Utilização do cálice graduado

Quando a urina é coletada em comadre, o método mais utilizado para mensuração é a transferência para um cálice graduado. O cálice graduado possui marcações volumétricas precisas que permitem medir a quantidade eliminada. Após a transferência, o volume deve ser registrado no prontuário e utilizado no cálculo do balanço hídrico.

Cuidados de enfermagem

  • Evitar derramamentos durante a transferência.
  • Garantir leitura correta na altura dos olhos.
  • Realizar limpeza e desinfecção do material após o uso.
  • Utilizar equipamentos de proteção individual conforme protocolo institucional.

Controle de diurese através da sonda vesical de demora

A sonda vesical de demora (SVD) é um dos métodos mais precisos para monitorização urinária.

Ela é indicada em situações específicas, como:

  • Pacientes críticos;
  • Controle rigoroso do balanço hídrico;
  • Pós-operatórios;
  • Retenção urinária;
  • Monitorização da função renal.

A urina é drenada continuamente para uma bolsa coletora graduada pertencente a um sistema fechado. O volume pode ser medido diretamente na bolsa ou na câmara graduada existente em alguns sistemas.

Cuidados de enfermagem

  • Manter sistema fechado.
  • Evitar desconexões desnecessárias.
  • Posicionar a bolsa abaixo do nível da bexiga.
  • Evitar contato da bolsa com o chão.
  • Realizar esvaziamento conforme protocolo institucional.
  • Registrar volume, aspecto, odor e coloração da urina.

Controle de diurese através da sonda vesical de alívio

A sonda vesical de alívio é utilizada para esvaziamento temporário da bexiga. Após a drenagem, o volume urinário é coletado em recipiente graduado e mensurado. Por ser um procedimento pontual, não há monitorização contínua.

Cuidados de enfermagem

  • Manter técnica asséptica.
  • Registrar o volume drenado.
  • Observar presença de sedimentos, sangue ou alterações na urina.
  • Descartar adequadamente os materiais utilizados.

Pesagem de fraldas para estimativa da diurese

Em pacientes incontinentes, pediátricos, geriátricos ou com incapacidade de utilizar dispositivos coletores, a pesagem de fraldas é uma alternativa eficaz. O método consiste em pesar a fralda limpa antes do uso e novamente após a micção. A diferença de peso corresponde ao volume urinário eliminado.

Considera-se que:

1 grama = aproximadamente 1 mL de urina

Exemplo

Peso da fralda limpa: 30 g

Peso da fralda utilizada: 280 g

Diferença: 250 g

Diurese estimada: 250 mL

Cuidados de enfermagem

  • Utilizar sempre a mesma balança.
  • Registrar o peso da fralda seca.
  • Evitar contaminação por fezes, pois pode alterar o resultado.
  • Registrar imediatamente os valores encontrados.

Urinol ou recipiente coletor graduado

Pacientes com capacidade de deambulação parcial ou total podem urinar diretamente em recipientes graduados específicos. Esse método é frequentemente utilizado em enfermarias e unidades de internação. Após a micção, o profissional realiza a leitura direta do volume.

Coleta em recipientes para balanço hídrico rigoroso

Em unidades críticas, alguns serviços utilizam recipientes graduados específicos para controle horário da diurese. Esse método permite monitorar alterações rápidas no débito urinário e identificar precocemente disfunções renais.

Avaliação qualitativa da urina

Além da quantidade eliminada, a enfermagem deve observar características importantes da urina.

Aspecto:

  • Límpido;
  • Turvo;
  • Com sedimentos.

Cor:

  • Amarelo-claro;
  • Amarelo-escuro;
  • Avermelhado;
  • Alaranjado.

Odor:

  • Característico;
  • Fétido;
  • Adocicado.

Presença de:

  • Sangue;
  • Muco;
  • Coágulos;
  • Sedimentos.

Essas informações auxiliam na identificação de alterações clínicas e devem ser comunicadas à equipe multiprofissional.

Cuidados gerais de enfermagem durante o controle de diurese

A precisão da mensuração é essencial para a segurança do paciente.

O profissional deve:

  • Realizar registros imediatamente após a medição;
  • Evitar estimativas aproximadas;
  • Utilizar recipientes adequadamente graduados;
  • Manter técnica asséptica nos sistemas de drenagem urinária;
  • Monitorar alterações quantitativas e qualitativas da urina;
  • Integrar os dados ao balanço hídrico diário.

A coleta correta dessas informações contribui diretamente para a avaliação clínica, prevenção de complicações e tomada de decisões terapêuticas.

Desafios e Boas Práticas

Um desafio constante para a enfermagem é o paciente que utiliza fraldas e possui cateter, ou que tem episódios de incontinência fora da sonda. O segredo é a comunicação clara com a equipe. Se o volume urinário foi perdido (em lençóis, por exemplo), isso deve ser registrado como uma estimativa e comunicado para que o balanço hídrico não seja interpretado de forma errada.

Outro ponto crucial é a higiene. Sempre que realizar a troca do dispositivo ou a medição, garanta a higienização das mãos. O controle de diurese é um momento de contato direto com excreções, e o cumprimento rigoroso das precauções padrão é o que protege tanto o paciente quanto o profissional de infecções cruzadas. A precisão na medição, somada ao registro pontual e à observação clínica, faz da enfermagem o principal sensor de alerta para a estabilidade hemodinâmica do paciente.

O controle de diurese é um procedimento simples, mas de enorme relevância clínica. A escolha do método adequado depende das condições do paciente e dos recursos disponíveis. Seja por meio do compadre, da comadre associada ao cálice graduado, da bolsa coletora da sonda vesical, da pesagem de fraldas ou de recipientes graduados, a enfermagem desempenha papel fundamental na obtenção de dados precisos e confiáveis.

O conhecimento dos diferentes métodos de mensuração e dos cuidados envolvidos garante maior segurança ao paciente e melhora significativamente a qualidade da assistência prestada.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança do Paciente: Protocolo de Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa. 
  5. HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S.; LOPES, C. T. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2024-2026. Porto Alegre: Artmed, 2024.
  6. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
  7. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: https://www.cofen.gov.br. 
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Diretrizes e recomendações sobre monitorização da função renal. Disponível em: https://www.sbn.org.br.

A sequência de uma Anotação de Enfermagem

A anotação de enfermagem é um registro essencial no prontuário do paciente. Ela serve não apenas para documentar a assistência prestada, mas também para garantir a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. Além disso, é um instrumento legal e ético que pode ser utilizado como prova documental das ações da equipe de enfermagem.

Para quem está começando a vida acadêmica ou profissional na enfermagem, entender como estruturar uma boa anotação pode parecer desafiador. Pensando nisso, elaboramos este guia completo com a sequência lógica de uma anotação de enfermagem, com exemplos práticos, explicações detalhadas e cuidados que não podem faltar.

Por Que Anotar Tão Detalhadamente? A Importância Além do Óbvio

Você pode se perguntar: “Preciso anotar tudo isso?”. E a resposta é um sonoro sim! A anotação de enfermagem tem múltiplas funções:

  • Comunicação Efetiva: É o principal meio de comunicação entre a equipe de saúde sobre o paciente. Imagine a passagem de plantão: uma boa anotação permite que o próximo colega compreenda rapidamente o estado do paciente e as intervenções realizadas.
  • Continuidade do Cuidado: Garante que o cuidado seja sequencial e lógico, sem repetições desnecessárias ou omissões importantes.
  • Base para o Planejamento: Ajuda a equipe a planejar os próximos passos, adaptar o plano de cuidados e avaliar a eficácia das intervenções.
  • Documento Legal: Serve como prova legal do cuidado prestado, essencial em caso de auditorias ou processos judiciais.
  • Pesquisa e Ensino: Contribui para a base de dados para pesquisas e para o ensino de futuros profissionais.

Agora que entendemos a importância, vamos à sequência que pode te ajudar a organizar suas anotações de forma impecável.

Entenda a Sequência

1. Apresenta: condições de entrada, estado geral e físicas observadas

Nesta parte, o profissional descreve como o paciente se apresenta no momento do atendimento. É importante relatar sinais observáveis, como nível de consciência, coloração da pele, presença de lesões, estado nutricional, entre outros.

  • Condições de entrada (se for admissão ou pós-procedimento): Como o paciente chegou ou como ele está após um evento.
    • Exemplo: “Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia.”
  • Estado geral: Uma avaliação rápida e abrangente do paciente.
    • Exemplo: “Paciente em bom estado geral, lúcido e comunicativo.” ou “Paciente em estado geral regular, sonolento e com queixa de dor.”
  • Condições físicas apresentadas (ao início do plantão ou momento da anotação): Observações objetivas sobre o corpo do paciente.
    • Exemplo: “Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos.” ou “Pele pálida e úmida, mucosas descoradas. Presença de cianose em extremidades.”

Outro exemplo prático:
“Paciente admitido a esta unidade de internação, em leito 10, lúcido, orientado, com coloração da pele pálida +/4, hidratado, afebril, acamado, com lesão por pressão estágio II em região sacral.”

Esse tipo de descrição ajuda a equipe a compreender o estado basal do paciente, o que pode orientar condutas e decisões clínicas posteriores.

2. Mantém: dispositivos e condições assistenciais em uso

Aqui são descritos todos os dispositivos que o paciente está utilizando, como cateteres, sondas, drenos, oxigenoterapia, acesso venoso, entre outros. Também é possível relatar se o paciente mantém posicionamento adequado, dieta prescrita, ou qualquer outro aspecto relevante do cuidado.

Dispositivos: Cateteres, sondas, drenos, acessos venosos, etc. Descreva o tipo, local e as condições de cada um.

  • Exemplo: “Mantendo acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado.”
  • Exemplo: “Mantendo dreno de tórax em hemitórax esquerdo, com débito serossanguinolento em selo d’água sem oscilação.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda nasoenteral em narina esquerda, fixada, sem sinais de irritação.”

Outro exemplo prático:
“Mantém cateter nasal de O₂ a 2L/min, acesso venoso periférico em MSD com jelco 22G funcionante, SNE posicionada, com dieta enteral em gotejamento contínuo sem intercorrências.”

Esse registro mostra o suporte necessário para o paciente e facilita a vigilância desses dispositivos.

3. Refere: queixas e percepções relatadas pelo paciente

Nessa parte, são descritas as queixas espontâneas do paciente ou aquilo que ele verbaliza. É essencial utilizar aspas para destacar as falas do paciente, assegurando a fidelidade da informação.

Queixas, sensações, percepções: O que o paciente verbaliza.

  • Exemplo: “Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada.”
  • Exemplo: “Paciente refere náuseas e tontura ao se levantar.”
  • Exemplo: “Paciente refere que está com sede e com dificuldade para dormir.”

Outro exemplo prático:
“Refere dor abdominal difusa, tipo cólica, intensidade 7 em escala de 0 a 10, iniciada há cerca de 2 horas. Refere também náuseas e ausência de evacuação há 2 dias.”

Esse tipo de anotação contribui para a construção diagnóstica e o planejamento das ações terapêuticas.

4.Procedimentos realizados: todas as ações executadas

Todos os procedimentos de enfermagem realizados devem ser registrados, com clareza, horário, técnica utilizada, materiais empregados e resposta do paciente, se aplicável.

  • Medicações administradas: Nome, dose, via, horário.
    • Exemplo: “Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição, às 14h.”
  • Aferição de sinais vitais: Valores e horário.
    • Exemplo: “Sinais vitais aferidos às 15h: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente.”
  • Higiene e conforto: Banho, troca de roupa, mudança de decúbito.
    • Exemplo: “Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo.”
  • Curativos: Tipo de curativo, local, condições da ferida.
    • Exemplo: “Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso.”
  • Coletas de exames: Tipo de exame e horário.
    • Exemplo: “Coletada amostra de sangue para hemograma e função renal às 16h, encaminhada ao laboratório.”
  • Orientações fornecidas: O que você orientou o paciente ou familiar.
    • Exemplo: “Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.”

Outro exemplo prático:
“Realizada troca de curativo em ferida sacral conforme prescrição médica e protocolo institucional, utilizando técnica asséptica, solução fisiológica 0,9% e cobertura de hidrocolóide. Ferida apresenta bordas regulares, presença de exsudato amarelado em pequena quantidade. Paciente colaborativo durante o procedimento.”

Isso demonstra a execução da assistência e oferece rastreabilidade para auditorias e revisões clínicas.

5. Intercorrências: descrição do evento, sinais e condutas

Sempre que houver algum evento inesperado, como quedas, reações adversas, agravamento do quadro clínico, entre outros, é obrigatório fazer o registro completo com data, hora, sinais/sintomas, condutas adotadas e equipe notificada.

  • Descrição do fato: O que aconteceu.
    • Exemplo: “Às 17h, paciente apresentou episódio de vômito em jato…”
  • Sinais e sintomas observados: As manifestações clínicas da intercorrência.
    • Exemplo: “… com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria.”
  • Condutas tomadas: As ações que você tomou em resposta à intercorrência.
    • Exemplo: “Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV (PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm). Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min.”
  • Avaliação da resposta: Como o paciente reagiu às suas condutas.
    • Exemplo: “Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.”

Outro exemplo prático:
“Às 15h30, paciente apresentou queda da oximetria para 85%, taquipneia e queixa de dispneia. Realizada aspiração de secreção via cateter nasal, coletado gasometria arterial, notificado médico plantonista. Iniciado O₂ a 3L/min. Saturação aumentou para 92% após intervenção. Permanece em monitoramento.”

A anotação precisa ser objetiva, sem julgamentos ou interpretações subjetivas, focando em fatos.

Cuidados importantes ao anotar:

  • Use linguagem técnica, clara e objetiva;
  • Evite abreviações não padronizadas;
  • Sempre identifique-se com nome completo e registro no COREN;
  • Registre o horário com precisão;
  • Não deixe espaços em branco;
  • Nunca rasure ou utilize corretivo;
  • Faça a anotação imediatamente após a ação realizada.

A Anotação Completa: Um Exemplo Integrado

Juntando tudo, uma anotação de enfermagem poderia ficar assim:

“14h00 – Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia. Apresenta-se em bom estado geral, lúcido e comunicativo. Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos. Mantém acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido. Mantém sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado. Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada. Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição. Sinais vitais aferidos: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente. Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.

17h00 – Paciente apresentou episódio de vômito em jato, com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria. Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV: PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm. Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min. Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.

20h00 – Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo. Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso. Paciente aceita dieta líquida em pequena quantidade, sem queixas. Mantido confortável.”

A Ponta do Lápis que Salva Vidas: Nossos Cuidados na Anotação

Anotar é um ato de cuidado. Lembre-se sempre de:

  • Ser Objetivo e Claro: Use termos técnicos, mas evite gírias. Seja direto e evite ambiguidades.
  • Ser Conciso: Vá direto ao ponto, mas sem omitir informações importantes.
  • Ser Cronológico: Anote os eventos na ordem em que aconteceram, com horários precisos.
  • Ser Legível: Sua letra precisa ser clara (ou a digitação, se for eletrônico).
  • Assinar e Carimbar: Sempre assine e carimbe suas anotações com seu nome completo, categoria profissional e número de registro no conselho.
  • Nunca Rasurar: Em caso de erro, passe um traço simples sobre o que errou, escreva “erro” e anote corretamente ao lado, datando e assinando. Nunca use corretivo.
  • Anotar o Que Você Viu e Fez: Baseie suas anotações em observações diretas e intervenções realizadas. Evite interpretações pessoais ou julgamentos.

Dominar a arte da anotação de enfermagem é um passo crucial para sua carreira. Ela é a prova do seu profissionalismo, o elo entre a equipe e a garantia de um cuidado de excelência para o paciente. Pratique, peça feedback e faça da anotação detalhada uma parte inseparável da sua rotina de enfermagem.

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, 2009. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
  2. HERMIDA, V. R. et al. Anotações de enfermagem: importância para a qualidade da assistência e segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 65, n. 4, p. 627-632, jul./ago. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/36t9V4Y5L9c8B5c9Y6G6p8w/?lang=pt. 
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre documentação em enfermagem).

Descrições Subjetivas e Objetivas na anotação de Enfermagem

Subjetivas e Objetivas

As diferenças sutis entre as descrições subjetivas e objetivas parecem ser simples de começo. Mas quando você mergulha mais sobre este assunto em um estudo de caso na enfermagem, você irá se encontrar pensando que isto era muito fácil!

Na verdade, isto é muito moleza! Nós que tornamos as coisas mais complicadas, tentando raciocinar sobre tudo ao mesmo tempo.

No relatório/anotação de enfermagem, é muito importante descrever as queixas e sinais que o paciente nos relata. E nelas podem ser divididas estas duas descrições, sendo de origem Subjetiva e Objetiva, no complexo da avaliação primária.

Descrição Subjetiva

É aqui que muitos se confundem. As descrições subjetivas são colhidas através do que o paciente lhe descreve sem que você possa utilizar seus 5 sentidos para mensurar.

Vou explicar de uma maneira mais fácil:

Se o paciente lhe diz que ele teve diarreia durante dois dias seguidos, isto é uma descrição subjetiva, ou seja, você não pode confirmar a informação de outra maneira, a não ser que o tenha confiança no que o paciente mesmo lhe disse.

A dor é subjetiva porque o paciente está te contando como a dor é.

“Ah, mas eu poderia utilizar a escala de dor e tornar isto uma descrição objetiva, porque eu posso perguntar ao paciente para pontuar a sua dor, sendo assim, um ato mensurável.”

Não caia neste pensamento! Sabe por que?

Pergunte a si mesmo, o paciente me respondeu esta informação ou eu mesmo pude observar e medir esta informação sozinho?

– É alguma coisa que eu possa observar utilizando meus cinco sentidos?
– O paciente me disse esta informação e eu posso verificar?

Descrição Objetiva

Este tipo de descrição podemos obter usando nossos sentidos e com auxílio de dispositivos. É um ato de medir e observar.

Vejamos um exemplo, que é a temperatura, um exemplo perfeito para uma descrição objetiva. A temperatura de uma pessoa pode ser obtida através do termômetro.

Outros exemplos de descrições objetivas:

– Batimentos Cardíacos e pulsação;
– Pressão Sanguínea;
– Respiração;
– Feridas e sangramentos aparentes;
– Descrição de deambulação.

Dicas

Como realizar uma boa anotação de enfermagem?

Os registros efetuados pela equipe de enfermagem (enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem) têm a finalidade essencial de fornecer informações sobre a assistência prestada, assegurar a comunicação entre os membros da equipe de saúde e garantir a continuidade das informações nas 24 horas, condição indispensável para a compreensão do paciente de modo global. Os registros […]