Você sabia que nem todo medicamento pode ser macerado (triturado)?

Você sabia que nem todo medicamento pode ser macerado (triturado)?

Você sabia que nem todo medicamento pode ser macerado (triturado)?

Há apresentações que são compostas e formuladas para serem liberadas gradualmente ao decorrer das horas, tendo sua finalidade de proteger os princípios ativos do pH baixo do estômago, bem como proteger a mucosa gástrica dos efeitos irritantes que algumas drogas possuem.

Todavia, alguns medicamentos possuem um revestimento entérico, formulado com a intenção de permitir que tais medicamentos passem intactos pelo estômago e liberem seus princípios ativos diretamente no intestino.

Tal mecanismo protege o estômago dos efeitos irritantes da droga, evita que o fármaco seja destruído pelo suco gástrico e atrasa o início da ação do medicamento.

Formulações de ação estendida (liberação lenta) são feitas para liberar a droga por um longo período de tempo.

Essas formulações incluem comprimidos em múltiplas camadas, nos quais a droga é liberada quando cada camada se dissolve.

Há também pílulas de liberação mista, que se dissolvem em intervalos de tempo diferentes.

Alguns medicamentos de ação estendida possuem duas metades, podendo, assim, ser quebrados em duas partes sem que se afetem os mecanismos de liberação da droga.

Ainda assim, tais medicamentos não podem ser macerados ou mastigados.

O que fazer quando uma medicação é prescrita e ocorrer este tipo de situação?

O profissional precisa ter um conhecimento básico dos fármacos utilizados em seu setor, para saber se pode ou não ser macerado, pode consultar o farmacêutico disponível no hospital, ou tirar dúvidas com o Enfermeiro do setor. Se tudo indicar que não é recomendado a utilização da medicação macerada, é necessário comunicar ao médico, para administrar em métodos alternativos, como via endovenosa, intramuscular, etc.

Nome Comercial

Nome Genérico

Observação

Acinic®, Metri®. Niacina Liberação lenta
Adalat® Nifedipino Liberação lenta
Anemiplus®, Hematofer®, Ferrini® Sulfato Ferroso Liberação lenta
Artane®

Triexifenidil

Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Carbolitium CR® Carbonato de Lítio Liberação lenta
Cardizem®, Cardizem CD®, Cardizem SR® Diltiazem Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Clohedyl SA® Oxtrifilina Liberação lenta
Depakene® Ácido Valpróico Liberação lenta. Irrita as membranas mucosas
Diamox®, Zolamox® Acetazolamida Liberação lenta
Dicorantil F® Disopiramida Liberação lenta
Dilacoron® Verapamil Liberação lenta
Dimetapp® Gelcaps Pseudoefedrina, Bronferinamina Liberação lenta

Dimorf®, Dimorf LC®, Dolo Moff®

Morfina Liberação lenta
Dorflex®, Doricin®, Rielex® Orfenadrina Liberação lenta
Dulcolax®, Lacto-Purga® Bisacodil Revestimento entérico
Eribiotic®, Eriflogin®, Eripan®, Eritax®, Eritrex®, Ilosone®, Lisotrex® Eritromicina (Etilsuccinato) Revestimento entérico
FULCIN®, SPOROSTATIN® Griseofulvina Maceração pode resultar em precipitação da droga
Gaspirem®, Loprazol®, Losec®, Lozap®, Omep®, Omeprazol® Omeprazol Liberação lenta
Hidrato de Cloral® Hidrato de Cloral Cápsula preenchida com líquido
INDERAL®,PRONOL®, PROPACOR®, Propranolol®, Propranolon®, Rebaten LA®, SanPRONOL® Cloridrato de Propanolol Liberação lenta
INDOCID® Indometacina Liberação lenta

Isordil®

Dinitrato de Isossorbida

Liberação lenta
Lansoprazol® Prazol Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar

Mestinon®

Piridostigmina

Liberação lenta
Monotrean®, Nicopaverina AP® Papaverina Liberação lenta
Naldecon® Fenilefrina Liberação lenta
Piroxil®, Piroxin® Piroxicam Irrita as membranas mucosas
Polaramine®, Celestamine® Dexclorfeniramina Liberação lenta
Roacutan® Isotretinoína Irrita as membranas mucosas
Teolong®, Talofilina® Teofilina Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Tropinal® Hiosciamina Liberação lenta

Precauções Padrão: O Que Você Precisa Saber

precauções padrão

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

A precaução padrão começa antes mesmo de saber qual é o diagnóstico do paciente. Esse é justamente o ponto que costuma ser esquecido: todo paciente é considerado potencialmente capaz de oferecer risco de exposição a agentes infecciosos, por isso as medidas básicas fazem parte de toda assistência.

As precauções padrão são medidas de prevenção aplicadas a todos os pacientes, independentemente de diagnóstico ou condição clínica, com o objetivo de proteger paciente, profissional e ambiente. Elas incluem higiene das mãos, uso adequado de equipamentos de proteção individual, manejo seguro de perfurocortantes, processamento de artigos e cuidados com resíduos e superfícies.

O que faz parte das precauções padrão?

A higiene das mãos é uma das principais medidas. Deve ser realizada nos cinco momentos recomendados: antes de tocar o paciente, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após tocar o paciente e após contato com superfícies próximas a ele. Também deve ocorrer antes de colocar as luvas e depois de retirá-las.

Os EPIs são escolhidos conforme o risco previsto. Luvas são indicadas quando houver possibilidade de contato com sangue, fluidos corporais, mucosas ou pele não íntegra; avental quando houver risco de contaminar a roupa; e proteção ocular, facial ou máscara quando houver possibilidade de respingos ou exposição das mucosas. A luva não substitui a higiene das mãos.

Um detalhe que faz diferença no plantão: colocar luvas para manipular um paciente não significa que seja seguro tocar com elas no computador, no telefone, na maçaneta ou no prontuário. Se a luva contaminada passa de uma superfície para outra, a cadeia de transmissão continua.

Perfurocortantes exigem atenção especial

Agulhas, lâminas, ampolas quebradas e outros materiais perfurocortantes devem ser manipulados e descartados de maneira segura, conforme o gerenciamento de resíduos e os protocolos institucionais.

O princípio é simples: não improvisar, não reencapar agulhas de forma inadequada e não transportar perfurocortantes desnecessariamente. O descarte deve ocorrer no recipiente apropriado e respeitar o limite de preenchimento estabelecido pelo serviço.

Durante um procedimento aparentemente rotineiro, uma agulha utilizada pode acabar na bandeja em vez do coletor porque alguém pretende “descartar tudo de uma vez”. É justamente nesse momento que um movimento inesperado ou uma tentativa de reorganizar o material pode transformar uma rotina simples em acidente ocupacional.

Precaução padrão não é isolamento

Esse é um dos pontos mais importantes para provas e para a prática.

Precaução padrão é aplicada a todos os pacientes. Já as precauções baseadas no modo de transmissão são acrescentadas quando existe suspeita ou confirmação de uma condição que exija medidas específicas. O protocolo atual da Anvisa organiza essas medidas em contato, gotículas e aerossóis.

Portanto, um paciente em precaução de contato continua recebendo precaução padrão. As medidas não são substituídas; elas são combinadas.

Precaução de contato

É utilizada quando o risco de transmissão está relacionado ao contato direto ou indireto, incluindo mãos, superfícies e equipamentos contaminados. O protocolo da Anvisa prevê, conforme a situação, uso de luvas e avental de manga longa, equipamentos preferencialmente exclusivos e limpeza e desinfecção adequada dos itens utilizados.

Precaução para gotículas

É indicada para agentes transmitidos principalmente por gotículas respiratórias. A máscara cirúrgica é utilizada conforme o protocolo e a situação epidemiológica, com atenção também ao transporte do paciente e às medidas de controle ambiental.

Precaução para aerossóis

É utilizada diante de agentes transmitidos por partículas que permanecem suspensas no ar por períodos prolongados. Nessas situações, o profissional utiliza respirador PFF2, N95 ou equivalente, conforme a indicação institucional e epidemiológica. Exemplos clássicos incluem tuberculose pulmonar ou laríngea, sarampo e varicela.

EPI não é sinônimo de precaução padrão

Um erro comum é decorar uma combinação fixa de luvas, avental, máscara e óculos para qualquer atendimento. O raciocínio correto é avaliar qual exposição pode ocorrer.

Se existe risco de respingo nos olhos, é necessária proteção ocular ou facial. Se há possibilidade de contaminar a roupa, utiliza-se avental. Se há risco respiratório relacionado ao modo de transmissão, a proteção respiratória deve corresponder à precaução indicada.

A Anvisa também orienta atenção à colocação e retirada dos EPIs, porque a própria desparamentação pode provocar contaminação quando realizada de maneira inadequada.

Equipamentos e ambiente também entram na prevenção

O controle da transmissão não termina quando o procedimento acaba. Estetoscópios, termômetros, oxímetros, esfigmomanômetros e outros equipamentos podem participar da cadeia de transmissão quando são compartilhados sem limpeza e desinfecção adequadas.

Sempre que possível, equipamentos utilizados em pacientes sob precauções específicas devem ser exclusivos. Quando isso não for possível, devem ser submetidos ao processamento indicado antes de serem utilizados em outro paciente.

Na prática, isso aparece em situações muito simples: o mesmo oxímetro é retirado de um leito, colocado no carrinho e levado imediatamente para outro paciente. Se não houver limpeza e desinfecção conforme o protocolo, o equipamento passa a funcionar como veículo de transmissão.

Transporte também exige planejamento

Quando um paciente em precaução precisa sair do quarto, a equipe deve avaliar se o deslocamento é realmente necessário e comunicar previamente o setor que irá recebê-lo. O tipo de precaução deve ser informado para que a equipe de destino possa se preparar.

Durante o transporte, devem ser mantidas as medidas necessárias e, depois, equipamentos como maca ou cadeira de rodas precisam seguir o processo de limpeza e desinfecção definido pelo serviço.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, os principais cuidados são:

  • realizar higiene das mãos nos momentos indicados;
  • selecionar EPI de acordo com o risco e a precaução instituída;
  • nunca considerar as luvas substitutas da higiene das mãos;
  • manter técnica segura no manuseio e descarte de perfurocortantes;
  • evitar tocar superfícies desnecessárias com luvas contaminadas;
  • utilizar equipamentos exclusivos quando indicado ou realizar sua adequada desinfecção;
  • sinalizar e comunicar a precaução instituída;
  • orientar paciente e acompanhante sobre as medidas necessárias;
  • comunicar ao setor de destino o tipo de precaução durante transferências e exames.

A aplicação correta dessas medidas depende também de treinamento contínuo, disponibilidade de insumos e protocolos institucionais atualizados. A Anvisa atualmente recomenda que os serviços mantenham protocolos de precaução e isolamento e capacitem as equipes para sua execução.

Para memorizar

Decore para a Prova

Precaução padrão → todos os pacientes.

Contato → transmissão por contato direto ou indireto.

Gotículas → transmissão por gotículas respiratórias.

Aerossóis → partículas suspensas no ar, exigindo proteção respiratória adequada.

E a regra que não pode ser esquecida: as precauções baseadas na transmissão são adicionais às precauções padrão, não substitutas.

Resumo para salvar

Precauções Padrão

  • São aplicadas a todos os pacientes
  • Higiene das mãos é uma medida fundamental
  • EPIs devem ser escolhidos conforme o risco de exposição
  • Contato, gotículas e aerossóis são precauções adicionais baseadas na transmissão

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Protocolo de Precauções e Isolamento em Serviços de Saúde. Versão 1. Brasília, DF: Anvisa, 2025. Protocolo de Precauções e Isolamento em Serviços de Saúde.
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Higiene das mãos em serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa. Higiene das mãos.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3 nº 05/2024: Orientações gerais para higiene das mãos em serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Nota Técnica nº 05/2024.
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3 nº 11/2025: Orientações para implementação de protocolos de prevenção de infecção pelos serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2025. Nota Técnica nº 11/2025.

Veja também:

Nefrótica Vs Nefrítica: As Síndromes

Nefrótica

Diversas doenças glomerulares tipicamente se apresentam com características tanto nefríticas quanto nefróticas. Essas doenças incluem glomerulopatias fibrilares e imunotactoides, glomerulonefrites membranoproliferativas e nefrite lúpica.

Mas qual é a diferença entre a Síndrome Nefrítica e Nefrótica?

Em resumo:

A Síndrome nefrítica ocorre perda abrupta da superfície de filtração → redução da excreção de líquidos, pequenos solutos, eletrólitos.

Já Síndrome nefrótica, ocorre aumento da permeabilidade do capilar glomerular à passagem de proteínas → proteinúria maciça.

Mas entendendo melhor..

Síndrome Nefrótica

A síndrome nefrótica pode ser causada por diversas doenças que acometem os rins. É caracterizada por proteinúria maciça (superior a 3,5g/ 24 horas), com tendência a edemahipoalbuminemia (albumina sérica inferior a 3,4g/dl) e hiperlipidemia.

A  perda maciça de proteínas pela urina causa a hipoalbuminemia já que a albumina é a mais abundante no circulação. O fígado não dá conta de sintetizar a quantidade adequada da proteína para equilibrar a perda.

A hiperlipidemia deve-se a uma maior síntese de proteínas de muito baixa densidade (carreadoras de triglicérides) e de baixa densidade (carreadoras de colesterol). Além disso, a hipoalbuminemia inibe a lipólise e estimula o fígado a produzir essas novas proteínas.

Hematúria microscópica, hemácias dismórficas e cilindros hemáticos podem surgir, raramente, na síndrome nefrótica.

Síndrome Nefrítica

A síndrome nefrítica é decorrente de uma inflamação glomerular aguda. Esta inflamação dos glomérulos pode ocorrer de forma idiopática, como doença primária dos rins, ou ser secundária a alguma doença sistêmica, como infecções e colagenoses.

A síndrome nefrítica clássica tem início repentino (dias/semanas) sendo que a principal causa é a glomerulonefrite pós-estreptocócica. Independente da origem, o quadro básico é caracterizado por hematúriaproteinúria leve (não-nefrótica, ou seja, menor que 3,5g/24h) e oligúria (400 ml/dia de urina).

A hematúria tem origem nos glomérulos comprometidos, e é o sinal mais característico e mais comum da síndrome nefrítica. As hemácias são dismórficas, devido à migração através de “rupturas” ou “fendas” que surgem nas alças capilares dos glomérulos inflamados.

O EAS também revela piúria e cilindros celulares (hemáticos e leucocitários).

Mas lembre-se!

Quando aparecem cilindros na urina é um forte indício de que há lesão renal (glomérulos ou túbulos)!

 

Veja também:

pielonefrite

https://enfermagemilustrada.com/calculose-renal-urolitiase/

Hematúria: Quais são as causas?

Hematúria

A definição mais simples da hematúria é presença de sangue na urina. Porém, na maioria das situações, o paciente com hematúria não se apresenta com uma urina francamente sanguinolenta, avermelhada ou com coágulos visíveis. Em muitos casos, a perda de sangue no trato urinário é tão discreta que não é possível notar a presença de sangue na urina apenas olhando para a mesma. Além disso, a presença de outras substâncias na urina, como bilirrubinas, medicamentos, corantes, mioglobina etc., também podem deixar a urina avermelhada, passando a falsa impressão de haver hematúria.

Portanto, para definirmos com segurança que uma urina contém sangue, é preciso submetê-la a análises laboratoriais. O exame de urina mais utilizado para o diagnóstico da hematúria é o EAS (também chamado de urina tipo 1 ou urina tipo 2).

Quais são os tipos de Hematúria?

Como existem dezenas de causas para a presença de sangue na urina, a caracterização da mesma ajuda na investigação clínica. Uma hematúria pode ter as seguintes características:

1. Hematúria macroscópica

É a hematúria que pode ser vista a olho nu, pois a urina encontra-se escurecida, avermelhada ou com coágulos de sangue. Este tipo de hematúria é facilmente reconhecida pelo próprio paciente.

2. Hematúria microscópica

É a hematúria que não pode ser vista a olho nu. A aparência da urina é completamente normal, sendo a presença de sangue apenas detectada através do exame de urina. Este tipo de hematúria pode existir por anos sem que o paciente tenha consciência do fato.

3.  Hematúria com coágulos

A hematúria com coágulos é um tipo de hematúria macroscópica. A presença de coágulos geralmente indica um sangramento de maior volume, causado por uma lesão do trato geniturinário, que frequentemente pode ser identificada através de exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada.

4. Hematúria persistente ou transiente

A hematúria, seja ela macroscópica ou microscópica, pode ser persistente, ou seja, está constantemente presente; ou ser intermitente, isto é, aparecer e desaparecer de tempos em tempos.

5. Hematúria dismórfica

Hematúria dismórfica ocorre quando no exame de urina detectam-se hemácias com formato atípico (dismórficas). Isso geralmente é um sinal de doença dos glomérulos renais.

6. Hematúria isolada

Hematúria isolada ocorre quando o paciente não apresenta nenhum outro sinal ou sintoma  além da presença de sangue na urina. A maioria das doenças que provoca hematúria causa sintomas, como dor para urinar, febre, dor nas costas, ou outras alterações nos exames laboratoriais, como a presença de proteínas e/ou leucócitos na urina, elevação da creatinina e da urina no sangue.

A presença de sangue na urina quando ocorre sem nenhum outro sinal ou sintoma e com exames laboratoriais persistentemente normais, habitualmente, indica uma doença benigna.

E as causas?

A hematúria pode ter origem em qualquer ponto do trato urinário, incluindo rins, ureter, bexiga, próstata ou uretra. Algumas causas de sangramento urinário são:

  • Câncer renal.
  • Câncer de bexiga.
  • Câncer de próstata.
  • Cálculo renal.
  • Infecção urinária.
  • Hiperplasia benigna da próstata.
  • Glomerulonefrite.
  • Lúpus.
  • Anemia falciforme.
  • Doença policística renal.
  • Acidentes com traumatismo renal.
  • Trauma após passagem de sonda vesical.
  • Trauma por manipulação cirúrgica ou endoscópica do sistema urinário.
  • Biopsia da próstata.
  • Biópsia renal.
  • Cistite rádica (lesão da bexiga por radioterapia).
  • Tuberculose urinária.
  • Esforço físico.
  • Excesso de cálcio na urina.
  • Endometriose.
  • Uretrite.
  • Anticoagulação excessiva.

Obs:  alguns medicamentos, como pyridium, rifampicina, fenitoína e nitrofurantoína, ou alimentos, como beterraba,  podem deixar a urina avermelhada sem que isso signifique a presença de sangue.

Investigando as Causas

Como podemos ver acima, as causas de sangue na urina são múltiplas e, por isso, nem sempre a investigação é simples e rápida.

No caso de mulheres com hematúria microscópica o primeiro passo é confirmar se a urina não foi colhida durante a menstruação. Durante o período menstrual há sempre um pouco de sangue da menstruação na urina, provocando uma falsa hematúria. Nestes casos, o exame de urina precisa ser refeito fora da menstruação para confirmação.

Algumas vezes, os sinais e sintomas que acompanham a hematúria podem sugerir o diagnóstico, por exemplo:

  • Mulheres jovens com ardência ao urinar e hematúria provavelmente têm cistite.
  • Pacientes com hematúria acompanhada de febre, calafrios, vômitos e dor lombar possivelmente apresentam pielonefrite.
  • Hematúria acompanhada de excruciante dor lombar, com com irradiação para virilha, costuma ser um sinal de cálculo renal.
  • Homens idosos, com hematúria e jato urinário fraco, devem sempre ser investigados para doenças da próstata.
  • Em pessoas acima dos 50 anos, fumantes e com hematúria macroscópica, o câncer de bexiga deve ser sempre pensado.

Quando não há uma causa aparente para a hematúria, inicia-se uma investigação mais complexa, tentando descartar ou confirmar algumas das várias causas citadas acima. Alguns dos exames que podem ser usados na investigação são a ultrassonografia, tomografia computadorizada ou cistoscopia. Outros exames laboratoriais de sangue e urina também ajudam no diagnóstico diferencial. Em algumas hematúrias, principalmente se houver suspeita de doença dos glomérulos renais, a biópsia renal pode ser indicada.

E também:

DOENÇA DA MEMBRANA FINA (HEMATÚRIA BENIGNA FAMILIAR)

Em alguns casos de hematúria isolada não é possível identificar uma causa. Se o paciente não tiver nenhuma outra queixa e se todos os exames forem normais, um acompanhamento anual ou a cada dois anos apenas para ver se está tudo bem é o único procedimento indicado nestes casos. Geralmente estes pacientes apresentam um problema chamado doença da membrana fina, que é uma discreta alteração genética nas membranas dos glomérulos, provocando perda de sangue na urina, sem nenhuma relevância clínica. Estes pacientes habitualmente vivem o resto da vida com hematúria sem que isso provoque qualquer repercussão em suas vidas.

HEMATÚRIA APÓS ESFORÇO FÍSICO

A hematúria após esforço físico é aquela que surge após a realização de qualquer atividade física de grande intensidade, geralmente extenuante. Este tipo de hematúria pode ser macroscópica ou microscópica e tende a ser transiente, desaparecendo após alguns dias de repouso.

Este tipo de sangramento na urina não costuma ter nenhum significado clínico. Se o paciente for jovem, saudável, não tiver outras queixas e a hematúria desaparecer com o repouso, não há necessidade de nenhuma investigação mais profunda.

Há tratamento?

Como a hematúria é um sinal de doença e não uma doença em si, não há um tratamento específico para ela. Cada uma das causas de hematúria apresenta um forma de tratamento diferente e, em muitos casos, não é necessário tratamento algum, como nos pacientes com doença da membrana fina, hematúria pós-esforço físico ou hematúrias transitórias.

Veja também:

sistema urinário

O que é uma Laparotomia?

Laparotomia
 

A laparotomia vem do grego: láparos = abdômen; tomos = corte, ou seja, é a abertura cirúrgica da cavidade abdominal para fins diagnósticos e/ou terapêuticos. Em termos populares, é a cirurgia “de barriga aberta”. Ela não é uma prática recente, remontando à antiguidade, mas teve grande expansão no século XX, graças ao advento das drogas curarizantes, da intubação traqueal, do maior conhecimento da anatomia e fisiologia da parede abdominal e dos processos de cicatrização da ferida cirúrgica.

A Laparotomia diagnóstica Vs  A Laparotomia terapêutica

Em uma laparotomia diagnóstica, a natureza da doença é desconhecida, e a laparotomia é necessária para identificar a causa. Na laparotomia terapêutica, uma causa foi identificada (por exemplo úlcera péptica, câncer de cólon) e o procedimento é requerido para a sua terapia. Geralmente, somente a laparotomia diagnóstica consta como uma operação cirúrgica por si; quando uma operação específica é planeada, a laparotomia é considerada meramente a primeira etapa do procedimento.

Quais são os locais propensos a uma Laparotomia?

Dependendo do local da incisão, pode-se ter acesso a todo um órgão ou ao espaço abdominal, e é a primeira etapa em qualquer procedimento cirúrgico diagnóstico ou terapêutico destes órgãos, que incluem:

  • a porção inferior do tubo digestivo (o estômago, o duodeno, o jejuno, o íleo e o cólon)
  • o fígado, o pâncreas e o baço
  • a bexiga
  • os órgãos reprodutivos femininos ( útero e ovários)
  • o retroperitôneo (os rins, o aorta, linfonódos abdominais)

A incisão mais comum para o laparotomia é a incisão mediana, uma incisão vertical que segue a linha alba. A incisão mediana supraumbilical estende-se do processo do xifóide ao umbigo, uma incisão mediana infraumbilical vai do umbigo até a sínfise púbica. Uma única incisão que se estende do processo xifóide até a sínfise pubica é empregada às vezes, especialmente na cirurgia do trauma. É chamada de xifo-púbica.

As incisões medianas são favorecidas particularmente na laparotomia diagnóstica, porque permitem um amplo acesso à toda a cavidade abdominal. Outras incisões comuns para laparotomia incluem:

  • Incisão de Kocher (subcostal direita) (homenagem a Emil Theodor Kocher); própria para cirurgias no fígado, na vesícula biliar e na árvore biliar.
  • incisão de Davis no quadrante infeior direito (ou de Davis-Rockey-Rockey para apendicectomia);
  • Incisão de McBurney, e também no quadrante inferior direito para apendicectomia, porém obliqua, é mais usada que a de Davis;
  • Incisão de Pfannenstiel, um incisão transversal abaixo do umbigo e apenas 1 dedo acima da sínfise púbica, empregada mais freqüentemente para cesariana;
  • Lombotomia – consiste em uma incisão lombar que permite o acesso aos rins (que são órgãos retroperitoneais) sem entrar na cavidade peritoneal. É um acesso cirúrgico comum na cirurgia urológica.

Um procedimento relacionado é o laparoscopia, onde as câmeras e outros instrumentos são introduzidos na cavidade peritoneal através de pequenos furos no abdômen. Como exemplo, uma apendicectomia pode ser feita por uma laparotomia ou por um acesso laparoscópico.

Quais são os cuidados de Enfermagem no Pós Operatório de uma Laparotomia?

  • Realizar balanço hidroeletrolítico;
  • Realizar troca de curativos;
  • Atentar para sinais flogísticos e anotar;
  • Auxiliar o paciente na higiene corporal;
  • Administrar medicamentos prescritos pelo médico;
  • Monitorizar sinais vitais

Orientações de cuidados em âmbito domiciliar

  • Ensinar ao cliente como trocar a bandagem aplicada na incisão. Reforce a importância de ele comunicar quaisquer sinais de infecção da ferida ou hematoma.
  • Orientar ao cliente para esperar até o dia seguinte ao da laparoscopia para trocar a bandagem. Além disso, recomende que ele faça refeições leves depois da laparoscopia, a fim de reduzir quaisquer gases abdominais residuais.
  • Se o cliente tiver submetido a uma laparotomia, orientar para seguir as restrições prescritas às atividades.
  • Estimular o cliente a seguir as instruções para a alta relacionadas especificamente com o procedimento abdominal realizado e a comparecer às consultas médicas de acompanhamento.

Veja Mais:

Períodos Perioperatórios

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Fenilcetonúria (PKU): O que é?

Fenilcetonúria (PKU): O que é?

Existem 20 aminoácidos essenciais no corpo. A Fenilalanina é uma delas.

A Fenilcetonúria, ou do inglês Phenylketonuria (PKU) é um dos erros inatos do metabolismo, com padrão de herança autossômico recessivo. O defeito metabólico, gerado geralmente da enzima hepática Fenilalanina Hidroxilase, leva ao acúmulo do aminoácido Fenilalanina (FAL) no sangue e ao aumento da Fenilalanina e da excreção urinária de Ácido Fenilpirúvico. Foi a primeira doença genética a ter tratamento estabelecido com terapêutica dietética específica. Esses aminoácidos essenciais precisam ser fornecida através de fontes externas, como alimento. Eles são denominados “essenciais” pois eles são necessários para o corpo a funcionar corretamente e crescer normalmente. No entanto, demasiado de um aminoácido pode ser ruim para o corpo. Uma overdose de fenilalanina provoca fenilalanina hidroxilase, uma enzima que está presente no fígado, para convertê-lo em outro aminoácido chamado tirosina.

Se há falta de deficiência desta enzima há aumento resultante da compilação acima de fenilalanina nos tecidos do sangue e especialmente no cérebro. Se este aminoácido se acumula no cérebro podem ser irreversíveis e, às vezes, graves danos cerebrais.

Qual é a causa do PKU?

Bebês nascidos com PKU são raros, mas eles têm um defeito genético que torna-os incapazes de quebrar a fenilalanina. A condição é herdada e muitas vezes é passada para baixo nas famílias. Para o bebê adquirir a condição de ambos os pais tem que carregar o gene defeituoso. No entanto, apesar de ter o gene defeituoso, os pais não têm a condição. Este método de transmissão da doença dos pais com genes defeituosos sem doença que transmiti-lo para o bebê é chamado de “traço autossômico recessivo”. Os pais que carregam o gene defeituoso são chamados portadores da condição. Se ambos os pais carregam o gene defeituoso, há uma chance de 25% que o bebê vai ter a condição. O gene defeituoso é transportado no cromossoma 12.

Fenilalanina está presente em alimentos que contêm proteínas e em alguns adoçantes artificiais. Acumulação de aminoácido no cérebro leva a retardo mental e outros graves problemas.

É importante que a família fique atenta e verifique a presença e a quantidade de fenilalanina no rótulo de medicamentos e alimentos industrializados. São proibidos alimentos que contenham o adoçante aspartame na sua formulação. Com esta preocupação, a ANVISA fez um trabalho com a indústria alimentícia e publicou uma Tabela de Composição de Fenilalanina em Alimentos, com mais de 600 itens, possibilitando ampliar a variedade de alimentos consumidos e melhorar a qualidade de vida dos fenilcetonúricos.

Que sinais e sintomas ocasionam a PKU?

As mães que têm níveis sanguíneos elevados de fenilalanina e carregando seus bebês no útero também possuem um alto risco de ter o bebê com:

  • retardo mental
  • atraso no desenvolvimento
  • tamanho da cabeça pequeno (microcefalia)
  • rash cutâneo ou eczema
  • feira de pele devido à falta de pigmentos de pele
  • problemas cardíacos.

Bebês com PKU também podem ter um odor de mofo corpo devido à excessiva fenilalanina no corpo.

Há tratamento para PKU?

Não há cura específica para a fenilcetonúria. A condição resulta da sobrecarga de fenilalanina que o corpo é incapaz de metabolizar devido à falta de enzima fenilalanina hidroxilase. Esse acúmulo pode levar a danos cerebrais e cognitivos graves. A condição é freqüentemente detectada em bebês e crianças. Terapia ou intervenções devem começar imediatamente para evitar mais danos.

Existem várias maneiras de gerenciar o PKU. O principal caminho é controlando a dieta.

Evitar a proteína na dieta!

Intervenção primária ou terapia é evitar proteínas na dieta. A fenilalanina é obtida da dieta. Alimentos ricos em proteínas, como carne, devem ser evitados. Proteínas mais seguras ou substitutos especialmente formulados precisam ser iniciados. Dieta da criança em crescimento com PKU precisa ser rigorosamente monitorada e controlada de preferência com a ajuda de um nutricionista.

A fenilalanina é encontrada em ovos, carne, leite, adoçante artificial (aspartame) etc. Bebês com PKU podem precisar de fórmula infantil especial com baixo teor de fenilalanina. Portadores de PKU também podem ser prescritos suplementos de óleo de peixe para substituir os ácidos graxos de cadeia longa que são perdidos na dieta livre de fenilalanina. Isso também ajuda no desenvolvimento neurológico e atividades motoras finas.

Os pacientes também podem necessitar de suplementação com carnitina, cálcio, vitamina D e ferro. O objetivo geralmente aceito da terapia para as hiperfenilalaninemias é a normalização das concentrações de fenilalanina e tirosina no sangue.

Os níveis alvo são 120-360 µmol / L (2-6 mg / dL) para fenilalanina.

A dieta é iniciada assim que a condição é detectada e continuada pelo menos até a adolescência. As mulheres grávidas devem ser aconselhadas sobre essa dieta para evitar a exposição de seus bebês em gestação. Se os bebês são expostos à fenilalanina alta na dieta da mãe, eles podem estar em risco de abortos, defeitos congênitos, danos cerebrais, pequenas cabeças (microcefalia) e alterações na pele, mesmo que não adquiram PKU da mãe.

Fórmula infantil especial para recém-nascidos

Em recém-nascidos, a fórmula livre de fenilalanina é iniciada assim que o diagnóstico é feito. A amamentação é dada juntamente com a fórmula sob orientação de um nutricionista. A ingestão de fórmula é distribuída durante todo o dia para evitar flutuações no nível sanguíneo. A ingestão total de aminoácidos de pelo menos 3 g / kg / dia, incluindo 25 mg de tirosina / kg / dia, é recomendada em crianças com menos de dois anos de idade. Os níveis sanguíneos de fenilalanina precisam ser monitorados uma ou duas vezes por semana.

Dieta para crianças com mais de dois anos de idade

Estas crianças precisam de 2 g / kg / dia de aminoácidos, incluindo 25 mg de tirosina / kg / dia. Eles também precisam de monitoramento quinzenal até os sete anos de idade e, posteriormente, uma monitoração mensal é recomendada.

Dieta para adolescentes e adultos

Alguns recomendam dieta livre de fenilalanina para a vida. Alguns recomendam o relaxamento após os 12 anos de idade. A dieta precisa ser reintegrada durante a gravidez e se os sintomas aparecerem na idade adulta.

Tratamento de outras condições

O tratamento de condições associadas, como a epilepsia, também é importante, especialmente quando a doença se manifesta.

Terapia Comportamental

A terapia comportamental, o aconselhamento e outros tratamentos psicossociais são essenciais em crianças que desenvolvem atrasos cognitivos devido à PKU. A equipe de terapia é composta por nutricionistas, assistentes sociais, enfermagem, médicos e psicólogos.

Suplementos Dietéticos

Alguns estudos mostraram que a suplementação de dieta com o estereoisômero 6R-BH 4em menos de 20 mg / kg por dia em várias doses orais divididas pode ajudar pacientes com PKU. Aqueles com PKU leve ou moderada podem responder a esta terapia. A droga é dito para melhorar a hidroxilação da fenilalanina e, assim, reduz os níveis de fenilalanina no plasma e melhora a tolerância da fenilalanina.

Terapias genéticas potenciais para PKU

Existem ensaios clínicos e pesquisas sobre o uso de terapias gênicas, a fim de modificar os genes defeituosos para prevenir e tratar a PKU. No entanto, nenhum deles foi amplamente utilizado clinicamente e a dieta continua sendo um dos únicos métodos para o manejo dessa condição.

Veja também:

Hiperbilirrubinemia Neonatal (Icterícia Neonatal)

Curarização: O Bloqueio Neuromuscular

Curarização: O Bloqueio Neuromuscular

Todo paciente criticamente doente e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva e sob suporte ventilatório, necessita receber medicações com a finalidade de restaurar e manter seus órgãos e funções o mais próximo do fisiológico possível. Além disso,a ventilação mecânica, que muitas vezes é necessária, produz no organismo efeitos indesejáveis, que precisam ser revertidos, sob pena de ser mantida a função ventilatória, porém alterada a função de outros sistemas do organismo. Muitas vezes, certas sedações e analgesias já sendo aplicadas ao doente, não são o suficientes para reverter o desconforto respiratório e a dor que o mesmo sente.

Portanto, é utilizado o procedimento de Curarização, na qual é utilizado medicamentos para fortalecer a sedação já ali contínua no paciente. A Curarização ou Bloqueio Neuromuscular resulta da ação de drogas ou curares na junção neuromuscular, que, atuando, na maioria das vezes, como antagonistas competitivos da acetilcolina, que impedem a ligação desta aos receptores nicotínicos, localizados na porção pós-sináptica da junção. Clinicamente, se expressa pela paralisia muscular flácida ou pela fraqueza muscular generalizada.

Quando é indicado a Curarização?

Há algumas situações nas quais os curares estão indicados, mas não são indispensáveis. Tais situações são a intubação traqueal, reaquecimento pós operatório com tremores, presença de anastomoses vasculares delicadas, a necessidade de proteção de feridas sob tensão, anastomose traqueal, pressão intracraniana elevada, inserção de cateteres vasculares invasivos, em pacientes agitados, facilitação da ventilação mecânica, controle das convulsões, durante o estado de mal epiléptico e o controle dos espasmos tetânicos. A necessidade de curares pode ser bastante reduzida ou mesmo abolida, se sedação e analgesia adequadas forem realizadas.

Raramente um paciente sob ventilação mecânica requer curarização. A curarização está indicada em pacientes com baixa complacência torácica ou pulmonar, naqueles desadaptados à ventilação  mecânica e naqueles nos quais existe um risco de barotrauma devido às pressões elevadas das vias aéreas. Nas modalidades de ventilação com relação I:E invertida e naquelas com geração de altos volumes por minuto, a curarização pode ser indicada.

Quais são as principais medicações para a Curarização?

Succinilcolina (Quelicin ®)

É usada na UTI para intubação traqueal, principalmente quando o tônus muscular da mandíbula impede a laringoscopia. A dose é de 1-2 mg/kg, intravenosa. E útil em pacientes ditos de “estômago cheio”, nos quais a intubação seqüêncial rápida, com manobra de compressão sobre a cartilagem cricóide (manobra de Sellick) está indicada. Provoca fasciculações musculares devido a uma despolarização persistente, responsável pela elevação do potássio sérico de 0.5-1 mmol/L e que pode gerar arritmias cardíacas. Esta hipercalemia é mais intensa após queimaduras, paraplegia ou hemiplegia, trauma muscular, e por lesão do neurônio motor superior, conseqüência de trauma ou acidente vascular cerebral. A succinilcolina aumenta a pressão intragástrica, podendo causar regurgitação e aspiração, além de ser contra-indicada em pacientes susceptíveis de hipertermia maligna.

Pancurônio (Pavulon ®)

É o curare mais empregado em UTI. É um curare de duração de ação entre quarenta e cinco e sessenta (45-60) minutos e dependente de mecanismos renais (70%) e hepáticos (30%) para sua eliminação, acumulando-se nos pacientes com insuficiência renal ou hepática, quando administrado em doses mais elevadas. Possui um efeito vagolítico que determina hipertensão e taquicardia.

Atracúrio (Tracrium ®)

É um curare de duração intermediária, ao redor de vinte (20) minutos. E eliminado por hidrólise espontânea plasmática, independente dos mecanismos renais e hepáticos. Os efeitos cumulativos estão praticamente ausentes e, por isso, está aconselhado para utilização sob infusão contínua. Pode liberar histarnina, principalmente quando administrado rapidamente.

Vecurônio (Norcuron ®)

É um curare de duração intermediária (trinta (30) minutos) análogo ao pancurônio, porém com menos efeitos sobre o sistema cardiovascular. É primariamente metabolizado pelo fígado, e dependente dos rins para a excreção. A dosagem deve ser reduzida na insuficiência hepática e renal. Adapta-se à infusão contínua, embora produza um metabólito ativo que possui metade da potência do composto original.

Rocurônio (Esmeron ®)

Em doses de 0.6 mg/ kg, produz boas condições de intubação entre sessenta e noventa (60-90) segundos e duração de efeito prolongado (quarenta (40) minutos). Outros curares como o doxacúrio, pipecurônio e mivacúrio são curares com pouca experiência de utilização em UTI.

Como reverter a curarização?

O bloqueio neuromuscular pode ser antagonizado (exceto no caso da succinilcolina) por drogas anticolinesterásicas. Em nosso meio, o agente mais empregado é a neostigmina (Prostigmine ®) na dosagem de 0.05 mg/kg. A administração concomitante de atropina (0.01 mg/kg) é preconizada com a finalidade de atenuar a estimulação sobre os receptores periféricos muscarínicos, reduzindo, principalmente, a intensa bradicardia, determinada por estes agentes. A intensidade do bloqueio neuromuscular pode ser monitorizada através da estimulação do nervo periférico e as dosagens podem ser, assim, ajustadas para uma intensidade mínima de depressão da atividade muscular.

Quais complicações os curares podem ocasionar?

O bloqueio neuromuscular, por tempo prolongado, pode induzir a uma disfunção neuromuscular, caracterizada por fraqueza muscular generalizada, tetraparesia, arreflexia, progredindo até a paralisia flácida, persistente por dias ou meses. Em alguns pacientes, uma associação entre curare e corticoterapia, em altas dosagens (mal asmático, transplantado hepático) foi observada. Deve ser diferenciada da polineuropatia da UTI, que ocorre por ocasião da sepse, na ausência da administração de qualquer curare. Cabe ainda lembrar que inúmeras drogas potencializam o efeito dos curares, tais como os aminoglicosídeos, tetraciclinas, anestésicos locais, fenitoína, propranolol, trimetafam, glicosídeos cardíacos, cloroquina, catecolaminas e diuréticos.

Veja também:

O Despertar Diário em UTI

RASS – Escala de agitação e sedação de Richmond

Analgésicos e Sedativos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

 

Dicas

Cálculos EnfMed: Enfermagem e Medicina em um Só Aplicativo!

Para os amantes de aplicativos, da Enfermagem e também da Medicina, este é um aplicativo inovador! Primeiramente este aplicativo desenvolvido especialmente para os Sistemas Operacionais Android, chamado de “Cálculos EnfMed”, foi desenvolvido pelo Enfermeiro Erick Vazquez Yañez. Mexicano, graduado em Enfermagem com especialização em Enfermagem Neonatal, com diploma em inaloterapia e ventilação mecânica, e sobretudo professor […]

A Roupa Privativa

A Roupa Privativa é um Equipamento de Proteção Individual (EPI), e faz parte da norma regulamentadora do Ministério do trabalho, a NR 32, tendo em pauta os seguintes itens:

 32.10.19 O empregador deve fornecer, sem ônus para o empregado, vestimenta de trabalho adequada aos riscos ocupacionais em condições de conforto, bem como responsabilizar-se por sua higienização.

32.10.20 Antes de sair do ambiente de trabalho, após o seu turno laboral, os trabalhadores devem retirar suas vestimentas e os equipamentos de proteção individual, que possam estar contaminados por agentes biológicos e colocá-los em locais para este fim destinados.

Porém, se utilizados de forma inadequada pode ser um veículo de transmissão de microrganismos potencialmente patogênicos, influenciando na distribuição dos mesmos em diferentes ambientes.

Segundo citado na NR 32,  o profissional deve depositar seus EPI em locais próprios antes de sair do ambiente de trabalho, pois, essa segurança não é efetiva apenas pelo uso desses equipamentos, mas também pela forma que são utilizados, sua descontaminação e rotina de troca. É significativa a quantidade de microrganismos encontrados nos uniformes dos profissionais de saúde e essa quantidade pode aumentar durante o período de trabalho. Os agentes patogênicos encontrados nessas vestimentas podem ser advindos dos pacientes, correndo o risco de em seguida serem disseminados no ambiente, contaminando outros indivíduos e comprometendo a recuperação dos mesmos.

O risco é ainda maior quando essa contaminação ocorre em ambientes como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que são setores destinados ao acolhimento de pacientes com perfil clínico grave e que necessitam de acompanhamento e atenção contínua para o monitoramento do seu desempenho durante a internação. Estas unidades são consideradas áreas críticas, tanto pelo estado clínico dos pacientes internados, quanto pelo risco desses desenvolverem Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

Mas o que são as IRAS?

As IRAS são definidas como qualquer tipo de infecção que acomete o indivíduo em ambiente hospitalar e estão entre a maior causa de morbimortalidade em pessoas que se encontram em estado clínico agravado e que se submetem a procedimentos clínicos invasivos, além da sepse e microrganismos multirresistentes, entre outros fatores de risco que podem levar ao óbito, sendo consideradas, portanto, um relevante problema de saúde pública.

Dentre os agentes causadores dessas IRAS está presente o grupo dos Staphylococcus sp., esses microrganismos estão presentes na microbiota da pele e podem ser facilmente disseminados. O risco dessa disseminação em ambientes críticos é preocupante devido à grande capacidade que esse microrganismo possui de desenvolver resistência à maioria dos antibióticos.

O grande número de infecções hospitalares adquiridas anualmente gera um custo financeiro significativo. Em meio às prováveis fontes dessas infecções encontram-se os equipamentos de saúde, dentre os quais estão presentes os uniformes privativos, que apresentam uma contaminação de 60%, incluindo bactérias resistentes a diferentes drogas.

Quais são os benefícios com o uso da Roupa Privativa?

A utilização de uniformes privativos para as UTIs é de fundamental importância para a proteção dos colaboradores do setor, bem como a manutenção das boas práticas para cuidados aos pacientes na intenção de evitar IRAS. E para proteção pessoal também do colaborador, a fim de evitar que se contamine com fluídos, secreções e outros itens que podem prejudicar o uso de sua roupa pessoal.

Não somente a Roupa Privativa, mas outros itens também podem levar a contaminação!

Devemos também nos preocupar não somente com a troca constante destas roupas privativas, mas também como a lavagem de gorros/toucas não descartáveis (de tecido), e a limpeza constante dos sapatos ocupacionais, o lavagem constante dos jalecos, que se armazenados em outros locais com sujidade acoplada nestes itens, podendo contaminar um ambiente totalmente livre de microrganismos.

Porém, a contaminação de jalecos, roupas privativas, gorros, sapatos, uniformes é praticamente inevitável em ambiente hospitalar, podendo ser um dos fatores que levam a infecções, considerando que estes são um potencial reservatório de microrganismos, o que leva a hipótese de que os uniformes analisados neste estudo possam estar colaborando para a disseminação de agentes possivelmente patogênicos.

A contaminação dos uniformes utilizados para a assistência à saúde aumenta de forma progressiva de acordo com o tempo de uso e atividades desenvolvidas no período de utilização dos mesmos.

Os Microrganismos

Diferentes microrganismos são encontrados nas amostras dos uniformes privativos, porém, enfatizou-se o Staphylococcus aureus por sua importância epidemiológica nas IRAS, sendo estes referidos como um dos microrganismos que mais estão associados às infecções primárias da corrente sanguínea. Um fator importante sobre esse microrganismo é sua capacidade de adquirir resistência a diferentes antibióticos, tais como a oxacilina e vancomicina.

REFERÊNCIA:

VALADARES, Bruno Dos Santos et al. Contaminação de Uniformes Privativos Utilizados por Profissionais que Atuam nas
Unidades de Terapia Intensiva. Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, Santa Cruz do Sul, v. 7, n. 1, jan. 2017. ISSN 2238-3360. 

Veja também:

O Terror dos Hospitais: Os Microrganismos Resistentes e seu tempo de sobrevida no ambiente

Acinetobacter

Pseudomonas

O Equipo Bureta

O Equipo Bureta

O Equipo Bureta é um dispositivo utilizado para administrar medicações em pequenos volumes e que necessitem de um rigoroso controle de seu volume com exatidão.

A administração de medicações em bureta é um método para controle de volume que permite fornecer um volume de líquido relativamente pequeno e em quantidades exatas, no caso da neonatologia, pediatria e em clínicas para adultos, onde são usadas várias medicações que requerem re-diluição, como por exemplo:

-Amicacina;
-Aminofilina;
-Gentamicina;
-Penicilina;
-Clindamicina, entre outras.

É indicada para para crianças acima de 2.500 kg, sem clínica de ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva) ou insuficiência renal aguda, pois nesta técnica, a cada medicação, introduz-se no mínimo 10 ml de solução para re-diluir o medicamento e 10 ml para lavar a bureta ou equipo.

A re-diluição destas medicações podem ser feitas com soro fisiológico 0,9% ou soro glicosado a 5%, de acordo com a prescrição médica.

No caso da re-diluição de medicamentos na qual é utilizada em Neonatologia e Pediatria, apresentam prescrições médicas com doses que são calculadas por meio do peso ou superfície corporal da criança. Re-diluir consiste em diluir o medicamento dentro do padrão de costume, avaliar quanto contém em cada ml, aspirar 1 ml e re-diluir em 9 ml de água destilada, quantas vezes forem necessárias para que possamos aspirar a dose prescrita com exatidão.

PROCEDIMENTO E MATERIAL PARA O PREPARO DA MEDICAÇÃO DILUÍDA EM BURETA

– Higienizar as mãos;
– Separar o material necessário: Soro e/ou ampolas de soluções de acordo com a prescrição médica;
-Seringa para aspirar as soluções prescritas: avalie o volume de medicação para determinar a seringa;
-agulhas 40/12 para aspirar a medicação;
-Algodão e álcool;
-Equipo bureta (micro gotas).

PREPARANDO A MEDICAÇÃO NA BURETA

– Retire o equipo da Embalagem;

-Feche a pinça rolete;

-Abra o soro no local indicado, após ter feito a desinfecção com álcool a 70%;

-Retire a capa protetora da ponteira da conexão da câmara do equipo;

-Conectar a ponteira do equipo no soro, com técnica asséptica para que não ocorra contaminação;

-Retire o ar da extensão do equipo, drenando o soro pelo equipo;

-Identifique o soro com com o rótulo contendo as informações necessárias (do paciente e da medicação);

-Identifique o equipo de soro com data, para que ocorra a sua troca de acordo com o protocolo da instituição;

-Colocar o soro no suporte devidamente identificado;

-Preencha a bureta com soro;

-Faça desinfecção com álcool a 70% no orifício de silicone da bureta;

-Injete o medicamento, posicionando a agulha na parede interna da bureta;

-Complete o volume de diluente prescrito;

-Comunique ao paciente e/ou ao seu responsável se presente, o que será realizado;

-Conecte o equipo no dispositivo venoso;

-Calcule quantas micro gotas serão administradas por minuto;

-Inicie a infusão da solução prescrita;

-Lave as mãos;

– Realize a checagem da medicação na prescrição médica e a anotação de enfermagem do procedimento;

 

OBSERVAÇÕES DE ENFERMAGEM

 

-O equipo e bureta devem ser lavados após cada medicação para evitar precipitação da droga, devido interação medicamentosa;

-Comunicar e registrar as possíveis reações adversas;

-Toda medicação deve ser administrada em SG5% ou SF0,9% puro; sendo exclusivo para este fim e trocado a cada 24hs;

-O tempo de infusão influenciará sua toxicidade, observe o tempo preconizado para cada medicação;

-Avaliar o quadro clínico do paciente, idade, medicamento prescrito e respeitar as especificações do fabricante;

-Importante ter o conhecimento de regras básicas para calcular o gotejamento da medicação.

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Equipo Macrogotas e Microgotas: As Diferenças


O Equipo Bureta