Fototerapia e os cuidados de enfermagem

A fototerapia é um recurso terapêutico amplamente utilizado na área da saúde, especialmente na neonatologia e na dermatologia. Trata-se do uso controlado da luz para fins terapêuticos, capaz de promover benefícios clínicos importantes quando aplicada de forma correta e segura.

Na prática da enfermagem, a fototerapia exige conhecimento técnico, atenção contínua e cuidados específicos para evitar complicações. Compreender seus princípios, indicações e formas de aplicação é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

O que é fototerapia?

A fototerapia é uma modalidade de tratamento que utiliza luz artificial com comprimento de onda específico para provocar reações químicas e biológicas no organismo. Essa luz pode ser emitida por lâmpadas fluorescentes, halógenas ou por dispositivos de LED.

O uso mais conhecido da fototerapia ocorre no tratamento da icterícia neonatal, mas também é aplicada em doenças dermatológicas, alterações metabólicas e algumas condições inflamatórias da pele.

O princípio básico da fototerapia é a capacidade da luz de modificar determinadas substâncias presentes no organismo, tornando-as mais fáceis de serem eliminadas.

A Fisiologia por Trás do Brilho Azul

Para entender a fototerapia, precisamos primeiro compreender o que ela combate. A bilirrubina é um subproduto da quebra dos glóbulos vermelhos. No recém-nascido, o fígado ainda é imaturo e muitas vezes não consegue processar essa bilirrubina (chamada de indireta ou não conjugada) de forma rápida o suficiente.

Como a bilirrubina indireta é lipossolúvel, ela tem afinidade por tecidos gordurosos e pelo sistema nervoso central, o que a torna perigosa.

O papel da luz azul, especificamente no comprimento de onda entre 425 nm e 475 nm, é realizar uma transformação química na pele do bebê. Através de processos chamados fotoisomerização e isomerização estrutural, a luz altera a estrutura molecular da bilirrubina indireta, transformando-a em lumirrubina. A grande mágica aqui é que a lumirrubina é hidrossolúvel, ou seja, ela pode ser excretada pela bile e pela urina sem precisar passar pelo processamento do fígado. É uma via alternativa de eliminação que a medicina utiliza para contornar a imaturidade hepática do neonato.

Indicações e Critérios para Início do Tratamento

Nem todo bebê com icterícia precisa de fototerapia. A decisão médica baseia-se em tabelas que cruzam o nível de bilirrubina sérica com a idade gestacional e o tempo de vida em horas. Recém-nascidos prematuros, por exemplo, têm limiares muito mais baixos para iniciar o tratamento do que bebês a termo.

A icterícia pode ser fisiológica, surgindo após as primeiras 24 a 36 horas de vida, ou patológica, que é aquela que aparece precocemente ou atinge níveis alarmantes rapidamente, muitas vezes por incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho (como o sistema ABO ou Rh). A enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce, observando a progressão cefalocaudal da icterícia através das Zonas de Kramer, onde a cor amarela começa na face e desce para o tronco e membros à medida que os níveis sanguíneos aumentam.

Outros usos da fototerapia

Além da neonatologia, a fototerapia é utilizada em diversas áreas da saúde. Na dermatologia, é indicada no tratamento de doenças como psoríase, vitiligo, dermatite atópica e algumas formas de acne.

Em pacientes adultos, também pode ser utilizada para tratamento de hiperbilirrubinemia, prurido associado a doenças hepáticas e algumas condições inflamatórias cutâneas.

Existem diferentes tipos de fototerapia, como a ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB) e luz azul, cada uma com indicação específica conforme a patologia.

Fototerapia no câncer e lesões pré-cancerosas

A fototerapia pode ser utilizada na forma de Terapia Fotodinâmica (TFD), que é diferente da fototerapia convencional da icterícia neonatal.

Na Terapia Fotodinâmica, aplica-se uma substância fotossensibilizante no paciente e, em seguida, expõe-se a área a um tipo específico de luz. Essa combinação produz radicais livres que destroem seletivamente as células doentes.

Ela é indicada principalmente para:

  • No tratamento de lesões pré-cancerosas da pele, como a queratose actínica, que pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • No tratamento de câncer de pele não melanoma, especialmente o carcinoma basocelular superficial.
  • Em alguns tumores superficiais, como câncer de esôfago inicial, pulmão em estágio inicial (lesões endobrônquicas), bexiga e cavidade oral.

Como tratamento paliativo, para redução de massa tumoral e alívio de sintomas como sangramentos e obstruções.

A grande vantagem é que a terapia fotodinâmica atua de forma localizada, preservando tecidos saudáveis ao redor.

Fototerapia no câncer de pele

Na dermatologia oncológica, a fototerapia é amplamente utilizada no manejo de:

  • Queratose actínica
  • Doença de Bowen (carcinoma in situ)
  • Carcinoma basocelular superficial
  • Lesões cutâneas pré-malignas

Além disso, pode ser utilizada para tratar efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia, como mucosite oral, utilizando laser de baixa intensidade (fotobiomodulação).

Fototerapia nos distúrbios do humor

A fototerapia também é utilizada em psiquiatria e saúde mental, principalmente no tratamento da depressão sazonal, conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).

Essa condição ocorre devido à menor exposição à luz solar, principalmente no inverno, alterando a produção de melatonina e serotonina.

A exposição controlada à luz branca intensa ajuda a:

  • Regular o ritmo circadiano
  • Reduzir sintomas depressivos
  • Melhorar disposição e energia
  • Diminuir sonolência diurna

Também vem sendo estudada como terapia complementar em:

  • Depressão maior
  • Transtorno bipolar (com cautela)
  • Ansiedade
  • Síndrome da fadiga crônica

Fototerapia nos distúrbios do sono

A luz é um dos principais reguladores do relógio biológico (ritmo circadiano). A fototerapia é indicada em pacientes com:

  • Insônia
  • Síndrome do atraso da fase do sono
  • Trabalhadores de turno noturno
  • Jet lag
  • Distúrbios do sono em idosos
  • Distúrbios do sono em pacientes com demência

Ela atua ajustando a produção de melatonina, melhorando:

  • Qualidade do sono
  • Tempo para adormecer
  • Regularidade do ciclo vigília-sono
  • Estado de alerta durante o dia

Outras indicações clínicas da fototerapia

Além das áreas citadas, a fototerapia também é usada em:

  • Vitiligo
  • Psoríase
  • Dermatite atópica
  • Acne inflamatória
  • Prurido associado à insuficiência renal crônica
  • Icterícia do adulto
  • Mucosite oral em pacientes oncológicos
  • Feridas crônicas (laser de baixa intensidade)
  • Reabilitação muscular e dor crônica

Tipos de equipamentos utilizados

Os equipamentos de fototerapia variam conforme o tipo de luz emitida e a finalidade terapêutica. Na neonatologia, são utilizados aparelhos com lâmpadas fluorescentes ou LED que emitem luz azul-esverdeada.

Há também mantas de fibra óptica, conhecidas como biliblanket, que permitem maior mobilidade do recém-nascido e contato com a mãe durante o tratamento.

Na dermatologia, os equipamentos podem emitir radiação UV controlada, sempre sob prescrição médica e monitoramento rigoroso.

Indicações clínicas da fototerapia

A principal indicação é a icterícia neonatal com níveis de bilirrubina acima dos valores considerados seguros para a idade e peso do recém-nascido. Outras indicações incluem doenças dermatológicas inflamatórias, distúrbios pigmentares da pele e algumas condições associadas à insuficiência hepática.

A decisão de iniciar a fototerapia deve sempre ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, conforme protocolos estabelecidos.

Riscos e efeitos adversos

Embora seja um tratamento seguro, a fototerapia não é isenta de riscos. Os efeitos adversos mais comuns incluem desidratação, aumento da temperatura corporal, irritação cutânea, diarreia e alterações no padrão de sono.

A exposição inadequada pode causar queimaduras leves, lesões oculares e aumento do risco de instabilidade térmica no recém-nascido.

Por isso, o monitoramento constante é indispensável durante todo o período de uso da fototerapia.

Cuidados de enfermagem na fototerapia

A enfermagem possui papel central na condução segura da fototerapia. Antes de iniciar o procedimento, é essencial verificar a prescrição médica, identificar corretamente o paciente e avaliar as condições clínicas.

No recém-nascido, deve-se manter o paciente despido, exceto pela fralda, para maximizar a área de exposição da pele à luz. Os olhos devem ser protegidos com óculos apropriados para evitar lesões na retina.

A equipe deve posicionar corretamente o equipamento, respeitando a distância recomendada entre a fonte de luz e o paciente, conforme orientação do fabricante.

Durante o tratamento, é necessário monitorar sinais vitais, temperatura corporal, hidratação, aspecto da pele e comportamento do paciente. O balanço hídrico deve ser rigorosamente controlado, pois a fototerapia aumenta a perda de líquidos.

A mudança de decúbito deve ser realizada periodicamente para garantir exposição uniforme da pele à luz. A higiene da pele deve ser mantida, evitando o uso de cremes ou óleos que possam interferir na absorção da luz.

É importante observar sinais de complicações, como hipertermia, lesões cutâneas, irritabilidade excessiva ou alterações nos exames laboratoriais.

Orientações à família

A enfermagem também tem papel educativo junto aos familiares, explicando o motivo da fototerapia, sua importância e os cuidados necessários durante o tratamento.

Muitos pais demonstram ansiedade ao ver o recém-nascido sob luz artificial, com olhos protegidos. Esclarecer que o procedimento é seguro e temporário ajuda a reduzir o medo e aumenta a adesão ao tratamento.

O estímulo ao aleitamento materno deve ser mantido sempre que possível, com interrupções breves da fototerapia para alimentação e cuidados básicos.

Importância da monitorização laboratorial

Durante o uso da fototerapia, os níveis de bilirrubina devem ser monitorados periodicamente para avaliar a eficácia do tratamento. A suspensão da fototerapia ocorre quando os valores retornam a níveis seguros para a idade do paciente.

A enfermagem deve estar atenta aos horários das coletas laboratoriais e ao registro adequado das informações no prontuário.

A fototerapia é um recurso terapêutico eficaz, seguro e amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na assistência ao recém-nascido com icterícia. Seu sucesso depende diretamente da correta indicação, do uso adequado dos equipamentos e da atuação vigilante da equipe de enfermagem.

O conhecimento técnico, aliado à observação contínua e à humanização do cuidado, garante que o tratamento seja realizado de forma segura, prevenindo complicações e promovendo a recuperação do paciente.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender os fundamentos da fototerapia é essencial para uma prática clínica responsável e baseada em evidências científicas.

 

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation. Pediatrics, v. 150, n. 3, 2022. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Icterícia no recém-nascido com idade gestacional > 35 semanas. Departamento de Neonatologia, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na UTI Neonatal: Assistência ao Recém-Nascido de Alto Risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_profissionais.pdf
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança no uso de equipamentos médicos. Brasília: ANVISA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia
  7. KRAMER, L. I. Advancement of dermal icterus in the jaundiced newborn. American Journal of Diseases of Children, v. 118, p. 454–458, 1969. Disponível em: https://jamanetwork.com
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Diretrizes para o manejo da icterícia neonatal. São Paulo: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br
  9. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines on neonatal jaundice and phototherapy. Geneva: WHO, 2022. Disponível em:
    https://www.who.int

Intervenções de Enfermagem na Violência Contra Idosos

A violência contra idosos é um problema de saúde pública grave e complexo, que exige atenção e ações efetivas de todos os profissionais da saúde, em especial dos enfermeiros.

Como primeiros profissionais a entrar em contato com essas vítimas, os enfermeiros desempenham um papel fundamental na identificação, prevenção e cuidado dessas pessoas.

Qual o papel do enfermeiro na prevenção e cuidado de idosos vítimas de violência?

O enfermeiro atua em diversas frentes para proteger os idosos da violência:

Identificação

O primeiro passo é identificar os sinais de violência, que podem ser físicos, psicológicos, sexuais, financeiros ou negligência. É importante estar atento a lesões inexplicáveis, mudanças comportamentais, retraimento social, desnutrição e sinais de negligência nos cuidados pessoais.

Comunicação

 Estabelecer um ambiente de confiança com o idoso é essencial para que ele se sinta seguro em relatar a violência sofrida. A comunicação clara, empática e respeitosa é fundamental.

Avaliação

 Realizar uma avaliação completa do idoso, incluindo a coleta de dados sobre a história de vida, a situação familiar e social, e os tipos de violência sofridos.

Documentação

 É crucial documentar todas as informações relevantes, incluindo as lesões, os relatos do idoso e as ações realizadas. Essa documentação servirá como prova em caso de denúncia.

Notificação

 A notificação obrigatória dos casos de violência contra idosos é fundamental para garantir que as medidas de proteção sejam tomadas e que o agressor seja responsabilizado.

Encaminhamento

O enfermeiro deve encaminhar o idoso para os serviços especializados, como assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais que possam oferecer o suporte necessário.

Educação

 Promover a educação em saúde para a comunidade sobre a prevenção da violência contra idosos é fundamental para mudar a cultura e criar uma sociedade mais justa e protetora.

Advocacia

 O enfermeiro deve atuar como defensor dos direitos dos idosos, buscando garantir que eles tenham acesso aos serviços de saúde e proteção social.

Quais são as principais intervenções de enfermagem?

  • Promoção da saúde: Oferecer orientações sobre hábitos de vida saudáveis, prevenção de quedas, alimentação adequada e atividades físicas.
  • Prevenção de quedas: Avaliar os riscos de quedas e implementar medidas para prevenir acidentes.
  • Promoção da autonomia: Incentivar a autonomia do idoso, sempre que possível, e oferecer suporte para que ele possa tomar suas próprias decisões.
  • Fortalecimento da rede social: Estimular a participação do idoso em atividades sociais e o contato com familiares e amigos.
  • Promoção da saúde mental: Oferecer suporte psicológico e emocional para o idoso e sua família.

Desafios e Considerações

O enfrentamento da violência contra idosos é um desafio complexo que envolve diversos fatores sociais, culturais e econômicos. Os enfermeiros podem encontrar dificuldades como:

  • Subnotificação: Muitos casos de violência não são denunciados.
  • Falta de recursos: Os serviços de saúde e assistência social podem estar sobrecarregados e com recursos limitados.
  • Resistência da família: A família pode negar a violência ou ter dificuldade em aceitar ajuda externa.
  • Falta de preparo dos profissionais: Nem todos os profissionais de saúde estão preparados para lidar com a violência contra idosos.

A violência contra idosos é uma violação dos direitos humanos e um problema de saúde pública grave.

Os enfermeiros desempenham um papel fundamental na identificação, prevenção e cuidado dessas vítimas. Ao adotar uma postura ativa e humanizada, os enfermeiros podem contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos idosos e para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Referências:

  1. Oliveira, K. S. M., Carvalho, F. P. B. de ., Oliveira, L. C. de ., Simpson, C. A., Silva, F. T. L. da ., & Martins, A. G. C.. (2018). Violência contra idosos: concepções dos profissionais de enfermagem acerca da detecção e prevenção. Revista Gaúcha De Enfermagem, 39, e57462. https://doi.org/10.1590/1983-1447.2018.57462
  2. Santos, J. de S., Santos, R. da C., Araújo-Monteiro, G. K. N. de ., Santos, R. C. dos ., Costa, G. M. C., Guerrero-Castañeda, R. F., & Souto, R. Q.. (2021). Cuidado de enfermagem forense ao idoso em situações de violência: revisão de escopo. Acta Paulista De Enfermagem, 34, eAPE002425. https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AR02425

Pneumonia Aspirativa

A pneumonia aspirativa é uma condição grave que ocorre quando substâncias estranhas, como alimentos, líquidos ou secreções, são aspiradas para os pulmões, causando inflamação e infecção. Essa condição é mais comum em idosos, pacientes com dificuldades de deglutição ou aqueles com alterações do nível de consciência.

Nesta publicação, vamos explorar as causas, os sintomas, os fatores de risco e os tratamentos da pneumonia aspirativa, além de destacar a importância dos cuidados preventivos.

Como ocorre?

A pneumonia aspirativa acontece quando o mecanismo de proteção das vias aéreas falha, permitindo que partículas estranhas entrem nos pulmões. Essas partículas podem conter bactérias, que desencadeiam uma resposta inflamatória e infecciosa.

Fatores de Risco

Entre os principais fatores de risco estão disfagia (dificuldade para engolir), doenças neurológicas como AVC ou Parkinson, uso de sedativos ou álcool, e condições que reduzem o nível de consciência, como coma ou anestesia geral.

Sintomas

Os sintomas da pneumonia aspirativa podem variar, mas geralmente incluem tosse persistente, febre, falta de ar, dor no peito e expectoração com odor desagradável.

Em casos graves, o paciente pode apresentar confusão mental, cianose (coloração azulada da pele) e queda na oxigenação.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base no histórico clínico, exame físico e exames complementares, como radiografia de tórax e tomografia computadorizada.

Tratamento

O tratamento da pneumonia aspirativa envolve o uso de antibióticos para combater a infecção, suporte respiratório com oxigênio ou ventilação mecânica, se necessário, e fisioterapia respiratória para ajudar na eliminação de secreções.

Em casos de aspiração recorrente, pode ser necessário ajustar a dieta do paciente para alimentos mais pastosos ou até mesmo considerar a alimentação por sonda.

Prevenção

A prevenção é um aspecto crucial no manejo da pneumonia aspirativa. Para pacientes com disfagia, é essencial realizar avaliações fonoaudiológicas para identificar e corrigir problemas de deglutição.

Cuidados como elevar a cabeceira da cama durante as refeições, evitar alimentos de consistência inadequada e supervisionar pacientes com dificuldades de alimentação podem reduzir significativamente o risco de aspiração.

Cuidados de Enfermagem

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental na prevenção e no tratamento da pneumonia aspirativa. Cuidados como a higiene bucal regular, o posicionamento correto do paciente e a observação atenta durante a alimentação são medidas simples, mas eficazes, para evitar complicações.

Além disso, a educação dos familiares e cuidadores sobre os riscos e as práticas seguras de alimentação é essencial para garantir a segurança do paciente.

Em resumo, a pneumonia aspirativa é uma condição que exige atenção e cuidados específicos, especialmente em pacientes vulneráveis. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e medidas preventivas, é possível reduzir os riscos e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Referências:

  1. TOUFEN JUNIOR, Carlos; CAMARGO, Fernanda Pereira de; CARVALHO, Carlos Roberto Ribeiro. Pneumonia aspirativa associada a alterações da deglutição: relato de caso. 1 Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 2 19, n. 3, p. 371-374, set. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti/a/RQq7f6DgSmHJBn6QG8PnnCR/?format=pdf
  2. Teramoto, S. (2022). The current definition, epidemiology, animal models and a novel therapeutic strategy for aspiration pneumonia. 1 Respiratory Investigation, 60(1), 45-55. https://doi.org/10.1016/j.resinv.2021.08.008

A Troca da roupa de cama com paciente

arrumação do leito hospitalar é um procedimento essencial para garantir o conforto e a higiene dos pacientes acamados.

Como realizar?

Materiais Necessários:

  • Lençol de baixo limpo
  • Lençol de cima limpo
  • Lençol móvel ou meio limpo
  • Fronha(s) limpa(s)
  • Edredom ou cobertor limpo (opcional)

Passos:

  1. Remova a roupa de cama usada:
    • Retire o edredom ou cobertor (se houver).
    • Retire o lençol de cima, meio ou móvel e as fronhas.
    • Por fim, retire o lençol de baixo.
  2. Faça a cama:
    • Vire o paciente para um dos lados do leito.
    • Enrolar os lençóis da metade livre da cama, em direção às costas da pessoa.
    • Estender o lençol limpo na metade da cama que está sem lençol.
    • Virar a pessoa sobre o lado da cama que já tem o lençol limpo e remover o lençol sujo, esticando o resto do lençol limpo.
    • Coloque o lençol de baixo no colchão e prenda-o sob os quatro cantos.
    • Coloque o lençol de cima sobre o colchão, alinhando as bordas com as bordas do lençol de baixo.
    • Coloque as fronhas nos travesseiros, acomodando o paciente sobre o mesmo.
    • Por fim, arrume o edredom ou cobertor (se houver) sobre o lençol de cima.

Dicas:

  • Para facilitar, dobre o lençol de baixo ao meio no comprimento e depois ao meio na largura. Isso criará uma linha central que você pode usar para alinhar o lençol no colchão.
  • Para esticar o lençol de cima, segure dois cantos opostos do lençol e puxe-os firmemente sobre os cantos opostos do colchão.
  • Troque a roupa de cama regularmente para manter um ambiente limpo e higiênico.

Referência:

  1. POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G.. Fundamentos de Enfermagem. 9.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

Prevenção de Quedas: Principais Medidas

A prevenção de quedas é uma preocupação significativa no ambiente de saúde, visando a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento.

O Protocolo de Prevenção de Quedas integra uma série de medidas proativas que buscam minimizar os riscos e as consequências das quedas nos estabelecimentos de saúde.

Essas medidas incluem a avaliação de risco do paciente, que deve ser realizada diariamente para identificar aqueles que possuem maior probabilidade de queda.

Além disso, é fundamental a implementação de um ambiente seguro, com pisos nivelados, ausência de objetos soltos no chão e sinalização adequada de áreas molhadas ou potencialmente perigosas.

Medidas que integram o protocolo de Prevenção de Risco de Quedas

Avaliação do risco de queda

A avaliação do risco de queda deve ser feita no momento da admissão do paciente com o emprego de uma escala adequada ao perfil dos pacientes da instituição. Essa avaliação deve ser repetida diariamente até a alta do paciente. Nesse momento, também se deve avaliar a presença de fatores que podem contribuir para o agravamento do dano em caso de queda.

Segundo alguns autores, os fatores de risco intrínsecos funcionais incluem:

  • Idade acima de 65 anos
  • Alterações do nível de consciência
  • Distúrbios do equilíbrio
  • Déficit motor
  • Déficit sensorial
  • Síncope
  • Incontinência urinária
  • Incontinência fecal
  • Uso de medicamentos (sedativos, anti-hipertensivos etc.)
  • Hipotensão postural
  • História de queda recente.

Os fatores intrínsecos relacionados às patologias são:

  • Doenças osteomioarticulares
  • Neurológicas
  • Otológicas
  • Cardiovasculares

Prevenção de quedas em instituições de saúde

  • Utilização da Escala de Morse;
  • Após avaliação e identificação do paciente em risco de queda, realize a prescrição de enfermagem com as medidas profiláticas (pelo enfermeiro);
  • Realize a identificação do paciente com risco de queda por meio de pulseira e/ou de sinalização à beira do leito;
  • Identifique o prontuário do paciente com a etiqueta de risco de queda;
  • Os pacientes com risco de queda devem ter supervisão intensiva, sobretudo aqueles que apresentarem confusão mental. Nessa situação, procure conscientizar a família sobre a importância da presença de um acompanhante;
  • Comunique à equipe multiprofissional sobre o risco de queda do paciente;
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que acompanhem o paciente na ida ao banheiro e não o deixem sozinho, inclusive durante o banho. Recomenda-se deixar uma luz do banheiro acesa à noite. Se o paciente tiver vários fatores de risco e estiver sem acompanhante (sozinho no quarto), mantenha a porta do quarto aberta;
  • Deixe a área de circulação do quarto livre de móveis e utensílios;
  • Identifique as solicitações de exames externos com etiqueta de risco;
  • Registre no prontuário do paciente todas as intervenções realizadas;
  • Entregue a orientação institucional sobre a prevenção de quedas (panfletos etc.), ao paciente e ao acompanhante, no primeiro dia de internação;
  • Reforce e acrescente as orientações, à equipe e ao acompanhante, quando surgirem outros riscos (introdução de medicamentos, intervenções cirúrgicas, piora do quadro clínico etc.);
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que auxiliem o paciente na saída e no retorno ao leito, na transferência do leito para a maca, cadeira de rodas e poltrona;
  • Oriente a equipe multiprofissional e o acompanhante para que mantenham as grades do leito do paciente com risco de quedas sempre elevadas;
  • Mantenha a cama na posição baixa, se possível, e com as rodas travadas;
  • Mantenha a campainha e os objetos pessoais ao alcance do paciente;
  • Avalie a necessidade de realizar a contenção mecânica do paciente no leito, em razão de seu estado mental. A contenção somente deve ser realizada quando todas as demais intervenções tiverem sido ineficazes e o paciente estiver em condição de ser um risco para si mesmo;
  • Explique ao paciente e ao acompanhante o tipo de calçado que o paciente deve usar: com solado antiderrapante e fácil de calçar;
  • Sempre que necessário, acione as equipes de manutenção e limpeza do serviço de saúde a fim de manter o ambiente (quartos, corredores, banheiros) em boas condições de circulação (piso limpo, seco, livre de irregularidades e obstruções).

Na ocorrência de queda

  • Em caso de queda, encaminhe o paciente ao leito, comunique a enfermeira e o médico da unidade ou de plantão;
  • Verifique e anote no prontuário do paciente e na ficha de ocorrência de quedas, de maneira clara e completa, as circunstâncias em que ocorreu a queda, incluindo:
    • Risco de queda, identificado no dia em que ela ocorreu;
    • Período do dia em que ocorreu o evento;
    • Local da queda;
    • Como ocorreu a queda;
    • Se o paciente estava sozinho ou com acompanhante;
    • Se o paciente estava confuso;
    • Se houve testemunhas;
    • Se o paciente acionou a campainha ou chamou antes da queda;
    • Quais as medicações em uso;
    • Se havia prescrições voltadas à prevenção de quedas no prontuário do paciente;
    • A conduta médica – registro indispensável.

– Verifique e anote as condições externas que colaboraram para a queda, como a altura da cama, se estava com as grades baixadas, se a campainha do quarto e banheiro estavam
funcionando. Registre também o quadro de pessoal da unidade e como foi feita a divisão de trabalho naquele dia;

– Solicite avaliação médica, mesmo quando parecer que não houve lesões e que o paciente está bem (os pacientes podem não valorizar alguns sintomas porque não os associam com a queda) Preste atenção às reações do paciente nas 24 h seguintes;

– Encaminhe a ficha de ocorrência de queda para a coordenação de enfermagem e para a comissão de prevenção de quedas para análise;

– Acompanhe o monitoramento do paciente após a queda, com a comissão de prevenção de quedas ou com o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP).

Referências:

  1. protocolo-de-prevencao-de-quedas (www.gov.br)
  2. PR.MULT_.002-00-Protocolo-de-Prevencao-de-Queda-1.pdf (ints.org.br)
  3. 13404490571782_Protocolo_Prevencao_de_Quedas__15-10-2009.pdf (saudedireta.com.br)

Nebulização/Inalação: Cuidados de Enfermagem

A nebulização é a administração de medicamentos nas vias respiratórias superiores (VAS) por meio de um dispositivo que libera medicações aerossóis. Esses aerossóis chegam ao tecido epitelial mucoso do trato respiratório.

Objetivos da Nebulização

    • Umidificar as vias aéreas superiores.
    • Aliviar inflamações e congestões.
    • Fluidificar secreções das vias aéreas superiores.
    • Estimular a tosse.
    • Diminuir o edema nas vias aéreas superiores.
    • Administrar medicações por via respiratória.

Materiais Necessários

    • Bandeja.
    • Fonte de oxigênio ou ar comprimido.
    • Intermediário (chicote) de oxigênio ou ar comprimido.
    • Solução prescrita em uma seringa com identificação.
    • Seringa para medir a dose, se necessário.
    • Nebulizador com máscara.
    • Fluxômetro de oxigênio ou ar comprimido.

Técnica para Realizar a Nebulização

    • Higienize as mãos.
    • Explique o procedimento ao paciente ou familiar.
    • Separe os materiais necessários na bandeja.
    • Leve o material até o paciente.
    • Realize a higiene das mãos.
    • Coloque o paciente em posição de Fowler.
    • Conecte o inalador à fonte de oxigênio ou ar comprimido.
    • Coloque o medicamento dentro do copo do nebulizador.
    • Abra a válvula do fluxômetro entre 3 a 6 L/min.
    • Observe a formação de névoa (fumaça).
    • Em casos de crianças, retire a chupeta.
    • Adapte a máscara do inalador ao paciente, utilizando o elástico e mantendo o copo do nebulizador na posição vertical.

A equipe de enfermagem (técnicos e enfermeiros) é responsável pela administração correta da nebulização.

Mantenha sempre os cuidados necessários para garantir a segurança e eficácia desse procedimento.

Referências:

  1. HUUFSC
  2. FMSC

Cuidados de Enfermagem ao RN Prematuro

O recém-nascido prematuro é aquele bebê que nasceu antes de 37 semanas de gravidez. Devido ao nascimento precoce, seus órgãos podem estar subdesenvolvidos e não prontos para funcionar fora do útero.

Os Cuidados pré-natais realizados desde o início da gestação podem ajudar a reduzir o risco de parto prematuro.

Pontos Importantes

  1. Desenvolvimento dos órgãos: Como muitos órgãos estão subdesenvolvidos, o bebê prematuro pode enfrentar dificuldades para respirar e se alimentar. Além disso, ele é mais suscetível a hemorragias cerebrais, infecções e outros problemas.
  2. Classificação por idade gestacional:
    • Prematuro extremo: Nasceu antes da 28ª semana de gestação.
    • Muito prematuro: Nasceu entre a 28ª e a 32ª semana de gestação.
    • Moderadamente prematuro: Nasceu entre a 32ª e a 34ª semana de gestação.
    • Prematuro tardio: Nasceu entre a 34ª e a 37ª semana de gestação.
  3. Prevenção e tratamento:
    • Pré-natal: Cuidados pré-natais desde o início da gestação podem ajudar a evitar o parto prematuro.
    • Medicamentos: Em casos de expectativa de parto prematuro significativo, a mãe pode receber medicamentos para retardar ou interromper as contrações.
    • Corticosteroides: Quando necessário, o médico pode administrar injeções de corticosteroides na mãe para acelerar o desenvolvimento dos pulmões do feto e prevenir sangramento cerebral.
  4. Perspectiva:
    • Alguns recém-nascidos prematuros podem enfrentar problemas permanentes, mas a maioria dos sobreviventes não apresenta problemas de longo prazo.
    • A conscientização sobre a importância dos cuidados com o recém-nascido prematuro é fundamental para garantir seu bem-estar e desenvolvimento saudável.

Os Cuidados de Enfermagem

O nascimento prematuro requer cuidados específicos da equipe de enfermagem para garantir o bem-estar e o desenvolvimento adequado do recém-nascido:
  1. Monitoramento Contínuo:
    • Avalie constantemente os sinais vitais do bebê, incluindo frequência cardíaca, respiração, temperatura corporal e pressão arterial.
    • Registre qualquer alteração nos sinais vitais ou comportamento do recém-nascido.
  2. Controle do Ambiente:
    • Mantenha uma temperatura estável e adequada na incubadora ou na unidade de cuidados intensivos neonatais (UCIN).
    • Reduza o ruído e a luminosidade para promover o descanso do bebê.
  3. Alimentação Adequada:
    • Alimente o bebê com mamadeira ou por sonda nasogástrica, conforme necessário.
    • Monitore o ganho de peso e a tolerância alimentar.
  4. Cuidados com a Pele:
    • A pele do recém-nascido prematuro é delicada. Mantenha-a limpa e seca, evitando produtos irritantes.
    • Verifique a presença de lesões cutâneas e trate adequadamente.
  5. Prevenção de Infecções:
    • Recém-nascidos prematuros são mais suscetíveis a infecções. Siga rigorosamente as medidas de precaução padrão.
    • Esterilize adequadamente todos os equipamentos utilizados no cuidado do bebê.
  6. Estimulação Adequada:
    • Forneça estímulos sensoriais adequados, como contato pele a pele e suporte emocional.
    • Respeite o limite de tolerância do bebê.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Cartilha de Cuidados do RN Prematuro

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP

Heparina: Cuidados na aplicação

A heparina é um anticoagulante que pode ser usado para prevenir ou tratar a formação de coágulos sanguíneos.

Recomendações de uso

A aplicação de heparina deve seguir algumas recomendações, para evitar danos no local da aplicação, tais como:

  • Caso a escolha é subcutânea, deve ser administrado na região anterolateral do abdômen, alternando a cada aplicação os lados direito e esquerdo.
  • Limpar a pele com clorexidina alcoólica, com movimentos de vai e vem e deixar secar antes de aplicar a injeção;
  • Segurar a seringa em um ângulo de 90 graus e introduzir a agulha rapidamente na pele;
  • Injetar o medicamento lentamente e retirar a agulha com cuidado, sem massagear o local;
  • Descartar a seringa em um recipiente adequado, sem reencapar a agulha.

Orientações

  • A heparina deve ser aplicada conforme a prescrição médica, respeitando os horários e as doses indicadas. Em caso de dúvidas ou efeitos colaterais, é importante consultar o médico ou o farmacêutico.
  • A heparina deve ser aplicada por via intravenosa ou subcutânea, nunca por via intramuscular, e a dose deve ser ajustada de acordo com o peso do paciente e o tipo de doença.
  • A heparina pode causar sangramentos em qualquer parte do corpo, por isso é importante monitorar a coagulação sanguínea e evitar o uso de outros medicamentos que possam interferir na sua ação.
  • A heparina deve ser administrada por um profissional de saúde ou pelo próprio paciente, após orientação médica.

Referências:

  1. Boletim ISMP Brasil
  2. Guia do Farmacêutico

Massagem de Conforto

A massagem de conforto é um procedimento que visa aliviar a dor, o estresse e a ansiedade dos pacientes, promovendo o relaxamento e o bem-estar.

Para que serve?

Consiste em aplicar pressão suave e ritmada em diferentes partes do corpo, como as costas, os ombros, os braços, as mãos, as pernas e os pés, usando as mãos ou outros instrumentos. A massagem de conforto pode ser realizada em qualquer ambiente, desde que seja tranquilo e agradável para o paciente.

A massagem de conforto pode trazer diversos benefícios para os pacientes, como: reduzir a tensão muscular, melhorar a circulação sanguínea, estimular o sistema imunológico, liberar endorfinas, diminuir a pressão arterial, melhorar a respiração, aumentar a autoestima, entre outros.

Indicações

  • Diminuir tensões;
  • Melhorar circulações;
  • Aumentar temperatura do corpo;
  • Prevenir escaras;
  • Estimular quando deslizamento rápido;
  • Acalmar quando deslizamento lento;
  • Auxiliar em retorno venoso para o coração;
  • Aumentar diurese;
  • Produz um bem estar geral acalmando e recuperando o equilíbrio emocional;
  • Auxilia para diminuição de constipação;
  • Diminui hematomas(superficiais e profundos);
  • Trata de problemas específicos(edema crônico, tecido cicatricial superficial ou profundo, lesões de músculos, tendões ligamentos ou articulações.

Também pode ajudar a aliviar os sintomas de algumas doenças, como: câncer, fibromialgia, artrite, depressão, ansiedade, entre outras.

Contra Indicações

  • infecção aguda dos ossos, articulações, pele, músculos, tecido subcutâneo;
  • Câncer na área a ser tratada, tuberculose;
  • Varizes;
  • Cicatrizes recentes;
  • Estado febril;
  • Tumores;
  • Fraturas, queimaduras e feridas abertas.

A massagem de conforto é uma forma de cuidado humanizado que valoriza a relação entre o enfermeiro e o paciente, respeitando suas necessidades e preferências. A massagem de conforto é uma forma de demonstrar afeto, compaixão e solidariedade aos pacientes que sofrem com a dor e o sofrimento.

O Procedimento

Material Necessário:

  • 01 Par de luvas de procedimento, 01 frasco de creme hidratante.

Pré – Execução:

  • Lavar as mãos;
  • Observar prescrição de enfermagem;
  • Observar condições do cliente;
  • Preparar o material;
  • Deixar ambiente aquecido.

Execução:

  • Identificar-se;
  • Checar o nome e o leito do cliente;
  • Orientar o cliente e/ou acompanhante quanto ao procedimento;
  • Deixar o cliente confortável;
  • Expor a área;
  • Aplicar creme espalhando-o uniformemente;
  • Deixar o cliente confortável e com a campainha ao seu alcance;
  • Deixar o ambiente em ordem.

Pós – Execução:

  • Desprezar o material utilizado no expurgo;
  • Lavar as mãos;
  • Realizar as anotações necessárias.

Avaliação:

  • Observar sinais de reação alérgica;
  • Integridade cutânea.

Riscos / Tomada de Decisão:

  • Reação alérgica ao produto utilizado: suspender o uso do produto, comunicar o médico do cliente.

Referências:

  1. RIOS, L. C.; VELÔSO, I. B. P. Artigo Original 2. Estima – Brazilian Journal of Enterostomal Therapy, [S. l.], v. 8, n. 2, 2016. Disponível em: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/58. Acesso em: 8 oct. 2023.