Que Medicamento é Esse?: Adrenalina

Adrenalina

A Adrenalina, também conhecida como Epinefrina, é um hormônio liberado na corrente sanguínea que tem a função de manter o corpo alerta para situações de fortes emoções ou estresse como luta, fuga, excitação e medo, por exemplo.

Como medicamento em forma sintética, é um potente medicamento com efeito antiasmático, vasopressor e estimulante cardíaco que pode ser utilizado em situações de urgência ou em UTI, como para tratar uma reação anafilática ou para estimular os níveis de pressão.

Como Funciona?

A Adrenalina atua no alívio do broncoespasmo, no alívio das reações de hipersensibilidade devida a medicamentos e outros alérgenos. Também pode ser utilizada para restabelecer o ritmo cardíaco na parada cardíaca, mas não deve ser usada em insuficiência cardíaca ou choque cardiogênico, traumático ou hemorrágico.

Pode ser usada no alívio de sintomas da doença do soro, urticária e edema angioneurótico; para ressuscitação na parada cardíaca devido a acidente anestésico, no glaucoma simples (ângulo aberto); para o relaxamento e inibição da contração da musculatura uterina.

Os Efeitos Colaterais

Pode ocasionar:

  • Fibrilação ventricular fatal, hemorragia subaracnoide ou cerebral, aumento da PA, podendo causar ruptura aórtica, angina pectoris. obstrução da artéria central da retina;
  • Náuseas ou Vômito;
  • Diminuição do débito urinário, retenção urinária, disúria, espasmo vesical;
  • Queimação transitória (durante a administração);
  • Fotofobia, visão turva, hipersensibilidade, dor nos olhos;
  • Anorexia, tendência suicida ou homicida, tontura, ansiedade, medo, palidez, desorientação, perda da memória, agitação psicomotora, alucinação, inquietação, sonolência, tremor, insônia, convulsão, depressão no SNC, sintomas de paranóia, cefaleia.

Quando é Contraindicado?

Nos casos de hipersensibilidade às aminas simpaticomiméticas ou bissulfitos ou fluorocarbonos (recomenda-se evitar o uso de alguns inalantes em pacientes com hipersensibilidade ou intolerância prévia a essas drogas).

Use cuidadosamente nos casos de doença cardíaca, hipertensão, hipertiroidismo, diabetes, glaucoma (exceto para uso oftálmico) e em pacientes idosos (mais suscetíveis a reações adversas; recomenda-se reduzir a dose).

O uso excessivo, por via intranasal, pode causar tolerância e broncoespasmo paradoxal. Gestação (terceiro trimestre), lactação e crianças <2 anos não há segurança ainda estabelecida.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Instrua o paciente a usar a medicação exatamente conforme recomendado e a não exceder as doses indicadas, devido ao risco de desenvolvimento de reações adversas (broncoespasmo paradoxal) ou da perda de sua eficácia. O uso prolongado ou excessivo também pode levar ao desenvolvimento de tolerância.
  • A eficácia pode ser restabelecida com a suspensão da medicação, durante alguns dias, e, em seguida, reinicia-se o tratamento. Se 1 dose for esquecida, ela deverá ser administrada tão logo possível. As doses restantes devem ser administradas em intervalos regulares. As doses esquecidas não devem ser dobradas. A medicação deve ser administrada logo ao primeiro sinal de broncoespasmo. Se, após a administração da medicação, não houver alívio na falta de ar ou se ela for acompanhada de diaforese, tontura, palpitações ou dor torácica, recomende que o paciente comunique imediatamente ao médico.
  • Broncodilatador: antes e durante a terapia, avalie: a ausculta pulmonar, o padrão respiratório, o pulso e a  PA; relate a quantidade, a cor e o aspecto da secreção produzida e comunique ao médico quaisquer achados anormais; antes do início e periodicamente durante a terapia, monitore: os testes de função pulmonar para determinar a efetividade do tratamento; e avalie: broncoespasmo paradoxal (respiração ofegante) e, diante esta ocorrência, suspenda imediatamente o uso da medicação e comunique ao médico; sinais de tolerância à droga e broncoespasmo de rebote; os pacientes que requerem> 3 inalações/dia (vigilância rigorosa), pois, se, após 3-5 inalações, em 6-12h, houver apenas um mínimo ou nenhum alívio, o tratamento apenas com aerossol não é recomendado; reações de hipersensibilidade (rash, urticária, edema de face, lábios ou pálpebras) e, diante desta ocorrência, suspenda imediatamente o uso da medicação e comunique ao médico.
  • Choque: a hipovolemia deve ser corrigida antes da administração IV de isoproterenol; choque anafiláctico: é necessário administrar concomitantemente a reposição de volume com a epinefrina; os glicocorticóides e os anti-histamínicos podem ser usados com a epinefrina.
  • Vasopressor: freqüentemente durante a administração IV, monitore: a PA, o pulso, o ECG, a freqüência respiratória (os parâmetros hemodinâmicos e o débito urinário também devem ser monitorizados continuamente); e avalie: dor torácica, arritmia, freqüência cardíaca> 110bpm e hipertensão (consulte o médico sobre as avaliações de pulso, PA e alterações ao ECG para possibilitar o ajuste da dose ou a suspensão da medicação).
  • Antes da administração, avalie cuidadosamente a dose, a concentração e a via, para evitar reações fatais devido a erros na administração da medicação.
  • Exames laboratoriais: pode causar: diminuição transitória nas concentrações de potássio sérico, aumento da glicose no sangue e das concentrações séricas de ácido láctico (devido ao uso por via intranasal [inalação] ou em doses mais altas do que as recomendadas).
  • Superdosagem e Toxicidade: Os sintomas são: agitação persistente, dor ou desconforto torácico, hipotensão, tontura, hiperglicemia, hipocalemia, convulsão, taquiarritmia, tremor persistente e vômito; sendo o tratamento com a suspensão do broncodilatador adrenérgico e de outros agonistas beta-adrenérgicos e terapia de manutenção sintomática; os bloqueadores beta adrenérgicos cardios-seletivos devem ser usados cuidadosamente, uma vez que podem induzir broncoespasmo.
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas!
  • Inalação: instrua o paciente que são necessários intervalos de 1-2min. entre as inalações (solução, aerossol); que, quando em uso concomitante de glico-corticóides ou inalações de ipratrópio, o broncodilatador deve ser administrado primeiro e os outros medicamentos 5min. após, para evitar toxicidade pela inalação de propulsores de fluorocarbono (exceto quando recomendado de outra forma); sobre a técnica correta de inalação (aerossol, respiração por pressão positiva intermitente [RPPI], inalante dosimetrado); informe ao paciente que após cada inalação, o bocal deve ser sempre lavado e que os enxágues orais minimizam as reações adversar (como boca seca), sendo que o spray não deve ser usado próximo aos olhos; a manutenção de uma ingestão de líquidos adequada (2-3 litros/dia) auxilia na fluidificação das secreções viscosas ou aderentes; na falta de alívio ou a piora dos sintomas respiratórios, após a inalação, ou na presença de dor torácica, cefaleia, tontura severa, palpitações, nervosismo ou fraqueza, o médico deverá ser comunicado imediatamente .
  • Endotraqueal: se o paciente estiver intubado, a droga poderá ser injetada diretamente na árvore bronquial, através do tubo endotraqueal; execute 5 insuflações rápidas; administre vigorosa mente 10ml (1 mg/ml) diretamente no tubo; prossiga com 5 insuflações rápidas.
  • SC ou IM: a suspensão só deve ser administrada por via SC; não use soluções que apresentem alterações (rosa ou castanho) em sua cor original ou que contenham partículas; a droga pode causar irritação do tecido; alterne os locais de aplicação para evitar a necrose do tecido; logo após a administração, massageie os locais de aplicação para aumentar a absorção da droga e diminuir a vasoconstrição local; evite administração IM no músculo glúteo; agite bem a suspensão antes de administrar e injete rapidamente.
  • IV: não use soluções que apresentem alterações (rosa ou castanho) em sua cor original ou que contenham partículas; após o seu preparo, qualquer solução não usada, dentro de 24h, deve ser descartada; direta: administre cada 1mg em, pelo menos, 1min.; administrações mais rápidas podem ser usadas durante ressuscitação cardíaca; intermitente: em choques anafiláticos severos, a dose de 0,1-0,25mg pode ser repetida a cada 5-15min.; administre além de 5-10min.; contínua: administre 1-4mcg/min.

 

Que Medicamento é Esse?: Piperacilina/Tazobactam

Piperacilina

O Piperacilina sódica + Tazobactam Sódico é indicado para garantir ampla cobertura e mantê-lo eficaz em debelar as infecções causadas pelas bactérias sensíveis á piperacilina sódica + tazobactam sódico.  É indicado para o tratamento das seguintes infecções bacterianas:

Em Pessoas adultas

1. Infecções do aparelho respiratório inferior (pneumonias).
2. Infecções das vias urinárias (complicada ou não complicada).
3. Infecções intra-abdominais.
4. Infecções da pele e tecidos moles.
5. Infecção generalizada bacteriana.
6. Infecções ginecológicas, incluindo infecção da parede interna do útero no pós-parto e doença inflamatória do aparelho reprodutor feminino.
7. Infecções neutropênicas febris, em associação a um antibiótico aminoglicosídeo.
8. Infecções dos ossos e articulações.
9. Infecções polimicrobianas (mais de um microrganismo causador).

Em Crianças

1. Infecções febris em pacientes pediátricos, que apresentem baixa quantidade de células sanguíneas responsáveis pela defesa do organismo (neutrófilos) em associação a um aminoglicosídeo (classe de antibiótico como amicacina).
2. Infecções intra-abdominais em crianças com 2 anos ou mais.

Como Funciona?

Este medicamento é uma associação antibacteriana injetável que consiste de um antibiótico, a piperacilina sódica, utilizada contra as principais bactérias sensíveis a este antibiótico causadoras de infecção, e um ácido, tazobactam sódico, que age inibindo a resistência que algumas bactérias adquirem ao antibiótico piperacilina. A sua ação farmacológica inicia-se imediatamente após a
sua entrada no sangue.

Os Efeitos Colaterais

  • Cardiovascular: Arritmias, ICC;
  • Dermatológicas: rash, urticária;
  • Gastro Intestinal: Colite Pseudomembranosa, diarréia, náusea;
  • Geniturinário: hematúria (crianças), nefrite intersticial;
  • Hematológicas: sangramento, discrasias sangüíneas, aumento do tempo de sangramento;
  • Hepática: hepatite medicamentosa;
  • Hidreletrolíticas: hipocalemia, hipernatremia;
  • Local: flebite (IV);
  • Metabólica: alcalose metabólica;
  • SNC: convulsões (doses mais altas), confusão, letargia;
  • Outras: reações de hipersensibilidade (anafilaxia, doença do soro), superinfecção.

Quando é Contraindicado?

Hipersensibilidade a penicilinas ou tazobactam (possibilidade de reatividade cruzada com cefalosporinas). Use cuidadosamente nos casos de prejuízo renal (se CCr < 40ml/min, recomenda-se reduzir a dose ou aumentar os intervalos) e restrição ao sódio. Gestação ou lactação: segurança ainda não estabelecida.

Os Cuidados de Enfermagem

  • A medicação deve ser administrada exatamente conforme recomendado e o tratamento não deve ser interrompido, sem o conhecimento do médico, ainda que o paciente alcance melhora;
  • A medicação não deve ser usada durante a gestação ou lactação (exceto se os benefícios justificarem os possíveis riscos para o feto). No caso de gravidez (confirmada ou suspeita) ou, ainda, se a paciente estiver amamentando ou planejando amamentar, o médico deverá ser comunicado imediatamente. Recomenda-se cautela também nos casos de prejuízo renal (se CCr <40ml/min., recomenda-se reduzir a dose ou aumentar os intervalos) e restrição ao sódio;
  • Informe ao paciente as reações adversas mais freqüentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente sinais de super-infecção (febre, língua saburrosa, prurido ou descarga vaginal, diarreia ou fezes fétidas) e alergia, como também se as fezes se apresentarem com sangue, pus ou muco, O médico deverá ser comunicado imediatamente. O paciente não deverá tentar tratar a diarreia ou tomar quaisquer antidiarreicos, sem antes consultar o médico. Este efeito pode ser prolongado até várias semanas após a suspensão da medicação;
  • A Medicação deve ser administrada exclusivamente por esta via (EV), sendo reconstituído com diluentes compatíveis (cloreto de sódio à 0,9%, água destilada), sendo o volume máximo recomendado de 50ml;
  • Após a rediluição, dilua novamente a solução no volume desejável com uma das soluções compatíveis (glicose 5%, dextrano 6%, cloreto de sódio 0,9%, Ringer Lactato), e não misture com outra medicações na mesma seringa;
  • Para pacientes em hemodiálise, a dose diária máxima é 8 g de piperacilina/1 g de tazobactam. Além disso, uma vez que a hemodiálise remove 30% – 50% de piperacilina em 4 horas, uma dose adicional de 2 g de piperacilina/250 mg de tazobactam deve ser administrada após cada sessão de diálise. Para pacientes com insuficiência renal e hepática, medidas dos níveis séricos de piperacilina sódica e tazobactam sódico, quando disponíveis, poderão fornecer informações adicionais para o ajuste de dose.

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Antibióticos e os Cuidados de Enfermagem

Que Medicamento é Esse?: Cloridrato de Ranitidina

O Cloridrato de Ranitidina, é indicada para o tratamento de úlcera no estômago ou no duodeno e para o tratamento de problemas relacionados com refluxo de ácido do estômago para o esôfago, excesso de ácido no estômago indigestão ou azia.

Como Funciona?

A Ranitidina é um remédio antagonista dos receptores H2 da histamina, inibindo assim a produção de ácido pelo estômago, induzida pela histamina e gastrina.

Isto favorece a cicatrização da gastrite, de úlceras pépticas do estômago e do duodeno, e previne o surgimento do mal estar e azia e de outras complicações.

Os Efeitos Colaterais

Alguns dos efeitos colaterais de Ranitidina podem incluir respiração ofegante, dor e aperto no peito, inchaço das pálpebras, face, lábios, boca ou língua, urticária ou fissuras na pele, febre, sensação de fraqueza, náusea, perda do apetite, pele e olhos amarelados, redução dos batimentos cardíacos ou batimentos irregulares, vertigem, cansaço ou fraqueza excessiva, visão embaçada, queda de cabelo, impotência, dor no estômago, diarreia, falta de ar e fadiga, infecções recorrentes ou hematomas.

Quando é Contraindicado?

A ranitidina está contraindicada para mulheres grávidas ou que pretendem engravidar, que estão a amamentar e para pessoas com alergia ao Cloridrato de Ranitidina ou a algum dos componentes da fórmula.

Além disso, Ranitidina comprimidos está também contraindicada para crianças e para pessoas com problemas nos rins ou com porfiria.

Os Cuidados de Enfermagem

  • A medicação deve ser administrada exatamente conforme recomendado e o tratamento não deve ser interrompido, sem o conhecimento do médico, ainda que o paciente alcança melhora;
  • A medicação não deve ser usada durante a lactação. No caso de gravidez (confirmada ou suspeita) ou, ainda, se a paciente estiver amamentando, o médico deverá ser comunicado imediatamente. Recomenda-se cautela também nos casos de disfunção hepática ou renal;
  • Informe ao paciente as reações adversas mais freqüentes relacionadas ao uso da medicação e na ocorrência de qualquer uma, principalmente as incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser consultado. Informe, também, a possível ocorrência de alopecia;
  • Durante a terapia, o paciente deverá receber hidratação adequada;
  • Pode causar tontura ou sonolência. Recomende que o paciente evite dirigir e outras atividades que requerem estado de alerta, durante a terapia;
  • Recomende ao paciente que evite o tabagismo (para prevenir qualquer interferência na cicatrização ou diminuição do efeito da medicação), o consumo de bebidas alcoólicas ou cafeinados (café, chá e refrigerantes à base de cola) e o uso concomitante de ácido acetilsalicílico, como também de qualquer outra droga ou medicação, sem o conhecimento do médico, durante a terapia;
  • Durante a terapia, avalie: as reações adversas e, na presença de reações hepáticas ou renais, considere a redução da dose;
  • Exames laboratoriais: Pode causar aumentos de TGP;
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas ;
  • VO: a medicação deve ser administrada durante as refeições e antes de dormir;
  • IV: dilua 50mg em 20ml de soro fisiológico 0,9% e infunda em 5min.;
  • Infusão contínua: dilua 50mg em 1400ml de soro glicosado 5% e infunda em 15-20min.; após a diluição (soros fisiológico 0,9% ou glicosado 5%), a solução se mantém estável durante 48h (temperatura ambiente).

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Profilaxia para Úlcera de Estresse nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI)

Difenidramina

Difenidramina
Difenidramina

Difenidramina, ou cloridrato de Difenidramina, também conhecido como Benadryl, é um anti-histamínico bloqueador H1 e sedativo. É um derivado da etanolamina. Compete com a histamina pelos receptores H1 presentes nas células efetoras. Desta forma evita, porém não reverte, as respostas mediadas unicamente pela histamina.

A Difenidramina é um anti-histamínico H1, de primeira geração, manifestando atividade anticolinérgica é usado para melhorar as reações alérgicas ao sangue ou plasma, em anafilaxia, como adjunto da epinefrina.

Curiosamente, ela tem algum efeito sobre a recaptura da serotonina, o que levou a alguns medicamentos para a depressão com estrutura semelhante.

É indicado para tratamento de:

– Conjuntivite alérgica;
– Enjoo em viagem;
– Rinite alérgica;
– Parkinsonismo (em idoso que tenha intolerância por medicação mais potente);
– Distonia aguda;
– Rinite vasomotora;
– Urticária;
– Coadjuvante no tratamento das reações anafiláticas.

E os seus efeitos colaterais?

O uso de Difenidramina pode causar:

– Problemas de acuidade visual;
– Secura da boca e da garganta;
– Sonolência;
– Tontura;
– Retenção urinária,
– Obstipação;

Efeitos colaterais estes que são secundários a ação anticolinérgica concomitante, causada pelo anti-histamínico que ultrapassa a barreira hematoencefálica.

Cuidado com as Interações!

Não deve ser administrado com outro remédio que contenha Difenidramina, nem mesmo aqueles usado na pele(Tópico). Durante o tratamento não é recomendado o uso de Bebida alcoólica e outros depressores do Sistema Nervoso Central.

A Difenidramina e a Emergência!

Anafilaxia representa uma das mais dramáticas condições clínicas de emergência médica. Tanto pela imprevisibilidade de aparecimento como pelo potencial de gravidade, anafilaxia determina imenso impacto na qualidade de vida das pessoas afetadas, dos seus familiares e circunstantes. O uso da Difenidramina nestas situações, ajuda a melhorar as reações anafiláticas (reações imediatas), como adjunto da epinefrina e profilaticamente em pacientes alérgicos. Tem sido usado na forma de solução injetável para o controle de sintomas agudos e para outras condições alérgicas não complicadas quando a terapia oral está impossibilitada ou é contraindicada.

As Contra Indicações

Seu uso é contraindicado em recém-nascidos ou prematuros e durante a lactação, nos casos de hipersensibilidade ao cloridrato de difenidramina e outros anti-histamínicos de estrutura química similar e usado com muito cuidado em asma aguda, obstrução do colo da bexigahipertrofia prostática sintomática, insuficiência hepática, predisposição à retenção urinária, predisposição ao glaucoma de ângulo estreito, hipertireoidismo e doença cardiovascular ou hipertensão.

Sim, há efeitos colaterais!

Os efeitos colaterais se devem às propriedades anticolinérgicas e sedativas. São eles sedação, sonolência, espessamento das secreções brônquicas, tontura, lassidão, fadiga, zumbido, descoordenação, diplopia, euforia, irritabilidade, insônia, tremores e tendência aumentada a convulsões (principalmente em crianças), perda de apetite, secura da boca, náuseavômito, mal- estar abdominal, obstipação ou diarreia, inibição da lactação e trombocitopenia. Entretanto, o controle dos sintomas agudos de uma reação anafilática supera todos esses inconvenientes colaterais.

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O Dreno de Penrose

Dreno de Penrose

O Dreno de Penrose é um dreno de borracha, tipo látex, utilizado em cirurgias que implicam possível acúmulo no local da ferida operatória pós-operatório de líquidos infectados ou não.

O nome “Penrose”: De onde vem?

O nome dado à este dreno foi pelo Ginecologista americano Charles Bingham Penrose (1862–1925), onde o mesmo inventou este método de drenagem para as cirurgias abdominais.

Como funciona este dreno?

Eventualmente, o orifício de passagem do dreno deve ser amplo, e o mesmo deve ser posicionado à menor distância da loja a ser drenada, não utilizando o dreno através da incisão cirúrgica, mas sim através de uma contra-incisão.

Então o cirurgião utiliza-se de pinças específicas, para puxar o dreno de penrose através desta contra-incisão, e locá-lo internamente até uma altura que o ache necessário para a drenagem, e enfim, é suturado a incisão e é dado alguns pontos ao redor do dreno para a fixação.

Certamente, a fim de evitar depósitos de esfacelo que possam vir a ocluir seu lúmen, o dreno de Penrose deve ser observado e mobilizado em intervalos de 12 horas, entretanto, tracionado em cada curativo (exceto quando contra-indicado), cortado seu excesso e recolocado o alfinete de segurança estéril, usando luva esterilizada.

Seu orifício de saída deve ser ocluído com gaze estéril, ou em alguns casos, com uma bolsa de colostomia descartável, devendo este curativo ser substituído sempre que necessário. É o único dreno que pode ser tracionado, geralmente de 2 á 3 cm por dia, conforme a prescrição médica.

Alguns Cuidados quanto ao Aspecto do Dreno:

Primeiramente registrar separadamente o volume de cada dreno na folha de balanço hídrico, isto possibilita avaliação da redução ou aumento anormal da drenagem. Registrar de forma precisa o aspecto da secreção drenada, e contudo,  é importante checarmos a localização do dreno, quais os cuidados a serem ministrados pela equipe, se está suturado a pele ou não, tipo de dreno utilizado, como manter a permeabilidade do mesmo, o volume esperado de drenagem e principais complicações com o dispositivo.

Cuidados de Enfermagem com o Dreno de Penrose

Materiais necessários:

• Bandeja;
• Pacote de curativo completo;
• Pacote de tesoura de pontos;
• Pacote de gazes;
• 1 alfinete estéril;
• Frasco com anti-séptico;
• Esparadrapo ou micropore;
• Frasco de benzina;
• Cuba rim;
• SF 0,9%.

O Procedimento:

  • Explicar ao paciente sobre o cuidado a ser feito;
  • Preparar o ambiente, como descrito anteriormente;
  • Lavar as mãos;
  • Separar e organizar o material de acordo com o tipo de curativo a ser executado;
  • Levar a bandeja com o material e colocar sobre a mesa de cabeceira;
  • Descobrir a área tratada e proteger a cama com forro de papel, pano ou impermeável;
  • Colocar o paciente em posição apropriada e prender o saco plástico para lixo em local acessível;
  • Abrir o pacote de curativo e dispor as pinças com os cabos voltados para o executante, em ordem de uso – pinça Kocher e Dente de Rato na extremidade do campo, próximo ao paciente e pinça Kelly e Anatômica na extremidade oposta;
  • Abrir o pacote de gaze e colocá-lo no campo. Se necessário colocar também chumaços de algodão;
  • Abrir o pacote de alfinete, colocando-o sobre o campo com auxílio da pinça Anatômica;
  • Abrir a tesoura e colocá-la ao lado da pinça Kelly;
  • Proceder a retirada do curativo conforme descrito anteriormente;
  • Limpar o dreno e a pele ao redor, com soro fisiológico;
  • Colocar uma gaze na região inferior do dreno, isolando-o da pele;
  • O dreno de Penrose deve ser tracionado em cada curativo (exceto quando contra -indicado). Cortar o excesso e colocar alfinete de segurança estéril, usando pinças Kelly e Anatômica;
  • Colocar outra gaze sobre o dreno, protegendo-o;
  • Fixar as gazes com adesivo;
  • Juntar o material e colocá-lo na bandeja;
  • Deixar o paciente confortável e o ambiente em ordem;
  • Lavar as mãos;
  • Providenciar a limpeza e a ordem do material;
  • Checar o horário e fazer as anotações de enfermagem, especialmente quanto à evolução da lesão e queixas do paciente.

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Precauções Padrão: O que são?

Precauções Padrão: O que são?

As Precauções Padrão, também conhecida como Precauções Universais, são medidas de proteção que devem ser adotadas pelos profissionais de saúde que terão contato direto com o paciente.

O que seriam estas medidas?

– Lavar as mãos, antes e após o contato com qualquer cliente/paciente ou material utilizado;

-Uso de luvas de procedimento, quando entrar em contato com qualquer fluído ou exsudato (secreção);

-Máscara e óculos de proteção devem ser utilizados durante os procedimentos em que possam ocorrer respingos de gotas de sangue ou de fluídos orgânicos, prevenindo a exposição de mucosas na boca, nariz e olhos;

-Aventais ou capotes devem ser utilizados nos procedimentos que sabidamente respingam sangue ou fluídos orgânicos, contaminando a roupa;

E o mais importante!

Os profissionais da área da saúde devem tomar medidas preventivas para evitar acidentes, ao manusear e desprezar perfurocortantes como agulhas, instrumentos ou qualquer outro material cortante.

O que são os Tipos de Precauções ou Isolamentos?

O isolamento é um conjunto de medidas técnicas para formar uma barreira asséptica, com o intuito de impedir a disseminação de agentes infecciosos de um paciente para o outro, aos colaboradores, visitantes, ao meio ambiente.

E os principais são:

Precaução respiratória

São indicadas para pacientes portadores de microrganismos transmitidos por gotículas de tamanho superior a 5 mícrons, que podem ser geradas durante tosse, espirro, conversação ou realização de diversos procedimentos.

(Exemplo: coqueluche, difteria, streptococos pneumoiae, neisseria meningitides e caxumba).

Estas precauções consistem em:

  1. Quarto privativo ou coorte de pacientes com o mesmo agente etiológico. A distância mínima entre dois pacientes deve ser de 1 metro. A porta pode permanecer aberta;
  2. Máscara deve ser utilizada se houver aproximação ao paciente, numa distância inferior a um metro. Por questões operacionais, as máscaras podem ser recomendadas para todas as vezes que o profissional entrar no quarto. Devem-se incluir os visitantes e acompanhantes;
  3. O transporte dos pacientes deve ser limitado ao mínimo indispensável e, quando for necessário, o paciente deve usar máscara.

Precauções com aerossóis

São indicadas para pacientes com suspeita ou infecção comprovada por microrganismos transmitidos por aerossóis (partículas de tamanho menor que 5 mícrons) que ficam suspensos no ar e que podem ser dispersos a longas distâncias.

(Exemplo: varicela, sarampo, tuberculose).

Estas precauções consistem em:

  1. Quarto privativo que possua pressão de ar negativa em relação às áreas vizinhas; um mínimo de 06 trocas de ar por hora; e, cuidados com o ar que é retirado do quarto (filtragem com filtros HEPA) antes da recirculação em outras áreas do hospital. As portas devem ser mantidas fechadas;
  2. Proteção respiratória com máscara que possua capacidade adequada de filtração e boa vedação lateral, máscara nº 95. Indivíduos suscetíveis a sarampo e varicela não devem entrar no quarto de pacientes com suspeita ou portadores destas infecções;
  3. O transporte dos pacientes deve ser limitado, mas se for necessário eles devem usar máscara (a máscara cirúrgica é suficiente).

Precauções de contato

Estão são indicadas para pacientes com infecção ou colonização por microrganismos com importância epidemiológica e que são transmitidos por contato direto (pele-a-pele) ou indireto (contato com itens ambientais ou itens de uso do paciente).

(Exemplo: infecções gastrintestinais, respiratória, pele e ferida colonizada, entéricas e grandes abscessos).

Estas precauções consistem em:

  1. Quarto privativo ou coorte, quando os pacientes estiverem acometidos pela mesma doença transmissível. Os recém-nascidos podem ser mantidos em incubadora. Crianças e outros pacientes, que não deambulam, não requerem quarto privativo, desde que as camas tenham um afastamento maior do que 1 metro entre elas;
  2. Uso de luvas quando entrar no quarto do paciente. Após o contato com material que contenha grande concentração de microrganismos (por exemplo: sangue, fezes e secreções), as luvas devem ser trocadas e as mãos lavadas. Após a lavagem das mãos, deve-se evitar o contato com superfícies ambientais potencialmente contaminadas;
  3. Uso de avental limpo, não estéril, quando entrar no quarto, se for previsto contato com o paciente que possa estar significativamente contaminando o ambiente (diarreia, incontinência, incapacidade de higienização, colostomia, ileostomia, ferida com secreção abundante ou não contida por curativo). O avental deve ser retirado antes da saída do quarto, e deve-se evitar o contato das roupas com superfícies ambientais potencialmente contaminadas;
  4. O transporte de pacientes para fora do quarto deve ser reduzido ao mínimo. As precauções devem ser mantidas durante o transporte;
  5. Os itens que o paciente tem contato e as superfícies ambientais devem ser submetidas à limpeza diária;
  6. Equipamentos de cuidado com os pacientes e materiais como estetoscópio, esfigmomanômetro ou cômoda ao lado do paciente, sempre que possível, devem ser usados somente por um único paciente. Se não for possível, a desinfecção deste material é recomendada entre o uso em um e outro paciente.

Precaução Empírica

As precauções empíricas são indicadas para os casos de pacientes sem diagnóstico definitivo, porém com indícios de infecção por agentes que necessitem de precauções. Devem permanecer até que haja confirmação ou esclarecimento do diagnóstico.

Nestes casos inserem-se:

– Precauções de Contato: diarreias agudas de etiologia infecciosa, erupção vesicular, abcessos ou feridas com exsudato que extravase a cobertura;

– Precauções para Aerossóis: erupção vesicular, tosse com febre e infiltração de lobo pulmonar em qualquer local em paciente HIV positivo;

– Precauções para Gotícula: meningite, exantema petequial e febre.

Isolamento Reverso

Destina-se a paciente cuja resistência à infecção esteja seriamente comprometida.

Ex: leucemia, queimados, pós-cirurgia cardíaca, transplantados AIDS.

Estas precauções consistem em:

  1. Quarto privativo necessário;
  2. Manter a porta sempre fechada;
  3. Capote: deve ser usada por todas as pessoas que entrarem no quarto;
  4. Máscara deve ser utilizada pelo paciente;
  5. Lavagem das mãos, na entrada e saída do quarto do paciente;
  6. Luvas: devem ser usadas por todas as pessoas que têm contato direto com o paciente;
  7. Visitas devem ser limitadas e instruídas quanto aos cuidados a serem tomados dentro do quarto;
  8. Transporte de pacientes: deve ser evitada a exposição do paciente a qualquer fonte de infecção; utilizar técnica empregada em isolamento total para transporte de paciente.

A ANVISA disponibiliza gratuitamente, em seu site, a cartilha sobre os tipos de precauções padrão e diversas informações importantes e relevantes ao assunto.

Veja também:

Nefrótica Vs Nefrítica: As Síndromes

Nefrótica

Diversas doenças glomerulares tipicamente se apresentam com características tanto nefríticas quanto nefróticas. Essas doenças incluem glomerulopatias fibrilares e imunotactoides, glomerulonefrites membranoproliferativas e nefrite lúpica.

Mas qual é a diferença entre a Síndrome Nefrítica e Nefrótica?

Em resumo:

A Síndrome nefrítica ocorre perda abrupta da superfície de filtração → redução da excreção de líquidos, pequenos solutos, eletrólitos.

Já Síndrome nefrótica, ocorre aumento da permeabilidade do capilar glomerular à passagem de proteínas → proteinúria maciça.

Mas entendendo melhor..

Síndrome Nefrótica

A síndrome nefrótica pode ser causada por diversas doenças que acometem os rins. É caracterizada por proteinúria maciça (superior a 3,5g/ 24 horas), com tendência a edemahipoalbuminemia (albumina sérica inferior a 3,4g/dl) e hiperlipidemia.

A  perda maciça de proteínas pela urina causa a hipoalbuminemia já que a albumina é a mais abundante no circulação. O fígado não dá conta de sintetizar a quantidade adequada da proteína para equilibrar a perda.

A hiperlipidemia deve-se a uma maior síntese de proteínas de muito baixa densidade (carreadoras de triglicérides) e de baixa densidade (carreadoras de colesterol). Além disso, a hipoalbuminemia inibe a lipólise e estimula o fígado a produzir essas novas proteínas.

Hematúria microscópica, hemácias dismórficas e cilindros hemáticos podem surgir, raramente, na síndrome nefrótica.

Síndrome Nefrítica

A síndrome nefrítica é decorrente de uma inflamação glomerular aguda. Esta inflamação dos glomérulos pode ocorrer de forma idiopática, como doença primária dos rins, ou ser secundária a alguma doença sistêmica, como infecções e colagenoses.

A síndrome nefrítica clássica tem início repentino (dias/semanas) sendo que a principal causa é a glomerulonefrite pós-estreptocócica. Independente da origem, o quadro básico é caracterizado por hematúriaproteinúria leve (não-nefrótica, ou seja, menor que 3,5g/24h) e oligúria (400 ml/dia de urina).

A hematúria tem origem nos glomérulos comprometidos, e é o sinal mais característico e mais comum da síndrome nefrítica. As hemácias são dismórficas, devido à migração através de “rupturas” ou “fendas” que surgem nas alças capilares dos glomérulos inflamados.

O EAS também revela piúria e cilindros celulares (hemáticos e leucocitários).

Mas lembre-se!

Quando aparecem cilindros na urina é um forte indício de que há lesão renal (glomérulos ou túbulos)!

 

Veja também:

pielonefrite

https://enfermagemilustrada.com/calculose-renal-urolitiase/

Hematúria: Quais são as causas?

Hematúria

A definição mais simples da hematúria é presença de sangue na urina. Porém, na maioria das situações, o paciente com hematúria não se apresenta com uma urina francamente sanguinolenta, avermelhada ou com coágulos visíveis. Em muitos casos, a perda de sangue no trato urinário é tão discreta que não é possível notar a presença de sangue na urina apenas olhando para a mesma. Além disso, a presença de outras substâncias na urina, como bilirrubinas, medicamentos, corantes, mioglobina etc., também podem deixar a urina avermelhada, passando a falsa impressão de haver hematúria.

Portanto, para definirmos com segurança que uma urina contém sangue, é preciso submetê-la a análises laboratoriais. O exame de urina mais utilizado para o diagnóstico da hematúria é o EAS (também chamado de urina tipo 1 ou urina tipo 2).

Quais são os tipos de Hematúria?

Como existem dezenas de causas para a presença de sangue na urina, a caracterização da mesma ajuda na investigação clínica. Uma hematúria pode ter as seguintes características:

1. Hematúria macroscópica

É a hematúria que pode ser vista a olho nu, pois a urina encontra-se escurecida, avermelhada ou com coágulos de sangue. Este tipo de hematúria é facilmente reconhecida pelo próprio paciente.

2. Hematúria microscópica

É a hematúria que não pode ser vista a olho nu. A aparência da urina é completamente normal, sendo a presença de sangue apenas detectada através do exame de urina. Este tipo de hematúria pode existir por anos sem que o paciente tenha consciência do fato.

3.  Hematúria com coágulos

A hematúria com coágulos é um tipo de hematúria macroscópica. A presença de coágulos geralmente indica um sangramento de maior volume, causado por uma lesão do trato geniturinário, que frequentemente pode ser identificada através de exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada.

4. Hematúria persistente ou transiente

A hematúria, seja ela macroscópica ou microscópica, pode ser persistente, ou seja, está constantemente presente; ou ser intermitente, isto é, aparecer e desaparecer de tempos em tempos.

5. Hematúria dismórfica

Hematúria dismórfica ocorre quando no exame de urina detectam-se hemácias com formato atípico (dismórficas). Isso geralmente é um sinal de doença dos glomérulos renais.

6. Hematúria isolada

Hematúria isolada ocorre quando o paciente não apresenta nenhum outro sinal ou sintoma  além da presença de sangue na urina. A maioria das doenças que provoca hematúria causa sintomas, como dor para urinar, febre, dor nas costas, ou outras alterações nos exames laboratoriais, como a presença de proteínas e/ou leucócitos na urina, elevação da creatinina e da urina no sangue.

A presença de sangue na urina quando ocorre sem nenhum outro sinal ou sintoma e com exames laboratoriais persistentemente normais, habitualmente, indica uma doença benigna.

E as causas?

A hematúria pode ter origem em qualquer ponto do trato urinário, incluindo rins, ureter, bexiga, próstata ou uretra. Algumas causas de sangramento urinário são:

  • Câncer renal.
  • Câncer de bexiga.
  • Câncer de próstata.
  • Cálculo renal.
  • Infecção urinária.
  • Hiperplasia benigna da próstata.
  • Glomerulonefrite.
  • Lúpus.
  • Anemia falciforme.
  • Doença policística renal.
  • Acidentes com traumatismo renal.
  • Trauma após passagem de sonda vesical.
  • Trauma por manipulação cirúrgica ou endoscópica do sistema urinário.
  • Biopsia da próstata.
  • Biópsia renal.
  • Cistite rádica (lesão da bexiga por radioterapia).
  • Tuberculose urinária.
  • Esforço físico.
  • Excesso de cálcio na urina.
  • Endometriose.
  • Uretrite.
  • Anticoagulação excessiva.

Obs:  alguns medicamentos, como pyridium, rifampicina, fenitoína e nitrofurantoína, ou alimentos, como beterraba,  podem deixar a urina avermelhada sem que isso signifique a presença de sangue.

Investigando as Causas

Como podemos ver acima, as causas de sangue na urina são múltiplas e, por isso, nem sempre a investigação é simples e rápida.

No caso de mulheres com hematúria microscópica o primeiro passo é confirmar se a urina não foi colhida durante a menstruação. Durante o período menstrual há sempre um pouco de sangue da menstruação na urina, provocando uma falsa hematúria. Nestes casos, o exame de urina precisa ser refeito fora da menstruação para confirmação.

Algumas vezes, os sinais e sintomas que acompanham a hematúria podem sugerir o diagnóstico, por exemplo:

  • Mulheres jovens com ardência ao urinar e hematúria provavelmente têm cistite.
  • Pacientes com hematúria acompanhada de febre, calafrios, vômitos e dor lombar possivelmente apresentam pielonefrite.
  • Hematúria acompanhada de excruciante dor lombar, com com irradiação para virilha, costuma ser um sinal de cálculo renal.
  • Homens idosos, com hematúria e jato urinário fraco, devem sempre ser investigados para doenças da próstata.
  • Em pessoas acima dos 50 anos, fumantes e com hematúria macroscópica, o câncer de bexiga deve ser sempre pensado.

Quando não há uma causa aparente para a hematúria, inicia-se uma investigação mais complexa, tentando descartar ou confirmar algumas das várias causas citadas acima. Alguns dos exames que podem ser usados na investigação são a ultrassonografia, tomografia computadorizada ou cistoscopia. Outros exames laboratoriais de sangue e urina também ajudam no diagnóstico diferencial. Em algumas hematúrias, principalmente se houver suspeita de doença dos glomérulos renais, a biópsia renal pode ser indicada.

E também:

DOENÇA DA MEMBRANA FINA (HEMATÚRIA BENIGNA FAMILIAR)

Em alguns casos de hematúria isolada não é possível identificar uma causa. Se o paciente não tiver nenhuma outra queixa e se todos os exames forem normais, um acompanhamento anual ou a cada dois anos apenas para ver se está tudo bem é o único procedimento indicado nestes casos. Geralmente estes pacientes apresentam um problema chamado doença da membrana fina, que é uma discreta alteração genética nas membranas dos glomérulos, provocando perda de sangue na urina, sem nenhuma relevância clínica. Estes pacientes habitualmente vivem o resto da vida com hematúria sem que isso provoque qualquer repercussão em suas vidas.

HEMATÚRIA APÓS ESFORÇO FÍSICO

A hematúria após esforço físico é aquela que surge após a realização de qualquer atividade física de grande intensidade, geralmente extenuante. Este tipo de hematúria pode ser macroscópica ou microscópica e tende a ser transiente, desaparecendo após alguns dias de repouso.

Este tipo de sangramento na urina não costuma ter nenhum significado clínico. Se o paciente for jovem, saudável, não tiver outras queixas e a hematúria desaparecer com o repouso, não há necessidade de nenhuma investigação mais profunda.

Há tratamento?

Como a hematúria é um sinal de doença e não uma doença em si, não há um tratamento específico para ela. Cada uma das causas de hematúria apresenta um forma de tratamento diferente e, em muitos casos, não é necessário tratamento algum, como nos pacientes com doença da membrana fina, hematúria pós-esforço físico ou hematúrias transitórias.

Veja também:

sistema urinário

Fenilcetonúria (PKU): O que é?

Fenilcetonúria (PKU): O que é?

Existem 20 aminoácidos essenciais no corpo. A Fenilalanina é uma delas.

A Fenilcetonúria, ou do inglês Phenylketonuria (PKU) é um dos erros inatos do metabolismo, com padrão de herança autossômico recessivo. O defeito metabólico, gerado geralmente da enzima hepática Fenilalanina Hidroxilase, leva ao acúmulo do aminoácido Fenilalanina (FAL) no sangue e ao aumento da Fenilalanina e da excreção urinária de Ácido Fenilpirúvico. Foi a primeira doença genética a ter tratamento estabelecido com terapêutica dietética específica. Esses aminoácidos essenciais precisam ser fornecida através de fontes externas, como alimento. Eles são denominados “essenciais” pois eles são necessários para o corpo a funcionar corretamente e crescer normalmente. No entanto, demasiado de um aminoácido pode ser ruim para o corpo. Uma overdose de fenilalanina provoca fenilalanina hidroxilase, uma enzima que está presente no fígado, para convertê-lo em outro aminoácido chamado tirosina.

Se há falta de deficiência desta enzima há aumento resultante da compilação acima de fenilalanina nos tecidos do sangue e especialmente no cérebro. Se este aminoácido se acumula no cérebro podem ser irreversíveis e, às vezes, graves danos cerebrais.

Qual é a causa do PKU?

Bebês nascidos com PKU são raros, mas eles têm um defeito genético que torna-os incapazes de quebrar a fenilalanina. A condição é herdada e muitas vezes é passada para baixo nas famílias. Para o bebê adquirir a condição de ambos os pais tem que carregar o gene defeituoso. No entanto, apesar de ter o gene defeituoso, os pais não têm a condição. Este método de transmissão da doença dos pais com genes defeituosos sem doença que transmiti-lo para o bebê é chamado de “traço autossômico recessivo”. Os pais que carregam o gene defeituoso são chamados portadores da condição. Se ambos os pais carregam o gene defeituoso, há uma chance de 25% que o bebê vai ter a condição. O gene defeituoso é transportado no cromossoma 12.

Fenilalanina está presente em alimentos que contêm proteínas e em alguns adoçantes artificiais. Acumulação de aminoácido no cérebro leva a retardo mental e outros graves problemas.

É importante que a família fique atenta e verifique a presença e a quantidade de fenilalanina no rótulo de medicamentos e alimentos industrializados. São proibidos alimentos que contenham o adoçante aspartame na sua formulação. Com esta preocupação, a ANVISA fez um trabalho com a indústria alimentícia e publicou uma Tabela de Composição de Fenilalanina em Alimentos, com mais de 600 itens, possibilitando ampliar a variedade de alimentos consumidos e melhorar a qualidade de vida dos fenilcetonúricos.

Que sinais e sintomas ocasionam a PKU?

As mães que têm níveis sanguíneos elevados de fenilalanina e carregando seus bebês no útero também possuem um alto risco de ter o bebê com:

  • retardo mental
  • atraso no desenvolvimento
  • tamanho da cabeça pequeno (microcefalia)
  • rash cutâneo ou eczema
  • feira de pele devido à falta de pigmentos de pele
  • problemas cardíacos.

Bebês com PKU também podem ter um odor de mofo corpo devido à excessiva fenilalanina no corpo.

Há tratamento para PKU?

Não há cura específica para a fenilcetonúria. A condição resulta da sobrecarga de fenilalanina que o corpo é incapaz de metabolizar devido à falta de enzima fenilalanina hidroxilase. Esse acúmulo pode levar a danos cerebrais e cognitivos graves. A condição é freqüentemente detectada em bebês e crianças. Terapia ou intervenções devem começar imediatamente para evitar mais danos.

Existem várias maneiras de gerenciar o PKU. O principal caminho é controlando a dieta.

Evitar a proteína na dieta!

Intervenção primária ou terapia é evitar proteínas na dieta. A fenilalanina é obtida da dieta. Alimentos ricos em proteínas, como carne, devem ser evitados. Proteínas mais seguras ou substitutos especialmente formulados precisam ser iniciados. Dieta da criança em crescimento com PKU precisa ser rigorosamente monitorada e controlada de preferência com a ajuda de um nutricionista.

A fenilalanina é encontrada em ovos, carne, leite, adoçante artificial (aspartame) etc. Bebês com PKU podem precisar de fórmula infantil especial com baixo teor de fenilalanina. Portadores de PKU também podem ser prescritos suplementos de óleo de peixe para substituir os ácidos graxos de cadeia longa que são perdidos na dieta livre de fenilalanina. Isso também ajuda no desenvolvimento neurológico e atividades motoras finas.

Os pacientes também podem necessitar de suplementação com carnitina, cálcio, vitamina D e ferro. O objetivo geralmente aceito da terapia para as hiperfenilalaninemias é a normalização das concentrações de fenilalanina e tirosina no sangue.

Os níveis alvo são 120-360 µmol / L (2-6 mg / dL) para fenilalanina.

A dieta é iniciada assim que a condição é detectada e continuada pelo menos até a adolescência. As mulheres grávidas devem ser aconselhadas sobre essa dieta para evitar a exposição de seus bebês em gestação. Se os bebês são expostos à fenilalanina alta na dieta da mãe, eles podem estar em risco de abortos, defeitos congênitos, danos cerebrais, pequenas cabeças (microcefalia) e alterações na pele, mesmo que não adquiram PKU da mãe.

Fórmula infantil especial para recém-nascidos

Em recém-nascidos, a fórmula livre de fenilalanina é iniciada assim que o diagnóstico é feito. A amamentação é dada juntamente com a fórmula sob orientação de um nutricionista. A ingestão de fórmula é distribuída durante todo o dia para evitar flutuações no nível sanguíneo. A ingestão total de aminoácidos de pelo menos 3 g / kg / dia, incluindo 25 mg de tirosina / kg / dia, é recomendada em crianças com menos de dois anos de idade. Os níveis sanguíneos de fenilalanina precisam ser monitorados uma ou duas vezes por semana.

Dieta para crianças com mais de dois anos de idade

Estas crianças precisam de 2 g / kg / dia de aminoácidos, incluindo 25 mg de tirosina / kg / dia. Eles também precisam de monitoramento quinzenal até os sete anos de idade e, posteriormente, uma monitoração mensal é recomendada.

Dieta para adolescentes e adultos

Alguns recomendam dieta livre de fenilalanina para a vida. Alguns recomendam o relaxamento após os 12 anos de idade. A dieta precisa ser reintegrada durante a gravidez e se os sintomas aparecerem na idade adulta.

Tratamento de outras condições

O tratamento de condições associadas, como a epilepsia, também é importante, especialmente quando a doença se manifesta.

Terapia Comportamental

A terapia comportamental, o aconselhamento e outros tratamentos psicossociais são essenciais em crianças que desenvolvem atrasos cognitivos devido à PKU. A equipe de terapia é composta por nutricionistas, assistentes sociais, enfermagem, médicos e psicólogos.

Suplementos Dietéticos

Alguns estudos mostraram que a suplementação de dieta com o estereoisômero 6R-BH 4em menos de 20 mg / kg por dia em várias doses orais divididas pode ajudar pacientes com PKU. Aqueles com PKU leve ou moderada podem responder a esta terapia. A droga é dito para melhorar a hidroxilação da fenilalanina e, assim, reduz os níveis de fenilalanina no plasma e melhora a tolerância da fenilalanina.

Terapias genéticas potenciais para PKU

Existem ensaios clínicos e pesquisas sobre o uso de terapias gênicas, a fim de modificar os genes defeituosos para prevenir e tratar a PKU. No entanto, nenhum deles foi amplamente utilizado clinicamente e a dieta continua sendo um dos únicos métodos para o manejo dessa condição.

Veja também:

Hiperbilirrubinemia Neonatal (Icterícia Neonatal)

Curarização: O Bloqueio Neuromuscular

Curarização: O Bloqueio Neuromuscular

Todo paciente criticamente doente e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva e sob suporte ventilatório, necessita receber medicações com a finalidade de restaurar e manter seus órgãos e funções o mais próximo do fisiológico possível. Além disso,a ventilação mecânica, que muitas vezes é necessária, produz no organismo efeitos indesejáveis, que precisam ser revertidos, sob pena de ser mantida a função ventilatória, porém alterada a função de outros sistemas do organismo. Muitas vezes, certas sedações e analgesias já sendo aplicadas ao doente, não são o suficientes para reverter o desconforto respiratório e a dor que o mesmo sente.

Portanto, é utilizado o procedimento de Curarização, na qual é utilizado medicamentos para fortalecer a sedação já ali contínua no paciente. A Curarização ou Bloqueio Neuromuscular resulta da ação de drogas ou curares na junção neuromuscular, que, atuando, na maioria das vezes, como antagonistas competitivos da acetilcolina, que impedem a ligação desta aos receptores nicotínicos, localizados na porção pós-sináptica da junção. Clinicamente, se expressa pela paralisia muscular flácida ou pela fraqueza muscular generalizada.

Quando é indicado a Curarização?

Há algumas situações nas quais os curares estão indicados, mas não são indispensáveis. Tais situações são a intubação traqueal, reaquecimento pós operatório com tremores, presença de anastomoses vasculares delicadas, a necessidade de proteção de feridas sob tensão, anastomose traqueal, pressão intracraniana elevada, inserção de cateteres vasculares invasivos, em pacientes agitados, facilitação da ventilação mecânica, controle das convulsões, durante o estado de mal epiléptico e o controle dos espasmos tetânicos. A necessidade de curares pode ser bastante reduzida ou mesmo abolida, se sedação e analgesia adequadas forem realizadas.

Raramente um paciente sob ventilação mecânica requer curarização. A curarização está indicada em pacientes com baixa complacência torácica ou pulmonar, naqueles desadaptados à ventilação  mecânica e naqueles nos quais existe um risco de barotrauma devido às pressões elevadas das vias aéreas. Nas modalidades de ventilação com relação I:E invertida e naquelas com geração de altos volumes por minuto, a curarização pode ser indicada.

Quais são as principais medicações para a Curarização?

Succinilcolina (Quelicin ®)

É usada na UTI para intubação traqueal, principalmente quando o tônus muscular da mandíbula impede a laringoscopia. A dose é de 1-2 mg/kg, intravenosa. E útil em pacientes ditos de “estômago cheio”, nos quais a intubação seqüêncial rápida, com manobra de compressão sobre a cartilagem cricóide (manobra de Sellick) está indicada. Provoca fasciculações musculares devido a uma despolarização persistente, responsável pela elevação do potássio sérico de 0.5-1 mmol/L e que pode gerar arritmias cardíacas. Esta hipercalemia é mais intensa após queimaduras, paraplegia ou hemiplegia, trauma muscular, e por lesão do neurônio motor superior, conseqüência de trauma ou acidente vascular cerebral. A succinilcolina aumenta a pressão intragástrica, podendo causar regurgitação e aspiração, além de ser contra-indicada em pacientes susceptíveis de hipertermia maligna.

Pancurônio (Pavulon ®)

É o curare mais empregado em UTI. É um curare de duração de ação entre quarenta e cinco e sessenta (45-60) minutos e dependente de mecanismos renais (70%) e hepáticos (30%) para sua eliminação, acumulando-se nos pacientes com insuficiência renal ou hepática, quando administrado em doses mais elevadas. Possui um efeito vagolítico que determina hipertensão e taquicardia.

Atracúrio (Tracrium ®)

É um curare de duração intermediária, ao redor de vinte (20) minutos. E eliminado por hidrólise espontânea plasmática, independente dos mecanismos renais e hepáticos. Os efeitos cumulativos estão praticamente ausentes e, por isso, está aconselhado para utilização sob infusão contínua. Pode liberar histarnina, principalmente quando administrado rapidamente.

Vecurônio (Norcuron ®)

É um curare de duração intermediária (trinta (30) minutos) análogo ao pancurônio, porém com menos efeitos sobre o sistema cardiovascular. É primariamente metabolizado pelo fígado, e dependente dos rins para a excreção. A dosagem deve ser reduzida na insuficiência hepática e renal. Adapta-se à infusão contínua, embora produza um metabólito ativo que possui metade da potência do composto original.

Rocurônio (Esmeron ®)

Em doses de 0.6 mg/ kg, produz boas condições de intubação entre sessenta e noventa (60-90) segundos e duração de efeito prolongado (quarenta (40) minutos). Outros curares como o doxacúrio, pipecurônio e mivacúrio são curares com pouca experiência de utilização em UTI.

Como reverter a curarização?

O bloqueio neuromuscular pode ser antagonizado (exceto no caso da succinilcolina) por drogas anticolinesterásicas. Em nosso meio, o agente mais empregado é a neostigmina (Prostigmine ®) na dosagem de 0.05 mg/kg. A administração concomitante de atropina (0.01 mg/kg) é preconizada com a finalidade de atenuar a estimulação sobre os receptores periféricos muscarínicos, reduzindo, principalmente, a intensa bradicardia, determinada por estes agentes. A intensidade do bloqueio neuromuscular pode ser monitorizada através da estimulação do nervo periférico e as dosagens podem ser, assim, ajustadas para uma intensidade mínima de depressão da atividade muscular.

Quais complicações os curares podem ocasionar?

O bloqueio neuromuscular, por tempo prolongado, pode induzir a uma disfunção neuromuscular, caracterizada por fraqueza muscular generalizada, tetraparesia, arreflexia, progredindo até a paralisia flácida, persistente por dias ou meses. Em alguns pacientes, uma associação entre curare e corticoterapia, em altas dosagens (mal asmático, transplantado hepático) foi observada. Deve ser diferenciada da polineuropatia da UTI, que ocorre por ocasião da sepse, na ausência da administração de qualquer curare. Cabe ainda lembrar que inúmeras drogas potencializam o efeito dos curares, tais como os aminoglicosídeos, tetraciclinas, anestésicos locais, fenitoína, propranolol, trimetafam, glicosídeos cardíacos, cloroquina, catecolaminas e diuréticos.

Veja também:

O Despertar Diário em UTI

RASS – Escala de agitação e sedação de Richmond

Analgésicos e Sedativos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)