Neuroanatomia: O Plexo Braquial

Você sabia que o nosso membro superior é inervado pelo Plexo Braquial?

E que é situado no pescoço e na axila, formado por ramos anteriores dos quatro nervos espinhais cervicais inferiores (C5,C6,C7,C8) e do primeiro torácico (T1)?

Onde é localizado?

O plexo braquial tem localização lateral à coluna cervical e situa-se entre os músculos escalenos anterior e médio, posterior e lateralmente ao músculo esternocleidomastoideo.

O plexo passa posteriormente à clavícula e acompanha a artéria axilar sob o músculo peitoral maior.

Os ramos ventrais do quinto e do sexto nervos cervicais (C5-C6) formam o tronco superior; o ramo anterior do sétimo nervo cervical(C7) forma o tronco médio; e os ramos anteriores do oitavo nervo cervical e do primeiro nervo torácico (C8-T1) formam o tronco inferior.

Os três troncos, localizados na fossa supraclavicular, dividem-se em dois ramos, um anterior e um posterior, que formam os fascículos, situados em torno da artéria axilar. Os ramos anteriores dos troncos superior e médio formam o fascículo lateral; o ramo anterior do tronco inferior forma o fascículo medial; e os ramos posteriores dos três troncos formam o fascículo posterior. Na borda inferior e lateral do músculo peitoral menor, os fascículos se subdividem nos ramos terminais do plexo braquial.

Os ramos do plexo braquial podem ser descritos como supra-claviculares e infra-claviculares.

Ramos Supra-claviculares:

  • Nervos para os Músculos Escalenos e Longo do Pescoço – originam-se dos ramos ventrais dos nervos cervicais inferiores (C5,C6,C7 e C8), próximo de sua saída dos forames intervertebrais.
  • Nervo Frênico – anteriormente ao músculo escaleno anterior, o nervo frênico associa-se com um ramo proveniente do quinto nervo cervical (C5). Mais detalhes do nervo frênico em Plexo Cervical.
  • Nervo Dorsal da Escápula – proveniente do ramo ventral de C5, inerva o levantador da escápula e o músculo romboide.
  • Nervo Torácico Longo – é formado pelos ramos de C5, C6 e c7 e inerva o músculo serrátil anterior.
  • Nervo do Músculo Subclávio – origina-se próximo à junção dos ramos ventrais do quinto e sexto nervos cervicais (C5 e C6) e geralmente comunica-se com o nervo frênico e inerva o músculo subclávio.
  • Nervo Supra-escapular – originado do tronco superior (C5 e C6), inerva os músculos supra-espinhoso e infra-espinhoso.

Ramos Infra-claviculares:

Estes se ramificam a partir dos fascículos, mas suas fibras podem ser seguidas para trás até os nervos espinhais.

Do Fascículo Lateral saem os seguintes nervos:

  • Peitoral Lateral – proveniente dos ramos do quinto ao sétimo nervos cervicais (C5, C6 e C7). Inerva a face profunda do músculo peitoral maior;
  • Nervo Musculocutâneo – derivado dos ramos ventrais do quinto ao sétimo nervos cervicais (C5, C6 e C7). Inerva os músculos braquial anterior, bíceps braquial e coracobraquial;
  • Raiz Lateral do Nervo Mediano – derivado dos ramos ventrais do quinto ao sétimo nervos cervicais (C5, C6 e C7). Inerva os músculos da região anterior do antebraço e curtos do polegar, assim como a pele do lado lateral da mão.

Do Fascículo Medial saem os seguintes nervos:

  • Peitoral Medial – derivado dos ramos ventrais do oitavo nervo cervical e primeiro nervo torácico (C8 e T1). Inerva os músculos peitorais maior e menor;
  • Nervo Cutâneo Medial do Antebraço – derivado dos ramos ventrais do oitavo nervo cervical e primeiro nervo torácico (C8 e T1). Inerva a pele sobre o bíceps até perto do cotovelo e dirige-se em direção ao lado ulnar do antebraço até o pulso;
  • Nervo Cutâneo Medial do Braço – que se origina dos ramos ventrais do oitavo nervo cervical e primeiro nervo torácico (C8,T1). Inerva a parte medial do braço;
  • Nervo Ulnar – originado dos ramos ventrais do oitavo nervo cervical e primeiro nervo torácico (C8 e T1). Inerva os músculos flexor ulnar do carpo, metade ulnar do flexor profundo dos dedos, adutor do polegar e parte profunda do flexor curto do polegar. Inerva também os músculos da região hipotenar, terceiro e quarto lumbricais e todos interósseos;
  • Raiz Medial do Nervo Mediano – originada dos ramos ventrais do oitavo nervo cervical e primeiro nervo torácico (C8 e T1). Inerva os músculos da região anterior do antebraço e curtos do polegar, assim como a pele do lado lateral da mão.

Do fascículo Posterior saem os seguintes nervos:

  • Subescapular Superior – originado dos ramos do quinto e sexto nervos cervicais (C5 e C6). Inerva o músculo subscapular;
  • Nervo Toracodorsal – originado dos ramos do sexto ao oitavo nervos cervicais (C6, C7 e C8). Inerva o músculo latíssimo do dorso;
  • Nervo Subescapular Inferior – originado dos ramos do quinto e sexto nervos cervicais (C5 e C6). Inerva os músculos subscapular e redondo maior;
  • Nervo Axilar – originado dos ramos do quinto e sexto nervos cervicais (C5 e C6). Inerva os músculos deltoide e redondo menor;
  • Nervo Radial – originado dos ramos do quinto ao oitavo nervos cervicais e primeiro nervo torácico (C5, C6, C7, C8 e T1). Inerva os músculos tríceps braquial, braquiorradial, extensor radial longo e curto do carpo, supinador e todos músculos da região posterior do antebraço.

Fonte:

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Conheça as Principais Patologias do Cólon

Você sabe a finalidade do Cólon para o corpo humano?

Ele é responsável por realizar a fase final da digestão. Retira o quimo (alimento digerido) do intestino delgado para finalizar a absorção, mudando o estado líquido do quimo à sólido para convertê-lo em fezes.

Você sabia que o Cólon, também conhecido como “Intestino Grosso”, é um tubo largo e obviamente grosso, localizado no final do sistema digestivo, e que mede aproximadamente 1,5 metros?

Sua função principal é, então, o armazenamento dos rejeitos sólidos para posterior evacuação.

Quando as fezes não são evacuadas normalmente, o cólon continua absorvendo água, os rejeitos se tornam duros e surge a prisão de ventre.

Mas! Existem condições que não permitem que o cólon funcione corretamente. E, em alguns casos, essas mesmas condições podem resultar em um câncer de cólon.

Esse tipo de câncer é mais comum em pessoas mais velhas, de aproximadamente 50 anos, que apresentem fatores de risco e antecedentes familiares.

As Principais Patologias que afetam o Cólon

A Diverticulite

Diverticulite é uma inflamação caracterizada principalmente por bolsas e quistos pequenos e salientes da parede interna do intestino (divertículos) que ficam inflamados ou infectados.

A presença de divertículos no corpo é bastante comum, principalmente após os 40 anos de idade.

Colite Ulcerativa

É uma forma de doença inflamatória intestinal (DII) crônica não contagiosa, em que há inflamação e ulcerações no intestino grosso (cólon) e no reto em sua camada mais superficial, a mucosa.

Síndrome do Cólon Irritável

Algumas pessoas experimentam sensações frequentes de desconforto abdominal, cólicas, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e aumento dos movimentos intestinais. Muitas delas são portadoras de um distúrbio de motilidade intestinal que recebe o nome de síndrome do cólon irritável.

Doença de Chron

Doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica e séria do trato gastrointestinal. Ela afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

Apendicite

É a inflamação do apêndice. Entre as possíveis complicações graves de uma rutura do apêndice estão a inflamação grave e dolorosa do revestimento interior do abdômen e sepse.

A apendicite é causada pelo bloqueio da cavidade do apêndice, geralmente por um aglomerado de fezes calcificadas.

Infecção Bacteriana

A gastroenterite bacteriana, ou infecção intestinal, acontece quando as bactérias causam uma infecção no intestino. Isso causa inflamação no estômago e nos intestinos.

infecção intestinal também pode apresentar sintomas como vômitos, cólicas abdominais severas e diarreia.

Câncer Colorretal

câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou em sua porção final, o reto.

Portanto, a principal forma de prevenção do câncer colorretal é o seu rastreamento por exames como colonoscopias, visando a detecção e retiradas dos pólipos antes de se degenerarem em câncer.

Pólipos

pólipo intestinal é uma alteração causada pelo crescimento anormal da mucosa do intestino grosso (cólon e reto).

Alguns são baixos e planos, outros são altos e se assemelham a um cogumelo, podendo aparecer em qualquer parte do intestino grosso.

Classificação de Forrest: Úlceras Pépticas Hemorrágicas

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição frequente no mundo todo. Esta complicação leva a internações hospitalares prolongadas e está associada à significativa morbidade e mortalidade, principalmente nos idosos.  As causas mais comuns de HDA são as não varicosas, sendo a úlcera péptica a mais frequente.

O manejo adequado do paciente e o uso de técnicas endoscópicas apropriadas melhoram o prognóstico e reduzem a taxa ressangramento, e portanto, foi criado uma classificação, chamada de Classificação de Forrest, sendo esta publicada pela primeira vez por J.A. Forrest et al. no Lancet em 1974.

Como funciona esta classificação?

Esta classificação divide as úlceras em sangramento ativo, sinais de sangramento recente e úlceras sem sinais de sangramento. Através dela é possível estimar o risco de ressangramento se a lesão não for tratada e avaliar a necessidade de tratamento endoscópico.


SANGRAMENTO
TIPO
DESCRIÇÃO

I – Ativo
Forrest IA
Em jato
Forrest IB
Em “babação”

II – Recente
Forrest IIA
Coto vascular visível
Forrest IIB
Coágulo recente
Forrest IIC
Fundo hematínico

III – Sem sangramento
Forrest III
Sem sinal de sangramento

A Indicação de Tratamento Endoscópico

  • Todas as úlceras com sangramento ativo devem ser tratadas (Forrest IA e IB);
  • Todas as úlceras com vaso visível, mesmo sem sangramento, devem ser tratadas (Forrest IIA);
  • O tratamento de úlceras com coágulos firmemente aderidos (Forrest IIB) que não são removidos após a lavagem vigorosa é controverso.  Se o coágulo é facilmente removido com a lavagem e evidencia um vaso visível abaixo ou sangramento ativo, deve ser tratado. Porém, se o coágulo é firme e de difícil remoção, a literatura não demonstra uma vantagem evidente no tratamento. Neste caso a conduta deve ser individualizada;
  • As lesões com manchas hematínicas planas (Forrest IIC) não necessitam tratamento endoscópico;
  • As úlceras de base fibrinosa limpa (Forrest III) não necessitam tratamento endoscópico.

Cateter Venoso Central (CVC)

Os Cateteres Venosos Centrais (CVC) são cateteres cuja ponta se localiza numa veia de grosso calibre. A inserção do cateter pode ser por punção de veia jugular, subclávia, axilar ou femoral. Tem por finalidade permitir uma terapia adequada em doentes que necessitem de intervenções terapêuticas complexas.

São geralmente necessitados em casos de Emergência, Unidade de cuidados intensivos, pós-operatórios-operatórios imediatos de cirurgias complexas, Patologias que requerem medidas terapêuticas prolongadas.

As principais indicações para a CVC

  • Hipovolemia Refratária;
  • Hipotensão Grave;
  • Medida de PVC;
  • Hemocomponentes;
  • Utilização de Drogas Vasoativas;
  • Acesso periférico difícil, quimioterapia, transplante de medula óssea, nutrição parenteral;

Existem cateteres de diversos lúmens (vias), sendo de uma em até três ou mais, se necessário, de acordo com a necessidade da situação.

Os Principais Fatores de Risco no uso do cateter

  • Maior tempo de permanência do dispositivo no paciente;
  • Maior manipulação do cateter;
  • Violação da técnica asséptica;
  • Execução e material inadequados na cobertura do local de inserção do cateter;
  • Tipo do cateter (número do lúmen e qualidade do material);
  • Infusão de líquidos contaminados;
  • Soluções contaminadas;
  • Mãos da equipe de saúde;
  • Técnica inadequada de manipulação;
  • Antissépticos contaminados.

Tempo de permanência

– Curta: cateteres produzidos em poliuretano ou PVC e não possuidores de barreira bacteriana, devem ficar implantados em um prazo máximo de 15 dias.

Longa: cateteres produzidos em silicone e possuidores de barreira bacteriana, não possuem prazo para sua retirada.

Atuação do Técnico de Enfermagem no procedimento

A preparação psicológica do doente é extremamente importante. O Técnico de enfermagem, sempre que possível, deve explicar ao doente o que é um CVC, a sua necessidade, e alguns aspectos sobre o procedimento de colocação. Após preparação do material, pode ser necessário efetuar a tricotomia da região onde irá ser colocado o CVC. A tricotomia deve efetuar-se antes do procedimento com tesoura ou máquina elétrica e nunca com lâmina, devido ao risco acrescido de colonização de pequenas escoriações acidentais.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Deve ser realizado em condições de assepsia e controle radiológico para verificação do posicionamento da ponta do cateter.

Algumas das Principais Complicações Pós Inserção do CVC

– Torácicas:

  • Pneumotórax;
  • Hemotórax;
  • Hidrotórax;
  • Enfisema subcutâneo

– Arteriais:

  • Laceração arterial;
  • Fístula artério-venosa;
  • Hematoma subcutâneo;

– Venosas:

  • Laceração venosa;
  • Hematoma subcutâneo;
  • Trombose venosa;
  • Embolia gasosa;

– Cardíacas:

  • Arritmias;
  • Perfuração cardíaca;

– Neurológicas:

  • Traumatismo do plexo;
  • Braquial;

– Mecânicas:

  • Migração do catéter;
  • Angulação do catéter;
  • Compressão do catéter;

– Outras

  • Infecção;
  • Obstrução;
  • Remoção Acidental;

Os cuidados de Enfermagem para o CVC

  • Lavar o cateter com 20ml de SF 0,9% após infusão de hemocomponentes ou de medicações;
  • Heparinizar o cateter quando seu próximo uso for ocorrer em um tempo superior a 24h e salinizar quando o tempo for inferior a 24h;
  • Trocar o equipo utilizado para administração de quimioterápicos antineoplásicos e soroterapia a cada 72h e o de hemocomponente a cada transfusão, exceto plaquetas que deve ser trocada ao final do volume total prescrito;
  • Trocar o curativo tradicional com gazes a cada 24h e na presença de umidade e sujidade ou sempre que for necessário;
  • Identificar os equipos em uso com a data e horário da instalação e assinatura do responsável;
  • Identificar e anotar a data, horário e assinatura do responsável pela punção e curativo do dispositivo de punção;
  • Anotar o número de punções realizadas, em um impresso próprio, para permitir controlar o tempo de uso do cateter;
  • Observar se há formação de hematoma local e administrar analgésico conforme queixas do cliente, no pós-operatório imediato da implantação do cateter;
  • O cateter pode ser usado logo após a sua implantação, na ausência de complicações operatórias. Nesse caso deve ser puncionado ainda sob efeito do anestésico, evitando a dor da punção;
  • Inspecionar e palpar o local de inserção do cateter, procurando detectar precocemente sinais de infecção;
  • Observar com rigor o aspecto das soluções a serem infundidas, quanto à presença de resíduos, corpos estranhos, precipitação, coloração e turvação;
  • Utilizar, preferencialmente, sistemas de infusão fechados em cateteres totalmente implantados.

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Obstruiu a Sonda Enteral! Qual é o próximo passo?

Embora a obstrução da SNE seja uma prática comum no ambiente hospitalar, destaca-se que a melhor prática é evitar a obstrução!

Lembrando que os cuidados de enfermagem com a SNE para que evite este tipo de evento incluem a lavagem com flush de água antes da administração de medicamentos, devendo ser administrado um medicamento por vez, entre cada medicamento para evitar interação medicamentosa, e após a administração.

É importante que o flush de água seja realizado com no mínimo 30ml a cada 4 horas para garantir a limpeza do sistema.

O que posso fazer, caso isso aconteça?

Em caso de desobstrução da SNE não há consenso na literatura em relação a melhor opção de tratamento, encontra-se a possibilidade de utilização de água morna a 37ºC ou em temperatura ambiente, uso de bicarbonato e enzimas pancreáticas.

A utilização de seringas menores (1, 3, 5ml) facilitam muito mais a desobstrução, porque quanto menor a seringa, maior a pressão, sendo assim, um método que com a utilização da água morna em alta pressão possa ajudar na efetividade da desobstrução da mesma.

Um outro método alternativo, sendo mais como “paliativo”, é o método de “pressão positiva/negativa” utilizando a água morna ou ar, realizando movimentos com a seringa de “puxa e empurra”, sendo um método secundário que possa ajudar, pois com este tipo de movimento, o que estiver no caminho da sonda pode sofrer um “descolamento” das paredes da sonda, e assim, podendo desobstruir a mesma.

Nenhum destes métodos funcionou, e agora?

Se caso nenhum destas alternativas resolva o problema, deve notificar o enfermeiro responsável do seu setor, onde o mesmo avaliará as condições atuais da sonda, mesmo que o enfermeiro possa também tentar estes métodos e nenhuma delas funcionarem, deve-se sacar a sonda, e passar uma nova, sendo assim, entrando aos indicadores hospitalares como uma negativa, pelas perdas de sondas totais de uma instituição.

Não use o fio guia para a desobstrução!

O uso do fio guia esta prática não é recomendada, porque poderá causar perfuração e/ou lesar a mucosa digestiva!

“Ah, mas em âmbito domiciliar, já ouvi falar que a “Coca-Cola” serve para este tipo de situação!”

Não faça o uso de Coca-Cola, pela falta de evidência científica para tal!

Os Protocolos (POPs)

É fundamental que a instituição possua um protocolo de cuidados aos pacientes submetidos a terapia enteral elaborado em parceria com a EMTN, realize treinamentos contínuos com a equipe de enfermagem, e que os profissionais realizem sua prática baseada em evidências.

Lavagem da sonda SEMPRE! Antes, durante e depois de administrar os medicamentos!

É importante ressaltar os cuidados contínuos com a manutenção destas sondas, e com as diluições dos medicamentos por via da mesma, de no mínimo 10 ml de água filtrada para cada comprimido diluído, para que evite acoplar os resíduos dos comprimidos na parede da sonda.

Também vale ressaltar que há dietas enterais que são mais fibrosas, e facilita ainda mais a obstrução da mesma.

É importante sempre os intervalos para a água, pois além da hidratação ao paciente, ajuda a manter a sonda viável.

Não esqueça que há medicamentos que não podem ser macerados, por estes motivos e outros, como a efetividade da mesma que pode perder pelo suco gástrico.

Referência:

ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 091/2017

 

 

A Paralisia Cerebral (PC)

De onde surgiu esse termo?

O termo paralisia cerebral apareceu pela primeira vez no ano de 1843, quando o ortopedista inglês William John Little se dedicou a estudar 47 crianças que possuíam uma condição chamada de espasticidade.

“A Espasticidade”

 O termo vem da palavra espasmo e pode ser caracterizado como a contração dos músculos acarretado pelo aumento do tônus muscular, devido a anormalidades presentes no sistema neurológico.

A condição pode aparecer desde o momento da concepção do óvulo da mãe até que o bebê complete 2 anos de idade e compromete o lado motor dos pequenos.

Mas o que é a Paralisia Cerebral, sigla “PC”?

A paralisia cerebral é uma síndrome classificada por uma rara lesão no cérebro, que acomete duas em cada mil crianças nascidas vivas em todo o mundo. Caracterizada como a causa mais comum de deficiências graves na primeira infância, essa lesão irreversível pode atingir bebês desde o momento da concepção até os dois anos de idade. Ela tem caráter não progressivo, isto é, não piora com o tempo, mas é determinante para o aparecimento de limitações de funcionalidade motora.

Os problemas de ordem motora podem aparecer junto de outros distúrbios ligados aos campos sensorial, perceptivo, cognitivo e das ordens comunicacional e comportamental. Crianças que possuem a síndrome também podem desenvolver epilepsia e outras complicações no esqueleto e nos músculos.

Entretanto, é importante ressaltar que embora o termo paralisia cerebral seja usado para nomear uma síndrome, seus sinais e a gravidade dos comprometimentos varia de situação para situação e estão diretamente relacionados com a causa do problema. Outro fator que merece destaque, nesse caso, é que nem todas as crianças possuem complicações ligadas ao campo cognitivo.

Quais são os tipos de paralisia cerebral?

A paralisia cerebral pode ser classificada de três formas, a primeira delas, pelas suas causas, a segunda, pelos níveis de comprometimento motor na funcionalidade das crianças, e a terceira pela forma e região do corpo em que esses comprometimentos se distribuem. A partir dessas classificações, há três subtipos para cada uma.

Quanto à região do cérebro em que atinge:

  • Paralisia cerebral espástica: É a variação mais comum da síndrome e atinge a região do córtex motor do cérebro, responsável pelos movimentos. Nesse caso, os músculos possuem a sua capacidade de força reduzida e o tônus elevado, o que provoca enrijecimento. É comum que os pequenos diagnosticados com esse tipo possuam o que os médicos caracterizam como contraturas, também chamadas de encurtamentos musculares. As estruturas ósseas também apresentam comprometimento, acarretando deformidades. Atividades comuns para bebês como sentar sozinho, engatinhar e andar podem sofrer atrasos.
  • Paralisia cerebral extrapiramidal: Essas lesões aparecem em algumas regiões mais interiores do cérebro. Crianças que possuem esse tipo fazem movimentos involuntários, também chamados de espasmos. Essas movimentações acarretam o que os médicos chamam de distonia, nome científico dado quando há uma mudança significativa no eixo corporal. Assim como na primeira variação, esse tipo de paralisia cerebral também acarreta deformidades e atrasos em atividades-chave do marco do desenvolvimento da primeira infância.
  • Paralisia cerebral atáxica: mais rara, a lesão acomete a região do cerebelo, fundamental no desenvolvimento de funções como a coordenação motora e o equilíbrio. Bebês com essa lesão apresentam sinais bem específicos, como incoordenação das extremidades como mãos, tronco e pés, além de tremores. Aqueles que conseguem caminhar são incapazes de manter o passo em linha reta. Nesse caso, é comum que haja atraso e alterações na fala, bem como algum grau de comprometimento mental.

Quanto à região do corpo em que os comprometimentos dos movimentos aparecem:

  • Tetraparesia: Quando os membros superiores e inferiores possuem comprometimento, com o mesmo grau de gravidade. Como os atrasos no desenvolvimento motor são distribuídos, a independência para realizar pequenas tarefas é extremamente limitada.
  • Diparesia: Os sinais de atraso do desenvolvimento ocorrem, majoritariamente, nos membros inferiores, como as pernas e os pés. Portanto, as chances de desenvolver pequenas funções é maior com as mãos e os braços.
  • Hemiparesia: Acontece quando apenas um lado do corpo apresenta o comprometimento, o que depende de qual lado o cérebro está lesionado.

Por que ocorre paralisia cerebral?

A paralisia cerebral pode acontecer em três momentos da vida da criança e isso está relacionado diretamente às suas causas.

Causas pré-natais: São lesões cerebrais que acometem os bebês antes do seu nascimento e, portanto, estão ligadas em sua maioria à saúde materna, como diabetes, doença tireoidiana, pressão alta, infecções causadas por vírus como a toxoplasmose, herpes e a rubéola, descolamento prematuro de placenta e tumores uterinos. Além do uso de substâncias tóxicas, claramente contraindicadas durante a gestação, como álcool, tabaco e outras drogas. Malformações fetais que atingem o sistema nervoso central também compõem a lista.

Algumas causas podem ainda anteceder o período pré-natal e podem ser classificadas como pré-concepcionais, ou seja, os fatores aparecem antes mesmo do momento da concepção, como histórico familiar de doenças neurológicas ou convulsionais.

Causas peri-natais: São aquelas que acontecem no momento em que a mulher entra em trabalho de parto e se desdobram em até seis horas após a chegada do bebê ao mundo. Alguns fatores cruciais e determinantes para o aparecimento da paralisia são: redução da pressão parcial do oxigênio e da concentração de hemoglobina durante o parto, prematuridade, baixo peso ao nascer, trabalho de parto longo, choque hipovolêmico (perda considerável de sangue causada por um acidente, por exemplo) e nó do cordão umbilical.

Causas pós-natais: A lesão, neste caso, pode ocorrer até que a criança complete dois anos de idade. Meningite viral, traumas na região do crânio, mal-convulsivo e o surgimento de tumores no sistema nervoso central entram na lista das causas. A partir dos 2 anos de idade, o sistema nervoso central dos seres humanos já se desenvolveu completamente, impossibilitando, portanto, o aparecimento de comprometimentos motores relacionados à paralisia cerebral.

Como diagnosticar paralisia cerebral?

A paralisia cerebral pode ser identificada por sinais clínicos, que deverão ser analisados com o histórico familiar. A partir das suposições, o especialista sugere a realização de exames físicos como a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RM), para saber qual é a área do cérebro e quais alterações estruturais são comprometidas, e a eletroencefalografia (EEG), um monitoramento eletrofisiológico para identificar irregularidades na atividade elétrica dos sistema nervoso central, feito com eletrodos posicionados no couro cabeludo.

Como tratar a paralisia cerebral?

O tratamento varia de acordo com o grau de comprometimento cerebral de cada paciente. É fundamental, no entanto, que a criança seja atendida por uma equipe multidisciplinar que possam identificar as necessidades nos campos motor, cognitivo e mental. Hidroterapia, equoterapia, fisioterapia e terapia ocupacional têm sido determinantes em vários casos de crianças com paralisia cerebral e proporcionam um maior desenvolvimento devido a presença de múltiplos estímulos, necessários e benéficos para a primeira infância.

A Assistência de Enfermagem com Pacientes Portadores de P.C

A assistência de enfermagem para pessoas com paralisia cerebral deve ser prestada de forma coerente. As ações da enfermagem devem transmitir aceitação, afeição, amizade e promover na criança um sentimento de confiança. Para traçar uma assistência de enfermagem que auxilie o paciente com Paralisia Cerebral, a enfermeira deve organizar suas ações por meio do processo de enfermagem, que é composto por cinco fases: histórico de enfermagem, feito através de entrevista para coleta de dados com os pais e/ou responsáveis junto ao paciente, e exame físico.
Uma vez levantados os problemas e necessidades do paciente são identificados os diagnósticos de enfermagem.
A seguir, é feito um plano de cuidados, comumente chamado de prescrição de enfermagem, que vem a ser uma implementação dos cuidados de enfermagem traçados no plano assistencial, que é realizada pelos auxiliares e técnicos de enfermagem; após feitos os cuidados, a enfermeira deve fazer uma evolução do quadro clínico do paciente baseada no exame físico e conversa terapêutica diários e nas anotações de enfermagem feitas por qualquer membro da equipe de enfermagem (enfermeiro, auxiliar e técnico de enfermagem).

Pericardite: O que é?

O Coração possui uma camada que a reveste: O Pericárdio. Ele é composto por duas estruturas: o pericárdio fibroso e o pericárdio seroso, constituído por duas lâminas (parietal e visceral).

Entre o pericárdio fibroso e o seroso e entre essas duas lâminas do pericárdio seroso há a formação de espaços virtuais preenchidos por finas camadas de líquido lubrificante.

O pericárdio tem como função manter o coração em sua posição e impedir que ele se encha de sangue além de sua capacidade.

Esta camada pode ocorrer uma inflamação, onde chamamos de Pericardite.

O que é a Pericardite?

A Pericardite é um processo inflamatório que afeta a membrana que recobre e protege o coração. A doença pode ser aguda ou crônica.

A forma aguda, em geral, é de instalação súbita e se estende por volta de uma a três semanas.

Não raro, depois do primeiro episódio de pericardite aguda, seguido por um período de remissão completa durante quatro ou seis semanas, as crises podem repetir-se de tempos em tempos, o que caracteriza a pericardite aguda recorrente.

Na forma crônica, o processo inflamatório se desenvolve aos poucos e evolui por longos períodos.

Muitas vezes, o quadro permanece assintomático até que surge um acúmulo de líquido no espaço pericárdico ou um espessamento dessa parede, provocado pela formação de tecido fibroso endurecido (cicatrizes) em torno do coração, que tem o seu tamanho reduzido e as funções comprometidas.

O que ocasiona isso?

São muitos os casos em que se torna difícil descobrir a causa da pericardite que passa a ser classificada como idiopática, ou seja, sem motivo aparente. O fato é que aproximadamente 90% das pericardites agudas primárias são idiopáticas e têm quadro clínico semelhante ao de outros episódios virais, cujo agente infeccioso não foi ainda testado.

No caso específico da pericardite aguda, a infecção por vírus de diferentes tipos está entre as causas mais frequentes da enfermidade. Entre eles, destacam-se o vírus influenza da gripe, o Coxsackievirus, o adenovírus, o sincicial respiratórioo Epstein Barr, o Herpesvirus, assim como os vírus da caxumba, da catapora, do sarampo e das hepatites, por exemplo. Todos eles podem ser responsáveis pelo aparecimento da forma primária da doença, que é autolimitada, acomete pessoas de qualquer idade, principalmente os homens entre 16 e 65 anos.

Nessa mesma categoria, estão as pericardites causadas por bactérias (especialmente estreptococos, estafilococos, pneumococos, meningococos e Haemophillus) e, mais raramente, por fungos (a Cândida é um deles) e alguns parasitas (o Toxoplasma gondii). O bacilo de Koch da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) responde por grande parte das infecções bacterianas que alcançam o pericárdio via sistema linfático ou circulatório e podem ter natureza purulenta.

Não se deve descartar a possibilidade de o comprometimento do pericárdio ser secundário a outras condições de saúde, sejam elas relacionadas:

  • Com o sistema imune (lúpus eritematoso sistêmicoartrite reumatoidefebre reumática);
  • Com doenças metabólicas (uremia, insuficiência renal e cetoacidose diabética);
  • Com neoplasias, especialmente câncer de mama, de pulmãolinfomas, e tratamento radioterápico;
  • Com doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativadoença de Crohn, gastroenterites);
  • Com traumas no tórax;
  • Com alguns medicamentos (ex: trombolíticos e anticoagulantes).

A pericardite pode ocorrer, ainda, semanas depois de um ataque cardíaco ou cirurgia no coração. Conhecida como síndrome de Dressler ou síndrome pós-injúria cardíaca, parece ter caráter imunológico e afetar também a pleura, membrana que envolve os pulmões.

O que o paciente sente?

O principal sintoma da pericardite aguda é uma dor em pontada, repentina e forte, bem no meio do peito, que varia de intensidade com a mudança de posição: aumenta quando a pessoa deita e diminui, quando sentada, inclina o corpo para frente. Tossir, engolir e respirar fundo podem agravar a intensidade da dor própria da pericardite aguda, que nas crianças acomete mais o abdômen.

Na pericardite crônica, geralmente uma evolução da pericardite aguda, a dor no centro do peito, que irradia para as costas, pescoço e ombro esquerdo, aumenta quando a pessoa respira fundo. No entanto, dependendo do tipo e da gravidade do quadro, ela pode vir acompanhada de outros sintomas como:

  • Tosse seca;
  • Dispneia (falta de ar);
  • Sensação de fraqueza;
  • Cansaço;
  • Febre baixa;
  • Palpitações;
  • Inchaço abdominal, nas pernas e nos pés.

Como é diagnosticado?

O diagnóstico da pericardite leva em conta as queixas do paciente, a avaliação clínica e o levantamento do histórico pessoal e familiar da doença.

Exames complementares de imagem – raios x, eletrocardiograma, ecocardiograma, cateterismo, tomografia computadorizada, ressonância magnética – e exames laboratoriais de sangue, como hemograma completo, PCR, creatinina e cultura, podem ser úteis para determinar a causa da doença, quando é possível, e orientar o tratamento.

O exame clínico inclui ainda a ausculta dos batimentos cardíacos, que pode indicar duas diferentes condições:

  • Ruído de fricção característico do “atrito pericárdico”, sinal de que membranas do pericárdio estão inflamadas e roçando umas nas outras;
  • Som abafado provocado pelo acúmulo de líquido no interior do saco pericárdico, que atua como barreira para a propagação dos sons gerados pelo coração.

Dadas as características da dor da pericardite, fica difícil estabelecer o diagnóstico diferencial da doença com o infarto do miocárdio e a embolia pulmonar, provocada pela presença de um coágulo de sangue na artéria pulmonar, uma vez que que os sintomas são muito semelhantes nos três casos.

Há complicações, você sabia?

Sem tratamento, a pericardite pode evoluir para complicações graves que põem em risco a vida dos doentes!

O tamponamento cardíaco é uma delas. A outra é a pericardite constritiva. Na sua maioria, ambas derivam da inflamação das camadas que constituem o pericárdio.

Qual é o tratamento?

O tratamento das pericardites varia de acordo com as características e gravidade da doença. Nos quadros virais leves ou idiopáticos, em geral, o tratamento é sintomático com analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios ou medicação antifúngica.

Quando a resposta a esse esquema terapêutico não é satisfatória, a indicação de corticosteroides pode ser benéfica para alívio dos sintomas e controle da inflamação.

Nessa fase, se não pertencer aos grupos de risco, o paciente pode permanecer em casa, desde que em repouso.

A prática de exercícios físicos extenuantes é desaconselhada enquanto durar o processo inflamatório. Antibióticos ficam reservados para os episódios de infecção bacteriana. Os diuréticos ajudam a diminuir o líquido acumulado em torno do coração.

Filariose Linfática (Elefantíase)

A Filariose Linfática ou Filaríase é uma doença parasitária, também conhecida como Elefantíase, causada por um nematódeo, Wuchereria bancrofti, que vive no sistema linfático dos indivíduos infectados, apresentando diversas manifestações clínicas. A doença ocorre através da picada de um mosquito infectado, que transmite as larvas do parasita para o ser humano.

Como se manifesta?

Através dos edemas (acúmulo anormal de líquido) de membros, seios e bolsa escrotal, que podem levar a pessoa à incapacidade.

Em casos mais graves, algumas complicações podem surgir. O parasita bloqueia os vasos linfáticos, afetando a circulação do indivíduo.

E os Sintomas?

Os sintomas mais comuns da Filariose Linfática são:

  • acúmulo anormal de líquido (edema) nos membros, seios e bolsa escrotal;
  • aumento do testículo (hidrocele);
  • crescimento ou inchaço exagerado dos membros, seios e bolsa escrotal.

Como é feito o Diagnóstico?

Deve ser bem específico e detalhado, para descartar a hipótese de outras doenças. Os testes laboratoriais que comprovam a presença do verme parasita causador da doença são:

  • exame direto em lâmina;
  • hemoscopia positiva;
  • testes imunológicos, especialmente apoiados em cartões ICT;
  • ultrassonografia, que pode demonstrar a presença de filarias nos canais linfáticos.

Como Ocorre a Transmissão?

Se dá basicamente pela picada do mosquito Culex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) infectado com larvas do parasita. Após a penetração na pele, por meio da picada do mosquito, as larvas infectantes migram para região dos linfonodos (gânglios), onde se desenvolvem até a fase adulta.

Havendo o desenvolvimento de parasitos de ambos os sexos, haverá também a reprodução deles, com eliminação de grande número de microfilárias para a corrente sangüínea, o que propiciará a infecção de novos mosquitos, iniciando-se um novo ciclo de transmissão.

Como é tratado?

Orienta-se que devido à Filariose Linfática estar em vias de eliminação no Brasil, seja realizada a identificação morfológica do parasito (classificação da espécie filarial) antes do tratamento específico com a Dietilcarbamazina. O procedimento de identificação morfológica se dá por meio do encaminhamento de material biológico para o Laboratório do Serviço de Referência Nacional em Filarioses (SRNF) no Instituto Aggeu Magalhaes (IAM) Fiocruz/Pernambuco.

A droga de escolha é a Dietilcarbamazina (DEC) na forma de comprimidos de 50mg da droga ativa. Sua administração é por via oral e apresenta rápida absorção e baixa toxicidade. Esta droga tem efeito micro e macro filaricida, com redução rápida e profunda da densidade das microfilárias no sangue.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Estimular o paciente a participar do programa de tratamento;
  • Higiene diária do membro afetado com água e sabão comum, objetivando a prevenção e a cura das portas de entrada, principalmente as interdigitais;
  • Tratamento tópico das lesões com cremes antibióticos e/ou antifúgicos pode ser necessário, principalmente em pacientes com doença mais avançada;
  • Medidas de melhoramento do retorno linfático e venoso que incluem a fisioterapia ativa e a drenagem postural (noturna e diurna);
  • A importância o uso de compressas frias no local afetado até o desaparecimento da dor, o repouso, a elevação do membro afetado e a antibioticoterapia sistêmica (oral ou parenteral, dependendo da severidade do quadro clínico), principalmente nas primeiras 48 horas após o início do quadro agudo.

O Derrame Pleural e seus tipos

Predominantemente, os pacientes apresentam dispneia, mas tosse e dor torácica pleurítica podem ser um achado, podendo ser de etiologia do derrame pleural onde determina outros sinais e sintomas!

Mas o que é um Derrame Pleural?

Um derrame pleural acontece quando líquido se acumula entre as superfícies pleurais parietal e visceral do tórax. Uma camada fina de líquido está sempre presente nesse espaço para lubrificação e para facilitar o movimento do pulmão durante a inspiração e a expiração. Se o fluxo normal do líquido for interrompido, com excesso de produção ou remoção insuficiente de líquido, este será acumulado, resultado em derrame pleural.

Como são os sintomas de um Derrame Pleural?

Os principais sintomas decorrentes diretamente do envolvimento pleural são dor torácica, tosse e dispneia. A dor torácica pleurítica é o sintoma mais comum no derrame pleural. Ela indica acometimento da pleura parietal, visto que a visceral não é inervada, e geralmente ocorre nos exsudatos. Não necessariamente indica a presença de líquido, pelo contrário, tende a ser mais intensa nas fases iniciais da pleurite, melhorando com o aumento do derrame pleural. Seu caráter é geralmente descrito como “em pontada”, lancinante, nitidamente piorando com a inspiração profunda e com a tosse, melhorando com o repouso do lado afetado, como durante a pausa na respiração ou durante o decúbito lateral sobre o lado acometido. A dor torácica localiza-se na área pleural afetada, mas pode ser referida no andar superior do abdome ou na região lombar, quando porções inferiores da pleura são acometidas, ou no ombro, quando a porção central da pleura diafragmática é acometida.

A tosse é um sintoma respiratório inespecífico, podendo estar associada a doenças dos tratos respiratórios superior e inferior. A presença de derrame pleural, sobretudo com grandes volumes, isoladamente pode associar-se a tosse seca

A dispneia (alteração do ritmo da respiração) estará presente nos derrames mais volumosos e nos de rápida formação. Há uma tendência de melhora quando o paciente assume o decúbito lateral do mesmo lado do derrame. A presença de dor pleurítica importante, limitando a incursão respiratória, ou a presença de doença parenquimatosa concomitante também contribuem para o surgimento de dispneia.

Os Tipos de Derrame Pleural

O derrame pleural é divido entre transudato e exsudato, de acordo com a composição química do líquido pleural. Os critérios de classificação usados para diferenciar um derrame pleural de outro são:

Transudato

  • Relação entre proteína do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,5
  • Relação entre DHL do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,6
  • DHL no líquido pleural abaixo de 2/3 do limite superior no soro.

Exsudato

  • Relação entre proteína do líquido pleural e sérica maior que 0,5
  • Relação entre DHL do líquido pleural e sérica maior que 0,6
  • DHL no líquido pleural acima de 2/3 do limite superior no soro.

As Causas do Derrame Transudativo

  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Embolia pulmonar (20% dos derrames pleurais na embolia pulmonar são transudatos)
  • Atelectasias
  • Hipoalbuminemia
  • Diálise peritoneal
  • Cirrose hepática
  • Síndrome nefrótica
  • Glomerulonefrite
  • Neoplasias (raramente o derrame nas neoplasias e na sarcoidose são transudatos).

Mais raras

  • Iatrogenia (infusão de solução pobre em proteínas no espaço pleural)
  • Pericardite constritiva
  • Urinotórax
  • Obstrução da veia cava superior
  • Mixedema
  • Desnutrição
  • Sarcoidose
  • Fístula liquórica para a pleura
  • Procedimento de Fontan (procedimento cirúrgico realizado para correção de cardiopatias congênitas (atresia tricúspide e coração univentricular), pelo qual a cava superior ou inferior, ou o átrio direito, é anastomosado na artéria pulmonar.
  • atrogenia (infusão de solução pobre em proteínas no espaço pleural)
  • Pericardite constritiva
  • Urinotórax
  • Obstrução da veia cava superior
  • Mixedema
  • Desnutrição
  • Sarcoidose
  • Fístula liquórica para a pleura
  • Procedimento de Fontan (procedimento cirúrgico realizado para correção de cardiopatias congênitas (atresia tricúspide e coração univentricular), pelo qual a cava superior ou inferior, ou o átrio direito, é anastomosado na artéria pulmonar.

As Causas do Derrame Exsudativo

  • Neoplasia: metastática, mesotelioma; Doenças infecciosas: infecção bacteriana, tuberculose, infecções por fungos, vírus e parasitas; Tromboembolia pulmonar; Doenças cardíacas após cirurgia de revascularização miocárdica, doenças do pericárdio, síndrome de Dressler (pós-injúria do miocárdio), cirurgia de aneurisma de aorta;
  • Doenças gastrintestinais: pancreatite, abcesso sub-frênico, abcesso intrahepático, abcesso esplênico, perfuração de esôfago, hérnia diafragmática, esclerose endoscópica de varizes de esôfago, após transplante hepático;
  • Colagenoses e outras condições imunológicas: artrite reumatóide, lúpus, eritematoso sistêmico, febre familiar do Mediterrâneo, granulomatose de Wegener, Sjögren, Churg-Strauss;
  • Drogas: nitrofurantoína, dantrolene, metisergide, amiodarona, bromocriptina, procarbazina, metotrexate, interleucina 2;
  • Hemotórax: trauma torácico, iatrogênico, complicação de anti-coagulação na tromboembolia pulmonar, hemotórax catamenial, rupturas vasculares;
  • Quilotórax: cirurgias cardiovasculares, pulmonares e esofágicas, linfoma, outras neoplasias, traumas torácicos ou cervicais;
  • Outras: exposição ao asbesto, após infarto miocárdico ou pericardiectomia, após cirurgia de revascularização miocárdica, síndrome de Meigs, síndrome das unhas amarelas, após transplante pulmonar, uremia, radioterapia, pulmão encarcerado, pós-parto, amiloidose, queimadura elétrica, iatrogênico.

Como é diagnosticado um Derrame Pleural?

Aspectos visuais do líquido pleural podem ser muito úteis, podendo, em alguns casos, em conjunto com a clínica, já fornecer o diagnóstico. Em outros casos, eles podem orientar a solicitação de exames complementares. Assim, por exemplo, a presença de pus pode ser facilmente identificada e um líquido com aspecto leitoso sugere quilotórax, embora eventualmente o empiema possa apresentar este aspecto.

Na radiografia de tórax realizada com o paciente em pé ou de perfil, a apresentação do derrame varia com seu volume, tendo a seguinte evolução:

  • Radiografia de tórax normal: pequenos volumes não são identificados na radiografia de tórax em PA
  • Elevação e alteração da conformação do diafragma, com retificação de sua porção medial
  • Obliteração do seio costofrênico – surge a partir de volumes que variam de 175 a 500 ml em adultos
  • Opacificação progressiva das porções inferiores dos campos pleuropulmonares com a forma de uma parábola com a concavidade voltada para cima.

O derrame pleural pode apresentar-se com formas atípicas, tais como:

  • Derrame infra-pulmonar ou subpulmonar: por razões não esclarecidas, grandes volumes de líquido podem se manter sob os pulmões, sem se estender para o seio costofrênico ou para as porções laterais do espaço pleural
  • Derrame loculado: o líquido pleural pode manter-se encapsulado em qualquer ponto dos campos pleuropulmonares, o que ocorre mais comumente no hemotórax e no empiema
  • loculação entre as cissuras (tumor fantasma): o líquido pleural pode manter-se encapsulado na cissura horizontal ou oblíqua, formando uma imagem compatível com uma massa na projeção em PA, mas, em geral, com conformação elíptica na projeção lateral.

Exames Solicitados

Além das dosagens de proteínas e da desidrogenase lática (DHL), realizadas em todos os pacientes com derrame pleural, para a diferenciação entre transudato e exsudato, a análise da glicose, da amilase e do pH podem auxiliar no diagnóstico etiológico do derrame pleural, embora sempre de forma limitada, sem que haja pontos de corte que confirmem ou afastem uma ou outra doença.

Outros exames para diagnóstico e acompanhamento de derrame pleural são:

  • Citologia oncótica
  • Dosagens imunológicas
  • Biópsia pleural
  • Radiografia de tórax
  • Ultrassonografia
  • Tomografia computadorizada.

Os Tratamentos alternativos para o Derrame Pleural

Geralmente, o tratamento visa tratar a causa subjacente. Pode incluir medicamentos ou cirurgia.

Se os sintomas forem brandos, o médico pode adotar uma abordagem de “vigilância atenta”. Ela será controlada até que o vazamento desapareça.

Para ajudar a respirar

Se você tiver dificuldade para respirar, seu médico pode recomendar:

  • Tratamentos respiratórios: inalação de medicamentos diretamente para os pulmões
  • Oxigenoterapia

Drenagem do derrame pleural

O derrame pleural pode ser drenado por:

  • Toracocentese terapêutica: uma agulha é inserida na área para remover o excesso de líquido.
  • Tubo de toracostomia: Um tubo é inserido na lateral do tórax para permitir a drenagem do fluido. Esta sonda é deixada no lugar por vários dias.

Selando as camadas pleurais

O médico pode recomendar uma pleurodese química. Durante este procedimento, pó de talco ou substância química irritante é injetado no espaço pleural. Desta forma, as duas camadas pleurais são permanentemente seladas e unidas, o que pode ajudar a prevenir um maior acúmulo de fluido.

A radioterapia também pode ser usada para selar a pleura.

Cirurgia

Em casos graves, a cirurgia pode ser necessária. Durante a cirurgia, parte da pleura é removida. Opções de cirurgia podem incluir o seguinte:

  • Toracotomia : procedimento tradicional de tórax aberto
  • Cirurgia toracoscópica videoassistida (VATS): cirurgia minimamente invasiva na qual apenas pequenas incisões são feitas

Cuidados de Enfermagem para pacientes com Derrame Pleural

  • Controlar a dor corretamente;
  • Monitorar o dreno de tórax;
  • Verificar a quantidade de líquido que drenou e a sua cor;
  • Registrar os valores obtidos no dreno de tórax e deixar o paciente em repouso na cama ajustada a 45°.

Referências Bibliográficas:

Doença pulmonar induzida por drogas. Site da Versão Profissional do Manual da Merck. Disponível em: http://www.merckmanuals.com/professional/pulmonary_disorders/interstitial_lung_diseases/drug-induced_pulmonary_disease.html. Atualizado em maio de 2008. Acessado em 11 de junho de 2019.

Explorar pleurisia e outros distúrbios pleurais. Site do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue. Disponível em: http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/pleurisy. Atualizado em 21 de setembro de 2011. Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural. Website das Comunidades de Saúde da Remedy. Disponível em: http://www.healthcommunities.com/pleural-effusion/overview-of-pleural-effusion.shtml. Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural-avaliação diagnóstica. EBSCO DynaMed website. Disponível em: http://www.ebscohost.com/dynamed.Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural – diagnóstico diferencial. EBSCO DynaMed website. Disponível em: http://www.ebscohost.com/dynamed. Acessado em 11 de junho de 2019.

10/12/2010 Vigilância de Literatura Sistemática da DynaMed http://www.ebscohost.com/dynamed: Roberts M, Neville E, Berrisford R, Tunes G. Ali N, et al. Manejo do derrame pleural maligno: Diretriz da doença pleural da Sociedade Britânica Torácica 2010. Tórax. 2010; 65 Suppl 2: ii32.

Acretismo Placentário: O que é?

A parede uterina tem três camadas:

  • O endométrio;
  • A muscular;
  • E o perimétrio.

O Acrestismo Placentário é quado a placenta se fixa profundamente na parede uterina, ultrapassando o limite normal de fixação.

As Classificações do Acretismo Placentário

  • Acreta : Quando está inserida profundamente na decídua – camada interna do útero;
  • Increta : Quando chega a musculatura uterina;
  • Percreta :   Quando ultrapassa a musculatura uterina podendo invadir até órgãos adjacentes, como a bexiga.

O Acretismo Placentário é uma patologia não muito frequente, afetando cerca de 1 a cada 2.500 partos.

A placenta acreta é muito raramente reconhecida antes do nascimento, sendo muito difícil de ser diagnosticada.

Enquanto ela pode causar algum sangramento vaginal durante o terceiro trimestre, ela é mais comumente associada com os fatores que desencadeiam a condição.

Após o parto, a placenta geralmente se desprende da parede uterina de forma relativamente fácil.

Nos casos de acretismo não existe plano de clivagem entre a placenta e a parede uterina o que dificulta e às vezes até torna impossível o desprendimento da placenta, podendo causar grave hemorragia no período após o parto.

Qual é o fator de risco?

O principal fator de risco é a placenta prévia. Cerca de 10% das placentas prévias possuem algum grau de acretismo. Outros fatores de risco incluem a presença de cicatriz uterina prévia (cesárea) e curetagem uterina prévia.

Qual é o tratamento?

Vai depender da situação encontrada. Na maioria dos casos o descolamento é mais difícil, entretanto é possível resolver o problema com uma curetagem uterina.

Nos casos mais graves poderá ser necessária a realização de cirurgia de histerectomia, com retirada do útero.

Nos casos de placenta percreta poderá ser necessário intervenção cirúrgica nos órgãos comprometidos, como bexiga e intestino.

Alternativamente poderá ser realizado o parto deixando-se a placenta aderida ao útero. Nestes casos usa-se uma medicação chamada de metotrexate, que deve reduzir progressivamente o tamanho da placenta.

Quais são os riscos para o bebê?

A maior preocupação com relação ao bebê é geralmente relacionado com a prematuridade. A placenta prévia comumente se localiza no segmento uterino e pode provocar sangramentos e determinar a necessidade de um parto antes da data prevista.

Quais são os riscos para a mãe?

Usualmente é mais difícil de separar a placenta do útero. O médico pode se defrontar com um sangramento abundante durante o período em que a placenta é removida.

Este sangramento poderá colocar em risco a vida da mãe e eventualmente será necessária uma histerectomia (retirada do útero) para controlar o sangramento.

Entretanto é importante observar que existem diversos graus diferentes de acretismo, e muitas vezes o procedimento de retirada da placenta pode ser simples.

Em Observação, não existe tratamento específico para a placenta acreta. O médico poderá recomendar repouso durante a gestação para evitar sangramentos.

Veja também:

A Placenta Prévia