Paralisia de Bell (Bell´s Palsy)

A paralisia do Nervo Facial (7º nervo craniano) geralmente é idiopática (anteriormente chamada paralisia de Bell). A paralisia do nervo facial idiopática é súbita, unilateral e periférica.

Ela provoca fraqueza súbita nos músculos faciais. Isso faz com que metade do rosto pareça caído ou inclinado. Essa condição pode afetar qualquer pessoa de qualquer idade.

A Causa

A causa exata da paralisia de Bell é desconhecida, mas acredita-se que seja o resultado de um inchaço ou inflamação do nervo que controla os músculos de um lado do rosto. Pode ser uma reação que ocorre depois de uma infecção viral.

Para a maioria das pessoas, a paralisia de Bell é temporária. Os sintomas geralmente começam a melhorar dentro de algumas semanas, com recuperação completa em cerca de seis meses. Um pequeno número de pessoas continua a ter sintomas de paralisia de alguns de Bell durante toda a vida. Raramente, a paralisia de Bell ocorre duas vezes na mesma pessoa.

Lembrando que:

A paralisia de Bell não é o resultado de um AVC ou um ataque isquêmico transitório (AIT)!

Apesar de essas doenças causarem paralisia facial, não há nenhuma ligação entre elas e a paralisia de Bell. Mas a fraqueza repentina que ocorre em um lado de seu rosto deve ser examinada por um médico imediatamente para descartar essas causas mais graves.

Os seguintes vírus são comumente associados à paralisia de Bell:

  • Herpes labial e herpes genital
  • Varicela e herpes-zóster
  • Mononucleose (Epstein-Barr)
  • Infecções por citomegalovírus
  • Doenças respiratórias por adenovírus
  • Rubéola
  • Papeira
  • Gripe (influenza B)
  • Síndrome mão-pé-boca.

Os Sinais e Sintomas

A fraqueza da face é o principal sintoma de paralisia de Bell, e costuma afetar apenas um lado do rosto.

Essa fraqueza ou paralisia normalmente é súbita, demorando poucas horas ou menos para se instalar completamente.

Pode tornar-se progressivamente pior ao longo de vários dias. Os efeitos da fraqueza variam, dependendo se o nervo é parcialmente ou totalmente afetado.

Cuidados de Enfermagem

Orientar quanto à:

  • Cobrir o olho com tapa-olho à noite;
  • Aplicar gotas oculares hidratantes durante o dia e pomada ocular ao deitar para manter as pálpebras fechadas durante o sono;
  • Fechar manualmente a pálpebra paralisada antes de dormir;
  • Usar óculos de sol para diminuir a evaporação normal do olho;
  • Demonstrar ao paciente como fazer a massagem da face, que é indicada várias vezes ao dia, realizando movimentos ascendentes, isso quando o paciente tiver condições de tolerar a massagem;
  • Demonstrar os exercícios faciais, como enrugar a fronte, encher as bochechas e assoviar, em esforço de evitar a atrofia muscular;
  • Incentivar o paciente a praticar os exercícios com o auxílio de um espelho;
  • Orientar a evitar expor a face ao frio e às correntes de ar.

O que é “Salinizar” um Cateter?

O que é a Salinização?

É a prática de irrigação sob pressão positiva em períodos regulares dos dispositivos vasculares com solução salina.

Tem como objetivos manter a permeabilidade, garantir a infusão de todo o medicamento que possa ter ficado no sistema, evitar o retorno sanguíneo e prevenir complicações decorrentes da incompatibilidade de medicamentos e soluções.

As suas Indicações

  • Antes e após a cada administração de medicamentos;
  • Após a administração de sangue e derivados;
  • Quando converter de infusão continua para intermitente;
  • A cada 12 horas quando o dispositivo não for usado;

Você deve orientar ao paciente sobre o procedimento, solicitando sua cooperação!

Como fazer uma salinização?

  • Realizar a higienização das mãos;
  • Separar o material necessário: seringa (10 ml), agulha para aspiração (40×12), frasconetes de solução fisiológica a 0,9% de 10 ml, gaze umedecida com clorexidina alcoólica;
  • Aspirar a solução fisiológica a 0,9% na seringa de 10 ml;
  • Fazer a desinfecção da(s) via(s) com gaze umedecida com clorexidina alcoólica;
  • Aspirar o dispositivo para confirmar o fluxo do cateter;
  • Administrar um volume mínimo de ao menos 2 (duas) vezes o volume da capacidade do cateter (priming);
  • Cada lúmen deverá ser lavado independente do uso;
  • Fazer a desinfecção da via após o procedimento com gaze umedecida com clorexidina alcoólica;
  • Fechar as vias com oclusores (tampinhas) estéreis;
  • Desprezar o material utilizado em local apropriado.

Que riscos podem ocasionar?

  • Rompimento (fratura) do cateter;
  • Infiltração no tecido subjacente.

Alguns Cuidados Especiais:

  • Atentar para o volume final em 24h da solução de salinização para pacientes em restrição hídrica;
  • Para prevenção de danos no dispositivo o tamanho da seringa usada deverá estar de acordo com as recomendações, pois seringas com menos de 10 ml podem facilmente gerar pressões capazes de romper o cateter;
  • Aspirar o sangue com pressão no cateter, confirmar retorno de sangue para segurança da permeabilidade do dispositivo, antes de administrar medicamentos e soluções;
  • Se encontrar resistência no dispositivo ou ausência de refluxo de sangue quando aspirado, o “flushing” não deverá ser realizado!

Deve registrar:

  • Realizar o registro com informações referentes ao procedimento, volume de solução utilizada, avaliação de fluxo e refluxo sanguíneo, avaliação das condições gerais do paciente e relato do curativo.

Alergia Vs. Intolerância ao Leite: Quais são as diferenças?

Alergia ou Intolerância ao leite? 

Há grandes diferenças!

A alergia é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas, proteínas dos alimentos, de ácaros, de pólen, de pelo de animais, etc. Portanto, a APLV é uma reação às proteínas do leite (ex: caseína, alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina).

A intolerância é decorrente da dificuldade do organismo em digerir à lactose, açúcar do leite, devido à diminuição ou da ausência de lactase, enzima que a digere.

Lembrando que: A expressão “alergia à lactose” é errada e não existe, pois a alergia é uma reação à proteína e a lactose é um açúcar!

Quais são os Sintomas?

​Os sintomas da alergia podem ser gástricos como vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes e refluxo; dermatológicos (urticária, dermatite atópica de moderada a grave) e respiratórios (asma, chiado no peito e rinite).

A criança pode ter reação anafilática, baixo ganho de peso e crescimento. As reações podem ocorrer após a ingestão de leite de vaca ou derivados, de forma persistente ou repetitiva.

 Essa incapacidade ocorre em organismos que não produzem (ou produzem em quantidade insuficiente) uma enzima digestiva que se chama lactase e que é a responsável por decompor a lactose.

Quando a lactose não é absorvida, ela chega intacta ao intestino grosso, acumulando-se e sofrendo fermentação pelas bactérias que fabricam o ácido lático e os gases intestinais. Com isso, os pacientes passam a apresentar problemas como retenção hídrica e sintomas como diarreias e cólicas. Distensão abdominal, cólicas, flatulência (excesso de gases), náuseas, ardor anal e assaduras também são relatadas pelos pacientes.

Como acontece?

Alguns pacientes apresentam intolerância à lactose por uma deficiência congênita, isso é, a pessoa já nasce sem condições de produzir a lactase. Em outros casos, há uma redução progressiva da produção de lactase que geralmente começa na adolescência e persiste até o final da vida, sendo essa a forma mais comum da doença. Uma terceira forma da patologia é aquela em que a deficiência da lactase é consequência de doenças intestinais como doença celíaca, doença de Crohn  e síndrome do intestino irritável. Nesses casos, a intolerância tende a desaparecer quando a doença de base é controlada.

Para fazer o diagnóstico, o médico gastroenterologista pode pedir exames como teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes. O tratamento geralmente é feito com medicamentos e dieta, suspendendo a ingestão de leite e derivados no início. Podem ser recomendados também suplementos com lactase e o consumo de leites modificados com baixo teor de lactose para manter a oferta de cálcio ao organismo.

Os Cuidados com os pacientes sob estas condições

Uma vez diagnosticada a intolerância, pode-se evitar os sintomas excluindo leite e derivados, além de produtos ou alimentos preparados com leite. Outra forma de evitar os sintomas é experimentar os suplementos da enzima lactase, disponíveis no mercado em comprimidos ou tabletes mastigáveis. O medicamento deve ser ingerido junto com os laticínios.

Além disso, é possível adicionar gotas de enzima lactase no leite comum para pré-digerir a lactose antes de beber. Vale lembrar que as gotas devem ser colocadas 24 horas antes do consumo, tempo necessário para digerir a lactose. Porém, fique atento, o não consumo de leite e derivados pode gerar falta de cálcio. E quem optar por eliminar os laticínios precisará de uma dieta especial para suprir a necessidade do mineral. Caso opte pelo corte de laticínios, é necessário consumir principalmente vegetais de cor verde-escura como brócolis, couve, agrião, mostarda, além de repolho, nabo e peixes de ossos moles como o salmão e sardinha, mariscos e camarão.

Fontes de cálcio: folhas verdes, couve, alface, abobrinha, repolho, brócolis, aipo, mostarda, erva-doce), feijão, ervilhas, salmão, tofu, laranja, amêndoa, sementes de gergelim, melaço e cereais enriquecidos com cálcio.​

Alternativas alimentares

  • Não existe cura para a intolerância à lactose, mas é possível tratar os sintomas limitando os produtos com leite ou derivados.
  • Se a intolerância não for grave, o indivíduo não precisa excluir da dieta qualquer alimentos que contenha lactose.  Aos poucos a pessoa descobre quais alimentos lácteos ela pode ingerir sem sentir tantos sintomas.

Hoje já temos diversos produtos no mercado sem lactose como queijos, requeijão, iogurtes, leites, biscoitos, pães, bolos, entre outros. Outro substituto para o leite são as bebidas vegetais, entre elas o leite de arroz, leite de amêndoas e o leite de castanhas.

O uso de probióticos ou alimentos contendo probióticos, pode trazer benefícios para  os portadores de intolerância à lactose, já que estas bactérias iniciam a “quebra” da lactose, melhorando a digestão do alimento. Algumas cepas probióticas tem efeito favorável melhorando os sintomas de pacientes com intolerância à lactose secundária, como dor abdominal, diarreia e absorção da lactose. O ideal é a indicação por medico e/ou nutricionista para utilizar alguma dessas substâncias.

Fonte e Referência:

 

O que são Troponinas Cardíacas?

Quando um paciente refere dor precordial, o médico solicita exames de enzimas cardíacas- As troponinas. 

O que são as Troponinas Cardíacas?

As Troponinas são enzimas encontradas no sangue, cuja medição dos seus níveis serve para diagnosticar um infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco), sendo considerada o mais sensível marcador de lesão do músculo cardíaco disponível.

O Complexo da Troponina

A troponina cardíaca (Tn) apresenta-se de 3 formas:

  • Troponina C (TnC);
  • Troponina I (TnI);
  • Troponina T (TnT).

As troponinas são liberadas a partir das células mortas ou danificadas do músculo cardíaco e ficam elevadas entre 4 e 8 horas após o início dos sintomas do infarto do miocárdio, com pico de elevação após 36-72 horas, normalizando entre 5 e 14 dias depois.

Pacientes com angina instável e níveis de troponina cardíaca anormal, possuem 5 vezes mais chances de sofrer um infarto quando comparados com aqueles que têm níveis de troponina normais.

Quais são os valores de referência?

 O valor de referência para a troponina T é de até 0,030 ng/mL.

Elevações da troponina sérica são essenciais para o diagnóstico de infarto do miocárdio e estimar a sua extensão. Qualquer tipo de lesão do miocárdio (músculo cardíaco), e não apenas uma lesão isquêmica, pode resultar em liberação de troponina no sangue.

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Que Medicamento é Esse?: Tiocolquicósido

O Coltrax é um relaxante muscular que tem como princípio ativo o tiocolchicosídeo. Essa substância é indicada para o alivio a curto prazo e no tratamento de dores musculares da coluna, decorrentes de contraturas.

Como Funciona?

O tiocolchicosídeo, substância ativa de Coltrax, é uma substância derivada do enxofre, proveniente da colchicina, um alcaloide extraído de plantas. Atua no organismo como relaxante muscular, tanto em seres humanos como em animais. O tiocolchicosídeo promove uma perda gradual ou eliminação considerável da contração que leva a rigidez muscular, diminui a resistência do músculo e reduz ou elimina o aparecimento da contratura residual.

A sua ação relaxante muscular manifesta-se igualmente sobre os músculos dos órgãos internos do corpo – principalmente sobre o útero. Por outro lado, o tiocolchicosídeo não altera os movimentos voluntários, não provoca paralisia e, portanto, não apresenta risco sobre a musculatura e movimentos respiratórios.

Coltrax não tem ação no sistema cardiovascular.

Os Efeitos Colaterais

Os principais efeitos colaterais do Tiocolquicosido incluem urticária na pele, inchaço no local da injeçao, sonolência, diarreia, dor no estômago, náuseas, vômitos ou desmaio.

Quando é Contraindicado?

Coltrax é contraindicado em pacientes que apresentam alergia ao tiocolchicosídeo ou a qualquer componente da fórmula.

Coltrax não deve ser utilizado durante a gravidez e amamentação e aos pacientes que apresentam alergia conhecida à colchicina.

Coltrax não deve ser utilizado por mulheres em idade fértil (com potencial para engravidar) que não estejam utilizando métodos contraceptivos eficazes.

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas durante todo o período da gestação ou por mulheres que possam ficar grávidas durante o tratamento.

Este medicamento é contraindicado para menores de 16 anos.

Os Cuidados de Enfermagem

  • A medicação deve ser administrada exatamente conforme recomendado e o tratamento não deve ser interrompido, sem o conhecimento do médico. que o paciente alcance melhora.
  • No caso de gravidez (confirmada ou suspeita),ou, ainda, se a paciente estiver amamentando, o médico deverá ser comunicado imediatamente.
  • Informe ao paciente as reações adversas mais freqüentes relacionadas ao uso da medicação e na ocorrência de qualquer uma, principalmente as incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser consultado.
  • Recomende que o paciente informe ao médico o esquema de medicação anterior ao tratamento ou à cirurgia.
  • Recomende que o paciente mude de posição que se levante da cama ou de cadeiras lentamente, para evitar hipotensão postural, durante a terapia e que, aos primeiros sinais de queda da PA (náusea, tontura, sudorese, sensação de debilidade), sente-se ou deite-se imediatamente até o desaparecimento desses sintomas. O paciente também deverá ser especialmente cuidadoso ao subir ou descer escadas, ao atravessar ruas e durante o banho. Consumo de álcool, permanência de pé durante longos períodos, prática de exercícios e temperaturas quentes também podem aumentar a hipotensão postural.
  • Recomende que o paciente evite dirigir e outras atividades que requerem estado de alerta, até a resposta à medicação seja conhecida.
  • Recomende ao paciente que evite o consumo de álcool e o uso concomitante de outros depressores do SNC, como também de qualquer outra droga ou medicação, sem o conhecimento do médico, durante a terapia.
  • Interações medicamentosas: atenção durante o uso concomitante de outras drogas.
  • VO: a medicação deverá ser administrada com um pouco de líquido pela manhã; quando for necessária uma ação mais rápida, use a forma IV.
  • IM ou IV: administre profundamente (IM) na glútea; administre lentamente (IV); ambas as vias de administração podem ser utilizadas simultânea ou  alternadamente, conforme prescrição médica.

Diapasão: Teste de Rinne e Weber

A Audiologia é a ciência que estuda a audição e os sons. A audição humana é uma função muito complexa e faz parte de um sistema muito especializado de comunicação.

Nos humanos este sistema permite o processamento de eventos acústicos como a fala, tornando possível tanto a comunicação quanto a expressão do pensamento.

Os testes de Weber e Rinne normalmente são feitos em conjunto, complementando-se um ao outro, e são usados para determinar se existe perda auditiva e qual a sua origem.

Estes testes foram chamados desta forma em honra aos seus criadores (Ernst Heinrich Weber e Heinrich Adolf Rinne) os dois mais ou menos na mesma época, meados do séc. XIX.

Teste de Weber

Este teste é feito com um diapasão (o qual vibra entre 256 a 512 Hz normalmente) ao ser batido e é colocado ou no centro do crânio com uma distância igual entre as orelhas ou colocado junto do lábio superior.

O paciente tem então de ver se nota alguma diferença de audição entre os ouvidos. Se o paciente disser que houve com mais intensidade na orelha afetada, então ele tem uma perda auditiva condutiva.

Se ele em vez disso ouvir com mais intensidade na orelha em bom estado, então terá uma perda auditiva neuro-sensorial. Este teste tem uma falha. Se o paciente tiver uma perda de audição semelhante nos dois ouvidos, pode então acusar um falso negativo.

Teste de Rinne

O teste de Rinne é feito como complemento ao teste de Weber. Este também é feito com um diapasão, mas desta vez é colocado no mastoide (parte de trás da orelha) e é posto a vibrar.

O médico então conta quantos segundos o paciente consegue ouvir o som. Quando ele deixar de o ouvir ele afasta da orelha um pouco e aí o paciente irá também informar quando deixar de ouvir o som.

Como o som se propaga melhor pelo ar do que pelos ossos, o som irá demorar mais a desaparecer via aérea.

Se por via aérea o som demorar mais que via óssea (com proporção aproximada de 2:1), então não existe perda auditiva.

Se por via óssea for melhor que aérea, então o paciente tem perda auditiva condutiva.

E por fim, se o paciente ouvir por tempo mais reduzido que normal em ambas as vias, então o paciente tem perda auditiva neuro-sensorial.

Ablação Cardíaca: O que é ?

Pacientes com Fibrilação Atrial têm grandes tendências em ter como indicação a Ablação Cardíaca. 

O Que é uma Ablação Cardíaca?

ablação cardíaca é um procedimento minimamente invasivo considerado como o mais eficiente para o tratamento definitivo de diversas arritmias cardíacas, dentre elas a mais comumente diagnosticada pelos especialistas, a fibrilação atrial, sendo realizado com o auxílio de cateteres inseridos em veias e artérias da pessoa acometida pela arritmia cardíaca.

Por não necessitar de aberturas ou incisões cardíacas, a recuperação da ablação é rápida, permitindo que o paciente receba alta hospitalar em até 24 horas após o procedimento.

Além de eliminar os sintomas das arritmias cardíacas, a ablação, em muitos casos, permite que o paciente seja liberado do tratamento medicamentoso, ficando livre dos efeitos colaterais que a terapia medicamentosa pode causar futuramente.

Para que é indicado a Ablação Cardíaca?

O procedimento de ablação cardíaca é recomendado como um tratamento para quase todas as arritmias cardíacas. Mas são orientadas à técnica, principalmente, aquelas pessoas que respondem mal ao tratamento medicamentoso, possuem alguma restrição às substâncias presentes nos remédios ou as que necessitam de doses muito altas para o controle do ritmo cardíaco.

Contudo, até mesmo as arritmias cardíacas mais simples e de mais baixo risco podem ser eliminadas por meio da técnica de ablação cardíaca.

Que riscos pode ocasionar?

Apesar de ser considerado um dos métodos mais seguros de tratamento para arritmias cardíacas, a ablação pode apresentar complicações, tais como:

  • Hematomas: Podem surgir hematomas nas regiões em que foram realizadas as punções. Apesar de não ser nenhuma complicação séria, o ideal é que o paciente evite o surgimento de hematomas, realizando repouso de acordo com a orientação dos profissionais que acompanharam o procedimento;
  • Trombose: Em algumas situações especiais, pode ocorrer a formação de coágulos sanguíneos no interior de vasos. Habitualmente, são administrados anticoagulantes durante o procedimento e tomadas demais medidas para evitar que isso ocorra, no entanto, alguns fatores podem favorecer o surgimento de coágulos durante a recuperação do procedimento, tais como: uso de anticoncepcionais hormonais, tabagismo, idade avançada, diabetes, entre outros. O mais importante é observar qualquer inchaço ou edema no membro inferior onde foi feita a punção venosa e reportar ao seu médico, para que o mesmo avalie o risco de trombose;
  • Infecções: Devido ser um procedimento minimamente invasivo, que exclui a necessidade de abertura do tórax ou demais incisões, são raros os casos de infecções após a ablação cardíaca, no entanto elas podem ocorrer. Devido a isso cuidados como realizar o cuidado ideal com os curativos (se houver) e observar febre são importantes para detecção precoce e tratamento adequado de alguma infecção;
  • Bloqueios: Em casos estritamente específicos, os focos responsáveis pela arritmia cardíaca podem se encontrar muito próximos às vias do sistema normal de condução sanguínea do coração. A eliminação do foco pode, em casos raros, causar algum dano ao sistema normal, causando um tipo de bloqueio transitório ou definitivo (muito raro, com taxa muito inferior a 1% dos casos. Para tratar o bloqueio, quando este não resolve em até 7 dias, pode ser necessário implantar um marcapasso. No entanto, para esses casos especiais, o médico responsável irá esclarecer o risco antes do procedimento;
  • Necessidade de cirurgia cardíaca: extremamente rara, pode acontecer quando existe extravasamento de sangue para fora do coração ou quando alguma parede do átrio mais fina se rompe, necessitando de correção;
  • Acidente vascular cerebral: com a anti coagulação durante o procedimento (realizada de forma rotineira), o risco é muito pequeno. Pode acontecer, e geralmente é identificado prontamente ao término do procedimento.
  • Outros riscos: riscos muito raros podem acontecer, e uma conversa mais ampla e franca com o medico deve ser estimulada.

Há possíveis complicações!

  • Fístula auriculo-esofágica, ligação que se forma entre o esôfago e o coração;
  • Tamponamento cardíaco, por acumulação de líquido em torno do coração;
  • Parada cardíaca.

Cuidados com Pacientes Pós Ablação

  • Deverá permanecer em repouso absoluto pelo menos, uma hora. No entanto, o mais habitual é que se indiquem guardar repouso de 5 ou 6 horas. Neste período controlar é monitorado o ritmo cardíaco em um ambiente como uma Unidade de Terapia Intensiva Cardíaca.
  • De acordo com o que indica o monitoramento cardíaco, o médico poderá dar alta ou permanecer até o dia seguinte.
  • Por 2 ou 3 dias, o paciente pode apresentar sintomas, tais como fadiga, dor no peito, batimentos cardíacos muito rápidos ou irregulares.

Outros tratamentos além da Ablação

  • Marcapasso cardíaco: Um marcapasso cardíaco é um pequeno dispositivo eletrônico que se coloca para a regular seu ritmo e freqüência cardíaca, de forma artificial, quando o seu coração é incapaz de fazê-lo por si mesmo.
  • Desfibrilação cardíaca: Em contrapartida, a desfibrilação cardíaca pode ser um procedimento de urgência, que é usado em caso que o coração, de repente, parar de bater. O desfibrilador feito através de uma ou várias descargas, restabelecer os batimentos do teu coração.
  • Cardioversão elétrica: Se bem que a cardioversão ao igual que a desfibrilação cardíaca consiste na aplicação de choques elétricos, ao contrário desta última, estas transferências são feitas de forma sincronizada com o registo eletrocardiográfico.

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Atresia Esofágica

A Atresia de Esôfago ou Atresia Esofágica (AE),  é uma anomalia da formação e separação do intestino anterior e primitivo em traqueia e esôfago, que ocorre na quarta ou quinta semana de desenvolvimento embriológico.

Há uma interrupção da luz esofagiana, podendo haver ou não comunicação entre este e a traqueia.

É a causa mais frequente de cirurgia torácica no recém nascido, com uma incidência de 1:3.000 nascidos e discreta predominância no sexo masculino e em brancos.

Os Principais Tipos de AE

Os principais tipos de atresia são:

  • AE isolada (AE sem fístulas),
  • AE com FTE proximal,
  • AE com FTE distal,
  • AE com FTE distal e proximal e
  • FTE isolada.

Como é diagnosticado?

Por dois métodos:

  • Pré-natal: Ultrassonografia;
  • Pós-natal: SNG e radiografia,

A ultrassonografia pré-natal de rotina pode sugerir atresia de esôfago. Pode haver polidrâmnio, mas não fornece o diagnóstico porque também pode estar em muitas outras doenças. A bolha gástrica do feto pode estar ausente, porém em < 50% dos casos. Menos frequentemente aparece uma bolsa dilatada na parte superior do esôfago, quase sempre no feto com polidrâmnio e sem a bolha gástrica.

Após o parto, uma sonda nasogástrica (SNG) é inserida se ultrassonografia ou achados clínicos pré-natal sugerirem atresia esofágica; o diagnóstico é sugerido pela incapacidade de inserir a sonda no estômago. Um cateter radiopaco determina a localização da atresia à radiografia. Em casos atípicos, pequena quantidade de contraste hidrossolúvel pode ser necessária para definir a anatomia sob fluoroscopia. O material contrastado deve ser rapidamente aspirado de volta porque sua penetração nos pulmões pode causar pneumonite química. Este procedimento deve ser realizado apenas por radiologista treinado no centro onde a cirurgia neonatal será feita.

As Associações com o AE

A associação de malformações a AE são comuns, ocorrendo em 50 a 70% dos casos.

As mais comuns são: cardíacas, gastrintestinais, genitourinárias e esquelética.

Também deve ser investigado anomalias cromossômicas e a Síndrome VACTER (Vertebral, Anorretal, Cardíaca, Traqueoesofágica, Renal), que é um conjunto de malformações associadas e acometem 10% das crianças com AE.

Os Sintomas

Os sintomas variam de acordo com a topografia acometida.

Há falha na tentativa de sondagem gástrica, impossibilidade de deglutição, ocorrendo salivação abundante e aerada.

Quando a AE estiver associada à fístula traqueal, haverá distensão gasosa abdominal, e quando não houver esta associação, haverá abdome escavado.

O Tratamento

Por meios cirúrgicos:

O procedimento pré-operatório tem por objetivo dar à criança ótimas condições para a cirurgia e prevenir pneumonia aspirativa, o que tornaria a correção cirúrgica mais perigosa.

A alimentação oral é suspensa. A sucção contínua com uma SNG na bolsa esofágica superior impede a aspiração da saliva deglutida.

O lactente deve adotar a posição em pronação com a cabeça elevada 30 a 40° e voltado para a direita, para facilitar o esvaziamento gástrico e minimizar os riscos de aspiração do ácido gástrico através da fístula.

Se houver necessidade de adiar a cirurgia em decorrência de prematuridade extrema, pneumonia aspirativa ou outra malformação congênita, uma sonda de gastrostomia é inserida para eliminar a compressão do estômago. A sucção através da gastrostomia reduz o risco de refluxo do conteúdo gástrico para a árvore traqueobrônquica, através da fístula.

Quando as condições do lactente se estabilizarem, poderão ser realizados reparação cirúrgica extrapleural da atresia e fechamento da fístula traqueoesofágica.

Ocasionalmente, poderá ser necessária a interposição de um segmento do colo entre os segmentos do esôfago.

As Complicações

As complicações agudas mais comuns são vazamentos no local da anastomose e na formação da estenose. Após cirurgia bem-sucedida, dificuldades alimentares são frequentes em razão da deficiente motilidade do segmento esofágico distal (até 85% dos casos) e que predispõe o lactente a RGE.

Essa baixa motilidade predispõe o recém-nascido ao refluxo gastroesofágico. Se o tratamento conservador para o refluxo falhar, pode ser necessária fundoplicadura de Nissen.

Os Cuidados de Enfermagem

Dentre os cuidados de enfermagem desenvolvidos no pré-operatório ao neonato destacam-se:

  • Elevar o decúbito;
  • Mantê-lo em jejum;
  • Realizar lavagem e aspiração contínua das secreções do coto esofágico superior com uma sonda;
  • Administrar antibióticos profiláticos;
  • Manter acesso venoso para suporte calórico;
  • Monitorar o neonato e avaliar o quadro respiratório;
  • Controlar balanço hídrico;
  • Procurar tranquilizar a criança e orientar os pais a participarem dos cuidados,
  • Mantendo-os informados sobre o progresso do seu filho.

Os cuidados de enfermagem no pós-operatório são os mesmos descritos no pré-operatório acrescentando:

  • O controle dos sinais vitais;
  • Aspiração das vias aéreas superiores e da cânula endotraqueal, verificando a sua fixação;
  • Cuidados com a gastrectomia, mantendo a sonda aberta e anotar o volume e características das secreções;
  • Administrar analgésicos CPM;
  • Suspensão do jejum atentar para a alimentação pela gastrectomia e/ou por via oral quando esta for instituída;
  • Não remover, nem ajustar a sonda gástrica;
  • Manter cuidado também com a esofagectomia se for o caso.

Síndrome de Guillain Barré

A Síndrome de Guillain Barré é um distúrbio autoimune, ou seja, o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte do sistema nervoso, que são os nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo.

É geralmente provocado por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos.

Várias infecções têm sido associadas à Síndrome de Guillain Barré, sendo a infecção por Campylobacter, que causa diarreia, a mais comum.

Mas o que pode causar esta Síndrome?

Nessa doença incluem Zika, dengue, chikungunya, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, sarampo, vírus de influenza A, Mycoplasma pneumoniae, enterovirus D68, hepatite A, B, C, HIV, entre outros.

Muitos vírus e bactérias já foram associados temporalmente com o desenvolvimento da Síndrome de Guillain Barré, embora em geral seja difícil comprovar a verdadeira causalidade da doença.

O diagnóstico é dado por meio da análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e exame eletrofisiológico.

A Relação da Síndrome de Guillain Barré com o Aedes Aegypti

As infecções por dengue, chikungunya e Zika, transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, podem resultar em um em várias síndromes clínicas, desde doença febril branda até febres hemorrágicas e formas neuroinvasivas, que podem ser casos agudos de encefalite, mielite, encefalomielite, Síndrome de Guillain Barré ou de outras síndromes neurológicas centrais ou periféricas diagnosticadas por médico especialista.

Os Sintomas

A maioria dos pacientes percebe inicialmente a doença pela sensação de dormência ou queimação nas extremidades membros inferiores (pés e pernas) e, em seguida, superiores (mãos e braços). Dor neuropática lombar (nervos, medula da coluna ou no cérebro) ou nas pernas pode ser vista em pelo menos 50% dos casos.

Fraqueza progressiva é o sinal mais perceptível ao paciente, ocorrendo geralmente nesta ordem: membros inferiores, braços, tronco, cabeça e pescoço.

Os sintomas principais da Síndrome de Guillain Barré são fraqueza muscular ascendente: começam pelas pernas, podendo, em seguida, progredir ou afetar o tronco, braços e face, com redução ou ausência de reflexos.

A síndrome pode apresentar diferentes graus de agressividade, provocando leve fraqueza muscular em alguns pacientes ou casos de paralisia total dos quatro membros.

O principal risco provocado por esta síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios.

Nesse último caso, a síndrome pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas de suporte respiratório, tendo em vista que coração e pulmões param de funcionar.

O Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de tratamento para a síndrome de Guillain Barré, incluindo procedimentos, diagnósticos clínicos, de reabilitação e medicamentos.

A Guillain Barré é uma doença rara e não é de notificação compulsória. O Brasil conta hoje com 136 Centros Especializados em Reabilitação, que atendem pacientes com a Síndrome de Guillain Barré pela rede pública de saúde.

Além disso, a maior parte dos pacientes com Guillain Barré é acolhida em estabelecimentos hospitalares.

O tratamento visa acelerar o processo de recuperação, diminuindo as complicações associadas à fase aguda e reduzindo os déficits neurológicos residuais em longo prazo.

O SUS dispõe de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Síndrome de Guillain Barré, que prevê entre outros tratamentos, a disponibilidade do medicamento imunoglobulina intravenosa (IgIV) e do procedimento plasmaférese, que é uma técnica de transfusão que permite reiterar plasma sanguíneo de um doador ou de um doente.

O médico é o profissional responsável por indicar o melhor tratamento para o paciente, conforme cada caso.

Não há necessidade de tratamento de manutenção fora da fase aguda da doença.

Cuidados de Enfermagem

  • Exame neurológico: nervos cranianos, avaliação de alterações motoras e sensoriais;
  • Prevenção de broncoaspiração – pelo déficit dos nervos cranianos;
  • Monitorização da pressão arterial (PA) e frequência cardíaca (FC) – como o sistema autônomo está envolvido nessa síndrome, podem ocorrer taquicardia sinusal, arritmias e instabilidade de PA;
  • Monitorização do padrão respiratório e da capacidade vital forçada – a cada 6 horas;
  • Monitorização da função gastrointestinal e urinária – presença de náuseas e vômitos, risco de obstipação e infecção do trato urinário devido à retenção urinária;
  • Prevenção de úlceras por pressão – pela imobilidade;
  • Prevenção de TVP – colocação de meias compressivas;
  • Exercícios passivos – minimizam o risco de desenvolver contraturas;
  • Medidas de alinhamento do corpo – talas protetoras para evitar hiperflexão do punho e pé caído;
  • Dietoterapia por sonda – se incapacidade de alimentação por via oral;
  • Implementação de métodos de comunicação – se comunicação verbal prejudicada por intubação orotraqueal;
  • Balanço hídrico;
  • Proteção ocular – se paralisia facial.

Os Dermátomos

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Uma alteração de sensibilidade em uma pequena área da pele pode ajudar a localizar onde está o problema neurológico. É justamente essa a utilidade dos dermátomos: relacionar determinadas regiões cutâneas às raízes nervosas espinhais e transformar uma queixa como “está dormente aqui” em uma informação útil para a avaliação neurológica.

O que são dermátomos?

Dermátomo é uma região da pele cuja sensibilidade está predominantemente relacionada a uma determinada raiz nervosa espinhal. O corpo possui 31 pares de nervos espinhais: 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. A exceção importante é C1, que geralmente não possui uma área cutânea correspondente claramente definida.

Os dermátomos são especialmente úteis na investigação de alterações sensitivas, radiculopatias, lesões da medula espinhal e algumas manifestações do herpes-zóster. Porém, o mapa não deve ser interpretado como uma divisão perfeita da pele. Existe sobreposição entre raízes vizinhas e diferenças entre os mapas anatômicos utilizados na literatura.

Os principais dermátomos para memorizar

Para a enfermagem, alguns pontos são particularmente úteis durante uma avaliação neurológica:

Raiz Referência sensitiva
C2 Protuberância occipital
C3 Fossa supraclavicular
C4 Região superior da articulação acromioclavicular
C5 Fossa antecubital lateral
C6 Polegar
C7 Dedo médio
C8 Dedo mínimo
T1 Fossa antecubital medial
T2 Axila
T4 Região do 4º espaço intercostal, aproximadamente na linha mamilar
T10 Umbigo
L2 Região anterior da coxa
L3 Face medial do joelho
L4 Maléolo medial
L5 Dorso do pé, na região da 3ª articulação metatarsofalângica
S1 Região lateral do calcanhar
S2 Fossa poplítea
S3 Região da tuberosidade isquiática
S4–S5 Região perianal

Esses pontos fazem parte dos referenciais utilizados no exame sensitivo neurológico padronizado, especialmente na avaliação de pacientes com suspeita de lesão medular.

Como avaliar a sensibilidade

Na avaliação clínica, o paciente pode permanecer com os olhos fechados enquanto o profissional aplica estímulos sensitivos em diferentes regiões, comparando áreas correspondentes dos dois lados do corpo. O exame pode envolver toque leve e, conforme o objetivo clínico e o protocolo utilizado, outras modalidades sensitivas.

O mais importante não é simplesmente perguntar se o paciente “sente ou não sente”. Deve-se observar se a sensação está preservada, diminuída, aumentada ou ausente e comparar os achados entre os lados e entre níveis sucessivos.

Uma alteração seguindo aproximadamente o território de uma raiz pode levantar a hipótese de comprometimento radicular. Já uma alteração que atravessa vários dermátomos ou apresenta um nível sensitivo definido pode apontar para outra localização neurológica, exigindo correlação com força muscular, reflexos, dor, função autonômica e demais achados do exame.

Dermátomos não são a mesma coisa que nervos periféricos

Essa diferença costuma confundir estudantes. O dermátomo está relacionado principalmente a uma raiz nervosa espinhal, enquanto um território de nervo periférico corresponde à distribuição de um nervo específico após sua formação.

Por isso, uma área de dormência na mão, por exemplo, não deve ser automaticamente chamada de “dermátomo”. É necessário observar o padrão completo e correlacioná-lo com os demais achados neurológicos.

! Atenção na Prova Um detalhe que costuma cair em prova

  • Dermátomo = sensitivo.
  • Miótomo = motor.

Enquanto o dermátomo ajuda a avaliar a distribuição sensitiva relacionada à raiz nervosa, o miótomo representa grupos musculares relacionados à função motora de determinados níveis neurológicos.

Quando esse conhecimento faz diferença na assistência

Na prática hospitalar, a avaliação dos dermátomos ganha importância principalmente quando existe alteração neurológica nova, trauma de coluna, suspeita de compressão radicular, pós-operatório de procedimentos relacionados à coluna ou necessidade de acompanhar a evolução de um déficit sensitivo.

  • Situação prática 1: um paciente após trauma apresenta redução da sensibilidade nos membros inferiores. Em vez de registrar apenas “paciente com dormência nas pernas”, a avaliação neurológica deve procurar delimitar onde a sensibilidade começa a mudar, comparar os lados e acompanhar se esse nível permanece estável ou sofre alteração. Uma mudança progressiva pode representar informação clínica importante para a equipe.
  • Situação prática 2: após um procedimento com anestesia regional, o paciente refere que ainda não sente adequadamente determinadas regiões dos membros inferiores. O acompanhamento seriado da sensibilidade permite observar a regressão do bloqueio e identificar alterações inesperadas, sempre considerando a técnica anestésica empregada e o protocolo da instituição.

Cuidados de enfermagem

Durante a avaliação, a enfermagem deve manter o paciente em condições seguras, explicar o procedimento, comparar bilateralmente a sensibilidade e registrar localização, tipo de alteração, intensidade e evolução. Em pacientes neurológicos, a comparação com avaliações anteriores é particularmente importante.

Alteração sensitiva nova ou progressiva, especialmente quando associada a fraqueza, alteração do nível de consciência, perda de controle esfincteriano ou outros déficits neurológicos, deve ser comunicada prontamente e correlacionada com o quadro clínico. A avaliação seriada é mais informativa do que um registro isolado.

Para guardar de vez

Decore para a Prova Se precisar memorizar os pontos mais cobrados, pense em uma sequência simples: C6 = polegar, C7 = dedo médio, C8 = dedo mínimo; T10 = umbigo; L4 = maléolo medial; L5 = dorso do pé; S1 = região lateral do calcanhar.

E atenção ao detalhe que diferencia uma boa avaliação de uma simples decoração do mapa: dermátomos têm sobreposição e variação anatômica. O mapa serve para orientar a localização neurológica, não para substituir o exame clínico completo.

Resumo para salvar

Dermátomos: O Mapa Que Revela Lesões

  • Dermátomo é uma área cutânea relacionada a uma raiz nervosa espinhal
  • C6 corresponde ao polegar, C7 ao dedo médio e C8 ao dedo mínimo
  • T10 corresponde ao umbigo, L4 ao maléolo medial e L5 ao dorso do pé
  • Dermátomos apresentam sobreposição e devem ser avaliados junto ao exame neurológico

Referências:

  1. WHITMAN, Patrick A.; LAUNICO, Marjorie V.; ADIGUN, Oluwaseun O. Anatomy, Skin, Dermatomes. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, atualização 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf – Anatomy, Skin, Dermatomes
  2. LEE, M. W. L.; MCPHEE, R. W.; STRINGER, M. D. An evidence-based approach to human dermatomes. Clinical Anatomy, v. 21, n. 5, p. 363–373, 2008. DOI: 10.1002/ca.20636. Disponível em: PubMed – An evidence-based approach to human dermatomes
  3. RUPP, R. et al. International Standards for Neurological Classification of Spinal Cord Injury (ISNCSCI). American Spinal Injury Association. 2026. Disponível em: ASIA – ISNCSCI Resources
  4. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Nursing Skills: Neurological Assessment – Assessing Sensory Function. NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – Nursing Skills