O Equipo Bomba de Infusão

O Equipo Bomba de Infusão

Em resumo, o que é a Bomba de infusão?

A bomba de infusão é um dispositivo médico que fornece fluidos, tais como nutrientes e medicamentos no corpo de um paciente em quantidades controladas.

Também podem ser utilizadas na residência de pacientes que precisam de cuidados especiais (home care). Podem ser fornecidas substâncias como insulina ou outros hormônios, antibióticos, medicamentos controlados como drogas vasoativas, sedo analgesias, medicamentos quimioterápicos e analgésicos.

Muitas vezes a administração de medicamentos, seja no ambiente hospitalar ou mesmo nos cuidados domiciliares “home care”, requer um controle rigoroso e maior precisão, nestes casos a utilização da bomba de infusão é imprescindível. Mas não somente medicação requer o uso da bomba de infusão também pacientes com necessidades nutricionais específicas.

Portanto a bomba de infusão deve ser considerada essencial na estruturação de um serviço de saúde que ofereça uma solução completa ao paciente.

O que é o Equipo de Bomba de Infusão?

É nada mais que um equipo de soro padrão, porém com um sistema de silicone em seu centro, para bombear e controlar os líquidos a serem infundidos para dentro do corpo. Normalmente o material utilizado é o silicone, que proporciona maior precisão e durabilidade (até 48 horas). Também são equipos especiais as que utilizam métodos como as membranas flexíveis acopladas a válvulas de esferas ou laminares que só permitem o fluxo unidirecional.

O fluxo neste caso é pulsátil e também controlado por motores de precisão. Alguns modelos carregam seu próprio suprimento de energia e líquido, como por exemplo as normalmente usadas para dosagens contínuas de insulina ou anestésicos.

Um acionador mecânico provoca um deslocamento do líquido no interior do tubo por ação peristáltica. Este mecanismo pode ser classificado de rotativo ou linear.

Quais são os Tipos de Equipos para Bomba de Infusão?

Existem diversos tipos de equipos específicos para a bomba de infusão: Desde para dieta enteral, medicamentos controlados (sendo eles fotossensíveis ou não), com bureta acoplada, podendo variar os tipos destes equipos com os diversos fabricantes diferentes. É necessário um treinamento prévio para o manuseio destes equipos e bombas de infusão, de preferência com alguém responsável pelo próprio fabricante.

Qual é a validade destes equipos?

É necessário consultar o POP da instituição, para averiguar o tempo de uso de um equipo de bomba de infusão padronizada naquele hospital. Pode variar entre 48 a 96 horas.

Que cuidados devemos tomar com estes equipos?

– Sempre atentar a instalação correta do silicone ao rolete, para que evite o retorno da medicação à câmara do equipo e assim não sendo infundido corretamente;

– Evitar que utilize medicações com ações farmacológicas diferentes no mesmo equipo, para evitar uma interação medicamentosa e a perda da eficácia daquela medicação;

– Não utilizar equipos próprios para nutrição enteral com medicações de uso endovenoso;

– O equipo de Nutrição parenteral deve ser sempre descartado após 24 horas de infusão juntamente com a bolsa de NPP;

– Ao término de uma infusão de medicamento com aquele equipo, se o mesmo ainda estiver na validade, sempre retirar do acesso venoso do paciente, tomando o cuidado de não contaminar a ponta do equipo, sempre resguardando com a sua tampa original;

– Sempre datar a instalação daquele equipo para o controle de validade;

– Retirar todo o ar do equipo antes da instalação do mesmo na bomba de infusão, pois há bombas de infusão muito sensíveis a bolhas, e assim dificulta a leitura e o andamento daquele medicamento;

– Evitar que molhe o equipo ou de espirrar quaisquer medicações próxima ao sistema de silicone, pois se cristalizar o equipo pode dificultar a leitura do mesmo na bomba de infusão;

– Atentar a instalação correta do silicone ou ao dispositivo próprio na bomba de infusão, pois há bombas que não irão funcionar corretamente se estiverem mal posicionadas.

– Evitar dobra e pinçamento do equipo, no caso de transporte do paciente, para que evite o mal fluxo da medicação pela bomba de infusão e assim não alarmando constantemente, utilizando sempre de um suporte próprio para a maca, assim ficando ao nível acima do paciente.

 

Veja também:

Entendendo a Bomba de Infusão

Equipo Macrogotas e Microgotas: As Diferenças

Equipo Fotossensível

Equipo Dial a Flow

Equipo de Nutrição Enteral

O Equipo Bureta

Dicas

Cálculos EnfMed: Enfermagem e Medicina em um Só Aplicativo!

Para os amantes de aplicativos, da Enfermagem e também da Medicina, este é um aplicativo inovador! Primeiramente este aplicativo desenvolvido especialmente para os Sistemas Operacionais Android, chamado de “Cálculos EnfMed”, foi desenvolvido pelo Enfermeiro Erick Vazquez Yañez. Mexicano, graduado em Enfermagem com especialização em Enfermagem Neonatal, com diploma em inaloterapia e ventilação mecânica, e sobretudo professor […]

A Roupa Privativa

A Roupa Privativa é um Equipamento de Proteção Individual (EPI), e faz parte da norma regulamentadora do Ministério do trabalho, a NR 32, tendo em pauta os seguintes itens:

 32.10.19 O empregador deve fornecer, sem ônus para o empregado, vestimenta de trabalho adequada aos riscos ocupacionais em condições de conforto, bem como responsabilizar-se por sua higienização.

32.10.20 Antes de sair do ambiente de trabalho, após o seu turno laboral, os trabalhadores devem retirar suas vestimentas e os equipamentos de proteção individual, que possam estar contaminados por agentes biológicos e colocá-los em locais para este fim destinados.

Porém, se utilizados de forma inadequada pode ser um veículo de transmissão de microrganismos potencialmente patogênicos, influenciando na distribuição dos mesmos em diferentes ambientes.

Segundo citado na NR 32,  o profissional deve depositar seus EPI em locais próprios antes de sair do ambiente de trabalho, pois, essa segurança não é efetiva apenas pelo uso desses equipamentos, mas também pela forma que são utilizados, sua descontaminação e rotina de troca. É significativa a quantidade de microrganismos encontrados nos uniformes dos profissionais de saúde e essa quantidade pode aumentar durante o período de trabalho. Os agentes patogênicos encontrados nessas vestimentas podem ser advindos dos pacientes, correndo o risco de em seguida serem disseminados no ambiente, contaminando outros indivíduos e comprometendo a recuperação dos mesmos.

O risco é ainda maior quando essa contaminação ocorre em ambientes como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que são setores destinados ao acolhimento de pacientes com perfil clínico grave e que necessitam de acompanhamento e atenção contínua para o monitoramento do seu desempenho durante a internação. Estas unidades são consideradas áreas críticas, tanto pelo estado clínico dos pacientes internados, quanto pelo risco desses desenvolverem Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

Mas o que são as IRAS?

As IRAS são definidas como qualquer tipo de infecção que acomete o indivíduo em ambiente hospitalar e estão entre a maior causa de morbimortalidade em pessoas que se encontram em estado clínico agravado e que se submetem a procedimentos clínicos invasivos, além da sepse e microrganismos multirresistentes, entre outros fatores de risco que podem levar ao óbito, sendo consideradas, portanto, um relevante problema de saúde pública.

Dentre os agentes causadores dessas IRAS está presente o grupo dos Staphylococcus sp., esses microrganismos estão presentes na microbiota da pele e podem ser facilmente disseminados. O risco dessa disseminação em ambientes críticos é preocupante devido à grande capacidade que esse microrganismo possui de desenvolver resistência à maioria dos antibióticos.

O grande número de infecções hospitalares adquiridas anualmente gera um custo financeiro significativo. Em meio às prováveis fontes dessas infecções encontram-se os equipamentos de saúde, dentre os quais estão presentes os uniformes privativos, que apresentam uma contaminação de 60%, incluindo bactérias resistentes a diferentes drogas.

Quais são os benefícios com o uso da Roupa Privativa?

A utilização de uniformes privativos para as UTIs é de fundamental importância para a proteção dos colaboradores do setor, bem como a manutenção das boas práticas para cuidados aos pacientes na intenção de evitar IRAS. E para proteção pessoal também do colaborador, a fim de evitar que se contamine com fluídos, secreções e outros itens que podem prejudicar o uso de sua roupa pessoal.

Não somente a Roupa Privativa, mas outros itens também podem levar a contaminação!

Devemos também nos preocupar não somente com a troca constante destas roupas privativas, mas também como a lavagem de gorros/toucas não descartáveis (de tecido), e a limpeza constante dos sapatos ocupacionais, o lavagem constante dos jalecos, que se armazenados em outros locais com sujidade acoplada nestes itens, podendo contaminar um ambiente totalmente livre de microrganismos.

Porém, a contaminação de jalecos, roupas privativas, gorros, sapatos, uniformes é praticamente inevitável em ambiente hospitalar, podendo ser um dos fatores que levam a infecções, considerando que estes são um potencial reservatório de microrganismos, o que leva a hipótese de que os uniformes analisados neste estudo possam estar colaborando para a disseminação de agentes possivelmente patogênicos.

A contaminação dos uniformes utilizados para a assistência à saúde aumenta de forma progressiva de acordo com o tempo de uso e atividades desenvolvidas no período de utilização dos mesmos.

Os Microrganismos

Diferentes microrganismos são encontrados nas amostras dos uniformes privativos, porém, enfatizou-se o Staphylococcus aureus por sua importância epidemiológica nas IRAS, sendo estes referidos como um dos microrganismos que mais estão associados às infecções primárias da corrente sanguínea. Um fator importante sobre esse microrganismo é sua capacidade de adquirir resistência a diferentes antibióticos, tais como a oxacilina e vancomicina.

REFERÊNCIA:

VALADARES, Bruno Dos Santos et al. Contaminação de Uniformes Privativos Utilizados por Profissionais que Atuam nas
Unidades de Terapia Intensiva. Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, Santa Cruz do Sul, v. 7, n. 1, jan. 2017. ISSN 2238-3360. 

Veja também:

O Terror dos Hospitais: Os Microrganismos Resistentes e seu tempo de sobrevida no ambiente

Acinetobacter

Pseudomonas

Dicas

Conheça algumas das melhores maneiras de acalmar seu paciente antes de aplicar uma injeção!

Vá direto ao ponto!1. Comece uma boa conversa!2. Instrua-os a respirar fundo!3. Conte uma boa piada, ou uma situação engraçada!4. Use a tensão aplicada!5. Peça-lhes para repetir suas frases!6. Cante com seu paciente!7. Forneça-lhes as informações corretas! Ter medo de injeções é um ato difícil de superar. Em situações clínicas, é quase típico encontrar um paciente […]

A Pressão Venosa Central ou PVC

PVC

A Pressão Venosa Central ou PVC é uma medida hemodinâmica frequente na UTI. É determinada pela interação entre o volume intravascular, função do ventrículo direito, tônus vasomotor e pressão intratorácica.

Em termos fisiológicos, a mensuração da PVC é um métodos acurado da estimação da pressão de enchimento do ventrículo direito, de grande relevância na interpretação de sua função.

É reforçado que o principal propósito de mensurar a PVC é estimar a pressão diastólica final do ventrículo direito. Em pacientes com reserva cardíaca e resistência vascular pulmonar normal, a PVC pode orientar o manuseio hemodinâmico global.

Outra grande utilidade da PVC é a possibilidade de colheita de exames laboratoriais com frequência sem incomodar o paciente com punções venosas.

A Pressão Venosa Central ou PVC é obtida através de um cateter locado na veia cava superior, o cateter central com uma ou duas vias; para mensurar a PVC o mais indicado é o cateter de duas vias (duplo lúmen).

As principais vias de acesso utilizadas são a braquial, subclávia e jugular. E assim como vimos na pressão arterial invasiva à mensuração da PVC é realizada através de uma coluna de água ligada a um transdutor de pressão ou manualmente a uma régua. Pode-se utilizar para a mensuração da PVC, um manômetro de água graduado em cm ou um transdutor eletrônico calibrado em mmHg. Espera-se que haja oscilação da coluna d’água ou do gráfico no monitor, acompanhando os movimentos respiratórios do paciente.

Pressão Venosa Central ou PVC

A zeragem da linha de pressão venosa central é feita da mesma forma que a pressão arterial invasiva, alinhado a linha média axilar.

Caso a conexão escolhida seja continua, ou seja, com transdutor de pressão, após a passagem do cateter central, conexão ao transdutor de pressão e ao monitor multiparametro, observamos na tela do monitor uma curva característica do átrio direito.

Não podemos esquecer que para pacientes intubados a medida da pressão venosa central deve ser realizada ao final da expiração, para pacientes em ventilação espontânea deve ser realizada no final da inspiração.

Os valores esperados da PVC, mensurada através da linha axilar média como “zero” de referência, estão entre 5 – 10 cm H2O (através da coluna d’água) ou de 3 – 6 mmHg (através do transdutor eletrônico), valores abaixo do normal podem sugerir hipovolemia e valores mais altos podem sugerir sobrecarga volumétrica ou falência ventricular, mas devem ser avaliados com outros parâmetros.

Entretanto o uso da PVC apresenta algumas limitações e por isso não deve ser o único parâmetro de volemia. Esta entre as situações de que podem alterar a PVC:

– Vasoconstrição (hipovolemia), PVC normal ou alta.

Materiais necessários para se monitorar uma PVC:

 – Materiais para monitorização de PVC – Transdutor Eletrônico.

  • 01 equipo de monitorização de PVC;

equipo trnasdutor.png
– Materiais para monitorização de PVC – Coluna de água.

  • 01 frasco de solução fisiológica (100 ou 250 ml);
  • Fita adesiva;
  • Régua de nível.

Pressão Venosa Central ou PVC

Montando o sistema de coluna d’água

-Separa-se o material e leve-o até o paciente.

-Abra o equipo e conecte à solução fisiológica, retirando todo o ar do equipo (das duas vias). Coloque-o e um suporte para soluções e aguarde.

-Com a régua de nível, encontre a linha “zero”de referência (ver Encontrando o “zero” de referência) e marque no suporte de soluções, a altura encontrada na linha “zero”.

-Fixe a fita graduada (vem junto ao equipo), começando no nº. -10- (coloca-se e 10 pois algumas camas tem ajustes de altura, podendo interferir na aferição da PVC) , deixando-a completamente estendida.

-Pegue o equipo, e fixe junto ao nº. -10- a região do equipo em que ele se divide em duas vias.

-A via mais longa irá ser conectada no paciente. A via curta, fixe junto à fita graduada, de modo que fiquem juntos essa via, o prolongamento simples do equipo e a fita graduada.

Encontrando o “zero” de referência da PVC

Normalmente são utilizados 03 pontos de referência para se medir pressões intravasculares:
– 5 cm abaixo do ângulo esternal;
– o próprio angulo esternal;
– a linha axilar média.

Coloca-se o paciente em decúbito dorsal horizontal. Encontra-se a linha “zero” através da linha axilar média, observando em que número se encontra diante à escala do equipo de PVC. (Convém encontrar o “zero” todas as vezes em que se forem realizar as medidas, pois existem algumas camas que tem regulagem de altura, e pode ter sido alterada).

Encontrando e registrando o valor da PVC

-Segue-se todos os passos para se encontrar o valor “zero” da PVC.

-Abra o equipo para que se preencha a via da coluna graduada com solução fisiológica.

-Então abra a via do paciente, fazendo descer a solução da coluna graduada, observando até que entre em equilíbrio com a pressão venossa central, anotando-se esse valor.

-Agora, diminua esse valor com o valor do “zero” de referência e se tem o valor da PVC.

Exemplo:

Se o valor do zero de referência = 10 e o valor encontrado na coluna dágua = 18 então a PVC = 18 – 10 = 08 cm de H2O.

Cuidados importantes:

Verifique se existem outras soluções correndo no mesmo acesso venoso central. Caso ocorra, feche todas, deixando apenas a via do equipo da PVC. Ao término da aferição, retorne o gotejamento normal das outras infusões (caso existam). Outras infusões alteram o valor real da PVC.

Fique atento aos valores da PVC. Valores muito baixos podem indicar baixa volemia, e valores muito altos, sobrecarga hídrica. Normalmente a coluna d’água ou as curvas em monitor oscilam de acordo com a respiração do paciente. Caso isso não ocorra, investigue a possibilidade do cateter estar dobrado ou não totalmente pérvio.

O balanço hídrico é importante. Registre a cada 24 horas na folha de controle hídrico, o volume de solução infundido nas aferições da PVC.

Veja também:

  • Método Transdutor Eletrônico:

  • Método Colunda D´água:

 

Como Interpretar o ECG na Prática

Interpreta ECG

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 25/09/2026.

Interpretar um ECG não começa pela tentativa de descobrir “qual é a doença”. Começa verificando se o traçado está tecnicamente adequado e seguindo sempre a mesma sequência. Isso reduz o risco de pular justamente uma alteração importante.

Comece pelo traçado

Antes de olhar para as ondas, confira a qualidade do exame. Observe calibração, posicionamento dos eletrodos e presença de artefatos. Um V1 ou V2 colocado fora da posição correta, por exemplo, pode modificar a aparência do traçado e levar a interpretações equivocadas.

A análise sistemática recomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia inclui qualidade técnica, ritmo e frequência, onda P, intervalo PR, eixo elétrico, complexo QRS, repolarização ventricular e intervalos QT e onda U.

Frequência cardíaca

Depois, estime a frequência ventricular. Em um ritmo regular, podem ser utilizados métodos baseados nos quadrados do papel milimetrado; quando o ritmo é irregular, a contagem deve considerar um intervalo de tempo conhecido.

Mais importante do que decorar uma única fórmula é saber se a frequência está compatível com o contexto clínico e se existe uma alteração evidente de ritmo.

Ritmo: procure a onda P

Pergunte primeiro: existe onda P? Ela tem aspecto semelhante entre os batimentos? Está relacionada ao QRS? O intervalo PR permanece organizado?

No ritmo sinusal, a ativação atrial apresenta relação organizada com os complexos ventriculares. Já a ausência de ondas P sinusais pode aparecer em diferentes arritmias, como fibrilação atrial, flutter atrial ou ritmos juncionais, cada um com características próprias.

Na prática, um monitor pode mostrar uma frequência de 140 bpm e a primeira reação ser chamar de “taquicardia”. Antes disso, vale olhar o traçado: uma frequência elevada com ondas P organizadas não deve ser interpretada da mesma maneira que uma taquiarritmia irregular sem ondas P claramente identificáveis.

Intervalo PR e complexo QRS

O intervalo PR ajuda a avaliar a condução entre átrios e ventrículos. Observe sua duração e, principalmente, se existe relação constante entre P e QRS.

Em seguida, analise o QRS: duração, amplitude e morfologia. Um QRS alargado pode ter diferentes explicações, como bloqueios de ramo, ritmo ventricular, condução aberrante ou pré-excitação. Por isso, não é seguro associar um único achado a uma única doença sem analisar o restante do ECG.

Eixo elétrico sem complicar

O eixo pode ser avaliado principalmente pelas derivações do plano frontal. Para quem está começando, é mais útil entender se a orientação elétrica está dentro do esperado ou se existe desvio significativo, relacionando esse achado aos demais elementos do traçado.

A idade, o biotipo e outras características individuais também podem influenciar a interpretação do eixo, portanto um desvio isolado não deve ser transformado automaticamente em diagnóstico.

Agora olhe para ST e onda T

É nessa etapa que o ECG ganha grande importância nas situações de suspeita de isquemia. Observe o segmento ST e a onda T, sempre considerando as derivações envolvidas e a distribuição das alterações.

Em uma suspeita de síndrome coronariana aguda, um ECG inicial sem alterações diagnósticas não exclui o problema. As alterações podem ser dinâmicas, e ECGs seriados podem ser necessários quando os sintomas persistem ou o quadro clínico muda. A diretriz ACC/AHA de 2025 recomenda aquisição e interpretação do ECG em até 10 minutos do primeiro contato nos casos de suspeita de síndrome coronariana aguda.

Esse detalhe muda a prática: diante de dor torácica persistente, não é adequado olhar um ECG inicial normal e encerrar a avaliação apenas por causa dele.

QT também merece atenção

O intervalo QT representa a duração da atividade elétrica ventricular relacionada à despolarização e repolarização. Como ele varia com a frequência cardíaca, a avaliação do QT corrigido, o QTc, é particularmente importante.

Medicamentos, distúrbios eletrolíticos e diferentes condições clínicas podem interferir na repolarização. Por isso, diante de um QT prolongado, o achado deve ser relacionado ao quadro do paciente e às medicações em uso, em vez de ser tratado como uma alteração isolada.

Não confie cegamente no laudo automático

O aparelho pode fornecer uma interpretação automática e ela é útil como ferramenta auxiliar, mas não substitui a avaliação clínica e eletrocardiográfica adequada. A própria diretriz da SBC reconhece a melhora dos sistemas automatizados, mantendo-os como recurso auxiliar.

Isso é especialmente importante na enfermagem: o profissional pode identificar uma alteração no monitor ou no ECG e comunicar rapidamente a equipe, mas não deve transformar a interpretação automática do equipamento em diagnóstico definitivo.

Quando o ECG precisa chamar atenção

Alguns achados exigem resposta rápida quando associados ao quadro clínico, como alterações sugestivas de isquemia, taquiarritmias importantes, bradiarritmias com repercussão, bloqueios avançados, alterações significativas da condução ou mudanças novas em relação a ECG anterior.

Na síndrome coronariana aguda, por exemplo, elevação ou depressão do ST, inversões de onda T e outros padrões precisam ser interpretados considerando as derivações envolvidas e o contexto clínico. Em determinadas situações, derivações adicionais direitas ou posteriores podem ser necessárias.

Outro exemplo aparece na fibrilação atrial: a confirmação deve ser feita por registro eletrocardiográfico, e não apenas pela irregularidade percebida no pulso ou por dispositivos que utilizam fotopletismografia.

Um jeito simples de memorizar

Para estudar, use sempre uma sequência fixa:

Qualidade → frequência → ritmo → P → PR → QRS → eixo → ST/T → QT → comparação com ECG anterior.

A vantagem é que você não depende de “bater o olho” para reconhecer uma alteração. Você cria um roteiro que pode ser repetido em praticamente todo ECG de 12 derivações.

Cuidados de enfermagem

O cuidado começa antes mesmo da interpretação: confirme identificação do paciente, prepare a pele quando necessário, posicione corretamente os eletrodos, mantenha o paciente confortável e reduza movimentos e interferências durante o registro.

Após o exame, observe alterações relevantes e mudanças em relação a registros anteriores, comunique imediatamente achados associados à instabilidade clínica e registre o procedimento e as intercorrências conforme o protocolo institucional. A qualidade técnica do traçado é parte fundamental da análise do ECG.

Se o paciente apresenta dor torácica, sudorese, dispneia ou alteração do estado clínico enquanto o ECG está sendo realizado, o traçado deixa de ser apenas um exame para “estudar depois”: ele passa a fazer parte de uma avaliação que precisa ser rápida e integrada ao quadro clínico.

Resumo para salvar

Como Interpretar o ECG na Prática

  • Confira a qualidade e o posicionamento dos eletrodos
  • Analise frequência ritmo P PR QRS eixo ST T e QT
  • Não confie isoladamente no laudo automático
  • Compare o ECG com o quadro clínico e exames anteriores

Referências:

  1. SAMESIMA, Nelson et al. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre a Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos – 2022. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 119, n. 4, p. 638-680, 2022. Diretriz completa da SBC
  2. RAO, Sunil et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. Circulation, 2025. Diretriz de Síndromes Coronarianas Agudas 2025
  3. EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation. European Heart Journal, 2024. Diretriz ESC de Fibrilação Atrial 2024
  4. VOGLER, J.; BREITHARDT, G.; ECKARDT, L. Bradiarritmias y bloqueos de la conducción. Revista Española de Cardiología, v. 65, n. 7, p. 656-667, 2012. 
  5. GOLDBERGER, Ary L.; GOLDBERGER, Zachary D.; SCHVILKIN, Alexei. Clinical Electrocardiography: A Simplified Approach. 7. ed. Philadelphia: Mosby Elsevier, 2006.
  6. CASTELLANO, C.; PÉREZ DE JUAN, M. A.; ATTIE, F. Electrocardiografía Clínica. 2. ed. Madrid: Elsevier España, 2004. 
  7. BRIGNOLE, M. et al. 2013 ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy. European Heart Journal, 2013. 

Entenda a importância da Imunização: Não deixe a vacina pra depois!

vacinas

O ditado popular “melhor prevenir do que remediar” se aplica perfeitamente à vacinação. Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde  pública por causa da vacinação massiva da população. Poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche são só alguns exemplos de doenças comuns no passado e que as novas gerações só ouvem falar em histórias. O resultado da vacinação não se resume a evitar doença. Vacinas salvam vidas.

Mas como a vacina ajuda o nosso sistema imunológico?

Quando uma pessoa é infectada pela primeira vez por um antígeno (substância estranha ao organismo), como o vírus do sarampo, o sistema imunológico produz anticorpos (proteínas que atuam como defensoras no organismo) para combater aquele invasor. Mas essa produção não é feita na velocidade suficiente para prevenir a doença, uma vez que o sistema imunológico não conhece aquele invasor. Por isso, a pessoa fica doente, podendo levar à morte. Mas se, anos depois, aquele organismo invadir o corpo novamente, o sistema imunológico vai produzir anticorpos em uma velocidade suficiente para evitar que a pessoa fique doente uma segunda vez. Essa proteção é chamada de imunidade.

O que a vacina faz é gerar essa imunidade. Com os mesmos antígenos que causam a doença, mas enfraquecidos ou mortos, a vacina ensina e estimula o sistema imunológico a produzir os anticorpos que levam à imunidade. Portanto, a vacina faz as pessoas desenvolverem imunidade sem ficar doente.

Você sabia? A Doenças controladas podem voltar!

Muitas doenças infecciosas estão ficando raras. Pessoas nascidas a partir de 1990 podem nunca ter tido contato com pessoas com sarampo ou rubéola e, definitivamente, de poliomielite. Isso porque as constantes ações de vacinação foram capazes de controlar e eliminar essas doenças do Brasil.

Então, não preciso vacinar meu filho contra essas doenças? Precisa sim. Essas doenças ainda fazem vítimas em outros lugares do mundo. Com a globalização, as pessoas passam por vários continentes em uma única semana. Se não estiver vacinada, ela pode trazer a doença para o Brasil e transmitir para alguém que não esteja imunizada.

Pessoas não vacinadas, portanto, podem ser a porta de entradas de doenças eliminadas no Brasil.

Como eu posso saber se as vacinas são seguras?

Com as vacinas conseguimos erradicar a varíola e controlar diversas doenças, como a poliomielite (paralisia infantil), o sarampo, a coqueluche e a difteria, entre outras. Com isso, as vacinas protegem com segurança. Eventuais reações, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias.

É importante saber também que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Além disso, elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores muito rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde (MS). E não é só isso. A vigilância de eventos adversos continua acontecendo depois que a vacina é licenciada, permitindo a continuidade de monitoramento da segurança do produto.

Fonte: Ministério da Saúde

 

Veja também:

 

O Enteroclisma e os Cuidados de Enfermagem

Enteroclisma

O Enteroclisma nada mais é que o termo que designa a “lavagem intestinal”, ou seja, consiste no processo de introdução no intestino grosso uma solução medicamentosa, geralmente em âmbito hospitalar soluções glicerinadas, sendo elas medicamentosas ou não, por meio de sonda retal ou por método de Fleet Enema (micro-clister). É feito sob prescrição médica, sendo de competência à equipe de Enfermagem (Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem).

Quais são as Diferenças entre o Enteroclisma e Clister/Enema?

O que diferencia é a quantidade. No Enteroclisma, é utilizado grandes quantidades de líquido, podendo variar entre os POPs Institucionais, uns designam acima de 500ml de solução, outros acima de 150ml, portanto deve sempre consultar o Protocolo Operacional Padrão da Instituição. Já o Clister ou Enema, são infundidas pequenas quantidades de solução, podendo variar entre 50 a 100ml, ou 50 a 500ml, também sendo variado conforme os POPs Institucionais.

Para que é indicado o Enteroclisma?

É indicado principalmente nos Preparos pré-operatórios, exames e também para pacientes obstipados e constipados. Os pacientes constipados podem estar incluídos no grupo dos pacientes acamados que são um público grande em Home Care, todas as formas de estimulo não invasiva são usadas com o intuito de não necessitar a realização do enema, entretanto neste grupo de pacientes acamados, por vezes a realização do procedimento torna-se necessária, para o próprio conforto do paciente.

Quais são os cuidados de Enfermagem neste procedimento?

Que materiais devo usar:

– Irrigador ou frasco com solução;

– Cuba rim;

– Sonda retal;

– Gaze;

– Lubrificante;

– Comadre;

– Lençol impermeável;

– Fralda;

– Luvas de procedimento;

– Biombo.

Como é feito o procedimento:

– Verificar a prescrição médica;

– Explicar ao paciente o procedimento;

– Preparar o ambiente;

– Higienizar as mãos;

– Calçar as luvas;

– Montar o irrigador adaptando a borracha no intermediário a sonda retal;

– Colocar a solução no irrigador, retirar o ar, fechá-lo e colocar na bandeja com os outros materiais;

– Colocar a bandeja sobre a mesa de cabeceira;

– Posicionar o biombo protegendo o paciente;

– Colocar o irrigador aproximadamente 50 cm do nível do paciente;

– Colocar o impermeável forrado com o lençol móvel;

– Colocar o paciente em posição de sims e protegê-lo com um lençol;

– Lubrificar a sonda retal com uma xilocaína (colocar xilocaína na gaze) aproximadamente 4cm;

– Afastar os glúteos com a mão esquerda, e com a mão direita introduzir a sonda no reto, lentamente, de 10 a 15 cm, abrir a pinça e deixar gotejar a solução devagar;

– Oriente o paciente a respirar profundamente;

– Durante a introdução do liquido, observar a reação do paciente;

– Pinçar a extensão no termino da lavagem, desadaptando a sonda da borracha, e colocá-la na cuba rim;

– Pedir ao paciente que retenha o liquido o máximo de tempo possível;

– Colocar a fralda ou oferecer a comadre ou acompanhá-lo ao banheiro;

– Deixar a unidade em ordem;

– Retirar as luvas;

– Lavar as mãos;

– Observar e anotar as características das fezes, o número de evacuações e as reações do paciente durante o tratamento;

– Lavar e guardar o material reutilizável (cuba rim, borracha e irrigador);

– Pinçar a extensão no término da lavagem, desadaptar a sonda e descartar.

Saiba mais em nosso canal YouTube:

A Importância da Fisioterapia em Unidades de Terapia Intensiva (UTI)

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A fisioterapia aplicada na UTI tem uma visão geral do paciente, pois atua de maneira complexa no amplo gerenciamento do funcionamento do sistema respiratório e de todas as atividades correlacionadas com a otimização da função ventilatória. É fundamental que as vias aéreas estejam sem secreção e os músculos respiratórios funcionem adequadamente. A fisioterapia auxilia na manutenção das funções vitais de diversos sistemas corporais, pois atua na prevenção e/ou no tratamento das doenças cardiopulmonares, circulatórias e musculares, reduzindo assim a chance de possíveis complicações clínicas. Ela também atua na otimização (melhora) do suporte ventilatório, através da monitorização contínua dos gases que entram e saem dos pulmões e dos aparelhos que são utilizados para que os pacientes respirem melhor.

O fisioterapeuta também possui o objetivo de trabalhar a força dos músculos, diminuir a retração de tendões e evitar os vícios posturais que podem provocar contraturas e lesões por pressão.

Quais recursos o fisioterapeuta utiliza nas UTIs?

O fisioterapeuta utiliza técnicas, recursos e exercícios terapêuticos em diferentes fases do tratamento, sendo necessário para alcançar uma melhor efetividade a aplicação do conhecimento e das condições clínicas do paciente. Assim, um plano de tratamento condizente é organizado e aplicado de acordo com as necessidades atuais dos pacientes, como o posicionamento no leito, técnicas de facilitação da remoção de secreções pulmonares, técnicas de reexpansão pulmonar,técnicas de treinamento muscular, aplicação de métodos de ventilação não invasiva, exercícios respiratórios e músculo-esqueléticos.

Qual vantagem de ter o fisioterapeuta dentro da equipe multidisciplinar?

A presença do especialista em fisioterapia cardiorrespiratória é uma das recomendações básicas de todas as UTIs. O trabalho intensivo dos fisioterapeutas diminui o risco de complicações do quadro respiratório, reduz o sofrimento dos pacientes e permite a liberação mais rápida e segura das vagas dos leitos hospitalares. A atuação profissional também diminuiu os riscos de infecção hospitalar e das vias respiratórias, proporcionando uma economia nos recursos financeiros que seriam usados na compra de antibióticos e outros medicamentos de alto custo. Diante disso, a atuação do fisioterapeuta especialista nas UTIs implica em benefícios principalmente para os pacientes, mas também para o custo com a saúde num geral.

Qual é o benefício do uso do Colchão “Caixa de Ovo”?

colchão caixa de ovo