Escala ASIA

A escala da ASIA surgiu em 1984 incorporando a escala Frankel, classificando a lesão entre A e E, definindo 10 (dez) pares de músculos principais a serem avaliados, e criando um índice motor (motor score), mas ainda sem incorporar o índice sensitivo.

Ela recebe esse nome pelo fato de ter sido desenvolvida pela Associação Norte Americana de Lesão Medular (American Spinal Injury Association – ASIA).

A escala sofreu revisões subsequentes (1992 e 2002). Em 1992, a escala incorporou o índice sensitivo ao índice motor, produzindo as escalas motora e sensitiva.

A Escala

As classificações são:

A = Lesão completa. Não existe função motora e sensitiva nos segmentos medulares abaixo da lesão, incluindo os segmentos sacrais;

B = Lesão Incompleta. Sensibilidade (total ou parcialmente) preservada com extensão através dos segmentos sacrais S4-S5, sem função motora abaixo do nível neurológico;

C = Lesão Incompleta. Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular menor que 3;

D = Lesão Incompleta. Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular maior ou igual a 3;

E = Função Normal. Função motora e sensitiva normais.

Tal escala permite aos profissionais da área de Saúde classificar a lesão medular dentro de uma extensa variedade de tipos, auxiliando-os a determinar o prognóstico e o estado atual dos pacientes.

Referências:

  1. NEVES, Marco Antonio Orsini et al. Escalas clínicas e funcionais no gerenciamento de indivíduos com Lesões Traumáticas da Medula Espinhal. Revista neurociências, v. 15, n. 3, p. 234–239-234–239, 2007.
  2. https://www.scielo.br/j/tce/a/BBQdWD5VzJqbmZ4vPGP6dbQ/?format=pdf&lang=pt

Neuroestimulador Medular

A Neuroestimulação Medular consiste em aplicar estímulos sobre a medular espinhal para interromper os sinais de dor transmitidos da medula para o cérebro.

Um tratamento comprovadamente seguro e eficaz para controle de dor crônica no pescoço, coluna torácica e lombar, braços, mãos, pernas e pés, que podem se originar por distúrbios de nervos, por problemas na coluna, distrofia simpático-reflexa, cirurgias prévias para outras doenças, entre outros.

Como funciona?

Um sistema chamado neuroestimulador medular é implantado no paciente. Este sistema utiliza um eletrodo sobre a medula, ligado a um dispositivo semelhante a um marca-passo, que entrega estímulos leves sobre a medula que bloqueiam os impulsos de dor que seriam transmitidos ao cérebro.

De acordo com a literatura, o índice de melhora significativa da dor ocorre em 70 a 80% dos pacientes corretamente selecionados e submetidos a esta técnica.

Considerando que estes pacientes não haviam melhorado com nenhum outro tipo de tratamento anterior, pode-se dizer que a neuroestimulação medular apresenta alto índice de resolubilidade.

Benefícios

  • Redução significativa e duradoura da dor na região;
  • Melhora na capacidade da realização de atividades diárias;
  • Redução do uso de medicações para dor;
  • O tratamento é reversível e não causa lesão de estruturas neurológicas. Assim, o mesmo pode ser desligado ou removido se necessário;
  • O paciente recebe um controle remoto e pode ajustar a intensidade do estímulo de acordo com a sua dor. Este aumento de estímulo é seguro, pois é previamente ajustado pelo médico assistente.
  • Não impede que outros tipos de tratamento para dor possam ser feitos concomitantemente, se requeridos.

Indicações de Uso

A neuroestimulação medular para tratamento da dor crônica só está indicada para os casos que não obtiveram melhora com outros tipos de tratamentos disponíveis, tais como: medicações, fisioterapia, acupuntura, hidroterapia, entre outros.

Se há outro tipo de cirurgia que pode ser realizada para melhorar os sintomas, este procedimento deve ser tentado antes da neuroestimulação medular.

Outras indicações

Neuropatia periférica/Dor neuropática

Doenças ou lesões que acometem os nervos periféricos podem gerar uma dor intensa, tipo queimação no trajeto de um ou mais nervos.

Síndrome pós-laminectomia

Pacientes com dor na região da coluna e nas pernas ou braços, que não melhoraram ou até pioraram com uma cirurgia prévia na coluna, podem ser portadores da síndrome pós-laminectomia.

Se não há outras cirurgias que podem ser realizadas na região da doença primária da coluna (hérnia de disco, artrodese da coluna, vertebroplastia, entre outras) para aliviar os sintomas, o implante de um neuroestimulador medular pode trazer benefícios.

Dor regional complexa tipo I (conhecida também como distrofia simpático-reflexa)

É um distúrbio que afeta um ou mais membros do corpo humano (como braços e pernas), decorrente de uma lesão de nervo ou tecido ao redor da região afetada. A dor é tipo queimação e, muitas vezes, está associada a um inchaço (edema) da região, sudorese, mudança da cor e/ou temperatura.

Nestes casos, o implante de um neuroestimulador medular passa a ser o tratamento de escolha, visto que os demais tratamentos disponíveis são pouco efetivos para controlar esta doença.

Angina cardíaca refratária

Pacientes com dor de origem cardíaca, que já foram tratados com outras opções convencionais (colocação de stents, cirurgia cardíaca, medicamentos) e, mesmo assim, não apresentam controle da dor.

Nestes casos, a neuroestimulação medular pode agir no controle da dor e também providenciar a dilatação adicional das artérias coronarianas, melhorando a perfusão cardíaca.

Referências:

  1. Teixeira M.J. Neuroestimulação no Tratamento da Dor. In Aguiar P.H.P. Tratado de Técnica Operatória em Neurocirurgia. Ateneu 2009.

Lesão Medular

Lesão Medular

Uma lesão na medula espinhal é, como o próprio nome diz, qualquer tipo de dano causado à medula, que é parte fundamental do sistema nervoso central. Essas lesões podem ocorrer quando há danos às células dentro da medula ou quando os nervos que correm para cima e para baixo na medula são lesionados.

O trauma na medula geralmente causa perca de movimentos e sensibilidade na parte inferior a lesão. A medula nada mais é que uma continuação do cérebro que transmite as informações processadas pelo cérebro para o resto do corpo, ou do corpo para serem processadas pelo cérebro. E quando uma há uma lesão na medula interrompe o trafego dessa informação, causando assim, uma diminuição ou nenhuma informação do corpo para o cérebro, ou do crebro para o corpo.

A medula espinhal

A medula espinhal passa pelo pescoço e pelas costas e é protegida pela coluna vertebral, que fornece suporte para o tronco e outras estruturas ao redor. A medula espinhal é cercada, também, pelos chamados discos vertebrais, que servem como amortecedores ao caminhar, correr ou saltar. É graças a esses discos, também, que a espinha pode ser flexionada ou estendida. A medula espinhal é parte fundamental do sistema nervoso central, composto também pelo cérebro. Aqui, o cérebro funciona principalmente para receber impulsos nervosos da medula e de nervos cranianos. Já a medula contém os nervos que transportam mensagens neurológicas do cérebro para o restante do corpo, ou do corpo para cérebro.

Causas

Uma lesão na medula espinhal pode ser causada por diversos motivos distintos, como por exemplos:

  • Ferimento de bala ou por faca;
  • Trauma direto no rosto, no pescoço, na cabeça, no peito ou nas costas;
  • Acidente de automóvel;
  • Mergulho;
  • Contorção extrema da parte central do corpo;
  • Queda de uma grande altura.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco que podem levar a uma lesão na medula espinhal incluem a participação em atividades físicas perigosas, o não uso de equipamentos de proteção individual durante essas atividades e os mergulhos em águas rasas.

Osteoporose pode enfraquecer os ossos da coluna, facilitando a ocorrência de uma lesão na medula. Pacientes que sofrem de outros problemas médicos que os deixam mais suscetíveis a quedas por causa de fraqueza ou descoordenação (um AVC, por exemplo) também são mais propensos a traumas nessa região.
Sintomas de Lesão na medula espinhal

Os sintomas de uma lesão na medula espinhal variam conforme a área em que houve o trauma. Essas lesões geralmente causam perda sensorial e motora no local e abaixo dele. A intensidade dos sintomas depende da gravidade lesão, ou seja, se a medula estiver grave, completamente ou apenas parcialmente lesionada .

Alguns sintomas são comuns, independentemente do local da lesão, eles são:

  • Perda do controle normal do intestino e da bexiga (com possibilidade de ocorrer constipação, incontinência urinária e espasmos na bexiga);
  • Dormência;
  • Alterações sensoriais;
  • Espasticidade (aumento do tônus muscular);
  • Dor;
  • Fraqueza e paralisia.

Principais sintomas de acordo com o local da lesão

Lesões cervicais (pescoço) C1 – C8 (Tetraplegia)

Quando as lesões da medula espinhal ocorrem na área do pescoço, em que são classificadas como lesões cervicais, os sintomas podem atingir principalmente os braços, as pernas e a parte central do corpo. Os sintomas podem aparecer em um ou em ambos os lados do corpo e costumam incluir:

Dificuldades respiratórias em decorrência da paralisia dos músculos respiratórios, (principalmente quando a lesão ocorre na parte superior do pescoço)

Lesões torácicas (tórax) T1 – T12 (Paraplegia)

Quando a lesão ocorre na altura do tórax, os sintomas atingem principalmente as pernas. Lesões na medula cervical ou na medula torácica superior também podem resultar em problemas de pressão arterial, sudorese anormal e problemas para manter a temperatura corporal normal.

Lesões lombossacrais (região lombar) L1 – L5 (Paraplegia)

Quando as lesões na medula espinhal ocorrem na parte inferior das costas, sintomas de vários níveis podem afetar uma ou ambas as pernas e podem afetar, também, os músculos que controlam os intestinos e a bexiga.

Tratamento de Lesão na medula espinhal

Uma lesão na medula espinhal é uma emergência médica que requer tratamento imediato para reduzir os efeitos no longo prazo. O tempo que se leva para iniciar o tratamento após a lesão ter ocorrido é um fator fundamental que afeta diretamente no resultado e na eficácia do tratamento.

Mesmo quando não há fratura na coluna, pode haver uma ruptura/luxação na medula que só poderá ser descoberta por exames e pela ausência de sensações/movimentos do nível da lesão para baixo.

Corticoides são comumente usados para minimizar a inflamação que pode lesionar a medula espinhal. Se a compressão na medula espinhal for causada por um hematoma ou um fragmento de osso, que podem ser removido ou reduzidos antes que os nervos fiquem completamente destruídos, a paralisia pode ser minimizada. O ideal é que os corticoides sejam administrados imediatamente após a ocorrência da lesão.

A cirurgia pode ser necessária para:

  • Remover líquidos ou tecidos que pressionam a medula espinhal;
  • Remover fragmentos de ossos, fragmentos do disco ou corpos estranhos;
  • Fundir o ossos fraturados ou implantar próteses na coluna.

O repouso absoluto é necessário para que os ossos da coluna, que carregam a maior parte do peso do corpo, se recuperem totalmente.

Também pode ser recomendada a tração espinhal. Isso ajuda a coluna a não se movimentar. É possível que seja necessário o uso de próteses por um longo tempo.

Serão necessárias sessões de fisioterapia e terapia ocupacional extensivas, além de outras terapias de reabilitação depois que a lesão aguda (geralmente a fase aguda é de 6 meses após a lesão) tiver sido curada. A reabilitação ajuda a pessoa a lidar com a deficiência proveniente do trauma da medula espinhal.

Convivendo com a Lesão

Se houver tetraplegia ou paraplegia, independentemente de ela ser temporária ou não, algumas modificações no dia a dia podem ser feitas para facilitar a acessibilidade do paciente. A fisioterapia e a terapia ocupacional é fundamental ensinando a nova realidade da pessoa, que consegue ser independente.

Complicações possíveis

Uma lesão na medula espinhal pode evoluir para diversas complicações:

  • Alterações na pressão arterial que podem ser extremas (como hiperreflexia autonômica);
  • Insuficiência renal crônica;
  • Trombose;
  • Infecções pulmonares;
  • Lesões na pele (ulcera por pressão);
  • Contraturas;
  • Risco elevado de infecções do trato urinário;
  • Incontinência urinária;
  • Perda de sensações;
  • Perda do funcionamento sexual (impotência masculina);
  • Espasticidade muscular;
  • Paralisia dos músculos respiratórios;
  • Paralisia (paraplegia, tetraplegia – dependendo do local onde houve a lesão);

Pessoas não hospitalizadas com lesão na medula espinhal devem seguir algumas dicas para evitar complicações, como o cuidado pulmonar diário. Seguir as instruções quanto aos cuidados com a bexiga para evitar infecções e danos aos rins também é recomendável. Além disso, cuidar das feridas evita o surgimento de lesões na pele (escara). Um paciente que sofreu uma lesão na medula espinhal deve, ainda, manter seu sistema imunológico fortalecido e deve sempre estar presente nas consultas médicas.

Assistência de Enfermagem

É importante saber nessa fase, qual foi o mecanismo do trauma, isto é, como o indivíduo se machucou, como foi encontrado, se estava consciente, se era capaz de mobilizar os membros, se queixou de dor ou dormência. Pois após ser colhido o histórico do paciente, o exame neurológico detalhado deverá ser realizado. Após o exame clínico, exames complementares deverão ser realizados, entre eles: a radiografia da coluna, tomografia computadorizada (TC) e a ressonância nuclear magnética.

E o tratamento de suporte inclui:

  • Pedir ao paciente tossir e fazer exercícios de respiração profunda e respiração diafragmática;
  • Orientar os responsáveis quanto aos sinais precoces de complicações respiratórias;
  • Aparelhos ortopédicos, exercícios, fisioterapia e cirurgia para corrigir contraturas;
  • Ingestão adequada de líquidos, aumento da massa fecal e emolientes fecais para constipação, decorrente de inatividade;
  • Dieta pobre em calorias, rica em proteínas e fibras;
  • Cirurgia para promover e manter a mobilidade, como liberação de tendões para contraturas e fusão vertebral.

A reabilitação é um processo que auxilia o cliente acometido ou incapaz de alcançar alto nível de funcionamento físico, mental, espiritual e socioeconômico.