Dreno JP (Jackson Pratt)

Os drenos Jackson-Pratt (JP) são utilizados após vários tipos de cirurgia, incluindo as torácicas, pulmonares e mais frequentemente, em intervenções abdominais e pélvicas.

Após a cirurgia, pode haver a necessidade de realizar uma drenagem no local da cirurgia para retirar fluidos e evitar a formação de coágulos e abcessos. Poder monitorar a drenagem permite que o profissional também fique de olho em qualquer complicação após a cirurgia. Os drenos JP realizam uma lenta sucção dos fluidos no local operado; isso é feito através de um coletor fechado, que cria a sucção quando o ar é expulso do coletor e a tampa é selada. Apesar de promover a cicatrização e a remoção de fluidos, eles não devem ser deixados por grandes períodos de tempo, pois poderão surgir complicações.

O dreno é composto de um sistema de três partes conectado por tubos de cateteres. Os tubos possuem partes achatadas com buracos que coletam os fluidos. Durante a cirurgia, o dreno é costurado dentro da cavidade – cerca de 2,5 cm de profundidade – onde estão os fluidos, geralmente através de pontos. O resto do sistema de tubo fica fora do corpo, conectado ao coletor, que possui uma tampa de sucção anexada a ele. Essa parte deverá ser aberta para esvaziar o coletor.

Ao utilizar o dreno JP, será preciso comprimir o coletor para realizar a sucção e fazer pressão para sugar o fluido da lesão. Ao esvaziar o dreno, o coletor expandirá, já que a tampa de plástico – que mantém o sistema fechado – será removida.

Cuidados Gerais com o Dreno JP

Dependendo da cirurgia realizada, o paciente pode ir para casa com o dreno, tomando os cuidados básicos na manutenção do dreno, assim, evitando possíveis infecções e mal-uso do mesmo, sempre orientando o paciente como fazer o manuseio do esvaziamento e a limpeza da ferida operatória em casa.

Por enquanto sob aos cuidados da enfermagem, será importante verificar se a cicatrização está sendo adequada, monitorando o tipo e a quantidade da drenagem, ficando de olho em sinais de infecção, drenos ou cateteres desalojados, além de realizar os cuidados necessários e esvaziar o coletor a cada 8 a 12 horas (ou pelo tempo recomendado pelo médico).

Como o coletor precisa de sucção adequada para funcionar, será necessário esvaziá-lo quando ele encher mais ou menos até a metade. Lembre-se de anotar qualquer característica anormal do fluido (cor turva, marrom ou de odor desagradável). Ao observar algo diferente, comunicar ao o médico.

Trocar os curativos periodicamente ou quando haver sujidades, em técnica asséptica.

Atentar para as características do fluído

Geralmente, ele terá um pouco de sangue logo após a cirurgia, mas com o passar do tempo, deverá adquirir uma coloração de palha e depois clara, nunca com uma aparência turva ou que contêm pus. Verifique a quantidade de fluido sugada anotada a cada 24 horas. Sempre que o coletor for esvaziado – geralmente a cada 8 a 12 horas –, anote a medida. Com o passar do tempo, a quantidade diminuirá.

Atentar para os possíveis sinais flogísticos

É importante observar e anotar quaisquer características fora do comum na inserção do dreno ou na ferida operatória. Comunique qualquer alteração ou problema que tiver observado:

  • Vermelhidão nas bordas da incisão;
  • Pus ou fluido grosso;
  • Odor desagradável no local onde a cirurgia foi realizada;
  • Febre maior que 38 °C;
  • Dores na área da cirurgia;

Prender o Dreno JP nas Roupas

Se o paciente for liberado para casa ainda com o dreno JP, oriente-o a prender o dreno com um pino de segurança e prenda-o através do buraco de plástico na parte superior do coletor Jackson-Pratt. Oriente a usar roupas leves e prender os drenos às roupas, como uma se fosse uma camiseta folgada. Os drenos devem ficar apoiados, para que não enrolem ou sejam puxados. Quando presos às roupas, eles atrapalham menos e deixam o paciente mais à vontade. Pode também tentar usar uma pochete para prender os drenos JP em volta da cintura, mas não os fixe nas calças. Eles serão retirados se o paciente esquecer que estão lá e puxar a calça para baixo.

Medicações mais usadas em uma Intubação

“03:00 da manhã. Você está em seu primeiro plantão noturno na sala de trauma de um hospital de emergência porta aberta, referência em politrauma na região. Até agora estava tranquilo, sem nenhuma grande intercorrência. Até agora… Ouve-se, então, o barulho da sirene de uma ambulância… Começou baixinho e foi aumentando, aumentando, aumentando… Definitivamente o destino daquela viatura de socorro era o hospital em que você estava. Momentos de apreensão até a chegada da equipe de primeiro atendimento com o paciente.” Enfim, o mistério cessa e o paciente aparece:

Um jovem, sexo masculino, em torno dos 25 anos de idade, vítima de uma colisão “auto x auto”. Ao olhar mais superficial, você nota sangue e escoriações em diversas regiões do corpo.

A primeira coisa que lhe vem à cabeça á o grande dogma do ATLS: XABCDE!

Ao iniciar a avaliação primária desse paciente, uma conclusão é óbvia: O médico precisa intubar! Ele opta pela sequência rápida de intubação (SRI), estratégia padrão no atendimento de emergência de pacientes cuja intubação não é prevista como difícil. Durante os preparativos, você se depara com as seguintes dúvidas martelando a sua consciência:

  • Qual sedativo ele deverá usar?
  • Que pré tratamento ele deve iniciar?
  • Qual a dose?
  • Deve associar um analgésico? Ou um relaxamento muscular?

Quando se fala em Sequência Rápida de Intubação (SRI), estamos falando de intubar sob efeito de um bloqueador neuromuscular, o que implica em paralisar toda a musculatura esquelética do paciente. No entanto, essas drogas não alteram a consciência e muito menos a resposta à dor, de maneira que seu uso sem uma sedação associada seria extremamente desagradável e desconfortável.

Além disso, a manipulação das vias aéreas, nessas condições, provocaria respostas sistêmicas indesejáveis, como taquicardia, hipertensão arterial e aumento da pressão intracraniana (PIC). Outro benefício dos sedativos é induzir amnésia, além de melhorar a visão laringoscópica das vias aéreas.

Pré Tratamento

Idealmente, ao executar um procedimento, devemos estar acompanhados de um outro médico da equipe para que ele possa auxiliar no atendimento, caso algo não ocorra conforme o previsto.

Devemos preparar todos os materiais necessários à intubação, deixando-os separados e testados (!):

  • Nas saídas de ar da parede: Oxigênio, material de aspiração, dispositivo máscara balão (Ambu);
  • Com a equipe: Laringoscópio com diferentes lâminas, tubo orotraqueal, fio guia, drogas selecionadas, material de resgate para uma via aérea difícil;
  • O paciente: Monitorização cardíaca, saturação periférica de oxigênio, pressão não invasiva, acesso venoso, coxim occipital, avaliação simplificada e rápida da dificuldade da via aérea;

Idealmente, as drogas administradas aqui são feitas 3 minutos antes da sedação e do bloqueio neuromuscular, ou seja, é durante esse período que o paciente vai sendo pré oxigenado (e qualquer material que ainda não estiver pronto, vai sendo preparado).

Drogas mais utilizadas:

Droga Dose Função                        Indicações
Lidocaína 1,5 mg/Kg Reduz reatividade das vias aéreas Broncoespasmo,

hipertensão intracraniana

Fentanil 2-3 mcg/Kg Reduz atividade simpática pela intubação Síndrome coronariana, dissecção ártica, hemorragias intracranianas,

hipertensão intracraniana

Paralisia após indução

Se fizemos tudo certo, chegaremos nesse momento com o paciente monitorizado, estando com SpO2 acima de 94%, com um coxim na região occipital (não é cervical). Agora, devemos sedar e paralisar o paciente.

A escolha da medicação depende da doença de base do paciente, a disponibilidade de drogas do serviço, e a experiência médica individual com o uso da medicação. Cada uma dessas drogas tem suas particularidades e o médico que se encontra no atendimento de pacientes graves deve estar atento para suas características.

Drogas sedativas e paralisantes mais utilizadas e suas doses usuais no departamento de emergência (essas doses variam de acordo com a bibliografia consultada; as doses podem ser diferentes fora do contexto do paciente crítica):

Droga Dose Quando evitar
Midazolam 0,5-1,5 mg/Kg Instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca, hepatopatia, idosos
Propofol 1-2,5 mg/Kg Hipotensão, insuficiência cardíaca
Quetamina 0,5-2 mg/Kg Emergências hipertensivas, esquizofrênicos
Etomidato 0,3 mg/Kg Sepse, epilepsia
Succinilcolina 1,5 mg/Kg Hiperpotassemia ou risco de ter hiperpotassemia, hipertermia maligna
Rocurônio 0,6 mg/Kg

Referências:

  • Mace SE. Challenges and advances in rapid sequence intubation. Emerg Med Clin N Am. 2008; 26:1043-1068.
  • Stollings JL, Diedrich DA, Oyen LI, Brown DR. Rapid-sequence intubation: a review of the process and considerations when choosing medications. Ann Pharmacother. 2014;48(1): 62-76.

Conhecer os principais grupos de Sedativos e Analgésicos em uma UTI, também faz parte da rotina de um técnico de enfermagem. Para mais, acesse Analgésicos e Sedativos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e saiba mais sobre este assunto.