Mobilização em Bloco: Como Realizar Corretamente o Procedimento

Em qualquer situação de trauma grave, seja um acidente automobilístico, uma queda significativa ou uma lesão esportiva, a prioridade máxima é proteger a coluna vertebral. A vítima pode ter uma lesão instável na coluna cervical ou torácica que, se movimentada incorretamente, pode causar danos irreversíveis na medula espinhal, levando à paralisia.

É para evitar essa catástrofe que utilizamos a técnica da Mobilização em Bloco (ou Rolamento em Bloco). Esta manobra garante que o corpo da vítima seja movido como uma unidade rígida – cabeça, pescoço, tronco e pelve – mantendo o alinhamento da coluna.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, dominar essa técnica com um mínimo de três socorristas é fundamental em qualquer cenário de emergência.

O que é a Mobilização em Bloco?

Trata-se de um método de transferência do paciente traumatizado em que todo o corpo é movido como uma única unidade rígida. Dessa forma, evita-se a movimentação independente das estruturas corporais, especialmente a coluna vertebral. Essa técnica é empregada principalmente quando há:

  • Suspeita de fratura de coluna cervical, torácica ou lombar;
  • Trauma de alta energia (quedas, colisões automobilísticas, atropelamentos);
  • Alteração do nível de consciência em situações de trauma;
  • Dor, formigamento ou perda de força após trauma.

A equipe responsável pela mobilização precisa de comunicação eficiente e sincronização perfeita, pois qualquer erro pode resultar em agravamento de uma lesão já instaurada.

Por Que “Em Bloco”? O Princípio da Imobilização Total

O nome “em bloco” se refere ao objetivo: mover o paciente como se ele fosse um único bloco de concreto, sem permitir qualquer flexão, extensão ou rotação da coluna.

  • Contexto de Aplicação: A mobilização em bloco é usada, principalmente, para:
    • Colocar a vítima em uma prancha rígida.
    • Realizar o exame da região dorsal (costas), essencial para avaliar lesões.
    • Mudar a vítima de posição para evitar broncoaspiração, mantendo a proteção cervical.

Passo a Passo da Mobilização em Bloco com Três Socorristas

A seguir, o procedimento completo dividido em etapas para facilitar o entendimento.

Preparação: O Papel do Líder

  1. Imobilização Cervical: Antes de qualquer movimento, o primeiro socorrista (Socorrista 1) deve aplicar o colar cervical (se disponível e após a avaliação inicial) e assumir o controle manual da cabeça da vítima, mantendo a estabilização cervical em posição neutra. Este socorrista será o Líder do Bloco e é quem comanda toda a operação.
  2. Posicionamento dos Socorristas:
    • Líder (S1): Posicionado na cabeça, mantendo o controle cervical.
    • Socorrista 2 (S2): Posicionado ao lado da vítima (no tórax), responsável pela cintura escapular e pelve.
    • Socorrista 3 (S3): Posicionado ao lado da vítima (na altura dos membros inferiores), responsável pelas pernas.
  3. Comunicação: O Líder (S1) deve informar a todos que ele será o responsável por dar os comandos. A voz de comando será: “Preparar, rolar, parar, voltar”.

Execução: Rolar e Avaliar

Posicionamento das Mãos:

  • S1 (Líder): Mantém o controle bimanual da cabeça e pescoço, estabilizando-os firmemente.
  • S2: Coloca uma mão na cintura escapular (próximo ao ombro) e a outra na altura da pelve (quadril).
  • S3: Coloca uma mão na altura da coxa e a outra na altura das pernas (próximo aos joelhos).

A Manobra:

  1. Comando de Preparação: Líder (S1) diz: “Preparar para rolar em bloco, no 3. Mantenham o alinhamento.”
  2. Comando de Ação: Líder (S1) diz: “Rolar em bloco! Um, dois, TRÊS!”
  3. Ação Coordenada: Os três socorristas movem a vítima simultaneamente para o lado (geralmente 90 graus), mantendo o tronco e os membros totalmente alinhados e rígidos, como um único bloco. O Líder controla a rotação da cabeça, garantindo que ela se mova junto com o corpo.
  4. Comando de Parada: Líder (S1) diz: “Parar.”
  5. Avaliação: Enquanto a vítima está de lado, a equipe faz a inspeção e palpação da região dorsal (costas) para buscar lesões, sangramentos e, se a manobra for para pranchamento, posiciona a prancha rígida.
  6. Comando de Retorno: A equipe se prepara para voltar. Líder (S1) diz: “Preparar para voltar. Rolar em bloco! Um, dois, TRÊS!”
  7. Ação Coordenada: A vítima é delicadamente depositada de volta na posição supina (de barriga para cima) sobre a prancha (se for o caso) ou na posição inicial.

Ajustes Finais

Após o retorno:

  • Centraliza-se a vítima na prancha.
  • Realiza-se a fixação com tiras, garantindo que tronco, quadris e pernas estejam alinhados.
  • O estabilizador lateral da coluna pode ser aplicado, se houver.

O socorrista da cabeça mantém a estabilização até o momento em que a vítima esteja totalmente imobilizada.

Cuidados de Enfermagem Relacionados à Mobilização em Bloco

A enfermagem tem papel fundamental na prevenção de danos adicionais e na condução segura da técnica. Entre os principais cuidados estão:

  • Avaliar o nível de consciência antes, durante e depois da mobilização.
  • Observar dor, alterações neurológicas ou dificuldade respiratória.
  • Manter comunicação clara e objetiva entre a equipe.
  • Garantir que o colar cervical esteja adequado, sem folgas.
  • Verificar alinhamento corporal após a imobilização.
  • Monitorar sinais vitais regularmente.
  • Registrar todo o procedimento no prontuário, incluindo horário, responsáveis e evolução do paciente.

Mais Cuidados

  1. O Alinhamento é o Rei: A função primordial dos Socorristas 2 e 3 é garantir que não haja “dobras” no corpo da vítima. Os segmentos (tórax, pelve, pernas) devem ser movidos em um ritmo uniforme.
  2. Avaliação Constante: Durante todo o processo, o Líder deve monitorar o nível de consciência da vítima e garantir que a respiração não seja comprometida, especialmente se for necessário mantê-la de lado por alguns instantes.
  3. Equipamento: Se o objetivo é pranchar, a prancha deve ser posicionada próxima ao corpo antes do rolamento e fixada com cintos de segurança imediatamente após a manobra. A fixação da cabeça na prancha é sempre a última etapa.
  4. Comunicação Clara: Em situações de estresse, a comunicação do Líder deve ser alta, clara e concisa. Nada de frases longas ou ambíguas.

A mobilização em bloco exige precisão, trabalho em equipe e conhecimento técnico. Dominar essa técnica é fundamental para qualquer profissional de enfermagem ou socorrista, pois ela pode significar a diferença entre preservar ou agravar uma lesão medular. A prática supervisionada e a capacitação contínua são essenciais para que o procedimento seja realizado com segurança e eficiência.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS (ACS). ATLS – Advanced Trauma Life Support: Student Course Manual. 10. ed. Chicago: ACS, 2018. (Buscar o capítulo sobre Lesões de Coluna e Imobilização).
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar (APH). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. (Consultar as diretrizes mais recentes sobre imobilização e remoção de vítimas). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Atendimento Pré-Hospitalar Móvel: Protocolos e Diretrizes. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  4. SAMU 192. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/samu. 
  5. NAEMT. PHTLS – Suporte Pré-Hospitalar ao Traumatizado. 9. ed. Jones & Bartlett Learning, 2020.
  6. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS – Advanced Trauma Life Support. 10. ed. Chicago: ACS, 2018.

O Sinal de Lichtenberg: A Tatuagem do Raio

O cuidado em saúde exige não apenas conhecimento técnico, mas também a capacidade de reconhecer sinais clínicos que podem indicar condições graves. Um desses sinais, muitas vezes discutido na área da medicina legal e emergências, é o sinal de Lichtenberg. Trata-se de uma marca característica observada na pele de vítimas de acidente por descarga elétrica, especialmente em casos de fulminação por raio.

Para o estudante de enfermagem, compreender o que significa esse sinal é fundamental para a prática, tanto no contexto hospitalar quanto em situações de urgência e emergência.

O que é o sinal de Lichtenberg?

O sinal de Lichtenberg é uma lesão cutânea de aparência ramificada, semelhante ao desenho de uma árvore ou de galhos finos, que se forma na pele de indivíduos que sofreram uma descarga elétrica de alta intensidade, como a provocada por raios.

Essas figuras são chamadas de figuras arboriformes e não resultam de queimaduras comuns. São, na verdade, marcas causadas pela passagem da eletricidade através do corpo, gerando alterações nos capilares cutâneos e na microcirculação.

A Origem do Nome

 O nome do sinal é uma homenagem ao físico alemão Georg Christoph Lichtenberg, que foi o primeiro a descrever esses padrões ramificados em superfícies isolantes carregadas eletricamente.

Por que o Sinal se Forma?

A teoria mais aceita é que o sinal é causado pela ruptura dos pequenos vasos sanguíneos (capilares) sob a pele, devido à passagem da corrente elétrica. A eletricidade se espalha pela pele em um padrão ramificado, criando a marca. Outras teorias sugerem que o sinal pode ser o resultado do calor gerado pelo raio ou da ação do campo magnético na pele.

Uma Marca Temporária

O sinal de Lichtenberg não é permanente. Ele geralmente desaparece em um ou dois dias, sem deixar cicatrizes. Sua presença, no entanto, é um indicativo claro de que a pessoa foi atingida por um raio.

Características do sinal

  • Tem aparência de linhas finas, ramificadas, semelhantes a folhas ou galhos;
  • Normalmente surge no tronco, nos braços ou nas pernas, em áreas expostas;
  • Pode desaparecer em horas ou dias, sendo considerado um sinal transitório;
  • É característico de acidentes por fulminação atmosférica (raios), embora também possa ser observado em descargas artificiais de alta voltagem.

Esse sinal não é doloroso em si, mas indica que houve uma descarga elétrica significativa, capaz de causar lesões internas graves, como queimaduras profundas, arritmias cardíacas ou até mesmo parada cardiorrespiratória.

Importância do reconhecimento

O sinal de Lichtenberg é considerado patognomônico, ou seja, específico de acidente por raio. O seu reconhecimento é importante para:

  • Diferenciar queimaduras comuns de lesões por eletricidade;
  • Auxiliar na investigação clínica e legal da causa da lesão ou óbito;
  • Indicar a necessidade de monitorização rigorosa, já que, mesmo em casos em que o paciente parece estável, podem ocorrer complicações tardias, como arritmias ou insuficiência respiratória.

Os Perigos Ocultos: Mais do que uma Marca na Pele

Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma lesão grave em si, sua presença é um alerta para lesões internas sérias. Um raio é uma descarga elétrica de altíssima energia, e a sua passagem pelo corpo pode causar danos em múltiplos sistemas.

  • Lesões Cardíacas: O coração é um órgão elétrico. A passagem de uma corrente de alta voltagem pode causar arritmias cardíacas graves, como a parada cardíaca, que é a principal causa de morte em vítimas de raio.
  • Lesões Neurológicas: O sistema nervoso central e periférico pode ser gravemente afetado, levando a convulsões, perda de consciência, paralisia temporária ou permanente e danos nos nervos.
  • Lesões Musculoesqueléticas: A força da contração muscular pode ser tão grande que causa fraturas ósseas e luxações.
  • Queimaduras: Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma queimadura grave, a vítima pode ter queimaduras de diferentes graus, especialmente em locais de contato com a eletricidade, como os sapatos ou o cinto.

Cuidados de enfermagem diante de acidentes elétricos

O profissional de enfermagem tem papel essencial no atendimento inicial a vítimas de descargas elétricas. Entre os principais cuidados estão:

  • Garantir a segurança da cena: nunca se aproximar da vítima enquanto ainda houver risco de contato com a fonte elétrica.
  • Avaliar a responsividade e sinais vitais: iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) se necessário.

Avaliação Primária (A-B-C-D-E):

  • A – Vias Aéreas (Airway): Avaliar se a via aérea está pérvia e desobstruída.
  • B – Respiração (Breathing): Verificar se a vítima está respirando. Se não, iniciar a ventilação com bolsa-máscara.
  • C – Circulação (Circulation): Avaliar o pulso. Se não houver pulso, iniciar imediatamente as compressões torácicas e o suporte básico de vida (SBV).
  • D – Déficit Neurológico (Disability): Avaliar o nível de consciência do paciente.
  • E – Exposição e Exame (Exposure): Despir a vítima para expor o corpo, procurando por queimaduras e, claro, o sinal de Lichtenberg.

Mais cuidados:

  • Observar e registrar o sinal de Lichtenberg: descrever sua localização, tamanho e características no prontuário.
  • Monitorização cardíaca contínua: descargas elétricas podem causar arritmias mesmo horas após o evento.
  • Controle de vias aéreas e suporte respiratório: caso o paciente apresente alterações respiratórias.
  • Cuidados com queimaduras associadas: realizar curativos adequados, mantendo técnica asséptica.
  • Apoio emocional: vítimas de acidente por raio frequentemente apresentam medo e ansiedade intensa.

Referências:

  1. AMERICAN BURN ASSOCIATION. Guidelines for the Management of Electrical Injuries. Disponível em: https://www.ameriburn.org/education/guidelines/
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Manual de Atendimento a Queimados. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atendimento_queimados.pdf
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Atendimento a vítimas de acidentes por raios. Brasília: MS, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2018/fevereiro/raios-saiba-como-agir-em-casos-de-acidentes
  4. COELHO, L. M.; OLIVEIRA, R. A.; SILVA, R. P. Lesões por eletricidade: aspectos clínicos e forenses. Revista Brasileira de Medicina Legal, v. 6, n. 2, p. 55-62, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29327/medlegal.2020.62
  5. DI MAIO, V. J.; DI MAIO, D. Forensic Pathology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2001.

Trauma Facial e seus tipos

O trauma facial é qualquer lesão que afeta a face, podendo envolver a pele, músculos, ossos, nervos e até mesmo os dentes. Ele pode variar desde um simples arranhão até fraturas complexas que afetam múltiplas estruturas.

As causas mais comuns de trauma facial incluem:

  • Acidentes de trânsito: Colisões veiculares são uma das principais causas de traumas faciais.
  • Quedas: Principalmente em crianças e idosos.
  • Agressões físicas: Brigas, acidentes de trabalho e esportes de contato podem causar traumas faciais.
  • Acidentes domésticos: Quedas, objetos pontiagudos e queimaduras podem lesionar a face.

Os Tipos de Trauma Facial

Por tipo de trauma

  • Trauma contuso: Causado por um impacto direto, como um soco, um acidente de carro ou uma queda. Pode resultar em hematomas, contusões, fraturas e lacerações.
  • Trauma penetrante: Causado por um objeto que penetra a pele, como uma faca, um pedaço de vidro ou um projétil de arma de fogo. Pode resultar em lacerações profundas, fraturas, danos aos tecidos moles e órgãos internos.
  • Trauma crânio-encefálico (TCE): Envolve danos ao crânio e ao cérebro. Pode ser classificado em leve, moderado ou grave, dependendo da severidade dos sintomas.
  • Trauma térmico: Causado por queimaduras ou exposição a temperaturas extremas. Pode resultar em danos à pele, tecidos moles e ossos.

Por região afetada

  • Trauma orbitário: Envolve o olho e a órbita. Pode resultar em hematoma periorbital (olho roxo), fraturas orbitais, perda da visão e outros problemas oculares.
  • Trauma maxilofacial: Envolve a maxila, mandíbula, dentes e outros ossos da face. Pode resultar em fraturas, perda de dentes, deformidades faciais e problemas de mastigação.
  • Trauma nasal: Envolve o nariz. Pode resultar em fraturas nasais, hematomas, deformidades nasais e problemas respiratórios.
  • Trauma do ouvido: Envolve o ouvido externo, médio e interno. Pode resultar em perda de audição, zumbido, desequilíbrio e outras complicações.
  • Trauma da pele: Envolve a pele da face. Pode resultar em cortes, lacerações, abrasões, hematomas e queimaduras.

Por gravidade

  • Trauma leve: Envolve lesões superficiais e sem complicações graves.
  • Trauma moderado: Envolve lesões mais graves, mas sem risco de vida.
  • Trauma grave: Envolve lesões que colocam a vida em risco, como fraturas múltiplas, danos aos tecidos moles, perda de sangue e comprometimento de órgãos vitais.

Consequências do Trauma Facial

As consequências do trauma facial variam de acordo com a gravidade da lesão e podem incluir:

  • Dor: A dor é um sintoma comum após um trauma facial.
  • Inchaço: O inchaço é uma resposta inflamatória normal do corpo à lesão.
  • Hemorragia: Sangramento nasal ou oral pode ocorrer.
  • Deformidades: As fraturas podem causar deformidades faciais.
  • Problemas de visão: As fraturas orbitais podem afetar a visão.
  • Dificuldade para respirar: As fraturas nasais e maxilares podem obstruir as vias aéreas.
  • Alterações na fala: As fraturas de mandíbula podem afetar a fala.
  • Infecções: As feridas abertas estão sujeitas à infecção.

Tratamento

O tratamento do trauma facial depende do tipo e da gravidade da lesão e pode incluir:

  • Limpeza e sutura da ferida: Para lacerações e avulsões.
  • Redução e fixação de fraturas: Utilizando técnicas cirúrgicas.
  • Antibióticos: Para prevenir infecções.
  • Analgésicos: Para controlar a dor.
  • Cirurgia reconstrutiva: Para corrigir deformidades e restaurar a função.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação Inicial

  • Via aérea: Avaliar a permeabilidade das vias aéreas, buscando sinais de obstrução, como dificuldade para respirar, ruídos respiratórios anormais ou cianose.
  • Respiração: Observar a frequência respiratória, o padrão respiratório e a saturação de oxigênio.
  • Circulação: Verificar os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca), presença de sangramento ativo e perfusão periférica.
  • Neurologia: Avaliar o nível de consciência, pupilas, força muscular e sensibilidade facial.
  • Lesões: Inspecionar cuidadosamente a face, identificando lacerações, fraturas, hematomas e outras lesões.

Cuidados Diretos

  • Controle do sangramento: Aplicar compressas frias e realizar pressão direta sobre o local do sangramento, se necessário.
  • Limpeza e curativos: Limpar as feridas com soluções antissépticas e aplicar curativos estéreis.
  • Monitorização: Monitorar os sinais vitais, o nível de dor e a presença de complicações, como infecção ou edema.
  • Administração de medicamentos: Administrar analgésicos, antibióticos e outros medicamentos conforme prescrição médica.
  • Orientação: Orientar o paciente sobre os cuidados pós-operatórios e a importância de seguir as recomendações médicas.

Cuidados Pós-Operatórios

  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica e utilizar técnicas não farmacológicas para aliviar a dor, como compressas frias e massagem.
  • Monitorização da ferida: Observar a ferida cirúrgica quanto a sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor e secreção purulenta.
  • Higiene oral: Orientar o paciente sobre a importância da higiene oral adequada para prevenir infecções.
  • Dieta: Recomendar uma dieta líquida ou pastosa nos primeiros dias após a cirurgia e, gradualmente, introduzir alimentos mais sólidos conforme a tolerância do paciente.
  • Repouso: Encorajar o repouso e evitar atividades físicas intensas.

Complicações Potenciais e Monitoramento

  • Infecção: Monitorar sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço e drenagem purulenta.
  • Hematoma: Observar o aparecimento de hematomas e comunicar ao médico caso haja aumento significativo.
  • Deiscência da ferida: Verificar se há abertura da ferida cirúrgica.
  • Alterações sensoriais: Avaliar a presença de alterações na sensibilidade facial.
  • Dificuldade respiratória: Monitorar a frequência respiratória e a saturação de oxigênio, especialmente em casos de fraturas nasais ou maxilares.

Papel da Enfermagem

O enfermeiro desempenha um papel fundamental na assistência ao paciente com trauma facial. Além dos cuidados diretos, o enfermeiro também deve:

  • Estabelecer um bom relacionamento com o paciente e a família.
  • Oferecer suporte emocional.
  • Promover a autonomia do paciente.
  • Educar o paciente e a família sobre a importância do tratamento e dos cuidados pós-operatórios.
  • Comunicar-se de forma clara e objetiva com a equipe multidisciplinar.

Referências:

  1. UnaSUS
  2. Medway
  3. Silva, J. J. de L., Lima, A. A. A. S., Melo, I. F. S., Maia, R. C. L., & Pinheiro Filho, T. R. de C.. (2011). Trauma facial: análise de 194 casos. Revista Brasileira De Cirurgia Plástica, 26(1), 37–41. https://doi.org/10.1590/S1983-51752011000100009

XABCDEF do Trauma: ATLS

A ATLS (Advanced Trauma Life Support) irá disponibilizar em sua 11º edição, uma atualização importante sobre a avaliação primária.

Como será o novo mnemônico?

X – Exsanguinação

– Identificar e conter hemorragias massivas

A – Vias Aéreas +controle manual cervical

– Realizar desobstrução das VA e restringir movimentos do pescoço

B- Ventilação/Oxigenação

-Exame físico, uso de oximetria e oferta de oxigênio

C -Circulação

-Perfusão, pulsos, coloração + temperatura da pele, sangramentos

D – Neurológico

-Glasgow – Pupilas – Sinais de TCE

E – Exposição e controle de temperatura

-Hipotermia pode ser letal – observar outras lesões

*F – Fatores associados*

-Populações especiais: Criança, idoso, gestante

Não confunda com o XABCDE do PHTLS!

O PHTLS fala do atendimento pré-hospitalar ou traumatizado, já o ATLS fala do suporte avançado de vida no trauma. Ou seja:

No PHTLS vai estudar e trazer referências sobre o atendimento de uma vítima antes dela chegar no Hospital, portanto, no caso de um acidente na rua ou em qualquer outro local que não seja no hospitalar.

Já o ATLS irá tratar apenas de procedimentos avançados, ou seja, procedimentos que serão realizados por médicos ou até enfermeiros porém dentro do ambiente hospitalar.

Contudo, essa atualização trazendo “F” ela aconteceu dentro do ATLS então que dizer, que é uma atualização para ser praticada dentro do ambiente hospitalar!

Essa atualização do ATLS que ainda vai acontecer, ela vai tratar do ambiente INTRA HOSPITALAR, então para quem trabalha no ambiente Extra hospitalar (APH), isso não vai mudar nada, continuando até então o protocolo XABCDE.

Referências:

  1. Global Symposium ATLS

Luxação, Entorse, Estiramento, Contusão: As Diferenças

Ao praticar exercícios físicos, quando estamos no trabalho ou, mesmo, cumprindo tarefas rotineiras, estamos sujeitos a sofrer uma lesão como entorse, contusão, estiramento e luxação. Todas essas condições precisam ser diagnosticadas corretamente para receber o cuidado adequado.

No entanto, esses problemas são comumente confundidos, seja em função dos seus sintomas ou porque o conceito é aplicado de forma errada. Foi pensando nisso que preparamos este artigo para explicar quais são as diferenças entre eles.

O que é Luxação?

A luxação ocorre somente nas articulações. Essa lesão faz com que os ossos que se encontram desloquem, ficando posicionados do modo errado. É muito comum que a luxação aconteça nos tornozelos, ombros, cotovelos, joelhos, quadris, dedos e mandíbula.

A pessoa que sofre uma luxação não consegue realizar movimentos, uma vez que os ossos não estão se encontrando adequadamente na articulação. Por isso, ela precisa receber tratamento profissional, pois o cuidado inadequado pode causar danos aos nervos e tendões.

Essa lesão pode acontecer em função de um movimento malfeito, uma pancada, acidente, queda ou qualquer outra situação que venha forçar a articulação e faça com que os ossos se movimentem e se desencontrem.

Sintomas

A luxação provoca uma dor muito intensa na articulação afetada e pode irradiar pelo membro ou região do corpo, em função de dano ao nervo. Outros sintomas que se manifestam são o inchaço, hematoma, limitação ou impossibilidade de movimentos e deformidade.

O que é um Entorse?

A entorse, popularmente conhecida como torção, é um tipo de lesão que afeta os tecidos fibrosos que fazem a conexão de dois ossos na articulação. É comumente provocada por um movimento atípico, em geral, rotacional. Por isso, costumamos dizer que torcemos o tornozelo ou o pulso, por exemplo.

Quando ocorre essa movimentação inadequada, os ligamentos podem sofrer um estiramento, que ocorre quando o tecido se estica além da sua capacidade. Como consequência, pode acontecer a ruptura parcial ou total deles.

A entorse resulta de movimentos inadequados ou exagerados de uma articulação. Também pode ser o resultado da falta de aquecimento antes da prática de exercícios, ou um preparo físico deficiente para aquela atividade.

Sintomas

A pessoa que sofre uma entorse sente uma dor intensa no local lesionado, bem como pode perceber a formação de edema, inchaço e vermelhidão na pele. O local fica sensível, existe a possibilidade de inflamar e, muitas vezes, há dificuldade para realizar movimentos. Em casos mais graves também pode ser notada uma deformidade e hematoma.

O que é um Estiramento?

O estiramento muscular é a lesão que acontece quando existe ruptura das fibras musculares, sendo mais comum após um esforço físico excessivo que acabe esticando demasiado o músculo.

Assim que acontece o estiramento, a pessoa pode sentir uma dor intensa no local da lesão, além de também poder notar diminuição da força muscular e da flexibilidade.

Sintomas

Os principais sintomas de estiramento muscular são:

  • Dor intensa no local do estiramento;
  • Perda de força muscular;
  • Diminuição da amplitude do movimento;
  • Diminuição da flexibilidade.

O estiramento muscular acontece com mais frequência na musculatura da coxa e nas panturrilhas, mas também pode acontecer nas costas e nos braços.

É importante que assim que surgirem sintomas sugestivos de estiramento se consulte um ortopedista ou fisioterapeuta, para que seja avaliada a gravidade da lesão e indicado o tratamento mais adequado.

O que é uma Contusão?

A contusão é um tipo de lesão menos grave do que a entorse porque ela não provoca grandes danos, uma vez que não afeta os ossos nem os ligamentos. É um problema que acontece de forma superficial, afetando somente tecidos moles, como a pele, a camada de gordura, a musculatura e vasos sanguíneos ou linfáticos.

Um tombo ou pancada podem desencadear uma contusão. Sendo assim, quando você bate a perna ou o braço, por exemplo, e o local fica dolorido por um tempo, você sofreu uma lesão desse tipo. Assim que os sintomas cessam, é possível retornar às atividades sem limitações.

Sintomas

É muito difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha sofrido uma contusão, e provavelmente isso também já aconteceu com você. Ela provoca sintomas como dor, inchaço, hematoma, vermelhidão e sensação de calor na região afetada. Esses incômodos podem passar em menos ou mais tempo, dependendo da intensidade da pancada sofrida.

Cuidados após sofrer estes tipos de lesões

Se você sofrer uma lesão que apresente sintomas característicos de entorse ou luxação é muito importante manter o local imobilizado e procurar ajuda médica, pois esses dois problemas podem trazer danos mais significativos que exigem atendimento especializado.

No caso da contusão, como ela é uma lesão mais superficial, dificilmente haverá necessidade de procurar um médico. Você mesmo pode se tratar em casa aplicando uma compressa fria no local para aliviar a dor e reduzir o inchaço. De toda forma, se os sintomas persistirem, é importante procurar um especialista.

Para qualquer uma dessas lesões não é recomendado fazer a automedicação. A única medida segura é a aplicação de compressas frias ou usar uma bolsa de gelo no local até que o especialista seja consultado, se preciso.

Também evite tocar o local, massagear ou tentar por conta própria reposicionar os ossos em caso de uma luxação. Isso porque também existe a possibilidade de ter ocorrido uma fratura, condição que somente pode ser tratada por um médico.

Para não sofrer uma entorse, luxação ou contusão é muito importante aquecer corretamente antes da prática de exercícios, respeitar os limites do organismo e usar equipamentos como tornozeleiras e joelheiras. Prevenir uma lesão é fundamental para que você não comprometa nenhuma estrutura do seu corpo, tenha mais saúde e qualidade de vida.

Referências:

  1. Clínica Mayo
  2. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
  3. Fundação AO

Veja também:

Tipos de Fraturas Ósseas

Classificação de Fraturas Salter-Harris

Epistaxe: O que é?

Epistaxe

O termo Epistaxe é o nome dado a qualquer tipo de perda de sangue pelo nariz, frequentemente pelas narinas, ou através do nariz pela boca.

Existem dois tipos de epistaxe:

  1. Anterior (90% casos aproximadamente), ou seja, mais próxima da parte externa do nariz.
  2. Posterior (10% casos aproximadamente), ou seja, mais no interior: menos comum, mas com efeitos mais graves.

Como acontece o sangramento?

A epistaxe ocorre quando pequenos vasos (veias ou artérias), que passam pela mucosa do nariz se rompem.

Por que estes pequenos vasos rompem?

De uma forma geral, os vasos se tornam frágeis e mais susceptíveis à ruptura por fatores locais, que podem ser identificados ao exame otorrinolaringológico, ou por fatores sistêmicos como listado abaixo.

Fatores locais:

  • Deformidades anatômicas Inalação de produtos químicos Inflamação (secundária a infecções agudas do trato respiratório como sinusite crônica, rinite alérgica e irritantes ambientais)
  • Corpos estranhos
  • Tumores intranasais
  • Utilização de medicamentos nasais
  • Cirurgias prévias
  • Trauma

Fatores sistêmicos:

  • Uso de alguns medicamentos (ex: aspirina, varfarina, clopidogrel, desmopressina)
  • Intoxicação alcoólica
  • Alergias
  • Alterações da coagulação do sangue
  • Problemas cardíacos
  • Tumores do sangue (leucemia)
  • Hipertensão arterial
  • Doenças infecciosas
  • Má-nutrição (especialmente anemia)
  • Uso de narcóticos
  • Doenças vasculares

O que fazer quando apresentar Epistaxe?

Se você apresenta episódios frequentes de epistaxe, vale a pena procurar o otorrinolaringologista antes mesmo de novo evento para descobrir a causa, esclarecer todas as dúvidas e iniciar o tratamento.

Se estiver apresentando um sangramento neste momento, inicialmente mantenha a calma, a maioria das epistaxes melhoram espontaneamente em alguns minutos e não necessitam de atendimento médico de urgência.

Comprima a parte lateral do nariz contra o septo do lado afetado por alguns minutos, sente-se de forma ereta, não levante e nem abaixe a cabeça. Pode-se colocar um algodão embebido em solução vasoconstrictora (Afrin, Sorine…) dentro da narina e depois continuar a compressão por pelo menos 5 a 10 minutos. Após cessar o sangramento, não force parra assoar o nariz pois poderá provocar novo sangramento. Não introduza nada nas narinas. Não tente limpá-las com cotonete, dedo, pinças, lenços, papel higiênico. Use umidificadores ou toalhas molhadas para umidificar o ambiente.

Como é feito o tratamento?

O otorrinolaringologista pode realizar a cauterização (química ou térmica) dos vasos sanguíneos afetados e controlar sua cicatrização. Algumas vezes é necessário realizar um tamponamento nasal nas mais variadas formas (algodão, gaze, esponjas ou materiais expansíveis) por um período de 24 a 48 horas. Quando retirados, geralmente as feridas já estão em fase de cicatrização. Pacientes com doenças da coagulação sanguínea ou uso crônico de medicamentos que afetem a coagulação (aspirina, anticoagulantes orais ou injetáveis) devem ter sua dosagem adequada ou suspensos momentaneamente.

Pacientes em quimioterapia, com leucemia, ou pós-radioterapia sofrem freqüentemente com epistaxes e devem procurar o especialista. Sangramentos de maiores proporções, mais prolongados ou com manutenção do sangramento mesmo com tampão, podem ser tratados com cirurgia para ligadura ou eletro cauterização destas artérias sob anestesia geral.

O XABCDE do Trauma: A Atualização na PHTLS 9ª edição

xabcde do trauma

Você sabia?

O MNEMÔNICO mais famoso do TRAUMA “ABCDE”, foi REVISADO!

No paciente crítico de trauma multissistêmico, a prioridade para o cuidado é a rápida identificação e gestão de condições de risco de vida. A avassaladora maioria dos pacientes com trauma tem lesões que envolvem apenas um sistema (por exemplo, uma fratura isolada do membro).

Para estes pacientes com trauma em um único sistema, há mais tempo para se aprofundar na pesquisa primária e secundária. Para o paciente gravemente ferido, o prestador de cuidados pré-hospitalares pode não ser capaz de conduzir mais do que uma pesquisa primária.

Nestes pacientes críticos, a ênfase está em avaliação rápida, inicio de ressuscitação e transporte p ara uma instalação médica apropriada. A ênfase no transporte rápido não elimina a necessidade de tratamento pré-hospitalar.

Pelo contrário, o tratamento d eve ser feito mais rapidamente e de forma mais eficiente e/ou possivelmente iniciado a caminho da instalação de recebimento.O estabelecimento rápido de prioridades e avaliação inicial e o reconhecimento de lesões que ameaçam a vida devem enraizar-se no prestador de cuidados pré -hospitalares. Portanto, os componentes dos inquéritos primário e secundário devem ser memorizado s e a progressão lógica de prioridades, avaliação e tratamento.

O operador deve entender e realizar da mesma maneira todas as vezes, independentemente da gravidade do prejuízo.

Deve pensar sobre a fisiopatologia das lesões e condições de um paciente. Uma das condições m ais comuns de risco de vida em trauma é a falta de oxigenação tecidual adequada (choque), que leva ao metabolismo anaeróbico (sem oxigênio). Metabolismo é o mecanismo pelo qual as células produzem energia.

Quatro etapas são necessárias para o metabolismo normal:

(1) Uma quantidade adequada de hemácias;

(2) Oxigenação das hemácias nos pulmões,

(3) Entrega de hemácias às células ao longo o corpo e

(4) Descarregamento de oxigênio para essas células.

As atividades envolvidas na pesquisa primária são voltadas a identificação e correção de problemas com essas etapas.

Uma Observação:

Um paciente traumatizado multissistêmico tem lesões envolvendo mais de um sistema corporal, incluindo o pulmonar, circulatório, neurológico, gastrointestinal, sistemas musculoesquelético e tegumentar. Um exemplo seria um paciente envolvido em um acidente automobilístico que resulte um traumatismo cranioencefálico (TCE), contusões pulmonares , lesão esplênica com choque, e uma fratura de fêmur.
Um paciente traumático de um único sistema tem lesão apenas em um sistema do corpo. Um exemplo seria um paciente com uma fratura isolada do tornozelo e nenhuma evidência de perda de sangue ou choque. Os pacientes geralmente podem ter mais de um a lesão nesse único sistema.

A pesquisa principal começa com uma rápida visão global do estado respiratório, circulatório e sistemas neurológicos do paciente, para identificar ameaças óbvias à vida ou membro, como evidências de hemorragia compressível grave; comprometimento de vias aéreas, respiração ou circulação; ou deformidades brutas. Ao se aproximar inicialmente de um paciente, o prestador de cuidados pré-hospitalares deve procurar hemorragias severas compressíveis e observa se o paciente parece buscar o ar de forma eficaz, esteja desperto ou não responda e se está movendo-se espontaneamente.

Uma vez ao lado do paciente, o provedor se apresenta ao paciente e pergunta seu nome. Um próximo passo razoável é perguntar, “O que aconteceu com você?” Se o paciente parece confortável e responde co m uma explicação coerente e frases completas, o provedor pode concluir que o paciente tem uma via aérea pérvia, função respiratória suficiente para apoiar a fala, perfusão cerebral adequada e razoável funcionamento neurológico; isto é, provavelmente não há nenhuma ameaça imediata à vida deste paciente.

Se um paciente não puder fornecer tal resposta ou parece em perigo, uma pesquisa preliminar detalhada para identificar problemas com risco de vida deve ser iniciada. Dentro de alguns segundos, uma impressão da condição geral do paciente deve ser obtida. Ao avaliar rapidamente as funções vitais, a pesquisa primária serve para estabelecer se o paciente está aparente ou iminente em estado crítico.

A Sequência do Inquérito Primário

O levantamento primário deve proceder rapidamente e de forma lógica a ordem. Se o prestador de cuidados pré-hospitalares estiver sozinho,intervenções podem ser realizadas quando condições de risco de vida são identificados. Se o problema é facilmente corrigível, como aspirar uma via aérea ou colocar um torniquete, o provedor pode optar por resolver o problema antes de prosseguir para o próximo passo. Por outro lado, se o problema não puder ser rapidamente controlado no local, como choque resultante de suspeita de hemorragia interna, o restante da pesquisa primária é completada rapidamente.

Se há mais de um operador, um pode completar a pesquisa primária, enquanto outro inicia o tratamento dos problemas identificados. Quando várias condições críticas são identificadas, a pesquisa primária permite que o operador estabeleça prioridades no tratamento. Em geral, a hemorragia externa compressível é gerida primeiro, uma questão das vias aéreas é gerida antes se é
um problema respiratório e assim por diante.

A mesma abordagem de pesquisa primária é utilizada independentemente do tipo de paciente. Todos os pacientes, incluindo idosos, pediátricos, ou pacientes grávidas, são avaliados de forma semelhante assegurando que todos os componentes da avaliação sejam realizados e que nenhuma patologia significativa seja perdida.

Semelhante ao ACLS, em que a prioridade da pesquisa primaria mudou de ABC para CAB, a pesquisa principal do paciente vítima de trauma agora enfatiza o controle de sangramento externo com risco de vida como o primeiro passo da sequência. Enquanto as etapas da pesquisa primária são ensinadas e exibidas de forma sequencial, muitos dos passos podem, e devem, ser realizados simultaneamente. Os passos podem ser lembrados usando o mnemônico XABCDE:

X – Hemorragias Exsanguinolenta (Controle de Sangramento Externo)

No X, há a contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto período de tempo, o que mais mata no trauma são as hemorragias graves.

A – Gerenciamento de Vias Aéreas e Estabilização da Coluna Cervical

No A, deve-se realizar a avaliação das vias aéreas. No atendimento pré-hospitalar, 66-85% das mortes evitáveis ocorrem por obstrução de vias aéreas. Para manutenção das vias aéreas  utiliza-se das técnicas: “chin lift”: elevação do queixo, uso de aspirador de ponta rígida, “jaw thrust”: anteriorização da mandíbula, cânula orofaríngea (Guedel).

No A também, realiza-se a proteção da coluna cervical. Em vítimas conscientes, a equipe de socorro deve se aproximar da vítima pela frente, para evitar que mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo causar lesões medulares.

A imobilização deve ser de toda a coluna, não se limitando a coluna cervical. Para isso, uma prancha rígida deve ser utilizada.

Considere uma lesão da coluna cervical em todo doente com traumatismos multissistêmicos!

B – Respiração (ventilação e oxigenação)

No B, o socorrista deve analisar se a respiração está adequada. A frequência respiratória, inspeção dos movimentos torácicos, cianose, desvio de traqueia e observação da musculatura acessória são parâmetros analisados nessa fase.

Para tal, é necessário expor o tórax do paciente, realizar inspeção, palpação, ausculta e percussão. Verificar se a respiração é eficaz e se o paciente está bem oxigenado.

C – Circulação (perfusão e outras hemorragias)

No C, a circulação e a pesquisa por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A maioria das hemorragias é estancada pela compressão direta do foco. A Hemorragia é a principal causa de morte no trauma.

Entenda as Diferenças no X e no C!

A diferença entre o “X” e o “C” é que o X se refere a hemorragias externas, grandes hemorragias. Já o “C” refere-se a hemorragias internas, onde deve-se investigar perdas de volume sanguíneo não visível, analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma (pelve, abdome e membros inferiores), avaliando sinais clínicos de hemorragia como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e comprometimento do nível e qualidade de consciência.

D Deficiência

No D, a análise do nível de consciência, tamanho e reatividade das pupilas, presença de hérnia cerebral, sinais de lateralização e o nível de lesão medular são medidas realizadas.

Nessa fase, o objetivo principal é minimizar as chances de lesão secundária pela manutenção da perfusão adequada do tecido cerebral. Importante aplicar a escala de Coma de Glasgow atualizada.

E – Expor / ambiente

No E, a análise da extensão das lesões e o controle do ambiente com prevenção da hipotermia são as principais medidas realizadas. O socorrista deve analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na pele etc.

A parte do corpo que não está exposta pode esconder a lesão mais grave que acomete o paciente.


FONTE:

PHTLS 9ª EDIÇÃO
PARTE DO CAPÍTULO 6
Da Página 169 a 180

El XABCDE del Trauma: La Actualización en la PHTLS 9ª edición

XABCDE

¿Sabías Usted?

El MNEMÓNICO más famoso del TRAUMA “ABCDE”, fue REVISADO!

En el paciente crítico de trauma multisistémico, la prioridad para el cuidado es la rápida identificación y gestión de condiciones de riesgo de vida. La avasalladora mayoría de los pacientes con trauma tiene lesiones que involucran sólo un sistema (por ejemplo, una fractura aislada del miembro).

Para estos pacientes con trauma en un solo sistema, hay más tiempo para profundizarse en la investigación primaria y secundaria. Para el paciente gravemente herido, el prestador de cuidados prehospitalarios puede no ser capaz de conducir más que una investigación primaria.

En estos pacientes críticos, el énfasis está en evaluación rápida, inicio de resucitación y transporte para una adecuada instalación médica. El énfasis en el transporte rápido no elimina la necesidad de tratamiento prehospitalario.

Por el contrario, el tratamiento se debe hacer más rápidamente y de forma más eficiente y / o posiblemente iniciado en el camino de la instalación de recepción. El establecimiento rápido de prioridades y evaluación inicial y el reconocimiento de lesiones que amenazan la vida deben arraigarse en el desarrollo prestador de cuidados prehospitalarios. Por lo tanto, los componentes de las encuestas primarias y secundarias deben memorizarse y la progresión lógica de las prioridades, la evaluación y el tratamiento.

El operador debe entender y realizar de la misma manera todas las veces, independientemente de la gravedad del perjuicio.

Debe pensar en la fisiopatología de las lesiones y condiciones de un paciente. Una de las condiciones comunes de riesgo de vida en trauma es la falta de oxigenación tisular adecuada (shock), que lleva al metabolismo anaeróbico (sin oxígeno). El metabolismo es el mecanismo por el cual las células producen energía.

Cuatro pasos son necesarios para el metabolismo normal:

(1) Una cantidad apropiada de células rojas de la sangre;

(2) Oxigenación de los hematíes en los pulmones,

(3) Entrega de hematíes a las células a lo largo del cuerpo

(4) Descarga de oxígeno para estas células.

Las actividades involucradas en la investigación primaria se centran en la identificación y corrección de problemas con estas etapas.

Una nota:

Un paciente traumatizado multisistémico tiene lesiones que involucran más de un sistema corporal, incluyendo el pulmonar, circulatorio, neurológico, gastrointestinal, sistemas musculoesquelético y tegumento. Un ejemplo sería un paciente involucrado en un accidente automovilístico que resultara un traumatismo craneoencefálico (TCE), contusiones pulmonares, lesión esplénica con shock, y una fractura de fémur.

Un paciente traumático de un solo sistema tiene lesión sólo en un sistema del cuerpo. Un ejemplo sería un paciente con una fractura aislada del tobillo y ninguna evidencia de pérdida de sangre o shock. Los pacientes generalmente pueden tener más de uno la lesión en ese único sistema.

La investigación principal comienza con una rápida visión global del estado respiratorio, circulatorio y sistemas neurológicos del paciente, para identificar amenazas obvias a la vida o miembro, como evidencias de hemorragia compresible grave; el compromiso de las vías respiratorias, respiración o circulación; o deformidades brutas. Al acercarse inicialmente a un paciente, el prestador de cuidados prehospitalarios debe procurar hemorragias severas compresibles y observa si el paciente parece buscar el aire de forma eficaz, esté despierto o no responda y se está moviendo espontáneamente.

Una vez al lado del paciente, el proveedor se presenta al paciente y pregunta su nombre. Un próximo paso razonable es preguntar, “¿Qué le sucedió a usted?” Si el paciente parece cómodo y responde con una explicación coherente y frases completas, el proveedor puede concluir que el paciente tiene una vía aérea pérvida, una función respiratoria suficiente para apoyar a la paciente, habla, perfusión cerebral adecuada y razonable funcionamiento neurológico; es decir, probablemente no hay ninguna amenaza inmediata a la vida de este paciente.

Si un paciente no puede proporcionar tal respuesta o parece peligroso, se debe iniciar una investigación preliminar detallada para identificar los problemas de riesgo de vida. En unos segundos, una impresión de la condición general del paciente debe ser obtenida. Al evaluar rápidamente las funciones vitales, la investigación primaria sirve para determinar si el paciente es aparente o inminente en estado crítico.

La Secuencia de la Encuesta Primaria

El levantamiento primario debe proceder rápidamente y de forma lógica a la orden. Si el prestador de cuidados prehospitalarios está solo, las intervenciones se pueden realizar cuando se identifican las condiciones de riesgo de vida. Si el problema es fácilmente corregible, como aspirar una vía aérea o colocar un torniquete, el proveedor puede optar por resolver el problema antes de continuar con el siguiente paso. Por otro lado, si el problema no puede ser rápidamente controlado en el lugar, como choque resultante de sospechosos de hemorragia interna, el resto de la investigación primaria se completa rápidamente.

Si hay más de un operador, uno puede completar la investigación primaria, mientras que otro inicia el tratamiento de los problemas identificados. Cuando se identifican varias condiciones críticas, la investigación primaria permite al operador establecer prioridades en el tratamiento. En general, la hemorragia externa compresible se gestiona primero, una cuestión de las vías aéreas se administra antes si es un problema respiratorio y así sucesivamente.

El mismo enfoque de investigación primaria se utiliza independientemente del tipo de paciente. Todos los pacientes, incluyendo ancianos, pediátricos, o pacientes embarazadas, son evaluados de forma similar asegurando que todos los componentes de la evaluación sean realizados y que no se pierda ninguna patología significativa.

Al igual que el ACLS, en que la prioridad de la investigación primaria cambió de ABC a CAB, la investigación principal del paciente víctima de trauma ahora enfatiza el control de sangrado externo con riesgo de vida como el primer paso de la secuencia. Mientras que las etapas de la investigación primaria se enseñan y se muestran de forma secuencial, muchos de los pasos pueden, y deben, ser realizados simultáneamente. Los pasos se pueden recordar utilizando el mnemónico XABCDE:

X Hemorragias Exsanguinolenta (Control de Sangrado Externo)

En el X, hay la contención de hemorragia externa grave, el abordaje a esta, debe ser antes incluso del manejo de las vías aéreas ya que, epidemiológicamente, a pesar de la obstrucción de vías aéreas ser responsable de las muertes en un corto período de tiempo, lo que más mata en el trauma son las hemorragias graves.

A – Gestión de vías aéreas y estabilización de la columna cervical

En el A, se debe realizar la evaluación de las vías aéreas. En la atención prehospitalaria, 66-85% de las muertes evitables ocurren por obstrucción de vías aéreas. Para el mantenimiento de las vías aéreas se utiliza de las técnicas: “chin lift“: elevación de la barbilla, uso de aspiradora de punta rígida, “jaw thrust“: anteriorización de la mandíbula, cánula orofaríngea (Guedel).

En el A también, se realiza la protección de la columna cervical. En las víctimas conscientes, el equipo de socorro debe acercarse a la víctima por delante, para evitar que mueva la cabeza hacia los lados durante la mirada, pudiendo causar lesiones medulares.

La inmovilización debe ser de toda la columna, no limitándose a la columna cervical. Para ello, se debe utilizar una tabla rígida.

¡Considere una lesión de la columna cervical en todo enfermo con traumatismos multisistémicos!

B – Respiración (ventilación y oxigenación)

En el B, el socorrista debe analizar si la respiración es adecuada. La frecuencia respiratoria, la inspección de los movimientos torácicos, cianosis, desviación de tráquea y observación de la musculatura accesoria son parámetros analizados en esa fase.

Para ello, es necesario exponer el tórax del paciente, realizar inspección, palpación, auscultación y percusión. Verificar si la respiración es eficaz y si el paciente está bien oxigenado.

C – Circulación – (perfusión y otras hemorragias)

En el C, la circulación y la investigación por hemorragia son los principales parámetros de análisis. La mayoría de las hemorragias son estancadas por la compresión directa del foco. La hemorragia es la principal causa de muerte en el trauma.

¡Comprenda las Diferencias en el X y en el C!

La diferencia entre la “X” y la “C” es que el X se refiere a hemorragias externas, grandes hemorragias. El “C” se refiere a hemorragias internas, donde se deben investigar pérdidas de volumen sanguíneo no visible, analizando los principales puntos de hemorragia interna en el trauma (pelvis, abdomen y miembros inferiores), evaluando signos clínicos de hemorragia como tiempo de llenado capilar lentificado, piel fría y pegajosa y comprometimiento del nivel y calidad de conciencia.

D – Deficiencia

En el D, el análisis del nivel de conciencia, tamaño y reactividad de las pupilas, presencia de hernia cerebral, signos de lateralización y el nivel de lesión medular son medidas realizadas.

En esta fase, el objetivo principal es minimizar las posibilidades de lesión secundaria por el mantenimiento de la perfusión adecuada del tejido cerebral. Importante aplicar la escala de Coma de Glasgow actualizada.

E – Exponer / Ambiente

En el E, el análisis de la extensión de las lesiones y el control del ambiente con prevención de la hipotermia son las principales medidas realizadas. El socorrista debe analizar signos de trauma, sangrado, manchas en la piel, etc.

La parte del cuerpo que no está expuesta puede ocultar la lesión más grave que afecta al paciente.


FUENTE:

PHTLS 9ª EDICIÓN

PARTE DEL CAPÍTULO 6

Da Página 169 a 180