Desvendando a Pressão Arterial Invasiva (PAI)

Se você está entrando no universo da enfermagem em unidades de terapia intensiva (UTI) ou em cenários de cuidado crítico, prepare-se para se familiarizar com um dispositivo que nos dá uma leitura da pressão arterial do paciente de forma contínua e incrivelmente precisa: a Pressão Arterial Invasiva (PAI).

Pode parecer um pouco intimidador no começo, com tantos componentes e cuidados envolvidos, mas acredite, entender a PAI é fundamental para o manejo hemodinâmico de pacientes graves.

Vamos juntos desmistificar esse sistema e descobrir como ele funciona?

Por Que “Invadir” para Medir a Pressão? A Precisão em Primeiro Lugar

Você já sabe como medir a pressão arterial de forma não invasiva com aquele manguito (esfigmomanômetro) tradicional, certo? Ele é ótimo para monitorização de rotina. Mas em pacientes criticamente enfermos, onde cada milímetro de mercúrio (mmHg) conta e as variações de pressão podem ser rápidas e significativas, a precisão e a monitorização contínua se tornam cruciais. É aí que a PAI entra em cena.

Ao inserir um cateter fino diretamente em uma artéria (geralmente a radial, mas também podem ser utilizadas a femoral, umeral ou pediosa), conseguimos uma leitura direta da pressão dentro do vaso sanguíneo.

Isso elimina as interferências que podem ocorrer com a medição não invasiva, como o tamanho do manguito inadequado, a movimentação do paciente ou a dificuldade em obter leituras em pacientes com perfusão periférica comprometida. A PAI nos oferece um panorama em tempo real das variações da pressão sistólica, diastólica e média (PAM), permitindo ajustes rápidos e precisos no tratamento.

Conhecendo os “Ingredientes”: Os Componentes do Sistema de PAI

O sistema de PAI é composto por alguns elementos essenciais que trabalham em conjunto para nos fornecer essa leitura contínua. Vamos conhecer cada um deles:

  • Cateter Arterial: É um tubo fino e flexível, geralmente feito de teflon ou poliuretano, que é inserido na artéria do paciente por meio de uma punção percutânea (com agulha) ou através de uma dissecção cirúrgica (em casos mais complexos). O tamanho e o tipo de cateter variam dependendo da artéria escolhida e do tamanho do paciente.
  • Linha de Pressão (ou Tubo Extensor): É um tubo não complacente (rígido) que conecta o cateter arterial ao transdutor de pressão. Essa não complacência é crucial para garantir que a onda de pressão arterial seja transmitida com precisão até o transdutor, sem perdas ou distorções. Geralmente, essa linha possui um lúmen único e é preenchida com uma solução salina heparinizada sob pressão.
  • Transdutor de Pressão: É o “coração” do sistema de PAI. Esse dispositivo eletrônico converte a energia mecânica da pressão arterial em um sinal elétrico. Existem diferentes tipos de transdutores, mas o princípio básico é o mesmo: um diafragma sensível à pressão se move conforme as variações da pressão arterial, e essa movimentação é convertida em um sinal elétrico que será exibido no monitor. Muitos transdutores modernos são descartáveis e vêm em um conjunto fechado com a linha de pressão.
  • Cabo do Transdutor: É um cabo elétrico que conecta o transdutor ao monitor multiparâmetros. Ele transmite o sinal elétrico gerado pelo transdutor para o monitor, onde a pressão arterial é processada e exibida em forma de números e ondas.
  • Bolsa de Infusão sob Pressão: Contém a solução salina heparinizada que preenche a linha de pressão e o cateter arterial. Essa bolsa é pressurizada (geralmente a 300 mmHg) para garantir um fluxo lento e contínuo da solução (cerca de 3-5 mL/hora). Esse fluxo contínuo impede que o sangue reflua para o cateter e oclua, mantendo o sistema pérvio e garantindo leituras precisas.
  • Sistema de Lavagem Contínua (Flush Contínuo): Geralmente integrado ao transdutor, esse sistema permite a lavagem rápida do cateter com a solução salina heparinizada. Isso é essencial para remover coágulos ou bolhas de ar que possam interferir na leitura da pressão. Um dispositivo manual ou automático permite liberar um volume maior de solução para essa lavagem rápida.
  • Suporte do Transdutor: O transdutor precisa ser posicionado corretamente em relação ao nível do coração do paciente (mais especificamente, no nível do átrio direito, que em decúbito dorsal corresponde aproximadamente à linha axilar média, no quarto espaço intercostal). Um suporte fixo e ajustável garante que o transdutor permaneça nessa posição de referência para leituras precisas.

Montando o Quebra-Cabeça: Como Montar o Sistema de PAI Passo a Passo

A montagem do sistema de PAI requer atenção aos detalhes e técnica asséptica para evitar infecções. Embora o procedimento exato possa variar ligeiramente dependendo do fabricante e do protocolo institucional, os passos gerais são os seguintes:

  1. Reúna os materiais: Certifique-se de ter todos os componentes necessários: cateter arterial estéril, linha de pressão estéril com transdutor (se descartável), cabo do transdutor, bolsa de infusão com solução salina heparinizada, equipo de infusão, bolsa pressurizadora, suporte do transdutor estéril, material para fixação do cateter e EPIs (luvas estéreis, avental, máscara e óculos).
  2. Prepare a solução salina heparinizada: Conecte o equipo de infusão à bolsa de solução salina heparinizada e purgue o ar do sistema. Insira a bolsa na bolsa pressurizadora e ajuste a pressão para 300 mmHg.
  3. Conecte a linha de pressão ao transdutor: Se o transdutor não vier pré-conectado à linha, realize a conexão de forma estéril, preenchendo a linha com a solução salina heparinizada e removendo todas as bolhas de ar. As bolhas de ar podem amortecer a onda de pressão e levar a leituras imprecisas.
  4. Conecte o cabo do transdutor ao transdutor: Encaixe o cabo do transdutor na porta apropriada do transdutor.
  5. Posicione e fixe o transdutor: Utilize o suporte estéril para fixar o transdutor na altura do átrio direito do paciente. Marque essa referência no paciente para garantir a consistência nas leituras, especialmente em caso de mudança de decúbito.
  6. Zere o transdutor: Essa etapa é crucial para calibrar o sistema e eliminar a influência da pressão atmosférica. Para zerar, abra o sistema para a pressão atmosférica (geralmente abrindo uma torneirinha do transdutor para o ar) e pressione a função “zero” ou “calibrar” no monitor. O monitor deve exibir “0 mmHg”. Após zerar, feche o sistema para o ar novamente.
  7. Conecte a linha de pressão ao cateter arterial: Após a inserção do cateter arterial pelo médico (que também é um procedimento estéril), conecte a extremidade da linha de pressão à conexão do cateter, utilizando técnica asséptica.
  8. Verifique a onda de pressão: No monitor, você deverá visualizar uma onda de pressão arterial nítida e com características normais (onda sistólica, incisura dicrótica e onda diastólica). Observe os valores numéricos da pressão sistólica, diastólica e média.
  9. Fixe o cateter arterial: Utilize curativos estéreis e dispositivos de fixação adequados para garantir que o cateter permaneça no lugar e evitar deslocamentos ou infecções.
  10. Documente o procedimento: Registre no prontuário a data e hora da inserção, o local, o tipo e calibre do cateter, o profissional que realizou o procedimento, o tipo de sistema de PAI utilizado, a solução de infusão, a pressão da bolsa, a presença de ondas adequadas e a resposta do paciente.

Nossos Olhos Atentos: Cuidados de Enfermagem Essenciais com a PAI

Uma vez instalado, o sistema de PAI exige cuidados contínuos e rigorosos da equipe de enfermagem para garantir a precisão das leituras, prevenir complicações e manter a segurança do paciente:

  • Manutenção da Perviedade do Sistema: Garanta que a bolsa de infusão esteja sempre pressurizada a 300 mmHg e que haja fluxo contínuo da solução salina heparinizada. Verifique regularmente se há bolhas de ar ou coágulos na linha de pressão e realize o flush rápido conforme necessário.
  • Monitorização Contínua da Onda de Pressão e dos Valores: Observe atentamente a morfologia da onda de pressão no monitor. Uma onda amortecida pode indicar problemas no sistema (ar, coágulo, dobra na linha). Registre os valores da pressão arterial em intervalos regulares e sempre que houver alterações significativas no estado clínico do paciente.
  • Manutenção da Posição Correta do Transdutor: Verifique regularmente se o transdutor está posicionado na altura do átrio direito do paciente, especialmente após mudanças de decúbito. Qualquer alteração na altura do transdutor pode levar a leituras imprecisas.
  • Cuidados com o Sítio de Inserção do Cateter: Inspecione diariamente o local de inserção do cateter em busca de sinais de infecção (vermelhidão, calor, edema, secreção), hematoma ou sinais de flebite. Realize a troca do curativo conforme o protocolo institucional, utilizando técnica asséptica.
  • Prevenção de Complicações: Esteja atento a sinais de complicações como sangramento no local de inserção, trombose arterial, embolia gasosa ou lesão nervosa durante a inserção ou manutenção do cateter.
  • Educação da Equipe: Garanta que toda a equipe de enfermagem esteja devidamente treinada para manipular e monitorar o sistema de PAI, compreendendo a importância da técnica correta e dos cuidados contínuos.
  • Documentação Precisa: Registre todos os dados relevantes no prontuário do paciente, incluindo a data e hora de cada intervenção, as leituras da pressão arterial, as condições do sítio de inserção e qualquer intercorrência.

A Pressão Arterial Invasiva é uma ferramenta poderosa no cuidado ao paciente crítico, fornecendo informações valiosas para a tomada de decisões clínicas. Como futuros profissionais de enfermagem, dominar os princípios, a montagem e os cuidados com esse sistema nos permitirá contribuir de forma significativa para a segurança e o bem-estar dos nossos pacientes.

Lembre-se sempre da importância da técnica asséptica e da vigilância constante para garantir a precisão das leituras e prevenir complicações.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Manual de ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support). [S. l.]: AHA.
  2. BARASH, P. G.; CULLEN, B. F.; STOELTING, R. K.; ORAL, J. A.; SWAN, J. T. Anesthesiology Clinical Pharmacology. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.
  3. IRWIN, R. S.; RIPPE, J. M. Irwin and Rippe’s Intensive Care Medicine. 9th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2024.
  4. NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: Definições e Classificação 2021-2023. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. 

Técnico de Enfermagem em UTI

Um Técnico de Enfermagem desempenha um papel crucial em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde pacientes em estado grave ou em situação de urgência e emergência são atendidos.

Atribuições

  1. Monitoramento Constante: Os técnicos em enfermagem na UTI monitoram pacientes 24 horas por dia. Eles verificam sinais vitais, coletam dados sobre o paciente e checam os equipamentos utilizados na unidade.
  2. Assistência Personalizada: Esses profissionais executam protocolos de segurança e prestam assistência personalizada aos pacientes. Além disso, orientam os familiares e acompanhantes sobre os procedimentos realizados e os cuidados necessários.
  3. Esterilizar e buscar materiais na CME: De maneira geral, esse é um dos procedimentos que garantem a segurança dentro de um ambiente hospitalar. No que lhe concerne, ela pode ocorrer por meios físicos ou químicos. Os primeiros envolvem técnicas desde a emissão do calor seco de estufas de ar quente em materiais metálicos ou a radiação ionizante.
  4. Prezar pela metodologia de sistematização da assistência de enfermagem: Entre as atribuições do Técnico de Enfermagem na UTI, é essencial sistematizar as regras que o Enfermeiro Coordenador estabeleceu. A Sistematização de Assistência de Enfermagem envolve o Histórico, o diagnóstico, o planejamento, a implementação e finaliza com a Avaliação de Enfermagem.
  5. Manter os cuidados em momentos pré e pós-operatório: Uma das atribuições do Técnico de Enfermagem na UTI é garantir que o paciente tenha orientações prévias. Tais quais o preparo intestinal, o uso de roupas e sapatos e confortáveis e sempre se mostrar à disposição de esclarecer qualquer dúvida antes dele realizar a cirurgia. Esse estado de espírito deve permanecer nos pós-operatórios. Essencialmente com recomendações para que ele evite esforço físico ao máximo, siga a dieta recomendada e, sobretudo, não ingerir remédios com o estômago vazio.
  6. Dar total assistência aos médicos de plantão: O enfermeiro trabalha com equipes multidisciplinares e uma das atribuições do Técnico de Enfermagem na UTI é oferecer total assistência aos médicos de plantão. Por isso, é importante que todos tenham comprometimento em suas atividades e cuide da manutenção do comportamento ético. Bem como o respeito à hierarquia.
  7. Controlar as dosagens e a administração de medicamentos: Além de ler as informações da ficha do paciente e dos rótulos, as Atribuições do Técnico de Enfermagem na UTI também envolvem conferir se a administração do medicamento está correta, se é pela via de administração prescrita no horário e na dosagem correta. Bem como garantir o registro correto de todas as ocorrências em busca da segurança da ética profissional. Aliado a isso, também existe o acompanhamento das reações do medicamento, a otimização do espaço de armazenamento, entre outras tarefas corriqueiras.
  8. Especialidades Médicas: O Técnico de Enfermagem pode atuar em diferentes categorias de UTIs, como neonatal (para recém-nascidos), pediátrica (para crianças e adolescentes) e adulta (para pessoas com mais de 18 anos). Também podem trabalhar em especialidades médicas específicas, como Cardiologia, Cirurgia, Transplantes, entre outras.
  9. Responsabilidade e Atualização: Trabalhar na UTI exige responsabilidade, dedicação e atualização constante. Os técnicos em enfermagem devem estar familiarizados com equipamentos tecnológicos usados para monitorar a saúde dos pacientes.
  10. Registro Ativo no COREN: Para ser contratado como Técnico de Enfermagem na UTI, é necessário ter concluído o curso técnico em enfermagem e possuir registro ativo no Conselho Regional de Enfermagem (COREN).

Referências:

  1. GARANHANI, Mara Lúcia et al . O trabalho de enfermagem em unidade de terapia intensiva: significados para técnicos de enfermagem. SMAD, Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. (Ed. port.),  Ribeirão Preto ,  v. 4, n. 2, ago.  2008 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762008000200007&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  03  mar.  2024.

O que faz um Enfermeiro Intensivista?

O enfermeiro intensivista tem um papel importantíssimo nas tarefas de alta complexidade, visto que trabalha constantemente na Terapia Intensiva.

É  um profissional responsável por lidar com pacientes críticos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), tanto em unidades adultas, pediátricas quanto neonatais. Sua atuação é de alta complexidade e requer responsabilidade, pois envolve cuidados intensivos e procedimentos essenciais para salvar vidas.

Pós Graduação

Para se tornar um enfermeiro intensivista, existem opções de pós-graduação que podem aprofundar seus conhecimentos e prepará-lo para atuar em unidades de terapia intensiva (UTIs) com foco em pacientes adultos.

Esses programas de pós-graduação oferecem uma especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva e abordam vários aspectos importantes:

  • Assistência Humanizada: Você aprenderá a prestar assistência humanizada em situações de urgência e emergência, considerando as necessidades específicas dos pacientes críticos.
  • Gestão do Cuidado e dos Serviços de Saúde: A pós-graduação inclui conhecimentos sobre gestão, organização e administração das UTIs, garantindo que você esteja preparado para lidar com os desafios do ambiente hospitalar.
  • Tecnologia e Inovações Aplicadas à Saúde: Você explorará as últimas tecnologias e inovações no campo da terapia intensiva, permitindo que você utilize ferramentas avançadas para melhorar o cuidado ao paciente.

Além disso, há duas opções principais para se especializar como enfermeiro intensivista:

  1. Pós-graduação Lato Sensu: Essa é uma opção comum para enfermeiros que desejam se aprofundar na área. A conclusão bem-sucedida de um programa de pós-graduação lato sensu resulta no diploma de especialista em terapia intensiva.
  2. Residência em Terapia Intensiva: A residência é outra alternativa. Ela também concede o diploma de especialista em terapia intensiva após a conclusão bem-sucedida.

Independentemente da escolha, esses programas fornecem o conhecimento necessário para atuar com competência e segurança nas UTIs, onde o cuidado é crucial para pacientes em estado crítico .

Atividades do Enfermeiro Intensivista

Aqui estão algumas das principais atividades desempenhadas por um enfermeiro intensivista:

  • Administração de Cuidados: O enfermeiro intensivista é responsável por passagens de sondas vesicais, nasogástricas e enterais, cateter de PICC, medicações e curativos aos pacientes da UTI. Ele também monitora aparelhos, controla infecções hospitalares e analisa a hemodinâmica dos pacientes.
  • Comunicação com Famílias: Além de cuidar dos pacientes, o enfermeiro intensivista compartilha informações com as famílias, fornecendo atualizações sobre o estado de saúde do paciente e oferecendo apoio emocional.
  • Gestão e Liderança: O trabalho desse profissional não se limita à UTI. Ele frequentemente assume cargos de gestão, lidando com recursos humanos, materiais hospitalares e tecnologias avançadas. Também pode atuar em urgências e emergências hospitalares, unidades de pronto atendimento (UPAs), serviços pré-hospitalares e pesquisa científica.
  • Terminalidade e Casos Graves: O enfermeiro intensivista lida com situações críticas e avançadas. Por exemplo, quando a UTI recebe um paciente com parada cardíaca, sua atuação é fundamental para melhorar o quadro do paciente. Ele monitora sinais vitais como respiração, pulso, pressão arterial, dor e temperatura.
  • Promoção da Saúde: Além de tratar doenças graves, o enfermeiro intensivista também implementa ações para promover a saúde dos pacientes internados na UTI.

O enfermeiro intensivista desempenha um papel vital na equipe de cuidados intensivos, garantindo que os pacientes recebam tratamento de qualidade em situações críticas .

Referências:

  1. Ensino Einstein
  2. Anhanguera

Conhecendo a Planta Física de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva)

A UTI é setor obrigatório em todo hospital, devendo ter uma área distinta com capacidade de leitos de 6% a 10 % do total de leitos existentes no hospital, sendo sua planta física composta de 9 a 10 m2 por leito, ter uma iluminação adequada com um gerador próprio, um ambiente climatizado, paredes laváveis, a unidades deve possuir uma visualização permanente dos pacientes e duas pias por unidade.

A Estrutura Física (Planta)

A Resolução – RDC 50, DE 21 de Fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

A localização deve ter uma área geográfica distinta dentro do hospital, permitir o fácil acesso aos elevadores de serviço e de emergência, centro cirúrgico, sala de recuperação pós-anestésica, unidade de emergência, unidades de intermediarias (semi-intensivas) e serviços de laboratório e radiologia.

Os números de leitos de uma UTI devem existir com no mínimo cinco leitos, com capacidade para cem ou mais leitos. Estabelecimentos especializados em cardiologia, cirurgia e emergência devem fazer calculo específicos.

Do ponto de vista funcional são oito a doze leitos por unidade. As disposições dos leitos podem ser em área comum ou em quarto fechados. No entanto ambas devem permitir uma observação continua do paciente.

Na área comum é indicada a separação dos leitos por divisórias laváveis de modo a proporcionar uma relativa privacidade aos pacientes.

Na unidade de quarto fechado devem ser dotadas de painéis de vidro para facilitar a observação. Nessa área é proporcionada uma maior privacidade, redução de ruídos e possibilidade de isolamento de pacientes infectados ou imunossuprimidos.

A despeito do projeto arquitetônico das UTI os problemas com o ruído e a iluminação brilhante tem se mantido um desafio. O ruído é risco ambiental que gera desconforto para o paciente.

As fontes de ruídos incluem equipamentos, alarmes, telefones, televisões e conversas da equipe, podendo haver uma diferença individual na percepção do ruído; portanto uma avaliação objetiva do ambiente deve ser realizada pela equipe.

De acordo com o Conselho Internacional de Ruído recomenda que os níveis de ruídos nas áreas de terapia intensiva dos hospitais não ultrapassem 45DB (A) durante o dia, 40DB (A) durante a noite e 20DB (A) durante a madrugada. No entanto na maioria dos hospitais esta entre 50 e 70 DB (A).

No ambiente hospitalar além da iluminação natural, usam-se luzes artificiais fluorescentes que criam um tipo de iluminação desconfortável e provoca fadiga visual e cefaleia, se desprotegido17. A luz brilhante pode permanecer por muitas horas na UTI, mesmo quando não há nenhum cuidado direto ao paciente.

A iluminação ideal não deve exceder 30 pévala (fc) durante o dia, durante a noite não deve exceder 6,5 fc e 19 fc para períodos escuros. A iluminação específica para procedimentos e atendimentos de urgência deve ser posicionada diretamente acima do paciente com pelo menos 150 fc.

O estresse criado pelo ruído e iluminação desnecessários será reduzido para o bem estar dos pacientes, já que no futuro o ambiente ideal de UTI terá janelas com vista natural.

As Unidades de Terapia Intensiva dispõe de equipamentos eletrônicos essenciais na manutenção da vida dos pacientes, utilizados na monitoração dos parâmetros fisiológicos ou como opção terapêuticas integrados ao sistema de gases.

Essas instalações devem ser integradas com a fonte de emergência que rapidamente assumem alimentação garantindo o suprimento ininterrupto. O número de tomadas sugerido é no mínimo 11 e no máximo 16 por leito, com voltagem de 110 e 220 volts e adequadamente aterradas.

As tomadas de cabeceira devem ser localizadas aproximadamente 90 com acima do piso, a unidade de dispor de tomadas para aparelhos de transportáveis distantes no máximo de 15 metros de cada leito.

O suprimento de gases e vácuo deve ser mantido por 24 horas, sendo recomendadas duas saídas de oxigênio por leito e uma de ar comprimido. As saídas devem ser apropriadas para cada gás evitando troca acidental. É preconizado dois pontos de vácuo por leito, porem recomenda-se três. O sistema de vácuo deve manter o mínimo de 290 mmHg e não deve fica abaixo de 194 mmHg. Também deve ser instalado um sistema de alarme para pressões altas e baixas de gases.

A fonte de água deve ser certificada, especialmente se forem realizadas hemodiálise. As instalações de pias e lavatórios devem estar próximas a entrada dos módulos dos pacientes ou entre cada dois leitos da UTI.

Os lavatórios devem ser largos e profundos para evitar respingos, com torneiras que dispensem o contato com as mãos. Em cada lavatório deve haver dispensador para sabão liquido também acionado sem o contato com as mãos e toalheiros para papeis descartáveis.

A renovação de ar em áreas critica é exigida no mínimo seis trocas de ar por hora, sendo duas com ar externo. As entradas de ar devem ser localizadas mais alto possíveis em relação ao piso e possuir filtros de grande eficiência.

O sistema de ar condicionado e aquecimento devem passar por filtragens apropriadas. A tomada de ara deve respeitar uma distancia mínima de oito metros de locais onde haja emanação de agentes infecciosos ou gases nocivos.

Nos quartos privativos das Unidades de Terapia Intensivas, a temperatura deve ser ajustada individualmente com variação entre 24 e 26 graus e umidade relativa do ar de 40% a 60%.

O atendimento as necessidades do paciente pela monitoração continua e estrutura adequada, é o selo de qualidade de todo cuidado crítico.

Quanto mais acolhedora a UTI para pacientes e familiares, mais aberto será o ambiente para uma cultura de cuidados e suporte favorável a recuperação. Um bom exemplo de como uma estrutura física e a função da UTI mudou em relação à ênfase de atender as necessidades dos pacientes e a família como unidade é a criação de um ambiente com o design mais acolhedor que encoraja a presença de membros das famílias, que deixam de ser apenas visitantes para ser peças importantes no bem estar do paciente.

Referências:

1- BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3432 de 12 de agosto de 1998. – DOU Nº 154. Estabelece critérios de classificação para as Unidades de Tratamento Intensivo – UTI.

2 – Saraiva CAS. Fatores físicos-ambientais e organizacionais em uma unidade de terapia intensiva neonatal: implicações para a saúde do recém-nascido. – Trabalho de conclusão do curso de mestrado profissionalizante em Engenharia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2004.

3 – Knobel E.Terapia Intensiva: Enfermagem. São Paulo: Editora Atheneu, 2010.

4 – Paladini EP. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Atlas, 2002

5 – http://www.proarq.fau.ufrj.br/site/cadernos_proarq/cadernosproarq11.pdf

6- Madureira CR, Veiga K, Sant’ana AFM. Gerenciamento de tecnologia em terapia intensiva. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n. 6, p. 68-75, dezembro 2000.

7 – BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução – RDC N 50, de 21 de Fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

8 – BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Assistência à Saúde. Departamento de Normas Técnicas. Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília, 1994. p.11-26.

9 – Knobel E, Kuhl SD. Organização e funcionamento das UTIs. In: Condutas no paciente grave. Knobel E. São Paulo, Atheneu, PP. 1315-32, 1998.

10 – Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Departamento de Normas e Técnicas: Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, p 140, 1995.

11 – Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Organização e Desenvolvimento de Serviços de Saúde. Normas e Padrões de Construções e Instalações de Serviços de Saúde, p 25-87, 1987.

12- Toledo LC. Feitos para Curar – Arquitetura Hospitalar e Processo Projetual no Brasil. Editora ABDEH. 1edição.Rio de Janeiro, 2006.

13 – Fairman J, Lynaugh J. Critical Care Nursing: A History. Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1998.

14- Stchler JF: Creating healing environments in critical care units. Crit Care Nurs Q 24(3): 1-20, 2001.

15 – Fontaine DK, Prinkey Briggs L, et al: Designing humanistic critical care environments. Crit Care Nurs Q 24(3): 21-34, 2001.

16- GOMES, W. SOUZA, M. L. Evidência e interpretação em pesquisa: as relações entre qualidades e quantidades. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, n. 2, p. 313,2003.

17 – Morton P.G., Fontaine DK. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística; [revisão técnica Ivone Evangelista Cabral; tradução Aline Vecchi… et al.] – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

18 – Jastremski CA: ICU bedside environment: A nursing perspective. Crit Care Clin 16 (4): 723-734, 2000.

19 – Azevedo AC. Avaliação de desempenho de serviços de Saúde Publica. 25 (1): 64-71, 1991.

20 – Cecílio LCDO. A modernização gerencial dos hospitais públicos: o difícil exercício da mudança. Rev Admin Publ 1997 maio-jun; 31(3) : 36-47.

21 – Gaidzinski RR. Dimensionamento de pessoal de enfermagem em instituições hospitalares [tese] São Paulo: Escola de Enfermagem USP, 1998.

22- Gallo H. Efeitos da unidade de terapia intensiva sobre o enfermeiro. Cuidados Intensivos de Enfermagem – Uma Abordagem Holística. Guanabara Koogan 6 edição. Cap 10 p.99-109, 1997.

23- Castelli M, Lacerda DPD, Carvalho MHR. Enfermagem no CTPI. Pessoal e treinamento de Isabel Cristina Kowal/Olm Cunha & Rita de Cassia Pires Coli; cap 7 p. 67-73. São Paulo. Roca, 1998.

24 – Laselva CR, Moura Jr DF, Reis EAA. No alvo, o melhor profissional – seleção e treinamento. In: Bork: Enfermagem de excelência: da visão a ação. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, PP 151-66, 2003.

25 – NICOLA, Anair Lazzari and ANSELMI, Maria Luiza. Dimensionamento de pessoal de enfermagem em um hospital universitário. Rev. bras. enferm. [online]. 2005, vol.58, n.2, pp. 186-190. ISSN 0034-7167.

26 – Knobel E, Novaes MAFP, Bork AM. Humanização dos CTIs. In: Manual de condutas de pacientes graves. Atheneu, São Paulo, 1998.

27 – Knobel E, Novaes MAFP, Karam CH. Humanização do CTI: uma questão de qualidade. Experiência do CTI do Hospital Israelita Albert Einstein. In: Âmbito Hospitalar 118(2) : 19-27, 1999.

Pressão Arterial Média (PAM): Área sobre a Curva

Certamente, você tem um paciente sob monitorização arterial invasiva e observa no monitor, além dos valores reais e ao vivo da pressão arterial do paciente, também observa a curvatura do mesmo durante a monitorização cardíaca. 

Mas o que eu posso entender sobre essa curvatura do monitor?

Você precisa entender que a curva da pressão Arterial possui curva característica, com dois componentes:

  • Que é o Anacrótico, nada mais a ejeção do sangue e a pressão sistólica (Primeira fase da onda de pressão é precedida pelo complexo QRS do ECG);
  • E o Dicrótico, que é a diástole e o nó dicrótico, representando o fechamento da valva aórtica (ECG: Final da onda T, ou seja, no final da sístole e no início da diástole ventricular).

Vários fatores podem desencadear a ALTERAÇÃO da curva da P.A, como:

  • Arritmias, hipotensão, doenças da válvula aórtica, pericardite constritiva.

E também há fatores que podem AMORTECER a curva, como:

  • Hematomas, trombos intraluminais, impactação da ponta ou dobras.

É sempre importante conhecer de tudo sobre o que acontece com seu paciente, o conhecimento amplo nunca é demais!

Cálculo da Pressão Arterial Média (PAM)

Você sabia que dá para calcular o valor da pressão arterial média, sem utilizar os monitores cardíacos, ou multiparâmetros?

É feito quando se utiliza meios sem serem invasivos, como no caso a PANI (Pressão Arterial Não Invasiva) na utilização de aparelhos manuais para aferir a pressão.

Não confunda o procedimento de pressão arterial invasiva como PAM! Como muitos ainda confundem.  A PAM (Pressão Arterial Média) é o valor médio da pressão durante todo um ciclo de pulso de pressão.

Pode ser obtido através do procedimento como Pressão Arterial Invasiva (PAI) ou Não Invasiva (PANI). A PAM é o que determina a intensidade média com que o sangue vai fluir pelos vasos sanguíneos!

Os valores considerados normais para uma PAM é entre 70 a 100mmHg, sendo que abaixo de 70 pode indicar perfusão prejudicada, e acima de 100 pode ocasionar complicações com a pressão acima do que é necessário ao organismo.

Lembrando que:

PAM é o valor obtido pela pressão que impulsiona o sangue através do sistema circulatório, e pode ser obtida tanto pela PAI ou pela PANI!

Tente calcular seguintes valores da PAM destes indivíduos e deixe nos comentários!

– 78 x 68 mmHg;
– 130 x 80 mmHg;
– 210 x 95 mmHg.

Capnografia

A Capnografia é uma tecnologia que permite ter uma imagem gráfica e uma medida objetiva do estado ventilatório de um doente.

É monitorado a concentração ou pressão parcial de dióxido de carbono nos gases respiratórios. Seu principal desenvolvimento tem sido uma ferramenta de monitoramento para uso durante anestesia e terapia intensiva. Geralmente é apresentado como um gráfico de CO expiratório durante o ciclo respiratório por um sensor aplicado nas vias áreas do paciente ou pela aspiração de uma amostra de ar nas vias aéreas processada por um sensor.

A capnografia é utilizada como parâmetro indicativo de acidose respiratória incipiente e como ferramenta no auxilio ao desmame do respirador. Uma capnografia com valor zero significa que o paciente não está respirando, ou algumas vezes pode também representar uma desconexão do equipamento ou mau funcionamento.

Valores Normais

O valor normal do capnógrafo é de 35 a 45 mmHg. Uma diminuição da capnografia indica hipotermia, choque hipovolêmico, diminuição da atividade muscular, hipotireoidismo, anestesia geral, hiperventilação alveolar ou até um mau funcionamento do equipamento.

Um aumento da capnografia indica hipertermia ou sepse, aumento da atividade muscular, hipertireoidismo, hipoventilação alveolar e também pode ser mau funcionamento do equipamento.

Devemos estar atento não apenas aos valores apresentados em monitores, mas sim na clínica do paciente, permitindo distinguir uma alteração clínica de uma “monitorite”.

Curvas (Ondas) da Capnografia

Vamos conhecer uma curva de capnografia normal. No ponto marcado :

– A-B = Linha de base, fase inspiratória;
– B-C = Começo da expiração;
– C-D = Platô da expiração (pico máximo expiratório);
– D = Concentração final expiratória, ETCO2;
– D-E = Começo da fase inspiratória.

Através da curva do capnógrafo, podemos identificar e intervir rapidamente nas complicações respiratórias.

1. Uma diminuição de CO2 por um período prolongado pode estar ligado ao:

• Aumento da freqüência respiratória;
• Aumento do volume corrente;
• Diminuição do metabolismo e diminuição do consumo O2;
• Queda da temperatura corporal.

2. Um aumento de CO2 por um tempo prolongado pode estar ligado ao:

• Diminuição da freqüência respiratória;
• Diminuição do volume corrente;
• Aumento do metabolismo e aumento do consumo O2;
• Rápido aumento da temperatura corporal (hipertermia maligna).

3. Uma elevação da linha basal indica reinalação do CO2:

• Defeito da válvula respiratória;
• Tempo respiratório curto;
• Fluxo inspiratório inadequado;
• Funcionamento inadequado do sistema de absorção do CO2.

4. Obstrução do Fluxo por:

• Broncoespasmo;
• Oclusão da Vias Aéreas Superiores;
• Oclusão do Circuito Ventilatório.

5. Quando começa a terminar o efeito do relaxante muscular, e o paciente retorna a ventilação espontânea, aparecem umas ranhuras nas ondas da capnografia;

6. Há um escape de ar devido a má insuflação ou perfuração do cuff;

7. Intubação esofágica;

Cuidados de enfermagem

• Alguns equipamentos necessitam de calibração do capnógrafo, antes da instalação na cânula traqueal do paciente, deve-se proceder conforme o fabricante;
• Realizar higiene do sensor com álcool a 70% a cada troca do equipamento por paciente;
• Evitar obstrução do capilar do capnógrafo por muco em condensação, com o tempo o valor CO2 diminui;
• Evitar a condensação de vapor de água no circuito do ventilador, para que as leituras não sejam falsamente elevadas;
• Ao encontrar valores alterados comunicar imediatamente ao médico e/ou a enfermeira.

Referências:

1. Miller RD. Miller’s Anesthesia 7th Ed. Churchill Livingstone.
2. West JB. The Essentials of Respiratory Physiology 9th Ed. Lippincott Williams & Wilkins.
3. N Engl J Med. 2012 Nov 8;367(19):e27. doi: 10.1056/NEJMvcm1105237.
4. Reich DL. Monitoring in Anesthesia and Perioperative Care 1st Ed. Cambridge University Press.
5. Gravenstein JS, Jaffe MB, Gravenstein N, Paulus DA. Capnography 2nd Ed. Cambridge University Press.
6. Soto RG, Fu ES, Vila H Jr, Miguel RV. Capnography accurately detects apnea during monitored anesthesia care. Anesth Analg. 2004. Aug;99(2):379-82.

Heparinização Plena em Pacientes Críticos

A Heparinização Plena é um procedimento frequente em unidades de terapia intensiva e sua utilização implica em riscos para o paciente. Assim, é importante que esse procedimento seja feito de forma padronizada.

A mesma pode ser realizada com heparina não fracionada (HNF)  ou heparinas de baixo peso molecular (HBPM).

Indicação da Heparinização Plena

A indicação correta de heparina por via venosa está sendo caracterizada progressivamente, havendo evidências consistentes de benefícios em algumas condições:

  • Angina instável;
  • Tromboembolismo Pulmonar;
  • Manipulações vasculares;
  • Quadros progressivos de isquemia cerebral por doença vascular;
  • Pós Operatórios cardiovasculares ( ponte para anticoagulação com warfarina) – Próteses valvares metálicas ( principalmente prótese mitral);
  • Síndromes Coronárias Agudas.

O que deve-se considerar como Exclusão (Contra-Indicação)

  • A possibilidade de usar heparina fracionada de baixo peso molecular por via subcutânea;
  • Quando não existir consenso na indicação entre o médico assistente, o médico intensivista e a enfermagem;
  • Quando existir relato prévio de intercorrências graves com o emprego de heparina por via venosa.

Atenção: Deve Interromper este procedimento imediatamente quando:

  • Sangramento ativo exteriorizado como: hematêmese, melena, enterorragia, hemoptise, hematúria ou hemorragias cutâneo- mucosas;
  • Queda acentuada de hematimetria sem causa identificada;
  • Surgimento de derrame pericárdico, pleural ou peritonial;
  • A possibilidade de procedimentos invasivos e cirurgias.

A indicação do emprego de heparina por via venosa é uma decisão médica. Caso o médico assistente ou médico plantonista caracterize 1(uma) das 3 (três condições) reconhecidas de indicação, bem como a impossibilidade do uso das heparinas fracionadas de baixo peso molecular, deverá prescrever por extenso:

Protocolo de Heparinização*:

  • SF 0,9% 250 ml;
  • Heparina 5ml (25.000 u);
  • Administrar bolus s/n;
  • Colher TTPA.

Estando prescrita a Rotina de Heparinização, o enfermeiro responsável deverá escrever na evolução de enfermagem e na folha de controle de heparinização: o início ou evolução da rotina; os valores de TTPA (prévio atual) e o horário do próximo controle de TTPA. Na impossibilidade do uso desta rotina por qualquer motivo, uma prescrição alternativa por livre escolha do médico assistente ou médico intensivista deverá ser prescrita. Sempre que o protocolo for interrompido, o médico assistente deverá ser notificado.

A solução de heparinização deverá acontecer em bomba de infusão com equipo de bureta para administração controlada do gotejamento, para segurança do paciente.

Por que é feito a Heparinização Plena?

O uso de heparina por via venosa ainda é comum em algumas situações clínicas encontradas no ambiente da medicina intensiva. A heparina é uma das drogas cujo uso encontra- se associado a uma elevada taxa de complicações, produzindo hemorragias por doses elevadas e tromboembolismo por doses insuficientes, sendo que o controle da administração é o fator mais decisivo de erro na heparinização.

A Rotina de Heparinização é conhecida como Esquema de Raschke, que se baseia em dados de experimentação clínica que visam manter os níveis plasmáticos de heparina entre 0,35 a 0,70 unidades/ml corrigidos para o peso corpóreo.

Devido à farmacodinâmica da heparina e pela característica clínica de seu uso, o Esquema de Raschke preconiza o emprego de um bolus inicial, seguido de infusão corrigida de acordo com o tempo de tromboplastina parcial ativado. (TTPA).

O Procedimento

  • bolus inicial de 80 unidades/Kg;
  • Preparar a solução de heparina com 5 mL (25.000 unidades);
  • 100 u/ml (25.000 unidades em 250ml de soro fisiológico);
  • Solicitar TTPA a cada 6 horas, espaçando- se para controles de 12 horas quando se obtiver 2 controles seguidos dentro da faixa ideal;
  • Ajustar a administração da heparina de acordo com a tabela abaixo:
TTPA Bolus Interrupção Mudança na infusão
< 35 80u/ Kg 0 aumentar 4u/Kg/h
35- 45 40u/ Kg 0 aumentar 3u/Kg/h
46- 60 40u/ Kg 0 aumentar 2u/Kg/h
61- 85 0 0 manter a infusão
86- 110 0 0 reduzir 2u/Kg/h
> 110 0 60 minutos reduzir 4u/kg/h
  • Arredondar a taxa de infusão para o valor mais próximo;
  • Quando o peso do paciente tiver peso abaixo de 50 kg ou acima de 120 kg, mantenha respectivamente o mínimo ou o máximo permitido pela tabela.
  • Anexar a folha de controle ao prontuário do paciente.

Observação: Ao programar a solução de heparina na bomba de infusão, utilizar o equipo bureta, onde a solução será depositada, programada para período de 24hs, devendo a bolsa da solução ser homogenizada antes de encher o equipo bureta novamente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

Monitorização

A monitorização do uso EV de HNF é realizada através do TTPA colhido após 6 horas da primeira dose de HNF e de 6 em 6 horas até o ajuste adequado.

Atentar:

  • Sangramentos, hemorragias, enterorragias e melenas que podem ser apresentados durante o tempo de terapia;
  • Plaquetopenia induzida por heparina (via exames laboratoriais);

Antídotos – Reversão da heparinização

  • Neutralização da heparina em caso de urgência: sulfato de protamina – 1mg de sulfato de protamina neutraliza 100 UI de heparina. Dose máxima 50mg.
  • Neutralização da heparina de baixo peso molecular: o sulfato de protamina neutralizará somente 50% da atividade. Um miligrama de protamina para cada miligrama de enoxaparina.
  • Administrar plasma fresco congelado para reversão.

Referências:

Protocolo de Heparinização Plena do Hospital Israelita Albert Einstein

1. Gunnarsson OS, Sawyer WT, Montague D, et al. Appropriate use of heparin. Empiric vs nomogram- based dosing. Arch Intern Med 1995 Mar 13;155(5): 526-532.
2. Raschke RA, Reilly BM, Guidry JR, Fontana JR. The weight- based heparin dosing nomogram comparde with a “standard care” nomogram. A randomized controlled trial. Ann Intern Med 1993;119(9):874-881.
3. Rivey MP, Peterson JP. Pharmacy- managed, weight- based heparin protocol. Am J Hosp Pharm 1993 Feb;50(2):279-284.
4. Mungall D, Lord M, Cason S, Treadwell P, Willians D, Tedrick. Developing and testing a system to improve the quality of heparin anticoagulation in patients with acute cardiac syndromes. Am J Cardiol 1998;82(5):574-579.
5. Cory Toth and Chris Voll. Validation of a Weight-Based Nomogram for the Use of Intravenous Heparin in Transient Ischemic Attack or Stroke. Stroke 2002;33(3): 670-674.

6. Laffan M.A.and Brads ham A.E. Laboratory control of anticoagulant, thrombolytic and anti -platelet Therapy. In; Pratical Haematology, Dacie Jv and Lewis SM. 8 ed; cap. 19:367-380, 1995.
7. Gerlach, AT, Pickworth, KK, Seth, SK, et al. Enoxaparin and Bleeding Complications: A Review in Patients With and Without Renal Insufficiency. Pharmacotherapy 2000;20:771.
8. Hirsh J, Guyatt G, Albers GW, Harrington R, Schünemann HJ. Antithrombotic and thrombolytic therapy 8th Ed. ACCP Guidelines. Chest 2008;133:71S-105S.
9. Rosborough T K. Comparison of anti-factor Xa heparin activity anda activated partial thromboplastin time in 2,773 plasma samples from unfractionated heparin-treated patients.am J Clin Pathol.1997;108:662-668.

Veja também:

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Notícias da Enfermagem

22 dias de UTI: Enfermeiro de 28 anos tem alta após adquirir COVID19 – “NÃO É UMA GRIPEZINHA”

O enfermeiro Gabriel Ferreira Groba, de 28 anos, recebeu alta e homenagem dos colegas de trabalho do hospital que fica na Praia Grande, no litoral de São Paulo. O jovem enfermeiro recebeu alta hospitalar neste sábado (25) e ganhou uma surpresa feita por colegas na saída da UTI. Ao som de “Vencedor”, Groba pode ver […]

Carrinho de Emergência: O que devo saber?

Carrinho de Emergência

O Carrinho de Emergência é um recurso essencial para o atendimento de qualidade aos pacientes que necessitam de seu suporte.

Contém medicamentos e materiais médicos padronizados para atendimento de emergências médicas. É fundamental que o mesmo seja mantido completo para garantir o atendimento emergencial dos pacientes. Após o uso do carrinho de emergência ele deve ser reposto para que sempre fique completo de acordo com a lista padrão.

Qual é o Objetivo Principal do Carrinho de Emergência?

É de assegurar que o carrinho de emergência esteja sempre pronto para uso, contendo todos os medicamentos e materiais médicos necessários e dentro do prazo de validade.

A sua existência, bem como de todo o seu material e a sua organização, são ferramentas importantes para o sucesso da abordagem de um doente grave. Nesse sentido elaboram‐se estas recomendações e propõe‐se a existência de uma determinada uniformização e a devem existir em TODAS as Salas de Emergência de TODOS os Serviços de Urgência da Rede (Despacho nº 5414/2008, de 28 de Fevereiro), bem como em todas as Unidades do Sistema de Saúde que lidam com doentes agudos ou com doenças crônicas que possam agudizar.

Responsabilidades e Competências

Podendo variar conforme cada Instituição, existem competências e responsabilidades em conferir e checar o carrinho periodicamente, conforme a Lei 5.991 de 17 de dezembro de 1979.

  • Auxiliar de farmácia: conferir data de validade e quantidade dos medicamentos e materiais médicos, realizar trocas quando necessário, dispensar os medicamentos e materiais médicos segundo a prescrição e check-list para reposição e emitir a lista atualizada de composição do carrinho de emergência com lote e validade;
  • Farmacêuticos: conferir data de validade e quantidade dos medicamentos e materiais presentes no carrinho de emergência e solicitar troca e reposição quando necessário;
  • Enfermagem: encaminhar a prescrição e check-list para a farmácia, receber e conferir os medicamentos e materiais médicos, repor e lacrar o carrinho;
  • Médico: fazer a prescrição de acordo com o que foi utilizado.

Definindo que:

O Prazo de validade

Tempo durante o qual o produto poderá ser usado, caracterizado como período de vida útil e fundamentada nos estudos de estabilidade específicos.

O Medicamento vencido

Medicamento cujo prazo de validade informado pelo fabricante está expirado.

A Emergência médica

É uma situação na qual o paciente se encontra em risco de morte iminente ou de gerar incapacidade permanente grave e, portanto, necessita de uma ação rápida. São exemplos: parada cardiorrespiratória, infarto agudo do miocárdio, edema agudo de pulmão, arritmias, acidente vascular cerebral (derrame), afogamentos, choques elétricos, entre outros.

Quais são os Recursos Necessários para conferir o Carrinho de Emergência?

  • A Prescrição médica;
  • O Check-list de materiais médicos;
  • Uma Lista de composição do carrinho de emergência com lote e validade;
  • Uma Lista de padronização de medicamentos e materiais por setor;
  • Um Formulário “Conferência do carrinho de emergência – Controle Anual de Validade de Medicamentos e Materiais”.

A Composição e a Organização de um Carrinho de Emergência

A organização dos fármacos e do material deverá ser adaptável às características do carro de cada Unidade de Saúde/ Serviço, considerando‐se sempre a facilidade de acesso rápido e com a menor probabilidade de erro.

Uma sugestão de organização poderá ser:

  • Base superior: desfibrilador/cardioversor, lanterna, estetoscópio, cilindro de O2, insuflador manual com saco/reservatório e filtro descartável, monitor multiparâmetros de transporte.
  • 1ª Gaveta: Adenosina (02ampolas), Adrenalina (20 ampolas), Atropina (05 ampolas), Água destilada(10 ampolas), Bicarbonato de sódio 8,4%(05 ampolas), Cetamina (01 frasco), Diazepan (05 ampolas), Dopamina (05 ampolas), Dobutamina (05 ampolas), Fenitoína (03 ampolas), Fentanil (03 ampolas), Fenobarbital sódico (03 ampolas), Flumazenil (02 ampolas), 10 Furosemida (05 ampolas), Gluconato de cálcio (05 ampolas), Glicose 50% (05 ampolas), Glicose 25% (05 ampolas), Heparina (02 frascos), Hidrocortisona 100mg (02 frascos), Hidrocortisona 500mg (02 frascos), Lidocaína 2% s/ vaso (02 frascos), Meperidina (06 ampolas), Metrocoplamida (04 ampolas), Midazolan (06 ampolas), Morfina (02 ampolas), Nalaxone (02 ampolas), Sulfato de Magnésio (02 ampolas), Soro fisiológico 0,9% 250 ml (02 unidades), Soro fisiológico 0,9% 500 ml (02 unidades) e Terbutalina (02 ampolas).
  • 2ª Gaveta: Agulhas 25 x 7, Agulhas 40 x 12, Jelco nº 20, Jelco nº 18, Jelco nº 22, Cateteres Subclávia nº 16, Equipo Macrogotas, Equipo Microgotas, Sonda Uretral nº 8, Sonda Uretral nº 12, Sonda Uretral nº 16, Sonda Nasogástrica nº 12, Sonda Nasogástrica nº 16, Lâmina de Bisturi, Naylon 3,0 com agulha, Scalp nº 19, Scalp nº 21, Scalp nº 23, Seringa 1 ml, Seringa 3 ml, Seringa 5 ml, Seringa 10 ml, Seringa 20 ml, Three Way e Xilocaína Geléia.
  • 3ª Gaveta: Bicarbonato de Sódio 5%; Eletrodos; Luvas Cirúrgicas nº 7,5; Luvas Cirúrgicas nº 8,0; Soro Glicosado 5% 250ml; Soro Glicosado 5% 500ml; Soro Fisiológico 0,9% 250ml; Soro Fisiológico 0,9% 500ml; Tubo nº 7,0; Tubo nº 7,5; Tubo nº 8,0;Tubo nº 8,5 e Tubo nº 9,0.
  • 4ª Gaveta: Intubação: Ambu, Cânula de Guedel, Guia de tubo, Lâmina para Laringo (Nº 2, 3 e 4), Laringoscópio, Látex, Máscara de Hudson, Óculos Protetor e Umidificador.

OBSERVAÇÃO: Lembrando que, a ordem dos materiais das gavetas podem VARIAR CONFORME CADA PROTOCOLO INSTITUCIONAL, não obedecendo exatamente esta ordem citada acima, portanto é recomendado conhecer seu carrinho de emergência antes de mais nada!

Os Cuidados de Enfermagem Importantes com o Carrinho de Emergência

  • Estar sempre organizado de forma ordenada, e toda equipe deve estar familiarizada onde esta guardado cada material;
  • Gavetas chaveadas são contra-indicadas, com exceção à guarda dos psicotrópicos;
  • Os critérios para identificação podem ser: ordem alfabética, ordem numérica crescente, padronização por cores contrastantes;
  • O excesso de materiais que dificultem a localização devem ser retirados;
  • O local onde se encontra o carro de parada deve ser de fácil acesso, não conter obstáculos que dificultem sua remoção e deslocamento;
  • Junto ao carrinho deve permanecer a tábua de reanimação;
  • Deve ser revisado diariamente e após cada uso.

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