Histórias

Novos colegas

E para mim já se passava um ano no setor onde trabalho. Já estava adaptado e conseguia trabalhar bem com meus colegas. Era uma época de novidades. Mais pessoas novas entrando, um novo começo para outras pessoas.

Algumas delas vieram para o noturno, outras permaneceram de dia. E a noite como é um pouco diferente do diurno, não tinha um enfermeiro disponível para treinar os novos sempre. E aí que nós entrávamos. Vieram dois colegas novos para nosso plantão, e um deles ficou com meu colega que era mais antigo e gostava de treinar, e o outro acabou ficando comigo, pois eu também apesar de não ter todo esse tempo de casa, eu estava disposto a ajudar. Os outros colegas meu não tinham muita paciência, e isso varia, não é obrigação de ninguém.

Me apresentei ao novo colega e desejei boas vindas, como eu também fui recebido quando eu entrei. O mesmo se apresentou, e também era novato na área. Como todo novato, chega com medo e insegurança em um setor totalmente desconhecido de sua área habitual. Como aconteceu comigo, ele ficaria somente observando nos primeiros dias, e ajudaria caso precisasse. Precisaria-se habituar às rotinas do setor, e isso demoraria um tempo, dependendo de seu esforço.

O mostrei toda a planta física do setor, falei um pouco dos aparelhos, o que teria que fazer. Isso é questão de tempo. Já lhe dei dicas de que tudo que for novo e importante anotar em algum lugar para futuras consultas. Parecia demonstrar interesse em que falava, isso era bom pois tudo seria mais fácil. Fomos conversando e conhecendo mais um ao outro. Ele dizia que já trabalhava a noite como segurança, e de que estava buscando outra àrea, e que se simpatizou pela enfermagem. Já logo lhe falei que é uma àrea linda, mas tem suas realidades! Se realmente gostar de ver tudo do que é tipo de coisa, está no lugar certo.

Com o tempo foi se habituando ao local, passava plantões, lhe ensinava coisas diferentes, e tirava as dúvidas com o enfermeiro ou comigo que estava por perto. Era uma situação típica, para quem ingressa a uma àrea nova. É bom sempre receber os colegas novos, pois todos tem sede de aprender. E isso é ótimo para uma unidade grande, pois eu acho, que é o que mais precisa de um profissional. Infelizmente não são todos que tem a mesma sede, pois sempre tem um que faz um corpo mole. Como foi o caso do outro novato que entrou no mesmo plantão e de que ficou com meu outro colega sendo assistido.

O perguntava como o colega estava se saindo, e dizia que tinha dificuldades de tomar iniciativas, tudo tinha que ser comandado. Numa área onde se exige agilidade e destreza, é um ponto negativo. Temos que ter iniciativas e sempre dar opinões naquilo em que possa nos beneficiar. Sei que tem pessoas que possuem certas dificuldades, e essa era a hora de aprender a lidar com elas. Como eu sempre digo, sempre somos avaliados! Com 1 dia, 1 ano e 11 anos de casa, nunca deixaram de nos cobrar pelo melhor.

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Christiane Ribeiro
Técnica de Enfermagem Intensivista, atuo há 16 anos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, prestando assistência direta a pacientes críticos — desde monitorização hemodinâmica até administração de drogas vasoativas e cuidados pós-operatórios complexos. Uso essa vivência diária à beira do leito como base para cada ilustração e publicação do Enfermagem Ilustrada, blog que mantenho desde 2016 e que hoje alcança mais de 230 mil leitores por mês entre estudantes, técnicos e enfermeiros em todo o Brasil.
https://enfermagemilustrada.com