Tudo sobre a Neuralgia do Trigêmeo

A neuralgia do trigêmeo é uma condição dolorosa que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. Essa condição se caracteriza por dores intensas e repentinas, que podem ser descritas como choques elétricos ou facadas. A dor geralmente se concentra em uma área específica do rosto, como a bochecha, queixo ou testa.

O que causa a neuralgia do trigêmeo?

A causa exata da neuralgia do trigêmeo nem sempre é conhecida, mas a principal causa identificada é a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo. Essa compressão pode causar inflamação e irritação do nervo, levando às dores características.

Outras possíveis causas incluem:

  • Esclerose múltipla: Uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso central.
  • Tumores: Tanto no cérebro quanto nos nervos cranianos.
  • Infecções: Como herpes zoster.
  • Trauma: Lesões na cabeça ou rosto.

Quais são os sintomas da neuralgia do trigêmeo?

Os principais sintomas da neuralgia do trigêmeo são:

  • Dores intensas e repentinas: As crises podem durar de alguns segundos a alguns minutos.
  • Gatilhos: A dor pode ser desencadeada por atividades como mastigar, falar, escovar os dentes ou até mesmo uma brisa leve no rosto.
  • Áreas afetadas: A dor geralmente se concentra em uma das três divisões do nervo trigêmeo: oftálmica (testa e olho), maxilar (bochecha) ou mandibular (queixo e lábios).

Como a neuralgia do trigêmeo é diagnosticada?

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é feito por um neurologista, com base nos sintomas relatados pelo paciente e em exames complementares, como:

  • Ressonância magnética: Para identificar a compressão do nervo por um vaso sanguíneo ou outras possíveis causas.
  • Tomografia computadorizada: Pode ser utilizada para avaliar a estrutura óssea e identificar possíveis lesões.

Tratamentos para a neuralgia do trigêmeo

O tratamento da neuralgia do trigêmeo varia de acordo com a gravidade dos sintomas e a causa da doença. As opções de tratamento incluem:

  • Medicamentos:
    • Carbamazepina e gabapentina: Os medicamentos mais utilizados para controlar a dor.
    • Outros medicamentos: Baclofeno, oxcarbazepina, pregabalina, etc.
  • Tratamentos minimamente invasivos:
    • Injeções de botox: A toxina botulínica pode bloquear a transmissão dos sinais de dor.
    • Radiofrequência: Um procedimento que utiliza ondas de rádio para destruir as fibras nervosas que transmitem a dor.
  • Cirurgia:
    • Descompressão microvascular: Um procedimento cirúrgico para aliviar a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo.
    • Rizotomia: Um procedimento que destrói as raízes do nervo trigêmeo para interromper a transmissão da dor.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação da dor:

    • Utilizar escalas de dor adequadas para monitorar a intensidade e frequência das crises dolorosas.
    • Identificar os fatores desencadeantes da dor (estímulos táteis, mastigação, fala).
    • Avaliar a eficácia dos medicamentos e outras intervenções para o controle da dor.

Administração de medicamentos:

    • Administrar os medicamentos prescritos pelo médico, como analgésicos, anticonvulsivantes e outros, de acordo com a prescrição médica.
    • Monitorar os efeitos colaterais dos medicamentos.

Promoção do conforto:

    • Criar um ambiente tranquilo e calmo para o paciente.
    • Auxiliar em atividades de higiene e conforto.
    • Ensinar técnicas de relaxamento e distração para ajudar a aliviar a dor.

Orientações sobre autocuidado:

    • Ensinar o paciente a identificar e evitar os fatores desencadeantes da dor.
    • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia durante as crises dolorosas.
    • Incentivar a prática de atividades físicas leves, como caminhadas, quando a dor estiver controlada.

Promoção da saúde bucal:

    • Orientar sobre a importância da higiene bucal adequada, pois problemas dentários podem desencadear crises de dor.

Suporte psicológico:

    • Oferecer escuta ativa e empatia ao paciente e sua família.
    • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Educação sobre a doença:

    • Explicar a fisiopatologia da neuralgia do trigêmeo de forma clara e concisa.
    • Informar sobre as opções de tratamento disponíveis, incluindo medicamentos, terapias e procedimentos cirúrgicos.
    • Esclarecer dúvidas sobre a doença e o tratamento.

Diagnósticos de enfermagem:

  • Dor crônica relacionada à neuralgia do trigêmeo.
  • Déficit no autocuidado relacionado à fadiga e à dor.
  • Ansiedade relacionada ao diagnóstico e à dor crônica.
  • Distúrbio do sono relacionado à dor e ao desconforto.

Intervenções de enfermagem:

  • Administrar analgésicos de acordo com a prescrição médica.
  • Ensinar técnicas de relaxamento e distração.
  • Promover um ambiente tranquilo e livre de estímulos.
  • Auxiliar o paciente em atividades de higiene e conforto.
  • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia.
  • Estimular a prática de atividades físicas leves.
  • Oferecer suporte emocional ao paciente e sua família.
  • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Qual é o prognóstico da neuralgia do trigêmeo?

O prognóstico da neuralgia do trigêmeo varia de caso para caso. Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes experimenta alívio da dor. No entanto, a doença pode ser crônica e exigir tratamento contínuo.

Importante: É fundamental buscar atendimento médico especializado para um diagnóstico preciso e tratamento adequado da neuralgia do trigêmeo.

Referências:

  1. Dr. Erich Fonoff: https://www.erichfonoff.com.br/neuralgia-do-trigemeo/
  2. Rede D’Or São Luiz: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/neuralgia-do-trigemeo
  3. Alves, T. C. A., Azevedo, G. S., & Carvalho, E. S. de .. (2004). Tratamento famacológico da neuralgia do trigêmeo: revisão sistemática e metanálise. Revista Brasileira De Anestesiologia, 54(6), 836–849. https://doi.org/10.1590/S0034-70942004000600015
  4. Revista FT: https://revistaft.com.br/os-cuidados-de-enfermagem-ao-paciente-com-dor-cronica-neuralgia-do-trigemeo-depressao-e-o-cuidado-da-enfermagem/

Doença e Síndrome de Moyamoya

A Doença de Moyamoya é uma condição cerebrovascular rara e progressiva que se caracteriza pelo estreitamento das artérias carótidas internas e seus ramos.

Este estreitamento leva à formação de uma rede de vasos sanguíneos colaterais na base do cérebro, que tentam compensar a redução do fluxo sanguíneo.

A origem do nome

O nome “Moyamoya” vem do japonês e significa “nuvem de fumaça”, uma alusão à aparência nebulosa desses vasos colaterais em exames de imagem.

Causas e Fisiopatologia

Embora a etiologia exata da Doença de Moyamoya seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos possam desempenhar um papel importante, especialmente em indivíduos de origem japonesa.

A doença pode estar associada a outras condições, como neurofibromatose, anemia falciforme e síndrome de Down.

Na Doença de Moyamoya, ocorre um estreitamento crônico das artérias carótidas internas, levando a um suprimento sanguíneo insuficiente ao cérebro e, consequentemente, a uma carência de oxigênio.

Para compensar, o cérebro desenvolve uma rede de vasos colaterais. No entanto, esses vasos são mais frágeis e podem romper, causando hemorragias cerebrais.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da Doença de Moyamoya variam, mas frequentemente incluem ataques isquêmicos transitórios, acidentes vasculares cerebrais e, em alguns casos, hemorragias cerebrais.

Em crianças, pode ocorrer declínio intelectual, convulsões e movimentos involuntários.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada, que revelam o estreitamento das artérias e a presença da rede vascular anormal.

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da Doença de Moyamoya é principalmente cirúrgico, visando restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao cérebro.

As opções incluem procedimentos como a anastomose direta e a encefaloduroarteriossinangiose indireta.

O prognóstico da doença varia. Sem tratamento, pode levar a complicações graves e até fatais. No entanto, com intervenção cirúrgica adequada e acompanhamento médico, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal.

Alguns Cuidados

  • Monitoramento Neurológico: Observar sinais de déficits neurológicos, como fraqueza, alterações na fala ou convulsões.
  • Prevenção de AVC: Acompanhar sinais vitais e realizar exames periódicos para detectar sinais precoces de acidente vascular cerebral.
  • Cuidados Pós-Operatórios: Após a cirurgia de revascularização, é importante monitorar sinais de infecção, garantir a administração adequada de medicamentos e avaliar a cicatrização.
  • Educação do Paciente e Família: Informar sobre a doença, o tratamento e as medidas preventivas para evitar lesões que possam levar a sangramentos.

Estes são aspectos gerais e cada paciente pode necessitar de cuidados específicos. É importante seguir as orientações da equipe médica e manter uma comunicação efetiva com todos os envolvidos no tratamento.

Referências:
  1. https://www.scielo.br/j/anp/a/73Y3WPvVXtwT77hZHgZSM4f/?format=pdf
  2. https://victorbarboza.com.br/doenca-de-moyamoya/

Hematoma Subdural Vs Epidural

Uma das diferenças entre hematoma subdural e epidural é a localização do sangramento.

Entenda as diferenças

O hematoma subdural ocorre quando há acúmulo de sangue entre a dura-máter e as membranas aracnoides, que são camadas que revestem o cérebro.

O hematoma epidural ocorre quando há acúmulo de sangue entre a dura-máter e o crânio.

Essa diferença se deve ao tipo de vaso sanguíneo que se rompe em cada caso.

No hematoma subdural, geralmente são veias de baixa pressão que se rompem, enquanto no hematoma epidural, geralmente são artérias de alta pressão que se rompem .

Outra diferença é a velocidade de formação e evolução dos hematomas. O hematoma epidural se forma rapidamente, pois o sangue arterial flui com mais força e comprime o cérebro.

O hematoma subdural se forma mais lentamente, pois o sangue venoso flui com menos força e demora mais para causar sintomas . Por isso, o hematoma epidural costuma causar um quadro clínico mais grave e urgente do que o hematoma subdural.

Além disso, os hematomas subdurais e epidurais têm formas diferentes na tomografia computadorizada (TC) de crânio, que é o exame usado para diagnosticá-los.

O hematoma epidural tem uma forma de lente biconvexa, limitada pelas suturas do crânio. O hematoma subdural tem uma forma de meia-lua, que pode se expandir por todo o espaço subdural .

O tratamento dos hematomas subdurais e epidurais depende da gravidade dos sintomas, do tamanho e da localização dos hematomas. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma cirurgia para drenar o sangue e aliviar a pressão no cérebro .

Referência:

  1. Lacerda, F. H., Rahhal, H., Soares, L. J., Ureña, F. del R. M., & Park, M.. (2017). Seguimento de hematoma epidural intracraniano com ultrassonografia bidimensional. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 29(2), 259–260. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20170036

Espasticidade Muscular

A espasticidade é um distúrbio frequente nas lesões congênitas ou adquiridas do sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal). Tem potencial incapacitante, podendo produzir dificuldades funcionais, deformidades e dor.

A espasticidade acomete milhões de pessoas em todo o mundo e a incidência está intimamente relacionada com as doenças correspondentes. Não há dados epidemiológicos oficiais no Brasil.

Causas

A espasticidade ocorre no acidente vascular cerebral, traumatismo crânio encefálico, lesão medular e na paralisia cerebral. Também pode estar presente em neoplasias do sistema nervoso, em doenças heredo-degenerativas e desmielinizantes.

Sintomas

Caracteriza-se por um aumento do tônus muscular e exacerbação dos reflexos, que se acentuam quando há maior velocidade ou resistência no movimento.

Dificulta o posicionamento adequado do indivíduo, podendo interferir em atividades de vida diária, como alimentação, vestuário, higiene, transferências e locomoção. Quando não tratada, pode levar à contraturas, rigidez, luxações, dor e deformidades.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico: ao exame físico, o médico gradua o tônus muscular (escala de ashworth modificada é a mais utilizada) com níveis que variam do tônus normal à rigidez conforme a resistência muscular contra a movimentação passiva do segmento afetado. Utiliza-se também a goniometria (medida do arco de movimento da articulação afetada), testes de habilidades de membros superiores, escalas funcionais que demonstrem a interferência nas atividades de vida diária, presença de dor e avaliação quantitativa de força muscular.

Em pacientes deambuladores, é de suma importância a análise da interferência da hipertonia no padrão através de observação clinica, sendo eventualmente necessária a realização de uma análise tridimensional especifica e especializada no Laboratório de Marcha.

Tratamento

É preciso considerar que não existe um tratamento de cura para a espasticidade: visa adequação do tônus às necessidades do paciente e deve estar inserido dentro de um programa de reabilitação, com foco na diminuição da incapacidade do indivíduo e na sua evolução funcional.

São utilizados recursos de fisioterapia e de terapia ocupacional, como cinesioterapia, mecanoterapia, mobilização articular, medicina física (crioterapia, termoterapia, eletroterapia), biofeedback, estimulação elétrica funcional, hidroterapia, equoterapia e uso de órteses para um posicionamento adequado.

Existem diversos medicamentos utilizados para o relaxamento muscular. É necessário ponderar a relação custo benefício quanto aos efeitos colaterais, praticidade no uso e interação medicamentosa dessas drogas.

Procedimentos mais invasivos, como bloqueios químicos com fenol e/ou toxina botulínica e procedimentos cirúrgicos no sistema nervoso ou sistema musculoesquelético são geralmente sugeridos quando os outros recursos não surtiram efeito ou estão contraindicados

​Prevenção

Tratamento de reabilitação precoce, em fase hospitalar, acompanhamento médico periódico, uso de medicação e de órteses prescritas. A espasticidade pode ser influenciada por fatores externos e, quando se acentua, pode estar relacionada à presença de infecção, dor ou lesão, especialmente em pacientes portadores de alterações sensitivas. Por este motivo pode representar um alerta, assim como o são a dor e a febre.

Convivendo com o problema

Nem sempre a espasticidade precisa ser tratada: muitos pacientes a usam como auxilio da sua função motora; quando sob controle, pode ainda prevenir a atrofia muscular intensa, diminuir a perda de massa óssea e o edema.

​O aumento do tônus muscular pode contribuir para estabilização articular, melhora postural, mudanças de decúbito e transferências. Deve, portanto, ser modulada e não totalmente eliminada.

Referência:

  1. TEIVE, H. A. G., ZONTA, M., & KUMAGAI, Y.. (1998). Tratamento da espasticidade: uma atualização. Arquivos De Neuro-psiquiatria, 56(4), 852–858. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1998000500025

Opistótono Vs Emprostótono

Emprostótono e opistótono são dois tipos de espasmos musculares que podem ocorrer em algumas condições clínicas graves.

Características e diferenças

Emprostótono é a contração tetânica dos músculos flexores do tronco que faz curvar o corpo para diante. Opistótono é o espasmo da coluna vertebral e as extremidades que se curvam para frente, resultando em posição de arco, apoiado pela parte de trás da cabeça e calcanhares .

Geralmente, o opistótono e o emprostóstomo são sintomas de tétano, mas também pode ser causado por meningite, lesão do sistema nervoso, deficiência do hormônio do crescimento, doenças metabólicas, convulsões, lesões graves na cabeça, hemorragia subaracnóidea, intoxicação pela estricnina, entre outras . Ambos os espasmos são emergências médicas que requerem tratamento imediato.

Referências:

  1. Tapajós, R.. (2011). Trismo, opistótono e riso sardônico: quem se lembra dessa doença?. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 23(4), 383–387. https://doi.org/10.1590/S0103-507X2011000400001

Síndrome de Encarceramento

A Síndrome do Encarceramento, ou Síndrome de Locked-In, é uma doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras.

Nesta doença, o paciente fica ‘preso’ dentro do seu próprio corpo, sem conseguir se movimentar ou comunicar, mas continua consciente, percebendo tudo o que acontece à sua volta e a sua memória continua intacta.

Esta síndrome não tem cura, porém existem procedimentos que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida da pessoa, como uma espécie de capacete que consegue identificar o que a pessoa está precisando, para que possa ser atendida.

Sintomas

Os sintomas da Síndrome do Encarceramento podem ser:

  • Paralisia dos músculos do corpo;
  • Incapacidade de falar e de mastigar;
  • Braços e pernas rígidas e esticadas.

Geralmente, os pacientes conseguem somente movimentar os olhos para cima e para baixo, pois até mesmo os movimentos laterais dos olhos estão comprometidos. A pessoa também sente dor, mas não consegue se comunicar e por isso não consegue esboçar nenhum movimento, como se não tivesse sentindo nenhuma dor.

O diagnóstico é feito com base nos sinais e sintomas apresentados e pode ser confirmado com exames, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, por exemplo.

O que causa essa síndrome?

As causas da Síndrome do Encarceramento podem ser lesões cerebrais traumáticas, após um AVC, efeitos colaterais de medicamentos, esclerose lateral amiotrófica, traumatismos cranianos, meningite, hemorragia cerebral ou mordida de cobra.

Nesta síndrome, as informações que o cérebro emite para o corpo não são totalmente captadas pelas fibras musculares e por isso o corpo não responde às ordens enviadas pelo cérebro.

Como é feito o tratamento?

O tratamento da Síndrome do Encarceramento não cura a doença, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da pessoa.

Atualmente, para facilitar a comunicação são utilizadas tecnologias que conseguem traduzir através de sinais, como piscar de olhos, o que a pessoa está pensando em palavras, permitindo que a outra pessoa o entenda. Outra possibilidade é usar uma espécie de touca com eletrodos na cabeça que interpreta o que a pessoa está pensando para que possa ser atendida.

Pode ser usado também um pequeno aparelho que possui eletrodos que são colados na pele que são capazes de promover uma contração muscular para reduzir a sua rigidez, mas dificilmente a pessoa consegue recuperar os movimento e a maior parte morre no primeiro ano após ter surgido a doença.

A causa da morte mais comum é devido ao acumulo de secreções nas vias respiratórias, que acontece naturalmente quando a pessoa não se movimenta.

Assim, para melhorar a qualidade de vida e evitar este acumulo de secreções é indicado que a pessoa faça fisioterapia motora e respiratória pelo menos 2 vezes ao dia. Uma máscara de oxigênio pode ser usada para facilitar a respiração e a alimentação deve ser feita por sonda, sendo necessário uso de fraldas para conter a urina e as fezes.

Os cuidados devem ser os mesmos de uma pessoa acamada inconsciente e se a família não prestar este tipo de cuidados a pessoa pode falecer devido a infecções ou acumulo de secreções nos pulmões, que podem causar pneumonia.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Cuidados de suporte;
  • Treinamento em comunicação;
  • Cuidados de suporte são a base do tratamento para pacientes com síndrome de encarceramento e devem incluir:
  • Prevenção de doenças sistêmicas devido à imobilização (p. ex., pneumonia, infecção do trato urinário, doenças tromboembólicas);
  • Proporcionar boa nutrição;
  • Prevenir o desenvolvimento de úlceras de pressão;
  • Fornecer fisioterapia para prevenir contraturas nos membros.

Referências:

  1.  Milekovic T, Sarma AA, Bacher D, et al: Stable long-term BCI-enabled communication in ALS and locked-in syndrome using LFP signals. J Neurophysiol 120 (1):343–360, 2018.
  2. Bruno MA, Nizzi MC, Laureys S, Grosseries O. Chapter 12 – Consciousness in the Locked-In Syndrome. The Neurology of Conciousness (Second Edition). Academic Press, 2016. Pages 187-202

Microcefalia

A microcefalia é um raro distúrbio neurológico no qual o cérebro da criança não se desenvolve completamente. Com isso, o tamanho da cabeça é menor do que o esperado. A microcefalia pode estar presente no nascimento ou pode ser adquirida nos primeiros anos de vida.

A criança com microcefalia geralmente tem diferentes graus de deficiência intelectual, assim, um pequeno percentual de crianças não terão nenhum tipo de atraso no desenvolvimento.

As crianças com essa condição também pode ter um atraso na fala e nas funções motoras, nanismo ou baixa estatura, deficiência visual ou auditiva, e/ou outros problemas associados com anormalidades neurológicas.

Existem várias causas potenciais para a microcefalia, incluindo:

  • Infecções perinatais maternas, incluindo  rubéola e Zika vírus;
  • Distúrbio cromossômico, incluindo síndrome de Down;
  • Craniossinostose, um defeito de nascença identificado pelo fechamento prematuro de uma ou mais juntas entre os ossos do crânio antes do completo crescimento cerebral
  • Meningite bacteriana;
  • Uso abusivo de drogas e álcool durante a gravidez;
  • Exposição química ou à radiação.

Existe também uma suspeita de conexão entre o Zika vírus e a microcefalia, devido ao nível significante de crianças vistas com essa doença em países afetados, desde que o vírus começou a se espalhar.

Fatos principais sobre a Microcefalia

  • A microcefalia ocorre mais frequentemente quando o cérebro para de crescer até a taxa normal; o crescimento do crânio é determinado pelo tamanho do cérebro.
  • Não há tratamento para reverter a microcefalia, exceto uma cirurgia para craniossinostose. Programas de intervenção com a fala, terapeutas ocupacionais e físicos podem ajudar as crianças afetadas.
  • Em casos de microcefalia com uma conexão genética, conselheiros genéticos podem ajudar a determinar o risco de microcefalia.

Diagnóstico

Após o nascimento, os recém-nascidos passam pelo primeiro exame físico – é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento.

Este é um dos principais momentos para se realizar a busca de possíveis anomalias congênitas. Também é possível diagnosticar a microcefalia no pré-natal, porém, somente o médico que está acompanhando a grávida poderá indicar o método de imagem mais adequado.

Ao nascimento, os bebês com suspeita de microcefalia serão submetidos a exame físico e medição do perímetro cefálico. São considerados microcefálicos os bebês não prematuros com perímetro cefálico menor de 32 centímetros.

Eles serão submetidos a exames neurológicos e de imagem, sendo a Ultrassonografia Transfontanela a primeira opção indicada, e, a tomografia, quando a moleira estiver fechada.

Tratamento

Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança. A estimulação precoce visa à maximização do potencial de cada criança, englobando o crescimento físico e a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva, que poderão ser prejudicados pela microcefalia.

Os nascidos com microcefalia receberão a estimulação precoce em serviços de reabilitação distribuídos em todo o país, nos Centros Especializados de Reabilitação (CER), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e Ambulatórios de Seguimento de Recém-Nascidos.

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Paralisia Supranuclear Progressiva

A paralisia supranuclear progressiva (PSP) é uma doença neurodegenerativa rara que afeta algumas áreas do cérebro, especialmente os gânglios basais e o tronco cerebral.

Essas áreas são responsáveis por controlar os movimentos voluntários, a postura, o equilíbrio e as funções vitais.

Sinais

A PSP provoca a morte gradual de neurônios nessas regiões, causando sintomas como:

  • rigidez muscular,
  • lentidão dos movimentos,
  • dificuldade para movimentar os olhos,
  • quedas frequentes,
  • alterações da fala, da deglutição e da expressão facial,
  • além de comprometimento das capacidades mentais, como memória, pensamento e personalidade.

Costuma se manifestar após os 60 anos de idade, mas pode ocorrer mais cedo em alguns casos.

Causa

Ao presente momento, a causa da Paralisia Supranuclear Progressiva é o depósito anormal de uma proteína denominada “tau”, que é tóxica e acarreta lesão cerebral.

A presença da proteína tau compõe um grupo de doenças degenerativas denominadas “tauopatias”: uma classe de doenças neurodegenerativas que inclui a doença de Alzheimer, degeneração corticobasal entre outras.

Os depósitos da proteína tau no cérebro de pacientes com PSP se assemelham aos depósitos encontrados na doença de Alzheimer com atrofia e comprometimento de diversas áreas cerebrais. No entanto, na Paralisia Supranuclear Progressiva a principal área afetada é o mesencéfalo, estrutura importante para o equilíbrio, movimentação dos olhos e agilidade nos movimentos.

Tratamento

Apesar dos diversos avanços da Neurologia, o tratamento da Paralisia Supranuclear Progressiva ainda é um desafio. Nenhum medicamento ou terapia curativa foi desenvolvido.

Todos precisamos de apoio. O acompanhamento médico provê o acolhimento que todo ser humano precisa. O tratamento oferecido busca aliviar sintomas e esclarecer a condição.  A atual estratégia de tratamento da PSP inclui:

  • Alguns medicamentos para rigidez e lentidão como Levodopa, amantadina, amitriptilina, desipramina e ioimbina.
  • Toxina Botulínica para tratar espasmos palpebrais, outros tipos de distonia e salivação excessiva.
  • Fisioterapia motora voltada para o equilíbrio
  • Fonoaudiologia para problemas de fala e deglutição
  • Lágrimas artificiais podem ajudar a evitar a secura dos olhos que pode ocorrer devido à diminuição do piscar.

Algumas pesquisas clínicas tentaram utilizar terapia com células-tronco para pacientes com Paralisia Supranuclear Progressiva, mas os resultados e segurança da técnica ainda são incertos.

Da mesma forma, a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda que pode ajudar muito pacientes com Doença de Parkinson, também não exerce nenhum efeito benéfico para PSP.

O fonoaudiólogo pode ensinar técnicas de deglutição mais seguras, aconselhar sobre a necessidade de gastrostomia, oferecer dispositivos de comunicação alternativos. Os audiolivros são uma alternativa quando a leitura não é mais possível.

Um andador pode ajudar a evitar quedas. Os cuidadores podem melhorar a segurança da pessoa com PSP, mantendo caminhos em casa longe de objetos como brinquedos, tapetes ou móveis baixos que são difíceis de ver sem olhar para baixo.

Um terapeuta ocupacional pode aconselhar sobre outras modificações domésticas para melhorar a segurança, o conforto e a usabilidade do ambiente doméstico.

Referência:

  1. 1. Barsottini OGP, Felício AC, Aquino CCH de, Pedroso JL. Progressive supranuclear palsy: new concepts. Arq Neuro-Psiquiatr [Internet]. 2010Dec;68(6):938–46. Available from: https://doi.org/10.1590/S0004-282X2010000600020

Acidente Vascular Encefálico (AVE)

O AVE – Acidente Vascular Encefálico, também conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC), acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. É uma doença que acomete mais os homens e é uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo.

Quanto mais rápido for o diagnóstico e o tratamento do AVE, maiores serão as chances de recuperação completa. Desta forma, torna-se primordial ficar atento aos sinais e sintomas e procurar atendimento médico imediato.

Existem dois tipos de AVE, que ocorrem por motivos diferentes:

  • AVE hemorrágico.

Ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVE isquêmico.

  • AVE isquêmico.

O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a uma trombose ou a uma embolia. O AVE isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.

O impacto dos Hemisférios Cerebrais

Os hemisférios cerebrais se comunicam por um feixe de fibras nervosas, conhecidas como corpo caloso, responsáveis disponibilizar a informação armazenada no córtex de um dos hemisférios à área cortical correspondente do hemisfério oposto.

Essa assimetria hemisférica torna o corpo caloso uma estrutura importante, pois proporciona a transmissão de informação entre eles.

Cada hemisfério é especializado para um tipo particular de informação. Essa especialização ocorre mesmo entre a variabilidade individual. Como exemplo, as funções matemáticas e o desenvolvimento do sentido de direção, são representados pelo hemisfério direito; a linguagem, a leitura e a escrita, pelo hemisfério esquerdo.

Dessa forma, há especializações para cada um dos hemisférios cerebrais levando a que os indivíduos apresentem, em geral, um hemisfério mais desenvolvido do que o outro denominado de hemisfério dominante.

Na prática clínica, existe a impressão de que a recuperação funcional de pacientes com AVE à esquerda é pior do que a de pacientes com AVE à direita.

Entretanto, não houve confirmação experimental desta ideia. Alguns descrevem uma menor recuperação da simetria e velocidade dos movimentos de levantar-se de uma cadeira nesse tipo de paciente, mas, como excluíram casos com déficits sensoriais e com heminegligência, os achados são de difícil interpretação.

Outros referem recuperação ligeiramente inferior do desempenho, conforme evidenciado pela medida de independência funcional, dois meses após a lesão do hemisfério esquerdo.

O impacto funcional de lesões do hemisfério direito também é grande. Pacientes com essas lesões apresentam, inicialmente, prejuízo da imagem corporal, negligência para o espaço extracorpóreo contralesional e comprometimento visuomotor.

Quais os sintomas e como começa um AVE?

Os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVE são:

  • fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
  • confusão mental;
  • alteração da fala ou compreensão;
  • alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
  • alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
  • dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Tratamento e reabilitação do AVE

O tratamento do AVE é feito nos Centros de Atendimento de Urgência, que são os estabelecimentos hospitalares que desempenham o papel de referência para atendimento aos pacientes com AVE.

A reabilitação pode ser feita nos Centros Especializados em Reabilitação (CERS). A melhor forma de tratamento, atendimento e reabilitação, que podem contar inclusive com medicamentos, devem ser prescritos por médico profissional e especialista, conforme cada caso.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS. Disponível em http://www.datasus.gov.br. 

  2. DURWARD, B.; BAER, G.; WADE, J. Acidente vascular cerebral. In: STOKES, M. Neurologia para fisioterapeutas. Bogotá: Primeiro ministro, 2000.

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Lipotimia

O que é lipotimia?

A lipotimia é uma condição médica muito confundida com a síncope (desmaios). Isso porque ambas causam alterações na percepção do corpo. Na lipotimia, o paciente se sente prestes a desmaiar, mas não chega à perda de consciência.

É como se, temporariamente, o paciente perdesse o controle sobre seus membros e sentisse, de fato, que vai perder a consciência.

Quais os sinais de lipotimia?

Além da sensação de que um desmaio é iminente, a lipotimia também pode vir acompanhada de outros sinais e sintomas, como:

  • palidez;
  • tontura;
  • suor;
  • vista que “escurece”;
  • enjoo;
  • zumbido nos ouvidos.

Quais são as causas da lipotimia?

A lipotimia pode ter várias causas e, nem sempre, elas estão relacionadas a uma condição médica ou mesmo uma doença.

Em alguns casos, a pessoa pode apresentar a lipotimia se sofrer uma forte emoção ou mesmo caso ela se levante rápido demais de uma determinada posição (na chamada hipotensão ortostática).

A lipotimia também pode estar relacionada a problemas circulatórios ou mesmo neurológicos e pode ser um sintoma de que é preciso buscar ajuda médica, em especial, caso ela se apresente após o paciente fazer algum tipo de esforço físico.

É importante ressaltar que, em boa parte dos casos de lipotimia, não é possível determinar o que causa a condição.

Como é o tratamento da lipotimia?

Geralmente, o paciente com lipotimia se recupera depois de alguns minutos em repouso, sem que haja a necessidade de tratamento.

No entanto, caso o paciente apresente vários episódios de lipotimia, pode ser recomendado realizar exames e investigar as possíveis causas da condição para que um tratamento possa ser realizado.

Primeiros socorros para a síncope

Os primeiros socorros envolvem cuidados com a vítima para que ela fique confortável e o sangue volte a circular normalmente. Confira algumas dicas de como proceder:

1. Deite o paciente e eleve suas pernas para que a circulação seja estimulada. Caso não seja possível deitá-lo, abaixe sua cabeça na altura dos joelhos.

2. Cheque o pulso do paciente para verificar a anormalidade dos batimentos cardíacos.

3. No caso de desmaio, lembre-se de colocar a pessoa com a cabeça para o lado.

Caso presencie uma síncope, procure manter a calma e focar no bem-estar da vítima. É indicado que, depois do ocorrido, o paciente seja levado imediatamente para atendimento médico, a fim de diagnosticar a causa do desmaio.

Referência:

  1. Rocha, Eduardo ArraisSíndromes neuralmente mediadas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2006, v. 87, n. 3 [Acessado 23 Julho 2022] , pp. e34-e44. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0066-782X2006001600032&gt;. Epub 16 Out 2006. ISSN 1678-4170. https://doi.org/10.1590/S0066-782X2006001600032.