Discinesia Tardia

A discinesia tardia é um distúrbio do movimento que se manifesta por contrações musculares involuntárias e repetitivas. Ela é um efeito colateral comum do uso crônico de medicamentos antipsicóticos, que são utilizados para tratar condições como esquizofrenia e transtorno bipolar.

O que causa a discinesia tardia?

A causa exata da discinesia tardia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações nos níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor importante para o movimento e o humor.

Os antipsicóticos atuam bloqueando os receptores de dopamina, o que pode levar a um desequilíbrio nesse neurotransmissor e, consequentemente, aos movimentos involuntários característicos da discinesia tardia.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da discinesia tardia podem variar em gravidade e podem afetar diferentes partes do corpo. Os mais comuns incluem:

  • Movimentos involuntários da face: como protrusão da língua, movimentos mastigatórios, piscar rápido e contorções faciais.
  • Movimentos involuntários das extremidades: como tremores, torções e movimentos rápidos e repetitivos.
  • Movimentos involuntários do tronco: como inclinações e contorções.

Quem está mais em risco?

O risco de desenvolver discinesia tardia aumenta com:

  • Uso prolongado de antipsicóticos: quanto mais tempo uma pessoa usar esses medicamentos, maior o risco.
  • Uso de altas doses de antipsicóticos: doses mais altas aumentam o risco.
  • Idade avançada: idosos são mais suscetíveis.
  • Sexo feminino: mulheres parecem ser mais propensas a desenvolver a doença.
  • História familiar de discinesia tardia: a predisposição genética pode aumentar o risco.

Como a discinesia tardia é diagnosticada?

O diagnóstico da discinesia tardia é feito por um profissional de saúde, geralmente um neurologista ou psiquiatra, com base nos sintomas do paciente e em um exame físico. Não existem exames específicos para confirmar o diagnóstico, mas a avaliação clínica é fundamental.

Qual é o tratamento?

Não existe cura para a discinesia tardia, mas o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas. As opções de tratamento incluem:

  • Redução da dose ou troca do medicamento antipsicótico: em alguns casos, reduzir a dose ou mudar para outro medicamento pode ajudar a aliviar os sintomas.
  • Uso de outros medicamentos: existem medicamentos que podem ajudar a reduzir os movimentos involuntários, mas eles podem ter efeitos colaterais significativos.
  • Terapia ocupacional: a terapia ocupacional pode ajudar o paciente a aprender a lidar com os sintomas e a realizar suas atividades diárias.

Prevenção

A melhor forma de prevenir a discinesia tardia é utilizar os antipsicóticos de forma cuidadosa e monitorar regularmente os pacientes que fazem uso desses medicamentos. É importante que os médicos pesem os benefícios e os riscos dos antipsicóticos antes de prescrevê-los e que os pacientes informem seus médicos sobre quaisquer sintomas novos ou agravantes.

Cuidados de Enfermagem

  • Monitoramento dos sintomas: O enfermeiro deve realizar avaliações regulares para identificar e documentar a gravidade dos movimentos involuntários, observando a frequência, duração e intensidade. É importante utilizar escalas de avaliação específicas para a discinesia tardia, como a Escala de Avaliação de Movimentos Involuntários (AIMS).
  • Educação do paciente e da família: É fundamental orientar o paciente e seus familiares sobre a discinesia tardia, suas causas, sintomas e tratamento. O enfermeiro deve esclarecer dúvidas, fornecer informações sobre a importância do acompanhamento médico e auxiliar na adesão ao tratamento.
  • Monitoramento dos efeitos colaterais dos medicamentos: O enfermeiro deve estar atento aos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados no tratamento da discinesia tardia, como sonolência, tontura e outros. É importante comunicar qualquer alteração ao médico responsável.
  • Promoção da segurança: Pacientes com discinesia tardia podem apresentar dificuldades para realizar atividades diárias devido aos movimentos involuntários. O enfermeiro deve adaptar o ambiente e auxiliar o paciente a realizar suas atividades com segurança, evitando quedas e outros acidentes.
  • Suporte emocional: A discinesia tardia pode causar impacto significativo na qualidade de vida do paciente e de sua família. O enfermeiro deve oferecer suporte emocional, ouvindo as queixas e preocupações do paciente e de seus familiares.
  • Encaminhamento para outros profissionais: O enfermeiro deve identificar a necessidade de encaminhamento para outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que podem auxiliar no tratamento da discinesia tardia.
  • Registro e comunicação: É essencial que o enfermeiro registre todas as observações e intervenções realizadas, comunicando-as à equipe multidisciplinar para garantir a continuidade do cuidado.

Prevenção da discinesia tardia

A prevenção da discinesia tardia é um aspecto importante dos cuidados de enfermagem. O enfermeiro deve:

  • Monitorar o uso de antipsicóticos: É fundamental monitorar o uso de antipsicóticos, observando a necessidade de ajuste da dose ou a troca do medicamento.
  • Identificar fatores de risco: O enfermeiro deve identificar os fatores de risco para o desenvolvimento da discinesia tardia, como idade avançada, sexo feminino e uso prolongado de antipsicóticos.
  • Promover a adesão ao tratamento: É importante que o enfermeiro incentive a adesão ao tratamento, esclarecendo as dúvidas do paciente e da família sobre a importância da medicação.

Referência:

  1. Andrade, L. A. F., Bertolucci, P. H. F., & Pereira, J. S.. (1984). Discinesia tardia: I. fisiopatologia e tratamento. Arquivos De Neuro-psiquiatria, 42(4), 362–370. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1984000400008

AVC Isquêmico, Hemorrágico e Transitório: As diferenças

Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando o suprimento de sangue para o cérebro é interrompido, causando danos às células cerebrais. Existem três tipos principais de AVC, cada um com suas características distintas:

AVC Isquêmico

  • Causa: Ocorre devido a um bloqueio em uma artéria que leva sangue ao cérebro, geralmente por um coágulo sanguíneo.
  • Sintomas: Os sintomas são semelhantes aos outros tipos de AVC, incluindo fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, dificuldade para falar, visão turva e confusão.
  • Tratamento: O tratamento geralmente envolve medicamentos para dissolver o coágulo, como o ativador do plasminogênio tecidual (t-PA). Em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia para remover o coágulo.

AVC Hemorrágico

  • Causa: Ocorre quando um vaso sanguíneo no cérebro se rompe, causando sangramento dentro do tecido cerebral.
  • Sintomas: Os sintomas são semelhantes ao AVC isquêmico, mas a dor de cabeça súbita e intensa é mais comum.
  • Tratamento: O tratamento depende da localização e da gravidade do sangramento. Pode envolver medicamentos para controlar a pressão arterial, cirurgia para reparar o vaso sanguíneo ou procedimentos para drenar o sangue.

Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

  • Causa: Também chamado de “mini AVC”, ocorre quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é temporariamente interrompido, geralmente por um coágulo pequeno que se dissolve rapidamente.
  • Sintomas: Os sintomas são os mesmos do AVC, mas duram menos de 24 horas e geralmente desaparecem completamente.
  • Importância: Embora os sintomas sejam temporários, o AIT é um sinal de alerta para um possível AVC futuro. É crucial procurar atendimento médico imediatamente.

Em resumo:

Característica AVC Isquêmico AVC Hemorrágico AIT
Causa Bloqueio de uma artéria Ruptura de um vaso sanguíneo Bloqueio temporário de uma artéria
Sintomas Fraqueza, dificuldade para falar, visão turva, confusão Semelhantes ao AVC isquêmico, mas com dor de cabeça intensa Semelhantes ao AVC, mas duram menos de 24 horas
Tratamento Medicamentos para dissolver o coágulo, cirurgia Medicamentos, cirurgia, drenagem Não há tratamento específico, mas é importante procurar atendimento médico

É fundamental lembrar que o tempo é crucial no tratamento do AVC. Quanto mais rápido o paciente receber atendimento médico, maiores são as chances de recuperação.

Referência:

  1. Rede D´Or

Tudo sobre a Neuralgia do Trigêmeo

A neuralgia do trigêmeo é uma condição dolorosa que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. Essa condição se caracteriza por dores intensas e repentinas, que podem ser descritas como choques elétricos ou facadas. A dor geralmente se concentra em uma área específica do rosto, como a bochecha, queixo ou testa.

O que causa a neuralgia do trigêmeo?

A causa exata da neuralgia do trigêmeo nem sempre é conhecida, mas a principal causa identificada é a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo. Essa compressão pode causar inflamação e irritação do nervo, levando às dores características.

Outras possíveis causas incluem:

  • Esclerose múltipla: Uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso central.
  • Tumores: Tanto no cérebro quanto nos nervos cranianos.
  • Infecções: Como herpes zoster.
  • Trauma: Lesões na cabeça ou rosto.

Quais são os sintomas da neuralgia do trigêmeo?

Os principais sintomas da neuralgia do trigêmeo são:

  • Dores intensas e repentinas: As crises podem durar de alguns segundos a alguns minutos.
  • Gatilhos: A dor pode ser desencadeada por atividades como mastigar, falar, escovar os dentes ou até mesmo uma brisa leve no rosto.
  • Áreas afetadas: A dor geralmente se concentra em uma das três divisões do nervo trigêmeo: oftálmica (testa e olho), maxilar (bochecha) ou mandibular (queixo e lábios).

Como a neuralgia do trigêmeo é diagnosticada?

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é feito por um neurologista, com base nos sintomas relatados pelo paciente e em exames complementares, como:

  • Ressonância magnética: Para identificar a compressão do nervo por um vaso sanguíneo ou outras possíveis causas.
  • Tomografia computadorizada: Pode ser utilizada para avaliar a estrutura óssea e identificar possíveis lesões.

Tratamentos para a neuralgia do trigêmeo

O tratamento da neuralgia do trigêmeo varia de acordo com a gravidade dos sintomas e a causa da doença. As opções de tratamento incluem:

  • Medicamentos:
    • Carbamazepina e gabapentina: Os medicamentos mais utilizados para controlar a dor.
    • Outros medicamentos: Baclofeno, oxcarbazepina, pregabalina, etc.
  • Tratamentos minimamente invasivos:
    • Injeções de botox: A toxina botulínica pode bloquear a transmissão dos sinais de dor.
    • Radiofrequência: Um procedimento que utiliza ondas de rádio para destruir as fibras nervosas que transmitem a dor.
  • Cirurgia:
    • Descompressão microvascular: Um procedimento cirúrgico para aliviar a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo.
    • Rizotomia: Um procedimento que destrói as raízes do nervo trigêmeo para interromper a transmissão da dor.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação da dor:

    • Utilizar escalas de dor adequadas para monitorar a intensidade e frequência das crises dolorosas.
    • Identificar os fatores desencadeantes da dor (estímulos táteis, mastigação, fala).
    • Avaliar a eficácia dos medicamentos e outras intervenções para o controle da dor.

Administração de medicamentos:

    • Administrar os medicamentos prescritos pelo médico, como analgésicos, anticonvulsivantes e outros, de acordo com a prescrição médica.
    • Monitorar os efeitos colaterais dos medicamentos.

Promoção do conforto:

    • Criar um ambiente tranquilo e calmo para o paciente.
    • Auxiliar em atividades de higiene e conforto.
    • Ensinar técnicas de relaxamento e distração para ajudar a aliviar a dor.

Orientações sobre autocuidado:

    • Ensinar o paciente a identificar e evitar os fatores desencadeantes da dor.
    • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia durante as crises dolorosas.
    • Incentivar a prática de atividades físicas leves, como caminhadas, quando a dor estiver controlada.

Promoção da saúde bucal:

    • Orientar sobre a importância da higiene bucal adequada, pois problemas dentários podem desencadear crises de dor.

Suporte psicológico:

    • Oferecer escuta ativa e empatia ao paciente e sua família.
    • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Educação sobre a doença:

    • Explicar a fisiopatologia da neuralgia do trigêmeo de forma clara e concisa.
    • Informar sobre as opções de tratamento disponíveis, incluindo medicamentos, terapias e procedimentos cirúrgicos.
    • Esclarecer dúvidas sobre a doença e o tratamento.

Diagnósticos de enfermagem:

  • Dor crônica relacionada à neuralgia do trigêmeo.
  • Déficit no autocuidado relacionado à fadiga e à dor.
  • Ansiedade relacionada ao diagnóstico e à dor crônica.
  • Distúrbio do sono relacionado à dor e ao desconforto.

Intervenções de enfermagem:

  • Administrar analgésicos de acordo com a prescrição médica.
  • Ensinar técnicas de relaxamento e distração.
  • Promover um ambiente tranquilo e livre de estímulos.
  • Auxiliar o paciente em atividades de higiene e conforto.
  • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia.
  • Estimular a prática de atividades físicas leves.
  • Oferecer suporte emocional ao paciente e sua família.
  • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Qual é o prognóstico da neuralgia do trigêmeo?

O prognóstico da neuralgia do trigêmeo varia de caso para caso. Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes experimenta alívio da dor. No entanto, a doença pode ser crônica e exigir tratamento contínuo.

Importante: É fundamental buscar atendimento médico especializado para um diagnóstico preciso e tratamento adequado da neuralgia do trigêmeo.

Referências:

  1. Dr. Erich Fonoff: https://www.erichfonoff.com.br/neuralgia-do-trigemeo/
  2. Rede D’Or São Luiz: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/neuralgia-do-trigemeo
  3. Alves, T. C. A., Azevedo, G. S., & Carvalho, E. S. de .. (2004). Tratamento famacológico da neuralgia do trigêmeo: revisão sistemática e metanálise. Revista Brasileira De Anestesiologia, 54(6), 836–849. https://doi.org/10.1590/S0034-70942004000600015
  4. Revista FT: https://revistaft.com.br/os-cuidados-de-enfermagem-ao-paciente-com-dor-cronica-neuralgia-do-trigemeo-depressao-e-o-cuidado-da-enfermagem/

Doença e Síndrome de Moyamoya

A Doença de Moyamoya é uma condição cerebrovascular rara e progressiva que se caracteriza pelo estreitamento das artérias carótidas internas e seus ramos.

Este estreitamento leva à formação de uma rede de vasos sanguíneos colaterais na base do cérebro, que tentam compensar a redução do fluxo sanguíneo.

A origem do nome

O nome “Moyamoya” vem do japonês e significa “nuvem de fumaça”, uma alusão à aparência nebulosa desses vasos colaterais em exames de imagem.

Causas e Fisiopatologia

Embora a etiologia exata da Doença de Moyamoya seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos possam desempenhar um papel importante, especialmente em indivíduos de origem japonesa.

A doença pode estar associada a outras condições, como neurofibromatose, anemia falciforme e síndrome de Down.

Na Doença de Moyamoya, ocorre um estreitamento crônico das artérias carótidas internas, levando a um suprimento sanguíneo insuficiente ao cérebro e, consequentemente, a uma carência de oxigênio.

Para compensar, o cérebro desenvolve uma rede de vasos colaterais. No entanto, esses vasos são mais frágeis e podem romper, causando hemorragias cerebrais.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da Doença de Moyamoya variam, mas frequentemente incluem ataques isquêmicos transitórios, acidentes vasculares cerebrais e, em alguns casos, hemorragias cerebrais.

Em crianças, pode ocorrer declínio intelectual, convulsões e movimentos involuntários.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada, que revelam o estreitamento das artérias e a presença da rede vascular anormal.

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da Doença de Moyamoya é principalmente cirúrgico, visando restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao cérebro.

As opções incluem procedimentos como a anastomose direta e a encefaloduroarteriossinangiose indireta.

O prognóstico da doença varia. Sem tratamento, pode levar a complicações graves e até fatais. No entanto, com intervenção cirúrgica adequada e acompanhamento médico, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal.

Alguns Cuidados

  • Monitoramento Neurológico: Observar sinais de déficits neurológicos, como fraqueza, alterações na fala ou convulsões.
  • Prevenção de AVC: Acompanhar sinais vitais e realizar exames periódicos para detectar sinais precoces de acidente vascular cerebral.
  • Cuidados Pós-Operatórios: Após a cirurgia de revascularização, é importante monitorar sinais de infecção, garantir a administração adequada de medicamentos e avaliar a cicatrização.
  • Educação do Paciente e Família: Informar sobre a doença, o tratamento e as medidas preventivas para evitar lesões que possam levar a sangramentos.

Estes são aspectos gerais e cada paciente pode necessitar de cuidados específicos. É importante seguir as orientações da equipe médica e manter uma comunicação efetiva com todos os envolvidos no tratamento.

Referências:
  1. https://www.scielo.br/j/anp/a/73Y3WPvVXtwT77hZHgZSM4f/?format=pdf
  2. https://victorbarboza.com.br/doenca-de-moyamoya/

Hematoma Subdural ou Epidural: Como Diferenciar

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 12/09/2026.

Na avaliação neurológica, uma diferença de poucas palavras pode mudar completamente a interpretação de um traumatismo craniano. Saber onde o sangue se acumula ajuda, mas reconhecer a evolução neurológica e o efeito de massa é o que realmente importa diante de um paciente que começa a piorar.

Onde cada hematoma acontece?

O hematoma epidural (extradural) ocorre entre o crânio e a dura-máter. Já o hematoma subdural se forma entre a dura-máter e a aracnoide.

No epidural, o sangramento está frequentemente relacionado a lesões arteriais, especialmente da artéria meníngea média, embora também possa ter origem venosa. No subdural agudo, é comum o rompimento de veias que atravessam o espaço subdural, principalmente após aceleração, desaceleração ou trauma craniano.

A imagem da tomografia entrega uma pista importante

Na TC de crânio, o hematoma epidural agudo costuma aparecer como uma coleção biconvexa ou lentiforme, geralmente limitada pelas suturas.

O hematoma subdural agudo apresenta classicamente aspecto crescentiforme, em meia-lua, podendo acompanhar uma extensão maior da superfície cerebral.

Essa diferença é excelente para memorizar para uma prova, mas a interpretação da imagem não deve ser feita isoladamente: localização, espessura, desvio da linha média, edema e sinais de herniação também precisam ser avaliados.

O quadro clínico pode mudar rapidamente

O hematoma epidural pode apresentar deterioração neurológica rápida e, em alguns casos, ocorrer o clássico intervalo lúcido: o paciente perde a consciência inicialmente, recupera-se parcialmente e depois volta a apresentar piora. Esse padrão é importante, mas não está presente em todos os casos.

No hematoma subdural agudo, podem ocorrer cefaleia, vômitos, sonolência, confusão, alteração da fala, déficit motor, convulsões e redução progressiva do nível de consciência. Em idosos, especialmente aqueles em uso de anticoagulantes ou antiagregantes, um trauma aparentemente pequeno pode produzir um hematoma clinicamente importante.

É justamente em uma mudança aparentemente discreta que a avaliação de enfermagem ganha peso. Um paciente que chegou conversando após uma queda e, algum tempo depois, passa a responder mais lentamente, apresentar anisocoria ou reduzir sua pontuação na Escala de Coma de Glasgow não deve ser tratado como “apenas sonolento”. Essa alteração precisa ser reconhecida, registrada e comunicada imediatamente.

Subdural e epidural: compare sem confundir

Característica Epidural Subdural
Localização Entre crânio e dura-máter Entre dura-máter e aracnoide
Sangramento típico Frequentemente arterial Frequentemente venoso
TC de crânio Biconvexo/lentiforme Crescente/meia-lua
Relação com suturas Geralmente limitado pelas suturas Pode se estender pela superfície cerebral
Evolução Pode ser rápida Aguda, subaguda ou crônica
Achado clássico Possível intervalo lúcido Pode haver deterioração progressiva
Conduta Observação ou cirurgia conforme critérios Observação ou cirurgia conforme critérios

A principal armadilha é transformar essa tabela em regra absoluta. Nem todo epidural é arterial, nem todo subdural evolui lentamente, e a presença ou ausência de intervalo lúcido não confirma ou exclui o diagnóstico.

Quando a cirurgia entra em cena?

A decisão depende da combinação entre avaliação neurológica e achados da TC.

Nas recomendações da Brain Trauma Foundation, um hematoma epidural maior que 30 cm³ deve ser evacuado cirurgicamente independentemente da Escala de Coma de Glasgow. Hematomas menores podem ser acompanhados em ambiente neurocirúrgico quando apresentam espessura inferior a 15 mm, desvio da linha média inferior a 5 mm, Glasgow acima de 8 e ausência de déficit focal.

Para o hematoma subdural agudo, espessura superior a 10 mm ou desvio da linha média superior a 5 mm são critérios de indicação cirúrgica independentemente da Glasgow. Mesmo abaixo desses valores, deterioração da Glasgow, alterações pupilares ou hipertensão intracraniana podem modificar a conduta.

Esses números são critérios de referência para o trauma craniano e não significam que a equipe de enfermagem deva decidir pela cirurgia. Eles ajudam o profissional a entender por que uma alteração na TC associada à deterioração neurológica pode representar uma emergência neurocirúrgica.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve manter avaliação neurológica seriada, observando nível de consciência, pupilas, resposta motora, fala e alterações em relação ao exame anterior. Sinais vitais, oxigenação, glicemia quando indicada, controle da dor, prevenção de novas lesões e acompanhamento de vômitos ou convulsões também fazem parte da assistência.

Qualquer redução do nível de consciência, nova anisocoria, déficit motor, convulsão ou mudança respiratória deve ser comunicada rapidamente. O paciente também precisa ser protegido contra hipóxia e hipotensão, fatores que podem agravar a lesão cerebral secundária.

Na prática de terapia intensiva, a mudança mais útil nem sempre é uma grande alteração de Glasgow. Uma pupila que antes era isocórica e passa a apresentar diferença de tamanho, por exemplo, pode ser o primeiro sinal que chama atenção da equipe antes de uma deterioração neurológica mais evidente. É exatamente por isso que comparar o exame atual com os registros anteriores é tão importante.

Para memorizar de uma vez

! Atenção na Prova

Epidural = entre crânio e dura + imagem lentiforme/biconvexa.

Subdural = entre dura e aracnoide + imagem em crescente/meia-lua.

E uma regra clínica merece ficar junto da regra de prova: a evolução neurológica importa tanto quanto o nome do hematoma. Uma alteração pupilar ou queda do nível de consciência pode exigir resposta imediata, independentemente de o sangramento ser epidural ou subdural.

Resumo para salvar

Hematoma Subdural ou Epidural

  • Epidural fica entre crânio e dura-máter
  • Subdural fica entre dura-máter e aracnoide
  • Na TC o epidural é geralmente biconvexo e o subdural é crescente
  • Alteração neurológica ou pupilar exige resposta rápida

Referências:

  1. BRAIN TRAUMA FOUNDATION. Guidelines for the Surgical Management of Traumatic Brain Injury. New York: Brain Trauma Foundation. Disponível em: https://braintrauma.org/coma/guidelines/surgical.
  2. FAILLOT, Matthieu et al. Neurosurgical management of the acute phase of adult and pediatric traumatic brain injury: 2025 guidelines of the French Society of Neurosurgery. Neurochirurgie, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0028377025000591.
  3. LACERDA, F. H.; RAHHAL, H.; SOARES, L. J.; UREÑA, F. del R. M.; PARK, M. Seguimento de hematoma epidural intracraniano com ultrassonografia bidimensional. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 29, n. 2, p. 259-260, 2017. DOI: 10.5935/0103-507X.20170036. Disponível em: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20170036.
  4. STATPEARLS. Subdural Hematoma. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532970/.

Espasticidade Muscular

A espasticidade é um distúrbio frequente nas lesões congênitas ou adquiridas do sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal). Tem potencial incapacitante, podendo produzir dificuldades funcionais, deformidades e dor.

A espasticidade acomete milhões de pessoas em todo o mundo e a incidência está intimamente relacionada com as doenças correspondentes. Não há dados epidemiológicos oficiais no Brasil.

Causas

A espasticidade ocorre no acidente vascular cerebral, traumatismo crânio encefálico, lesão medular e na paralisia cerebral. Também pode estar presente em neoplasias do sistema nervoso, em doenças heredo-degenerativas e desmielinizantes.

Sintomas

Caracteriza-se por um aumento do tônus muscular e exacerbação dos reflexos, que se acentuam quando há maior velocidade ou resistência no movimento.

Dificulta o posicionamento adequado do indivíduo, podendo interferir em atividades de vida diária, como alimentação, vestuário, higiene, transferências e locomoção. Quando não tratada, pode levar à contraturas, rigidez, luxações, dor e deformidades.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico: ao exame físico, o médico gradua o tônus muscular (escala de ashworth modificada é a mais utilizada) com níveis que variam do tônus normal à rigidez conforme a resistência muscular contra a movimentação passiva do segmento afetado. Utiliza-se também a goniometria (medida do arco de movimento da articulação afetada), testes de habilidades de membros superiores, escalas funcionais que demonstrem a interferência nas atividades de vida diária, presença de dor e avaliação quantitativa de força muscular.

Em pacientes deambuladores, é de suma importância a análise da interferência da hipertonia no padrão através de observação clinica, sendo eventualmente necessária a realização de uma análise tridimensional especifica e especializada no Laboratório de Marcha.

Tratamento

É preciso considerar que não existe um tratamento de cura para a espasticidade: visa adequação do tônus às necessidades do paciente e deve estar inserido dentro de um programa de reabilitação, com foco na diminuição da incapacidade do indivíduo e na sua evolução funcional.

São utilizados recursos de fisioterapia e de terapia ocupacional, como cinesioterapia, mecanoterapia, mobilização articular, medicina física (crioterapia, termoterapia, eletroterapia), biofeedback, estimulação elétrica funcional, hidroterapia, equoterapia e uso de órteses para um posicionamento adequado.

Existem diversos medicamentos utilizados para o relaxamento muscular. É necessário ponderar a relação custo benefício quanto aos efeitos colaterais, praticidade no uso e interação medicamentosa dessas drogas.

Procedimentos mais invasivos, como bloqueios químicos com fenol e/ou toxina botulínica e procedimentos cirúrgicos no sistema nervoso ou sistema musculoesquelético são geralmente sugeridos quando os outros recursos não surtiram efeito ou estão contraindicados

​Prevenção

Tratamento de reabilitação precoce, em fase hospitalar, acompanhamento médico periódico, uso de medicação e de órteses prescritas. A espasticidade pode ser influenciada por fatores externos e, quando se acentua, pode estar relacionada à presença de infecção, dor ou lesão, especialmente em pacientes portadores de alterações sensitivas. Por este motivo pode representar um alerta, assim como o são a dor e a febre.

Convivendo com o problema

Nem sempre a espasticidade precisa ser tratada: muitos pacientes a usam como auxilio da sua função motora; quando sob controle, pode ainda prevenir a atrofia muscular intensa, diminuir a perda de massa óssea e o edema.

​O aumento do tônus muscular pode contribuir para estabilização articular, melhora postural, mudanças de decúbito e transferências. Deve, portanto, ser modulada e não totalmente eliminada.

Referência:

  1. TEIVE, H. A. G., ZONTA, M., & KUMAGAI, Y.. (1998). Tratamento da espasticidade: uma atualização. Arquivos De Neuro-psiquiatria, 56(4), 852–858. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1998000500025

Opistótono Vs Emprostótono

Emprostótono e opistótono são dois tipos de espasmos musculares que podem ocorrer em algumas condições clínicas graves.

Características e diferenças

Emprostótono é a contração tetânica dos músculos flexores do tronco que faz curvar o corpo para diante. Opistótono é o espasmo da coluna vertebral e as extremidades que se curvam para frente, resultando em posição de arco, apoiado pela parte de trás da cabeça e calcanhares .

Geralmente, o opistótono e o emprostóstomo são sintomas de tétano, mas também pode ser causado por meningite, lesão do sistema nervoso, deficiência do hormônio do crescimento, doenças metabólicas, convulsões, lesões graves na cabeça, hemorragia subaracnóidea, intoxicação pela estricnina, entre outras . Ambos os espasmos são emergências médicas que requerem tratamento imediato.

Referências:

  1. Tapajós, R.. (2011). Trismo, opistótono e riso sardônico: quem se lembra dessa doença?. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 23(4), 383–387. https://doi.org/10.1590/S0103-507X2011000400001

Síndrome de Encarceramento

A Síndrome do Encarceramento, ou Síndrome de Locked-In, é uma doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras.

Nesta doença, o paciente fica ‘preso’ dentro do seu próprio corpo, sem conseguir se movimentar ou comunicar, mas continua consciente, percebendo tudo o que acontece à sua volta e a sua memória continua intacta.

Esta síndrome não tem cura, porém existem procedimentos que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida da pessoa, como uma espécie de capacete que consegue identificar o que a pessoa está precisando, para que possa ser atendida.

Sintomas

Os sintomas da Síndrome do Encarceramento podem ser:

  • Paralisia dos músculos do corpo;
  • Incapacidade de falar e de mastigar;
  • Braços e pernas rígidas e esticadas.

Geralmente, os pacientes conseguem somente movimentar os olhos para cima e para baixo, pois até mesmo os movimentos laterais dos olhos estão comprometidos. A pessoa também sente dor, mas não consegue se comunicar e por isso não consegue esboçar nenhum movimento, como se não tivesse sentindo nenhuma dor.

O diagnóstico é feito com base nos sinais e sintomas apresentados e pode ser confirmado com exames, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, por exemplo.

O que causa essa síndrome?

As causas da Síndrome do Encarceramento podem ser lesões cerebrais traumáticas, após um AVC, efeitos colaterais de medicamentos, esclerose lateral amiotrófica, traumatismos cranianos, meningite, hemorragia cerebral ou mordida de cobra.

Nesta síndrome, as informações que o cérebro emite para o corpo não são totalmente captadas pelas fibras musculares e por isso o corpo não responde às ordens enviadas pelo cérebro.

Como é feito o tratamento?

O tratamento da Síndrome do Encarceramento não cura a doença, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da pessoa.

Atualmente, para facilitar a comunicação são utilizadas tecnologias que conseguem traduzir através de sinais, como piscar de olhos, o que a pessoa está pensando em palavras, permitindo que a outra pessoa o entenda. Outra possibilidade é usar uma espécie de touca com eletrodos na cabeça que interpreta o que a pessoa está pensando para que possa ser atendida.

Pode ser usado também um pequeno aparelho que possui eletrodos que são colados na pele que são capazes de promover uma contração muscular para reduzir a sua rigidez, mas dificilmente a pessoa consegue recuperar os movimento e a maior parte morre no primeiro ano após ter surgido a doença.

A causa da morte mais comum é devido ao acumulo de secreções nas vias respiratórias, que acontece naturalmente quando a pessoa não se movimenta.

Assim, para melhorar a qualidade de vida e evitar este acumulo de secreções é indicado que a pessoa faça fisioterapia motora e respiratória pelo menos 2 vezes ao dia. Uma máscara de oxigênio pode ser usada para facilitar a respiração e a alimentação deve ser feita por sonda, sendo necessário uso de fraldas para conter a urina e as fezes.

Os cuidados devem ser os mesmos de uma pessoa acamada inconsciente e se a família não prestar este tipo de cuidados a pessoa pode falecer devido a infecções ou acumulo de secreções nos pulmões, que podem causar pneumonia.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Cuidados de suporte;
  • Treinamento em comunicação;
  • Cuidados de suporte são a base do tratamento para pacientes com síndrome de encarceramento e devem incluir:
  • Prevenção de doenças sistêmicas devido à imobilização (p. ex., pneumonia, infecção do trato urinário, doenças tromboembólicas);
  • Proporcionar boa nutrição;
  • Prevenir o desenvolvimento de úlceras de pressão;
  • Fornecer fisioterapia para prevenir contraturas nos membros.

Referências:

  1.  Milekovic T, Sarma AA, Bacher D, et al: Stable long-term BCI-enabled communication in ALS and locked-in syndrome using LFP signals. J Neurophysiol 120 (1):343–360, 2018.
  2. Bruno MA, Nizzi MC, Laureys S, Grosseries O. Chapter 12 – Consciousness in the Locked-In Syndrome. The Neurology of Conciousness (Second Edition). Academic Press, 2016. Pages 187-202

Microcefalia

A microcefalia é um raro distúrbio neurológico no qual o cérebro da criança não se desenvolve completamente. Com isso, o tamanho da cabeça é menor do que o esperado. A microcefalia pode estar presente no nascimento ou pode ser adquirida nos primeiros anos de vida.

A criança com microcefalia geralmente tem diferentes graus de deficiência intelectual, assim, um pequeno percentual de crianças não terão nenhum tipo de atraso no desenvolvimento.

As crianças com essa condição também pode ter um atraso na fala e nas funções motoras, nanismo ou baixa estatura, deficiência visual ou auditiva, e/ou outros problemas associados com anormalidades neurológicas.

Existem várias causas potenciais para a microcefalia, incluindo:

  • Infecções perinatais maternas, incluindo  rubéola e Zika vírus;
  • Distúrbio cromossômico, incluindo síndrome de Down;
  • Craniossinostose, um defeito de nascença identificado pelo fechamento prematuro de uma ou mais juntas entre os ossos do crânio antes do completo crescimento cerebral
  • Meningite bacteriana;
  • Uso abusivo de drogas e álcool durante a gravidez;
  • Exposição química ou à radiação.

Existe também uma suspeita de conexão entre o Zika vírus e a microcefalia, devido ao nível significante de crianças vistas com essa doença em países afetados, desde que o vírus começou a se espalhar.

Fatos principais sobre a Microcefalia

  • A microcefalia ocorre mais frequentemente quando o cérebro para de crescer até a taxa normal; o crescimento do crânio é determinado pelo tamanho do cérebro.
  • Não há tratamento para reverter a microcefalia, exceto uma cirurgia para craniossinostose. Programas de intervenção com a fala, terapeutas ocupacionais e físicos podem ajudar as crianças afetadas.
  • Em casos de microcefalia com uma conexão genética, conselheiros genéticos podem ajudar a determinar o risco de microcefalia.

Diagnóstico

Após o nascimento, os recém-nascidos passam pelo primeiro exame físico – é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento.

Este é um dos principais momentos para se realizar a busca de possíveis anomalias congênitas. Também é possível diagnosticar a microcefalia no pré-natal, porém, somente o médico que está acompanhando a grávida poderá indicar o método de imagem mais adequado.

Ao nascimento, os bebês com suspeita de microcefalia serão submetidos a exame físico e medição do perímetro cefálico. São considerados microcefálicos os bebês não prematuros com perímetro cefálico menor de 32 centímetros.

Eles serão submetidos a exames neurológicos e de imagem, sendo a Ultrassonografia Transfontanela a primeira opção indicada, e, a tomografia, quando a moleira estiver fechada.

Tratamento

Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança. A estimulação precoce visa à maximização do potencial de cada criança, englobando o crescimento físico e a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva, que poderão ser prejudicados pela microcefalia.

Os nascidos com microcefalia receberão a estimulação precoce em serviços de reabilitação distribuídos em todo o país, nos Centros Especializados de Reabilitação (CER), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e Ambulatórios de Seguimento de Recém-Nascidos.

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Paralisia Supranuclear Progressiva

Vá direto ao ponto!

A paralisia supranuclear progressiva (PSP) é uma doença neurodegenerativa rara que afeta algumas áreas do cérebro, especialmente os gânglios basais e o tronco cerebral.

Essas áreas são responsáveis por controlar os movimentos voluntários, a postura, o equilíbrio e as funções vitais.

Sinais

A PSP provoca a morte gradual de neurônios nessas regiões, causando sintomas como:

  • rigidez muscular,
  • lentidão dos movimentos,
  • dificuldade para movimentar os olhos,
  • quedas frequentes,
  • alterações da fala, da deglutição e da expressão facial,
  • além de comprometimento das capacidades mentais, como memória, pensamento e personalidade.

Costuma se manifestar após os 60 anos de idade, mas pode ocorrer mais cedo em alguns casos.

Causa

Ao presente momento, a causa da Paralisia Supranuclear Progressiva é o depósito anormal de uma proteína denominada “tau”, que é tóxica e acarreta lesão cerebral.

A presença da proteína tau compõe um grupo de doenças degenerativas denominadas “tauopatias”: uma classe de doenças neurodegenerativas que inclui a doença de Alzheimer, degeneração corticobasal entre outras.

Os depósitos da proteína tau no cérebro de pacientes com PSP se assemelham aos depósitos encontrados na doença de Alzheimer com atrofia e comprometimento de diversas áreas cerebrais. No entanto, na Paralisia Supranuclear Progressiva a principal área afetada é o mesencéfalo, estrutura importante para o equilíbrio, movimentação dos olhos e agilidade nos movimentos.

Tratamento

Apesar dos diversos avanços da Neurologia, o tratamento da Paralisia Supranuclear Progressiva ainda é um desafio. Nenhum medicamento ou terapia curativa foi desenvolvido.

Todos precisamos de apoio. O acompanhamento médico provê o acolhimento que todo ser humano precisa. O tratamento oferecido busca aliviar sintomas e esclarecer a condição.  A atual estratégia de tratamento da PSP inclui:

  • Alguns medicamentos para rigidez e lentidão como Levodopa, amantadina, amitriptilina, desipramina e ioimbina.
  • Toxina Botulínica para tratar espasmos palpebrais, outros tipos de distonia e salivação excessiva.
  • Fisioterapia motora voltada para o equilíbrio
  • Fonoaudiologia para problemas de fala e deglutição
  • Lágrimas artificiais podem ajudar a evitar a secura dos olhos que pode ocorrer devido à diminuição do piscar.

Algumas pesquisas clínicas tentaram utilizar terapia com células-tronco para pacientes com Paralisia Supranuclear Progressiva, mas os resultados e segurança da técnica ainda são incertos.

Da mesma forma, a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda que pode ajudar muito pacientes com Doença de Parkinson, também não exerce nenhum efeito benéfico para PSP.

O fonoaudiólogo pode ensinar técnicas de deglutição mais seguras, aconselhar sobre a necessidade de gastrostomia, oferecer dispositivos de comunicação alternativos. Os audiolivros são uma alternativa quando a leitura não é mais possível.

Um andador pode ajudar a evitar quedas. Os cuidadores podem melhorar a segurança da pessoa com PSP, mantendo caminhos em casa longe de objetos como brinquedos, tapetes ou móveis baixos que são difíceis de ver sem olhar para baixo.

Um terapeuta ocupacional pode aconselhar sobre outras modificações domésticas para melhorar a segurança, o conforto e a usabilidade do ambiente doméstico.

Referência:

  1. 1. Barsottini OGP, Felício AC, Aquino CCH de, Pedroso JL. Progressive supranuclear palsy: new concepts. Arq Neuro-Psiquiatr [Internet]. 2010Dec;68(6):938–46. Available from: https://doi.org/10.1590/S0004-282X2010000600020