
Vá direto ao ponto!
Retirar um curativo exige tanto cuidado quanto aplicá-lo. Quando a fita é puxada rapidamente ou o material está aderido à ferida, a pele pode sofrer lesões, sangrar e ficar ainda mais sensível, dificultando as próximas trocas. Por isso, a remoção deve ser lenta, controlada e adaptada às condições da pele e do ferimento.
Técnica correta para remover o curativo
Antes de começar, higienize as mãos, organize os materiais e explique o procedimento ao paciente. Em seguida, levante delicadamente uma das extremidades e retire o adesivo devagar, mantendo a pele apoiada com a outra mão. Sempre que possível, puxe a fita paralelamente à superfície da pele, dobrando-a sobre si mesma, em vez de tracioná-la para cima. Essa técnica ajuda a reduzir a tensão e o risco de arrancamento superficial da pele. Quando necessário, utilize um removedor de adesivos próprio para uso clínico, conforme as orientações do fabricante e o protocolo institucional.
Imagine um paciente idoso com a pele fina e equimoses nos braços: ao retirar uma fita microporosa de uma só vez, pequenas áreas da epiderme podem se desprender. Nessa situação, a pele deve ser sustentada durante a retirada e o adesivo removido em pequenos trechos, sem movimentos bruscos. Se houver resistência, interrompa a tração e aplique o método de remoção adequado ao material utilizado.
Quando a gaze está grudada na ferida
A gaze aderida não deve ser arrancada à força. Quando o tipo de curativo e a condição da ferida permitirem, umedeça o material com solução indicada pelo protocolo, frequentemente solução fisiológica 0,9%, e aguarde até que se solte com facilidade. A escolha do líquido deve considerar a orientação clínica, pois nem todo curativo pode ser umedecido indiscriminadamente. Se a retirada provocar dor intensa, sangramento ou resistência persistente, pare e reavalie a técnica.
Em outra situação possível no plantão, uma gaze pode estar presa a uma ferida com tecido de granulação recente. Puxá-la rapidamente pode causar sangramento e lesar o tecido em cicatrização. O mais seguro é umedecer conforme a indicação, aguardar e retirar progressivamente, observando a resposta do paciente.
Cuidados de enfermagem
Durante a retirada, observe a integridade da pele ao redor, a presença de sangramento, secreção, odor, dor e sinais de infecção. Preserve a técnica asséptica ou limpa conforme a indicação clínica e o protocolo institucional, evitando tocar desnecessariamente no leito da ferida. Ao final, registre as condições observadas e a tolerância do paciente ao procedimento.
Curativos com adesivos especiais, feridas cirúrgicas recentes, pele extremamente frágil ou lesões com sangramento exigem atenção individualizada. Se houver suspeita de reação ao adesivo ou lesão cutânea, a escolha do material utilizado nas próximas trocas deverá ser reavaliada pela equipe responsável.
Retirar um curativo com segurança não é questão de força, e sim de técnica, tempo e avaliação. Uma remoção cuidadosa preserva a pele, reduz o desconforto e contribui para a continuidade do tratamento.
Como Retirar Curativos sem Ferir a Pele
- Retire o adesivo lentamente e mantenha a pele apoiada
- Use removedor de adesivos quando indicado
- Umedeça a gaze aderida somente quando apropriado
- Observe dor, sangramento e integridade da pele
Referências:
- GUY’S AND ST THOMAS’ NHS FOUNDATION TRUST. Caring for your surgical wound at home. Disponível em: https://www.guysandstthomas.nhs.uk/health-information/caring-your-surgical-wound-home.
- ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Clinical practice guidelines: wound dressings – acute traumatic wounds. Disponível em: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Wound_dressings_acute_traumatic_wounds/.
- WOUNDS INTERNATIONAL. Best practice statement: management of lower limb skin tears in adults. 2020. Disponível em: https://www.gloshospitals.nhs.uk/media/documents/best-practice-statement-management-lower-limb-skin-tears-adults.pdf.
Classificação de Feridas
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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