
Vá direto ao ponto!
Quando uma paciente diz que vai embora do hospital, a primeira atitude da equipe não deve ser bloquear a saída ou discutir. É necessário entender o motivo da decisão, avaliar a capacidade de compreensão e identificar riscos imediatos. Medo, dor, demora no atendimento, responsabilidades familiares ou insatisfação podem estar por trás da vontade de sair, e a abordagem inicial pode evitar que a situação se agrave.
Escute antes de tomar qualquer atitude
Quando uma paciente manifesta o desejo de deixar o hospital antes da alta, a equipe precisa agir rapidamente para compreender a situação e reduzir riscos. Pergunte o motivo da decisão, escute sem julgamentos e verifique se há dor, medo, insatisfação com o atendimento, preocupação familiar ou dificuldade para compreender o tratamento. O acolhimento pode abrir espaço para uma solução segura, conforme os direitos do paciente previstos na legislação brasileira.
Imagine uma paciente internada que começa a retirar o acesso venoso e afirma que precisa ir para casa cuidar dos filhos. Em vez de discutir ou repreendê-la, o profissional deve ouvir sua preocupação, explicar que a equipe precisa avaliar os riscos da saída e chamar o enfermeiro responsável para conversar com ela. Quando possível, devem ser exploradas alternativas que atendam às necessidades relatadas sem comprometer a assistência.
Avalie os riscos e comunique a equipe
Se a paciente insistir em sair, é necessário avaliar sua condição clínica, sua compreensão das consequências e a existência de sinais de confusão, alteração de consciência ou outra condição que possa comprometer a tomada de decisão. O médico responsável deve ser comunicado para avaliar a situação, explicar os riscos e orientar a conduta. A decisão e as medidas adotadas devem ser registradas no prontuário, conforme o protocolo institucional.
Por exemplo, se uma paciente com falta de ar importante tentar deixar a unidade, a equipe deve acionar imediatamente o atendimento clínico, explicar a gravidade potencial e oferecer assistência. Não se deve recorrer automaticamente à força física, ameaças ou bloqueio da saída. Situações envolvendo incapacidade para decidir, risco iminente ou emergência exigem avaliação individualizada e atuação conforme a legislação e os protocolos aplicáveis.
Cuidados de enfermagem
Registre as manifestações da paciente, as orientações fornecidas, a avaliação realizada, os profissionais comunicados e a decisão final. Preserve a dignidade e a autonomia da pessoa, sem abandonar a assistência enquanto a situação é esclarecida. Se a saída ocorrer, siga o fluxo institucional para documentar a ocorrência, fornecer orientações pertinentes e comunicar a equipe responsável.
O objetivo é prevenir danos sem transformar o cuidado em confronto. Uma abordagem respeitosa, aliada à avaliação clínica e ao registro adequado, ajuda a proteger a paciente e a equipe.
Paciente Quer Sair do Hospital
- Escute o motivo da decisão sem julgamentos
- Avalie a condição clínica e os riscos envolvidos
- Comunique o enfermeiro e a equipe responsável
- Registre orientações, avaliação e desfecho no prontuário
Referências:
- BRASIL. Lei nº 15.378, de 6 de abril de 2026. Institui o Estatuto dos Direitos do Paciente. Brasília, DF: Presidência da República, 2026. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15378.htm.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017: aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/.
- CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 2.232/2019. Estabelece normas éticas para a recusa terapêutica por pacientes e objeção de consciência na relação médico-paciente. Brasília, DF: CFM, 2019. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2019/2232.
Escala PIPP (Premature Infant Pain Profile)
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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