
Vá direto ao ponto!
Um acesso retirado pelo próprio paciente pode parecer uma ocorrência pequena no meio do plantão, até você perceber que junto com o cateter pode ter sido interrompida uma infusão, uma medicação importante ou até uma terapia contínua. A resposta precisa começar pela avaliação, não pela reposição imediata do acesso.
Primeiro, olhe para o paciente
Ao perceber que o paciente retirou o acesso venoso, avalie o local da punção, presença de sangramento, hematoma, edema, dor ou outras alterações. Faça compressão conforme necessário e observe também a condição clínica do paciente, principalmente se havia uma infusão em andamento.
A avaliação do sítio de inserção faz parte da segurança da terapia intravenosa, incluindo a observação de sinais como dor, eritema, edema e secreção. Em pacientes críticos, a inspeção precisa ser ainda mais frequente.
Em uma situação comum de plantão, o paciente retira o acesso enquanto está recebendo uma solução intravenosa e o equipo fica sobre o leito. Antes de simplesmente instalar outro cateter, é importante verificar se houve sangramento significativo, se a infusão foi interrompida e qual medicamento ou solução estava sendo administrado naquele momento.
O que estava correndo naquele acesso?
Essa é uma das perguntas mais importantes. Uma coisa é o paciente retirar um acesso que estava sem uso; outra é interromper uma infusão contínua, um antibiótico, uma droga vasoativa ou outro medicamento cuja interrupção possa trazer repercussões clínicas.
Se havia medicação em infusão, confira o horário, a solução, a dose ou velocidade programada e quanto tempo a administração ficou interrompida. A partir daí, comunique o enfermeiro e a equipe responsável para definir a necessidade de novo acesso e eventual ajuste da terapia. A Anvisa orienta que intercorrências relacionadas à terapia intravenosa sejam comunicadas e registradas adequadamente.
Em um paciente confuso ou agitado, por exemplo, pode acontecer de o acesso ser retirado durante uma tentativa de levantar do leito. Ao chegar ao quarto, a equipe encontra sangue no lençol e a bomba de infusão em alarme. Nesse momento, além de controlar o sangramento, é preciso avaliar o motivo da retirada e verificar se existe risco de nova tentativa de retirada de dispositivos.
A ocorrência também pede investigação
Se o paciente retirou o acesso por confusão, agitação, dor, desconforto ou dificuldade para compreender a finalidade do dispositivo, vale investigar o que favoreceu o evento. Um acesso bem fixado pode continuar sendo retirado se o paciente estiver desorientado ou tentando sair do leito.
A prevenção passa por identificar pacientes com maior risco de manipular dispositivos, manter comunicação adequada, posicionar linhas de maneira segura e seguir as medidas institucionais para prevenção de quedas e eventos relacionados a dispositivos. A literatura destaca que avaliação contínua e capacitação da equipe são importantes para reduzir complicações relacionadas aos cateteres.
Cuidados de enfermagem
Após a retirada acidental ou voluntária do acesso, a enfermagem deve:
- Avaliar o local e controlar eventual sangramento.
- Verificar se há dor, edema, hematoma ou outras alterações.
- Identificar o que estava sendo infundido.
- Avaliar a repercussão da interrupção da terapia.
- Comunicar o enfermeiro e a equipe responsável conforme a situação.
- Avaliar a necessidade de um novo acesso.
- Investigar fatores que favoreceram a retirada.
- Registrar a ocorrência e as condutas realizadas.
Também é importante evitar simplesmente escrever “paciente retirou acesso” e encerrar o registro. A anotação deve permitir entender o que aconteceu, quais condições foram encontradas e quais medidas foram tomadas. A documentação adequada contribui para a continuidade da assistência e para o rastreamento de eventos relacionados à terapia intravenosa.
Paciente Retirou o Acesso Sozinho
- Avalie o local e controle o sangramento
- Confira qual terapia foi interrompida
- Investigue por que o paciente retirou o acesso
- Registre a ocorrência e as condutas realizadas
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. RDC nº 45, de 12 de março de 2003: regulamento técnico de boas práticas de utilização das soluções parenterais. Brasília, DF: Anvisa, 2003. Disponível em: Anvisa.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Cateteres periféricos: novas recomendações da Anvisa garantem segurança na assistência. Brasília, DF: Cofen. Disponível em: Biblioteca Virtual de Enfermagem – Cofen.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Summary of Recommendations: Intravascular Catheter-Related Infection. Atlanta: CDC. Disponível em: CDC.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Conhecimentos da enfermagem sobre Peripherally Inserted Central Catheters: complicações, medidas preventivas e indicações de retirada. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: Biblioteca Virtual de Enfermagem – Cofen.
Medidas de Conforto, cuidados que Fazem Diferença
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

Você precisa fazer login para comentar.