
Vá direto ao ponto!
Uma mamografia pode encontrar uma alteração antes mesmo de existir um nódulo palpável. Esse é um dos principais motivos pelos quais o exame continua sendo importante na detecção precoce do câncer de mama. Microcalcificações, assimetrias, nódulos e distorções arquiteturais podem aparecer na imagem antes de qualquer alteração percebida pela própria mulher.
Rastreamento não é investigação
Existe uma diferença importante: a mamografia de rastreamento é realizada em mulheres sem sinais ou sintomas, enquanto a investigação diagnóstica ocorre quando já existe uma alteração clínica ou uma imagem suspeita que precisa ser esclarecida. Portanto, encontrar um nódulo palpável, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração da pele ou outra alteração não significa simplesmente “esperar a próxima mamografia de rotina”. É necessária avaliação direcionada.
Imagine uma paciente chegando à unidade dizendo que “não sente nada”, mas trazendo uma mamografia anterior com uma alteração que precisava de acompanhamento. Na prática, é justamente aí que a orientação faz diferença: não basta perguntar se ela tem dor ou se percebeu um caroço; é importante conferir o resultado, a recomendação descrita no laudo e se o acompanhamento realmente aconteceu.
A idade do rastreamento merece atenção
No posicionamento publicado em 2025, o INCA mantém a recomendação de rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, considerando a população de risco habitual. Já uma nota técnica do Ministério da Saúde publicada em 2025 orienta o rastreamento no SUS entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Essa diferença torna importante verificar qual protocolo está sendo utilizado no serviço e a indicação individual da paciente, principalmente fora da faixa de rastreamento populacional.
Outra situação comum acontece quando uma mulher mais jovem chega ao atendimento dizendo que “todo mundo faz mamografia a partir dos 40”. A conduta não deve ser automática. Idade, sintomas, histórico familiar, antecedentes pessoais e fatores de risco podem mudar a estratégia, e mulheres com risco aumentado podem precisar de acompanhamento individualizado.
O que a enfermagem precisa observar
Antes do exame, a enfermagem pode confirmar identificação, solicitação e indicação, investigar possibilidade de gestação quando pertinente e orientar sobre o procedimento. Também é importante explicar que a compressão das mamas é necessária para obter imagens adequadas e reduzir sobreposição dos tecidos.
Depois do exame, a principal atenção está em orientar a paciente sobre a necessidade de acompanhar o resultado e procurar o serviço de referência caso seja solicitado exame complementar. Um resultado que exige investigação não significa automaticamente câncer; significa que aquela alteração precisa ser esclarecida.
A qualidade da imagem também importa. Uma mamografia tecnicamente inadequada pode dificultar a identificação de alterações, por isso posicionamento, colaboração da paciente e realização correta do exame fazem parte da segurança do processo.
O ponto que não pode ser esquecido
Mamografia é uma ferramenta de detecção, não um diagnóstico isolado. Quando aparece uma alteração suspeita, podem ser necessários exames complementares, comparação com imagens anteriores, ultrassonografia, avaliação especializada e, em algumas situações, biópsia.
Para a enfermagem, uma orientação simples pode evitar uma falha importante: não deixe a paciente sair apenas com a informação de que “o exame deu alteração”. Verifique se ela entendeu qual é o próximo passo e se existe encaminhamento definido.
Mamografia: O Que o Exame Pode Revelar
- Rastreamento não é investigação
- Mamografia pode identificar alterações não palpáveis
- Idade e fatores de risco influenciam a indicação
- Alteração no exame precisa de acompanhamento
Referências
- INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Posicionamento do INCA sobre faixa etária para rastreamento do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2025. INCA – Posicionamento sobre rastreamento do câncer de mama
- BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS: acesso ao exame de mamografia no âmbito do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Nota Técnica nº 626/2025 – Ministério da Saúde
- INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Parâmetros técnicos para detecção precoce do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Parâmetros técnicos para detecção precoce do câncer de mama
Câncer de Mama: Saiba Reconhecer os Sinais
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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