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Após um transplante, uma infecção que seria leve em outra pessoa pode evoluir com maior gravidade. Por isso, a vacinação precisa fazer parte do acompanhamento, mas o momento de cada dose é tão importante quanto a vacina escolhida.
Por que o calendário precisa ser revisto?
Medicamentos imunossupressores são utilizados para evitar a rejeição do órgão transplantado, porém reduzem a capacidade de resposta do sistema imunológico. Consequentemente, algumas vacinas podem apresentar menor eficácia e outras, especialmente as que contêm microrganismos vivos atenuados, podem ser contraindicadas após o transplante.
Entre as vacinas que costumam ser avaliadas estão influenza, COVID-19, pneumocócicas, hepatite B, hepatite A, tétano, difteria e coqueluche, além de outras indicadas conforme idade, histórico vacinal, tipo de transplante e exposição a riscos. A recomendação deve ser individualizada pela equipe transplantadora, considerando o esquema e o momento adequado.
Atenção ao tipo e ao momento da vacina
As vacinas inativadas, recombinantes ou não vivas geralmente podem ser utilizadas após o transplante, conforme avaliação clínica. Já as vacinas vivas atenuadas, como tríplice viral, varicela e febre amarela, em regra não são administradas durante a imunossupressão, devido ao risco de infecção pelo próprio agente vacinal.
Na prática, um paciente que retorna à consulta após o transplante pode apresentar a carteira de vacinação incompleta. Antes de encaminhá-lo para atualização, é necessário conferir o tipo de vacina, a intensidade da imunossupressão e o tempo decorrido desde o procedimento. A decisão não deve ser tomada apenas pela ausência de doses registradas.
Outro cuidado aparece quando o paciente tem uma viagem programada para uma região com recomendação de vacina contra febre amarela. Como essa vacina é de vírus vivo atenuado, a administração após o transplante pode ser contraindicada; a necessidade de viagem deve ser discutida com a equipe especializada, que avaliará riscos e alternativas.
Cuidados de enfermagem
Confira a carteira vacinal e registre as doses recebidas antes e depois do transplante. Oriente o paciente a não procurar vacinação por conta própria sem consultar a equipe transplantadora, especialmente quando se tratar de vacina viva. Observe possíveis reações, mantenha o registro atualizado e reforce a importância de comunicar febre ou sinais de infecção, mesmo após a vacinação.
A proteção do transplantado depende de um calendário planejado, individualizado e acompanhado ao longo do tempo. Vacinar com segurança exige considerar não apenas quais doses estão faltando, mas também quando e em quais condições elas podem ser administradas.
Pós-Transplante: Quais Vacinas São Indicadas?
- A vacinação deve ser individualizada conforme o tipo de transplante e a imunossupressão
- Influenza, COVID-19, hepatites e pneumocócicas estão entre as vacinas avaliadas
- Vacinas vivas atenuadas geralmente são contraindicadas após transplante de órgão sólido
- A equipe transplantadora define o momento e o esquema de vacinação
Referências:
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS (ABTO). Vacinação pré e pós-transplantes de órgãos: adulto 2025. São Paulo: ABTO, 2025. Disponível em: https://site.abto.org.br/wp-content/uploads/2025/04/ABTO-2025_RECOMENDACOES-Vacinacao_01.04.2025.pdf.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. 6. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2024/manual-dos-centros-de-referencia-para-imunobiologicos-especiais-6a-edicao.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Altered Immunocompetence. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/altered-immunocompetence.html.
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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