
Vá direto ao ponto!
Uma dose pode estar correta na prescrição e, ainda assim, ser administrada de forma insegura. Na rotina de enfermagem, pequenos desvios durante o preparo, a conferência ou o registro podem comprometer a segurança do paciente. Conhecer os erros mais frequentes ajuda a interromper falhas antes que atinjam quem está sob cuidado.
Administrar sem conferir a identificação
A identificação deve ser confirmada com pelo menos dois identificadores válidos, conforme protocolo institucional. Em um plantão movimentado, pacientes com nomes semelhantes podem ser confundidos, principalmente quando a medicação é preparada longe do leito. Por isso, a conferência deve ser realizada antes da administração, junto ao paciente, e não apenas pela etiqueta da cama.
Ignorar alergias registradas
Alergias precisam ser verificadas antes da administração, especialmente quando o medicamento prescrito pertence a uma classe relacionada à reação previamente registrada. Se houver dúvida sobre o histórico, a administração deve ser interrompida até que a informação seja esclarecida. Uma alergia documentada não pode ser tratada como detalhe secundário.
Errar dose, diluição ou velocidade
Medicamentos concentrados, cálculos de dose e infusões contínuas exigem atenção redobrada. Imagine uma bomba programada com velocidade diferente da prescrita: mesmo que o medicamento esteja correto, a quantidade administrada por hora pode ser inadequada. A prescrição, a concentração disponível, a diluição e a programação devem ser conferidas antes do início da infusão.
Administrar pela via incorreta
A via prescrita deve ser confirmada antes do preparo e da administração. Um medicamento destinado à via oral não deve ser administrado por sonda sem verificar se a apresentação permite essa utilização. Da mesma forma, soluções destinadas a uma via específica não podem ser adaptadas por improviso. Diante de incompatibilidade ou dúvida, a equipe responsável deve ser consultada.
Em caso de dúvida sobre misturar medicamentos, veja o Guia de Compatibilidade de Medicamentos em Y.
Deixar o registro para depois
O registro deve refletir o que realmente foi administrado, incluindo horário, dose, via e intercorrências relevantes. Quando uma dose é atrasada, recusada ou não administrada, o motivo precisa ser documentado conforme a rotina institucional. Em uma troca de plantão, a ausência desse registro pode levar à repetição indevida da dose ou à falsa impressão de que o medicamento foi administrado.
Cuidados de enfermagem
Antes de administrar, confira paciente, medicamento, dose, via, horário, alergias, prescrição e condições clínicas. Verifique os cálculos e a programação de bombas quando aplicável, esclareça prescrições incompletas e não improvise diante de dúvidas. Após a administração, observe a resposta do paciente, registre o cuidado realizado e comunique prontamente qualquer erro ou reação adversa, notificando o Núcleo de Segurança do Paciente conforme o protocolo da instituição.
A segurança medicamentosa não depende de uma única conferência. Ela é construída em cada etapa, desde a leitura da prescrição até a observação do paciente após receber o medicamento.
Se o erro já aconteceu, veja também Dose Errada Administrada: Quais Cuidados Tomar.
Cinco Erros na Administração de Medicamentos
- Confira a identificação do paciente antes de administrar
- Verifique alergias, dose, diluição e velocidade
- Confirme a via prescrita e não improvise
- Registre a administração e comunique intercorrências
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Referências:
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication Without Harm: WHO Global Patient Safety Challenge. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/medication-without-harm.
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BRASIL. Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: Ministério da Saúde: Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.
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CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Cofen: Resolução nº 564/2017.
Enzimas Digestivas
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.



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