A heparinaé um anticoagulante que pode ser usado para prevenir ou tratar a formação de coágulos sanguíneos.
Recomendações de uso
A aplicação de heparina deve seguir algumas recomendações, para evitar danos no local da aplicação, tais como:
Caso a escolha é subcutânea, deve ser administrado na região anterolateral do abdômen, alternando a cada aplicação os lados direito e esquerdo.
Limpar a pele com clorexidina alcoólica, com movimentos de vai e vem e deixar secar antes de aplicar a injeção;
Segurar a seringa em um ângulo de 90 graus e introduzir a agulha rapidamente na pele;
Injetar o medicamento lentamente e retirar a agulha com cuidado, sem massagear o local;
Descartar a seringa em um recipiente adequado, sem reencapar a agulha.
Orientações
A heparina deve ser aplicada conforme a prescrição médica, respeitando os horários e as doses indicadas. Em caso de dúvidas ou efeitos colaterais, é importante consultar o médico ou o farmacêutico.
A heparina deve ser aplicada por via intravenosa ou subcutânea, nunca por via intramuscular, e a dose deve ser ajustada de acordo com o peso do paciente e o tipo de doença.
A heparina pode causar sangramentos em qualquer parte do corpo, por isso é importante monitorar a coagulação sanguínea e evitar o uso de outros medicamentos que possam interferir na sua ação.
A heparina deve ser administrada por um profissional de saúde ou pelo próprio paciente, após orientação médica.
A administração de medicamentos é uma das maiores responsabilidades do profissional de enfermagem.
Isso porque o erro na dosagem, a leitura equivocada das prescrições médicas e a falta de atenção podem trazer sérias consequências para o paciente — desde efeitos colaterais agudos até o óbito por falha profissional.
Diante da importância desse tema, muitos profissionais da enfermagem recém-formados ficam com dúvidas sobre como realizar a administração correta de fármacos.
Essa regrinha de ouro dos “4 eus”, pode fortalecer a sua segurança no momento do preparo e administração de um medicamento, lembrando que o conhecimento sobre os medicamentos que você administra, tanto como os seus efeitos adversos é além dos 9 certos na administração segura dos medicamentos fazem parte da etapa do processo da administração.
Com base no artigo Internacional “Malcolm E, Yisi L. The nine rights of medication administration: an overview. Br J Nurs. 2010; 19(5):300-05.” e o “Ministério da Saúde, ANVISA. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos”, são reconhecidos 9 certos para a administração SEGURA de medicamentos, sendo estes 9 cobrados em concursos públicos, provas admissionais a ordem correta destes certos para a prática segura.
Salientamos que os restantes, 13 certos, 15 certos conforme são sugeridos por aí, se fazem protocolos institucionais, não sendo VIA DE REGRA.
Cada instituição pode acrescentar para reforçar a prática segura dentro de sua instituição, não sendo obrigatório que o profissional tenha que ser cobrado pelo conhecimento destes, e sim pelos 9 certos.
Vamos entender e praticar os 9 certos?
1 – Paciente Certo
Conferir nome completo antes de administrar o medicamento e utilizar no mínimo dois identificadores para confirmar o paciente correto: nome identificado na pulseira;
Nome identificado no leito e nome identificado no prontuário. Evitar, dentro do possível, que dois pacientes com o mesmo nome fiquem internados simultaneamente no mesmo quarto ou enfermaria.
2 – Medicamento certo
Conferir se o nome do medicamento que tem em mãos é o que está prescrito.
Conferir se o paciente não é alérgico ao medicamento prescrito.
Identificar os pacientes alérgicos de forma diferenciada, com pulseira e aviso em prontuário, alertando toda a equipe.
3 – Via certa
Identificar a via de administração prescrita.
Higienizar as mãos com preparação alcoólica para as mãos ou sabonete líquido e água, antes do preparo e administração do medicamento.
Verificar se o diluente (tipo e volume) foi prescrito e se a velocidade de infusão foi estabelecida, analisando sua compatibilidade com a via de administração e com o medicamento em caso de administração por via endovenosa.
Avaliar a compatibilidade do medicamento com os produtos para a saúde utilizados para sua administração (seringas, cateteres, sondas, equipos e outros).
Identificar no paciente qual a conexão correta para a via de administração prescrita em caso de administração por sonda nasogástrica, nasoentérica ou via parenteral.
Realizar a antissepsia do local da aplicação para administração de medicamentos por via parenteral.
Esclarecer todas as dúvidas com a supervisão de enfermagem, prescritor ou farmacêutico previamente à administração do medicamento.
Esclarecer as dúvidas de legibilidade da prescrição diretamente com o prescritor.
4 – Hora certa
Garantir que a administração do medicamento seja feita sempre no horário correto para adequada resposta terapêutica.
A antecipação ou o atraso da administração em relação ao horário predefinido somente poderá ser feito com o consentimento do enfermeiro e do prescritor.
5 – Dose certa
Conferir atentamente a dose prescrita para o medicamento. Doses escritas com “zero”, “vírgula” e “ponto” devem receber atenção redobrada.
Certificar-se de que a infusão programada é a prescrita para aquele paciente.
Verificar a unidade de medida utilizada na prescrição; em caso de dúvida, consultar o prescritor.
Conferir a velocidade de gotejamento, a programação e o funcionamento das bombas de infusão contínua em caso de medicamentos de infusão contínua.
Realizar dupla checagem dos cálculos para o preparo e programação de bomba para administração de medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância (ex.: anticoagulantes, opiáceos, insulina e eletrólitos concentrados, como cloreto de potássio injetável).
Medicações de uso “se necessário” deverão, quando prescritas, ser acompanhadas da dose, posologia e condição de uso.
6 – Documentação Certa
Registrar na prescrição o horário da administração do medicamento.
Checar o horário da administração do medicamento a cada dose.
Registrar todas as ocorrências relacionadas aos medicamentos, tais como adiamentos, cancelamentos, desabastecimento, recusa do paciente e eventos adversos.
7 – Razão/orientação correta
Esclarecer dúvidas sobre a razão da indicação do medicamento, sua posologia ou outra informação antes de administrá-lo ao paciente, junto ao prescritor.
Orientar e instruir o paciente sobre qual o medicamento está sendo administrado (nome), justificativa da indicação, efeitos esperados e aqueles que necessitam de acompanhamento e monitorização.
Garantir ao paciente o direito de conhecer o aspecto (cor e formato) dos medicamentos que está recebendo, a frequência com que será ministrado, bem como sua indicação, sendo esse conhecimento útil na prevenção de erro de medicação.
8 – Forma certa
Checar se o medicamento a ser administrado possui a forma farmacêutica e a via de administração prescrita.
Checar se a forma farmacêutica e a via de administração prescritas estão apropriadas à condição clínica do paciente.
Sanar as dúvidas relativas à forma farmacêutica e a via de administração prescrita junto ao enfermeiro, farmacêutico ou prescritor.
A farmácia deve disponibilizar o medicamento em dose unitária ou manual de diluição, preparo e administração de medicamentos; caso seja necessário, realizar a trituração do medicamento para administração por sonda nasogástrica ou nasoentérica.
9 – Resposta certa
Observar cuidadosamente o paciente, para identificar, quando possível, se o medicamento teve o efeito desejado.
Registrar em prontuário e informar ao prescritor, todos os efeitos diferentes (em intensidade e forma) do esperado para o medicamento.
Deve-se manter clara a comunicação com o paciente e/ou cuidador.
Considerar a observação e relato do paciente e/ou cuidador sobre os efeitos dos medicamentos administrado, incluindo respostas diferentes do padrão usual.
Registrar todos os parâmetros de monitorização adequados (sinais vitais, glicemia capilar).
Observação:
Segundo a RDC n° 36/2013 da Anvisa, todos os eventos adversos, incluindo os erros de medicação ocorridos nos serviços de saúde do país devem ser notificados, pelo Núcleo de Segurança do Paciente, ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), por meio do sistema Notivisa.
Na assistência hospitalar, atrasos ou omissões de doses podem ocorrer em todas as etapas do processo de utilização de medicamentos. Eles estão entre os erros de medicação mais notificados.
Embora sejam ocorrências que aparentam ter gravidade potencial reduzida, elas são importantes, seja pela sua elevada frequência ou por colocar pacientes em situações de risco.
Além disso, quando envolvem alguns medicamentos ou condições de saúde críticas, erros desse tipo podem evoluir com danos graves ou fatais como, por exemplo, a omissão ou atraso na administração de antimicrobianos em pacientes com sepse ou de anticoagulantes em pacientes com embolia pulmonar ou infarto agudo do miocárdio.
Erros por atrasos
Os erros por atraso ou omissão de doses de um medicamento podem estar relacionados a diversas situações, tais como:
ausência de conciliação medicamentosa envolvendo falhas ou mesmo ausência de avaliação dos medicamentos em uso pelo paciente;
não prescrição de medicamentos necessários ao paciente em situações específicas, como a necessidade de substituir, interromper ou reiniciar um medicamento no pré ou pós-operatório;
erros na transcrição e atrasos na validação da prescrição; indisponibilidade do medicamento prescrito na instituição ou sistema de saúde;
transferência do paciente para outras unidades; ausência do paciente no leito devido à realização de procedimentos ou exames no mesmo horário da administração do medicamento;
alta hospitalar sem informações adequadas sobre o tratamento.
Além disso, uma situação comum que pode provocar esses erros é o dimensionamento inadequado da equipe de enfermagem, fazendo com que os profissionais tenham um número excessivo de pacientes para cuidar, o que pode contribuir para limitar e prejudicar a qualidade da assistência.
A criação da “Regra dos 30 minutos”
Até 2008, para que os hospitais dos Estados Unidos recebessem os pagamentos devidos, o Centers for Medicare & Medicaid Services (CMS) orientava os auditores hospitalares a verificar se os medicamentos eram administrados em até 30 minutos antes ou após o horário aprazado.
Essa orientação ficou conhecida como “Regra dos 30 minutos” e se aplicava todos os medicamentos, sem diferenciação entre medicamentos de tempo crítico ou aqueles considerados menos complexos, como suplementos vitamínicos diários.
A Dificuldade de execução
No entanto, em uma pesquisa realizada com 18 mil enfermeiros, os autores observaram que as mudanças ocorridas nos métodos de administração de medicamentos, a complexidade dos cuidados, o número de medicamentos prescritos por paciente e o número de pacientes por enfermeiro tornavam a “Regra dos 30 minutos” de difícil execução.
Muitos enfermeiros relataram, nessa pesquisa, que a grande pressão para administrar medicamentos conforme a regra favorecia a ocorrência de erros. Assim, a “Regra dos 30 minutos” passou a ser considerada insegura, exceto quando a administração dentro deste intervalo de tempo se fazia essencial sob a perspectiva clínica.
A definição e a atualização
Para definir o horário de administração de um medicamento deve-se considerar a complexidade da indicação para a qual foi prescrito, a situação clínica, as necessidades do paciente que o recebe, bem como as características químicas e farmacológicas específicas do medicamento.
Suas propriedades químicas, mecanismo de ação e indicação terapêutica determinam como ele deve ser administrado, se é necessário respeitar o horário exato da prescrição, ou se é possível administrá-lo dentro de uma janela de tempo segura em torno do horário em que foi prescrito sem comprometer a segurança do paciente e o efeito terapêutico desejado, e qual a extensão dessa janela de tempo caso ela seja adequada.
Com base nessa realidade, a “Regra dos 30 minutos” foi atualizada e hoje são utilizadas as seguintes definições:
Medicamentos Programados
Incluem aqueles cujas doses devem ser administradas de acordo com um ciclo de frequência padrão e repetidas (ex.: uma, duas, três ou quatro vezes ao dia; diariamente; semanalmente; mensalmente). Eles podem ser programados conforme um tempo crítico ou não crítico.
Medicamentos programados de tempo crítico
São aqueles cujo aprazamento da administração no horário prescrito deve ser seguido rigorosamente. A administração desses medicamentos fora do intervalo de 30 minutos, antes ou depois do horário prescrito, pode causar danos ao paciente.
Medicamentos programados de tempo não crítico
São aqueles cuja antecipação ou atraso na administração, desde que respeitado um intervalo específico de 1 ou 2 horas, não apresentam potencial de causar danos ao paciente.
Os medicamentos programados NÃO INCLUEM:
doses que devem ser administradas imediatamente;
primeira dose ou dose de ataque;
doses únicas;
doses com horário predefinido (ex.: antimicrobiano profilático administrado em um dado tempo antes da primeira incisão cirúrgica);
medicamentos administrados para preparo do paciente para realização de algum procedimento (ex.: sedação pré-procedimento);
medicamentos de uso concomitante ou sequencial (ex.: medicamentos administrados antes da quimioterapia e medicamentos quimioterápicos; n-acetilcisteína e contraste iodado);
medicamentos administrados em horários específicos para garantir “pico” de concentração plasmática ou níveis séricos adequados;
medicamentos administrados conforme a condição clínica do paciente (ex.: conforme pressão arterial ou glicemia) ou prescritos “se necessário”;
medicamentos utilizados em estudos clínicos ou farmacocinéticos.
Orientações para administração de medicamentos programados
É recomendado que as instituições:
desenvolver uma lista dos medicamentos programados de ‘tempo crítico’, específica para o perfil da instituição, incluindo aqueles que são críticos em função de indicação ou diagnóstico específicos;
estabelecer diretrizes que facilitem a revisão da prescrição, a dispensação e administração de medicamentos de tempo crítico. Os registros realizados nessas etapas devem alertar às equipes que esses medicamentos requerem especial atenção para o cumprimento do horário aprazado, conforme as orientações vigentes para medicamentos programados de tempo crítico;
definir prazos específicos para administração de primeiras doses e doses de ataque para medicamentos, como antimicrobianos, anticoagulantes, antiepiléticos, entre outros, em que a situação clínica ou o diagnóstico é crítico.
Tipos de Medicamentos Programados
Orientações para a administração no horário adequado
Medicamentos programados de tempo crítico
Devem constar em listagem individualizada definida pela instituição e incluir pelo menos os itens descritos a seguir.
• Medicamentos em esquema de administração mais frequente do que a cada 4 horas.
• Opioides de horário fixo utilizados para manejo de dor crônica ou em cuidados paliativos (flutuações no intervalo de administração podem ocasionar crise de dor desnecessária).
• Imunossupressores utilizados para prevenção da rejeição de transplantes de órgãos ou tratamento da miastenia grave.
• Medicamentos que devem ser administrados respeitando-se um intervalo de tempo em relação a outros medicamentos para prevenção de interação medicamentosa (ex.: antiácidos e fluoroquinolonas).
• Medicamentos que necessitam ser administrados dentro de um período específico em relação às refeições (ex.: bolus de insulinas de correção; alendronato).
• Medicamentos considerados de tempo crítico quando usados para uma indicação ou diagnóstico específico.
Administrar na hora exata indicada ou dentro de 30 minutos antes ou após o horário aprazado.
Medicamentos programados de tempo não crítico
Medicamentos de administração diária, semanal e mensal
Administrar dentro de 2 horas antes ou após o horário aprazado
Medicamentos prescritos com frequência maior do que uma vez ao dia, mas menor do que seis vezes ao dia (a cada 4 horas).
Administrar dentro de 1 hora antes ou após o horário aprazado.
Referências:
Institute for Safe Medication Practices Canada. Aggregate Analysis of Dose Omission Incidents Reported as Causing Harm. ISMP Canada Safety Bulletin [Internet]. 2013 Mar 27; 13(2):1-7. Disponível em: https://www.ismp-canada.org/ download/safetyBulletins/2013/ISMPCSB2013-02_Dose_Omission_Incidents.pdf
National Patient Safety Agency (NPSA). Rapid Response Report NPSA/2010/RRR009: Reducing harm from omitted and delayed medicines in hospital. National Reporting and Learning Service [Internet]. 2010 Fev 24. Disponível em: http://www.nrls.npsa.nhs.uk/resources/type/alerts/?entryid45=66720
Institute for Safe Medication Practices. Guidelines for timely medication administration Response to the CMS “30-minute rule”. Acute Care ISMP Medication Safety Alert! [Internet]. 2011 Jan 13. Disponível em: http://www.ismp.org/Newsletters/acutecare/articles/20110113.asp
Oliveira RC, Camargo AEB, Cassiani SHB. Estratégias para prevenção de erros na medicação no setor de emergência. Rev Bras Enferm. 2005 Ago; 58(4):399-404.
Conteúdo Atualizado!Revisado e atualizado em 12/09/2026.
Na via intradérmica, poucos milímetros fazem diferença. Se a agulha ultrapassa a derme e chega ao tecido subcutâneo, a aplicação deixa de ser intradérmica e pode comprometer o objetivo do procedimento, especialmente em testes e imunobiológicos que dependem dessa via.
O que é a via intradérmica?
A via intradérmica (ID) consiste na introdução de uma pequena quantidade de solução dentro da derme, camada localizada entre a epiderme e o tecido subcutâneo. Como a derme comporta volumes reduzidos, essa via é utilizada para aplicações específicas, como algumas vacinas, testes diagnósticos e procedimentos definidos por protocolo.
O volume não deve ser tratado como um número único para todos os medicamentos. Ele depende da finalidade, do produto e da recomendação do fabricante ou protocolo institucional. Nas vacinas administradas por via intradérmica, por exemplo, o volume é definido especificamente para cada imunobiológico.
Onde aplicar?
Para aplicações intradérmicas em geral, a face anterior do antebraço é um local tradicionalmente utilizado, principalmente quando é necessária posterior observação ou leitura da reação. Outros locais podem ser empregados conforme o procedimento e o protocolo.
Na vacinação BCG, existe uma particularidade importante: o local de escolha é a região da inserção inferior do músculo deltoide, no braço direito, conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações. Portanto, não é correto ensinar que toda aplicação intradérmica deve ser feita no antebraço.
Materiais Necessários
Bandeja para apoiar o material e o medicamento;
Seringa de 1 ml ou insulina;
Agulha para aspiração: 40 x 12;
Agulha para administrar: 13 x 4,5;
Algodão com álcool.
Técnica de aplicação
A técnica precisa ser superficial e controlada. Após conferir paciente, medicamento ou imunobiológico, dose, via, validade e demais requisitos de segurança, higienize as mãos e prepare o material conforme o protocolo do serviço.
Com a pele adequadamente posicionada, mantenha o bisel voltado para cima e introduza a agulha quase paralelamente à pele, formando aproximadamente 15°. Avance apenas até que o bisel desapareça e injete lentamente a solução.
A formação de uma pequena pápula no local é um importante sinal de que a aplicação ocorreu na derme. Após retirar a agulha, não massageie nem faça compressão no local quando se tratar da administração de vacina por essa via.
É justamente nessa hora que um detalhe observado durante a prática faz diferença: quando a agulha entra profundamente, a pápula característica pode não aparecer e a solução pode ser depositada no tecido subcutâneo. Por isso, não basta saber o ângulo de 15°; é preciso controlar a profundidade e observar a resposta da pele durante a aplicação.
BCG: o exemplo mais conhecido
A BCG é administrada por via intradérmica, mas sua dose não deve ser decorada sem considerar a apresentação utilizada. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, edição revisada de 2024, apresenta 0,1 mL para a apresentação da FAP e 0,05 mL para crianças até 11 meses e 29 dias na apresentação do Serum Institute of India, passando para 0,1 mL a partir de 1 ano nessa apresentação.
Na BCG, a formação da pápula durante a aplicação ajuda a verificar a execução correta da técnica. A vacina também possui particularidades próprias quanto a indicação, conservação, registro e acompanhamento da cicatriz, que não devem ser generalizadas para todas as aplicações intradérmicas.
O que pode dar errado?
O erro mais comum que merece atenção é aplicar a solução em uma camada mais profunda do que a derme. Isso pode acontecer quando a agulha é inserida com ângulo inadequado, profundidade excessiva ou sem controle suficiente da introdução.
Outro cuidado é não transformar a formação da pápula em uma regra isolada para qualquer produto. A interpretação depende do procedimento realizado e do protocolo correspondente. Em vacinas intradérmicas, especialmente na BCG, a pápula é um parâmetro técnico esperado durante a aplicação.
Em uma situação de vacinação, por exemplo, se a equipe percebe que a técnica não produziu a resposta cutânea esperada, não é adequado simplesmente improvisar uma nova dose. A conduta diante de uma aplicação incorreta depende do imunobiológico, do fabricante e das normas vigentes; por isso, deve-se consultar imediatamente o protocolo específico.
Cuidados de enfermagem
Antes da aplicação, confira cuidadosamente paciente, produto, dose, via, local, validade, conservação e indicação, além das demais etapas de segurança estabelecidas pelo serviço.
Durante o procedimento, mantenha o bisel para cima, introduza a agulha de forma superficial e observe a formação da pápula quando ela for esperada para aquela aplicação. Após o procedimento, descarte imediatamente o perfurocortante em recipiente apropriado e registre a administração e eventuais intercorrências.
No caso de vacinação, observe também o paciente para eventos adversos imediatos e siga as orientações específicas do Programa Nacional de Imunizações. O Manual do Ministério da Saúde recomenda, quando aplicável, que o usuário permaneça sentado por 15 minutos após a vacinação para reduzir o risco de queda relacionada a reação psicogênica, especialmente entre adolescentes.
Para memorizar na prova
✓Decore para a Prova
Via intradérmica = derme + pequeno volume + bisel para cima + aproximadamente 15° + inserção superficial + pápula quando esperada.
A BCG é intradérmica, mas seu local e volume seguem regras próprias. E atenção: não existe um único volume máximo que possa ser aplicado indistintamente em toda situação de via intradérmica; sempre prevalecem a indicação, o produto e o protocolo correspondente.
Resumo para salvar
Via Intradérmica
A via intradérmica deposita a solução na derme
A técnica utiliza o bisel para cima e aproximadamente 15°
A formação de pápula é esperada em aplicações nas quais o protocolo a prevê
BCG é administrada por via intradérmica, com dose e local específicos
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de normas e procedimentos para vacinação. 2. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Biblioteca do Ministério da Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de normas e procedimentos para vacinação. 2. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Ministério da Saúde.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 4/2023/CREE/Cofen. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: Cofen.
SANTANA, Júlio César Batista et al. Administração de medicamentos por via intradérmica. In: MOTA, Ana Paula de Freitas et al. Guia prático de técnicas de enfermagem. Brasília, DF: Conselho Federal de Enfermagem, 2022. Disponível em: Biblioteca do Cofen.
Administração “In Bolus” ou “Push” de Medicamentos: O que é?
Na Terapia Medicamentosa, a administração in bolus ou push é importante, quando referimos ao tempo de administração e o efeito quase que imediato de um certo medicamento.
Segundo Ritschel* (1992), qualquer administração com tempo superior a 1 minuto é denominada infusão. Quando inferior a 1 minuto chama-se push (ou bolus).
Portanto, Bolus refere-se à administração de uma medicação, com objetivo de aumentar rapidamente a sua concentração no sangue para um nível eficaz. A administração pode ser efetuada por via intravenosa, via intramuscular, subcutânea ou intraretal.
Bombas de Infusão também possuem Sistema In Bolus!
Algumas marcas de bombas de infusão possuem programações para administração de medicamentos in bolus em casos de drogas controladas, que necessitam de controle rigoroso.
Mas em algumas situações o médico pode solicitar que seja feita, por exemplo, uma dosagem bolus de um sedativo em um paciente que já está recebendo este medicamento por via de bomba de infusão, que seja programa na própria bomba sem necessitar administrar com seringas.
Portanto, deve-se também atentar ao fluxo de infusão e o tempo que o médico solicita a administrar estes bolus nas bombas, o que geralmente é programado padrão pelos fabricantes a 1200ml/h , podendo ser alterado posteriormente juntamente com o tempo de infusão pelo plantonista.
O que devo me atentar quanto a administração in bolus?
Devemos nos atentar quanto a:
Ocorrência de potenciais efeitos colaterais dos medicamentos;
Desconforto no local da infusão o mais rapidamente possível;
Obtenção de todos os sinais vitais necessários.
Como eu administro um medicamento in bolus?
Devo primeiramente separar e estar em mãos os materiais necessários para este procedimento:
Relógio com ponteiros de segundos;
Prescrição do paciente;
Luvas de procedimentos;
Chumaço de algodão com antisséptico;
Medicação em frasco ou ampola;
Fluido para diluição, se necessário;
Seringa para a preparação de medicamentos;
Solução de soro fisiológico a 0,9% para lavagem ou fluido.
E então:
Faça a higiene das mãos. Prepare a medicação prescrita a partir do frasco ou ampola usando técnicas assépticas. Verifique o rótulo da medicação com a prescrição, cuidadosamente por duas vezes;
Leve o(s) medicamento(s) ao paciente no horário estipulado, de forma imediata, sem demora;
Identifique o paciente;
Compare os dados do paciente com a prescrição médica (se caso necessário dupla checagem com medicamentos MAV);
Explique o procedimento ao paciente. Encoraje-o a relatar qualquer sinal de desconforto;
Calce as luvas;
Administre a medicação por bolus: limpe a porta da injeção com chumaço de algodão, antisséptico e deixe secar; conecte a seringa; puxe suavemente para trás o êmbolo da seringa para aspirar o retorno de sangue; injete a medicação dentro do tempo recomendado (use o relógio para marcar o tempo de administração); retire a seringa; conecte a seringa com a solução salina na porta da injeção ou fluido, conforme a prescrição médica;
Descarte corretamente o material utilizado;
Realize a higiene das mãos.
Relate na anotação de enfermagem a administração ou recusa do medicamento, e possíveis sinais de reações adversas após a infusão.
Lembrando sempre, que:
Observe o paciente para reações adversas durante a administração do(s) medicamento(s) e vários minutos após;
Relate qualquer efeito adverso imediatamente ao profissional de saúde responsável pelo paciente, uma vez que esses efeitos podem ser fatais;
Registre medicação, dose, hora, data, via de administração e resposta do paciente à medicação nos registros de enfermagem.
* Wolfgang A. Ritschel, Gregory L. Kearns, American Pharmaceutical Association
Vias de Administração de Medicamentos
Via de administração é o caminho pelo qual uma droga é colocada em contato com o organismo. A via de administração é um constituinte muito importante para a taxa de eficiência da absorção do medicamento.
O método de administração dos medicamentos depende da rapidez com que se deseja a ação da droga, da natureza e quantidade da droga a ser administrada e das condições do paciente. As condições do paciente determinam, muitas vezes, a via de administração de certas drogas.
Uma vacina é uma preparação antigénica, cuja administração visa produzir no indivíduo vacinado proteção contra um ou mais agentes infetantes. Uma característica determinante das vacinas é serem imunogénicas, ou seja, desencadearem uma reação imunitária humoral e celular no vacinado sem provocarem doença.
Aos termos Imunização e Vacinação são atribuídos significados diferentes, embora estes sejam usados frequentemente como sinônimos:
Imunização Versus Vacinação
A Imunização:
Desenvolvimento de imunidade a uma determinada doença, através de níveis protetores de anticorpos;
Pode ser conseguida através da infeção natural, da administração de imunoglobulinas ou da administração de uma vacina.
A Vacinação:
Refere-se especificamente à administração de uma vacina;
Não confere necessariamente imunidade, uma vez que a eficácia e efetividade das vacinas não é geralmente de 100%.
Qual é o principal objetivo da vacinação?
Primeiramente, as vacinas visam proteger os indivíduos vacinados de doenças infecciosas. Além desta proteção direta, conferem também proteção indireta aos indivíduos não imunes, pela presença e proximidade de indivíduos imunes pela vacinação.
Assim, as vacinas protegem não só os indivíduos vacinados, mas também a própria comunidade. Este fenômeno designa-se Imunidade de grupo.
O efeito das vacinas na redução da incidência de doenças numa comunidade combina então estes dois mecanismos: proteção indireta dos não vacinados e proteção direta dos vacinados.
As Classificações das Vacinas
As vacinas podem ser classificadas segundo vários aspetos relacionados com o antigênio que integram.
Bacterianas:
Vacina contra a doença pneumocócica;
Vacina poliosídica de 23 valências;
Vacina contra a cólera;
Vacina contra a febre tifoide.
Virais:
Vacina contra a encefalite por picada de carraça;
Vacina contra a gripe;
Vacina contra a hepatite A e a hepatite B;
Vacina contra o VPH;
Vacina contra a raiva;
Vacina contra o rotavírus;
Vacina contra a varicela;
Vacina contra a zona.
Conheça as Vias de Administração!
A maioria das vacinas apresenta-se sob forma injetável:
Vacinas
Vias
<2 anos
>2 anos
BCG
ID
Deltoide direito
Deltoide direito
Febre Tifoide
IM
–
Deltoide/glúteo
Hepatite A
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
Hepatite A + B
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
DTPa
IM
Vasto lateral coxa/Glúteo
Deltoide/ Glúteo
Tétano
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide/Glúteo
Tríplice Bacteriana Adulto
IM
–
Deltoide/Glúteo
Pentavalente
IM
Vasto lateral coxa/Glúteo
Deltoide/Glúteo
Hexavalente
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
Hemófilos
IM
Vasto lateral coxa/Glúteo
Deltoide/Glúteo
Tríplice Viral (SCR)
SC
Vasto lateral coxa/Glúteo
Deltoide/Glúteo
Pneumocócica polivalente
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide/Glúteo
Pneumocócica conjugada
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
Meningocócica C conjugada
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
Meningocócica quadrivalente ACWY
IM
Vasto lateral coxa
Deltoide
Meningocócica B
IM
Vasto lateral coxa/Deltoide
Deltoide
Influenza (Gripe)
IM/SC
Vasto lateral coxa/glúteo
Deltoide/Glúteo
Varicela (Catapora)
SC
Vasto lateral coxa/glúteo
Deltoide/Glúteo
Rotavírus
V.O
Oral
–
dTpa + IPV
IM
–
Deltoide/Glúteo
HPV (Ambas)
IM
–
Deltoide
Herpes Zóster
SC
–
Deltoide/Glúteo
Dengue
SC
–
Deltoide/Glúteo
Dicas!
Quais são as Vacinas Vírus Vivos Atenuados?
Injetáveis:
Rubéola, sarampo, caxumba, varicela (triviral/ SCR e tetraviral) , febre amarela, herpes-zóster e dengue.
Orais:
Poliomielite e rotavírus.
Qual é o intervalo mínimo necessário entre vacinas diferentes?
Vacinas
Intervalo Mínimo entre as Vacinas
Entre 2 inativadas
NENHUM
Entre 1 inativada e 1 viva atenuada
NENHUM
Entre 2 vivas atenuadas injetáveis
30 dias (alguns autores admitem 15 dias)
Entre 2 vivas atenuadas por via oral
NENHUM (exceto entre pólio oral e rotavirus, desejável esperar 15 dias, atentando para idade máxima limite para a aplicação.
DTPa/Hexa/Penta
1 mês entre as três primeiras; 6 meses entre a terceira e o primeiro reforço.
Poliomielite
1 mês
Dengue
6 meses
Hepatite B
Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 2 meses Entre segunda e terceira doses: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Hepatite A
6 meses
Hepatite A + B
Entre primeira e segunda doses: 4 semanas/ 1 mês Entre segunda e terceira doses: 20 semanas/ 5 meses Entre primeira e terceira doses: 24 semanas/ 6 meses
Tríplice Viral
1 mês
Varicela <13 anos
3 meses
Varicela >13 anos
1 mês
Meningocócica C conjugada
1 mês
Meningocócica B
1 mês
Pneumo 13 conjugada
No primeiro ano de vida: 6 semanas. A partir de 1 ano de vida: 8 semanas
HPV
Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 3 meses Entre primeira e terceira doses:: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Rotavirus
1 mês
O Calendário das Vacinas
Anualmente, o calendário de vacinas está constantemente sendo atualizada, sendo importante consultar a tabela sempre. A Sociedade Brasileira de Imunização disponibiliza estes calendários atualizados, vale uma consulta!
Veja mais em:
Indicações de administração de Soluções Intravenosas
Não há ao certo artigos ou leituras oficiais sobre as indicações para tais soluções terapêuticas infundidas nos lúmens dos Cateteres Venosos Centrais, mas existem algumas regras que devem ser observadas na administração de soluções intravenosas pelo CVC. Podendo variar de Instituição para Instituição, sugiro recorrer ao POP dos mesmos.
Vejamos um exemplo, a nutrição parentérica total (NPT) deve infundir num lúmen isolado de outras soluções, geralmente indicado em via Distal (em casos de duplo lúmens), e podendo até ser infundido em via medial (caso tri-lúmen), devendo ter seu controle de débito através de uma bomba infusora.
Também o sangue e os hemoderivados devem infundir num lúmen isolado de outras soluções. A administração de outras soluções deve assegurar sempre a permeabilidade e débito do CVC, para diminuir o aparecimento de complicações relacionadas com a obstrução dos seus lúmens.
Além disso, essa administração deve ser controlada de modo a evitar uma sobrecarga hídrica. Lembrando, que após cada administração de medicação deve efetuar-se a lavagem das linhas infusoras com Soro Fisiológico 0,9%, para evitar incompatibilidades entre fármacos administrados.
Na administração simultânea de várias soluções, deve avaliar-se a sua relação de compatibilidade, para assim se escolher o lúmen onde devem infundir.
CONTROVÉRSIAS EM QUESTÃO DE DROGAS VASOATIVAS EM LÚMENS CERTOS
Há grandes controvérsias sobre o uso correto de lúmens para a infusão das DVAS, há lugares que especificam que deve dar preferência a instalar estes medicamentos sempre na via proximal (que por sua vez deveria ser identificada para favorecer exclusividade), uma vez que esta possui “prime” (calibre), fluxo gravitacional e velocidade de infusão (ml/hr) inferior em relação aos outros lúmens (medial e distal).
A fim de evitar “flushs” destas medicações e consequentemente superdosagem da mesma, portanto, desde que há instituições que utilizam do PICC, na qual, dispõem de 1 ou dois lúmens, não há uma identificação certa se a via é proximal ou distal, desde que o Enfermeiro faz a mensuração e o corte do tamanho correto conforme a anatomia do paciente, impossibilitando o espaçamento destes lúmens.
Mas temos que respeitar sim a compatibilidade dos medicamentos, e a individualidade das vias, evitando que certas soluções sejam misturadas e percam seu efeito terapêutico no paciente, e possibilitando mais ainda uma instabilidade hemodinâmica do paciente.
Christiane RibeiroComentários desativados em Previna a Superbactéria: Use Racionalmente os Antibióticos!
A resistência das bactérias aos antibióticos tem aumentado muito nos últimos anos. Ela pode surgir nas bactérias devido à alterações genéticas, mas quando se toma o antibiótico, as que possuem resistência podem sobreviver enquanto as que são sensíveis morrem, gerando uma seleção das bactérias resistentes. Por isso é muito importante evitar o uso desnecessário de […]
Bulário Ilustrado
Bulário ilustrado com os principais medicamentos utilizados em pronto atendimento.
Trazendo informações como nomes comerciais, apresentações, diluição, função, reações adversas e alguns dos seus principais cuidados de enfermagem.
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