Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (ICSRC): tudo sobre as causas de um cateter venoso infeccionado

Os cateteres venosos são dispositivos indispensáveis na assistência à saúde moderna. Eles permitem a administração de medicamentos, soluções intravenosas, hemocomponentes, nutrição parenteral e monitorização hemodinâmica. No entanto, apesar de todos os benefícios, seu uso não está isento de riscos.

Entre as complicações mais preocupantes está a Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (ICSRC), uma condição potencialmente grave que pode aumentar o tempo de internação, elevar os custos hospitalares e, em casos mais severos, levar à sepse, choque séptico e morte.

A boa notícia é que grande parte dessas infecções pode ser evitada por meio da adoção rigorosa das medidas de prevenção e dos cuidados adequados de enfermagem.

O que é a Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter?

A Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (ICSRC) ocorre quando microrganismos conseguem acessar a corrente sanguínea por meio de um cateter venoso e provocam uma infecção sistêmica.

Essa infecção pode estar relacionada a diferentes dispositivos vasculares, incluindo:

  • cateter venoso periférico;
  • cateter venoso central;
  • PICC (Cateter Central de Inserção Periférica);
  • cateteres tunelizados;
  • cateteres totalmente implantáveis (Port);
  • cateteres de hemodiálise.

Embora qualquer dispositivo vascular possa ser uma porta de entrada para microrganismos, os cateteres centrais apresentam maior risco devido ao tempo prolongado de permanência e à localização da ponta em grandes vasos sanguíneos.

Como a Infecção Acontece? As Causas por Trás do Cateter

A maioria das infecções relacionadas a cateteres tem origem na migração de microrganismos da pele do próprio paciente para o interior do dispositivo. A pele, por mais que higienizada, é colonizada por bactérias como o Staphylococcus epidermidis e o Staphylococcus aureus.

Durante a inserção do cateter ou através da manipulação frequente e inadequada das conexões, esses germes migram pelo trajeto do cateter até alcançarem a ponta intravasal, onde formam o chamado biofilme — uma comunidade bacteriana protegida por uma matriz de polissacarídeos que é extremamente difícil de ser erradicada apenas com antibióticos sistêmicos.

Outra causa relevante é a contaminação direta das conexões e equipos. Toda vez que desconectamos o equipo para administrar uma medicação, realizar um curativo ou coletar sangue, estamos abrindo uma oportunidade para que microrganismos entrem no sistema.

Se as técnicas de desinfecção dos conectores não forem rigorosas, a contaminação é quase inevitável. Além disso, a contaminação da própria solução infundida (embora mais rara) ou a colonização hematogênica por um foco infeccioso à distância no próprio paciente (como uma ferida cirúrgica ou pneumonia) também podem levar à colonização do cateter.

Por que um cateter pode infeccionar?

O cateter atravessa uma das principais barreiras de proteção do organismo: a pele. Quando essa barreira é rompida, existe a possibilidade de microrganismos atingirem tecidos profundos e a corrente sanguínea. A infecção pode ocorrer por diferentes mecanismos, desde falhas na inserção até problemas relacionados à manutenção do dispositivo.

Como os microrganismos chegam ao cateter?

Existem quatro principais vias de contaminação.

Migração de bactérias da pele

Esta é uma das causas mais frequentes. Mesmo após a antissepsia, a pele continua abrigando microrganismos naturais, conhecidos como microbiota residente. Esses microrganismos podem migrar lentamente ao longo da superfície externa do cateter até alcançarem a corrente sanguínea. Esse mecanismo é mais comum nos primeiros dias após a inserção.

Contaminação do hub e das conexões

O hub é a extremidade externa do cateter onde são conectados equipos, seringas e dispositivos de infusão. Quando não ocorre a desinfecção adequada dessas conexões, os microrganismos podem penetrar pela luz interna do cateter. Atualmente, essa é considerada uma das principais causas de infecção em cateteres de longa permanência.

Contaminação das soluções infundidas

Embora seja rara, pode ocorrer contaminação de medicamentos, soluções intravenosas ou nutrição parenteral. Quando isso acontece, os microrganismos são introduzidos diretamente na circulação do paciente.

Disseminação por outro foco infeccioso

Em alguns casos, o paciente já apresenta uma infecção em outra região do corpo. Os microrganismos podem alcançar o cateter através da corrente sanguínea e colonizar sua superfície.

O que é colonização do cateter?

Antes mesmo de causar uma infecção clínica, os microrganismos podem aderir ao dispositivo e formar uma camada protetora chamada biofilme. O biofilme funciona como um escudo que protege as bactérias da ação dos antibióticos e das células de defesa do organismo. Após sua formação, a eliminação dos microrganismos torna-se muito mais difícil. Por esse motivo, muitos cateteres infectados precisam ser removidos.

O que é biofilme?

O biofilme é uma comunidade organizada de microrganismos aderida à superfície do cateter.

Essa estrutura favorece:

  • multiplicação bacteriana;
  • resistência aos antimicrobianos;
  • persistência da infecção;
  • recorrência de bacteremias.

O biofilme é considerado um dos maiores desafios no tratamento das infecções associadas a dispositivos invasivos.

Quais microrganismos causam infecção relacionada a cateter?

Diversos agentes podem estar envolvidos. Os mais frequentes incluem:

Bactérias Gram-positivas

  • Staphylococcus aureus;
  • Staphylococcus epidermidis;
  • Enterococcus spp.

Bactérias Gram-negativas

  • Klebsiella pneumoniae;
  • Escherichia coli;
  • Pseudomonas aeruginosa;
  • Enterobacter spp.

Fungos

  • Candida albicans;
  • Candida parapsilosis;
  • outras espécies de Candida.

Quais são os fatores de risco?

Fatores relacionados ao paciente

  • imunossupressão;
  • neutropenia;
  • câncer;
  • diabetes mellitus;
  • desnutrição;
  • idade avançada;
  • internação prolongada.

Fatores relacionados ao cateter

  • tempo prolongado de permanência;
  • múltiplas manipulações;
  • inserção em situação de emergência;
  • falhas na antissepsia;
  • curativos inadequados.

Fatores relacionados à assistência

  • higiene das mãos inadequada;
  • quebra de técnica asséptica;
  • desinfecção incorreta dos conectores;
  • manutenção inadequada do dispositivo.

Sinais e sintomas de um cateter infeccionado

Sinais locais

Na região da inserção podem ocorrer:

  • vermelhidão;
  • dor;
  • edema;
  • calor local;
  • endurecimento;
  • secreção purulenta.

Nem sempre esses sinais estão presentes.

Sinais sistêmicos

Quando a infecção alcança a corrente sanguínea, podem surgir:

  • febre;
  • calafrios;
  • taquicardia;
  • hipotensão;
  • mal-estar geral;
  • aumento dos leucócitos;
  • alterações do estado mental.

Em casos graves, o paciente pode evoluir para sepse.

O que é sepse?

A sepse é uma resposta desregulada do organismo a uma infecção.

Quando não tratada rapidamente, pode causar:

  • falência de órgãos;
  • choque séptico;
  • insuficiência respiratória;
  • insuficiência renal;
  • óbito.

Por isso, o reconhecimento precoce é fundamental.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames laboratoriais.

Entre os principais exames estão:

  • hemoculturas periféricas;
  • hemoculturas coletadas do cateter;
  • cultura da ponta do cateter após remoção;
  • exames laboratoriais inflamatórios.

A correlação entre os achados clínicos e microbiológicos auxilia na confirmação diagnóstica.

Como prevenir a infecção relacionada a cateter?

A prevenção é a medida mais eficaz. Grande parte dessas infecções pode ser evitada através da adesão aos protocolos de segurança.

Higiene das mãos

É considerada a medida isolada mais importante.

A higiene deve ser realizada:

  • antes da inserção;
  • antes da manipulação;
  • antes da troca de curativos;
  • após contato com o paciente.

Antissepsia adequada da pele

A preparação da pele deve seguir protocolos institucionais. A clorexidina alcoólica é amplamente utilizada devido à sua elevada eficácia antimicrobiana.

Desinfecção dos conectores

Os hubs e conectores devem ser friccionados com antisséptico antes de cada acesso. Essa prática é conhecida como “scrub the hub”.

Troca adequada de curativos

Os curativos devem permanecer:

  • limpos;
  • secos;
  • íntegros;
  • bem aderidos.

Sempre que houver comprometimento, a troca deve ser realizada.

Avaliação diária da necessidade do cateter

Todo cateter deve permanecer apenas pelo tempo necessário. Quanto maior o tempo de permanência, maior o risco de infecção.

Cuidados de Enfermagem

A prevenção da ICSRC baseia-se em um conjunto de práticas conhecidas como “pacotes de medidas” ou bundles. O cuidado começa antes mesmo da inserção, com a escolha do local mais adequado, a técnica de inserção estéril e a preparação rigorosa da pele do paciente com soluções antissépticas recomendadas.

Já na manutenção, o cuidado de enfermagem é diário e contínuo. A primeira regra é: manipule o mínimo necessário. Cada manipulação é um risco. Antes de qualquer acesso ao cateter, a desinfecção do conector com álcool a 70% ou clorexidina alcóolica é inegociável, e deve ser feita com fricção mecânica para garantir a eliminação do biofilme que pode estar se formando.

A avaliação do sítio de inserção deve ser diária. Procure por sinais de inflamação, como hiperemia, edema, calor local ou saída de secreção purulenta. Se o curativo estiver sujo, úmido ou solto, ele deve ser trocado imediatamente utilizando técnica asséptica. Além disso, a troca dos equipos de infusão deve seguir o protocolo institucional, pois o tempo prolongado de uso aumenta exponencialmente o risco de contaminação interna.

Por fim, o enfermeiro deve ser o defensor da remoção precoce. Um cateter que não é mais necessário deve ser retirado prontamente. Quanto mais tempo o dispositivo permanece no paciente, maior é o risco de infecção. Manter um registro claro de quantos dias o cateter está em uso ajuda a equipe a decidir o momento exato para sua retirada.

Curiosidades sobre infecção relacionada a cateter

As infecções de corrente sanguínea estão entre os eventos adversos mais monitorados em unidades de terapia intensiva. Estudos mostram que programas estruturados de prevenção podem reduzir significativamente as taxas de infecção.

A simples adesão adequada à higiene das mãos é capaz de evitar grande parte dos casos. Muitos hospitais utilizam bundles de prevenção compostos por um conjunto de medidas baseadas em evidências científicas.

A Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter é uma complicação potencialmente grave, mas amplamente evitável. A maioria dos casos está associada a falhas na inserção, manipulação ou manutenção dos dispositivos vasculares.

A enfermagem desempenha papel fundamental na prevenção dessas infecções por meio da higiene das mãos, da manutenção adequada dos cateteres, da observação contínua do paciente e da aplicação rigorosa das boas práticas assistenciais.

Com conhecimento técnico, vigilância constante e adesão aos protocolos institucionais, é possível reduzir significativamente a ocorrência de infecções e promover uma assistência cada vez mais segura e de qualidade.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI). Prevenção de infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateteres intravasculares. São Paulo: SBI, 2020. Disponível em: https://infectologia.org.br/
  4. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections. Disponível em: https://www.cdc.gov
  5. ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA (AMIB). Diretrizes para prevenção de infecções relacionadas a cateteres vasculares. Disponível em: https://www.amib.org.br
  6. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.

Tipos de Cateteres Venosos Centrais

A terapia intravenosa é uma das práticas mais comuns na assistência hospitalar, principalmente em pacientes críticos ou que necessitam de medicações em longo prazo. Nesse contexto, os cateteres venosos centrais (CVCs) são recursos fundamentais para garantir acesso venoso confiável, seguro e eficaz.

Existem diferentes tipos de CVCs, e cada um tem indicações específicas, vantagens e cuidados próprios. Saber diferenciá-los é essencial para qualquer profissional e estudante de enfermagem que deseja atuar com excelência na área hospitalar, especialmente em unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico ou oncologia.

Nesta publicação, vamos falar de maneira clara e completa sobre os principais tipos de cateteres venosos centrais, divididos por grupos: curta permanência, longa permanência e PICC.

O que é um Cateter Venoso Central?

O CVC é um dispositivo introduzido em veias de grande calibre, como a subclávia, jugular interna ou femoral, com a extremidade do cateter posicionada na veia cava superior ou inferior. Isso permite a infusão segura de soluções irritantes, nutrição parenteral, quimioterápicos, além da monitorização hemodinâmica central.

Cateteres de Curta Permanência

Esses são os mais comuns em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes críticos, cirúrgicos ou que necessitam de terapia intensiva por poucos dias.

CVC não tunelado

É um cateter de inserção direta, geralmente implantado pela veia jugular interna, subclávia ou femoral. Seu uso é indicado para terapia intensiva de curta duração (em média, até 7 a 14 dias).

Características:

  • Pode ter um, dois ou três lúmens.
  • Instalação feita por técnica asséptica, com auxílio do ultrassom em muitos serviços.
  • Mais sujeito a infecções se comparado aos de longa permanência.

Cuidados de enfermagem:

  • Trocar curativo a cada 48h (gaze) ou 7 dias (curativo transparente), ou quando estiver sujo/úmido.
  • Higienizar a conexão antes de manusear.
  • Observar sinais de infecção (eritema, dor, secreção).
  • Lavagem dos lúmens com SF 0,9% entre medicações incompatíveis ou antes de desuso.

Cateteres de Longa Permanência

Indicados para terapias prolongadas, como quimioterapia, antibioticoterapia de longa duração, nutrição parenteral crônica ou pacientes em cuidados paliativos.

Cateter Tunelado (tipo Hickman ou Broviac)

São inseridos cirurgicamente, e parte do cateter passa por um túnel subcutâneo antes de atingir a veia central. Esse túnel forma uma barreira natural contra infecções.

Indicações:

  • Terapia de meses a anos.
  • Pacientes com necessidade contínua de infusões.

Características:

  • Menor risco de infecção.
  • Possui cuff (manguito) que estimula aderência ao tecido subcutâneo.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo inicial reforçado e trocado semanalmente.
  • Técnica asséptica rigorosa.
  • Monitoramento frequente de sinais flogísticos e permeabilidade.

Cateter totalmente implantado (Port-a-Cath)

Conhecido como “port”, é implantado sob a pele, com um reservatório conectado a um cateter venoso central. A punção é feita com agulha específica (agulha de Huber).

Indicações:

  • Pacientes oncológicos.
  • Terapias intermitentes de longa duração.

Vantagens:

  • Fica totalmente sob a pele (menor risco de infecção).
  • Estética mais favorável.

Cuidados de enfermagem:

  • Punção com agulha Huber sob técnica estéril.
  • Troca da agulha a cada 7 dias (em uso contínuo).
  • Lavagem com heparina se ficar em desuso por longos períodos.

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

O PICC é um cateter central, mas inserido por veia periférica (geralmente basílica ou cefálica), com a extremidade posicionada na veia cava superior. É uma excelente alternativa para pacientes com acesso venoso periférico difícil ou que precisarão de acesso por semanas.

Indicações:

  • Uso de 7 dias até 1 ano.
  • Antibióticos, nutrição parenteral, quimioterapia.

Características:

  • Pode ser inserido por enfermeiros treinados.
  • Mais confortável para o paciente.
  • Menor risco de complicações pulmonares ou cardíacas.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo com filme transparente trocado semanalmente.
  • Fixação com dispositivo próprio (não usar esparadrapo comum).
  • Lavagem com SF 0,9% e, em alguns protocolos, heparina.
  • Observar sinais de trombose (edema no braço, dor, dificuldade de infusão).

Comparativo Geral dos Tipos de CVC

Tipo de CVC Duração esperada Via de inserção Risco de infecção Manutenção
Não Tunelado Curta (até 14 dias) Jugular, subclávia Moderado Alta
Tunelado (Hickman) Longa (meses-anos) Cirúrgica subcutânea Baixo Moderada
Port-a-Cath Longa (anos) Cirúrgica subcutânea Muito baixo Baixa
PICC Intermediária Periférica (braço) Baixo Moderada

Prevenção de complicações

Independente do tipo de CVC, a atuação da enfermagem é fundamental na prevenção das complicações, principalmente a Infecção da Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (IPCS). Cada CVC inserido representa um risco, e é nosso dever minimizá-lo com:

  • Higiene das Mãos Rigorosa: Sempre, sempre, sempre!
  • Técnica Asséptica: Para inserção e manutenção do curativo, flushing e administração de medicações.
  • Avaliação Contínua: Observar diariamente o sítio de inserção e os sinais vitais do paciente.
  • Flushing Adequado: Manter a permeabilidade é manter a segurança.
  • Remoção Precoce: Se o CVC não for mais necessário, ele deve ser retirado para diminuir o risco.

Entender os diferentes tipos de cateteres venosos centrais é um conhecimento essencial para a prática segura da enfermagem. Cada tipo tem indicações específicas, características únicas e exige cuidados distintos. A atuação da enfermagem é crucial tanto na prevenção de complicações quanto na manutenção da funcionalidade desses dispositivos.

Saber reconhecer sinais de infecção, garantir curativos bem feitos, aplicar técnicas assépticas rigorosas e orientar o paciente são responsabilidades que impactam diretamente na segurança e recuperação da pessoa assistida.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/publicacoes/documentos-de-orientacao/medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude
  2. PERRY, A. G.; POTTER, P. A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. SILVA, R. A. et al. Cuidados de Enfermagem com Cateter Venoso Central. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 234–240, 2019.Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/JQwQnvPRvcq6s4gVpPbsT6F/
  4. GARCEZ, A. P. N.; MACHADO, R. C. M.; AZEVEDO, L. M. M. Cateter Venoso Central: revisão sobre indicação, inserção, manutenção e complicações. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 23, n. 4, p. 556-560, out./dez. 2013. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/544/cateter-venoso-central-revisao-sobre-indicacao–insercao–manutencao-e-complicacoes. Acesso em: 18 jun. 2025.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE INFECTOLOGIA (SOBEI). Recomendações para a Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateteres Vasculares. São Paulo: SOBEI, 2017. (Buscar em publicações da SOBEI ou outras sociedades de controle de infecção).

Método ZIM e o PICC

O método ZIM é uma abordagem sistemática para determinar o local de inserção ideal para o cateter PICC no braço, baseado na mensuração do comprimento do braço e na divisão dessa área em três zonas, tendo como referência anatômica o início do epicôndilo medial do úmero e como final a linha axilar.

Por que utilizar este método?

O método ZIM visa reduzir as complicações relacionadas à inserção do PICC, como trombose venosa, infecção, extravasamento e migração do cateter.

Também facilita a escolha do tamanho adequado do cateter, evitando excesso ou falta de material. É indicado para pacientes adultos e pediátricos, mas requer treinamento e habilidade dos profissionais que realizam o procedimento.

Como é feito?

Para realizar a inserção do cateter PICC pelo método ZIM, é necessário seguir os seguintes passos:

  • Avaliar o paciente e verificar as indicações e contraindicações para o uso do PICC.
  • Escolher o braço para a inserção, preferencialmente o braço não dominante e sem lesões ou alterações vasculares.
  • Medir o comprimento do braço desde o início do epicôndilo medial do úmero até a linha axilar e dividir essa medida em três partes iguais, formando as zonas 1, 2 e 3.
  • Identificar a veia mais adequada para a punção, de acordo com o calibre, trajeto e profundidade. A veia basílica é a mais recomendada, seguida da veia cefálica e da veia braquial. A zona 1 é a preferida para a punção, pois permite uma maior estabilidade do cateter e menor risco de complicações. A zona 2 é a segunda opção, mas requer mais cuidado na fixação do cateter. A zona 3 é a última opção, pois aumenta o risco de trombose, infecção e migração do cateter.
  • Realizar a antissepsia da pele e colocar os equipamentos de proteção individual (EPIs).
  • Realizar a punção venosa com técnica asséptica, usando uma agulha introdutora ou um dispositivo de acesso vascular periférico (DAVP).
  • Confirmar o retorno venoso e avançar o cateter pelo introdutor ou pelo DAVP até atingir a veia cava superior ou inferior, de acordo com o comprimento previamente calculado.
  • Retirar o introdutor ou o DAVP e fixar o cateter na pele com um curativo transparente e adesivo.
  • Realizar uma radiografia de tórax para confirmar a posição correta do cateter e avaliar possíveis complicações.
  • Liberar o uso do cateter após a confirmação radiológica e registrar o procedimento em prontuário.

Referências:

  1. Protocolo Núcleo de Protocolos Assistenciais Multiprofissionais/03/2017 Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) Neonatal e Pediátrico: Implantação, Manutenção e Remoção
  2. Cateter central de inserção periférica em pediatria e neonatologia: possibilidades de sistematização em hospital universitário 
  3. Método de inserção de zona PICCTM (ZIMTM): uma abordagem sistemática para determinar o local de inserção ideal para PICCs no braço 
  4. Colocación de PICC: el método ZIM y la tunelización, 2 recursos claves para asegurar su éxito 

Cateteres Intravenosos: Tempo de Permanência

Os acessos intravasculares são procedimentos que permitem e facilitam diversas formas de tratamentos aos doentes, desde administração de medicamentos até a realização de nutrição parenteral.

A ANVISA determina recomendações para a troca destes dispositivos, a fim de evitar infecções relacionadas ao uso de dispositivos intravenosos.

Tempo de Permanência

  • Scalp: Até 24 horas;
  • Jelco: Até 96 horas;
  • CVC: curto: até 7 dias, longo: após 7 dias, temporário: até 30 dias, definitivo: mais de 30 dias;
  • PICC: Até 1 ano.

Referências:

  1. ANVISA
  2. http://biblioteca.cofen.gov.br/cateteres-perifericos-novas-recomendacoes-anvisa-garantem-seguranca-assistencia/
  3. http://al.corens.portalcofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/PARECER-T%C3%89CNICO-N%C2%BA-007_2020-PAD-N-047_2020-e-064_2020.pdf
  4. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/Cinco_passos_prevencao_infeccoes.pdf
  5.  Infusion Nurses Society (INS)

Statlock: Dispositivo para Fixação de Cateteres

O Dispositivo Statlock é uma modernidade quando falamos em “sutura sem fio” para cateteres centrais, e fixação segura para sondas vesicais.

Compostos de tecido de malha livre de látex, que permite troca gasosa, fornecendo uma fixação adicional ao cateter e conforto ao paciente.

Principal Função

Atua como estabilizador sem sutura que traz segurança e redução de riscos de acidentes perfurocortantes, utilizado para preservar a integridade do dispositivo intravenoso de modo a prevenir a migração e perda do cateter.

Tipos

Existem atualmente diversos modelos deste dispositivo, para fixação de Sondas Folley, Cateteres para Hemodiálise, Venosos Centrais e periféricas, de acordo com importância na sua utilização.

Características

Dispositivo auto adesivo, podendo ser removido posteriormente com álcool, composto com a trava de segurança central de encaixe para cateteres.

Dicas

PICC têm até 60% das complicações por cateter de inserção periférica

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