
Vá direto ao ponto!
A disfagia é uma alteração da deglutição que pode comprometer a passagem segura de alimentos, líquidos ou até mesmo saliva. O problema é que o paciente pode aspirar sem apresentar um engasgo evidente. Por isso, identificar fatores de risco e sinais durante a alimentação é fundamental para evitar complicações respiratórias.
Os sinais que merecem atenção
Durante ou logo após a alimentação, observe tosse, engasgo, voz molhada ou “gorgolejante”, alteração vocal, escape de alimento pela boca, dificuldade para mastigar, sensação de alimento parado na garganta, sialorreia e acúmulo de resíduos na cavidade oral. Cansaço durante a refeição, refeições muito prolongadas e desconforto respiratório associado à alimentação também podem indicar risco.
Uma situação clínica bastante comum é o paciente terminar alguns goles de água, não tossir imediatamente e, minutos depois, apresentar voz diferente e necessidade de pigarrear repetidamente. Esse tipo de mudança merece atenção, principalmente quando se repete durante as refeições. Ausência de tosse não garante que não houve aspiração, porque existem situações de aspiração silenciosa.
Quem precisa de atenção redobrada?
Alterações neurológicas, redução do nível de consciência, histórico de AVC, doenças de cabeça e pescoço, idade avançada, alterações do reflexo de tosse, presença de sonda, sialorreia e histórico de disfagia aumentam a necessidade de avaliação. Pacientes críticos, especialmente após períodos de ventilação mecânica e extubação, também podem apresentar maior risco.
Imagine um paciente recém-extubado que recebe dieta por via oral. Durante os primeiros minutos, ele consegue iniciar a deglutição, mas começa a tossir repetidamente, fica cansado e apresenta alteração da voz. Nesse momento, insistir na oferta para “ver se melhora” não é uma boa estratégia. A alteração precisa ser comunicada e a alimentação deve seguir o protocolo e a avaliação definida pela equipe, com participação da fonoaudiologia quando indicada.
O que a enfermagem deve observar
A avaliação começa antes mesmo da primeira colherada. Observe nível de consciência, capacidade de manter postura adequada, controle de secreções, higiene oral, presença de tosse e condições respiratórias. Durante a alimentação, acompanhe ritmo, mastigação, deglutição, presença de engasgos, alterações da voz e sinais de fadiga.
Também é importante lembrar que teste de deglutição à beira-leito não substitui uma avaliação especializada quando existe suspeita de disfagia. Protocolos de triagem ajudam a identificar quem precisa de investigação, mas nenhum teste isolado deve ser usado como garantia de ausência de aspiração.
Cuidados de enfermagem
Na prática, alguns cuidados são essenciais: manter o paciente em posição adequada durante a alimentação, seguir a consistência prescrita ou definida no plano terapêutico, supervisionar a oferta quando indicada, observar sinais de intolerância e registrar alterações encontradas.
Pacientes identificados como de risco devem ser sinalizados conforme protocolo institucional, e medidas como elevação do decúbito, adequação da dieta e avaliação da disfagia podem fazer parte da estratégia de prevenção da broncoaspiração.
Se houver suspeita de disfagia, não modifique por conta própria a consistência da dieta nem libere líquidos ou alimentos fora da orientação estabelecida. O cuidado deve ser articulado com a equipe responsável e, quando indicado, com o fonoaudiólogo.
Uma regra prática para lembrar
Tossiu? Voz mudou? Engasgou? Ficou cansado? Acumulou alimento na boca? Apresentou desconforto respiratório durante a alimentação?
Não trate esses sinais como detalhes da refeição. Eles podem ser o primeiro alerta de que a deglutição não está acontecendo com segurança.
Em pacientes com AVC agudo, por exemplo, recomenda-se realizar triagem da deglutição por profissional treinado antes da oferta de alimentos, líquidos ou medicamentos por via oral. A identificação precoce permite estabelecer uma forma de alimentação mais segura e reduzir complicações relacionadas à aspiração.
Disfagia Como Identificar Risco de Aspiração
- Reconhecer sinais de disfagia
- Observar tosse e alteração da voz
- Identificar pacientes de maior risco
- Prevenir broncoaspiração durante a alimentação
Referências:
- AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION. Swallowing screening. Rockville: ASHA, [s.d.]. Disponível em: ASHA – Swallowing Screening.
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde: práticas seguras para prevenção da broncoaspiração. Brasília: Anvisa, 2024. Disponível em: Anvisa – Prevenção de broncoaspiração.
- BRASIL. Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Protocolo assistencial: prevenção da broncoaspiração no adulto. Belo Horizonte: HC-UFMG/Ebserh, 2025. Disponível em: Protocolo HC-UFMG – Prevenção da broncoaspiração no adulto.
- INTERCOLLEGIATE STROKE WORKING PARTY. National Clinical Guideline for Stroke: swallowing. London: Royal College of Physicians, 2023. Disponível em: National Clinical Guideline for Stroke – Swallowing.
Consistência de líquidos para pacientes Disfágicos
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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