RCP na Prática: O Que Fazer Primeiro

sequencia RCP

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 02/10/2026.

Em uma parada cardiorrespiratória, saber a ordem das ações é tão importante quanto executar cada manobra corretamente. A prioridade é reconhecer rapidamente a PCR, iniciar compressões de alta qualidade e disponibilizar o desfibrilador o quanto antes.

Reconheça a PCR sem perder tempo

Verifique a segurança da cena, avalie a responsividade e observe a respiração. Ausência de respiração normal ou presença de gasping deve levantar suspeita de PCR. Para profissionais de saúde, o pulso pode ser avaliado simultaneamente, mas a checagem não deve ultrapassar 10 segundos; se o pulso não for definitivamente identificado, inicie a RCP.

Em um cenário comum de atendimento, a diferença entre alguém dizer “ele está respirando estranho” e reconhecer que aquele gasping é uma respiração agônica pode mudar completamente a velocidade da resposta. Por isso, não espere uma ausência absoluta de movimentos respiratórios para começar as manobras.

C-A-B continua sendo a lógica da RCP

A sequência permanece baseada em C – circulação, A – via aérea e B – respiração, porque as compressões devem começar o mais rapidamente possível.

C — Compressões torácicas

Coloque a pessoa em superfície firme, posicione o calcanhar de uma mão no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, e coloque a outra mão sobre a primeira. Mantenha os braços estendidos e faça compressões a 100–120 por minuto, com profundidade de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm no adulto médio. Permita o retorno completo do tórax após cada compressão.

Quando houver mais de um profissional, o compressor deve ser substituído aproximadamente a cada 2 minutos, reduzindo a perda de qualidade por fadiga. As interrupções devem ser mínimas e justificadas por intervenções necessárias, como análise do ritmo ou desfibrilação.

A — Abertura da via aérea

Sem suspeita de trauma cervical, utilize a inclinação da cabeça com elevação do mento. Em trauma de cabeça e pescoço, a abertura da via aérea com tração da mandíbula é preferida inicialmente; se não for suficiente, a AHA 2025 reforça que a via aérea deve ser aberta com inclinação da cabeça e elevação do mento, pois manter a oxigenação e a ventilação é prioridade.

B — Ventilação

Na ausência de via aérea avançada, a RCP convencional utiliza ciclos de 30 compressões para 2 ventilações. Cada ventilação deve durar cerca de 1 segundo e produzir elevação visível do tórax, evitando tanto ventilação insuficiente quanto excessiva.

Quando uma via aérea avançada estiver instalada, as compressões podem continuar sem pausas para ventilação, com aproximadamente 1 ventilação a cada 6 segundos, ou 10 por minuto, conforme o contexto e o protocolo de suporte avançado.

Na prática, é comum observar a equipe concentrada em “ventilar bastante” enquanto as compressões ficam interrompidas por tempo excessivo. Em uma PCR, esse intervalo importa: a ventilação precisa ser eficaz, mas não deve transformar cada ciclo em uma longa pausa nas compressões.

D — Desfibrilação o mais cedo possível

Assim que o DEA ou desfibrilador estiver disponível, conecte-o e permita a análise do ritmo. Se houver indicação de choque, todos devem se afastar durante a desfibrilação e a RCP deve ser retomada imediatamente após o choque, começando pelas compressões, sem uma pausa adicional para nova checagem do ritmo. Se o ritmo não for chocável, reinicie imediatamente a RCP por aproximadamente 2 minutos antes da próxima análise.

A desfibrilação precoce e a RCP de alta qualidade continuam entre as intervenções mais importantes no atendimento da PCR.

E se houver retorno da circulação?

Após o retorno da circulação espontânea, o atendimento deixa de ser apenas uma sequência de compressões e passa para os cuidados pós-PCR, com avaliação de via aérea, respiração, circulação, oxigenação, pressão arterial, causa da parada e controle de temperatura, conforme o cenário clínico e o suporte disponível.

A antiga ideia de simplesmente colocar todo paciente que recuperou a consciência em “posição de recuperação” também precisa ser contextualizada. O posicionamento deve considerar consciência, respiração, risco de aspiração, trauma e necessidade de continuidade do atendimento avançado.

Cuidados de enfermagem

Durante a RCP, a equipe de enfermagem deve organizar o atendimento, manter compressões de qualidade, preparar e conectar o desfibrilador/DEA, auxiliar na ventilação e no controle da via aérea, providenciar acesso vascular conforme a competência profissional e protocolo, administrar medicamentos quando indicados e registrar horários, intervenções, ritmos, choques e resposta do paciente.

Em ambiente hospitalar, também é fundamental conferir previamente a disponibilidade e o funcionamento do carrinho de emergência, desfibrilador, dispositivos de ventilação e materiais necessários para uma resposta rápida. A composição e a organização devem seguir o protocolo institucional.

A RCP não é apenas “fazer massagem cardíaca”: é uma resposta coordenada, na qual compressões eficazes, desfibrilação quando indicada, ventilação adequada e redução das interrupções precisam acontecer de forma integrada.

Resumo para salvar

RCP na prática

  • Reconheça rapidamente a PCR
  • Faça compressões de alta qualidade
  • Use o DEA o mais cedo possível
  • Reduza as interrupções durante a RCP

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Basic Life Support
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Basic Life Support Algorithm for Health Care Professionals. 2025. Algoritmo de SBV para profissionais de saúde
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Advanced Life Support
  4. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Brasília, 2026. Ministério da Saúde – SAMU 192
  5. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de Suporte Básico de Vida. Brasília: Ministério da Saúde. Atualizado em 23 abr. 2024. Protocolo de Suporte Básico de Vida
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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