O que é Termo de Consentimento Informado do Paciente?

Vá direto ao ponto!

O Termo de Consentimento Informado do Paciente é um documento que representa muito mais do que uma simples assinatura antes de um procedimento. Ele está relacionado diretamente ao direito do paciente de receber informações, compreender sua situação e participar das decisões sobre o próprio cuidado.

Na prática, o consentimento informado materializa um dos princípios mais importantes da assistência em saúde: a autonomia do paciente.

Para quem está começando na Enfermagem, é comum surgir a dúvida: “Se o paciente assinou o termo, significa que o profissional está protegido de qualquer responsabilidade?” A resposta é não.

A assinatura, sozinha, não transforma um procedimento inadequado em procedimento correto, não autoriza negligência ou imprudência e não substitui uma comunicação adequada com o paciente.

O consentimento é, antes de tudo, um processo de informação e decisão, e o documento serve como registro desse processo.

No Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, o Cofen determina que o profissional respeite a autonomia da pessoa na tomada de decisão livre e esclarecida sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto e bem-estar. O mesmo Código estabelece a necessidade de consentimento prévio para a prática profissional, ressalvadas situações previstas na própria norma, como incapacidade decisória sem representante ou responsável legal e outras situações legalmente estabelecidas.

O que é o Termo de Consentimento Informado?

O Termo de Consentimento Informado, também encontrado como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou simplesmente consentimento informado, é um instrumento utilizado para registrar que o paciente recebeu informações adequadas sobre determinado procedimento, tratamento ou intervenção e teve oportunidade de decidir de maneira livre e esclarecida.

É importante diferenciar duas coisas:

Consentimento informado é o processo.

Termo de consentimento é o documento que registra esse processo.

Essa diferença é fundamental. Imagine que um paciente receba um formulário de várias páginas e simplesmente escute:

“Assine aqui.”

Ele pode ter assinado o documento, mas isso não significa necessariamente que tenha ocorrido um consentimento verdadeiramente informado.

Para que exista consentimento válido, o paciente precisa ter recebido informações compreensíveis e ter tido oportunidade de fazer perguntas e tomar sua decisão sem coerção.

A Recomendação CFM nº 1/2016, por exemplo, estabelece que a informação deve ser correta, suficiente, adequada e capaz de esclarecer as dúvidas do paciente, utilizando linguagem acessível e sem induzi-lo ao erro sobre natureza, características, riscos, consequências ou outros aspectos do procedimento.

Por que o consentimento informado é tão importante?

Imagine que uma pessoa precise realizar uma cirurgia.

Ela pode pensar que o procedimento é simples, mas desconhecer:

  • qual é exatamente o procedimento;
  • por que ele é necessário;
  • quais benefícios são esperados;
  • quais riscos podem ocorrer;
  • quais alternativas existem;
  • o que pode acontecer se não realizar o procedimento;
  • como será o período de recuperação.

Sem essas informações, a pessoa não consegue participar verdadeiramente da decisão. O consentimento informado procura justamente evitar que o paciente seja tratado como alguém que simplesmente “recebe ordens”. Ele reconhece que o paciente é sujeito ativo do próprio cuidado.

Isso está diretamente relacionado aos princípios de autonomia, dignidade, liberdade e respeito aos direitos humanos. O próprio Código de Ética da Enfermagem afirma que o profissional deve atuar respeitando a autonomia da pessoa e sua participação em decisões relacionadas à própria saúde.

Consentimento informado não é apenas uma burocracia

Um dos maiores erros é enxergar o termo apenas como um documento necessário para “liberar” uma cirurgia, exame ou procedimento. Na realidade, ele faz parte de uma relação de comunicação entre profissional e paciente. O documento deve ser consequência de uma conversa adequada. Por exemplo, imagine um paciente que receberá determinado procedimento invasivo.

Não basta entregar o papel. É necessário que ele tenha condições de compreender:

  • O que será feito?
  • Por que será feito?
  • Quais benefícios podem ser esperados?
  • Quais riscos existem?
  • Existem alternativas?
  • O que pode acontecer se ele não fizer?
  • Como será o cuidado depois?

Quando necessário, também devem ser explicados desconfortos, limitações, possibilidade de complicações e outras informações relevantes. A Recomendação CFM nº 1/2016 apresenta justamente elementos que devem compor o consentimento, incluindo justificativa, objetivos, descrição do procedimento, duração, possíveis desconfortos, benefícios, riscos, alternativas, consequências da não realização e cuidados posteriores.

Consentimento informado e autonomia do paciente

A autonomia significa, de maneira simplificada, o direito que uma pessoa capaz possui de participar das decisões sobre sua própria vida e saúde. Isso significa que o paciente não é obrigado a aceitar determinado tratamento simplesmente porque o profissional acredita que aquela seja a melhor opção.

Depois de receber informações adequadas, o paciente pode:

  • aceitar o procedimento;
  • recusar o procedimento;
  • fazer perguntas;
  • pedir esclarecimentos;
  • solicitar tempo para pensar, quando a situação permitir;
  • buscar uma segunda opinião.

O profissional deve respeitar a decisão dentro dos limites éticos e legais aplicáveis. Isso é particularmente importante porque uma decisão diferente daquela desejada pela equipe não significa necessariamente que o paciente “não sabe o que está fazendo”. A autonomia pressupõe justamente que pessoas capazes possam tomar decisões diferentes das que o profissional tomaria.

O paciente pode mudar de ideia depois de assinar?

Sim. Esse é um ponto muito importante. A assinatura do termo não significa que o paciente tenha perdido o direito de mudar sua decisão. O consentimento deve permanecer livre e voluntário.

Se, antes do procedimento, o paciente disser:

“Eu não quero mais fazer.” a equipe não deve simplesmente responder:

“Mas você já assinou.”

É necessário avaliar a situação, compreender o motivo da mudança, comunicar a equipe responsável e registrar adequadamente a decisão. A assinatura não transforma o consentimento em uma obrigação irrevogável.

O que deve constar em um Termo de Consentimento?

O conteúdo pode variar conforme o procedimento, instituição e legislação aplicável. Entretanto, de maneira geral, um termo adequado deve apresentar informações suficientes para que o paciente compreenda aquilo que está autorizando. Entre os elementos importantes estão:

Identificação

Deve haver identificação adequada do paciente e, quando aplicável, de seu representante legal. Também podem constar os profissionais envolvidos e informações de contato, conforme o modelo utilizado.

Descrição do procedimento

O paciente precisa saber o que será realizado. Evitar termos excessivamente técnicos é essencial. Em vez de simplesmente escrever:

“Realização de procedimento invasivo sob sedação.” é importante explicar, de forma compreensível, o que efetivamente acontecerá.

Finalidade

Deve ficar claro por que o procedimento está sendo proposto.

Benefícios esperados

O paciente deve saber quais resultados são esperados. É importante evitar promessas de resultados garantidos quando eles não podem ser assegurados.

Riscos e possíveis complicações

Os riscos relevantes devem ser apresentados de maneira compreensível. Não é necessário assustar o paciente, mas também não se deve esconder informações importantes.

Alternativas

Quando existirem alternativas razoáveis, elas devem ser apresentadas conforme a situação clínica.

Consequências da recusa

O paciente também precisa compreender o que pode acontecer caso decida não realizar o procedimento.

Cuidados posteriores

Quando aplicável, o documento deve informar cuidados necessários após o procedimento. A Recomendação CFM nº 1/2016 inclui esses elementos entre aqueles que devem constar no consentimento livre e esclarecido.

Linguagem simples é fundamental

Um termo de consentimento não deve ser escrito como se tivesse sido produzido exclusivamente para profissionais de saúde. Imagine entregar a um paciente:

“Consentimento para realização de procedimento com possibilidade de intercorrências hemodinâmicas, eventos tromboembólicos e complicações inerentes à abordagem invasiva.”

Para um profissional de saúde, a frase pode parecer relativamente compreensível, para muitos pacientes, não. Por isso, o ideal é explicar os termos técnicos.

Por exemplo:

  • Trombose: formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo.
  • Hemorragia: sangramento que pode ser significativo dependendo da situação.
  • Sedação: uso de medicamentos para reduzir ansiedade, desconforto ou nível de consciência durante determinado procedimento.

A informação precisa ser adequada ao nível de compreensão do paciente.

Quem deve explicar o procedimento?

Essa é uma questão que merece bastante atenção. O profissional responsável pela realização ou indicação do procedimento deve cumprir as responsabilidades que lhe cabem na obtenção do consentimento, conforme o tipo de intervenção e as normas institucionais e profissionais.

A enfermagem também possui responsabilidades importantes. O profissional de Enfermagem deve garantir que sua atuação respeite a autonomia e o consentimento do paciente. O Código de Ética estabelece que a prática profissional deve ocorrer mediante consentimento prévio do paciente, representante ou responsável legal, ou decisão judicial, ressalvadas as situações previstas na própria norma.

Isso não significa, entretanto, que o técnico de enfermagem deva assumir a responsabilidade de explicar aspectos médicos de um procedimento para os quais não possui competência.

E se o paciente disser que não entendeu?

Esse é um momento em que a equipe precisa parar e esclarecer. Nunca é adequado pensar:

“Ele já assinou.”

Se o paciente demonstra dúvida, o consentimento precisa ser revisto e as informações novamente explicadas pelo profissional competente.

Um paciente que pergunta:

-“Mas existe risco de eu morrer?”; não deve receber simplesmente dizer:

– “Está tudo explicado no papel.”

Essa pergunta demonstra que existe uma preocupação que precisa ser acolhida e esclarecida.

Consentimento e capacidade de decisão

Nem toda pessoa possui capacidade para tomar decisões de saúde de forma autônoma em todas as situações. É necessário avaliar a capacidade de compreensão e decisão de acordo com o contexto.

Uma pessoa pode estar consciente e conversar normalmente, mas ainda assim apresentar alterações que comprometam sua capacidade de compreender determinada decisão. Por isso, estar acordado não é sinônimo de estar automaticamente apto a consentir sobre qualquer procedimento.

Quando o paciente não possui capacidade para decidir, a situação deve ser conduzida conforme a legislação, as normas profissionais e os protocolos institucionais, incluindo a participação de representante ou responsável legal quando aplicável.

Crianças e adolescentes

A situação envolvendo crianças e adolescentes exige atenção especial. Em determinadas circunstâncias, o consentimento é obtido do responsável legal, enquanto a criança ou adolescente pode participar do processo de decisão de acordo com sua capacidade de compreensão.

No contexto de pesquisa com seres humanos, por exemplo, a legislação brasileira diferencia consentimento do responsável e assentimento do participante menor ou legalmente incapaz, considerando sua capacidade de compreensão. A Lei nº 14.874/2024 estabelece regras específicas para pesquisas envolvendo seres humanos.

É importante não confundir automaticamente as regras de pesquisa científica com as regras aplicáveis à assistência clínica cotidiana: cada situação possui normas próprias.

E quando o paciente está inconsciente?

Em uma situação de emergência, o atendimento não pode simplesmente ser interrompido porque não foi possível obter uma assinatura. Existem situações em que o paciente está incapaz de manifestar sua vontade e não há representante disponível, enquanto a intervenção é necessária para preservar sua vida ou evitar dano grave.

Nessas circunstâncias, aplicam-se as exceções previstas na legislação, normas profissionais e protocolos institucionais. O próprio Código de Ética da Enfermagem prevê ressalvas ao consentimento prévio nos casos em que não haja capacidade de decisão e esteja ausente representante ou responsável legal, entre outras situações previstas.

Isso é diferente de simplesmente realizar um procedimento eletivo sem consentimento.

O consentimento informado protege o profissional?

Sim, o documento pode possuir importante valor documental, ético e jurídico. Mas existe uma diferença enorme entre documentar o consentimento e usar o termo como uma espécie de “blindagem” profissional. Imagine que um profissional cometa uma falha técnica durante um procedimento e depois tente justificar:

“Mas o paciente assinou o termo.” Isso não elimina automaticamente a responsabilidade pelo erro.

O consentimento significa que o paciente autorizou determinado procedimento depois de receber informações adequadas. Ele não autoriza o profissional a agir com negligência, imprudência ou imperícia.

O Código de Ética da Enfermagem estabelece responsabilidade profissional por faltas cometidas no exercício das atividades quando caracterizadas as condições previstas no próprio Código.

Portanto:

  • Consentimento não significa autorização para causar dano.
  • O termo também protege o paciente

Essa talvez seja uma das funções mais importantes do documento. O termo não deve ser encarado somente como proteção para o hospital ou para o profissional. Ele também protege o paciente porque documenta que determinadas informações deveriam ter sido apresentadas e que houve participação na decisão. Mais importante ainda: o próprio processo de consentimento ajuda o paciente a compreender melhor aquilo que acontecerá.

Consentimento informado e sigilo

O consentimento também se relaciona com privacidade e confidencialidade. Informações relacionadas à saúde do paciente são dados sensíveis e devem ser protegidas. O Código de Ética da Enfermagem determina o dever de manter sigilo sobre fatos conhecidos em razão da atividade profissional, ressalvadas as situações previstas em lei ou nas normas éticas.

Por isso, documentos de consentimento, prontuários e informações clínicas devem ser manejados de acordo com as normas de segurança e confidencialidade da instituição e da legislação aplicável.

Qual é o papel da Enfermagem?

A enfermagem está muito próxima do paciente durante todo o processo assistencial. Por isso, frequentemente é o profissional de enfermagem quem percebe primeiro que o paciente:

  • não entendeu o procedimento;
  • está inseguro;
  • apresenta dúvidas;
  • mudou de opinião;
  • está com medo;
  • não compreendeu os riscos;
  • acredita que está assinando outra coisa.

Nessas situações, a equipe de enfermagem deve acolher o paciente e comunicar o profissional responsável, evitando ultrapassar seus limites de competência. O Código de Ética também estabelece que o profissional de Enfermagem deve atuar de maneira autônoma e respeitar os direitos humanos, incluindo liberdade, dignidade, segurança pessoal e livre escolha.

Cuidados de enfermagem relacionados ao consentimento informado

Antes de um procedimento, a enfermagem pode contribuir para que o processo seja mais seguro verificando se o paciente está adequadamente identificado e se a documentação necessária está disponível, de acordo com o protocolo institucional. Também é importante observar se existe alguma situação que possa comprometer a compreensão ou a segurança do paciente.

Por exemplo, um paciente muito sedado, confuso ou com alteração importante do nível de consciência não deve ser tratado da mesma maneira que um paciente plenamente orientado.

Outro cuidado importante é não induzir a resposta do paciente.

Perguntar:

-“Você vai assinar, não é?”; é diferente de perguntar:

-“Você entendeu o procedimento e gostaria que eu chamasse o profissional responsável para esclarecer alguma dúvida?”

A segunda abordagem respeita muito mais a autonomia.

O que a enfermagem deve fazer se o paciente se recusar?

A recusa deve ser tratada com seriedade. O profissional não deve ameaçar, constranger ou ridicularizar o paciente. Uma abordagem adequada é compreender o motivo:

-“Você poderia me explicar o que está deixando você inseguro?”

Talvez o paciente tenha medo da dor. Talvez não tenha entendido o procedimento, talvez tenha recebido uma informação diferente de outro profissional ou talvez simplesmente não queira realizar o procedimento. Depois disso, a situação deve ser comunicada à equipe responsável e documentada conforme os protocolos institucionais.

O direito à autonomia não desaparece simplesmente porque a decisão do paciente é diferente daquela desejada pela equipe.

Termo de consentimento e prontuário

O termo normalmente integra a documentação assistencial e deve ser arquivado conforme as regras da instituição. A documentação precisa permitir identificar:

  • quem consentiu;
  • para qual procedimento;
  • quando;
  • em quais condições;
  • quem prestou as informações;
  • e quais documentos foram utilizados.

A Recomendação CFM nº 1/2016, por exemplo, prevê a existência de vias do termo, com uma destinada ao paciente e outra para arquivamento no prontuário médico. Os detalhes podem variar conforme o procedimento, instituição e regulamentação aplicável.

Consentimento informado não é o mesmo que autorização genérica

Essa diferença é muito importante. Um documento dizendo:

“Autorizo todos os procedimentos necessários.” é muito mais genérico do que um consentimento específico e esclarecido para determinada intervenção.

O paciente precisa saber o que está autorizando. Quanto mais relevante, invasivo ou complexo for o procedimento, maior é a importância de uma comunicação adequada e específica.

Consentimento para procedimentos de enfermagem

A relação entre consentimento e enfermagem não se limita a cirurgias. A assistência de enfermagem também envolve procedimentos que podem exigir consentimento conforme sua natureza, riscos, normas profissionais e protocolos institucionais.

Exemplos podem incluir determinados procedimentos invasivos, coleta de materiais, inserção de dispositivos, administração de determinados tratamentos ou participação em procedimentos específicos. O profissional precisa conhecer as normas institucionais e profissionais relacionadas à sua atividade.

O princípio geral permanece:

“o paciente não deve ser submetido a uma intervenção contra sua vontade, salvo as situações excepcionais previstas em lei e nas normas aplicáveis.”

Termo de consentimento e pesquisa científica

É importante fazer uma distinção. O consentimento para assistência à saúde não é exatamente a mesma coisa que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido utilizado em pesquisas com seres humanos. A pesquisa possui regras próprias.

A Lei nº 14.874/2024 dispõe sobre pesquisas com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, estabelecendo princípios e regras específicas para essa atividade.

Em pesquisas, o consentimento precisa abordar aspectos específicos relacionados à participação do indivíduo, riscos, benefícios, voluntariedade, proteção e demais exigências previstas nas normas aplicáveis.

Um exemplo prático para o estudante de enfermagem

Imagine que um paciente esteja internado e será submetido a um procedimento. Antes de encaminhá-lo, o técnico de enfermagem percebe que ele pergunta:

-“Mas o que exatamente vão fazer comigo?” Esse momento é um sinal de alerta.

A resposta não deve ser:

-“Está tudo no termo que você assinou.”

O profissional pode acolher a dúvida e verificar se o paciente recebeu as informações necessárias, acionando o enfermeiro e/ou profissional responsável pelo procedimento para esclarecimento. Isso é segurança do paciente.

O objetivo não é simplesmente conferir se existe uma assinatura no papel e sim verificar se o processo de cuidado está acontecendo de forma segura, ética e respeitosa.

Principais erros relacionados ao consentimento informado

Um dos erros mais comuns é transformar o termo em uma mera formalidade administrativa. Outro erro é entregar o documento sem explicar seu conteúdo. Também é inadequado utilizar linguagem excessivamente técnica, omitir riscos relevantes, pressionar o paciente para assinar ou tratar a assinatura como autorização para qualquer procedimento futuro.

Outro problema é não registrar adequadamente situações em que o paciente demonstra dúvida, recusa ou mudança de decisão. A enfermagem deve estar atenta a esses sinais.

O que o estudante de enfermagem precisa memorizar?

Se você estiver estudando para uma prova ou começando a trabalhar, pense em cinco palavras:

Informação.

O paciente precisa receber informações adequadas.

Compreensão.

Não basta entregar o documento; é necessário que a informação seja compreensível.

Liberdade.

A decisão não deve ser obtida por ameaça ou coerção.

Autonomia.

O paciente participa da decisão sobre seu próprio cuidado.

Registro.

O processo deve ser documentado adequadamente. Esses cinco pontos ajudam a entender a essência do consentimento informado.

Consentimento informado: não é apenas uma assinatura

O Termo de Consentimento Informado representa uma mudança importante na relação entre profissional e paciente. Durante muito tempo, o modelo de assistência foi fortemente baseado na ideia de que o profissional decidiria e o paciente simplesmente seguiria as orientações. Hoje, a assistência ética valoriza cada vez mais a autonomia, a informação e a participação do paciente.

Para a Enfermagem, isso significa compreender que cuidar não é apenas executar procedimentos. Cuidar também é informar, ouvir, respeitar, orientar, proteger e reconhecer o direito do paciente de participar das decisões sobre sua própria saúde. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem é bastante claro ao estabelecer o respeito à autonomia da pessoa e ao consentimento prévio para a prática profissional, dentro das situações e exceções previstas.

Portanto, quando você encontrar um Termo de Consentimento Informado no ambiente hospitalar, não pense apenas:

“Preciso conferir se está assinado.”

Pense:

“O paciente sabe o que está acontecendo? Entendeu? Teve oportunidade de perguntar? Está decidindo livremente? E sua decisão está sendo respeitada?” Essa é a essência do consentimento informado.

Referências:

  1. BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Brasília, DF: Presidência da República, 2024. Lei nº 14.874/2024 – Planalto
  2.  

    CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Resolução Cofen nº 564/2017

  3. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Recomendação CFM nº 1/2016. Dispõe sobre o processo de obtenção de consentimento livre e esclarecido para assistência médica. Brasília, DF: CFM, 2016. Recomendação CFM nº 1/2016
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 556/2017, alterada pelas Resoluções Cofen nº 700/2022 e nº 757/2024. Regulamenta a atividade do enfermeiro forense e apresenta modelo de Termo de Consentimento Informado no âmbito de suas disposições. Brasília, DF: Cofen. Resolução Cofen nº 556/2017 e alterações
  5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Entra em vigor novo Código de Ética da Enfermagem brasileira. Brasília, DF: Cofen, 2018. Cofen – Novo Código de Ética da Enfermagem
  6. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

Equipe Cirúrgica: A composição

Uma cirurgia bem-sucedida depende não apenas da habilidade do cirurgião, mas da atuação sincronizada de toda a equipe cirúrgica.

Cada profissional desempenha um papel fundamental, garantindo a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Neste artigo, vamos explorar as funções de cada membro dessa equipe multidisciplinar.

A Equipe Cirúrgica: Quem são e quais suas funções?

Cirurgião

É o profissional responsável por planejar e executar o procedimento cirúrgico. Ele realiza as incisões, isola os tecidos, remove tumores, repara lesões e fecha a ferida.

Além de realizar a cirurgia, o cirurgião é responsável por comunicar ao paciente e à família os riscos e benefícios do procedimento, obter o consentimento informado e coordenar a equipe cirúrgica.

Anestesista

Responsável pela indução, manutenção e recuperação da anestesia. Avalia as condições clínicas do paciente, escolhe o tipo de anestesia mais adequado e monitora os sinais vitais durante todo o procedimento.

O anestesista garante que o paciente esteja confortável e seguro durante a cirurgia, controlando a dor, a ansiedade e os reflexos. Ele também monitora os sinais vitais e ajusta a anestesia conforme necessário.

Cirurgião Auxiliar ou Assistente

 Auxilia o cirurgião principal durante a cirurgia, realizando tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura.

Realiza tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura. Ele também pode realizar procedimentos menores, como a retirada de tecidos para biópsia.

Instrumentador Cirúrgico

 É o profissional responsável pela organização da mesa cirúrgica, pela escolha e passagem dos instrumentos cirúrgicos, além de manter a contagem dos instrumentos e materiais utilizados durante a cirurgia.

O instrumentador é um profissional altamente especializado, responsável por conhecer todos os instrumentos cirúrgicos e suas funções. Ele trabalha em estreita colaboração com o cirurgião, antecipando suas necessidades e garantindo que os instrumentos estejam prontamente disponíveis.

Circulante de Sala

É o enfermeiro responsável pela assistência ao paciente e à equipe cirúrgica durante o procedimento. Ele verifica a identificação do paciente, prepara o campo cirúrgico, auxilia na passagem de instrumentos e monitora os sinais vitais do paciente.

O circulante de sala é o elo entre a equipe cirúrgica e a equipe de enfermagem. Ele é responsável por garantir a segurança do paciente, monitorar os sinais vitais, administrar medicamentos e comunicar qualquer anormalidade à equipe.

A Importância do Trabalho em Equipe

A cirurgia é um procedimento complexo que exige a colaboração de todos os membros da equipe cirúrgica. A comunicação clara e eficiente entre os profissionais é fundamental para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Cada membro da equipe tem um papel crucial a desempenhar, e a falta de um deles pode comprometer todo o processo.

A equipe cirúrgica é composta por diversos profissionais, cada um com suas funções específicas. A atuação conjunta e coordenada desses profissionais é fundamental para garantir a segurança e o sucesso do procedimento cirúrgico.

Referências:

  1. PROCESSO-CONSULTA CREMESE N.º 01/2013 – PARECER CREMESE N.º15/2018 
  2. Amato

Áreas de Tricotomia para Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos

A tricotomia, ou remoção de pelos em áreas específicas do corpo antes de um procedimento cirúrgico, é uma prática comum para reduzir o risco de infecção. Nos procedimentos cardíacos, a área a ser tricotomizada varia de acordo com o tipo de cirurgia e o acesso vascular necessário.

Conheça as áreas para a tricotomia para procedimentos cirúrgicos cardíacos

Cateterismo Cardíaco

  • Acesso vascular: Geralmente, o acesso vascular para o cateterismo cardíaco é feito através da artéria femoral ou radial.
  • Área de tricotomia: A região inguinal (para acesso femoral) ou o punho (para acesso radial) são as áreas primárias de tricotomia.
  • Objetivo: A remoção dos pelos nessas áreas facilita a punção arterial e minimiza o risco de infecção no local de acesso.

Cirurgia Cardíaca

  • Acesso cirúrgico: A cirurgia cardíaca pode envolver diferentes incisões, como esternotomia mediana, toracotomia lateral ou mini-esternotomia.
  • Área de tricotomia: A área tricotomizada dependerá da incisão escolhida. Por exemplo:
    • Esternotomia mediana: Toda a região torácica anterior, desde o pescoço até o abdome superior.
    • Toracotomia lateral: A região lateral do tórax, incluindo a axila.
    • Mini-esternotomia: Uma área menor na região esternal.

Pericardiocentese

  • Acesso: A pericardiocentese é um procedimento que envolve a inserção de uma agulha no pericárdio para drenar o líquido acumulado.
  • Área de tricotomia: A região torácica incluindo a paraesternal esquerda, próxima ao apêndice xifóide.
  • Objetivo: A remoção dos pelos nessa área facilita a visualização do local da punção e reduz o risco de infecção.

Observações importantes:

  • Extensão da tricotomia: A extensão da área tricotomizada deve ser determinada pelo cirurgião ou pelo médico responsável pelo procedimento.
  • Método de tricotomia: A tricotomia pode ser realizada com tesoura, máquina de cortar cabelo ou creme depilatório. O método escolhido dependerá da preferência do profissional e das características dos pelos do paciente.
  • Tempo da tricotomia: A tricotomia deve ser realizada logo antes do procedimento, para evitar a recontaminação da área.
  • Cuidados pós-tricotomia: Após a tricotomia, a área deve ser limpa com solução antisséptica para reduzir o risco de infecção.

É fundamental ressaltar que a extensão da tricotomia pode variar de acordo com cada caso.

Referência:

  1. Lima Gebrim, Cyanéa Ferreira; Melchior, Lorena Morena Rosa; Menezes Amaral, Neyuska; Soares Barreto, Regiane Aparecida Santos; Prado Palos, Marinésia Aparecida. Tricotomia pré-operatória: aspectos relacionados à segurança do paciente. Enfermería Global, v. 13, n. 34, p. 264-275, 2014.  

Caneta Marcadora de Pele

A Caneta para Marcação de Pele é confeccionado com a tinta “violeta genciana”, e é utilizado por um profissional tanto pela medicina ou enfermagem para marcar a região antes de uma incisão cirúrgica. Por isso, trata-se de um equipamento indispensável em hospitais, clínicas e até mesmo em consultórios.

Mas, além de fornecer um traço preciso, é também resistente aos materiais químicos comuns às cirurgias. Isto é, a marcação permanece após a aplicação e durante todo o procedimento, guiando o profissional.

Assim, a caneta marcadora garante que tudo ocorra de maneira segura e dentro do planejado. Ainda, por ser um acessório de uso único, o produto reduz os riscos de contaminação do paciente e do cirurgião. Por exemplo, por bactérias ou fungos.

Para que seve a Caneta para Marcação de Pele?

Em linhas gerais, a demarcação do sítio cirúrgico tem como objetivo reduzir erros durante o procedimento. Para isso, utilizam-se acessórios de marcação, como as canetas marcadoras cirúrgicas.

Em geral, com o paciente acordado e consciente, o médico identifica o local da intervenção. Inclusive, em alguns casos, o paciente deve confirmar a marcação. Sobretudo em casos estéticos. Em seguida, encaminham-se para o local da cirurgia.

Existem de diversas cores e marcas, e podem ser encontradas facilmente pelo mercado hospitalar.

Referência:

  1. MEM Cirúrgica

Centro Cirúrgico: Divisão de Zonas

Quando se fala em centro cirúrgico, é fundamental compreender que existem áreas com diferentes níveis de restrição de acesso, variando de acordo com o tipo de procedimento realizado e o grau de contaminação do ambiente.

Essas áreas são classificadas em restrita, semi-restrita e não restrita.

Área Restrita (Área Estéril)

    • A área restrita é a parte mais crítica do centro cirúrgico. Nela, são realizados procedimentos invasivos que envolvem acesso a áreas estéreis do corpo do paciente, como cirurgias abdominais, cardíacas e neurológicas.
    • Essa área é rigorosamente controlada e monitorada, com acesso restrito a profissionais devidamente capacitados e paramentados.
    • Para entrar na área restrita, é necessário passar por uma sala de transição, onde os profissionais trocam de roupa e equipamentos de proteção individual (EPIs), como gorros, máscaras, aventais, luvas e sapatilhas.
    • Dentro da área restrita, não é permitida a circulação de pessoas não essenciais ao procedimento, como familiares, estudantes ou curiosos.
    • Também é proibido o uso de celulares, câmeras fotográficas ou quaisquer outros equipamentos que possam comprometer a assepsia do ambiente.

Área Semi-Restrita (Área Limpa)

    • A área semi-restrita é a parte intermediária do centro cirúrgico, onde são realizados procedimentos menos invasivos, como cirurgias ortopédicas, oftalmológicas e otorrinolaringológicas.
    • O grau de contaminação é menor do que na área restrita, mas ainda assim é necessário manter um controle rígido de acesso.
    • Assim como na área restrita, é obrigatório o uso de EPIs e a higienização das mãos antes de entrar na área semi-restrita.
    • É permitida a circulação de pessoas não essenciais ao procedimento, desde que estejam devidamente paramentadas e autorizadas pelo responsável técnico.
    • Também é permitido o uso de celulares e outros equipamentos eletrônicos na área semi-restrita, desde que não interfiram na assepsia do ambiente.

Área Não Restrita (Área de Proteção)

    • A área não restrita é a parte mais periférica do centro cirúrgico, onde ficam os vestiários, a sala de espera, o posto de enfermagem e outras áreas de apoio.
    • Nessa área, não há a necessidade de paramentação ou higienização das mãos, mas é importante manter uma conduta adequada de higiene e segurança.
    • Na área não restrita, é permitida a circulação de pessoas devidamente identificadas e autorizadas, como acompanhantes de pacientes, funcionários administrativos e fornecedores.
    • No entanto, é proibido o acesso de pessoas com sintomas de infecção ou doenças contagiosas.

Referências:

  1. Strattner

O que faz um Enfermeiro de Centro Cirúrgico?

O enfermeiro tem seu trabalho relacionado com atividades nos períodos pré, intra e pós-operatório. Cada um deles é importante de uma forma para a melhora completa do paciente.

Cada um deles é importante de uma forma para a melhora completa do paciente. Mas, precisamos destacar que na rotina do enfermeiro no centro cirúrgico, a fase pré-operatória é mais importante.

Isso porque é o momento de mais vulnerabilidade para o paciente. Assim, os enfermeiros precisam garantir desde o tratamento anestésico cirúrgico, até ações que possam minimizar os riscos de contaminação por equipamentos ou do próprio ambiente.

Além disso, o profissional atua como gerente em questões assistenciais, burocráticas e organizacionais. Ele também coordena a equipe e proporciona para o paciente e seus familiares um cuidado indireto. O principal objetivo é proporcionar uma assistência de enfermagem com qualidade.

A Pós Graduação

A pós-graduação em Enfermagem em Centro Cirúrgico é uma oportunidade para enfermeiros aprimorarem suas habilidades e conhecimentos específicos nessa área.

O tempo médio de duração destes cursos podem variar, em até 12 meses:

  • Especialização em Enfermagem em Centro Cirúrgico e CME (Centro de Material e Esterilização): Este curso capacita enfermeiros para atuarem com pacientes em situações cirúrgicas, principalmente durante a fase intraoperatória e pós-operatória imediata.
  • O foco da atuação do enfermeiro está no centro cirúrgico, nas unidades de recuperação pós-anestésica e na central de material e esterilização.
  • A especialização visa desenvolver competências e habilidades profissionais, incluindo o cuidado individual e coletivo, gestão de recursos humanos e materiais, planejamento e organização do trabalho, com o objetivo de melhorar a saúde, segurança do paciente e qualidade de vida.

As Atribuições

ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO ASSISTENCIAL

1- Realizar plano de cuidados e supervisionar a continuidade da assistência.
2- Prever recursos humanos para atendimento em SO.
3- Supervisionar as ações da equipe de enfermagem.
4- Checar a programação cirúrgica.
5- Conferir escala diária de atividades dos funcionários.
6- Orientar montagem e desmontagem de SO.
7- Conferir os materiais implantáveis necessários para as cirurgias (antes do paciente ser encaminhado a SO).
8- Verificar a disponibilidade e o funcionamento do material necessário para cirugia.
9- Manter ambiente seguro para paciente e profissionais.
10- Realizar visita pré-operatória.Realizar os diagnósticos de enfermagem para o período pré e intraoperatório e implementação dos cuidados.
11- Recepcionar o paciente no CC, conferir prontuários, pulseira de identificação, exames e preencher os impressos relativos a admissão.
12- Realizar inspeção física do paciente (no local específico em cada instituição).
13- Conferir os Diagnósticos de Enfermagem e a implementação dos cuidados.
14- Conduzir o paciente até a SO.
15- Auxiliar na transferência do paciente da maca para a mesa cirúrgica.
16- Auxiliar no posicionamento do paciente.
17- Orientar o técnico sobre as anotações de enfermagem em SO.
18- Realizar curativo cirúrgico ou ajudar a equipe na execução.
19- Auxiliar na transferência do paciente da mesa cirúrgica para a maca, verificar cateteres, sondas e drenos.
20- Encaminhar o paciente para RPA.
21- Informar as condições clinicas do paciente ao Enfermeiro da RPA.

ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO COORDENADOR (quanto ao funcionamento do Centro Cirúrgico)

1- Prever a necessidade de materiais, equipamentos e instrumental cirúrgico e prover o setor de tais elementos.
2- Participar da elaboração de normas, rotinas e procedimentos do setor.
3- Orientar, supervisionar e avaliar o uso adequado de materiais e equipamentos com o objetivo de garantir o uso correto.
4- Colaborar com a comissão de CCIH.
5- Fazer com que as normas de CCIH sejam cumpridas por toda equipe.
6- Quando necessário, solicitar novos equipamentos e/ou instrumental cirúrgico.
7- Controle Administrativo.
8- Elaborar escalas mensais e diárias de atividades dos funcionários.
9- Supervisionar conferência de equipamentos, através de escala previamente elaborada.
10- Prever e Prover recursos humanos, materiais, equipamentos e instrumental cirúrgico em condições adequadas para as cirurgias sejam realizadas.
11- Tomar decisões administrativas e assistenciais com respaldo científico.

ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO COORDENADOR (quanto a atividades administrativas)

1- Realizar avaliação de desempenho da esquipe (conforme normas da instituição).
2- Definir o perfil do profissional do Centro Cirúrgico.
3- Participar do treinamento de novos funcionários.
4- Planejar treinamentos junto com a Educação Continuada.
5- Utilizar a Educação Permanente em Saúde.
6- Proporcionar recursos humanos para realizar a ato anestésico-cirúrgico.
7- Zelar pela qualidade da assistência.

ATIVIDADES ASSISTENCIAIS DO ENFERMEIRO COORDENADOR/DIARISTA

1- Implementar a SAEP.
2- Verificar o agendamento de cirurgias e orientar montagem de SO.
3- Avaliar o relacionamento interpessoal da equipe de enfermagem.
4- identificar os problemas e buscar propostas de soluções.
5- Notificar ocorrências (de acordo com o preconizado em cada instituição).
6- Zelar para que todos os impressos sejam preenchidos corretamente.

OBS: As atribuições do enfermeiro coordenador podem ser dividas com o enfermeiro assistencial sendo ele plantonista ou diarista.

ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO NA RPA

1- Receber as informações clínicas do paciente na admissão a RPA.
2- Realizar exame físico dos pacientes na admissão e na alta da RPA, além dos sinais vitais, verificar saturação de O2, atividade e força muscular.
3- Elaborar plano de cuidados, supervisionar sua execução e realizar as atividades complexas de enfermagem, com base na SAEP.
4- Ter conhecimento da farmacodinâmica, da anestesia e da analgesia, e também de fisiolopatologia.
5- Ter conhecimento e habilidade para o atendimento em urgências cardiorrespiratórias e em reanimação cardiopulmonar.
6- Atentar quanto a possíveis riscos inerentes ao ato anestésico cirúrgico.
7- Priorizar a assistência aos pacientes com maior grau de complexidade.
8- Aplicar escalas de Aldrete e Kroulik, sedação de Ramsey e dor ao longo da permanência do paciente na RPA.
9- Avaliar e registrar a evolução clinica do paciente em recuperação, as intercorrências, os cuidados e manobras realizadas.
10- Avaliar as condições clínicas para alta do paciente, registrar e encaminhá-lo a enfermaria de origem.
11- Informar e orientar os familiares sobre as condições clínicas do paciente.
12 – Passar as informações (como passagem de plantão) ao enfermeiro da enfermaria de origem do paciente, antes de encaminhá-lo de alta.

ATRIBUIÇÕES TÉCNICO -ADMINISTRATIVAS DO ENFERMEIRO NA RPA

1- Colaborar com o enfermeiro coordenador do CC na elaboração das escalas mensais, semanais e diárias.
2- Manter atualizadas as rotinas da RPA.
3- Identificar a necessidade de materiais e equipamentos observando a conservação e também fazendo com que a equipe também observe.
4- Dimensionamento de pessoal de acordo com as necessidades da RPA.
5- Promover Educação Continuada.
6- Utilizar a Educação Permanente em Saúde como instrumento para proposta e alcançar soluções de questões que possam surgir no desenvolvimento das ações.

Referência:

  1. Martins, F. Z., & Dall’Agnol, C. M.. (2016). Centro cirúrgico: desafios e estratégias do enfermeiro nas atividades gerenciais. Revista Gaúcha De Enfermagem, 37(4). https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.04.56945

Os tipos de limpeza do Centro Cirúrgico

A limpeza do centro cirúrgico é uma atividade fundamental para garantir a segurança dos pacientes e dos profissionais de saúde.

Os Tipos de limpeza

Existem quatro tipos de limpeza que devem ser realizados no centro cirúrgico, de acordo com as normas técnicas e sanitárias. São eles:

  • Limpeza preparatória: é a limpeza realizada antes do início das atividades cirúrgicas, com o objetivo de remover a sujidade acumulada durante o período noturno ou de inatividade do centro cirúrgico. Envolve a limpeza de todas as superfícies, equipamentos, mobiliários e materiais, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza operatória: é a limpeza realizada durante as atividades cirúrgicas, com o objetivo de manter o ambiente limpo e organizado, evitando a contaminação cruzada e a proliferação de microrganismos. Envolve a limpeza dos instrumentais, das mesas cirúrgicas, dos campos operatórios, dos pisos e das paredes, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza concorrente: é a limpeza realizada após cada procedimento cirúrgico, com o objetivo de preparar o ambiente para a próxima cirurgia, removendo os resíduos biológicos e os materiais descartáveis, e desinfetando as superfícies, equipamentos, mobiliários e materiais que serão reutilizados. Envolve a limpeza de todas as áreas do centro cirúrgico, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza terminal: é a limpeza realizada ao final do expediente ou da jornada de trabalho, com o objetivo de eliminar a sujidade residual e reduzir a carga microbiana do ambiente. Envolve a limpeza de todas as áreas do centro cirúrgico, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.

A limpeza do centro cirúrgico deve ser realizada por profissionais capacitados e treinados, que sigam as normas de biossegurança e utilizem os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.

A limpeza do centro cirúrgico é uma medida essencial para prevenir infecções hospitalares e garantir a qualidade da assistência prestada aos pacientes.

Referências:

  1. EBSERH
  2. EPS
  3. Portal Educação

Orquiectomia

A orquiectomia consiste numa cirurgia em que é removido um ou os dois testículos.

Geralmente, esta cirurgia é realizada de forma a tratar ou a prevenir a propagação do câncer de próstata ou para tratar ou prevenir o câncer testicular e câncer de mama no homem, já que são os testículos que produzem maior parte da testosterona, que é um hormônio que faz com que estes tipos de câncer cresçam mais rapidamente.

Além disso, este procedimento também pode ser usado para pessoas que pretendem mudar do sexo masculino para o sexo feminino, de forma a reduzir a quantidade de testosterona no corpo.

Tipos de orquiectomia

Existem vários tipos de orquiectomia, dependendo do objetivo do procedimento:

1. Orquiectomia simples

Neste tipo de cirurgia é removido um ou os dois testículos a partir de um pequeno corte no escroto, o que pode ser feito para tratar câncer da mama ou da próstata, de forma a reduzir a quantidade de testosterona que o organismo produz.

2. Orquiectomia radical inguinal

A orquiectomia radical inguinal é realizada fazendo um corte na região abdominal e não no escroto. Geralmente, a orquiectomia é realizada desta forma, quando é encontrado um nódulo num testículo, por exemplo, de forma a poder testar este tecido e perceber se tem câncer, já que uma biopsia regular pode fazer com que este se espalhe pelo corpo.

Este procedimento também é normalmente usado para pessoas que desejam mudar de sexo.

3. Orquiectomia subcapsular

Neste procedimento, o tecido que está no interior dos testículos, ou seja, a região que produz espermatozoides e testosterona, é removido, preservando a cápsula testicular, o epidídimo e o cordão espermático.

4. Orquiectomia bilateral

A orquiectomia bilateral é uma cirurgia em que ambos os testículos são removidos, o que pode acontecer em caso de câncer da próstata, câncer da mama ou em pessoas que pretendem mudar de sexo.

Como é a recuperação pós-operatório

Geralmente, a pessoa tem alta logo a seguir à cirurgia, no entanto, é necessário que volte ao hospital no dia seguinte para confirmar se está tudo bem. A recuperação pode demorar entre 2 semanas a 2 meses.

Na semana seguinte à cirurgia, o médico pode recomendar a aplicação de gelo no local, para aliviar o inchaço, lavar a região com um sabão suave, manter a região seca e coberta com gaze, usar apenas os cremes e as pomadas que forem recomendados pelo médico e tomar analgésicos e anti-inflamatórios que reduzem a dor e a inflamação.

Deve-se ainda evitar fazer grandes esforços, levantar pesos ou ter relações sexuais enquanto a incisão não estiver sarada. Caso a pessoa tenha dificuldade em evacuar, pode experimentar tomar um laxante leve, para evitar fazer muito esforço.

O médico pode ainda recomendar o uso de um suporte para o escroto, que deve ser usado por cerca de 2 dias.

Quais as consequências da orquiectomia

Depois da remoção dos testículos, devido à redução de testosterona, é provável que ocorram efeitos colaterais como osteoporose, infertilidade, ondas de calor, depressão e disfunção erétil.

Referência:

  1. Silva, Benedito Martins e, Silva Neto, José Ademir Bezerra da e Lima, Roberta Lins deAnálise de complicações em pacientes portadores de câncer de próstata metastático submetidos à orquiectomia bilateral. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2010, v. 37, n. 4 [Acessado 1 Outubro 2022] , pp. 269-273. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006&gt;. Epub 29 Out 2010. ISSN 1809-4546. https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006.

Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC)

As Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC) são aquelas decorrentes de uma complicação cirúrgica. Geralmente elas comprometem qualquer tecido, órgão ou cavidade envolvido na cirurgia e causam um grande impacto na recuperação do paciente, podendo comprometer a qualidade da assistência à saúde.

Por isso, é recomendado que elas sejam monitoradas com as ferramentas e diretrizes adequadas.

De acordo com estudos e pesquisas realizadas ao longo dos anos, as ISCs são uma grande causa de morbidade e mortalidade em pacientes que passam por cirurgias.

É estimado que as infecções em sítio cirúrgico são responsáveis por cerca de 38% do total das infecções hospitalares em pacientes cirúrgicos e 16% do total de infecções hospitalares, além de aumentarem em mais sete dias o tempo de internação.

Os Sinais

Entre os principais sinais de infecção em ferida cirúrgica, podemos citar:

  • Aumento da dor com o passar dos dias

Logo após a ferida, é normal sentir dor, contudo, ela deve diminuir ao decorrer dos dias. Se a dor aumentar, pode ser um sinal de infecção.

  •  Vermelhidão e inchaço que não diminuem na ferida ou em torno dela

Após a primeira semana a vermelhidão e inchaço devem diminuir, caso isso não aconteça é provável que um processo infeccioso tenha se iniciado.

  • Pele em torno da ferida febril

Uma das primeiras respostas do sistema imunológico de nosso corpo à infecção de microrganismos nocivos é a febre e sensação de calor em torno da ferida.

  • Presença de pus

A secreção de uma ferida não infeccionada é clara e não tem odor forte. A presença de secreção amarelada com mau cheiro é um claro sinal de infecção.

  • Prurido e sensação de ardor

A coceira pode ser um sinal de cicatrização, contudo, quando em excesso e acompanhada de ardor ela é um sinal de infecção.

Fontes de Infecção

Entre os principais tipos de infecções hospitalares, estão: as respiratórias, as urinárias, a septicemia e as de ferida cirúrgica.

Nesse sentido, vale ressaltar que as infecções cirúrgicas são, geralmente, decorrentes do local cirúrgico, da falha da técnica antisséptica por parte dos profissionais ou, ainda, da falha do reprocessamento de materiais e instrumentais que serão utilizados na cirurgia.

Vale ressaltar ainda que, as infecções pós-operatórias aumentam os números de morbidade e mortalidade, impactando a qualidade de vida de pacientes e aumentando os custos de internação.

Além disso, independente da fonte de infecção, aproximadamente 30% das infecções hospitalares podem ser evitadas com medidas de prevenção, por isso, adotá-las é essencial.

Medidas de Prevenção

Para evitar a ocorrência de infecção de sítio cirúrgico, é necessário seguir recomendações básicas de segurança:

Quanto ao preparo do paciente antes da cirurgia:

  • Realizar avaliação pré-operatória
  • Procurar reduzir o tempo de internação pré-operatória sempre que possível
  • Monitorar previamente qualquer doença pré-existente

Quanto à educação do paciente e seus familiares:

  • Ensinar como manejar a ferida cirúrgica, indicando soluções e como utilizá-las corretamente
  • Instruir sobre as medidas de prevenção de infecção cirúrgica
  • Indicar a dieta adequada, se necessário

Quanto ao banho:

  • Antes da realização da cirurgia, realizar o banho com asséptico, conforme a necessidade
  • Orientar o paciente quanto ao banho pré-operatório com água e sabão antes da realização do procedimento cirúrgico
  • Orientar o paciente e seus familiares quanto aos cuidados com o banho no pós-operatório, de forma a evitar problemas com a ferida cirúrgica

Quanto à antissepsia cirúrgica das mãos:

  • Antes de realizar a antissepsia, remover quaisquer acessórios das mãos e antebraços (anéis, relógios, etc.)
  • Manter as unhas sempre curtas e, em hipótese alguma, utilizar unhas artificiais
  • Com solução adequada e com efeito residual, realizar a antissepsia, eliminado a microbiota transitória e reduzindo a residente
  • Se possível, evitar o uso de escovas para realizar fricção, pois elas podem machucar a pele e expor bactérias que residem nas camadas mais profundas da derme

Quanto à paramentação cirúrgica:

  • Sempre usar máscara que cubra boca e nariz na sala cirúrgica
  • Sempre usar gorros que cubram completamente o cabelo na sala cirúrgica
  • Sempre usar capotes e vestimentas cirúrgicas adequadas na sala cirúrgica
  • Por último, após estar completamente paramentado e realizar a antissepsia, vestir as luvas estéreis
  • Caso as vestimentas estiverem sujas ou contaminadas por fluidos, trocá-las imediatamente.

Quanto aos cuidados com o ambiente da sala cirúrgica:

  • Manter a sala cirúrgica organizada antes, durante e após o procedimento
  • Realizar a limpeza e desinfecção completa após a finalização do procedimento
  • Realizar, diariamente, a limpeza terminal, que deve incluir não apenas pisos, paredes e teto mas, também, todas as demais superfícies, acessórios e objetos presentes na sala.

Quanto aos cuidados com a ferida operatória:

  • Em feridas com cicatrização por 1ª intenção: manter o curativo por 24 horas (exceto em casos de drenagem da ferida ou indicação específica da equipe médica)
  • Em feridas com cicatrização por 2ª e 3ª intenção: selecionar o curativo e momento de troca de acordo com as características da ferida (exsudato, tamanho, presença de infecção, etc.).
  • Caso o curativo se solte, molhe ou fique sujo, realizar a troca.

Evitando infecções

Fica claro que a prevenção de infecção em feridas realizadas em sítio cirúrgico depende de inúmeros fatores, que vão desde o preparo do paciente para o procedimento até os cuidados após a cirurgia, incluindo a educação para o autocuidado. Não podemos esquecer também da relevância da limpeza correta do ambiente hospitalar.

Sendo assim, o esforço para a prevenção de infecções é multidisciplinar e, para facilitá-lo, é essencial contar com soluções de qualidade, que contribuam com um processo de cicatrização mais simples, rápido e indolor para o paciente.

Atualmente, existem inúmeras soluções de limpeza antissépticas, desenvolvidas especialmente para limpeza de feridas, assim como curativos com ativos antimicrobianos, que ajudam a evitar e combater infecções.

Referências:

  1. Infecção em Sítio Cirúrgico – Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças – CCD
  2. Infecção Em Cirurgia e Cirurgia das Infecções – Simpósio: Fundamentos em Clínica Cirúrgica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
  3. Prevenção de Infecção Cirúrgica – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – Hospital de Clínicas

Campos Cirúrgicos Estéreis: A sua finalidade

O campo cirúrgico é um dos materiais mais importantes na cirurgia, pois é através dele que conseguimos garantir que não haja nenhuma contaminação durante as cirurgias odontológicas ou que haja infecções no paciente.

O campo operatório demarca a área onde a cirurgia será realizada e onde instrumentos estéril poderão ficar apoiados. O campo cirúrgico limita a área em que o cirurgião irá atuar e mantém a região operatória isolada.

Tipos de Campos Cirúrgicos

Campo cirúrgico descartável

O campo cirúrgico descartável é geralmente confeccionado em não tecido SMS – 100% polipropileno grau médico. Ele evita a contaminação, respingos de sangue e/ou fluídos corpóreos em pacientes e superfícies, além de demarcar a área de cirurgia em pacientes.

Esse tipo de campo está disponível em diversos tamanhos em pacotes com 10, 50, 100 unidades ou na opção individual já estéril. Se a opção do cirurgião for comprar um campo não estéril ele deverá ser esterilizado em autoclave antes do procedimento cirúrgico.

Por se tratar ser um material não reutilizável ele só poderá ser utilizado em uma única cirurgia, e deve ser descartado da maneira correta logo após o ato cirúrgico.

Campo cirúrgico de tecido

Os campos cirúrgicos também podem ser feitos de algodão. Como os que encontramos em hospitais. Dessa forma é importante estar atento às recordações da vigilância sanitária .

É importante ressaltar que esse tipo de material tem uma vida útil, ou seja, número de ciclos de esterilização que podem sofrer para que a malha do tecido não se danifique.

Campo cirúrgico fenestrado

Os campos cirúrgicos fenestrados são aqueles que apresentam abertura circular (fenestra) que auxilia no isolamento da área a ser tratada no paciente. Essa fenestra ou abertura é imprescindível em procedimentos cirúrgicos em que é necessária a manutenção da técnica asséptica.

Eles também são confeccionados com não tecido SSMMS – 100% polipropileno grau médico. Podem ser esterilizados com óxido de etileno ou autoclave e disponibilizados em embalagem que garante a abertura e a transferência asséptica.

Esses campos também possuem uma dobradura asséptica que lhes atribuem maior segurança e confiabilidade.

Campo cirúrgico estéril

Os campos cirúrgicos descartáveis podem ser comprados estéril ou não. Quando eles veem esterilizados já estão prontos para o uso. Quando não são estéreis terão que ser autoclavados antes do procedimento cirúrgico.

Os campos estéreis geralmente são mais caros do que os não estéril.

Os Principais Objetivos da Aparamentação e dos Campos Cirúrgicos

  • Controle da infecção de sítio cirúrgico (ISC);
  • Controle da infecção hospitalar (IH);
  • Segurança do paciente;
  • Segurança da equipe cirúrgica (Risco Ocupacional);
  • Qualidade da assistência prestada ao paciente no ambiente cirúrgico.

Referência:

  1. https://www.esterili-med.com.br