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Os Vírus Mortais do Planeta: Conheça um pouco sobre cada uma delas
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O Técnico de Enfermagem em Homecare (Atendimento em Domicílio)
O Técnico de Enfermagem em home care exerce um papel fundamental na recuperação do paciente. Diferentemente de um ambiente hospitalar, em home care, o Técnico de Enfermagem passa longas horas na residência do paciente, juntamente com sua família, e desenvolve seu trabalho sem o benefício da supervisão direta contínua de um Enfermeiro. Portanto, seu trabalho […]
Técnico em Enfermagem do Trabalho
Técnico em enfermagem do trabalho, no Brasil, é todo técnico em enfermagem, que possui curso de especialização em enfermagem do trabalho, que de acordo com suas atribuições, atua em empresas públicas e privadas ou em órgãos oficiais, como integrante dos serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho, co-participando com o enfermeiro no planejamento, programação, orientação e execução das atividades de enfermagem do trabalho, nos três níveis de prevenção, integrando a equipe de saúde do trabalhador.
Para atender às necessidades inerentes à sua função, o especialista técnico em enfermagem do trabalho participará com o enfermeiro na elaboração de projetos e aplicar análises de prevenção de doenças relacionadas ao trabalho, incluindo estratégias de controle e sugerindo mudanças necessárias para identificar riscos que possa resultar em doenças ocupacionais além de auxiliar a elaboração e execução de projetos para investigação sobre saúde do trabalhador, para promover a educação na prevenção de acidentes, de doenças ocupacionais e de treinamento relacionado à prevenção da saúde do trabalhador.
Atribuições:
- Auxiliar na observação sistemática do estado de saúde dos trabalhadores, nos levantamentos de doenças profissionais, lesões traumáticas, doenças epidemiológicas.
- Fazer visitas domiciliares e hospitalares nos casos de acidentes ou doenças profissionais
- Participar dos programas de prevenção de acidentes, de saúde e de medidas reabilitativas.
- Desempenhar tarefas relativas a campanhas de educação sanitária.
- Preencher os relatórios de atividades do ambulatório dos serviços de médico e de enfermagem do trabalho.
- Auxiliar na realização de inquéritos sanitários nos locais de trabalho.
- Auxiliar na realização de exames pré-admissionais, periódicos, demissionais, e outros determinados pelas normas da instituição.
- Atender as necessidades dos trabalhadores portadores de doenças ou lesões de pouca gravidade, sob supervisão.
- Executar tarefas pertinentes à área de atuação, utilizando-se de equipamentos e programas de informática.
- Executar e apoiar outras tarefas para o desenvolvimento das atividades do setor, inerentes à sua função
Pesquisa Salarial
Porte da Empresa Nível Profissional
| Trainee | Júnior | Pleno | Sênior | Master | |
|---|---|---|---|---|---|
| Pequena |
R$ 1628.99 |
R$ 1873.34 |
R$ 2154.34 |
R$ 2477.49 |
R$ 2849.11 |
| Média |
R$ 1954.79 |
R$ 2248.01 |
R$ 2585.21 |
R$ 2972.99 |
R$ 3418.94 |
| Grande |
R$ 2345.75 |
R$ 2697.61 |
R$ 3102.25 |
R$ 3567.59 |
R$ 4102.73 |
Fonte: Currículos cadastrados no Banco Nacional de Empregos e contribuições salariais do Salário BR nos últimos doze meses.
Instrumentação Cirúrgica: O que você precisa saber!

Vá direto ao ponto!
Na sala cirúrgica, conhecer o nome de uma pinça é apenas o começo. O verdadeiro domínio da instrumentação cirúrgica está em antecipar o próximo tempo operatório, manter o campo organizado e, principalmente, não perder de vista a segurança do paciente.
A instrumentação cirúrgica é uma atividade de enfermagem, mas não é ato privativo da enfermagem. Quando realizada por profissional de enfermagem, a Resolução Cofen nº 214/1998 estabelece sua subordinação ao enfermeiro responsável técnico pela unidade. Na prática, o instrumentador precisa dominar os instrumentais, os tempos cirúrgicos, os princípios de técnica asséptica e a dinâmica do procedimento.
Os quatro tempos cirúrgicos
Os tempos cirúrgicos ajudam a organizar a sequência do procedimento e também orientam a escolha e a disposição dos instrumentais.
Diérese é a separação dos tecidos para permitir o acesso à região operatória. Pode envolver incisão, punção, divulsão, dilatação, curetagem e outras técnicas, conforme o procedimento.
Hemostasia reúne as manobras destinadas a prevenir ou controlar o sangramento, utilizando recursos como compressão, pinçamento, ligadura, eletrocirurgia e agentes hemostáticos.
Exérese corresponde à intervenção propriamente dita, incluindo a exploração e a retirada de tecido ou órgão quando essa for a finalidade do procedimento.
Síntese é a aproximação dos tecidos ao final da intervenção, geralmente por meio de suturas, com o objetivo de restabelecer a continuidade tecidual.
Durante uma cirurgia abdominal, por exemplo, a mudança rápida de uma tesoura de dissecção para uma pinça hemostática e, posteriormente, para o porta-agulha acompanha exatamente essa evolução dos tempos cirúrgicos. É por isso que a mesa organizada não é apenas uma questão de estética: ela reduz atrasos e facilita a resposta da equipe.
Principais instrumentais cirúrgicos
Os instrumentos podem ser agrupados conforme sua finalidade. Entre os mais conhecidos estão os de diérese, hemostasia, síntese, preensão e afastamento.
Nos instrumentos de diérese aparecem bisturis e tesouras, como a Metzenbaum e a Mayo, escolhidas conforme o tecido e a finalidade. Na hemostasia são comuns pinças como Kelly, Crile e Halsted. Para síntese, destacam-se os porta-agulhas, como Hegar e Mathieu. Já as pinças anatômicas, dente de rato, Allis e outras são utilizadas para diferentes formas de preensão, enquanto afastadores como Farabeuf e Volkmann auxiliam na exposição do campo.
A indicação exata de cada instrumento depende da especialidade, do procedimento e da preferência técnica da equipe. Por isso, decorar nomes sem compreender sua função costuma ser menos útil do que relacionar instrumental + finalidade + tempo cirúrgico.
O trabalho do instrumentador
Antes da incisão, o instrumentador participa da preparação da mesa, confere os materiais necessários, organiza os instrumentos de acordo com a sequência esperada e mantém atenção permanente à técnica asséptica.
Durante o procedimento, acompanha o ritmo do cirurgião, entrega os instrumentos de maneira segura, antecipa necessidades previsíveis e comunica a falta ou necessidade de materiais complementares. A comunicação precisa ser objetiva, porque uma solicitação mal compreendida dentro de um campo operatório pode interromper o fluxo do procedimento.
Em uma situação comum de sala, o cirurgião solicita uma pinça específica enquanto o procedimento já está avançando para a hemostasia. O instrumentador que conhece a sequência e a disposição da mesa consegue localizar o instrumento imediatamente, sem precisar interromper a dinâmica para procurar entre vários materiais.
Ao final, a conferência dos instrumentos, compressas e materiais perfurocortantes é parte essencial da segurança. A Lista de Verificação de Cirurgia Segura da OMS inclui essa conferência antes da saída do paciente da sala operatória.
Instrumentação e segurança do paciente
A instrumentação está diretamente relacionada à cirurgia segura. Identificação correta do paciente, procedimento e sítio cirúrgico, comunicação da equipe, conferência de materiais e contagem de instrumentos, compressas e perfurocortantes formam barreiras contra eventos evitáveis.
A RDC Anvisa nº 36/2013 estabelece ações para segurança do paciente nos serviços de saúde e inclui a segurança cirúrgica entre os processos que devem integrar a gestão de riscos.
Por isso, a contagem não deve ser encarada como uma simples tarefa burocrática. Se houver discrepância, a equipe deve interromper o fechamento conforme o protocolo institucional e realizar a investigação necessária antes da conclusão do procedimento.
Do centro cirúrgico para o CME
Terminada a cirurgia, o trabalho com o instrumental não termina. Os produtos reutilizáveis precisam seguir o fluxo estabelecido para processamento, respeitando as etapas de pré-limpeza quando aplicável, transporte, limpeza, inspeção, preparo, esterilização ou desinfecção conforme a classificação e as características do produto, armazenamento e distribuição.
A RDC Anvisa nº 15/2012 determina que cada etapa do processamento de instrumentais cirúrgicos siga POP baseado em evidências científicas atualizadas e na regulamentação pertinente, além de estabelecer requisitos de rastreabilidade e controle do processamento.
Esse cuidado é especialmente importante quando um instrumental apresenta sujidade residual, dano ou alteração de funcionamento. Ele não deve simplesmente retornar à mesa porque “parece limpo”; precisa passar pela avaliação e pelo fluxo definido pelo CME.
Cuidados de enfermagem
Na instrumentação cirúrgica, alguns cuidados são indispensáveis:
- conferir materiais, integridade das embalagens e funcionamento dos instrumentos antes do procedimento;
- manter técnica asséptica e preservar a esterilidade do campo;
- organizar a mesa de acordo com o procedimento e os tempos cirúrgicos;
- acompanhar e registrar as contagens conforme protocolo institucional;
- comunicar imediatamente qualquer divergência, quebra ou perda de instrumental;
- encaminhar os materiais reutilizáveis ao fluxo correto de processamento no CME;
- participar da comunicação e da Lista de Verificação de Cirurgia Segura.
O objetivo não é apenas entregar o instrumento certo no momento certo. É manter um processo previsível, seguro e rastreável durante toda a cirurgia.
Para memorizar para a prova
Diérese → abre ou separa.
Hemostasia → controla o sangramento.
Exérese → realiza a retirada/intervenção.
Síntese → aproxima e fecha os tecidos.
Essa sequência continua sendo uma das formas mais rápidas de organizar o raciocínio sobre instrumentação cirúrgica e costuma aparecer em avaliações de enfermagem.
Instrumentação Cirúrgica
- Conheça os quatro tempos cirúrgicos
- Associe os instrumentais às suas funções
- A contagem de materiais é uma barreira de segurança
- O instrumental reutilizável deve seguir o fluxo do CME
Referências:
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2012. RDC Anvisa nº 15/2012
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2013. RDC Anvisa nº 36/2013
- BRASIL. Ministério da Saúde; ANVISA; FIOCRUZ. Protocolo para cirurgia segura. Brasília, DF, 2013. Protocolo para Cirurgia Segura
- COFEN. Resolução Cofen nº 214/1998. Dispõe sobre a Instrumentação Cirúrgica. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Enfermagem, 1998. Resolução Cofen nº 214/1998
- OLIVEIRA, Rita de Cássia Burgos de; TURRINI, Ruth Natalia Teresa. Tempos cirúrgicos, eletrocirurgia e laser. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, 2007. Repositório USP – Tempos cirúrgicos
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. WHO Surgical Safety Checklist. Geneva: WHO. WHO – Surgical Safety Checklist
Enfermagem e Fisioterapia: Em prol de pacientes terminais
A dor é o sintoma mais frequente nos pacientes terminais, e o alívio da dor tem um papel de destaque, buscando, acima de tudo, o bem-estar e o conforto do paciente, e o seu controle propicia melhora da qualidade de vida do paciente até a sua morte.
A enfermagem é preponderante no tratamento da dor, tendo como foco principal o cuidado e a manutenção da qualidade de vida em todas as fases do processo da doença, ou seja, diagnóstico, tratamento, reabilitação. E a fisioterapia possui um grande arsenal de técnicas que complementam o tratamento de dor em pacientes terminais, muitas delas já comprovadas, porém outras precisam de mais estudos aprofundados.
O paciente terminal é aquele que se encontra além da possibilidade de terapêutica curativa e que necessita de um tratamento paliativo visando ao alívio de inúmeros sintomas que o atormentam, sempre levando em consideração a melhoria da qualidade de vida de uma maneira global, ou seja, biológica, espiritual, social e psicologicamente. Dentro da geriatria, a presença do paciente terminal se torna cada vez mais frequente pela grande quantidade de doenças crônicas nesses pacientes, junto com as alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas que vão alterando progressivamente o organismo, tornando-o mais suscetível às agressões intrínsecas e extrínsecas .
Entre os sintomas, a dor é considerada um dos mais temidos no final da vida. O sofrimento causado pela dor incessante toca todos os aspectos da qualidade de vida (atividade, apetite, sono, entre outros). A Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade Americana de Dor classificaram a dor como o quinto sinal vital, que deve ser avaliado com os outros sinais vitais como temperatura, pulso, frequência respiratória e pressão arterial. A avaliação da dor é extremamente importante no ambiente clínico, tornando possível a adoção de uma medida de tratamento ou conduta terapêutica, porém muitas vezes a avaliação é subjetiva e de difícil aplicação. Em outras palavras, não existe um instrumento padrão para tal há algumas escalas que podem ser usadas como escala verbal descritiva, escala visual analógica, escala numérica e escala das faces.
O alívio da dor tem um papel de destaque em pacientes terminais, buscando, acima de tudo, o bem-estar e o conforto deles. A fisioterapia possui um grande arsenal de técnicas que complementam o tratamento de dor em pacientes terminais, muitas delas já comprovadas, porém outras precisam de mais estudos aprofundados. A equipe de enfermagem convive mais tempo com os pacientes, já que estes se tornam dependentes dos seus cuidados, que vão dos mais simples até os mais complexos. Dessa forma, o enfermeiro deve implementar estratégias de alívio da dor, utilizando diversas técnicas, que podem ser desenvolvidas de forma direta ou indireta. A abordagem multidisciplinar é de suma importância a esses pacientes por causa de sua alta complexidade, pois implica demonstrar que nenhuma profissão consegue abranger todos os aspectos envolvidos no tratamento da dor, o que faz destacar a significância do trabalho coletivo, permitindo a sinergia de habilidades para promover uma assistência completa. Na literatura, há descrições de tratamentos terapêuticos da dor em pacientes terminais, porém não existem muitos relatos específicos da abordagem da fisioterapia e da enfermagem diferenciada em pacientes geriátricos terminais.
O aprofundamento, a busca de novos tratamentos, condutas terapêuticas e a adequada avaliação da dor nesses pacientes são importantes, assim como admitir o significado do alívio da dor desde o início do tratamento de uma doença até as últimas horas de vida, tornando uma condição fundamental para que todas as especialidades possam trabalhar da melhor forma possível com o paciente e seus familiares.
A DOR NO PACIENTE IDOSO TERMINAL
A dor de um paciente portador de uma doença fora de possibilidade de cura pode ter uma conotação terrível pelo fato de anunciar-lhe de certa forma que a sua morte está a caminho. O sintoma mais comum em doenças avançadas é a dor (60%- 75%), podendo aumentar em até 80% em pacientes institucionalizados e ser ainda maior em pacientes hospitalizados. Os idosos que estavam em hospice em cuidados paliativos apontaram a dor como sintoma mais prevalente e angustiante (92%). Em pacientes geriátricos, a dor pode vir acompanhada de peculiaridades como o efeito cumulativo da progressão de doenças crônicas dolorosas e o aumento na incidência de condições associadas à dor. Além disso, é comum a ocorrência de múltiplas complicações médicas e mais efeitos colaterais de diferentes tratamentos durante a velhice.
As principais causas de dor no idoso (especialmente a dor crônica) são: doenças osteoarticulares (principalmente degenerativas), fraturas, doenças vasculares periféricas, neuropatia diabética, neuralgia pós-hérpica, síndrome dolorosa pós-acidente vascular encefálico (AVE), neuropatias periféricas, polimialgia reumática e, principalmente, doenças neoplásicas13. Diversos autores afirmam que os níveis de sensibilidade da dor aumentam regularmente com a idade. É necessário recordar que isso não significa ausência de dor e, portanto, o paciente geriátrico com dor precisa de um adequado tratamento. Os princípios do tratamento da dor (procedimentos paliativos em geral) são similares em adultos e nos idosos, porém deve-se conhecer as peculiaridades dessa etapa da vida e fazer um enfoque terapêutico mais adequado e racional. Os aspectos precisos sobre o que a idade altera nos mecanismos de dor não estão bem esclarecidos.
O PAPEL DA ENFERMAGEM NO TRATAMENTO DA DOR
O papel da enfermagem é preponderante no tratamento da dor, tendo como foco principal o cuidado e a manutenção da qualidade de vida em todas as fases do processo da doença, ou seja, diagnóstico, tratamento, reabilitação. Por meio da compreensão dos múltiplos fatores envolvidos na dor, o enfermeiro/técnico/auxiliar pode atuar em relação ao paciente e à família objetivando uma assistência eficaz do ponto de vista técnico, científico, humano e ético. Para isso, é necessário estar disponível para ouvir, compreender e fornecer as orientações quantas vezes for necessário, estabelecendo uma relação de empatia com o paciente.
A Sistematização do Atendimento de Enfermagem (SAE) envolve uma abordagem sistemática e científica na assistência ao indivíduo com dor e suas famílias. O enfermeiro coleta dados, identifica problemas, planeja, implementa e avalia intervenções (farmacológicas e não farmacológicas), bem como propõe alterações baseadas nas avaliações. O paciente com dor pode ser incapaz de participar das atividades habituais da vida cotidiana ou de realizar seu costumeiro autocuidado. Cabe à equipe de enfermagem atender às necessidades físicas e de autocuidado do paciente, como cuidados na higiene, conforto e alimentação, intervenções na vigência de tratamento farmacológico, intervenções não farmacológicas, monitorização de sinais vitais e medidas educativas para o doente e a família.
Em suma, a enfermagem pode realizar diversas ações para o alívio da dor e a manutenção da qualidade de vida do paciente idoso terminal, entre as quais se destacam:
• Posicionamento confortável: frequentes mudanças de posição são necessárias para aliviar e redistribuir a pressão sobre a pele do paciente. Nos idosos, a pele apresenta alterações, como a diminuição dos fosfolipídios, em que os músculos sofrem atrofia e as estruturas ósseas ficam proeminentes, fazendo com que os idosos se tornem mais suscetíveis a úlceras por pressão, as quais provocam dor e sofrimento.
• Controle dos fatores ambientais: criar um ambiente calmo, diminuindo estímulos luminosos e sonoros, podendo ser criado um espaço para que os entes queridos permaneçam com os idosos, se desejável.
• Controle da ansiedade relacionada com a dor: o paciente ansioso a respeito da dor pode ser menos tolerante a ela. A ansiedade pode ser reduzida mediante explicações que indicam o grau de alívio da dor esperado a partir de cada medida. Existem estratégias que podem ser utilizadas pela enfermagem como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a técnica de orientação educativa. As TCC são utilizadas, principalmente, para controlar a dor, o medo e a ansiedade. Os princípios norteadores do seu uso são que os comportamentos humanos são socialmente aprendidos – o indivíduo pode aprender ou reaprender comportamentos que lhe tragam melhor funcionalidade e bem-estar.
São utilizadas técnicas de relaxamento, distração e imaginação dirigida. A atuação educativa do enfermeiro é realizada por meio de consultas individuais, demonstração, filmes, folhetos e manuais e pode ocorrer em diferentes contextos. O objetivo é tornar os pacientes e familiares agentes de autocuidado e participantes ativos do processo terapêutico. No tratamento farmacológico, observa-se no idoso a predisposição para desenvolver sedação e confusão mental quando faz uso de diferentes drogas .
O enfermeiro deverá conhecer a farmacocinética e a farmacodinâmica das drogas utilizadas para uma correta monitorização, que determinará a eficiência da analgesia, o ajuste das doses e o manejo dos efeitos colaterais.
O PAPEL DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DOR
O fisioterapeuta tem um papel fundamental no controle da dor de pacientes sem possibilidade de cura, podendo utilizar métodos e recursos não invasivos exclusivos de sua profissão, que são imensamente úteis no controle da dor, fazendo com que sua atuação colabore com o tratamento multiprofissional, necessário para o atendimento desses pacientes. A literatura científica demonstra a efetividade das técnicas e recursos fisioterapêuticos utilizados por idosos que se encontram restritos ao leito por tempo prolongado.
No entanto, não há muitos artigos de revisão bibliográfica que compilem todos os dados referentes à abordagem que a fisioterapia pode desenvolver com esse paciente, dentro da equipe multidisciplinar, do contexto da dor. É muito importante deixar claros os objetivos da fisioterapia tanto para a equipe como para os familiares e o paciente a ser tratado, facilitando, assim, a aceitação e a adesão ao tratamento proposto. Entre os métodos analgésicos, há os meios físicos e a terapia manual. A eletroestimulação traz resultados rápidos, no entanto esse alívio é variável entre os pacientes. A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é um método que utiliza a corrente elétrica para induzir analgesia.
Alguns autores já demonstraram que a TENS de baixa e alta frequência, aplicada em animais e humanos, induziu analgesia principalmente por liberação de opioides endógenos. Já outros estudos de experimentação mostraram que a TENS de baixa frequência é menos efetiva em animais tolerantes à morfina, quando comparada à TENS de alta frequência. A partir desses estudos, é possível observar que pacientes em uso crônico de morfina podem não se beneficiar da analgesia induzida pela TENS de baixa frequência, sendo mais indicada a de alta frequência (maior que 50 Hz), por apresentar outro mecanismo de analgesia.
O estudo de Hamza et al.37 comparou o uso de TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation), constatando uma diminuição no escore da escala aná- loga visual (VAS) e a incidência de náuseas e de prurido local de forma significativa37. McQuay et al.38, numa ampla revisão sistemática, não encontraram evidências para o uso de TENS em dor em fase aguda, porém encontraram efeitos analgésicos em dor crônica.
A TENS, se bem indicada, pode trazer inúmeros benefícios no controle da dor.
O uso da corrente interferencial é bem estabelecido para diminuição da dor, no entanto ainda não há consenso sobre qual variação da amplitude modulada de frequência (AMF) é mais eficaz. Não foram encontradas diferenças na analgesia em grupos com AMF de 5, 40, 80, 120, 160, 200, 240 Hz. Talvez essa diferença esteja relacionada com as características individuais de tecidos da pele e músculos durante passagem da corrente; variações de lípides, água e íons interferem na geração da corrente interferencial, não sendo possível definir o quão é reprodutível o fenômeno no interior dos tecidos.
A termoterapia superficial (bolsa térmica e compressa de parafina) também pode ser utilizada para aliviar a dor de pacientes geriátricos em controle paliativo, tendo como objetivo promover relaxamento muscular, interferindo no ciclo dor-espasmo-dor, tomando apenas o cuidado com a pele desses pacientes que estão mais fragilizados.
Mense40 demonstrou que o aquecimento da pele, por meio do calor superficial, é capaz de reduzir a atividade dos motoneurônios gama, na medula espinhal, e a atividade elétrica das fibras intrafusais, reduzindo o espasmo muscular e a dor40. O calor superficial possibilita, também, a remoção de produtos do metabolismo, bem como de mediadores químicos responsáveis pela indução da dor e, consequentemente, do espasmo muscular reflexo. O uso do calor superficial é bem semelhante ao da crioterapia, em que o tempo recomendado é de 15 a 20 minutos, sempre reforçando a proteção do local exposto ao calor.
A crioterapia provoca vasoconstrição por aumento da atividade simpática, após estimulação dos receptores de frio na pele. Essa ação vasoconstritora reduz os mediadores químicos que são liberados no local da lesão e, dessa forma, controlam o contato desses mediadores inflamatórios com os nociceptores, reduzindo, assim, a dor.
A crioterapia tem um histórico expressivo como tratamento de dor, com eficácia comprovada, baixo custo e fácil aplicação. Porém, por sua simplicidade, deixou de ser utilizada e seu uso ficou reduzido a apenas alguns casos, como torções e contusões. Não há estudos sobre a diminuição de dor em pacientes em fase terminal por meio de crioterapia, mas sua aplicação pode ser útil para dores musculoesqueléticas, sendo realizada por bolsas ou imersão em água gelada duas a três vezes ao dia durante 15 a 20 minutos.
Os métodos como mobilizações articulares, alongamentos e massoterapia também podem ser utilizados para complementar o tratamento da dor, diminuindo a tensão muscular, melhorando a circulação tecidual, prevenindo rigidez e deformidades articulares e agindo também para diminuir a ansiedade, muito comum nesses pacientes.
O alongamento é eficaz e pode ser utilizado com relativa facilidade e baixo custo, sempre com orienta- ção de um fisioterapeuta ou fisiatra. A queixa de uma dor muscular pode ser devida à perda da flexibilidade, que leva a um encurtamento da musculatura. O alongamento mostra ser eficaz na diminuição da dor e na melhora de outros sintomas, como a ansiedade, em comparação ao condicionamento físico.
A massoterapia também é uma técnica comumente utilizada como terapia complementar nos pacientes, com o objetivo de analgesia.
A massoterapia é definida como a manipulação dos tecidos moles do corpo, executada com as mãos, com o propósito de produzir efeitos benéficos sobre os sistemas vascular, muscular e nervoso. A massoterapia produz a estimulação mecânica dos tecidos, mediante a aplicação rítmica de pressão e estiramento. A pressão comprime os tecidos moles e estimula os receptores sensoriais, produzindo sensação de prazer ou bem-estar, e pode ser utilizada com o objetivo de induzir o relaxamento muscular e o alívio da dor.
Em um estudo feito por um estudioso, que utilizou massoterapia para alívio da dor e melhora da qualidade de vida em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos, conclui-se que a realização de 10 dias subsequentes de massagem padronizada em pacientes com dor oncológica resultou em menor consumo diário de morfina, melhor qualidade de vida, sem, contudo, aumentar a incidência dos efeitos adversos, revelando-se uma técnica adjuvante alternativa para o tratamento da dor oncológica.
Muitos profissionais tendem a evitar tocar em pacientes idosos, especialmente os que sofrem de doenças em fase terminal, porém o toque e a proximidade física podem ser a maneira mais importante de entrar em comunicação com uma pessoa na terminalidade, transmitindo-lhe a noção de que é importante como ser humano.
É importante ressaltar que, antes de utilizar qualquer técnica, se deve avaliar e levar em conta a contraindicação de cada recurso fisioterápico, respeitando a individualidade de cada paciente, observando e analisando as patologias apresentadas por eles.
O moderno enfoque do tratamento da dor com equipe multidisciplinar (união de diversos profissionais como médico, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeira, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem, assistente social e outros) permite abranger muitos dos aspectos que afetam o paciente em fase terminal, que na geriatria se torna mais complexo pelas comorbidades apresentadas.
Dentro da abordagem dos pacientes geriátricos terminais com dor, a identificação à primeira vista pode ser difícil. Com isso, um bom preparo dos profissionais para a escolha da ferramenta adequada a ser utilizada e saber identificar o sintoma são de suma importância para que sejam estabelecidos objetivos e condutas adequados para cada paciente, sempre respeitando sua individualidade.
Isso tende a tornar as terapias mais eficazes. A fisioterapia e a enfermagem possuem vários recursos para redução de dor, tendo como objetivo principal a melhora da qualidade de vida dos pacientes sem possibilidades curativas. É de vital importância que, além da equipe multidisciplinar, o próprio paciente e as pessoas que cuidam dele ou convivem com ele estejam empenhados em seu tratamento.
Enfermagem: Nutrição e Dietética
O nosso organismo pode ser comparado a uma máquina, assim como esta requer para o seu funcionamento, óleos e graxos, à nossa máquina humana exige o seu combustível o alimento.
Entretanto, este tem que ser de boa qualidade, variedade e fornecido em quantidades adequadas. Um pequeno descontrole nesses fatores é suficiente para que o organismo não funcione bem, ocasionando sérias perturbações.
Sem alimento não há vida, uma alimentação inadequada ou deficiente, traz inúmeros prejuízos a sua saúde.
NUTRIÇÃO
É a ciência que estuda as necessidades nutricionais de diferentes tipos de organismos, as transformações impostas aos alimentos pelo organismo com a finalidade de utilizar os nutrientes neles contidos como fonte de energia e substrato para a formação de tecido.
ALIMENTOS
È toda substância que introduzida no organismo, transformada e aproveitada, fornece material para o crescimento e a reparação dos tecidos, calor e energia para o trabalho.
NUTRIENTES
São compostos específicos encontrados nos alimentos, no solo e nos fertilizantes, e são importantes para o crescimento e sobrevivência dos seres vivos. Os nutrientes, de acordo com a natureza das funções que desempenham no organismo, são agrupados em diferentes categorias, a saber.
1.Reguladores: exercem função no controle ou no equilíbrio do metabolismo. Ex: vitaminas e sais minerais.
2.Energéticos: fornecem energia. Ex:carboidratos e gorduras.
É variável a quantidade destas substâncias nos diversos alimentos. Assim temos alimentos mais ricos que outros em proteínas, glicídios, lipídios, vitaminas, sais minerais e água.
A riqueza de um alimento em um destes fatores faz com que o mesmo seja fonte principal desse alimento.
PROTEÍNAS
São substâncias nitrogenadas e complexas, compostas por carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, constituídas de aminoácidos. Sua principal função é atuar na formação de tecidos orgânicos, no processo de renovação dos mesmos, e, principalmente no crescimento. Por isso são chamados de alimentos de construção.
São principais fontes de proteínas:
- Alimentos de origem animal. Carnes em geral, peixe, leite e seus derivados, ovos.
- Alimentos de origem vegetal, os melhores são as leguminosas como soja, lentilha, feijão, ervilha, amendoim, grão de bico.
A dieta pobre em proteínas é incapaz de promover o crescimento e manter uma vida.
A carência de proteínas leva ao crescimento retardado e menor desenvolvimento da musculatura, provocando defeitos na postura, ficando os indivíduos com ombros caídos, cabeça pendida para frente e os braços caídos ao longo do corpo.
Sintomas da falta de proteínas na alimentação:
- Cansaço fácil
- Palidez e desânimo
- Falta de resistência contra doenças
- Difícil cicatrização
- Síndrome de Kwashiorkor
HIDRATOS DE CARBONO, CARBOHIDRATOS OU GLICÍDIOS
São substâncias, que introduzidas no nosso organismo, fornecem calor e energia. Por esse motivo são chamados de alimentos energéticos. Constitui a maior fonte de alimentos dos povos mundiais.
Os hidratos de carbono, depois de ingeridos, são absorvidos sob a forma de um açúcar simples, a glicose. A glicose é transformada e reservada no fígado. Conforme as necessidades do organismo, ele transforma parte da reserva em glicose novamente, a qual é quebrada, produzindo calor para a locomoção e trabalho muscular.
CLASSIFICAÇÃO
1.MONOSSACARÍDEOS: Aqueles que através do processo digestivo não podem ser desdobrados em unidades menores. Ex: glicose, frutose e lactose
2.DISSACARÍDEOS: Formados por dois monossacarídeos podem ser desdobrados em seus componentes. São os açucares: sacarose ( glicose + frutose); lactose ( glicose + galactose ); e maltose ( 2 unidades de glicose).
- POLISSACARÍDEOS: Carboidratos mais complexos compostos por grande número de monossacarídeos que podem ser desdobrados em seus componentes. São o amido e o glicogênio. Ex: batata, arroz, fubá, trigo.
As principais fontes de hidrato de carbono são:
- Açúcar, mel, melado, rapadura
- Cereais e suas farinhas: trigo, arroz, centeio, aveia, cevada e milho
- Leguminosas: feijão, lentilha, soja, fava, amendoim
- Os tubérculos: batata, batata doce, mandioca, inhame, cará
A falta de hidratos de carbono no organismo manifesta-se por sintomas de fraqueza, tremores, mãos frias, nervosismo, tonturas e desmaios.
O excesso de hidratos de carbono transforma-se em gordura provocando a obesidade.
GORDURAS E LIPÍDEOS
Os lipídeos são considerados nutrientes energéticos, devido ao elevado potencial calórico, fornecem calor e energia com o dobro de intensidade e ainda tem propriedades que conduzem as vitaminas lipossolúveis ( A, D, E K ).
Os organismos têm grande capacidade de armazenar gorduras e os principais depósitos são no tecido conjuntivo subcutâneo. Esta reserva funciona como isolante térmico, protegendo o organismo contra mudanças bruscas de temperatura do meio ambiente.
As fontes de gordura podem ser de origem animal e vegetal.
- Origem animal: manteiga, creme de leite, banha de porco, toucinho, carnes gordas, gema de ovo. Etc.
- Origem vegetal: óleos extraídos do milho, soja, semente de girassol, caroço do algodão, coco, nozes, castanhas, abacates, etc.
A carência de gorduras, nas crianças pode provocar o aparecimento de lesões na pele e em adultos, altera a quantidade de ácidos graxos essenciais no plasma sanguíneo.
O excesso de gordura causa:
- Aumento do colesterol
- Diarréia
- Aumento do peso corpóreo
- Fermentações que irritam as mucosas do aparelho digestivo, causando colites ou outras patologias.
VITAMINAS
As vitaminas são substâncias indispensáveis à vida em quantidades reduzidas.
As vitaminas são classificadas em:
- Lipossolúveis: solúveis em gorduras ou solventes de gordura. São as vitaminas A, D, K e E.
- Hidrossolúveis: solúveis em água. São as vitaminas do complexo B e a vitamina C.
VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS
Vitamina A ( retinol )
Indispensável para a integridade da visão noturna, à formação dos tecidos epiteliais e da estrutura óssea.
São fontes de vitamina A: fígado, manteiga, gema, leite integral, creme de leite, vegetais pigmentados na forma de caroteno, principalmente na cenoura, mandioquinha, folhas verdes em geral e alguns frutos ( mamão e melão ).
A deficiência da vitamina A causa principalmente um distúrbio visual conhecido como cegueira noturna ( nictalopia ), que se caracteriza pela diferença de luminosidade. Deficiências mais severas e prolongadas podem causar ulcerações da córnea e cegueira total ( xeroftalmia ).
No tecido epitelial, a deficiência de vitamina A altera as células epiteliais da membranas da garganta e nariz.
Vitamina D ( calciferol )
É essencial para o desenvolvimento normal do ser humano. É importante para a formação de ossos e dentes, previne e cura o raquitismo.
É encontrada na luz solar, óleo de fígado de peixe, leite fortificado e ovos.
A carência de vitamina D, na infância, provoca o raquitismo, que se caracteriza por uma ossificação deficiente de mineralização durante a formação dos ossos mais longos.
Nos adultos, a deficiência de vitamina D causa a osteomalácia, por enfraquecimento dos ossos devido a uma desmineralização do mesmo, resultando em deformações ósseas, fraqueza e dificuldade de locomoção.
Vitamina E ( tocoferol )
É conhecida como a vitamina antiesterilidade. Seu modo de ação não se encontra bem esclarecido, existindo várias teorias para explicar sua atividade. Dentre elas destaca-se a teoria da função antioxidante lipídico ( previne a formação de produtos tóxicos e oxidação.
São boas fontes de vitamina E, gérmem de cereais, vísceras, músculos, ovos e leite.
A deficiência de vitamina E no homem é rara.
Vitamina k ( menadiona ou minaquona )
É conhecida como vitamina anti-hemorragia por ter sua principal ação no fenômeno de coagulação do sangue. É imprescindível na síntese de protombina no fígado.
As melhores fontes de vitamina K são folhas verdes das hortaliças ( espinafre, couve, repolho ), ervilha, soja, tomate e em alimentos de origem animal.
É comum o aparecimento de equimoses, epistaxes, hematúrias, hemorragias intestinais no pós-operatório.
A carência de vitamina K ocorre por falha na absorção pelo fígado, reduzindo a capacidade de coagulação sanguínea e aumentando a tendência a hemorragias.
VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS
Vitaminas do complexo B
Fazem parte desse grupo, as vitaminas B1 ( tiamina ), B2 ( riboflavina ), B6 ( piridoxina ), B12 ( cianocobalamina ), niacina, folacina, ácido pantotênico, biotina entre outros fatores.
Vitamina B1 ( tiamina ) Interfere no metabolismo dos carboidratos, como integrante de uma enzima essencial a degradação da glicose e produção de energia. É absorvida no intestino delgado.
As principais fontes são: levedo de cerveja, vísceras grãos integrais de cereal.
A manifestação clinica da deficiência de tiamina é o beribéri. O beribéri pode apresentar, se em crianças, anormalidades cardíacas , afonia e pseudomeningite e em adultos polineurite que é a alteração dos nervos periféricos ou afetar o sistema nervoso central.
Vitamina B2 ( riboflavina )
É essencial para o crescimento e importante na conservação dos tecidos e na fisiologia ocular. As principais fontes são: leite, ovos, vísceras, queijos, vegetais folhosos, levedo de cerveja e integrais.
A carência de riboflavina manifesta-se por lesões na língua ( glossite ), lábios ( quilose ), nariz e olhos ( blefarite ), pois há impedimento da oxidação celular. A este conjunto de sintomas dá-se o nome de arriboflavinose.
Vitamina B6 ( piridoxina )
É indispensável em muitos processos químicos complexos, onde os nutrientes são metabolizados no organismo, principalmente no caso das proteínas.
As principais fontes de vitamina B6 são sementes de cereais, levedo de cerveja, sementes de girassol, carne, fígado e peixes.
Sua carência ocasiona problemas de pele, sistema nervoso central, lesões seborréicas nos olhos, nariz e boca acompanhadas de glossite e estomatite.
Vitamina B12 ( cianocobalamina )
Sua função mais importante é relativa a medula óssea, onde são formadas as hemácias.
As melhores fontes de vitamina B12 são: fígado, rim, coração, ostras, carnes em geral, peixe, ovos e leite.
A deficiência de vitamina B12 causa a chamada anemia perniciosa e profundas alterações ao sistema nervoso, que se caracterizam por uma desmineralização dos nervos.
Niacina ou ácido nicotínico
Atua no metabolismo energético, ou seja, na produção de energia, através dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas. Pode ser sintetizada pelo aminoácido triptofano.
As principais fontes são: fígado, carnes em geral, leguminosas e cereais. A carência provoca a pelagra que se caracteriza por: pele vermelha e áspera ( rosto e pescoço ), língua vermelha e lisa, estomatites, diarréias, anorexia, fadiga, alterações mentais e cefaléia.
Vitamina C ( ácido ascórbico )
A vitamina C é essencial para manutenção da integridade capilar e dos tecidos, ajuda a manter a defesa contra infecções e estimula a cicatrização e consolidação de fraturas, reduzindo a tendência a infecção.
As principais fontes de vitamina C são frutas cítricas, laranja, limão, tangerina, abacaxi, caju e vegetais ( pimentão e repolho ). A doença típica de falta de vitamina C é o escorbuto.
Os principais sintomas do escorbuto são: alterações nas gengivas ( hemorragias ), dores articulares, dificuldade de cicatrização, anemia, dificuldades respiratórias, diminuição da excreção urinária.
SAIS MINERAIS
Os minerais formam as cinzas dos materiais biológicos após completa oxigenação da matéria orgânica.
São sais inorgânicos indispensáveis como componentes estruturais e em muitos processos vitais.
Estão presentes nos tecidos duros ( ossos e dentes ) e também nos fluidos corporais e tecidos moles. Classificam-se em:
Macronutrientes: são indispensáveis a nutrição. São eles: cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro e magnésio.
Micronutrientes: ferro, zinco, selênio, manganês, cobre, iodo, e outros. No organismo são encontrados apenas traços desses minerais.
Cálcio e fósforo
O cálcio é essencial na formação de ossos e dentes, estando presente no organismo em grandes quantidades.
Uma pequena quantidade esta presente na circulação sanguínea e nos tecidos moles e são de vital importância para o metabolismo, controle cardíaco e exatabilidade de músculos e nervos, e a coagulação sanguínea.
O fósforo ocorre em todos os tecidos biológicos sob a forma de fosfato. Nos ossos e dentes, estão presentes 80% do fósforo contido no organismo, enquanto 10% encontram-se nos músculos e 10% no sistema nervoso. É essencial para a célula, participando ativamente no seu metabolismo e funções.
É importante a relação cálcio-fósforo na alimentação para a absorção dos dois. O excesso de um ou de outros no cardápio resulta em absorção pobre de ambos e em excreção aumentada de um ou de outro.
São fontes desses minerais: leite, queijos, coalhada, pescados e folhas verdes.
O fósforo é encontrado em maior quantidade nos alimentos de origem animal, como: carnes, vísceras, pescados, ovos e de origem vegetal as leguminosas, especialmente a soja.
A ausência de cálcio perturba a função condutora dos nervos e a contração muscular, além de causar descalcificação óssea e fraturas freqüentes, caries dentárias, atraso no crescimento, demora na coagulação sanguínea, nervosismo, irritabilidade, insônia.
Potássio
É indispensável ao crescimento e a vida, pois mantém o equilíbrio acido básico no organismo, a pressão osmótica e a irritabilidade dos nervos e músculos.
Suas fontes são: frutas, carnes, leite, cereais, verduras, legumes e etc.
Deficiências de potássio podem resultar em severas diarréias, mau funcionamento dos rins, e acidose diabética, manifestando-se por: fraqueza muscular, irritabilidade nervosa, irregularidade cardíaca e desequilíbrio mental.
Sódio
O sódio é o principal elemento encontrado nos fluidos extra celulares tendo função muito importante na regulação da osmolaridade ( pressão osmótica ), do pH e do equilíbrio eletrostático.
A principal fonte de sódio é o sal de cozinha ( cloreto de sódio NaCI ), também é encontrado nos elementos de origem animal, especialmente no leite e em ovos.
São raros os sinais de deficiência de sódio em indivíduos normais. Quando há transpiração excessiva, ocorre perdas significativas de sódio.
Cloro
É encontrado nos tecidos biológicos como íon de cloreto combinado com sódio ( cloreto de sódio ) e com potássio nas células. Participa juntamente com o potássio e o sódio no equilíbrio osmótico e ácido básico e conservação do tônus muscular.
A principal fonte é o sal de cozinha, mas também pode ser encontrado no leite, carne, ovos e mariscos.
A carência de cloro provoca desequilíbrio ácido básico dos líquidos orgânicos, como por exemplo, no vomito, diarréia ou sudorese intensa.
Ferro
Sua principal função é a de transportar e ceder oxigênio. Faz parte dos glóbulos vermelhos. O ferro não depositado pelo organismo deposita-se no fígado e no baço e quando necessário é liberado para formar mais glóbulos vermelhos.
O organismo necessita de mais ferro durante a gestação, o aleitamento e o crescimento, quando o consumo é maior. É no final da gestação que o feto recebe mais ferro do organismo materno.
São fontes de ferro: fígado, gema de ovo, rim, feijão, espinafre, frutas secas, tomate, cenoura, agrião, cereais integrais, brócolis e couve.
A deficiência ou falta de ferro na alimentação leva a anemia, pois não é possível a produção de glóbulos vermelhos.
São sintomas da anemia: palidez, desânimo, incapacidade de concentração e vertigens.
Iodo A função do iodo no organismo é a de participar da estrutura dos hormônios da tireóide. As principais fontes de iodo são: frutos do mar ( peixes, ostras, camarões, algas marinhas, lagosta ), sal bruto, cebola, alho e agrião.
A diminuição prolongada de iodo na dieta leva ao bócio, A deficiência grave de iodo na gestação pode levar ao cretinismo congênito ( hipotiroidismo infantil ).
Água
A água é o nutriente mais importante do nosso organismo. Nosso organismo é composto de 60% a 70% do peso corporal do adulto.
Faz parte de todos os líquidos e células do corpo e funciona na digestão, absorção, circulação e excreção.
Embora a água forneça calorias, é essencial para produção de energia, já que nenhuma célula funciona sem a presença de água. A água dos tecidos se origina de três fontes distintas:
- Água liquida ingerida como bebida;
- Água ingerida como constituinte dos alimentos;
- Água de origem metabólica.
As vias pelas quais o organismo pode perder água são:
- Pêra insensível através da pele e pulmões;
- Excreção urinaria e intestinal;
- Suor
A falta de água no organismo pode causar a desidratação, que é a perda de água, principalmente através do vomito e diarréia.
Seus sintomas são sede, náuseas, vômitos, corpo quente e seco, língua seca, perda de peso, confusão mental, delírio, abatimento e etc.
DIETOTERAPIA
Conceito
É o tratamento do paciente através da ingestão de alimentos ajustados as exigências especificas de cada caso, em relação aos componentes nutritivos, valor calórico, quantidade, apresentação e consistência dos alimentos na dieta.
É aplicada nas áreas das enfermidades agudas ou crônicas, transmissíveis ou não, na clinica cirúrgica e no preparo para exames.
Finalidade
- Curar o paciente;
- Prevenir as alterações da nutrição. Ex: pré e pós operatório;
- Restabelecer as condições de nutrição quando se encontram alteradas.
DIETAS HOSPITALARES
- De acordo com o valor nutritivo
- Dieta normal ou geral: usada quando o paciente pode receber qualquer tipo de alimento. É normal em calorias e nutrientes. Ex: dieta geral
- Dieta carente: apresenta taxa de nutrientes e calorias abaixo dos padrões normais. Seu prefixo é hipo. Ex: dieta hipocalórica
- Dieta excessiva: apresenta taxa de nutrientes e calorias acima dos padrões normais. Seu prefixo é hiper. Ex: dieta hiperprotéica
- Super alimentação: Usada para indivíduos desnutridos ou que necessitem de um considerável aumento no valor calórico da dieta.
- Dietas com aumento parcial de nutrientes ou calorias: Usadas em casos específicos onde é necessário a elevação da taxa normal de nutrientes.
- Dieta hiperprotéica: Com elevada taxa de proteínas, indicada em qualquer situação onde ocorra aumento das necessidades de proteínas. Ex: pós operatório, doenças infecciosas na convalescença.
- Dieta hipercalórica: Dieta com valor calórico total acima de 3000 calorias diárias. É indicada nos casos de anorexia severa.
- Dieta hiperglicídica ou hiperhidrocarbonada: Dieta com taxa elevada de glicídios ou carboidratos. É usada em situações que exijam taxas de glicídios abaixo dos padrões de normalidade.
- dietas com diminuição parcial de nutrientes e calorias: Usadas em casos específicos, cuja indicação seja diminuição da taxa normal de nutrientes ( proteínas, carboidratos e gorduras, sais minerais e etc ).
- Dieta hipoprotéica: Dieta com taxa reduzida de proteínas, indicada para evitar progressão de lesões renais.
- Dieta hipocalórica: Dieta com valor calórico total abaixo dos padrões de normalidade, indicada em obesidade e programas de redução de peso.
- Dieta hipogordurosa ou hipolipídica: Dieta com taxa reduzida de gorduras. Usada em casos de hepatite, colecistite, pancreatite, colelitíase e etc.
- Dieta hipossódica: Dieta com taxa reduzida de sódio, utilizada em casos de edema cardíaco e renal, hipertensão arterial, cirrose hepática acompanhada de ascite, toxemia gravídica.
- Dietas com omissão de algum componente. São indicadas quando há necessidade de retirada total de algum componente do cardápio.
- Dieta assódica: Dieta sem sódio, ou seja, sem sal. Geralmente utilizada em casos de hipertensos graves e doenças renais.
- De acordo com a consistência dos alimentos, as dietas hospitalares são:
- Dieta hídrica: chá, água, caldo de legumes coado.
- Dieta liquida: alimentos de consistência liquida normal em calorias e nutrientes, requerendo o mínimo de trabalho digestivo. Ex: chá, leite, café, sopas coadas, gelatinas, suco de frutas.
- Dieta Leve: alimentos de consistência semi liquida e bem cozidos liquidificados e peneirados. É usado em pré e pós operatório, em situações em que se devem poupar o trabalho gastrointestinal, doenças infecciosas e febris, pacientes com dificuldade de mastigação e deglutição de alimentos sólidos.
- Dieta pastosa: alimentos de consistência cremosa, minimizando assim o trabalho digestivo. É indicada nas doenças gastrointestinais, favorecendo assim os processos digestivos, no pos operatório em transição para uma dieta normal, para pacientes com dificuldades na mastigação e deglutição.
- Dieta branda: é normal em calorias e nutrientes, com condimentação suave. São evitados alimentos que promovem, excessiva fermentação e também as frituras e alimentos crus. São indicadas em patologias do aparelho digestivo, em pos operatório na transição para dieta normal e para convalescentes pela facilidade de digestão.
NUTRIÇÃO ENTERAL

O trato gastrointestinal tem a função de decompor as nutrientes pelo processo da digestão. O transito do alimento ocorre através do trato digestivo, passando pela boca, esôfago, estômago, intestinos e ânus.
É realizado por via nasogástrica ou nasoenteral, através de uma sonda que passa pelo nariz, estômago e vai até o duodeno e jejuno.
Esse método é empregado quando os pacientes apresentam: anorexia extrema, lesões na boca, esôfago, pacientes inconscientes, disfágicos, com reflexo gastesofágico e outros casos.
NUTRIÇÃO PARENTERAL

É a alimentação ministrada ao pacientes utilizando outras vias de administração que não seja a do trato digestivo. Via endovenosa é a mais utilizada.
Quando a alimentação enteral é contra indicada, a alimentação parenteral se apresenta como um método rápido e controlado de repor líquidos e nutrientes no organismo. Ela é usada como medida de emergência ate que a alimentação oral possa ser restabelecida.
PAPEL DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM DA DIETOTERAPIA.
O técnico de enfermagem deve administrar a dieta aos pacientes impossibilitados de fazê-lo por si próprio. Após anotar no prontuário a aceitação alimentar do paciente.
Deverá também, na ausência do enfermeiro, notificar ao serviço de nutrição e dietética, as admissões e transferências, altas e óbitos de pacientes, bem como as alterações dietéticas prescritas pelo médico.
Termos de Enfermagem por Sistema do Corpo

Conhecer a terminologia por sistema ajuda a transformar uma descrição clínica em uma informação objetiva. Na prática da enfermagem, saber que “dispneia”, “oligúria” ou “hematêmese” representam achados diferentes facilita a comunicação da equipe e torna o registro no prontuário mais preciso. O uso adequado da terminologia técnica também contribui para a continuidade e a segurança da assistência.
Sistema respiratório
No sistema respiratório, os termos mais utilizados descrevem o padrão respiratório, a presença de secreções, sangramentos e alterações da oxigenação.
| Apneia: ausência de movimentos respiratórios. Bradipneia: frequência respiratória abaixo do esperado. Cianose: coloração azulada ou arroxeada da pele e das mucosas, podendo estar relacionada à redução da oxigenação ou a outras condições circulatórias. Dispneia: sensação ou manifestação de dificuldade para respirar. Eupneia: respiração dentro do padrão esperado para a condição clínica. Expectoração: eliminação de secreções das vias respiratórias por meio da tosse. Hemoptise: eliminação de sangue proveniente das vias respiratórias inferiores, geralmente pela tosse. Hemotórax: presença de sangue na cavidade pleural. Hiperpneia: aumento da profundidade da respiração, podendo ocorrer com aumento da frequência. Ortopneia: dificuldade respiratória que se manifesta ou piora em decúbito, levando o paciente a buscar posição mais elevada para respirar melhor. Taquipneia: aumento da frequência respiratória. |
Um detalhe que costuma fazer diferença na UTI é não registrar apenas “paciente com falta de ar”. Em uma situação que acompanhei durante a assistência, o paciente passou a apresentar respiração mais rápida e esforço respiratório ao ser colocado em decúbito; registrar frequência respiratória, padrão, uso de musculatura acessória e saturação trouxe muito mais informação para a equipe do que simplesmente escrever “dispneico”.
Sistema digestivo
Aqui aparecem termos relacionados à alimentação, deglutição, digestão, eliminação intestinal, vômitos e alterações abdominais.
| Afagia: incapacidade de deglutir. Anorexia: perda ou redução do apetite. Azia/Pirose: sensação de queimação, geralmente percebida na região retroesternal e podendo ascender em direção à garganta. Cólica: dor geralmente caracterizada por contrações ou espasmos, comum em vísceras ocas. Colostomia: abertura cirúrgica do cólon na parede abdominal para eliminação do conteúdo intestinal. Constipação: alteração caracterizada por evacuações menos frequentes, fezes endurecidas ou dificuldade para evacuar. Diarreia: aumento da frequência e/ou redução da consistência das fezes. Disfagia: dificuldade para engolir. Distensão abdominal: aumento do volume abdominal associado, entre outras causas, ao acúmulo de gases, líquidos ou conteúdo intestinal. Êmese: ato de vomitar. Enteralgia: dor intestinal. Flatulência: eliminação ou acúmulo de gases no trato gastrointestinal. Gastralgia: dor localizada na região do estômago. Hematêmese: vômito com sangue proveniente do trato gastrointestinal superior. Melena: eliminação de fezes negras, geralmente de aspecto brilhante e pastoso, associadas à presença de sangue digerido. Náusea: sensação desagradável que pode preceder o vômito. Regurgitação: retorno do conteúdo alimentar ou gástrico para a boca, sem necessariamente ocorrer esforço de vômito. Sialorreia: produção ou acúmulo excessivo de saliva. |
Durante um plantão, já aconteceu de uma anotação aparentemente simples — “paciente vomitou” — precisar ser complementada porque o aspecto do conteúdo era clinicamente relevante. Quantidade, aspecto, presença de sangue, horário e sintomas associados ajudam a equipe a interpretar melhor o episódio e acompanhar sua evolução.
Sistema nervoso
Os termos neurológicos são especialmente importantes na avaliação do nível de consciência, força, sensibilidade, coordenação e movimentos.
| Afasia: alteração da capacidade de produzir e/ou compreender a linguagem. Apalestesia: perda da capacidade de perceber vibrações. Ataxia: alteração da coordenação dos movimentos. Coma: estado profundo de inconsciência, no qual o paciente não apresenta despertar e não pode ser adequadamente despertado. Convulsão: manifestação causada por atividade elétrica cerebral anormal, podendo produzir movimentos involuntários, alterações da consciência ou outros sinais. Estupor: importante redução do nível de consciência, com resposta apenas a estímulos intensos ou vigorosos. Hemiparesia: diminuição da força muscular em um lado do corpo. Hemiplegia: paralisia de um lado do corpo. Hipoestesia: diminuição da sensibilidade. Hiperalgesia: resposta dolorosa aumentada a um estímulo que normalmente provoca dor. Hipotonia: redução do tônus muscular. Parestesia: sensação anormal, como formigamento, dormência ou “agulhadas”. Paresia: redução parcial da força ou dos movimentos. Tetraplegia: paralisia dos quatro membros, geralmente associada ao comprometimento das funções motoras dos quatro membros. |
Na prática, a terminologia neurológica ganha valor quando acompanha uma avaliação objetiva. Em vez de registrar somente “paciente confuso”, é mais útil descrever o que foi observado, como nível de consciência, orientação, resposta aos estímulos, fala, força e alterações pupilares, conforme o contexto clínico.
Sistema tegumentar
No sistema tegumentar, os termos ajudam a descrever cor, integridade, lesões, sangramentos e alterações da pele.
| Acromia: ausência ou redução da pigmentação em determinada área da pele. Dermatite: inflamação da pele. Dermatose: termo geral utilizado para doenças ou alterações da pele. Equimose: extravasamento de sangue para os tecidos, produzindo alteração de coloração sem elevação significativa da pele. Eritema: vermelhidão da pele decorrente de aumento do fluxo sanguíneo local. Escoriação: perda superficial da pele, geralmente causada por atrito ou trauma. Fissura: solução de continuidade linear da pele ou mucosa. Mácula: alteração de cor da pele sem elevação ou depressão. Petéquia: pequena lesão hemorrágica puntiforme. Pústula: lesão elevada contendo material purulento. Úlcera: perda de continuidade do tecido, geralmente envolvendo maior profundidade que uma erosão superficial. Urticária: lesões elevadas e pruriginosas, geralmente transitórias, causadas por edema da derme. Vesícula: pequena elevação contendo líquido. |
Sistema locomotor
No sistema locomotor, a terminologia está relacionada principalmente a movimento, força, articulações, músculos e capacidade funcional.
| Acinesia: ausência ou redução importante dos movimentos voluntários. Anquilose: rigidez ou perda importante da mobilidade de uma articulação. Ataxia: falta de coordenação dos movimentos. Contratura: encurtamento ou rigidez persistente de músculo, tendão ou estruturas relacionadas, limitando o movimento. Dor articular: manifestação dolorosa localizada em uma ou mais articulações. Hipotonia: redução do tônus muscular. Hipertonia: aumento do tônus muscular. Paresia: redução parcial da força muscular. Paralisia: perda da capacidade de realizar determinado movimento voluntário. Fratura: interrupção da continuidade de um osso. |
Na avaliação de enfermagem, termos como “não deambula”, “apresenta limitação para movimentar o membro inferior direito” ou “necessita auxílio para transferência” podem ser mais úteis do que simplesmente escrever “problema locomotor”, porque descrevem diretamente a condição funcional observada.
Sistema urinário
Os termos urinários aparecem com frequência no balanço hídrico, na avaliação clínica e nos registros de enfermagem.
| Anúria: ausência ou produção urinária extremamente reduzida, conforme o contexto clínico e os critérios utilizados. Colúria: urina escurecida pela presença aumentada de pigmentos biliares. Diurese: produção ou volume de urina eliminado em determinado período. Enurese: eliminação involuntária de urina, especialmente durante o sono, em contexto apropriado. Hematúria: presença de sangue na urina. Micção: ato de eliminar a urina. Nictúria: necessidade de interromper o sono para urinar. Oligúria: redução do volume urinário. Piúria: presença de leucócitos ou pus na urina. Polaciúria: aumento da frequência das micções, geralmente com pequenos volumes. Poliúria: aumento do volume urinário. Retenção urinária: incapacidade de esvaziar adequadamente a bexiga. |
Um cuidado importante é não confundir frequência com volume: um paciente pode apresentar polaciúria e eliminar pequenas quantidades de urina, enquanto a poliúria se refere ao aumento do volume urinário. Essa distinção é simples, mas evita registros imprecisos e melhora a interpretação do balanço hídrico.
Órgãos dos sentidos
Boca
| Afasia: alteração da linguagem, podendo comprometer a expressão e/ou compreensão. Afagia: incapacidade de deglutir. Afonia: perda da voz. Anodontia: ausência de dentes, podendo ser congênita ou adquirida. Adipsia: ausência ou redução acentuada da sensação de sede. Hipossalivação: redução da produção de saliva. Sialorreia: produção ou acúmulo excessivo de saliva. |
Olhos
| Ablepsia: perda da visão ou cegueira. Ambliopia: redução da acuidade visual não explicada apenas por uma alteração estrutural ocular evidente. Anisocoria: diferença no diâmetro das pupilas. Aniridia: ausência total ou parcial da íris. Blefarite: inflamação das bordas das pálpebras. Diplopia: percepção de duas imagens de um mesmo objeto. Midríase: dilatação da pupila. Miose: constrição da pupila. Ptose palpebral: queda da pálpebra superior. |
A avaliação dos olhos não deve se limitar ao nome da alteração: tamanho, simetria e reatividade pupilar podem trazer informações importantes, principalmente diante de alterações neurológicas ou redução do nível de consciência.
Cuidados de enfermagem
A terminologia técnica deve ser usada para descrever o que foi observado, e não para substituir a avaliação clínica. Ao registrar um achado, procure associar o termo à informação objetiva: horário, frequência, quantidade, aspecto, localização, sinais associados e resposta às intervenções realizadas, quando pertinente.
Também é importante utilizar somente siglas e abreviações padronizadas ou autorizadas pelo serviço. O registro de enfermagem integra a documentação da assistência e deve favorecer a continuidade do cuidado, a comunicação entre profissionais e a segurança do paciente.
Se você quiser consultar uma lista muito mais ampla de termos técnicos, vale visitar o Glossário de Terminologias e Termos Técnicos na Enfermagem: esta página organiza os principais termos por sistema do corpo, enquanto o glossário funciona como uma referência completa em ordem alfabética, de A a Z. O glossário atualmente reúne centenas de termos utilizados na enfermagem.
Termos de Enfermagem por Sistema do Corpo
- Principais terminologias organizadas por sistema do corpo
- Termos respiratórios, digestivos, neurológicos e urinários
- Terminologias úteis para avaliação e registro de enfermagem
- Cuidados para utilizar termos técnicos com precisão
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde: Terminologia. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/terminologia/.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Manual de Orientação: Anotação de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2020. Disponível em: https://biblioteca.cofen.gov.br/manual-orientacao-anotacao-enfermagem/.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/.
Dez Passos para a Segurança do Paciente
É importante que os profissionais de enfermagem tenham sempre a mão e que consultem constantemente a cartilha Os Dez Passos para a Segurança do Paciente, desenvolvida pelo COREN em parceria com a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP).
O material, elaborado no sentido de contemplar os principais pontos de impacto direto na prática assistencial de enfermagem, capazes de serem implementados em diversos ambientes de cuidado, está disponível no link aqui.
A cartilha traz detalhes sobre estes dez tópicos. Relembre:
1. Identificação do paciente;
2. Cuidado limpo e cuidado seguro – higienização das mãos;
3. Cateteres e sondas – conexões corretas;
4. Cirurgia segura;
5. Sangue e hemocomponentes – administração segura;
6. Paciente envolvido com sua própria segurança;
7. Comunicação efetiva;
8. Prevenção de queda;
9. Prevenção de lesão por pressão;
10. Segurança na utilização de tecnologia.

Principais Soluções Utilizadas na UTI
É de fundamental importância o técnico de enfermagem ter conhecimentos aprofundados de todas as soluções e drogas utilizadas no ambiente de UTI. É necessário devido à complexidade e a gravidade dos pacientes para restabelecer o transporte de oxigênio para os tecidos, de forma a satisfazer as necessidades metabólicas globais e regionais. A restauração do fluxo sanguíneo, mediante uma adequada reposição polêmica, é uma modalidade terapêutica essencial e prioritária no controle das diversas patologias causadas por hipovolemia (hemorragia, sepse, grandes queimados, politraumatismos e grandes cirurgias). Para tanto, são administradas ao paciente soluções de compostos com ions inorgânicos que se distribuem em todo espaço extracelular, equivalendo a três vezes o volume intravascular. Essas soluções contem água e eletrólitos em concentrações variáveis, podendo ser consideradas hipotéticas, isotônicas ou hipertônicas em relação ao plasma. São soluções indicadas na ressuscitado volêmica de pacientes graves.
A solução ideal para o tratamento do paciente grave é aquela que proporciona expansão rápida e espanara do volume plasmático, otimizando as variáveis hemodinâmicas, o transporte e o consumo de oxigênio, normalizando os níveis de lactato e corrigindo a acidose intracelular, sem acarretar complicações em outros órgãos já eventualmente comprometidos no doente grave (coração, pulmão, sistema nervoso central e rins).
Tipos de Soluções
Podem ser de pequenas partículas, irônicas ou aniônicas. São classificadas em hipotônicas, (SGl 5%); isotônicas (Ringer, SF 0,9%) ou hipertônicas (NaCl 7,5%). Distribuem-se livremente no meio extracelular pois atravessam a membrana vascular.
Soluções cristalóides ou isotônicas (SF 0,9%, Ringer Simples e Ringer Lactato)
As moléculas da solução cristalóide são de pequeno tamanho e, como conseqüência, cruzam livremente o endotélio vascular, equilibrando-se em poucos minutos com o líquido intravascular, provocando o aumento de líquido no espaço intersticial. Portanto, ao final da infusão da solução, tais soluções não produzem efeitos duradouros sobre o sistema cardiovascular, pois somente ¼ do volume infundido no paciente permanece na região intravascular após 1 hora, sendo necessária nova administração da solução para a manutenção dos parâmetros.
Os cristalóides isotônicos produzem efeitos hemodinâmicos, ocasionando o aumento da pressão arterial e melhorando o débito cardíaco. Para o monitoramento da infusão, esta deve ser controlada em pacientes com insuficiência renal aguda.
Cristalóides: soluções isotônicas
|
Eletrólito (mEq/mL) |
SF 0,9% |
Ringer |
Ringer Lactato |
Plasma Lyte |
Plasma |
|
Sódio |
154,0 |
147,5 |
130,0 |
140,0 |
136 – 145 |
|
Potássio |
– |
4,0 |
4,0 |
5,0 |
3,5 – 5,0 |
|
Cálcio |
– |
4,5 |
3,0 |
– |
4,4 – 5,2 |
|
Cloreto |
154,0 |
156,0 |
109,0 |
98,0 |
98 – 106 |
|
Magnésio |
– |
– |
– |
3,0 |
1,6 – 2,4 |
|
Lactato |
– |
– |
28 |
– |
– |
|
Acetato |
– |
– |
– |
27 |
– |
|
Gluconato |
– |
– |
– |
23 |
– |
|
Osmolaridade (mOsm/L) |
309 |
309 |
272 |
294 |
290 – 303 |
|
pH |
5,5 – 6,2 |
5,0 – 7,5 |
6,0 – 7,5 |
7,4 (6,5 – 8,0) |
7,4 |
Soluções Hipertônicas ou solução salina hipertônica a 7,5% (2.400 mOm/l)
A solução hipertônica propicia o aumento do volume intravascular de forma rápida, pois aumenta a osmolaridade plasmática, restaurando o volume intravascular por meio de redistribuição de água a partir do comportamento intracelular para os compartimentos intersticial e intravascular.
Após a infusão de solução hipertônica, verifica-se o aumento do débito cardíaco em virtude de um efeito direto sobre a contratilidade ou por redução pós-carga mediada por vasodilatação pré-capilar generalizada.
Estas soluções são indicadas em casos de hipertensão intracraniana e síndromes compartimentais e nos estados de choque, pois melhoram o desempenho miocárdico.
Soro fisiológico:
Vantagens:
- Baixo risco de eventos adversos
- Baixo custo
- Indicada para pacientes com comprometimento da barreira hemato-encefálica (BHE). Ex: TCE – alcalose metabólica hiperclorêmica e hiponatremia.
Desvantagens:
- Acidose metabólica hiperclorêmica
- Hipernatremia
Ringer, Ringer Lactato e Plasma Lyte:
Vantagens:
- Composição balanceada de eletrólitos
- Capacidade tampão
- Baixo risco de eventos adversos
- Sem distúrbios de coagulação
- Efeito diurético
- Baixo custo
Desvantagens:
- Amplas quantidades necessárias
- Redução de pressão colóido-osmótica
- Risco de super-hidratação
- Edema e hiponatremia
Cristalóides: soluções hipertônicas
Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%
|
Eletrólito (mEq/L) |
NaCl 7,5% |
NaCl 10% |
NaCl 20% |
|
Sódio |
1275 |
1700 |
3400 |
|
Cloreto |
1275 |
1700 |
3400 |
|
Osmolaridade (mOsm/L) |
2566 |
3422 |
6845 |
|
pH |
4,5 – 7,0 |
4,5 – 7,0 |
4,5 – 7,0 |
Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%
Pequenos volumes → Expandem o volume intravascular, elevam a pressão arterial e o débito cardíaco → favorecem o fluxo de água do interstício para o intravascular
Podem expandir a volemia em áte 10 vezes mais do que a solução de Ringer lactato.
Principais indicações:
• Choque hemorrágico
• Politrauma
• Hipertensão intracraniana
Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%
Vantagens:
- Baixo custo
- Necessidade de pouco volume
Desvantagens:
- Efeito benéfico temporário
- Flebite em vasos de pequeno calibre
- Hipertensão se infusão rápida (< 5min)
- Hipernatremia, hipercloremia e hiperosmolaridade → risco de mielinólise e convulsões
Soluções Colóides Protéicas
Albumina (5%/500ml; 25%50ml)
A Albumina é uma proteína plasmática obtida a partir do plasma de doadores. É sintetizada pelo fígado e sua concentração plasmática corresponde a uma taxa que varia de 60% a 80% da pressão coloidosmótica do plasma. Cerca de 40% da albumina endógena está distribuída no volume intravascular, e os 60% restantes, no espaço intersticial (extravascular e no extracelular). A albumina possui meia-vida de 15 a 20 horas, mas, após a infusão, somente 10% da albumina permanecem na circulação depois de 2 horas. A albumina transporta substâncias como drogas e hormônios além de remover radicais livres.
Os efeitos hemodinâmicos favoráveis verificados após a administração de albumina, são o aumento da pressão arterial média, do índice cardíaco, do trabalho sistólico, da pressão capilar pulmonar e do consumo de O2, a persistência da melhora hemodinâmica e o aumento da pressão colodoismótica. Está indicada em grandes queimados, sepse grave, cirurgias de grande porte com perda sanguínea e perda de líquido para o terceiro espaço.
Os efeitos indesejáveis observados após a administração de albumina são a diminuição da excreção de sódio e água pelo rim, a oligúria em pacientes politraumatizados, a hipocalcemia iônica (e subsequente depressão miocárdica), além de alterações na coagulação, notada redução do fibrinogênio plasmático, aumento no tempo de protombina e maior necessidade do uso de plasma fresco congelado, como fonte de fatores de coagulação.
Plasma Fresco Congelado
O plasma fresco congelado é definido como a porção líquida de uma unidade de sangue humano, que foi centrifugada, separada e congelada a 18 °C, dentro das primeiras seis horas da coleta. Contém componentes da coagulação, dos sistemas fibrinolíticos e do complemento, proteínas que geram a pressão oncótica e mantém a imunidade, bem como gordura, carboidratos e minerais em concentração semelhante à do plasma normal.
Soluções não protéicas
Para que um expansor do plasma seja utilizado como seu substituto, deve ter as seguintes propriedades: Pressão coloidosmótica definida, propriedades físicas que permitam infusão endovenosa, ausência de efeitos antigênicos, alergênicos e pirogênicos, estabilidade de armazenamento, tolerância às variações de temperatura e fácil esterilização.
Hidroxietilamido (Voluven®6%)
Vantagens sugeridas:
- Atenuação da resposta inflamatória
- Redução da permeabilidade capilar
- Diminuição da lesão/ativação endotelial
Desvantagens:
- Distúrbios de coagulação → diminuição do fator VIII e complexo de Von Willebrand
- Disfunção renal
- Reações anafiláticas
- Prurido (depósito de amido)
Recomendações para o uso:
- Monitorar função renal e coagulação
- Observar doses usuais
- Não utilizar por mais de 5 dias consecutivos
- Evitar o uso em pacientes com risco de sangramento
Dose diária máxima: 50mL/kg
Não há evidências de que uma solução colóide seja superior a outra.
Gelatinas
Produzidas a partir de colágeno hidrolizado de bovinos, com efeito expansor entre 4 e 6 horas.
Existem diferentes preparações e diferentes concentrações de eletrólitos.
Desvantagens:
- Reações anafiláticas
- Distúrbios de coagulação
- Insuficiência renal aguda
Dextran
Polímeros de glicose produzidos a partir de bactérias cultivadas em meio de sacarose.
São descritos pelos seus pesos moleculares: Dextran 40 (40.000Da)
Dextran 70 (70.000Da)
Associados a soluções fisiológicas hipertônicas, isotônicas e de glicose.
- Reações anafiláticas
- Distúrbios de coagulação → podem induzir a síndrome de Von Willebrand adquirida, aumentar a fibrinólise e diminuir a agregação plaquetária
- Insuficiência renal aguda
Não há benefícios clínicos comprovados em comparação a reposição volêmica com soluções cristalóides. Não há recomendações para uso.




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