Pressão Intra-Abdominal (PIA)

Pressão Intra-Abdominal

A cavidade abdominal é um compartimento com complacência limitada. Vítimas de trauma abdominal grave, principalmente os submetidos à laparotomia frequentemente apresentam aumento da pressão intra-abdominal.

Os efeitos adversos da hipertensão intra-abdominal são conhecidos há muitos anos, mas apenas recentemente deu-se importância clínica à pressão intra-abdominal elevada. A pressão intra-abdominal normal varia entre 0-12 mmHg e pode estar relacionada ao índice de massa corporal. Pressões acima de 15-20 mmHg podem causar redução do débito urinário, oligúria, hipoxemia, aumento da pressão respiratória e redução do débito cardíaco e pressões acima de 25 mmHg opta-se muitas vezes pela descompressão cirúrgica.

Infelizmente ainda no Brasil, poucos são os centros que se preocupam em mensurar a pressão intra-abdominal no paciente gravemente enfermo. Recentemente, tem sido utilizada conjuntamente com medidas respiratórias para ajuste da ventilação mecânica.
A síndrome de hipertensão intra-abdominal pode ser definida como uma elevação considerada da pressão intra-abdominal acima de 12 mmHg, adquirida por três mensurações realizadas com intervalos de 4 a 6 horas (Knobel et.al)

Conforme o COREN, por ser um procedimento de alto risco, quem executa é o Enfermeiro com conhecimento e habilidades técnicas, devendo-se respaldar com suas ações através de protocolos institucionais nas quais devem conter os materiais e as técnicas padronizadas.

Indicações da Mensuração da Pressão Intra-abdominal

  • Trauma abdominal;
  • Distenção abdominal;
  • Dificuldade respiratória;
  • Hipercapnia;
  • Oligúria;
  • Redução do débito cardíaco;
  • Hipóxia.

TÉCNICA

A pressão intra-abdominal varia com a respiração. A mensuração da pressão intra-abdominal pode ser feita de forma direta ou indireta. Deve sempre ser medida em mmHg e com o paciente em posição supina ao final da expiração.
O método direto é realizado pela introdução de um cateter ou agulha na cavidade peritoneal, conectado a um equipo e um manômetro de pressão.
O método indireto é mais utilizado e é realizado através da pressão intravesical, com o paciente em uso de sonda vesical de demora.

  1. Manter o paciente em posição supina;
  2. Injetar com uma seringa de 60 ml através da sonda, 100 ml de soro fisiológico 0,9% diretamente na bexiga;
  3. Pinçar o tubo que está conectado a bolsa coletora de urina;
  4. Conectar um manômetro de pressão a um equipo e a uma agulha 40×12;
  5. Introduzir a agulha (40×12) na parte de silicone do tubo (local de coleta de amostra de urina) que deverá estar com o equipo conectado e fechado;
  6. Zerar o manômetro na sínfise púbica do paciente;
  7. Aguardar a expiração do paciente;
  8. Abrir o equipo e anotar a pressão verificada.

UTI Pediátrica

UTI Pediátrica

 

 

 

Derivação Ventricular Externa (DVE)

drenagem ventricular externa

A drenagem ventricular externa é um procedimento destinado a drenar para o exterior o líquido cefalorraquidiano (LCR) em situações de hipertensão intracraniana, sendo de sistema fechado de drenagem.

Um dreno é introduzido através do crânio até um dos ventrículos cerebrais em ambiente de bloco operatório. No exterior este dreno é ligado a um sistema coletor que comporta um dispositivo regulador da pressão de drenagem.

Comumente é utilizada no tratamento e acompanhamento dos casos de Hipertensão Intracraniana, além do controle da drenagem liquórica em pacientes com complicações ventriculares e/ou tratamentos de hemorragias. Um dos tratamentos indicados para hidrocefalia.

QUAIS SÃO OS CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM COM O DVE?

  • Manter decúbito de 30º (ou conforme orientação equipe de neurocirurgia);
  • Zerar o cateter de DVE no conduto auditivo externo (Que é o referencial anatômico para o forâmen de Monroe, portanto, representando gradientes pressóricos negativos), devendo ser zerado na admissão e toda vez que for alterado o nível da cabeceira. (MUITO CUIDADO COM CAMAS ELÉTRICAS, DEVIDO SER MUITO FÁCIL MOVER SUA ALTURA). A BOLSA COLETORA DO SISTEMA DE DRENAGEM É POSICIONADA Á UMA CERTA ALTURA ACIMA DO FORAME MONRO (ESTÁ ALTURA REPRESENTA GRADIENTE HIDROSTÁTICO A SER VENCIDO PELA PRESSÃO INTRAVENTRICULAR PARA QUE OCORRA DRENAGEM LIQUÓRICA);
  • Fechar o cateter de DVE durante o transporte ou quando abaixar a cabeceira a zero grau, evitando o risco de drenagem excessiva do líquor. Nunca esquecer de abrir depois dos procedimentos. Solicitar da equipe clínica, qual o limite de drenagem;
  • Desprezar a bolsa coletora quando atingir 2/3 de sua capacidade. Ao manipular a via de saída da bolsa, manter técnica asséptica;
  • Registrar o tempo de permanência do cateter, comunicar à equipe após 10 dias. (PODE VARIAR DE UM SERVIÇO PARA OUTRO);
  • Realizar curativo na região peri-cateter uma vez por dia e, se necessário. Observar se há extravasamento de líquor ou sinais flogísticos;
  • Inspecionar a região de inserção do cateter na admissão e uma vez por plantão, anotando o aspecto da ferida operatória;
  • Nunca aspirar ou injetar solução no cateter. Em caso de obstrução, notificar a equipe de neurocirurgia;
  • Anotar débito, aspecto e cor da drenagem de líquor, a cada duas horas ou a cada uma hora, quando instabilidade. Notificar quando alterações no débito;
  • Manipular com cuidado o paciente para evitar o tracionamento do cateter. Se houver tração, nunca reposicionar e comunicar imediatamente a equipe de neurocirurgia;
  • Observar sinais e sintomas de infecção: mudança na coloração normal (incolor, límpido), calafrios, febre, confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, alteração pupilar ou leucocitose, déficits motores, cefaleia, rigidez
    de nuca, vômitos;
  • Zerar o cateter de DVE no conduto auditivo externo (Que é o referencial anatômico para o forâmen de Monroe, portanto, representando gradientes pressóricos negativos);
  • Monitorar o paciente em caso de PIC (Pressão Intracraniana), observando que os valores normais para o mesmo são:

PIC < 10mmHg – valor normal

PIC entre 11 e 20 mmHg – levemente elevada

PIC > 41mmHg – gravemente elevada

Obs.: mm Hg = milímetros de mercúrio

Intubação Endotraqueal: Materiais a serem utilizados

Intubação Endotraqueal: Materiais a serem utilizados

O Procedimento de Intubação Endotraqueal torna-se comum, quando o quadro clínico do paciente torna-se hemodinamicamente instável. Portanto, é um procedimento invasivo e médico, e primariamente somente um profissional médico adequadamente treinado pode realizar este tipo de procedimento, em âmbito hospitalar.

Mas é fundamental que o técnico de enfermagem esteja preparado para este tipo de situação, como por exemplo, auxiliar em uma PCR na qual também o médico poderá situar em intubar um paciente, ou quando o paciente apresenta um quadro de desconforto respiratório, na qual irá migrar para a ventilação mecânica. O técnico de enfermagem precisa conhecer os equipamentos e materiais para que o momento deste procedimento, tenha mais facilidade e agilidade para prestar a assistência com exatidão.

Geralmente, o kit de intubação fica em conjunto com o carrinho de emergência, na qual sempre precisa estar verificada pelo técnico de enfermagem.

O que contém no Kit Intubação?

Primeiramente as cânulas endotraqueais, que nas quais são tubos nas quais são materiais estéreis, e flexíveis, contém uma numeração específica em diâmetro para cada tipo de traqueia, e precisam ser testados os balonetes (cuff) quando utiliza-se em um procedimento de intubação. Há diversas numerações, e precisa estar em mãos e perguntar ao médico qual é o mais propício a ser utilizado no momento do procedimento. Geralmente para testar os balonetes (cuff), insufla-se de 10 a 20ml de ar no balonete, até que o balão na ponta da cânula esteja suficientemente maleável (o balão ajuda a fixar a cânula na traqueia e evita escapes de ar), desinsuflando e entregando ao médico com o balonete vazio.

O conjunto de laringoscópio (Laringo e lâminas), é um equipamento mais utilizado durante o procedimento de intubação. É através dele, que o médico visualiza a cordas vocais do paciente, facilitando a introdução da cânula endotraqueal. As lâminas contém uma luz, geralmente de cor amarela, na qual ilumina a parte interior para uma melhor visualização. O técnico de enfermagem precisa sempre testar estas lâminas com o laringoscópio, evitando que forneca ao médico uma lâmina defeituosa, ou seja, sem iluminação eficaz. Caso a lâmina apresente algum defeito, comunicar ao Enfermeiro sobre o ocorrido, para a troca de uma outra lâmpada. As Lâminas também contém numerações específicas, de acordo com a anatomia do paciente, também é de extrema importância que o técnico de enfermagem pergunte ao médico qual é a melhor numeração para aquele paciente.

Sobretudo a seringa, preferencialmente de 20ml, é utilizada para após o procedimento, o médico insufle o balonete, para fixar-se interiormente na traqueia do paciente. O técnico de enfermagem precisa ter em mãos, para logo após oferecer ao médico.

Entretanto, o mandril ou fio-guia, é geralmente utilizado quando a intubação torna-se mais difícil,mesmo utilizando o laringoscópio, sendo um meio de guiar o médico até a entrada do pulmão. É um material estéril e flexível, tomando sempre cuidado ao abrir a embalagem para evitar contaminação.

A Xylocaína Gel tem como função amortecer o incomodo da invasão do procedimento ao paciente, sendo um anestésico local, e também é um meio de lubrificar a entrada, para que possa ser mais rápido e eficiente a introdução da cânula.

Os Óculos de proteção e Máscara descartável são equipamentos de proteção individual importantes neste procedimento. Tanto quanto o médico, quanto à aqueles que o auxiliam, precisam estar usando, porque ocorrem muitas vezes casos de paciente que apresentam vômitos em jato durante o procedimento, e secreções em VAS que possam espirrar nos profissionais durante o procedimento. Sempre ofereça ao médico antes de iniciar o procedimento, e sempre utilize antes de auxiliá-lo.

Contudo, o Cadarço tem como função de fixar a cânula endotraqueal após o procedimento.

Certamente, o Ambú com máscara sempre precisa estar montado e testado antes de iniciar o procedimento, pois o ambú contém peças pequenas importantes, sendo que na falta delas, o ambú não funcione de acordo como deveria. Geralmente é muito utilizado o ambú com a máscara antes da intubação, fornecendo oxigenação suficiente ao paciente, antes de obter o método invasivo. É importante que a régua de gases esteja montada com o kit de oxigênio, como o fluxômetro de O2 e umidificador, pois é necessário fornecer mais oxigênio que o comum ao paciente antes e depois do procedimento, até que se inicie a ventilação invasiva.

E então, a Sonda de Aspiração em sistema aberto é muito utilizado em casos extremos como secreção excessiva pela cânula endotraqueal, VAS, e até quando o paciente apresenta êmese, assim, evitando riscos de bronco aspiração.

Como em casos que necessite a aspiração, também é necessário que o técnico de enfermagem sempre deixe montado na régua de gases o kit de vácuo, com o fluxômetro e frasco de vacuômetro, devidamente testados. Todavia, não somente é utilizado para casos de intercorrências como este, o vacuômetro poderá ser utilizado em qualquer momento na qual o paciente precise.

Ademais, o Soro Fisiológico 0,9% de 10 ml tem em função neste procedimento para lavar cânula endotraqueal quando necessite aspirar o paciente, há casos que as secreções apresentam aspectos muito espessos e que o sistema de aspiração não consegue ser eficiente, ajudando a diluir um pouco da secreção com o soro fisiológico, para melhor função da aspiração.

E enfim,  a Gaze III tem como função a limpar sujidades que possam ocorrer durante o procedimento.

Lembre: Este procedimento requer uma equipe multidisciplinar, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, e todos trabalham em conjunto. Há casos quando não houver um fisioterapeuta disponível na unidade, o enfermeiro pode estar assumindo sua função até que chegue alguém. O Enfermeiro sempre orienta o técnico de enfermagem durante o procedimento, também havendo casos que Enfermeiros também poderão não estar disponíveis no momento, tendo o técnico de enfermagem que estiver atuando a esta intercorrência com o médico, solicite ao colega que chame o Enfermeiro responsável.

Veja também:

Unidade Manual de Respiração Artificial (AMBU) / Reanimador Manual

https://enfermagemilustrada.com/entenda-sobre-a-traqueostomia/

Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP)

RCP

A parada cardiorrespiratória (PCR) é definida como a interrupção das atividades respiratória e circulatória efetivas. A enfermagem tem papel extremamente importante no atendimento à PCR, evento em que é indispensável a organização, o equilíbrio emocional, o conhecimento teórico-prático da equipe, bem como a correta distribuição das funções por parte destes profissionais, que representam, muitas vezes, a maior parte da equipe nos atendimentos de PCR.

O atendimento da PCR é descrito na literatura como Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), que compreende uma sequência de manobras e procedimentos destinados a manter a circulação cerebral e cardíaca, e garantir a sobrevida do paciente.

As Diretrizes da American Heart Association (AHA) 2015, propõe novas recomendações sobre a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE). Uma das alterações, foi a utilização de “Cadeias de Sobrevivência” distintas para pacientes que sofrem uma PCR no ambiente intra ou extra-hospitalar. Essa alteração aconteceu devido as diferenças existentes nos processos até que os pacientes sejam encaminhados à unidade de cuidados intensivos, onde serão fornecidos os cuidados pós-PCR.

A nova diretriz preconiza o acionamento imediato do time de resposta rápida na iminência de pacientes com deterioração clínica aguda, com o objetivo de prevenir a PCRIH (Parada Cardio Respiratória Intra Hospitalar). Acredita-se que equipes treinadas na complexa coreografia da ressuscitação pode diminuir a ocorrência de uma PCRIH e caso ocorra, aumenta a chance de um melhor desfecho no atendimento da PCR.

O profissional de saúde deve reconhecer a PCR:

  • Avalie a responsividade: Chame o paciente pelo nome!
  • Avalie a respiração e pulso simultaneamente por 10 segundos.
  • Em caso de detecção de ausência de responsividade, respiração (ou gasping) e pulso, solicite a outro profissional, de forma clara e objetiva, que:
    • Acione a equipe médica;
    • Traga o carro de emergência;
    • Traga o desfibrilador/DEA.

Geralmente, a instituição possui um protocolo para o acionamento da equipe médica ou time de resposta rápida, um sistema de alerta imediato, por exemplo.

  • Após os comandos, iniciar imediatamente a Sequência de Atendimento C – A – B:
    • C: Compressões torácicas de alta qualidade;
    • A: Vias aéreas – abrir vias aéreas;
    • B: Boa ventilação – garantir via aérea avançada.

RCP IMEDIATA DE ALTA QUALIDADE

  • Após o acionamento do serviço médico, deve-se iniciar as compressões torácicas e ventilação em todos os pacientes adultos com PCR, seja por causa cardíaca ou não cardíaca.

1. Compressões Torácicas de Alta Qualidade:

  • Com as mãos sobre a metade inferior do esterno (região hipotenar), sem flexionar os cotovelos;
  • Frequência: 100 a 120 compressões/ minuto;
  • Profundidade: mínima de 2 polegadas (5 cm) e máximo 2,4 polegadas (6 cm);
  • Permitir retorno total do tórax após cada compressão. Não apoiar-se sobre o tórax entre as compressões;
  • Minimizar as interrupções nas compressões. Não interromper as compressões por mais de 10 segundos;
  • Colocar a prancha rígida embaixo do tórax do paciente, assim que disponível.

2. Relação Ventilação-Compressão adequada:

  • Sem via aérea avançada:
    • Realizar abertura de vias aéreas;
    • Ventilação numa relação: 30:2, ou seja, 30 compressões: 2 ventilações (até a garantia de uma via aérea avançada);
  • Com via aérea avançada:
    • Compressões contínuas a uma frequência 100 a 120/ minuto e 1 ventilação a cada 6 segundos (10 respirações por minuto).

RÁPIDA DESFIBRILAÇÃO

  • Assim que chegar o Desfibrilador Externo Automático (DEAs/DAEs): Verificar o ritmo;
  • Em caso de ritmo chocável (Fibrilação Ventricular ou Taquicardia Ventricular sem Pulso):
    • Aplique 1 choque;
    • Reinicie a RCP por 2 minutos até o DEA avisar sobre a verificação do ritmo;
    • Continue até que o Suporte Avançado de Vida assuma ou a vítima se movimente.
  • Em caso de ritmo não chocável:
    • Reinicie a RCP por 2 minutos, até ser avisado pelo DEA para verificação do ritmo;
    • Continue até que o pessoal do SAV assuma ou até que a vítima se movimente.

A utilização do DEAs/DAEs no ambiente hospitalar, pode ser considerada para facilitar a desfibrilação precoce (meta de administração de choques em tempo ≤ 3 minutos do colapso), especialmente nas áreas cujo pessoal não esteja capacitado para reconhecer ritmos ou em que o uso de desfibriladores não seja frequente. O DEA pode ser utilizado pelo Enfermeiro ou pela equipe de enfermagem sob sua supervisão, na presença ou ausência do profissional médico, conforme previsto no protocolo de Suporte Básico de Vida.

Em alguns hospitais, não encontra-se disponível o DEA, somente o desfibrilador manual, e, nesse caso, necessita que a equipe médica esteja disponível 24 horas, tendo em vista que é um procedimento privativo do profissional médico e segundo Parecer Técnico n. 0001/2012 do COREN-ES: “[…] não é atribuição do enfermeiro o uso do desfibrilador manual dentro do ambiente intra-hospitalar […]”.

É essencial que a equipe de enfermagem esteja atualizada e capacitada para a execução dos protocolos da instituição, entendendo suas particularidades, uma vez que um bom atendimento pode determinar a sobrevivência do paciente.

Enquanto o médico assume a responsabilidade quanto ao desfibrilador, estabelecimento de uma via aérea avançada e orientações sobre os medicamentos a serem administrados (dose e frequência), a equipe de enfermagem necessita prestar assistência de forma organizada:

  • Enfermeiro: controle do carro de emergência (preparo das medicações) e do tempo (intervalo entre as medicações e manobras de ressuscitação cardiopulmonar);
  • Técnico de enfermagem responsável pelo paciente: à beira leito, administrando as medicações solicitadas pelo médico;
  • Técnico de enfermagem auxiliar (dupla): assistência ao médico na execução da compressão torácica e suporte para demais atividades que se fizerem necessárias;
  • O fisioterapeuta realiza os cuidados com a via aérea e ventilação (AMBU/ventilador mecânico), conforme orientação médica.

Medicamentos mais utilizadas na PCR:

  • Epinefrina – vasopressor para ressuscitação, pode ser utilizada logo após o início da PCR devido a um ritmo não chocável;
  • Lidocaína e Amiodarona – ambas são indicadas para evitar recorrência da fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso;
  • Difosfato de Adenosina – A adenosina é recomendada como segura e potencialmente eficaz para o tratamento e o diagnóstico inicial da taquicardia de complexo largo monomórfica regular indiferenciada. (2010)
  • Beta bloqueadores – indicada para tratamento pós-PCR por FV ou TVSP, pois está relacionado com maior probabilidade de sobrevivência. No entanto, devem ser avaliados caso a caso, pois podem ocasionar uma grave instabilidade hemodinâmica, exacerbar a bradiarritmia e insuficiência cardíaca. Alguns pacientes que já eram cardiopatas e faziam uso de Beta-bloqueadores antes, pode ser indicado manter a prescrição para melhor prognóstico.

Cuidados de Enfermagem em UTI Neonatal

UTI Neonatal

Os chamados “cuidados gerais de Enfermagem em UTI Neonatal” são aqueles rotineiramente realizados pela equipe técnica de Enfermagem para com todos os bebês internados, salvo algumas exceções e/ou modificações de certos procedimentos para com certos pacientes, conforme prescrição médica e/ou de Enfermagem. Esses “cuidados gerais” incluem:

  • Verificação de Sinais Vitais (Saturação de oxigênio, Pulso ou Frequência Cardíaca, Respiração, Temperatura e Pressão Arterial e aplicação de escala de dor);
  • Manter elevação da cabeceira entre 30 e 45 graus conforme prescrição médica;
  • Permeabilizar os cateteres de acesso venoso periférico, cateter umbilical, flebotomia ou PICC (quaisquer que sejam que o RN esteja mantendo) conforme prescrição médica e de enfermagem e observar constantemente se não há sinais flogísticos ou de extravasamento no local de inserção dos cateteres;
  • Rodízio de sensor de oximetria contínua entre os MMSS e MMII (membros superiores e inferiores respectivamente);
  • Higiene oral e ocular dos recém nascidos;
  • Mudança de decúbito;
  • Higiene perineal e troca de fraldas;
  • Pesagem de fraldas e controle de eliminações vesico-fisiológicas;
  • Curativo de coto umbilical;
  • Banho do Recém nascido;
  • Troca de eletrodos e de roupas (ninho) do leito do recém nascido (sempre após o banho ou quando houver necessidade);
  • Sempre observar a posição de cânula orotraqueal e das sondas para certificar-se que o RN não está “extubando acidentalmente” ou “que saque a sonda”, quando necessário, colocar luvinhas para evitar que o RN saque a sonda gástrica;
  • Oferta de dieta por gavagem, sonda-dedo, copinho, ou posicionando o recém nascido em seio materno (conforme prescrição médica);
  • Manutenção do conforto geral do recém-nascido (diminuir luminosidade, ruídos e ter manuseio mínimo agrupando os cuidados);
  • Manter ambiente térmico neutro;

Esses cuidados listados acima são os principais cuidados rotineiros de uma UTI neonatal. Vejamos como é a técnica utilizada pela enfermagem para realizar cada um desses procedimentos.

Verificando os Sinais Vitais dos recém nascidos na UTI Neonatal

A rotina de verificação dos sinais vitais em UTI Neonatal costuma ser feita com um espaçamento de horas que varia de 4 em 4, 3 em 3, ou até 2 em 2 horas conforme o caso e a gravidade do recém nascido. Os sinais vitais são aqueles que nos informam sobre como está, basicamente, a hemodinâmica do bebê, e incluem verificar: Saturação de oxigênio, Temperatura, Frequência cardíaca, respiração por minuto, P.A. e verificar qual o nível de dor o RN aparenta naquele momento, através da aplicação “da escala de dor” própria.

Saturação de Oxigênio

O oxímetro de pulso é um método não invasivo que avalia a oxigenação dos tecidos por meio da espectrometria infravermelha e reflete a saturação de oxigênio da hemoglobina. Nos neonatos, a enfermagem deve colocar os eletrodos nas extremidades (mãos ou pés) sempre, com o eletrodo “aceso com a luz vermelha” em cima da artéria local para que consiga fazer a leitura, o de cima fica alinhado com o de baixo, e envolvem-se ambos com o coban para mantê-los posicionados. Faz-se o rodizio deste sensor aproximadamente de 3 em 3 horas.

Verificação da temperatura

A temperatura axilar do bebê pode ser verificada com termômetro digital. Antes e após utilizar o termômetro, deve-se fazer sua desinfecção com álcool a 70%. Posicionar o termômetro sob a axila do bebê e esperar que o mesmo “apite” avisando que já chegou a temperatura máxima, verificar e anotar nos controles do bebê. Se o bebê estiver mantendo sensor de pele ou sensor retal, a temperatura será mostrada continuamente na tela do monitor de parâmetros vitais juntamente com os outros sinais vitais.

Controle Térmico

A temperatura central pode ser obtida de forma intermitente por via axilar ou contínua por meio de sensor abdominal. A temperatura da pele sobre o fígado tem sido bastante usada como indicador da temperatura central. (sensor na linha média da porção superior do abdome, estando o recém-nascido em supino, ou colocar o sensor no dorso do recém-nascido, na região escapular) A temperatura periférica pode ser aferida nos membros, mais comumente nos pés.

Não se recomenda a avaliação da temperatura retal.

Faixa de normalidade: 36,5 a 37 °C

Hipotermia:

  • Potencial estresse do frio (hipotermia leve): temperatura entre 36,0 e 36,4°C;
  • Hipotermia moderada: temperatura entre 32,0 e 35,9°C;
  • Hipotermia grave: temperatura < 32,0°C Hipertermia: temperatura > 37,5°C;

Prevenção da Hipotermia:

  • Manter a temperatura da sala de parto maior ou igual a 25°C;
  • Ligar a fonte de calor radiante antes do nascimento e pré-aquecer os campos;
  • Recepcionar o recém-nascido em campos aquecidos e colocá-lo sob calor radiante;
  • Secar e remover os campos úmidos;
  • Uso de gorro de algodão;
  • Cobertura oclusiva com filme de polietileno, polivinil ou poliuretano (< 32 semanas);
  • Uso de saco plástico ( A respiração do recém nascido pode ser verificada de dois modos:
    Observando o abdome do bebê para contar (a cada inspiração e expiração uma respiração completa) por 1 minuto (para isso, utilize um relógio analógico).

A Frequência cardíaca

Observa-se, ou posicionando o estetoscópio na região apical do bebê e contando por um minuto ou observando o valor que aparece no monitor.

Lembrando que, para monitorizar o bebê, deve-se colar os eletrodos nas regiões indicadas e sobre eles colocar os sensores de acordo com a indicação do fabricante para que eles façam a leitura e também, deve-se programar o monitor para que este mostre os parâmetros desejados, programe o tipo de modo, o tipo de traçados e os limites que o aparelho deve alarmar como máximo e mínimos para as frequências cardíaca e respiratórias do bebê.

A Pressão arterial

Utilizar um manguito apropriado para o tamanho do bebê. O manguito deve cobrir dois terços do braço do bebê. Ele mostrará a pressão sistólica (máxima), a diastólica (mínima) e a média (que deve corresponder aproximadamente a quantas semanas o bebê tem.

 

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Exames na UTI: O Que Realmente Importa

Exames rotineiros de UTI

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/10/2026.

Na UTI, pedir exame “porque sempre foi feito” pode ser tão pouco útil quanto deixar de pedir um exame necessário. O que realmente importa é relacionar avaliação clínica, monitorização e exames complementares à pergunta que precisa ser respondida naquele paciente.

A avaliação começa à beira do leito

Antes dos números, observe o paciente. Nível de consciência, dor, sedação, agitação, delirium, padrão respiratório, perfusão, pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, débito urinário, pele, edema e mobilidade formam um conjunto que precisa ser interpretado continuamente.

Para sedação e agitação em adultos na UTI, a RASS é uma das escalas mais utilizadas e apresenta dez níveis, de −5 a +4. A avaliação da profundidade da sedação deve ser feita rotineiramente e integrada à estratégia de despertar, ventilação e prevenção do delirium.

Um paciente intubado que passa de RASS −1 para −4, por exemplo, merece uma nova avaliação clínica. Pode haver mudança na necessidade de sedação, alteração metabólica, deterioração neurológica ou outro fator. O número da escala é um sinal para investigar, não um diagnóstico.

Avaliação respiratória

Na avaliação do sistema respiratório, observe frequência e padrão respiratório, esforço, expansão torácica, ausculta, SpO₂ e resposta à oxigenoterapia ou à ventilação mecânica.

Em pacientes ventilados, a equipe também acompanha parâmetros e alarmes do ventilador, sincronia paciente-ventilador e evolução da oxigenação e ventilação. Gasometria arterial pode ser necessária quando existe uma questão clínica relacionada à oxigenação, ventilação ou equilíbrio ácido-base; não deve ser encarada automaticamente como coleta diária para todos.

Na prática, uma mudança repentina na necessidade de oxigênio ou no comportamento respiratório pode ser mais importante naquele momento do que simplesmente comparar o hemograma de hoje com o de ontem.

Hemodinâmica, renal e metabólica

Pressão arterial, frequência cardíaca, ritmo, perfusão periférica, temperatura, balanço hídrico e débito urinário ajudam a acompanhar a evolução do paciente crítico. Dependendo do quadro, exames como hemograma, eletrólitos, glicemia, função renal, função hepática, lactato e outros marcadores podem ser necessários.

O ponto-chave é a indicação. Exames laboratoriais repetidos sem uma pergunta clínica aumentam coleta de sangue, custos e resultados incidentais, além de poderem contribuir para anemia iatrogênica.

Radiografia e outros exames de imagem

A radiografia de tórax continua sendo útil quando existe uma indicação, como investigação de alteração respiratória, complicação pulmonar ou verificação de determinadas situações relacionadas a dispositivos. Entretanto, radiografia diária de tórax não deve ser apresentada como rotina obrigatória para todo paciente em ventilação mecânica.

O mesmo raciocínio vale para ultrassom, tomografia e outros exames: a indicação depende da condição clínica e da pergunta que precisa ser respondida.

O paciente crítico muda rápido

A avaliação não termina depois da primeira coleta. Tendências são fundamentais: uma pressão que vem caindo, uma necessidade crescente de vasopressor, uma alteração progressiva do débito urinário ou uma mudança no nível de consciência podem modificar completamente a prioridade da assistência.

Um cenário comum na UTI é o paciente que começa o plantão estável, mas algumas horas depois apresenta extremidades frias, queda da pressão e redução importante da diurese. Mesmo que os exames da manhã estivessem aceitáveis, a nova condição exige reavaliação; não faz sentido esperar simplesmente “o próximo exame de rotina”.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem participa diretamente da coleta e interpretação inicial das tendências clínicas. É importante:

  • conferir identificação e condições para cada coleta;
  • observar alterações em relação aos valores anteriores;
  • registrar oxigenoterapia, ventilação e outros suportes relevantes;
  • acompanhar débito urinário e balanço hídrico conforme indicação;
  • verificar RASS e outras escalas utilizadas pelo serviço;
  • comunicar deterioração clínica, não apenas alterações laboratoriais;
  • conferir se a coleta foi realizada corretamente e se há necessidade de nova amostra diante de resultado incompatível com o quadro.

O mais importante é não transformar a rotina em automatismo. Exame complementar deve complementar a avaliação clínica, e não substituí-la.

Resumo para salvar

Exames na UTI: O Que Realmente Importa

  • A avaliação clínica vem antes dos exames
  • RASS ajuda a monitorar sedação e agitação
  • Exames devem responder a questões clínicas
  • Radiografia diária não é rotina obrigatória para todos

Referências:

  1. LEWIS, K. et al. A focused update to the clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 53, n. 3, p. e711-e727, 2025. SCCM — Atualização PADIS 2025
  2. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. ICU Liberation Bundle (A-F). 2026. SCCM — ICU Liberation
  3. CRITICAL CARE SOCIETIES COLLABORATIVE. Choosing Wisely: não solicitar exames diagnósticos em intervalos regulares sem questão clínica específica. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 2014. Choosing Wisely — Critical Care

Principais Soluções Utilizadas na UTI

É de fundamental importância o técnico de enfermagem ter conhecimentos aprofundados de todas as soluções e drogas utilizadas no ambiente de UTI. É necessário devido à complexidade e a gravidade dos pacientes para restabelecer o transporte de oxigênio para os tecidos, de forma a satisfazer as necessidades metabólicas globais e regionais. A restauração do fluxo sanguíneo, mediante uma adequada reposição polêmica, é uma modalidade terapêutica essencial e prioritária no controle das diversas patologias causadas por hipovolemia (hemorragia, sepse, grandes queimados, politraumatismos e grandes cirurgias). Para tanto, são administradas ao paciente soluções de compostos com ions inorgânicos que se distribuem em todo espaço extracelular, equivalendo a três vezes o volume intravascular. Essas soluções contem água e eletrólitos em concentrações variáveis, podendo ser consideradas hipotéticas, isotônicas ou hipertônicas em relação ao plasma. São soluções indicadas na ressuscitado volêmica de pacientes graves.

A solução ideal para o tratamento do paciente  grave é aquela que proporciona expansão rápida e espanara do volume plasmático, otimizando as variáveis hemodinâmicas, o transporte e o consumo de oxigênio, normalizando os níveis de lactato e corrigindo a acidose intracelular, sem acarretar complicações em outros órgãos já eventualmente comprometidos no doente grave (coração, pulmão, sistema nervoso central e rins).

Tipos de Soluções

Podem ser de pequenas partículas, irônicas ou aniônicas. São classificadas em hipotônicas, (SGl 5%); isotônicas (Ringer, SF 0,9%) ou hipertônicas (NaCl 7,5%). Distribuem-se livremente no meio extracelular pois atravessam a membrana vascular.

Soluções cristalóides ou isotônicas (SF 0,9%, Ringer Simples e Ringer Lactato)

As moléculas da solução cristalóide são de pequeno tamanho e, como conseqüência, cruzam livremente o endotélio vascular, equilibrando-se em poucos minutos com o líquido intravascular, provocando o aumento de líquido no espaço intersticial. Portanto, ao final da infusão da solução, tais soluções não produzem efeitos duradouros sobre o sistema cardiovascular, pois somente ¼ do volume infundido no paciente permanece na região intravascular após 1 hora, sendo necessária nova administração da solução para a manutenção dos parâmetros.

Os cristalóides isotônicos produzem efeitos hemodinâmicos, ocasionando o aumento da pressão arterial e melhorando o débito cardíaco. Para o monitoramento da infusão, esta deve ser controlada em pacientes com insuficiência renal aguda.

Cristalóides: soluções isotônicas

Eletrólito (mEq/mL)

SF 0,9%

Ringer

Ringer Lactato

Plasma Lyte

Plasma

Sódio

154,0

147,5

130,0

140,0

136 – 145

Potássio

–

4,0

4,0

5,0

3,5 – 5,0

Cálcio

–

4,5

3,0

–

4,4 – 5,2

Cloreto

154,0

156,0

109,0

98,0

98 – 106

Magnésio

–

–

–

3,0

1,6 – 2,4

Lactato

–

–

28

–

–

Acetato

–

–

–

27

–

Gluconato

–

–

–

23

–

Osmolaridade (mOsm/L)

309

309

272

294

290 – 303

pH

5,5 – 6,2

5,0 – 7,5

6,0 – 7,5

7,4 (6,5 – 8,0)

7,4

Soluções Hipertônicas ou solução salina hipertônica a 7,5% (2.400 mOm/l)

A solução hipertônica propicia o aumento do volume intravascular de forma rápida, pois aumenta a osmolaridade plasmática, restaurando o volume intravascular por meio de redistribuição de água a partir do comportamento intracelular para os compartimentos intersticial e intravascular.

Após a infusão de solução hipertônica, verifica-se o aumento do débito cardíaco em virtude de um efeito direto sobre a contratilidade ou por redução pós-carga mediada por vasodilatação pré-capilar generalizada.

Estas soluções são indicadas em casos de hipertensão intracraniana e síndromes compartimentais e nos estados de choque, pois melhoram o desempenho miocárdico.

Soro fisiológico:

Vantagens:

  • Baixo risco de eventos adversos
  • Baixo custo
  • Indicada para pacientes com comprometimento da barreira hemato-encefálica (BHE). Ex: TCE – alcalose metabólica hiperclorêmica e hiponatremia.

    Desvantagens:

  • Acidose metabólica hiperclorêmica
  • Hipernatremia

Ringer, Ringer Lactato e Plasma Lyte:

Vantagens:

  • Composição balanceada de eletrólitos
  • Capacidade tampão
  • Baixo risco de eventos adversos
  • Sem distúrbios de coagulação
  • Efeito diurético
  • Baixo custo

    Desvantagens:

  • Amplas quantidades necessárias
  • Redução de pressão colóido-osmótica
  • Risco de super-hidratação
  • Edema e hiponatremia

Cristalóides: soluções hipertônicas

Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%

Eletrólito (mEq/L)

NaCl 7,5%

NaCl 10%

NaCl 20%

Sódio

1275

1700

3400

Cloreto

1275

1700

3400

Osmolaridade (mOsm/L)

2566

3422

6845

pH

4,5 – 7,0

4,5 – 7,0

4,5 – 7,0

Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%

Pequenos volumes → Expandem o volume intravascular, elevam a pressão arterial e o débito cardíaco → favorecem o fluxo de água do interstício para o intravascular

Podem expandir a volemia em áte 10 vezes mais do que a solução de Ringer lactato.

Principais indicações:

• Choque hemorrágico
• Politrauma
• Hipertensão intracraniana

Cloreto de sódio 7,5%, 10% e 20%

Vantagens:

  • Baixo custo
  • Necessidade de pouco volume

    Desvantagens:

  • Efeito benéfico temporário
  • Flebite em vasos de pequeno calibre
  • Hipertensão se infusão rápida (< 5min)
  • Hipernatremia, hipercloremia e hiperosmolaridade → risco de mielinólise e convulsões

Soluções Colóides Protéicas

Albumina (5%/500ml; 25%50ml)

A Albumina é uma proteína plasmática obtida a partir do plasma de doadores. É sintetizada pelo fígado e sua concentração plasmática corresponde a uma taxa que varia de 60% a 80% da pressão coloidosmótica do plasma. Cerca de 40% da albumina endógena está distribuída no volume intravascular, e os 60% restantes, no espaço intersticial (extravascular e no extracelular). A albumina possui meia-vida de 15 a 20 horas, mas, após a infusão, somente 10% da albumina permanecem na circulação depois de 2 horas. A albumina transporta substâncias como drogas e hormônios além de remover radicais livres.

Os efeitos hemodinâmicos favoráveis verificados após a administração de albumina, são  o aumento da pressão arterial média, do índice cardíaco, do trabalho sistólico, da pressão capilar pulmonar e do consumo de O2, a persistência da melhora hemodinâmica e o aumento da pressão colodoismótica. Está indicada em grandes queimados, sepse grave, cirurgias de grande porte com perda sanguínea e perda de líquido para o terceiro espaço.

Os efeitos indesejáveis observados após a administração de albumina são a diminuição da excreção de sódio e água pelo rim, a oligúria em pacientes politraumatizados, a hipocalcemia iônica (e subsequente depressão miocárdica), além de alterações na coagulação, notada redução do fibrinogênio plasmático, aumento no tempo de protombina e maior necessidade do uso de plasma fresco congelado, como fonte de fatores de coagulação.

Plasma Fresco Congelado

O plasma fresco congelado é definido como a porção líquida de uma unidade de sangue humano, que foi centrifugada, separada e congelada a 18 °C, dentro das primeiras seis horas da coleta. Contém componentes da coagulação, dos sistemas fibrinolíticos e do complemento, proteínas que geram a pressão oncótica e mantém a imunidade, bem como gordura, carboidratos e minerais em concentração semelhante à do plasma normal.

Soluções não protéicas

Para que um expansor do plasma seja utilizado como seu substituto, deve ter as seguintes propriedades: Pressão coloidosmótica definida, propriedades físicas que permitam infusão endovenosa, ausência de efeitos antigênicos, alergênicos e pirogênicos, estabilidade de armazenamento, tolerância às variações de temperatura e fácil esterilização.

Hidroxietilamido (Voluven®6%)

Vantagens sugeridas:

  • Atenuação da resposta inflamatória
  • Redução da permeabilidade capilar
  • Diminuição da lesão/ativação endotelial

    Desvantagens:

  • Distúrbios de coagulação → diminuição do fator VIII e complexo de Von Willebrand
  • Disfunção renal
  • Reações anafiláticas
  • Prurido (depósito de amido)

Recomendações para o uso:

  • Monitorar função renal e coagulação
  • Observar doses usuais
  • Não utilizar por mais de 5 dias consecutivos
  • Evitar o uso em pacientes com risco de sangramento

    Dose diária máxima: 50mL/kg

    Não há evidências de que uma solução colóide seja superior a outra.

Gelatinas

Produzidas a partir de colágeno hidrolizado de bovinos, com efeito expansor entre 4 e 6 horas.

Existem diferentes preparações e diferentes concentrações de eletrólitos.

Desvantagens:

  • Reações anafiláticas
  • Distúrbios de coagulação
  • Insuficiência renal aguda

Dextran

Polímeros de glicose produzidos a partir de bactérias cultivadas em meio de sacarose.

São descritos pelos seus pesos moleculares: Dextran 40 (40.000Da)

Dextran 70 (70.000Da)

Associados a soluções fisiológicas hipertônicas, isotônicas e de glicose.

Desvantagens:

  • Reações anafiláticas
  • Distúrbios de coagulação → podem induzir a síndrome de Von Willebrand adquirida, aumentar a fibrinólise e diminuir a agregação plaquetária
  • Insuficiência renal aguda

    Não há benefícios clínicos comprovados em comparação a reposição volêmica com soluções cristalóides. Não há recomendações para uso.

Admissão de Paciente em UTI

As internações eletivas são normalmente decorrentes de procedimentos cirúrgicos. Quando a cirurgia é programada, realiza-se a reserva de leito em UTI. Como a reserva de leito em UTI é feita considerando o quadro clínico do paciente e a probabilidade de complicações operatórias, muitas vezes o leito é reservado e não utilizado.

Os responsáveis pela UTI devem elaborar rotinas e procedimentos descrevendo os critérios clínicos que são considerados para a admissão do paciente.

As internações de urgência/emergência podem ser provenientes de pronto-socorros, unidades de internação e centro cirúrgico (transferência interna). Nesses casos há uma alteração no quadro clínico do paciente, sendo necessários cuidados intensivos. Os responsáveis pela UTI devem elaborar rotinas e procedimentos descrevendo os critperios clínicos que são considerados para a admissão do paciente. Há necessidade também de elaboração de protocolos de conduta para a situação de falta de leito para atendimento de pacientes nessas condições.

As internações provenientes de transferência externa (outra instituição) seguem a rotina de contato para solicitação de vaga, com fornecimento de informações sobre o estado clínico do paciente. O ideal é que esse contato seja entre médicos. Após a liberação de vaga, é indicado que haja contato entre os enfermeiros, para fornecimento de informações detalhadas.

Responsabilidades dos Profissionais no Processo de Admissão

Para que a admissão do paciente para a UTI seja realizada de forma rápida e segura, poderá ser estabelecido um protocolo que descreva as atividades de responsabilidade das equipes envolvidas. Uma sugestão de protocolo para o recebimento de um paciente na UTI compreende as seguintes fases:

  1. Solicitação de vaga/leito disponível: A unidade origem solicita a vaga para o médico responsável pelo plantão e discute com o enfermeiro o melhor leito a ser designado para o paciente. A unidade de origem será responsável pelo transporte e pela segurança do paciente, mantendo suas condições clínicas e hemodinâmicas;
  2. Enfermeiro do setor de origem: O enfermeiro transmite por telefone o caso do paciente ao enfermeiro da UTI, com dados relevantes sobre: hipótese diagnóstica e dias de internação, breve exame físico e condições gerais do paciente, necessidade de suporte ventilatório, bombas de infusão ou outro equipamento que poderá ser utilizado pelo paciente. Após a passagem de plantão, o enfermeiro da UTI confirma o horário para a transferência do paciente;
  3. Enfermeiro da UTI e equipe de enfermagem: O enfermeiro da UTI designa o funcionário que irá receber o paciente mediante escala e transmite a ele informações necessárias para a montagem do box/leito. É importante determinar quem responde pela montagem e checagem do ventilador. Alguns hospitais têm fisioterapeutas e técnicos de engenharia responsáveis pela montagem e checagem do ventilador. Se não houver esse profissional na UTI, a tarefa poderá ser realizada pelo enfermeiro ou técnico de enfermagem devidamente treinado.

Procedimentos de Admissão

Na Admissão do paciente deverão estar presentes o enfermeiro, médico e dois técnicos de enfermagem para a realização do transporte e a admissão. Após a acomodação no leito, o paciente deverá ser identificado com pulseira e orientado sobre todos os procedimentos que serão realizados. O paciente deverá ser monitorizado e submetido imediatamente à verificação de sinais e à investigação do traçado eletrocardiográfico.

As drogas e medicações deverão ser colocadas em bombas de infusão conforme prescrição médica, e em seguida, deve-se iniciar rigoroso controle e aprazamento dessas drogas. Instalar oxigenoterapia ou ventilação conforme prescrição médica. O enfermeiro realizará exame físico completo e registrá-lo em Evolução de Enfermagem quando da admissão do paciente.

Registro de Enfermagem

O registro de enfermagem tem como objetivo garantir a comunicação entre os profissionais, fornecendo respaldo legal e segurança, pois constituem o documento que relata todas as ações de enfermagem aplicadas ao paciente.

Anotações de Enfermagem

As anotações de enfermagem fornecem dados para o enfermeiro estabelecer o plano de cuidados e a prescrição de enfermagem para o paciente. É uma descrição dos cuidados ministrados e a resposta do paciente para esses cuidados.

A anotação de enfermagem pode ser realizada por todos os membros da equipe de enfermagem, ou seja, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Algumas regras norteiam a elaboração da anotação de enfermagem:

  • Letra legível;
  • Informações claras, conscisas, objetivas e pontuais;
  • Descrição dos fatos em ordem cronológica;
  • Registro de data e hora (no início do relato);
  • Assinatura, e carimbo do profissional no final do relato.
  • Sem rasuras, linhas ou espaços em branco;
  • Deve conter relato e observações de todos os cuidados prestados;
  • Deve conter a resposta do paciente aos cuidados prestados, incluindo sinais e sintomas;
  • Deve conter apenas abreviaturas previstas em literatura ou autorizadas pela instituição.

Anotação de Admissão

Deverá ter alguns dados registrados como:

  • Data e hora da admissão;
  • Condições de chegada;
  • Presença de acompanhante;
  • Condições de higiene;
  • Queixas relacionadas ao motivo da internação;
  • Procedimentos e cuidados realizados no ato da admissão;
  • Orientações fornecidas ao paciente e ao acompanhante.

Exemplo de anotação de admissão

Ás 10 horas admitido a esta unidade, proveniente do Centro Cirúrgico, em 1ºPOI de revascularização do miocárdio, acompanhado pelo médico, equipe de enfermagem, sob aos cuidados do Dr José, encontra-se sedado, responsivo a estimulos dolorosos e verbais, mantendo intubação com cânula orotraqueal de número 9,0 em ventilação mecânica de transporte osíris, acesso central duplo lumen em veia subclávia direita, recebendo itens 2 e 3 conforme prescrição médica. Dreno pleural em HTD e mediastinal sem débito, oscilantes, mantidos ambos em aspiração contínua. Com curativo oclusivo em região torácica, sem sinais de sujidade ou sangramento externo. SVD com débito de 100ml de aspecto amarelo citrino. Instalado monitorização multiparâmetros, em ventilação mecânica Takaoka com parametros de suporte.

Ás 10:20 Realizado controle de sinais vitais, glicemia capilar, higiene intima (evacuação ausente), massagem de conforto, troca de roupas de cama, mudança de decúbito, rodízio de oximetria.

Segue em observação da enfermagem.

O Carrinho de Emergência

Carrinho de Emergência

É um armário indispensável,  contém os equipamentos usados por médicos e enfermeiros e técnicos de enfermagem quando acontece uma parada cardíaca. Esta é uma situação que exige procedimentos de socorro imediatos. Conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a nomenclatura mais apropriada é Carrinho de Emergência.

Com base nessa necessidade, propõe-se a padronização dos carros de emergência, objetivando homogeneizar o conteúdo e quantidade de material dos carrinhos nas diferentes unidades, retirando o desnecessário e acrescentando o indispensável, de forma a agilizar o atendimento de emergência e reduzir o desperdício. Os setores em que se dever obter estes carrinhos são Unidade de Internação, Pronto Socorro, Unidade de Terapia Intensiva, Unidade Coronariana, Centro Cirúrgico, Unidade Ambulatorial, Hemodinâmica, entre outros.

A quantidade de drogas e equipamentos deve ser estipulada conforme necessidade da área e rotina institucional. Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem devem estar preparados para atender, de forma sistematizada e padronizada, uma situação de emergência. Para que isso ocorra, o treinamento da equipe é fundamental, e todo o material necessário para esse momento deve estar disponível de forma imediata. Existe um a controvérsia de quem é a responsabilidade da conferencia do carrinho de parada, pois o profissional responsável pelas medicações do hospital é o Farmacêutico, porem o Conselho Federal de Farmácia não trata como privativo do profissional farmacêutico a conferência e reposição do Carrinho de Emergência. Contudo na maioria das Instituições Hospitalares cabe ao Enfermeiro de preferência um diarista a responsabilidade da conferência e reposição do Carrinho de Emergência, esta responsabilidade deve ser protocolada de modo que toda equipe tenha acesso a sua conferência.

O que deverá ter no carrinho?

  • Tábua de compressão torácica;
  • Desfibrilador / cardioversor;
  • Monitor;

1ª GAVETA

Medicamentos mais utilizados em situações de emergências clínicas: Os Diluidores como água destilada e soro fisiológico, e medicamentos como Atropina, Adrenalina, Aminofilina, Bicarbonato de sódio  em ampola de 10ml a 8,4%, Cloreto de potássio (KCl), diazepam, dopamina, hidantal, amiodarona, fentanil, fenobarbital, furosemida, prometazina, cedilanide, sulfato de magnésio a 50%, Hidrocortisona de 100mg e 500mg, heparina, midazolan, haldol, adalat, isordil, gluconato de cálcio, glicose hipertônica (50%), lidocaína.

2ª GAVETA

Materiais para a Intubação de Emergência: O Ressuscitador Manual (AMBU), Tubos Endotraqueais de todos os tamanhos, Lâminas e laringoscópio, fio guia, cânula de guedel de todos os tamanhos, máscara descartável, óculos de proteção individual, cadarço para a fixação do tubo, cânulas de traqueostomia de todos os tamanhos, eletrodos para a monitorização e umidificador,

3ª GAVETA

Deverá ter de todos os calibres: Agulhas, abbocaths, jelcos, sonda vesical, sonda nasoenteral e nasogástrica, fios de sutura, seringas, e também deverá conter dânulas, cateteres centrais, xilocaína gel, equipos macro ou microgotas, luvas estéreis e de procedimento, filme transparente estéril para fixação do acesso venoso, e kit de aspiração de emergência.

4ª GAVETA

Deverá ter de todos os tipos de soros: Fisiológico a 0,9%, glicosado a 5%, 10%, Ringer Lactato, Frasco de Bicarbonato a 5%, Voluven, (bolsas com ml variadas).

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Veja também:

Carrinho de Curativo: O que deve conter?