Medicamentos que Não Podem Ser Macerados e Administrados por Sonda Enteral

A maceração de medicamentos, especialmente aqueles administrados por sonda enteral, pode alterar significativamente sua forma farmacêutica original. Essa alteração pode ter consequências negativas para a eficácia e segurança do tratamento.

Por que isso acontece?

  • Alteração no perfil de liberação: Muitos medicamentos são formulados para liberar o princípio ativo de forma gradual no organismo. A maceração pode acelerar ou retardar essa liberação, comprometendo o efeito terapêutico.
  • Degradação do medicamento: Alguns medicamentos são sensíveis à luz, umidade ou ao contato com outras substâncias. A maceração pode levar à degradação do fármaco, diminuindo sua eficácia.
  • Irritação da mucosa gastrointestinal: Alguns excipientes presentes nos medicamentos podem causar irritação se forem administrados em forma de pó, o que pode ocorrer após a maceração.
  • Obstrução da sonda: Partículas maiores, resultantes da maceração, podem obstruir a sonda, impedindo a passagem do medicamento.

Quais medicamentos geralmente não devem ser macerados?

  • Comprimidos de liberação prolongada: A liberação gradual do fármaco é fundamental para a eficácia desses medicamentos.
  • Cápsulas: A cápsula protege o fármaco e controla a liberação.
  • Comprimidos revestidos: O revestimento protege o comprimido e controla a liberação.
  • Medicamentos com revestimento entérico: Esse revestimento protege o fármaco da ação dos ácidos do estômago.
  • Medicamentos em forma de pellets: Os pellets são pequenas esferas que contêm o fármaco e são revestidas para controlar a liberação.

Exemplos de medicamentos que frequentemente não são adequados para maceração:

  • Anti-hipertensivos de ação prolongada: como nifedipina de liberação prolongada.
  • Medicamentos para o coração: como beta-bloqueadores de longa duração.
  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) de liberação prolongada: como diclofenaco de liberação prolongada.
  • Medicamentos para o tratamento de doenças do sistema nervoso central: como carbamazepina de liberação prolongada.

Outros Exemplos

Medicamento Motivo Alternativa
Adalat® (Nifedipino) Risco de toxicidade e obstrução da sonda Discutir terapia com o prescritor
Amaryl® (Glimepirida) Falta de estudos sobre eficácia e segurança Discutir com o prescritor
Amoxil® (Amoxicilina) Não recomendado via sonda Suspensão oral
Allegra® (Fexofenadina) Revestimento pode obstruir a sonda Claritin® solução ou Allegra® solução
Ancoron® (Cloridrato de amiodarona) Falta de estudos sobre eficácia e segurança Suspensão oral
Annita® (Nitazoxanida) Risco de obstrução da sonda Suspensão oral
Apresolina® (Hidralazina) Risco de degradação do princípio ativo Monitorar pressão arterial

O que fazer?

  • Sempre consulte um profissional de saúde ou farmacêutico: Eles poderão fornecer orientações específicas sobre a administração de cada medicamento, levando em consideração as características do paciente e as recomendações do fabricante.
  • Leia atentamente a bula do medicamento: A bula contém informações importantes sobre a administração do medicamento.
  • Não macere nenhum medicamento por conta própria: A maceração indevida pode comprometer a segurança e a eficácia do tratamento.

Cuidados de Enfermagem

  1. Verificar a compatibilidade:

    • Medicamento e sonda: Alguns medicamentos podem interagir com o material da sonda ou com outros medicamentos, formando precipitados ou obstruindo a sonda.
    • Medicamento e dieta: A mistura de medicamentos com a dieta enteral pode alterar a absorção de ambos.
  2. Preparo da medicação:

    • Higienização: Lave as mãos e utilize equipamentos limpos para o preparo.
    • Maceração: Utilize um pilão e almofariz limpos para macerar os comprimidos. Evite moer demais, pois pode gerar partículas muito finas que podem obstruir a sonda.
    • Dissolução: Dissolva o pó resultante da maceração em água filtrada ou fervida morna, conforme orientação médica.
  3. Administração:

    • Interromper a dieta: Antes de administrar a medicação, interrompa a infusão da dieta enteral.
    • Lavar a sonda: Lave a sonda com água antes e depois da administração do medicamento para evitar obstrução.
    • Volume: Administre cada medicamento separadamente, utilizando um volume adequado de água para facilitar a passagem.
    • Elevar a cabeceira: Mantenha a cabeceira do leito elevada por pelo menos 30 minutos após a administração para facilitar a passagem do medicamento para o estômago.
  4. Registro:

    • Anote: Registre todos os procedimentos realizados, incluindo o nome do medicamento, a dose, a hora da administração e qualquer intercorrência.

Precauções:

  • Não macere todos os medicamentos: Alguns medicamentos, como os de liberação prolongada, não devem ser macerados.
  • Não misture medicamentos: Cada medicamento deve ser administrado separadamente para evitar interações medicamentosas.
  • Observe o paciente: Monitore o paciente após a administração para identificar possíveis reações adversas.

Considerações importantes:

  • Individualização: As orientações podem variar de acordo com o paciente e o medicamento.
  • Atualização: As informações sobre a administração de medicamentos por sonda devem ser atualizadas regularmente.
  • Equipe multidisciplinar: A administração de medicamentos por sonda deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros e farmacêuticos.

Referências:

  1. SILVA, João; PEREIRA, Maria. Insuficiência Cardíaca Descompensada: Diagnóstico e Tratamento. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 70, n. 4, p. 123-130, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/4yLq9zCJKqcQyB3HF6P9P9m/?format=pdf&lang=pt
  2. Hospital Sírio Libanês
  3. HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: Administração de Medicamentos por Via Enteral. São Paulo: Hospital São Camilo, 2023. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/VIA-ENTERAL.pdf. 
  4. UNIMED. Estabilidade de Sólidos Orais. São Paulo: Unimed, 2023. Disponível em: https://www.unimed.coop.br/site/documents/20922854/20973835/Estabilidade_Solidos_Orais.pdf.

Que Medicamento é Esse?: Pregabalina

Pregabalina é indicado para adultos:

  • Tratamento da dor neuropática (dor devido à lesão e/ou mau funcionamento dos nervos e/ou do sistema nervoso) em adultos;
  • Como terapia adjunta das crises epiléticas parciais (convulsões), com ou sem generalização secundária em adultos;
  • Tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada em adultos;
  • Controle de fibromialgia (doença caracterizada por dor crônica em várias partes do corpo, cansaço e alterações do sono) em adultos.

Como Funciona?

Pregabalina age regulando a transmissão de mensagens excitatórias entre as células nervosas. O início da ação do medicamento é, geralmente, percebido cerca de uma semana após o início do tratamento.

Os Efeitos Colaterais

As reações adversas mais frequentemente notificadas foram tontura e sonolência; em geral, elas foram de intensidade leve a moderada e estão listadas abaixo.

Reação Muito Comum (ocorre em mais de 10% dos pacientes que utilizam este medicamento): dor de cabeça*.

Reação Comum (ocorre entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento): nasofaringite (inflamação da faringe ou garganta), aumento do apetite, euforia, confusão, irritabilidade, depressão, desorientação, insônia (dificuldade para dormir), diminuição da libido (diminuição do desejo sexual), ataxia (dificuldade em coordenar os movimentos), coordenação anormal, tremores, disartria (alteração da fala), amnésia (perda de memória), dificuldade de memória, distúrbios de atenção, parestesia (formigamentos), hipoestesia (diminuição da sensibilidade), sedação (diminuição do nível de vigília ou alerta), transtorno de equilíbrio, letargia (lentidão), visão turva, diplopia (visão dupla), vertigem, vômitos, constipação (intestino preso), flatulência (excesso de gases), distensão abdominal, boca seca, espasmo muscular (contração involuntária dos músculos), artralgia (dor nas articulações), dor lombar, dor nos membros, espasmo cervical, edema periférico (inchaço de extremidades), edema (inchaço), marcha (caminhada) anormal, quedas, sensação de embriaguez, sensação anormal, cansaço, aumento de peso, náusea* (enjoo), diarreia*.

Reação Incomum (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento): neutropenia (diminuição de um tipo de células de defesa no sangue: neutrófilos), anorexia (apetite diminuído), hipoglicemia (diminuição da glicose no sangue), alucinações, inquietação, agitação, humor deprimido, humor elevado, mudanças de humor, despersonalização (mudança na forma como a pessoa percebe a si mesma), sonhos anormais, dificuldade de encontrar palavras, aumento da libido (aumento do desejo sexual), anorgasmia (incapacidade de ter orgasmos), síncope (desmaio), mioclonia (contração muscular), hiperatividade (agitação) psicomotora, discinesia, hipotensão postural (diminuição da pressão arterial ao levantar), tremor de intenção (tremor que ocorre ao movimento), nistagmo (movimento anormal dos olhos), transtornos cognitivos (dificuldade de compreensão), transtornos de fala, hiporreflexia (reflexos enfraquecidos), hiperestesia (aumento da sensibilidade), sensação de queimação, perda da visão periférica, alteração visual, inchaço ocular, deficiência no campo visual, redução da acuidade visual, dor ocular, astenopia (cansaço visual), fotopsia (sensação de ver luzes e cores cintilantes), olhos secos, aumento do lacrimejamento, irritação ocular, hiperacusia (aumento da audição), taquicardia (aumento da frequência cardíaca), bloqueio atrioventricular de primeiro grau (tipo de arritmia cardíaca), bradicardia sinusal (diminuição dos batimentos cardíacos) hipotensão arterial (pressão baixa), hipertensão arterial (pressão alta), ondas de calor, rubores (vermelhidões), frio nas extremidades, dispneia (falta de ar), epistaxe (sangramento nasal), tosse, congestão nasal, rinite, ronco, refluxo gastroesofágico (retorno do conteúdo do estômago para o esôfago), hipersecreção salivar, hipoestesia oral (diminuição da sensibilidade na boca), erupções cutâneas papulares (pequenas elevações na pele), urticária (alergia na pele), sudorese (transpiração), inchaço articular, mialgia (dor muscular), espasmo muscular, dor cervical, rigidez muscular, incontinência urinária (dificuldade em controlar a urina), disúria (dificuldade e dor para urinar), disfunção erétil (dificuldade para enrijecer o pênis), disfunção sexual, retardo na ejaculação, dismenorreia, edema (inchaço) generalizado, aperto no peito, dor, pirexia (febre), sede, calafrio, astenia (fraqueza), aumento das enzimas: alanina aminotransferase, creatina fosfoquinase sanguínea e aspartato aminotransferase, elevação da glicose sanguínea, diminuição da contagem de plaquetas, diminuição do potássio sanguíneo, diminuição de peso, hipersensibilidade*, perda de consciência*, prejuízo psíquico*, inchaço da face*, coceira*, mal-estar*, agressividade*.

Reação Rara (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este medicamento): crise de pânico, desinibição, apatia (ausência de emoção), estupor, parosmia (distúrbio do olfato), hipocinesia (movimento diminuído), ageusia (falta de paladar), disgrafia (dificuldade em escrever), oscilopsia (visão oscilante), percepção visual de profundidade alterada, midríase (pupila dilatada), estrabismo, brilho visual, taquicardia sinusal, arritmia (irregularidade do batimento cardíaco) sinusal, aperto na garganta, secura nasal, ascite (acúmulo de líquido no abdome), pancreatite (inflamação no pâncreas), disfagia (dificuldade na deglutição), suor frio, rabdomiólise (destruição de células dos músculos), insuficiência renal (diminuição das funções dos rins), oligúria (diminuição do volume de urina), dor mamária (dor na mama), amenorreia (ausência de menstruação), secreção mamária, ginecomastia (aumento da mama, geralmente sexo masculino), diminuição de leucócitos (glóbulos brancos), elevação da creatinina sanguínea, angioedema* (reação alérgica que cursa com inchaço), reação alérgica*, ceratite* (inflamação na córnea), insuficiência cardíaca congestiva* (alteração na capacidade do coração em bombear o sangue, edema pulmonar* (retenção de líquidos no pulmão), edema (inchaço) de língua*, retenção urinária* (dificuldade em urinar), ginecomastia* (aumento da mama), ideação suicida* (pensamento ou ideia de se matar).

*Reações relatadas no período pós-comercialização.

Informe ao seu médico, cirurgião-dentista ou farmacêutico o aparecimento de reações indesejáveis pelo uso do medicamento. Informe também à empresa através do seu serviço de atendimento.

Quando é Contraindicado?

Pregabalina não deve ser utilizado se você tem hipersensibilidade (alergia) conhecida à pregabalina ou a qualquer componente da fórmula.

Os Cuidados de Enfermagem

Antes da administração:

  • Histórico: Verificar histórico médico do paciente, incluindo alergias, doenças preexistentes (insuficiência renal, diabetes, doenças cardíacas, etc.) e histórico de abuso de drogas ou álcool.
  • Interações medicamentosas: Investigar a utilização de outros medicamentos, incluindo antidepressivos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, diuréticos, etc.
  • Gravidez e amamentação: Informar o paciente sobre os riscos da pregabalina durante a gravidez e amamentação.
  • Função renal: Monitorar a função renal do paciente, ajustando a dose conforme necessário.
  • Avaliação do estado mental: Avaliar o estado mental do paciente, observando sinais de confusão, sedação ou depressão.
  • Educação: Instruir o paciente sobre a importância de seguir a posologia e os horários da medicação, e sobre os possíveis efeitos colaterais.
  • Monitoramento da pressão arterial: A pregabalina pode causar hipotensão, sendo necessário monitorar a pressão arterial.

Durante a administração:

  • Administração: Administrar a pregabalina por via oral, com ou sem alimentos.
  • Monitorização dos efeitos colaterais: Observar e documentar os efeitos colaterais, como sonolência, tontura, ganho de peso, edema periférico, fadiga, visão turva, boca seca, constipação, etc.
  • Monitorização do estado mental: Avaliar o estado mental do paciente, observando sinais de confusão, sedação ou depressão.
  • Monitorização da função renal: Monitorar a função renal do paciente, ajustando a dose conforme necessário.
  • Prevenção de quedas: A pregabalina pode causar tontura e aumentar o risco de quedas. Aconselhar o paciente a ter cuidado ao se levantar e a evitar atividades que requerem atenção.
  • Interações medicamentosas: Observar possíveis interações com outros medicamentos.

Após a administração:

  • Monitorização dos efeitos colaterais: Continuar a monitorizar os efeitos colaterais e documentá-los.
  • Avaliação da resposta ao tratamento: Avaliar a eficácia do tratamento e ajustar a dose conforme necessário.
  • Educação: Continuar a educar o paciente sobre a importância de seguir a posologia e os horários da medicação, e sobre os possíveis efeitos colaterais.
  • Seguir as recomendações médicas: Recomendar o acompanhamento regular com o médico para monitorização do tratamento.
  • Prevenção de dependência: A pregabalina pode causar dependência. Informar o paciente sobre os riscos e fornecer suporte para interromper o uso do medicamento, se necessário.

Outras informações importantes:

  • A pregabalina pode ser viciante. É importante seguir as instruções do médico e não aumentar a dose ou interromper o uso do medicamento sem orientação médica.
  • Não conduzir veículos ou operar máquinas até saber como o medicamento afeta você.
  • A pregabalina pode causar sonolência. É importante evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
  • Se você esquecer de tomar uma dose, tome-a assim que se lembrar, a menos que esteja perto da hora da próxima dose. Não tome uma dose dupla para compensar a dose esquecida.
  • Se você tiver alguma dúvida ou preocupação, fale com o seu médico ou enfermeiro.

Medicamentos Antigotosos

Antigotosos são medicamentos utilizados para tratar a gota, uma doença caracterizada por altos níveis de ácido úrico no sangue, que podem causar inflamação nas articulações e formação de cristais de urato.

Existem diferentes classes de medicamentos antigotosos, cada uma com seu mecanismo de ação específico. As principais classes são:

Inibidores da xantina oxidase

Os inibidores da xantina oxidase atuam diminuindo a produção de ácido úrico no organismo. A xantina oxidase é uma enzima que converte a xantina em ácido úrico. Ao inibir essa enzima, os medicamentos reduzem os níveis de ácido úrico no sangue.

Medicamentos mais utilizados:

  • Alopurinol: Inibe a produção de ácido úrico, reduzindo seus níveis no sangue. É usado para prevenir crises de gota e para tratar níveis altos de ácido úrico crônicos.
  • Febuxostat: Outro inibidor da xantina oxidase, similar ao Alopurinol em mecanismo de ação.

Uricosuricos

Os uricosuricos aumentam a excreção de ácido úrico pelos rins. Dessa forma, ajudam a eliminar o excesso de ácido úrico do organismo.

Medicamentos mais utilizados:

  • Probenecida: Aumenta a excreção de ácido úrico pelos rins, reduzindo seus níveis no sangue. É usado para tratar níveis altos de ácido úrico crônicos, mas não é eficaz em tratar crises agudas de gota.
  • Sulfinpirazona: Similar à Probenecida, porém com maior potência.
  • Lesinurad: Um uricosurico que funciona em conjunto com o Alopurinol para melhorar a excreção de ácido úrico.

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

  • Ibuprofeno, Naproxeno, Diclofenaco, etc.: Reduzem a dor e a inflamação nas articulações afetadas pela gota. São usados para tratar crises agudas de gota.

Colchicina:

  • Colchicina: Inibe a migração dos leucócitos para o local da inflamação, reduzindo a dor e a inflamação nas articulações. É usado para tratar crises agudas de gota e também pode ser usado para prevenção de crises.

Corticosteroides:

  • Prednisolona, Prednisona, etc.: Reduzem a inflamação e a dor nas articulações, mas não afetam os níveis de ácido úrico no sangue. São usados para tratar crises agudas de gota, especialmente em pacientes que não toleram AINEs ou Colchicina.

Outros medicamentos:

  • Pegloticase: Uma enzima que degrada o ácido úrico, usado para tratar casos graves de gota que não respondem a outros tratamentos.
  • Crizanlizumab: Um anticorpo monoclonal que reduz a inflamação, usado para tratar gota e outras condições inflamatórias.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem com pacientes em uso de medicamentos antigotosos são cruciais para garantir a eficácia do tratamento, minimizar os efeitos adversos e promover a adesão à terapia.

Monitoramento:

  • Função renal: É fundamental monitorar a função renal, especialmente em pacientes idosos ou com histórico de problemas renais, uma vez que muitos medicamentos antigotosos são excretados pelos rins. A dosagem pode precisar ser ajustada.
  • Níveis de ácido úrico: O acompanhamento regular dos níveis de ácido úrico no sangue é essencial para avaliar a eficácia do tratamento e ajustar a dose do medicamento, se necessário.
  • Sintomas de gota: É importante monitorar a frequência e a intensidade das crises de gota, bem como a resposta ao tratamento.
  • Efeitos adversos: Os pacientes devem ser orientados a relatar qualquer efeito adverso, como erupções cutâneas, coceira, dor abdominal, náuseas, vômitos, tontura ou inchaço.

Orientações ao paciente:

  • Adesão ao tratamento: É fundamental enfatizar a importância de seguir rigorosamente o tratamento prescrito, mesmo durante os períodos sem sintomas.
  • Hidratação: Recomendar a ingestão adequada de líquidos (água) para auxiliar na excreção do ácido úrico pelos rins.
  • Dieta: Orientar sobre a importância de seguir uma dieta adequada, evitando alimentos ricos em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar, vísceras) e bebidas alcoólicas.
  • Medicamentos: Esclarecer sobre a forma correta de administrar os medicamentos, os horários e as possíveis interações medicamentosas.
  • Retorno ao médico: Agendar consultas de acompanhamento regularmente para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar a medicação, se necessário.

Outras considerações:

  • Educação em saúde: Oferecer informações sobre a gota, suas causas, sintomas e tratamento, para que o paciente tenha um melhor entendimento da doença.
  • Apoio emocional: Muitos pacientes com gota podem apresentar ansiedade e depressão. É importante oferecer apoio emocional e incentivar a participação em grupos de apoio.
  • Prevenção de crises: Orientar sobre medidas para prevenir crises de gota, como evitar o estresse, manter o peso ideal e realizar atividade física regular.

Referências:

  1. Azevedo VF, Lopes MP, Catholino NM, Paiva E dos S, Araújo VA, Pinheiro G da RC. Critical revision of the medical treatment of gout in Brazil. Rev Bras Reumatol [Internet]. 2017Jul;57(4):346–55. Available from: https://doi.org/10.1016/j.rbre.2017.03.002
  2. Afya

Medicamentos Antidiarreicos

Antidiarreicos são medicamentos utilizados para controlar e aliviar os sintomas da diarreia, que se caracteriza pela frequência excessiva de evacuações com fezes líquidas ou pastosas. Esses medicamentos atuam de diferentes formas no organismo, buscando restaurar o equilíbrio intestinal e diminuir o desconforto causado pela diarreia.

Grupos

Os antidiarreicos podem ser classificados em diferentes grupos, cada um com um mecanismo de ação específico:

  • Obstipantes: Diminui a motilidade intestinal, ou seja, a velocidade com que o conteúdo intestinal se move pelo trato gastrointestinal.
    • Exemplo: Loperamida
  •  Adsorventes: Ligam-se a outras substâncias presentes no intestino, como bactérias e toxinas, formando um complexo que é eliminado pelas fezes.
    • Exemplos: Carvão ativado, caolin
  • Antiflatulentos: Reduzem a formação de gases no intestino, aliviando o desconforto abdominal.
    • Exemplo: Simeticona
  • Antimicrobianos: Atuam contra os micro-organismos causadores da diarreia, como bactérias e vírus.
    • Exemplos: Antibióticos (ampicilina, ciprofloxacina), nitrofurantoína

Quando deve ser utilizado?

A diarreia pode ter diversas causas, como infecções virais ou bacterianas, intoxicação alimentar, uso de medicamentos, alergias ou doenças inflamatórias intestinais. Os antidiarreicos podem ser utilizados para aliviar os sintomas em casos de diarreia aguda, de curta duração.

No entanto, é importante consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento, pois a automedicação pode mascarar sintomas de doenças mais graves.

Quais os cuidados ao usar antidiarreicos?

  • Não use antidiarreicos por longos períodos sem orientação médica. O uso prolongado pode levar ao acúmulo de toxinas no organismo e agravar a diarreia.
  • Informe o médico sobre todos os medicamentos que você está usando, incluindo remédios sem prescrição médica e fitoterápicos. Algumas substâncias podem interagir com os antidiarreicos e causar efeitos colaterais.
  • Beba bastante líquido para evitar a desidratação. A diarreia pode causar perda de água e eletrólitos, por isso é importante repor esses líquidos.
  • Siga as instruções do médico ou farmacêutico quanto à dosagem e frequência de uso do medicamento.

Quais os efeitos colaterais dos antidiarreicos?

Os efeitos colaterais dos antidiarreicos variam de acordo com o tipo de medicamento e a sensibilidade de cada pessoa. Os efeitos mais comuns incluem:

  • Sonolência
  • Boca seca
  • Prisão de ventre
  • Náuseas
  • Vômitos

Referência:

  1. Carlos Manuel Arantes Araújo. TRATAMENTO DA DIARREIA AGUDA. Universidade Fernando Pessoa. Faculdade de Ciências da Saúde. Porto, 2014. 

Fracionamento: Cartela Vs. Comprimidos

Embora os termos “fracionamento de cartela” e “fracionamento de comprimidos” sejam frequentemente utilizados de forma intercambiável, existem diferenças importantes entre as duas práticas:

Entenda as diferenças

Fracionamento de cartela

Refere-se à subdivisão de uma cartela de medicamentos em doses menores, sem alterar a forma física dos comprimidos. Isso é geralmente realizado por um farmacêutico ou profissional de saúde qualificado, utilizando ferramentas e técnicas adequadas para garantir a precisão e a higiene.

Fracionamento de comprimidos

 Envolve a divisão física de um comprimido em pedaços menores, geralmente utilizando um cortador de comprimidos. Essa prática pode ser realizada pelo próprio paciente, em casa, sem a necessidade de intervenção profissional.

Aplicações

  • Fracionamento de cartela: é comumente utilizado para:
    • Ajustar a dosagem de um medicamento para atender às necessidades específicas do paciente.
    • Administrar medicamentos a pacientes com dificuldade para engolir comprimidos inteiros.
    • Facilitar o transporte de medicamentos, dividindo-os em doses menores para viagens ou atividades fora de casa.
  • Fracionamento de comprimidos: geralmente é utilizado para:
    • Dividir comprimidos com doses altas em doses menores, quando não há comprimidos com dosagens mais baixas disponíveis.
    • Administrar medicamentos a crianças ou animais de estimação, que podem ter dificuldade para engolir comprimidos inteiros.
    • Reduzir os efeitos colaterais de alguns medicamentos, dividindo a dose total em administrações menores ao longo do dia.

Vantagens e desvantagens

Aspecto Fracionamento de cartela Fracionamento de comprimidos
Vantagens Precisão na dosagem Praticidade para pacientes
Maior higiene Flexibilidade na dosagem
Melhor controle da adesão ao tratamento Redução do desperdício de medicamentos
Desvantagens Custo adicional Risco de imprecisão na dosagem
Possibilidade de contaminação Potencial alteração das propriedades do medicamento
Inviabilidade para alguns tipos de medicamentos Dificuldade para pacientes com destreza manual limitada

Considerações importantes

  • Ambas as práticas devem ser realizadas com cuidado e seguindo as orientações de um profissional de saúde.
  • O fracionamento de comprimidos nem sempre é recomendado, pois pode afetar a qualidade e a eficácia do medicamento.
  • É fundamental consultar um médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer tipo de fracionamento, seja de cartela ou de comprimidos.

Referência:

  1. Teixeira, Maíra Teles et al. Panorama dos aspectos regulatórios que norteiam a partição de comprimidos. Revista Panamericana de Salud Pública. 2016, v. 39, n. 6, pp. 372-377. Disponível em: <>. ISSN 1680-5348.

Medicamentos que causam Flebite

A flebite é uma inflamação das veias, que pode causar dor, inchaço, vermelhidão e calor na região afetada. Em casos mais graves, pode levar à formação de coágulos sanguíneos (trombose), o que pode ter sérias consequências para a saúde.

Vários medicamentos são vesicantes e podem aumentar o risco de flebite, principalmente quando administrados por via intravenosa (IV).

Medicamentos Vesicantes

Os medicamentos vesicantes são aqueles que, quando extravasados durante a administração intravenosa, causam danos graves aos tecidos no local da infusão.

Efeitos do extravasamento:

  • Queimadura química: Dor intensa, vermelhidão, inchaço e formação de bolhas no local.
  • Necrose: Morte das células e dos tecidos, podendo levar a úlceras profundas e até mesmo à amputação de membros em casos graves.
  • Danos nervosos: Dor persistente, formigamento, dormência e fraqueza muscular.

Medicamentos que podem causar Flebite

Antibióticos

  • Vancomicina;
  • Benzilpenicilina;
  • Aminoglicosideos (gentamicina);
  • Cefalosporinas (ceftriaxona);
  • Quinolonas (ciprofloxacina);

Soluções intravenosas

  • Soluções com alto teor de osmolalidade (açúcar) ou pH alcalino (> 8,5);

Drogas Vasoativas

  • Dopamina;
  • Adrenalina;
  • Amiodarona;
  • Noradrenalina;
  • Vasopressina;
  • Dobutamina;

Nutrição Parenteral Parcial e Total

Eletrólitos

  • Cloreto de Potássio 19,1%;
  • Cloreto de Sódio 20 %;
  • Bicarbonato de Sódio;
  • Gluconato de Cálcio;

Hemoderivados

  • Hemácias;
  • Plasma;
  • Plaquetas

Corticoides

  • Dexametasona

Anti-inflamatórios não esteroides (AINES)

  • ibuprofen;
  • piroxicam;
  • diclofenaco

Contrastes

  • Sulfato de bário;
  • Ioxitalamato de meglumina e de sódio;
  • Iobitridol;
  • Iodixanol;
  • Ioexol;
  • Iomeprol;
  • Iopamidol;
  • Ácido gadotérico;
  • Hexafluoreto de enxofre

Quimioterápicos

  • Doxorubicina (Adriamicina);
  • Daunorubicina (Cerubidina);
  • Vincristina (Oncovin);
  • Vinblastina (Velban);
  • Mitoxantrona (Novantrone);
  • Epirrubicina (Ellence);
  • Ifosfamida (Ifex);

Outros

  • Azul de metileno;
  • Aminofilina;
  • Diazepam;
  • Fenitoína;
  • Prometazina

Fatores de risco adicionais para flebite

Cateteres venosos periféricos (CVPs):

    • Tempo de permanência do cateter
    • Tipo de cateter
    • Local de inserção

Idade:

    • Acima de 65 anos

Histórico de flebite:

    • Episódios anteriores aumentam o risco

Imobilização:

    • Pacientes acamados ou com pouca mobilidade

Desidratação:

    • Redução do volume sanguíneo

Câncer:

    • Tumores malignos e quimioterapia

Doenças inflamatórias:

    • Doença de Crohn, colite ulcerativa, lúpus

Prevenção da flebite

Inserção e manutenção adequadas do cateter:

    • Siga os protocolos rigorosos de inserção e manutenção de cateteres.
    • Utilize o menor cateter possível pelo menor tempo necessário.
    • Troque o curativo do cateter regularmente.

Hidratação adequada:

    • Mantenha o paciente hidratado com líquidos intravenosos ou orais.

Mobilização precoce:

    • Incentive o paciente a se mover o máximo possível.

Medicação profilática:

    • Em alguns casos, medicamentos podem ser usados ​​para prevenir a flebite.

Referências:

  1. Guia Farmacêutico – Medicamentos Irritantes e Vesicantes: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/medicamentos-de-alerta/lista-de-medicamentos/
  2. PRAS-TC-002-PROTOCOLO DE EXTRAVASAMENTO DE MEDICAÇÕES VESICANTES NÃO-QUIMIOTERÁPICAS: https://jornal.hcfmb.unesp.br/wp-content/uploads/2022/03/PRC-Amb-ONCO-002-%E2%80%93-PROTOCOLO-EXTRAVASAMENTO-DE-QUIMIOTERAPICOS-atualizado.pdf
  3. PARECER COREN-SP CAT Nº 019/2009 / – Assunto: Infusão de fármacos antineoplásicos vesicantes: https://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2012_18.pdf

Profilaxia Neonatal

A chegada de um bebê é um momento de imensa alegria e expectativa. Para garantir a saúde e o bem-estar do seu pequeno, diversos procedimentos profiláticos são realizados logo após o nascimento.

Medicamentos administrados logo ao nascer (Profilaxia)

Nitrato de Prata 1%:

  • Objetivo: Prevenir a oftalmia neonatal, uma infecção ocular grave causada por bactérias presentes no canal vaginal da mãe.
  • Aplicação: Colírio administrado em ambos os olhos do bebê nas primeiras horas de vida.

Vitamina K:

  • Objetivo: Prevenir hemorragias devido à deficiência de vitamina K, comum em recém-nascidos.
  • Administração: Uma dose única intramuscular ou oral nas primeiras 6-12 horas de vida.

BCG:

  • Objetivo: Imunizar contra a tuberculose, doença infecciosa grave.
  • Administração: Vacina aplicada por via intradermica no braço direito do bebê, geralmente entre o 4º e o 6º dia de vida.

Hepatite B:

  • Objetivo: Proteger contra a hepatite B, doença viral que afeta o fígado.
  • Esquema vacinal: Três doses: a primeira nas primeiras 12 horas de vida, a segunda com 1 mês e meio e a terceira com 6 meses de idade.

Outros medicamentos:

  • Em alguns casos, outros medicamentos podem ser necessários, como:
    • Antibióticos para prevenir infecções.
    • Soro fisiológico para limpar os olhos e vias nasais.
    • Vitamina D para fortalecer os ossos.

Lembre-se:

A profilaxia neonatal é um conjunto de medidas essenciais para garantir a saúde do seu bebê. Converse com o pediatra do seu filho para esclarecer dúvidas e receber orientações individualizadas. Mantenha o cartão de vacinação atualizado e siga rigorosamente o esquema vacinal recomendado.

Com cuidados preventivos e acompanhamento médico adequado, você contribui para o desenvolvimento saudável e feliz do seu bebê!

Referência:

  1. Essential Newborn Care and Breastfeeding – Training modules. WHO Regional Office for Europe, 2002. 

Como homogeneizar um frasco ampola?

Você provavelmente deve estar se perguntando: Qual é a maneira correta de homogeneizar/misturar um medicamento, certo?

A maneira correta de agitar uma ampola depende do tipo de ampola e do seu conteúdo.

Por que você NÃO deve agitar vigorosamente os frascos ampolas?

  • Agitar pode degradar os medicamentos ou criar bolhas de ar.
  • Agitar pode tornar a solução turva ou até mesmo causar a precipitação de partículas.
  • A agitação pode aumentar o contato com o ar e a luz, acelerando a degradação.

Como você deve fazer?

  • Você pode girar suavemente a ampola entre as palmas de suas mãos (Isso ajuda a misturar o medicamento sem introduzir ar ou contaminantes);
  • Você também pode realizar movimentos circulares suaves com o frasco.

Com esses passos, você evita que o medicamento forme bolhas de ar, o que pode afetar a dosagem correta e a eficácia do medicamento, além do risco de contaminação, onde a agitação excessiva pode causar a liberação de partículas de borracha da tampa do frasco, contaminando o medicamento.

Referência:

  1. RISCOS ESCONDIDOS NAS EMBALAGENS DE MEDICAMENTOS: AMPOLA DE VIDRO E FRASCO-AMPOLA, EMBALAGENS DE MEDICAMENTOS INJETÁVEIS DE PEQUENO VOLUME – ISSN 1678-0817 Qualis B2 (revistaft.com.br)

As luvas de procedimento durante o preparo de um medicamento

A utilização de luvas de procedimento no preparo de medicamentos é uma prática que visa garantir a segurança tanto do profissional de saúde quanto do paciente.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de luvas deve ser considerado como um dos elementos das precauções padrão, que são medidas de controle de infecção destinadas a minimizar o risco de transmissão de patógenos.

No contexto da preparação de medicamentos parenterais, as luvas atuam como uma barreira física, protegendo as mãos dos profissionais de possíveis contaminações por substâncias perigosas e reduzindo o risco de transmissão de infecções.

Indicações para uso de luvas na atenção de saúde

O Anexo A do documento “OMS/SIGN: Jogo de Ferramentas para Segurança das Injeções e Procedimentos Correlatos” fornece diretrizes específicas sobre quando o uso de luvas é indicado na atenção à saúde.

Por exemplo, recomenda-se o uso de luvas sempre que houver a possibilidade de contato com sangue, fluidos corporais, secreções, excreções e itens contaminados.

Além disso, o uso de luvas é aconselhado durante o preparo de antibióticos (que ao contato com mucosas da unha pode prejudicar o profissional, criando resistência a série de antibióticos),  manuseio de objetos cortantes ou perfurantes e ao tocar mucosas ou pele não íntegra.

É importante ressaltar que as luvas não substituem a necessidade de higiene das mãos, que continua sendo uma das medidas mais eficazes na prevenção da transmissão de infecções. As mãos devem ser higienizadas antes de colocar as luvas e imediatamente após a sua remoção.

Além disso, as luvas devem ser descartadas de maneira adequada após o uso para evitar a contaminação cruzada.

Uso de luvas Estéreis

No preparo de medicamentos parenterais, o uso de luvas estéreis é recomendado para manipulações que exijam técnica asséptica, como a preparação de quimioterápicos ou de soluções para nutrição parenteral.

Uso de luvas de procedimento não estéreis

Em procedimentos que não requerem técnica asséptica estrita, como a administração de medicamentos por via intravenosa, podem ser utilizadas luvas não estéreis, desde que sejam seguidas as demais precauções padrão.

A decisão sobre o uso de luvas deve ser baseada na avaliação do risco de exposição a agentes infecciosos e na possibilidade de contaminação dos medicamentos.

Profissionais de saúde devem estar cientes das recomendações locais e das diretrizes estabelecidas por órgãos competentes, como a OMS, para garantir a segurança e a qualidade dos cuidados prestados aos pacientes.

Em resumo, o uso de luvas de procedimento no preparo de medicamentos é uma medida de segurança essencial que protege tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes.

As diretrizes da OMS/SIGN oferecem um conjunto de práticas recomendadas que ajudam a orientar os profissionais na utilização adequada de luvas, contribuindo para a prevenção de infecções e para a promoção de um ambiente de atenção à saúde mais seguro.

Para mais informações detalhadas, é possível consultar o documento completo da OMS/SIGN.

Referência:

  1. OMS/SIGN: Jogo de Ferramentas para Segurança das Injeções e Procedimentos Correlatos

Medicamentos utilizados na Sala de Parto

Para dispensar um atendimento adequado às necessidades da gestante e do bebê é necessário que os profissionais de saúde detenham o conhecimento básico sobre a classificação de risco que determinados medicamentos se enquadram.

Os medicamentos utilizados na sala de parto podem ter diferentes finalidades, como aliviar a dor, acelerar o trabalho de parto, prevenir hemorragias, tratar infecções ou reanimar o recém-nascido.

Fármacos utilizados em Sala de Parto

  • Ocitocina: é um hormônio que estimula as contrações uterinas e ajuda na descida do bebê. Também é usada após o parto para evitar sangramentos excessivos e facilitar a saída da placenta.
  • Analgésicos: são medicamentos que reduzem a sensação de dor, mas não a eliminam completamente. Podem ser administrados por via oral, intravenosa ou intramuscular. Alguns exemplos são dipirona, paracetamol e opioides (como fentanilo ou morfina).
  • Anestésicos: são medicamentos que bloqueiam a transmissão dos impulsos nervosos e causam perda de sensibilidade em uma parte do corpo ou em todo ele. Podem ser aplicados por via inalatória, epidural ou raquidiana. Alguns exemplos são óxido nitroso, lidocaína e bupivacaína.
  • Antibióticos: são medicamentos que combatem as infecções causadas por bactérias. Podem ser necessários em casos de ruptura prematura das membranas, corioamnionite, infecção urinária ou puerperal, entre outras situações. Alguns exemplos são amoxicilina, cefalosporinas, clindamicina e eritromicina.
  • Expansores de volume: são soluções que aumentam o volume sanguíneo e melhoram a circulação. Podem ser usados em casos de hipotensão, hemorragia ou choque. Alguns exemplos são soro fisiológico, ringer lactato e albumina.
  • Adrenalina: é um hormônio que atua sobre o coração e os vasos sanguíneos, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e o fluxo de oxigênio. É usada na reanimação do recém-nascido quando há bradicardia ou asfixia.
  • Sulfato de Magnésio: é um eletrólito usado para prevenir e tratar convulsões em mulheres com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, condições que podem causar pressão alta e problemas nos rins, fígado e cérebro durante a gravidez. Também pode reduzir o risco de danos cerebrais nos bebês prematuros. Pode causar efeitos colaterais como sonolência, fraqueza, náusea, dor de cabeça e rubor. Em casos raros, pode causar problemas respiratórios, cardíacos ou neurológicos graves. Por isso, é importante monitorar a paciente e o bebê durante o uso do sulfato de magnésio na sala de parto.
  • Ergometrina: é um medicamento que atua sobre o útero, causando contrações e diminuindo o sangramento após o parto. No entanto, seu uso rotineiro na sala de parto não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois pode ter efeitos colaterais indesejáveis, como aumento da pressão arterial, náuseas, vômitos e dor de cabeça. Além disso, a ergometrina oral não é eficaz para prevenir ou controlar hemorragias, e a ergometrina parenteral só deve ser usada em casos de alto risco ou emergência. A OMS sugere que a ocitocina seja usada como profilaxia no terceiro estágio do trabalho de parto, pois é mais segura e efetiva do que a ergometrina. Portanto, a ergometrina na sala de parto deve ser evitada, a menos que haja uma indicação clara e específica para seu uso.

Os medicamentos utilizados na sala de parto devem ser prescritos pelo médico responsável e administrados pelo enfermeiro obstetra ou pelo anestesista, conforme o caso.

É importante que a parturiente seja informada sobre os benefícios e os riscos de cada fármaco, bem como sobre as possíveis alternativas não farmacológicas para o alívio da dor e o manejo do trabalho de parto.

Referências:

  1. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-02102009-131223/publico/Mestrado.pdf
  2. Recomendações da OMS na Assistência ao Parto Normal – Bahia
  3. Boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento
  4. CLASSIFICAÇÃO DE PRÁTICAS NO PARTO NORMAL – Moodle USP: e-Disciplinas
  5. https://www.unasus.gov.br/noticia/voce-conhece-recomendacoes-da-oms-para-o-parto-normal