
Vá direto ao ponto!
O trabalho do maqueiro começa antes de empurrar uma maca pelo corredor. Escolher o meio de transporte adequado, conferir as condições do equipamento e conduzir o paciente com segurança fazem parte de uma rotina que interfere diretamente no fluxo hospitalar.
O maqueiro hospitalar atua no transporte e na movimentação de pacientes dentro da instituição, levando-os para exames, consultas, centro cirúrgico, unidades de internação, alta e outros setores, conforme a organização do serviço. A ocupação consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) sob o código 5151-10, com as denominações maqueiro hospitalar e maqueiro de hospital.
O que faz um maqueiro hospitalar
As atividades podem variar conforme o hospital, mas normalmente envolvem:
- conduzir macas e cadeiras de rodas;
- transportar pacientes entre setores;
- auxiliar na movimentação e transferência do paciente, quando solicitado e dentro de sua função;
- posicionar e acomodar o paciente no meio de transporte;
- acompanhar o deslocamento até o setor de destino;
- verificar condições básicas da maca ou cadeira e comunicar problemas;
- colaborar com a equipe assistencial durante a movimentação;
- seguir normas de segurança, higiene, ergonomia e biossegurança.
A rotina institucional pode incluir também apoio em admissões, altas, transferências e transporte para procedimentos externos. Em hospitais públicos, documentos de descrição de cargo mostram que essas atribuições são organizadas de acordo com os protocolos e fluxos de cada instituição.
Maqueiro não substitui a enfermagem
Essa diferença é importante. O maqueiro realiza o transporte e apoio à movimentação, enquanto a assistência de enfermagem durante o deslocamento é definida conforme a condição clínica e a complexidade do paciente.
A Resolução Cofen nº 588/2018 estabelece normas para o transporte interno e determina que a assistência necessária durante o transporte seja realizada pela equipe de enfermagem conforme o grau de complexidade. O Cofen também diferencia a assistência ao paciente da condução do meio de transporte.
Por exemplo, um paciente estável que precisa ir da enfermaria para uma radiografia pode ser transportado em cadeira de rodas, conforme o protocolo do hospital. Já um paciente dependente de monitorização, oxigênio, infusões ou com risco de instabilidade necessita de equipe assistencial compatível com sua condição, e o maqueiro não deve assumir funções clínicas que não lhe competem.
Segurança começa antes do deslocamento
Antes de sair, é necessário conferir se a maca ou cadeira é adequada ao paciente, se possui condições de uso e se o caminho está livre. Freios, grades, rodas e acessórios devem estar em condições seguras, conforme o equipamento e o protocolo institucional.
A Anvisa destaca diferentes tipos de macas hospitalares e seus dispositivos de segurança, incluindo freios, grades laterais, sistemas de ajuste e suportes específicos.
Imagine um paciente que precisa ser levado para a tomografia e está conectado a um acesso venoso. Antes de movimentá-lo, a equipe precisa verificar como os dispositivos serão transportados e quem ficará responsável pela assistência. O maqueiro conduz o equipamento, enquanto a equipe assistencial mantém o controle dos cuidados clínicos necessários.
O transporte também exige comunicação
Um dos erros mais fáceis de evitar é sair com o paciente sem confirmar o destino, o setor receptor ou as condições necessárias para recebê-lo.
Em protocolos hospitalares atuais, o maqueiro pode ter entre suas atribuições comunicar sua chegada, conduzir maca ou cadeira após liberação da equipe assistencial, auxiliar na movimentação e comunicar problemas de manutenção. A definição exata das tarefas deve seguir o protocolo institucional.
Na prática, uma transferência pode envolver mais de uma etapa: retirar o paciente do leito, posicioná-lo na maca, deslocá-lo pelo elevador, entregar no setor de destino e depois retornar o equipamento. Se houver queda, instabilidade, dificuldade de movimentação ou qualquer intercorrência, o profissional deve interromper o processo quando necessário e acionar a equipe responsável.
Humanização também faz parte do trabalho
O paciente pode estar com dor, medo, confuso ou simplesmente desconfortável por depender de outra pessoa para se locomover. Por isso, comunicação respeitosa, privacidade e explicação simples do que será feito não são detalhes.
O Cofen orienta que o maqueiro transporte os pacientes de maneira adequada, respeitando cada situação, princípios de humanização, biossegurança e relação respeitosa com pacientes e familiares.
Cuidados de enfermagem no transporte
A enfermagem deve avaliar a necessidade de assistência durante o transporte e definir os profissionais envolvidos conforme a complexidade do paciente. Durante o deslocamento, devem ser observados os dispositivos, o estado clínico e eventuais intercorrências, com comunicação e registro quando indicado.
Para o maqueiro, os principais cuidados relacionados à segurança incluem conhecer o protocolo institucional, utilizar corretamente maca ou cadeira, evitar movimentações desnecessárias, respeitar os limites de carga do equipamento, manter atenção aos acessos e dispositivos do paciente e comunicar imediatamente qualquer condição insegura.
Uma função que mantém o hospital em movimento
Exames, cirurgias, altas e transferências dependem de um transporte organizado. Quando o paciente chega ao destino correto, no equipamento adequado e com a assistência necessária, o trabalho do maqueiro contribui para que toda a cadeia do cuidado funcione melhor.
Por isso, maqueiro hospitalar não é apenas quem empurra a maca. É um profissional de apoio essencial para o fluxo institucional, com responsabilidade sobre a condução segura do paciente dentro dos limites de sua função e dos protocolos do hospital.
Maqueiro Hospitalar Saiba o Que Faz
- Transporta pacientes com segurança
- Conduz macas e cadeiras de rodas
- Auxilia na movimentação conforme protocolo
- Atua em conjunto com a equipe assistencial
Referências:
- BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações – CBO 2002. Brasília, DF: Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: CBO – Ministério do Trabalho e Emprego.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 588/2018. Atualiza e normatiza a atuação da equipe de Enfermagem no processo de transporte de pacientes em ambiente interno aos serviços de saúde. Brasília, DF: Cofen, 2018. Disponível em: Resolução Cofen nº 588/2018.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 05/2019/CTLN/COFEN. Brasília, DF: Cofen, 2019. Disponível em: Parecer Cofen nº 05/2019.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 0034/2022 – DGEP/COFEN. Brasília, DF: Cofen, 2022. Disponível em: Parecer Cofen nº 0034/2022.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Cartilha de Segurança e Desempenho – Maca hospitalar. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Disponível em: Cartilha de Segurança e Desempenho – Maca Hospitalar.
- EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Transporte seguro no Hospital Universitário Walter Cantídio. Fortaleza: Ebserh, 2024. Disponível em: Protocolo de Transporte Seguro.








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