Vamos relembrar? Tipos de banho na prática de enfermagem

O banho é um cuidado essencial que vai muito além da higiene corporal. Ele está relacionado ao conforto, à prevenção de infecções, à melhora da circulação sanguínea e até mesmo ao bem-estar psicológico do paciente. No ambiente hospitalar e domiciliar, o profissional de enfermagem deve dominar os diferentes tipos de banho e suas indicações, garantindo que o procedimento seja realizado de forma segura e humanizada.

Vamos relembrar juntos os principais tipos de banho: aspersão, imersão, ablução e banho no leito.

O Banho de Aspersão: O Mais Comum e Revigorante

O banho de aspersão, popularmente conhecido como banho de chuveiro, é a forma mais comum de banho para pacientes que têm autonomia e mobilidade suficientes para se locomover.

  • Indicação: Pacientes que podem se sentar ou ficar em pé no chuveiro e que não apresentam risco de queda ou instabilidade.
  • Vantagens: Proporciona maior autonomia e privacidade ao paciente, além de ser revigorante e ajudar na circulação.
  • Cuidados de Enfermagem: A nossa atuação é de total importância para a segurança.
    • Avaliação Inicial: Avaliar a força muscular e o equilíbrio do paciente.
    • Preparação: Deixar todos os materiais (toalha, sabonete, shampoo) ao alcance da mão.
    • Supervisão: Permanecer por perto, supervisionando o paciente, sem invadir sua privacidade, mas pronto para intervir em caso de tontura ou fraqueza.

O Banho de Imersão: Um Cuidado Mais Terapêutico

O banho de imersão é o banho de banheira. Ele é menos comum em hospitais hoje em dia, mas ainda é uma opção para cuidados específicos.

  • Indicação: Pacientes que necessitam de uma imersão completa para fins terapêuticos, como alívio da dor, relaxamento muscular ou para limpeza de grandes áreas do corpo.
  • Vantagens: Proporciona um grande alívio e relaxamento, sendo eficaz para alguns tipos de lesões de pele.
  • Cuidados de Enfermagem: O risco de queda e de hipotermia é maior.
    • Preparação: Testar a temperatura da água e ajudar o paciente a entrar e sair da banheira com segurança.
    • Monitoramento: Permanecer ao lado do paciente durante todo o processo.
    • Atenção: Verificar se o paciente não tem contraindicações para o banho de imersão (como febre alta ou feridas abertas).

O Banho de Ablução: Para os Mais Dependentes

O banho de ablução é realizado com a ajuda de uma bacia ou de uma jarra com água, com o paciente sentado ou em pé.

  • Indicação: Pacientes que não podem ir para o chuveiro, mas que têm alguma capacidade de ficar sentados. É comum em pacientes em cadeiras de rodas ou em idosos mais fragilizados.
  • Vantagens: Permite uma limpeza completa do corpo sem a necessidade de uma banheira ou de um chuveiro, sendo mais seguro do que um banho de imersão.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Preparação: O material (bacia, água, toalhas, sabão) deve estar organizado.
    • Assistência: Auxiliar o paciente a se lavar, sempre respeitando a sua autonomia e privacidade.
    • Segurança: Evitar molhar o chão para não causar acidentes.

O Banho no Leito: O Mais Desafiador e Essencial

O banho no leito é a forma de banho mais realizada na enfermagem hospitalar. Ele é destinado a pacientes que estão totalmente dependentes e não podem se mover, como pacientes em coma, acamados, em pós-operatório imediato ou em quadros clínicos graves.

  • Indicação: Pacientes com mobilidade restrita ou ausente.
  • Vantagens: Proporciona higiene, conforto, estimulação da circulação e nos dá a oportunidade de realizar uma avaliação completa do paciente.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Planejamento: Explicar o procedimento ao paciente (mesmo que ele esteja inconsciente). Reunir todo o material antes de começar.
    • Privacidade: Expor apenas a parte do corpo que está sendo lavada, mantendo o restante coberto.
    • Segurança e Conforto: A água deve estar em uma temperatura agradável. A lavagem deve ser realizada de forma rápida para evitar o resfriamento do paciente. Ao lavar o corpo, fazer movimentos de longa duração, de cima para baixo, ativando a circulação.
    • Avaliação: Durante o banho, avaliar a pele do paciente em busca de lesões, como úlceras por pressão, feridas ou áreas de vermelhidão.
    • Finalização: Deixar o paciente seco, com a cama arrumada e em uma posição confortável, garantindo sua segurança.

Relembrar os diferentes tipos de banho é fundamental para a prática de enfermagem, já que cada modalidade possui indicações específicas e exige cuidados direcionados. Mais do que promover a higiene, o banho é um momento de atenção, carinho e avaliação clínica, onde o profissional observa alterações na pele, no estado geral e no bem-estar do paciente.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre higiene e conforto do paciente).
  2. TIMBY, B. K.; SMITH, N. E. Habilidades e Procedimentos de Enfermagem. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Consultar os capítulos sobre higiene e cuidados com a pele).
  3. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  4. MACHADO, Flávio S. Semiologia e Propedêutica da Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança do paciente: higiene das mãos em serviços de saúde. Brasília: MS, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_higiene_maos.pdf.

Retirada de Pontos pela Enfermagem

A retirada de pontos, também chamada de remoção de sutura, é um procedimento simples, mas que requer técnica, atenção e responsabilidade por parte da equipe de enfermagem. Após a realização de uma sutura, seja por procedimento cirúrgico ou por fechamento de feridas traumáticas, chega o momento de avaliar a cicatrização e decidir pelo momento ideal de retirada desses fios.

Nesta publicação, vamos explicar de forma clara como esse procedimento é realizado, quando ele deve ser feito, os principais cuidados de enfermagem e as orientações ao paciente.

Por que os pontos são usados?

A sutura é uma técnica que visa unir bordas de uma ferida ou incisão cirúrgica, facilitando a cicatrização por aproximação dos tecidos. O uso de fios de sutura (não absorvíveis) ou grampos permite estabilizar a pele e estruturas mais profundas durante o processo inflamatório e regenerativo.

Quando a ferida já passou pelas fases iniciais da cicatrização e a epiderme está reconstituída, os pontos se tornam desnecessários e sua permanência pode aumentar o risco de infecção ou provocar marcas mais evidentes na pele.

Quando os pontos devem ser retirados?

A decisão de quando remover os pontos não é arbitrária. Depende de vários fatores:

  • Local da Ferida: Áreas com mais movimento (como joelhos e cotovelos) ou mais tensão (como as costas) geralmente precisam de mais tempo para cicatrização e, consequentemente, os pontos ficam por mais tempo.
  • Tipo de Ferida: Incisões cirúrgicas limpas cicatrizam mais rápido do que feridas com bordas irregulares ou mais profundas.
  • Idade e Saúde do Paciente: Pessoas mais jovens e saudáveis tendem a cicatrizar mais rapidamente. Pacientes com diabetes, desnutrição, imunidade baixa ou que usam certos medicamentos (como corticoides) podem ter uma cicatrização mais lenta e os pontos podem precisar ficar por mais tempo.
  • Tensão na Ferida: Se a ferida está sob muita tensão, os pontos podem ficar por mais tempo para evitar que ela se abra.
  • Material do Ponto: Alguns pontos são absorvíveis (caem sozinhos ou são absorvidos pelo corpo), outros são não absorvíveis (precisam ser retirados). Estamos falando aqui dos pontos não absorvíveis.

Em geral, os pontos podem ser retirados entre 7 a 15 dias após a sua colocação. Feridas no rosto, por exemplo, podem ter os pontos retirados em 5 a 7 dias para evitar cicatrizes. Já em áreas de maior movimento, como o joelho, pode-se esperar 14 dias ou mais. A equipe médica sempre deixará uma prescrição ou orientação sobre o tempo ideal.

Quem pode retirar os pontos?

De acordo com a legislação brasileira, o enfermeiro pode realizar a remoção de pontos desde que seja respaldado por prescrição médica ou protocolo institucional, além de possuir conhecimento técnico sobre o procedimento.

Técnicos e auxiliares de enfermagem também podem ser responsáveis pela execução do procedimento, sob supervisão do enfermeiro, desde que o protocolo da instituição permita e a conduta esteja prescrita.

Etapas do procedimento: como retirar os pontos corretamente

A retirada de pontos deve ser feita com técnica asséptica, material esterilizado e muita atenção para evitar complicações, como abertura da ferida ou dor ao paciente.

Passo a passo geral:

  1. Higienização das mãos e paramentação com luvas de procedimento.
  2. Avaliação da ferida: verificar se há sinais de infecção, deiscência (abertura da sutura), vermelhidão ou dor.
  3. Reunião do material necessário, como:
    • Pinça anatômica estéril
    • Tesoura de ponta curva ou removedor de sutura
    • Gaze estéril
    • Antisséptico (geralmente clorexidina aquosa ou PVPI)
  4. Antissepsia do local da ferida com gaze embebida em antisséptico.
  5. Retirada do ponto, cortando o fio próximo à pele e puxando cuidadosamente a outra extremidade com a pinça. Isso evita arrastar a parte externa do fio por dentro da ferida.
  6. Contagem e registro do número de pontos removidos.
  7. Curativo, se necessário, com gaze estéril e micropore.
  8. Orientações ao paciente sobre sinais de alerta e cuidados domiciliares.

Cuidados de enfermagem antes, durante e após a retirada dos pontos

O procedimento em si é rápido, mas o cuidado da enfermagem vai muito além da técnica. É preciso uma avaliação contínua do processo de cicatrização e orientação ao paciente.

Antes da remoção:

  • Verificar a prescrição médica e o prazo adequado
  • Explicar o procedimento ao paciente, promovendo segurança
  • Avaliar se o local apresenta sinais de infecção (pus, dor, rubor, calor)

Durante a remoção:

  • Utilizar técnica asséptica rigorosa
  • Manter o conforto do paciente durante o procedimento
  • Ter atenção para não causar trauma à pele ou sangramentos

Após a remoção:

  • Observar se os bordos permanecem unidos
  • Registrar o procedimento no prontuário
  • Orientar o paciente sobre cuidados com o local da sutura, como:
    • Evitar exposição ao sol por algumas semanas
    • Manter a região limpa e seca
    • Observar sinais de abertura da ferida ou infecção

Quando não remover os pontos?

Existem situações em que a retirada dos pontos deve ser adiada, como:

  • Presença de infecção local
  • Bordos da ferida não aproximados
  • Secreção purulenta ou sangramento persistente
  • Dor intensa à palpação
  • Febre sem causa aparente

Nesses casos, a equipe deve reavaliar com o médico e registrar no prontuário os motivos da não realização do procedimento.

A remoção de pontos, apesar de ser considerada um procedimento simples, envolve responsabilidade, conhecimento técnico e atenção aos detalhes. O profissional de enfermagem tem um papel essencial, tanto na avaliação da ferida quanto no cuidado com o paciente antes, durante e após o procedimento.

Para o estudante de enfermagem, aprender a realizar esse procedimento com segurança é mais do que dominar uma técnica — é compreender o processo de cicatrização, respeitar o tempo do corpo e garantir um cuidado humanizado.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_curativos_normas_tecnicas.pdf. Acesso em: 17 jun. 2025.
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre cuidado com feridas e suturas).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre cuidado de feridas e pele).
  4. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução nº 564/2017. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em:
    https://www.portalcofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html
  5. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

Notícias da Enfermagem

8 de Maio: Feliz dias das Mães, da Enfermagem!

Neste dia 08 de maio, destacamos a dedicação das mães que são profissionais de Enfermagem. A capacidade de cuidar é o diferencial de quem opta pela maternidade e pela profissão, seja como enfermeira, técnica ou auxiliar de enfermagem. A homenagem e o reconhecimento da Enfermagem Ilustrada a todas as mães biológicas e mães de coração. […]

Bisel da Agulha e a Posição Correta

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 14/09/2026.

Um detalhe pequeno na ponta da agulha pode gerar muita confusão na prática: afinal, o bisel fica para cima, para baixo ou de lado? A resposta depende do procedimento, mas algumas regras antigas precisam ser deixadas de lado para não transformar uma orientação didática em uma regra universal.

O que é o bisel?

O bisel é a extremidade inclinada da agulha que forma a ponta utilizada para penetrar o tecido. O desenho dessa ponta influencia a forma como a agulha atravessa a pele e os tecidos, mas sua posição não deve ser analisada isoladamente: via de administração, ângulo, calibre, comprimento da agulha, local anatômico e características do paciente também interferem na técnica.

Agulhas podem apresentar diferentes desenhos de bisel, e a descrição do produto deve seguir as especificações do fabricante.

Quando o bisel fica para cima?

Na via intradérmica, a orientação do bisel para cima é clássica e faz parte da técnica. A agulha é introduzida superficialmente, aproximadamente paralela à pele, até que o bisel desapareça, buscando a formação da pequena pápula característica da aplicação intradérmica.

Esse é aquele detalhe que costuma aparecer nas aulas práticas: ao introduzir uma agulha para aplicação intradérmica, o bisel precisa estar visível na posição correta antes da punção. Se a pápula não se forma ou a agulha penetra profundamente, vale interromper e revisar a técnica, porque o medicamento pode não ter sido depositado na camada pretendida.

Na via intravenosa periférica, a introdução da agulha também é habitualmente realizada com o bisel voltado para cima, respeitando a técnica específica do dispositivo e do acesso venoso. O objetivo principal, porém, é alcançar corretamente o vaso e não “seguir o fluxo sanguíneo” como uma regra anatômica simplificada.

E na aplicação intramuscular?

Aqui está uma das principais correções desta página: não existe uma regra geral de manter o bisel lateralizado no sentido das fibras musculares.

Na aplicação intramuscular, a agulha é normalmente inserida em 90° em relação à pele, com escolha do local, calibre e comprimento adequados para que a medicação alcance o músculo. A seleção da agulha deve considerar idade, peso, composição corporal, local escolhido e características do medicamento ou imunobiológico.

Portanto, mais importante do que decorar “bisel de lado” é garantir que a agulha chegue ao tecido correto. Uma agulha inadequada para a espessura do tecido subcutâneo pode fazer uma aplicação planejada como intramuscular terminar no tecido subcutâneo, comprometendo a técnica.

E na via subcutânea?

A posição do bisel não deve ser utilizada como justificativa para afirmar que a medicação será “mais bem absorvida”. Na aplicação subcutânea, o que determina a correta deposição é a combinação entre local, comprimento da agulha, ângulo e técnica adequada à quantidade de tecido subcutâneo.

O ângulo pode variar conforme o tipo e comprimento da agulha, o tecido disponível e o protocolo utilizado. Em materiais de vacinação, por exemplo, a via subcutânea pode ser realizada a 45°, enquanto outras técnicas e dispositivos podem utilizar 60° ou 90°.

Em uma aplicação subcutânea de insulina, por exemplo, não faz sentido escolher o ângulo apenas pela posição do bisel. A espessura do tecido subcutâneo e o comprimento da agulha são determinantes para evitar que a aplicação atinja o músculo.

Para aspirar medicamentos, há uma regra?

Durante a aspiração de medicamentos de frascos ou ampolas, alguns materiais didáticos orientam posicionar o bisel de determinada maneira para facilitar a retirada da solução, especialmente quando se procura aspirar o conteúdo próximo ao fundo do recipiente. Entretanto, isso não deve ser transformado em uma regra universal de “bisel para baixo” para toda aspiração.

A prioridade é utilizar técnica asséptica, manter a agulha adequada ao procedimento, evitar contato contaminante e seguir as características do dispositivo e do medicamento. O posicionamento da agulha dentro do recipiente deve permitir aspirar o conteúdo sem introduzir desnecessariamente ar ou tocar áreas que comprometam a segurança da preparação.

O que realmente vale memorizar

Para estudantes, uma forma mais segura de organizar o conteúdo é lembrar que o bisel para cima é uma referência clássica e importante na aplicação intradérmica. Nas demais vias, não se deve decorar uma posição do bisel como se ela fosse mais importante que o ângulo, o tecido-alvo e a seleção correta da agulha.

Na prática, durante uma aplicação intramuscular, é muito mais relevante conferir o local anatômico, a profundidade necessária e o comprimento da agulha do que tentar “girar” a agulha para reproduzir uma orientação de bisel ensinada como obrigatória. A técnica precisa levar o medicamento ao tecido prescrito com segurança.

Cuidados de enfermagem

Antes da administração, confira paciente, medicamento, dose, via, local, validade e características da solução. Selecione calibre e comprimento da agulha de acordo com a via e as características individuais do paciente.

Durante a punção, mantenha a técnica asséptica, respeite o ângulo indicado para a via e descarte imediatamente o perfurocortante no coletor apropriado, sem reencapar a agulha. Após a administração, observe o local e registre a aplicação conforme a rotina institucional.

A regra mais importante é simples: não escolha a posição do bisel isoladamente. Primeiro defina o tecido que precisa ser alcançado; depois utilize a agulha, o ângulo e a técnica adequados para chegar até ele com segurança.

Resumo para salvar

Bisel da Agulha: Saiba a Posição Correta

  • Bisel para cima é referência na via intradérmica
  • Não existe regra universal de bisel lateral na via intramuscular
  • Ângulo e profundidade definem o tecido alcançado
  • Escolha a agulha conforme paciente e via

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de normas e procedimentos para vacinação. 2. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Vaccine administration. Atlanta: CDC, 2026. Disponível em: CDC — Vaccine Administration.
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Chapter 6: Vaccine Administration. Pink Book. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: CDC — Chapter 6: Vaccine Administration.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO guideline on the use of safety-engineered syringes for intramuscular, intradermal and subcutaneous injections in health care settings. Geneva: WHO, 2016. Disponível em: WHO — Safety-engineered Syringes Guideline. 

Os Sinais Flogísticos ou Cardinais

A inflamação é um mecanismo de defesa local, exclusivo de tecidos mesenquimais lesados (tecido conjuntivo, o tecido ósseo e cartilaginoso, os vasos sanguíneos e linfáticos e o tecido muscular).

É a resposta local do tecido vascularizado agredido, caracterizada por alterações do sistema vascular, dos componentes líquidos e celulares, também por adaptações do tecido conjuntivo vizinho.

Existem alguns fenômenos básicos comuns a qualquer tipo de inflamação e não importando qual seja o agente inflamatório.

Apesar desses fenômenos estarem divididos em cinco fases todos eles acontecem como um processo único e conjunto, o que faz da inflamação um processo dinâmico.

Confira quais são essas fases e o que acontece de mais importante em cada uma delas:

  • Fase irritativa: ocorrem modificações morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem a liberação de mediadores químicos, que irão desencadear as outras fases inflamatórias.
  • Fase vascular: alterações hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade vascular no local da agressão.
  • Fase exsudativa: essa fase é característica do processo inflamatório, e é formada pelos exsudato celular e plasmático (migração de líquidos e células para o foco inflamatório) oriundos do aumento da permeabilidade vascular.
  • Fase degenerativa-necrótica: composta por células com alterações degenerativas reversíveis ou não (neste caso, originando um material necrótico), derivadas da ação direta do agente agressor ou das modificações funcionais e anatômicas consequentes das três fases anteriores.
  • Fase produtiva-reparativa: aumento na quantidade dos elementos teciduais — principalmente células, resultado das fases anteriores. D objetivo é destruir o agente agressor e reparar o tecido agredido.

Manifestações Clínicas

Existem também cinco sinais clássicos do processo inflamatório, chamados de Sinais Flogísticos ou Cardinais.

São eles: edema, calor, rubor, dor e perda da função.

edema é causado principalmente pela fase exsudativa e produtiva-reparativa, por causa do aumento de líquido e de células.

calor vem da fase vascular, onde há hiperemia arterial (que é o aumento do volume sanguíneo no local) e, consequentemente, aumento da temperatura local.

rubor é a vermelhidão, que também decorre da hiperemia.

A dor é originada por mecanismos mais complexos que incluem compressão das fibras nervosas locais devido ao edema, agressão direta às fibras nervosas e ação farmacológica sobre as terminações nervosas. Envolve no mínimo três fases da inflamação (irritativa, vascular e exsudativa).

Finalmente, a perda de função é decorrente do edema (principalmente em articulações, impedindo a movimentação) e da dor, que dificultam as atividades locais.

Cuidados de Enfermagem com a presença de Sinais Flogísticos

Infecções relacionadas à assistência à saúde são consideradas preveníveis por medidas simples, sendo a lavagem correta das mãos (considerada a medida mais eficiente de prevenção) antes e após todos os procedimentos.

São as mãos que transportam o maior número de microrganismos aos pacientes, por meio do contato direto, de procedimentos ou do manuseio dos objetos. Treinamento de colaboradores pode melhorar o conhecimento de técnicas, aumentar a qualidade da assistência prestada ao paciente e diminuir o índice de infecções relacionadas a cateter periférico ou central.

Cateter pode ser colonizado, por micro-organismos, sobre sua superfície externa, pelo túnel subcutâneo da pele circunvizinha ou da própria microbiota, das mãos dos profissionais e dos antissépticos contaminados, pois quanto maior o número de bactérias, maior a probabilidade de infecção.

Existem importantes fatores de risco que são associados ao uso de cateter intravascular, os quais podem estar relacionados ao hospedeiro como: o diagnóstico primário (doença de base), comorbidades, antibioticoterapia (dose e duração), uso de imunossupressores e tempo de internação. E relacionado ao cateter: o tipo de cateter implantado, técnica de inserção do cateter, tempo de permanência, local de inserção e cuidados com o cateter (com o curativo).

Diante de uma suspeita de infecção relacionada a cateter periférico ou central, deve-se remover a ponta do cateter, sob a solicitação de prescrição médica (quando de poliuretano, teflon ou silicone, que são mais recomendados por se tratarem de materiais trombogênicos) e solicitar pedido para exame de culturas de ponta de cateter e encaminhar ao laboratório.

Pode-se fazer através do exsudato com coloração pelo método do Gram e submetido à cultura, isso se existir sinais flogísticos na inserção do cateter.

Realizando um curativo com técnica asséptica no local retirado o cateter, a fim de evitar a proliferação da infecção bacteriana em outros locais.

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