
Vá direto ao ponto!
Um acidente com agulha pode acontecer em segundos, mas a conduta adotada logo depois faz diferença na prevenção de infecções. Mesmo quando o ferimento é pequeno e não há sangramento evidente, a exposição precisa ser avaliada, pois pode envolver risco de transmissão de HIV, hepatite B e hepatite C.
Primeiros cuidados após o acidente
Se houver perfuração ou corte, lave imediatamente o local com água e sabão. Em caso de exposição de olhos ou outras mucosas, irrigue abundantemente com água ou solução fisiológica. Não esprema a ferida, não faça cortes e não aplique produtos irritantes, como hipoclorito ou substâncias cáusticas. Em seguida, procure atendimento de saúde imediatamente para avaliação do risco e definição das medidas preventivas. Essas orientações são recomendadas pelo Ministério da Saúde para exposições ocupacionais a material biológico.
Imagine que, após coletar sangue, um profissional sofra uma perfuração ao tentar reencapar a agulha. Mesmo que o paciente-fonte seja conhecido e pareça saudável, o profissional deve lavar o local, comunicar o acidente e procurar avaliação sem demora. A aparência ou a ausência de sintomas no paciente-fonte não exclui a possibilidade de infecção.
Notificação e avaliação não podem esperar
O acidente deve ser comunicado conforme o protocolo institucional e registrado nos sistemas aplicáveis, incluindo a notificação de acidente de trabalho quando indicada. A avaliação clínica considera o tipo de exposição, o material envolvido, a situação vacinal contra hepatite B e, quando pertinente, a investigação do paciente-fonte, respeitando os procedimentos de consentimento e confidencialidade.
Se houver indicação de profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP), ela deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. Não espere resultados de exames para procurar atendimento. A necessidade de vacinação ou imunoglobulina contra hepatite B também deve ser avaliada; para hepatite C, não há profilaxia medicamentosa comprovada, por isso o acompanhamento laboratorial é importante.
Cuidados de enfermagem
A NR-32 veda o reencape e a desconexão manual de agulhas. Descarte os perfurocortantes imediatamente, no local onde foram gerados, em recipiente rígido e apropriado, sem ultrapassar o limite de preenchimento indicado e conforme a RDC nº 222/2018. Após um acidente, priorize a higiene local, a comunicação e a avaliação imediata, seguindo o protocolo de saúde ocupacional da instituição.
Segundo parecer da Câmara Técnica do Cofen, os materiais perfurocortantes com dispositivo de segurança reduzem os acidentes percutâneos em comparação aos convencionais.
Perfurocortante: O Que Fazer?
- Lavar o local com água e sabão
- Não espremer a ferida nem usar produtos irritantes
- Procurar atendimento imediatamente para avaliar a exposição
- Comunicar o acidente e seguir o protocolo institucional
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP) à Infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pcdt_pep_hiv_ist_hepatites.pdf.
- BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Disponível em: gov.br: NR-32.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 222, de 28 de março de 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 61, 29 mar. 2018. Disponível em: Imprensa Nacional: RDC nº 222/2018.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 014/2020/CTAS/COFEN: segurança oferecida pelas seringas autorretráteis, com demonstrativo da efetividade ou não, na redução de acidentes de trabalho com esse tipo de material. Brasília, DF: Cofen, 2020. Disponível em: Cofen: Parecer nº 014/2020.
A Norma Regulamentadora 32 (NR 32)
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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