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Conteúdo Atualizado!
Revisado e atualizado em 18/09/2026.
Na UTI, um dos erros mais fáceis de cometer é tratar a saturação como um número que precisa ficar sempre o mais alto possível. O objetivo da oxigenoterapia é corrigir a hipoxemia usando a menor oferta necessária para atingir a meta definida para aquele paciente. Oxigênio é uma terapia e pode causar danos quando administrado de forma excessiva ou sem monitorização adequada.
O que é oxigenoterapia
Oxigenoterapia é a administração suplementar de oxigênio para corrigir ou prevenir hipoxemia. Pode ser feita por dispositivos de baixo ou alto fluxo e também integrar estratégias de suporte respiratório, como cânula nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva e ventilação mecânica.
A indicação não deve depender apenas de um valor isolado de SpO₂. É preciso observar o padrão respiratório, esforço ventilatório, nível de consciência, perfusão, doença de base, gasometria quando indicada e resposta após a intervenção.
Para a maioria dos adultos agudamente enfermos, uma faixa de SpO₂ de 94–98% é uma referência utilizada em diretrizes. Em pacientes com DPOC ou outros fatores de risco para insuficiência respiratória hipercápnica, 88–92% é frequentemente utilizada enquanto se aguarda ou interpreta a gasometria. Em pacientes que necessitam de FiO₂ muito elevada, algumas recomendações admitem uma faixa mais baixa para reduzir exposição prolongada a altas concentrações de oxigênio.
Por isso, encontrar um paciente com SpO₂ de 100% não significa automaticamente que a oxigenoterapia está perfeita. Se ele está recebendo uma FiO₂ elevada para manter essa saturação, a equipe precisa avaliar se a oferta pode ser reduzida com segurança.
Dispositivos mais utilizados
A escolha depende da gravidade da hipoxemia, necessidade de FiO₂, padrão respiratório e resposta clínica. Entre os dispositivos estão:
A cânula nasal de alto fluxo merece atenção porque fornece gás aquecido e umidificado em alto fluxo, com possibilidade de ofertar concentrações elevadas de oxigênio. Em adultos com insuficiência respiratória aguda hipoxêmica, a ERS sugere seu uso em determinadas situações em comparação ao oxigênio convencional. Porém, a persistência de esforço respiratório ou deterioração clínica exige reavaliação rápida para evitar atraso na escalada do suporte.
Na prática, uma situação comum é o paciente chegar à UTI usando máscara com reservatório, com taquipneia e musculatura acessória evidente. A primeira preocupação não deve ser apenas trocar o dispositivo: é conferir a saturação, avaliar o esforço respiratório, observar a resposta ao oxigênio e comunicar rapidamente qualquer sinal de falha do suporte.
Oxigenoterapia não é ventilação mecânica
Esse é um ponto que costuma confundir quem está começando na UTI.
A oxigenoterapia convencional aumenta a oferta de O₂. Já a ventilação mecânica pode assumir ou auxiliar o trabalho ventilatório e controlar variáveis como volume, pressão, frequência e FiO₂.
Na ventilação mecânica invasiva, parâmetros como volume corrente e PEEP são definidos conforme a condição clínica e a estratégia ventilatória. Em pacientes com SDRA, por exemplo, recomenda-se estratégia protetora com volume corrente de aproximadamente 4–8 mL/kg de peso predito, geralmente iniciando em 6 mL/kg, e limitação da pressão de platô a menos de 30 cmH₂O. Portanto, o antigo valor fixo de 7–10 mL/kg apresentado na página não deve mais ser utilizado como regra geral.
Quando a aspiração realmente entra em cena
Outro ponto que precisa ser separado da oxigenoterapia é a aspiração de vias aéreas.
Em pacientes intubados ou traqueostomizados, a aspiração deve ser realizada conforme indicação clínica, e não simplesmente em horários fixos. Secreção visível, alterações na ausculta, aumento da resistência das vias aéreas ou padrão serrilhado na curva do ventilador podem indicar necessidade de aspiração.
A recomendação atual também orienta pré-oxigenar o paciente antes do procedimento, evitar instilação rotineira de solução fisiológica e limitar cada evento de sucção a até 15 segundos. Sistemas aberto ou fechado podem ser utilizados em adultos, conforme o contexto e o protocolo institucional.
É comum perceber durante a assistência que a saturação começa a cair junto com secreção visível no tubo. Nesse momento, não basta olhar o monitor e aumentar a FiO₂ indefinidamente: é necessário investigar a causa, avaliar a via aérea e realizar a intervenção indicada, acompanhando a resposta do paciente.
Cuidados de enfermagem
A enfermagem deve acompanhar continuamente a resposta do paciente à oxigenoterapia e registrar o dispositivo utilizado, fluxo ou FiO₂ quando aplicável, SpO₂, padrão respiratório e intercorrências.
Também é importante:
- conferir a prescrição e o dispositivo instalado;
- verificar se a conexão está correta e sem dobras ou desconexões;
- observar esforço respiratório, nível de consciência e perfusão;
- acompanhar a SpO₂ e comunicar deterioração clínica;
- avaliar pele e mucosas em áreas de contato dos dispositivos;
- manter o sistema de oxigênio conforme protocolo institucional;
- observar secreções e necessidade de higiene ou aspiração;
- conferir alarmes e parâmetros do ventilador quando o paciente estiver em ventilação mecânica;
- registrar alterações e resposta às intervenções.
Em um paciente ventilado, uma mudança aparentemente simples, como queda progressiva da SpO₂ acompanhada de aumento da pressão de via aérea, merece investigação imediata. Desconexão, secreção, broncoespasmo, deslocamento do tubo e alterações pulmonares são possibilidades diferentes e não devem ser tratadas apenas aumentando o oxigênio.
O que mudou nesta atualização
A página foi revisada para retirar valores rígidos que não devem ser aplicados universalmente, como trocas programadas de determinados materiais, aspiração em horários fixos, volume corrente de 7–10 mL/kg para todos os pacientes e uma única meta de saturação para qualquer situação clínica.
O foco atual é mais seguro: identificar a necessidade, escolher o suporte adequado, definir uma meta de oxigenação e reavaliar continuamente a resposta. As condutas específicas devem seguir prescrição, protocolo institucional e avaliação multiprofissional.
- Oxigênio deve ser titulado conforme a meta de SpO₂
- A meta de saturação varia conforme o paciente e a condição clínica
- Cânula de alto fluxo é uma opção de suporte na insuficiência respiratória hipoxêmica
- Aspiração traqueal deve ocorrer conforme indicação clínica e não por rotina
Referências:
- PIRAINO, Thomas et al. AARC Clinical Practice Guideline: Management of Adult Patients With Oxygen in the Acute Care Setting. Respiratory Care, v. 67, n. 1, p. 115–128, 2022. DOI: 10.4187/respcare.09294.
- OZCOWSKI, Simon et al. ERS clinical practice guidelines: high-flow nasal cannula in acute respiratory failure. European Respiratory Journal, v. 59, n. 4, 2101574, 2022. DOI: 10.1183/13993003.01574-2021.
- O’DRISCOLL, B. R. et al. BTS guideline for oxygen use in adults in healthcare and emergency settings. Thorax, 2017; atualização considerada pela British Thoracic Society em 2019.
- BLAKEMAN, Thomas C. et al. AARC Clinical Practice Guidelines: Artificial Airway Suctioning. Respiratory Care, 2022. DOI: 10.4187/respcare.09548.
- FAN, Eddy et al. An Official American Thoracic Society/European Society of Intensive Care Medicine/Society of Critical Care Medicine Clinical Practice Guideline: Mechanical Ventilation in Adult Patients with Acute Respiratory Distress Syndrome. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 195, n. 9, p. 1253–1263, 2017.
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