Acesso Venoso Central: Locais Preferenciais na Região Cervical

Quando um paciente necessita de uma Canulação Venoso Central, é importante que o médico conheça a anatomia fundamental para o sucesso do procedimento que, por ser invasivo, pode causar muitas complicações para o paciente.

Locais de Preferência

Para realizar o acesso venoso central, é preciso considerar algumas variáveis: o estado clínico do paciente, e sua própria habilidade e experiência em realizar esse procedimento. Os locais de maior preferência para o acesso são:

1º: V. Jugular interna direita

2º: V. Jugular interna esquerda

Nas veias jugulares, há menor risco de complicações por pneumotórax, hidrotórax e hemotórax, já que estão mais distantes da pleura. Entretanto, porque pescoço é um local de maior mobilidade, há maior risco de perda do cateter por tração acidental.

Além disso, caso o paciente esteja hipovolêmico, as jugulares tendem a colabar, dificultando o acesso.

3º: Vv. subclávias direita e esquerda

As veias subclávias não colabam se o paciente estiver hipovolêmico, e a região é um local de menor mobilidade por parte do paciente, tornando mais difícil a perda acidental dos cateteres.

Entretanto, é um local de maior risco de complicações que podem ser muito graves para a vida do paciente, principalmente quando o médico tem pouca experiência com o procedimento. Exemplo disso são os riscos de pneumotórax, hidrotórax e hemotórax.

É preciso dar preferência para a subclávia direita, porque o ducto torácico drena para a subclávia esquerda, e sua punção pode causar quilotórax (derramamento da linfa entre os espaços pleurais).

É importante lembrar que o músculo esternocleidomastóideo recobre as veias jugulares, e ele vai ter uma inserção clavicular, e outra esternal.

Escolha do Sítio de Punção

  • A escolha deve levar em conta a condição clinica do paciente, a experiência do médico e a indicação do acesso;
  • Preferencialmente, utiliza-se o sítio da veia jugular interna (VJI) ou veia subclávia (VSC) por menor chance de contaminação e infecção associada ao cateter quando comparada a veia femoral (VFe); Estudos recentes têm demonstrado que a chance de infecção do cateter está muito mais relacionada aos cuidados diários do que ao sítio propriamente dito; porém, na prática, existe essa preferência que foi descrita;
  • Quando se opta por VJI ou VSC, é preferencial a escolha do lado direito, visto que a cúpula pleural é mais baixa, o que reduz a chance de pneumotórax, e devido ao fato do ducto torácico desembocar na VSC esquerda, com menos risco de quilotórax.

A seguinte ordem de opção na escolha do sítio de punção é sugerida, levando-se em conta a facilidade da técnica e o menor risco de complicações:

  • Veia Jugular Interna (VJI);
  • Veia Subclávia (VSC);
  • Veia Jugular Externa (VJE).

Punção da Veia Jugular Interna

Vantagens

  • Menor risco de complicações;
  • Local mais facilmente compressível e de mais fácil acesso em caso de controle cirúrgico de complicações;
  • Pode-se puncionar em discrasias sanguíneas moderadas;
  • Mais facilmente canulada durante PCR.

Desvantagens

  • Punção difícil em pessoas com pescoço curto e/ou obesos;
  • Anatomia da VJI é variável;
  • Na hipovolemia, a VJI tende a colabar;
  • Local de mobilidade, o que dificulta a manutenção de curativo seco e estéril;
  • Evitar em pacientes traqueostomizados, devido ao maior risco de infecção de cateter.

Contraindicações

  • Discrasias sanguíneas graves;
  • Cirurgia de carótida ipsilateral;
  • Tumores cervicais ou intravasculares com invasão para o átrio direito.

Complicações comuns

  • Punção acidental da carótida (mais comum);
  • Punção acidental da traqueia e lesão do nervo laríngeo recorrente;
  • Embolia aérea, trombose, flebite e pneumotórax;
  • Lesão cardíaca pelo cateter.

Punção da Veia Subclávia

Vantagens

  • Menor risco de complicações;
  • Muitas relações anatômicas e fixas;
  • Menor chance de perda de acesso;
  • Menor risco de infeção do sítio de punção;
  • Não colaba no choque hipovolêmico.

Desvantagens

  • Necessidade de prática para evitar complicações;
  • Difícil compressão, no caso de acidentes arteriais;
  • Alto risco de complicações graves.

Contraindicações

  • Discrasias sanguíneas de qualquer grau;
  • Pacientes com DPOC;
  • Trauma clavicular, cirurgias prévias no local ou deformidades;
  • Durante PCR.

Complicações comuns

  • Punção acidental da artéria subclávia, hematomas e sangramentos;
  • Má posição do cateter, ou introdução excessiva;
  • Embolia aérea, trombose, flebite e pneumotórax;
  • Lesão cardíaca pelo cateter.

Como é localizado?

Para obter acesso nas veias jugulares, é preciso palpar a cabeça esternal, e desenhar uma linha imaginária seguindo o trajeto do músculo.

Depois, é preciso desenhar outra linha imaginária, dessa vez seguindo o trajeto da clavícula.

Em seguida, o desenho de uma bissetriz entre essas duas linhas imaginárias vai ser feita, e o trajeto dessa bissetriz vai indicar o local onde deve ocorrer a punção com a agulha.

Por fim, a realização da punção deve ser feita em um ângulo de 30º graus, com a ponta da agulha apontando para o mamilo ipsilateral.

Referências:

  1. AMATO, A. C. M. Procedimentos médicos: técnica e tática. 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016.
  2. https://www.auladeanatomia.com/sistemas/383/sistema-venoso

Materiais para Banho no Leito

O banho no leito é necessário para a higiene pessoal do paciente acamado, seja em casa, clínica ou hospital, quando ele têm limitações físicas para tomar o banho no chuveiro.

Geralmente, no hospital o banho de leito é realizado pelo profissional de saúde (enfermeiro ou técnico de enfermagem), mas em casa é muito comum que um familiar (ou um cuidador) seja responsável por essa tarefa diária.

Se preparando para o Estágio em Enfermagem?

Preparando o material necessário

Antes que você ponha a mão na massa, é necessário separar o equipamento e o material necessários. Garantindo que não esqueceu nada, você evita ter que se afastar constantemente, poupando tempo e diminuindo riscos. Por isso, antes de prosseguir, tenha os seguintes itens à mão:

  • roupas e lençóis limpos;
  • uma toalha de banho;
  • duas gazes, preferencialmente estéreis;
  • três litros de água morna, em uma bacia;
  • duas esponjas macias;
  • sabonete líquido adequado à pele do paciente.

Como proceder ao banho no leito?

Banho no leito: Por onde começo?

 

Tipos de Banho Hospitalar

Combinando o roteiro com o paciente

Para evitar contratempos durante o banho, é necessário realizar alguns combinados com o paciente. O primeiro deles é o horário: o banho no leito deve ser realizado em um momento confortável tanto para você quanto para ele. Assim, não haverá urgência e o banho será mais adequado.

Outra dica para ficar de olho é em relação às necessidades fisiológicas do paciente. Garanta que ele estará de bexiga vazia e sem vontade de evacuar no momento — isso evitará que ele necessite de outro banho em um curto espaço de tempo. No momento do banho no leito, especificamente, não se esqueça de comunicar ao paciente tudo o que você estiver fazendo.

Manejo de Vias Aéreas: Manobra de Chin Lift e Jaw Thrust

O estabelecimento precoce de uma via aérea patente e segura é um princípio básico e imprescindível no suporte a vida. Para um adequado acesso às vias aéreas é necessário entender às condições do paciente, o cenário clínico no qual ele se encontra e quais as habilidades do profissional que irá atendê-lo.

A obstrução das vias aéreas pode ser apresentada de duas formas, quando compromete às vias aéreas superiores se estendendo nariz ou da boca até a laringe enquanto que a obstrução das vias aéreas inferiores estar relacionada à árvore traqueobrônquica.

Classificação

A obstrução das vias aéreas pode ser classificada como parcial ou completa, dependendo do mecanismo e causa.

Uma obstrução completa causará hipóxia e parada cardíaca rapidamente, enquanto que a obstrução parcial pode ser mais enganosa no início, porém com a ventilação reduzida no paciente pode levar a hipercapnia, acidose respiratória e hipoxemia.

Podemos classificar uma respiração com a presença de ruídos como uma via aérea parcialmente obstruída enquanto que a ausência completa de ruído, indica uma obstrução total.

Manejo de Vias Aéreas

Jaw Thrust

Também conhecida como tração mandibular, essa manobra serve para anteriorizar o osso hioide e a língua para longe da parede faríngea. É utilizada em pacientes inconscientes, pois a hipotonia da língua pode obstruir a hipofaringe.

Para corrigir prontamente essa forma de obstrução, é indicado pelos profissionais de saúde utilizarem as manobras de Jaw Thrust ou Chin Lift.

Inicialmente, em pacientes com suspeita de trauma na cabeça, pescoço ou face, a coluna cervical deve ser mantida em uma posição estável, uma vez que a manobra de tração mandibular permite que o profissional limpe as vias aéreas com pouco ou nenhum movimento da cabeça e da coluna cervical.

Por isso, a técnica consiste em primeiro certificar-se da estabilidade da coluna cervical, em seguida deve-se colocar os polegares em cima do osso zigomático em ambos os lados da face e os dedos indicadores e médio no ângulo da mandíbula, tracionando-a para a frente.

A manobra de Jaw Thrust apresenta desvantagens em pacientes com limitações de abertura bucal uma vez que a realização da tração mandibular será mais difícil.

Chin Lift

Também conhecida como elevação do mento é uma manobra simples para abrir e manter uma via aérea pérvia, sendo indicada em pacientes inconscientes. A técnica consiste em se posicionar de lado do paciente e colocar a palma de uma mão sobre a região frontal, empurrando suavemente para realizar uma hiperextensão da cabeça.

Os dedos da outra mão do socorrista devem ser colocados sob a região de sínfise mandibular da vítima levantando o queixo para frente, pois como a língua tem alguns de seus músculos inseridos na mandíbula, ela é tracionada para anterior e para longe da parede posterior da laringe, estabelecendo assim uma via aérea patente.

Essa manobra é contra indicada em paciente politraumatizado de face com possível lesão cervical, pois esse movimento pode aumentar os riscos de danos às vértebras e a medula espinhal da vítima.

Referências:

  1. American Society of Anesthesiologists (2003). Practice guidelines of management of the difficult airway: anupdated report. Anesthesiology, 118(2), 1269 – 1277.
  2. ATLS -Advanced Trauma Life Support (2018). American College of Surgeons, 10º ed. Bailey, D., Goldenberg, D. (2019). Surgical anatomy of the larynx. Operative techniques inotolaryngology – Head and neck surgery, 30(4), 232 – 236.
  3. Bribriesco, A., Patterson, G. A. (2018). Cricothyroid approach for emergency access to the airway.Thorac surg clin, 28(3), 435 – 440.
  4. Brown III, C. A., Sakles, J. C., & Mick, N. W. (2018). The Walls manual of emergency airwaymanagement. 5. ed. Philadelphia: Wohers Kluwer.
  5. Ebrahimi, M., Mirhaghi, A. (2019). Heimlich Maneuver Complications: A Systematic Review. Eurasian J Emerg Med., 18(3), 157- 165.
  6. Frennessy, P. et al. (2019). Emergency cricothyroidotomy: an observational study to estimate optimal incision position and length. British Journal of anaesthesia, 122(2), 263 – 268.
  7. Furlow, P. W., Mathisen, D. J. (2018). Surgical anatomy of the trachea. Ann cardiothorac Surg, 7(2), 255 – 260.
  8. Gray, H., Goss, C. M. (1988).Anatomia. Guanabara Koogan, 29ed.
  9. Heimlich, H. (1975). A life – saving maneuver to prevent food – choking. JAMA, 234(4), 398 –401.
  10. Herman, A. et al. (2018). Heimlich maneuver – induced diaphragmatic rupture and hiatal hernia. The american journal of the medical sciences, 355(4), 13.
  11. Heymans, F. et al. (2016). Emergency cricothyrotomy performed by surgical airway – naive medicalpersonnel. Anesthesiology, 125(2), 295 – 303.
  12. Hungria, H. (1991). Otorrinolaringologia. Guanabara Koogan, Rio de janeiro, 6º ed., 5 – 13.
  13. Ichikawa, M. et al. (2017). Influence of body position during Heimlich maneuver to relieve subpharyngealobstruction: a manikin study. Acute Med Surg, 4(1), 418-425.
  14. Kligerman, M. P. et al. (2020). Tracheostomy complications in the emergency de department: Anationalanalysis of 38,271 cases. ORL, 82(2), 1-8.
  15. Kovacs, G., Sowers, N. (2018). Airway management in trauma. Emerg Med Clin N Am, 36(1), 61 – 84.
  16. Lynch, L., Crawley, S. M. (2018). Management of airway obstruction. British Journal of Anaesthesia, 18(2), 46-51.
  17. Macêdo, M. B. et al. (2016). Emergency cricothyrotomy: temporary measure or definitive airway? A systematic review. Rev. Col. Bras. Cir., 43(6), 493- 499.
  18. Malamed, S. F. (2015). Medical emergencies in the dental office. Elsevier, 7º ed.
  19. Mehran, R. J. Fundamental and practical aspects of airway anatomy. Thorac Surg Clin., 28(2),117-125.

Técnica Z-Track: Como Aplicar com Segurança

z-track

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/10/2026.

Na aplicação intramuscular, uma pequena quantidade de medicamento que retorna pelo trajeto da agulha pode irritar o tecido subcutâneo e comprometer o conforto do paciente. A técnica em Z, também chamada de Z-track, ajuda a reduzir esse refluxo ao deslocar a pele e o tecido subcutâneo antes da punção, criando um trajeto desalinhado após a liberação da pele. É especialmente útil para determinados medicamentos irritantes, conforme a bula e o protocolo institucional.

Quando utilizar a técnica em Z

O método pode ser indicado para medicamentos intramusculares que irritam os tecidos ou apresentam risco de extravasamento para o tecido subcutâneo. A indicação depende das características do fármaco, da apresentação, do volume prescrito e das condições do paciente; nem toda injeção IM exige a técnica em Z.

A escolha do local também importa. A região ventroglútea pode ser adequada para determinados medicamentos em adultos, desde que os pontos anatômicos sejam identificados corretamente. A seleção deve considerar massa muscular, tecido adiposo, volume a administrar e risco de lesão de nervos ou vasos. Não existe um volume máximo universal aplicável a todos os músculos e pacientes.

Materiais necessários

Separe o medicamento prescrito, a seringa e a agulha adequadas, gaze ou compressa, material para antissepsia quando indicado e coletor para perfurocortantes. A escolha da agulha deve permitir que o medicamento alcance o músculo sem atingir estruturas profundas, considerando o local, a constituição corporal e a viscosidade da solução.

Passo a passo da aplicação

  1. Confira a prescrição e identifique o paciente. Verifique medicamento, dose, via, horário, alergias, validade e condições de preparo.
  2. Higienize as mãos e prepare o medicamento com técnica asséptica, seguindo as orientações do fabricante.
  3. Escolha e avalie o local. Evite áreas com lesões, inflamação, edema ou alterações que contraindiquem a punção.
  4. Desloque a pele lateralmente ou para baixo, mantendo a tração com a mão não dominante. O deslocamento deve ser suficiente para criar um trajeto desalinhado, sem comprometer a identificação anatômica.
  5. Introduza a agulha a 90°, com movimento firme e controlado, até a profundidade adequada para alcançar o músculo.
  6. Administre o medicamento conforme a velocidade e as orientações específicas da bula ou do protocolo institucional.
  7. Retire a agulha e só então solte a pele, permitindo que os tecidos retornem à posição original e formem o trajeto em Z.
  8. Descarte imediatamente o material perfurocortante em recipiente apropriado, higienize as mãos e registre a administração.

A aspiração antes de injetar não deve ser aplicada como regra universal: a recomendação varia conforme o medicamento, a finalidade e o protocolo. Para vacinas administradas nos locais recomendados, o CDC não recomenda aspiração. Essa orientação específica para imunizantes não deve ser automaticamente extrapolada para todos os medicamentos intramusculares.

Na rotina, um erro possível é soltar a pele antes de retirar a agulha. Isso desfaz o deslocamento dos tecidos enquanto o trajeto ainda está ocupado, prejudicando o objetivo da técnica. Por isso, a sequência precisa ser respeitada: manter a pele tracionada durante a aplicação e soltá-la somente após a retirada da agulha.

O que não deve ser tratado como regra universal

A orientação de manter a agulha no local por exatamente dez segundos aparece em alguns materiais de ensino, mas não deve ser considerada obrigatória para toda medicação sem verificar as instruções específicas. O mesmo vale para a velocidade de administração, o volume máximo e a necessidade de aspiração: esses aspectos precisam ser compatíveis com o medicamento e o protocolo adotado.

Também não se deve massagear automaticamente o local após a injeção. A conduta depende do medicamento e das recomendações específicas; em caso de dúvida, consulte a bula e o procedimento operacional padrão do serviço.

Imagine um paciente que recebe aplicações IM repetidas e apresenta dor persistente ou endurecimento no local anterior. Antes da próxima dose, é necessário reavaliar a região, verificar o medicamento utilizado e considerar o rodízio entre locais apropriados. Repetir a punção em uma área alterada sem avaliação pode aumentar o risco de complicações.

Cuidados de enfermagem

Confira os dados da prescrição, avalie o local, escolha a agulha de acordo com a anatomia e mantenha a técnica asséptica. Durante a administração, observe a tolerância do paciente; depois, registre o medicamento, a dose, a via, o local e eventuais intercorrências conforme a rotina institucional.

Dor intensa ou crescente, edema importante, vermelhidão progressiva, alteração de sensibilidade ou limitação funcional precisam de avaliação. Se houver suspeita de reação adversa, comunique a equipe responsável e documente os achados.

Resumo para salvar

Técnica Z-Track: Como Aplicar com Segurança

  • A técnica em Z reduz o refluxo para o tecido subcutâneo
  • Desloque a pele antes da punção e solte após retirar a agulha
  • Escolha local e agulha conforme o paciente e o medicamento
  • Siga a bula e o protocolo institucional

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Guia prático de técnicas de enfermagem. Brasília, DF: Cofen. Capítulo 20: Administração de medicamentos por via intramuscular.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Vaccine Administration: Vaccines & Immunizations. Atlanta: CDC.
  3. OPENSTAX. Clinical Nursing Skills: 12.6 Administering Intramuscular Injections. Houston: OpenStax, 2023.
  4. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Nursing guidelines: Intramuscular Injections. Melbourne: RCH.
  5. STATPEARLS. Intramuscular Injection. Treasure Island: StatPearls Publishing. 

Teste de Perfusão Capilar ou Tempo de Enchimento Capilar (TEC)

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Em poucos segundos, a pressão sobre uma unha pode revelar que a perfusão periférica não está acompanhando o estado clínico do paciente. O tempo de enchimento capilar (TEC) é simples, rápido e não exige equipamento, mas seu verdadeiro valor está na comparação seriada e na interpretação junto aos demais sinais de perfusão.

O que é o tempo de enchimento capilar?

O TEC corresponde ao tempo necessário para o retorno da cor após a compressão de uma área periférica até ocorrer o branqueamento. Tradicionalmente, a avaliação é realizada em um leito ungueal ou outra região adequada, observando o tempo de reperfusão após a liberação da pressão.

É um exame clínico indireto da perfusão periférica. Por isso, um resultado prolongado pode sugerir hipoperfusão, vasoconstrição periférica ou outras alterações circulatórias, mas não identifica sozinho a causa do problema.

Afinal, qual TEC é normal?

Não existe um único valor que possa ser aplicado de forma idêntica a todos os pacientes e situações. Em adultos hospitalizados, o NICE considera TEC superior a 2 segundos como um dos sinais que podem indicar hipovolemia e necessidade de avaliação para possível ressuscitação volêmica. Entretanto, o resultado deve ser interpretado dentro do contexto clínico, porque temperatura, idade, técnica e condições vasculares periféricas podem modificar a medida.

Na sepse e no choque séptico, as diretrizes internacionais de 2026 sugerem utilizar o TEC para auxiliar a avaliação e a monitorização da ressuscitação, sempre associado a outras medidas de perfusão. Um TEC alterado pode trazer uma informação diferente daquela fornecida isoladamente pela pressão arterial ou pelo lactato.

Como realizar o teste

Escolha um local adequado, observe inicialmente a coloração e a temperatura da extremidade e aplique pressão suficiente para provocar o branqueamento. Após liberar, observe o retorno da cor.

O ponto mais importante é padronizar a técnica dentro do serviço. A duração e a intensidade da pressão, o local escolhido e a forma de medir o tempo podem alterar o resultado. Quando o acompanhamento é seriado, utilizar o mesmo método torna a comparação mais útil.

O ambiente também interfere

Um TEC prolongado não significa automaticamente choque. A exposição ao frio pode provocar vasoconstrição periférica e retardar o retorno da cor. Iluminação inadequada, alterações vasculares periféricas, edema, idade e diferenças na técnica de avaliação também podem interferir na observação.

Características da pele e as condições de iluminação merecem atenção especial. Se a mudança de cor não puder ser avaliada com segurança no local escolhido, a interpretação deve considerar outras áreas e outros sinais clínicos, evitando conclusões baseadas apenas em uma medida difícil de observar.

O TEC não substitui a avaliação do paciente

Um paciente pode apresentar pressão arterial aparentemente aceitável e, ainda assim, demonstrar sinais periféricos de hipoperfusão. Da mesma forma, um TEC prolongado isoladamente não confirma sepse, choque ou hipovolemia.

A avaliação ganha força quando o resultado é relacionado à temperatura das extremidades, frequência cardíaca, pressão arterial, nível de consciência, diurese, aspecto da pele, lactato e evolução clínica. As recomendações atuais para sepse são claras ao tratar o TEC como medida complementar, e não como um parâmetro que deve decidir sozinho a conduta.

Duas situações concretas da assistência

Situação 1

Durante a avaliação de um paciente com infecção e piora do estado geral, a enfermagem observa extremidades frias e TEC prolongado em comparação com a avaliação anterior. Mesmo antes de ocorrer uma queda importante da pressão arterial, essa mudança periférica é um dado relevante e deve ser integrada aos demais sinais de possível hipoperfusão e comunicada à equipe.

Situação 2

Em outro paciente, o TEC parece prolongado durante uma madrugada fria, mas as extremidades estão muito geladas. Após medidas para melhorar o conforto térmico e nova avaliação padronizada, o resultado muda. Essa situação mostra por que registrar apenas “TEC 4 segundos” sem considerar as condições da avaliação pode levar a interpretações inadequadas.

Cuidados de enfermagem

Ao avaliar o TEC, observe o ambiente, a temperatura das extremidades e possíveis fatores que dificultem a visualização. Sempre que possível, utilize uma técnica padronizada e compare o resultado com avaliações anteriores.

Registre o valor encontrado, o local utilizado e os sinais associados quando houver alteração. Um TEC prolongado acompanhado de extremidades frias, alteração do nível de consciência, oligúria, hipotensão ou piora clínica merece atenção e comunicação imediata conforme a gravidade e o protocolo institucional.

Mais útil do que registrar apenas “TEC aumentado” é documentar, por exemplo: “TEC em polpa digital de aproximadamente 4 segundos, bilateral, extremidades frias, associado a piora da perfusão periférica em comparação com avaliação anterior”. A tendência clínica pode ser tão importante quanto um valor isolado.

O que guardar para a prática

O TEC continua sendo uma ferramenta valiosa justamente porque pode ser realizado rapidamente à beira do leito. Seu limite é também sua principal lição: um número isolado não diagnostica o paciente. Quando a técnica é consistente e o resultado é comparado com o exame clínico completo, o tempo de enchimento capilar pode ajudar a reconhecer precocemente alterações da perfusão.

Resumo para salvar

TEC: O Sinal Que Pode Alertar

  • O TEC avalia indiretamente a perfusão periférica e deve ser interpretado no contexto clínico
  • Valores acima de 2 segundos podem indicar necessidade de investigação em determinados contextos adultos
  • Temperatura, técnica, iluminação e condições vasculares podem alterar o resultado
  • O TEC ganha mais valor quando acompanhado de outros sinais e comparado de forma seriada

Referências:

  1. SINGER, Mervyn et al. Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2026. Intensive Care Medicine, 2026. Disponível em: Springer Nature – Diretrizes Surviving Sepsis Campaign 2026. 
  2. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. Surviving Sepsis Campaign Adult Guidelines. Mount Prospect: SCCM, 2026. Disponível em: SCCM – Surviving Sepsis Campaign Adult Guidelines. 
  3. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Intravenous fluid therapy in adults in hospital. NICE Guideline CG174. Londres: NICE. Disponível em: NICE – Intravenous fluid therapy in adults in hospital. Acesso em: 4 set. 2026.
  4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Suspected sepsis in people aged 16 or over: recognition, assessment and early management. NICE Guideline NG253, 2025. Londres: NICE. Disponível em: NICE – Suspected sepsis in adults. Acesso em: 4 set. 2026.
  5. KING, David; MORTON, Richard; BEVAN, Clare. How to use capillary refill time. Archives of Disease in Childhood: Education & Practice Edition, v. 99, n. 3, p. 111–116, 2014.
  6. FLEMING, Sarah et al. The diagnostic value of capillary refill time for detecting serious illness in children: a systematic review and meta-analysis. PLoS ONE, v. 10, n. 9, e0138155, 2015.

Calçando e Removendo as luvas estéreis corretamente

O procedimento de calçar um par de luvas estéril requer técnica correta, para evitar a contaminação da luva, fato este que pode ocorrer com facilidade, por isso requer muita atenção.

Existem vários procedimentos que exigem a utilização de luvas estéreis, entre eles os procedimentos cirúrgicos, aspiração endotraqueal, curativos extensos, que se tornam difíceis realizar somente com o material de curativo. Portanto, as luvas estéreis devem ser utilizadas sempre que ocorrer a necessidade de manipulação de áreas estéreis.

As luvas estéreis podem ser encontradas nos tamanhos P, M ou G, ou até mesmo em tamanhos numerados como 6.0, 6.5, 7.0 até 9.0. E pode variar de acordo com o fabricante.

Como colocar as luvas estéreis?

  • O primeiro passo para realizar o procedimento de calçar a luvas, inicia-se com a lavagem correta das mãos! Isso mesmo, antes de calçar luvas é imprescindível lavar as mãos.
  • Abra o pacote de luvas sobre uma superfície limpa, à altura confortável para sua manipulação.
  • Observe que existem abas nas dobras internas da embalagem das luvas. Elas existem para facilitar a abertura do papel, sem que ocorra o risco de tocar nas luvas e contaminá-las. Então, segure nas abas abra os dois lados que revestem as luvas.
  • As luvas devem estar dispostas corretamente a sua frente, onde: a luva da mão direita está a sua direita, e a luva da mão esquerda, está a sua esquerda. Isso na maioria dos fabricantes. A maioria das luvas não tem lado anatômico, mas ficam dispostas nesse sentido, devido a dobra existente do polegar.
  • Neste momento, prepare-se para calçar a luva na mão dominante. Com sua mão não dominante, segure a luva pela face interna da luva (que vem dobrada propositalmente). Importante: enquanto você estiver sem luvas, segure apenas pela face onde a luva irá entrar em contato com sua pele, ou seja, face interna.
  • Em seguida, introduza os dedos da mão dominante, calmamente, procurando ajustar os dedos internamente. Realize esta etapa da melhor maneira possível, mas não se preocupe se os dedos ficarem mal posicionados dentro da luva. Continue o procedimento mesmo com os dedos posicionados de forma errada (é muito arriscado tentar arrumar a posição dos dedos, você pode contaminá-la).
  • Após esta etapa, introduza até que sua mão entre completamente na luva, sempre a segurando pela face interna.
  • Agora que você colocou a primeira luva estéril (na mão dominante), vamos colocar a luva na mão não dominante. Lembre-se, que agora estamos com uma luva estéril na mão dominante, não podemos tocar em lugares que não sejam estéreis, sejam eles a nossa pele, superfícies ou objetos ao nosso redor.
  • Com a mão dominante (enluvada), segure a outra luva pela face externa (ou seja, por dentro da dobra existente). Esta dobra existente no punho da luva servirá de apoio para segurar a luva, sem que ocorra o risco de contaminar a luva, mesmo que imperceptivelmente.
  • Sempre segurando pela dobra do punho da luva, introduza calmamente sua mão não-dominante na luva, semelhante ao realizado na primeira, mas agora, com a cautela de não tocar com a luva na pele da mão ou em locais não-estéreis.
  • Siga esta etapa, até introduzir toda a mão esquerda na luva.
  • Para finalizar, havendo a necessidade de posicionar os dedos corretamente, ou até mesmo melhorar o calçamento da luva, faça com ambas as luvas, porém evite manipular a luva na região dos punhos, caso esta não possua mais as dobras de segurança.

Como Remover as Luvas Estéreis?

  • Inicie a retirada da luva por qualquer uma das duas mãos. Puxar a luva mantendo o contato apenas de luva com luva, sem encostá-la na sua pele.
  • Puxe a luva enrolando-a de modo que permaneça na palma de sua mão.
  • Com a mão que está sem a luva, inicie a retirada da outra luva, puxando-a pela sua parte interna. A mão sem luva deverá manter contato com a luva.
  • Continue puxando a luva de modo que ela envolva a que está na palma de sua mão formando uma “bolinha”.
  • Despreze a luva em local adequado
  • Higienize suas mãos.

Referências:

  1. ANVISA. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA nº 04/2020 – Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) (Atualizada 08 de maio de 2020). Brasília: 2020. Disponível em: < http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28&gt;.
  2. BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Brasília, 2005. Disponível em: http://www.trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf . 

Como Descartar Medicamentos Corretamente?

Fazer o descarte de medicamentos vencidos ou de medicamentos que sobraram de algum tratamento feito jogando-os no lixo comum ou no esgoto doméstico não é uma boa solução.

Isso porque os sistemas de tratamento de esgoto não conseguem eliminar algumas substâncias dos medicamentos, que acabam contaminando o meio ambiente, podendo, assim causar danos aos seres vivos que nele habitam.

Então, que destino dar aos medicamentos?

Existem muitos locais que aceitam remédios e seringas descartados pela população.

Medicamentos Controlados

Farmácias de Manipulação:

Deixar os medicamentos que serão inutilizados dentro de armário com chave e aguardar inspeção programada. Após conferência, o Termo de Inutilização será lavrado pela Autoridade Sanitária no ato da inspeção.

O responsável pela farmácia deverá entrar em contato com a empresa que realiza a coleta em seu estabelecimento e apresentar o Termo de Inutilização para que esta proceda a coleta e incineração dos medicamentos. A empresa emitirá comprovante de retirada desses medicamentos que a farmácia deve arquivar por dois anos.

Drogarias e distribuidoras:

Preencher o formulário de Solicitação de Inutilização de Medicamentos Controlados em duas vias originais (sem rasuras) e enviar por e-mail para a praça de atendimento regional mais próxima. Após protocolo da solicitação, a drogaria irá aguardar inspeção que será realizada pela Supervisão de Saúde local.

Após conferência, o Termo de Inutilização será lavrado pela Autoridade Sanitária no ato da inspeção.

O responsável pela farmácia deverá entrar em contato com a empresa que realiza a coleta em seu estabelecimento e apresentar o Termo de Inutilização para que esta proceda a coleta e incineração dos medicamentos. A empresa emitirá comprovante de retirada desses medicamentos que a drogaria deve arquivar por dois anos.

Indústrias de medicamentos:

Preencher o formulário de Solicitação de Inutilização de Medicamentos Controlados em duas vias originais (sem rasuras) e enviar por e-mail para medicamentosindustriais@prefeitura.sp.gov.br.

Após protocolo da solicitação, o estabelecimento deverá aguardar inspeção local. Após conferência, o Termo de Inutilização será lavrado pela Autoridade Sanitária no ato da inspeção.

O responsável deverá entrar em contato com a empresa que realiza a coleta em seu estabelecimento e apresentar o Termo de Inutilização para que esta proceda a coleta e incineração dos medicamentos. A empresa emitirá comprovante de retirada desses medicamentos que o estabelecimento deve arquivar por dois anos.

Laboratórios:

As substâncias, padrões analíticos e amostras de medicamentos controlados pela Port. 344/98 a serem inutilizados deverão ser segregados. Preencher o formulário de Solicitação de Inutilização de Medicamentos Controlados em duas vias originais (sem rasuras) e enviar por e-mail para a praça de atendimento regional mais próxima.

Após protocolo da solicitação, o laboratório deverá aguardar inspeção sanitária no local. Após conferência, o Termo de Inutilização será lavrado pela Autoridade Sanitária no ato da inspeção.

O responsável pelo estabelecimento deverá entrar em contato com a empresa que realiza a retirada dos resíduos e apresentar o Termo de Inutilização para que esta proceda com a coleta e sua incineração. A empresa emitirá comprovante de retirada dessas substâncias, cuja cópia deverá ser apresentada à equipe inspetora e original arquivada por dois anos.

Descarte de Medicamentos e Frascos:

Muitas farmácias fazem a coleta adequada dos medicamentos vencidos, frascos e materiais cortantes e pontiagudos, assim como várias Unidades Básicas de Saúde (UBS) e supermercados.

Descarte de Bulas e Caixas:

As caixas de papel, também chamadas de embalagem secundária, assim como as bulas, não têm contato direto com o medicamento. Portanto, não são tóxicas ao meio ambiente e podem ser descartadas no lixo reciclável.

Mas é importante que os medicamentos sejam mantidos em suas embalagens originais, também chamadas de embalagens primárias (cartelas de comprimido, frascos, tubos de cremes ou pomadas, por exemplo), no momento do descarte nos postos de coleta.

Estes não devem ser descartados juntamente com o lixo orgânico, devido aos danos que podem causar ao meio ambiente.

Com relação aos materiais cortantes, eles devem ser guardados dentro de embalagens resistentes, como latas e plástico, para eliminar o risco de acidentes e só devem ser descartados nos postos de coleta.

Lembramos que os medicamentos, enquanto utilizados e dentro de seu prazo de validade, devem ser armazenados em suas caixas (embalagens secundárias).

Descarte de medicamentos que ainda não estão vencidos, mas não estão mais em uso:

Acumular muitos medicamentos em casa não é um bom hábito. Quando há sobras, o melhor a fazer é descartá-las nos postos de coleta, evitando guardá-las para uso posterior, principalmente no caso de líquidos cuja embalagem já foi violada.

Isso porque, mesmo estando dentro do prazo de validade, o produto pode ter sido guardado de forma inadequada e não estar em boas condições para o consumo. Nunca tome medicamentos que mudaram de cor, textura ou cheiro.

Referências:

  1. https://www.pastoraldacrianca.org.br/meio-ambiente/descarte-de-medicamentos;
  2. http://www.ufrgs.br/boletimcimrs/descarteboletim.pdf;
  3. Roché.;
  4. Prefeitura de São Paulo

Hipertermo Quimioterapia Intraperitoneal (Hipec)

A Hipertermo Quimioterapia Intraperitoneal  (Hipec), um tratamento de quimioterapia altamente concentrada e aquecida, aplicada diretamente no abdome durante a cirurgia citorredutora – procedimento de alta complexidade para combater um tipo raro de câncer localizado no peritônio, membrana que recobre a região do abdome.

Diferentemente da quimioterapia convencional, cujo medicamento circula por todo o organismo, no Hipec o quimioterápico é administrado diretamente nas células tumorais do abdome, com baixa absorção sistêmica, o que permite o uso de doses mais concentradas da medicação.

O aquecimento da solução (40 a 42 graus celsius) aumenta a absorção da droga pelo tumor e destrói as células que restaram após a cirurgia. É um método que reduzir os mecanismos de defesa do tumor à quimioterapia convencional e induz a uma resposta imunológica eficaz.

O tempo de aplicação da Hipec peritoneal pode durar de 30 a 90 minutos, a depender da dose e do quimioterápico utilizado.

Local do procedimento

Esse procedimento é realizado em Centro Cirúrgico e envolve uma grande equipe interdisciplinar, com monitoramento e acompanhamento constante do quadro clínico do paciente.

Indicação

A cirurgia de citorredução com Hipec está indicada em tumores primários de peritoneal, casos selecionados de tumores intestinais e tumores de ovário com disseminação peritoneal.

A cavidade peritoneal fica localizada dentro da cavidade abdominal, sendo seu limite inferior à cavidade pélvica.

Após a Hipec, o paciente fica internado até sua recuperação, que pode durar de 7 a 14 dias, sob assistência do oncologista clínico, do cirurgião oncológico, do médico intensivista e demais profissionais que participaram do procedimento no Centro Cirúrgico.

Cuidados de Enfermagem

Pacientes submetidos à QHITO costumam passar o período pós-operatório imediato em unidades de terapia intensiva, onde a vigilância é contínua.

Portanto, enfermeiros atuantes nessas unidades devem conhecer os sinais e os sintomas decorrentes das complicações potenciais da QHITO, de modo que cuidados preventivos sejam planejados e os resultados pós-operatórios, por consequência, otimizados.

Como algumas complicações da QHITO estão relacionadas à passagem de drogas antineoplásicas para a circulação sistêmica, o enfermeiro deve considerar a potencial ocorrência de toxicidade hematológica e, por isso, avaliar os resultados laboratoriais dos exames de sangue a cada quatro horas durante as primeiras 24 horas pós-operatórias.

Especialmente quando a Oxaliplatina for utilizada, pois essa droga aumenta o risco de hemorragia, bem como o risco de insuficiência renal aguda.

Além disso, os níveis de eletrólitos devem ser monitorados a cada quatro ou seis horas e a administração/perda de líquidos deve ser registrada a cada hora. Logo, recomenda-se a instituição de balanço hídrico.

A função renal deve ser rigorosamente avaliada com mensuração horária da diurese, apreciação da ureia e creatinina séricas a cada 12 horas e aferição diária do peso corporal.

Pacientes submetidos à cirurgia citorredutora combinada à QHITO costumam permanecer sob ventilação mecânica por, pelo menos, 12 horas devido à resposta inflamatória secundária a essa terapia.

Após a extubação, eles são encorajados a tossir e a realizar exercícios de respiração profunda. Mudanças de decúbito a cada duas horas também são cuidados de enfermagem instituídos para promover ventilação adequada.

Contudo, essas mudanças podem ser um desafio devido à presença de drenos abdominais, da própria incisão cirúrgica e dor.

Referências:

  1. JOMAR, Rafael Tavares et al. Quimioterapia hipertérmica intraperitoneal transoperatória: o que a enfermagem precisa saber [Intraoperative hyperthermic intraperitoneal chemotherapy: what nurses should know]. Revista Enfermagem UERJ, [S.l.], v. 25, p. e29326, jun. 2017. ISSN 0104-3552. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/29326>. Acesso em: 31 maio 2021. doi:https://doi.org/10.12957/reuerj.2017.29326.

Procedimento Operacional Padrão (POP): Qual é a importância?

O Procedimento Operacional Padrão (POP) é um documento que expressa o planejamento do trabalho repetitivo e tem como objetivo padronizar e minimizar a ocorrência de desvios na execução da atividade.

Assim, um POP garante que as ações sejam realizadas da mesma forma, independente do profissional executante ou de qualquer outro fator envolvido no processo, diminuindo assim “as variações causadas por imperícia e adaptações aleatórias” (SCARTEZINI, 2009).

O manual de procedimentos, segundo Andrade (1975), é a reunião de todos os POP do serviço em um único documento, que descreve o trabalho de enfermagem a ser executado e a forma correta de fazê-lo, sendo de responsabilidade da gerência a organização do mesmo. Ressalta-se que esse documento deve ter atualização e revisão periódica, seguida da aprovação institucional de cada versão.

Um POP se diferencia de uma rotina convencional, pois deve apresentar um estrutura mínima, composta por: objetivo, responsabilidade, procedimento técnico, material necessário, ação corretiva e cuidados especiais.

Consta dos seguintes elementos:

1. Perfil, missão, visão, valores, organograma, macrofluxo da instituição;

2. Perfil, missão, visão, valores, organograma, macrofluxo e fluxograma dos serviços;

3. Atribuições dos profissionais;

4. Normas, POP, protocolos e indicadores dos serviços.

Qual a necessidade da implantação dos POP?

Nos últimos anos, a padronização das atividades gerenciais e assistenciais nos serviços hospitalares passa a ser uma exigência legal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o que a torna uma obrigatoriedade além de uma necessidade institucional.

A sua implantação garante a padronização e uniformidade das atividades, objetivando garantir índices de segurança e qualidade de práticas assistenciais e gerenciais no atendimento ao usuário e no desempenho profissional, não só do serviço de enfermagem, mas de todos os serviços do hospital.

Além disso, as não-conformidades (desvios) eventuais têm condições de serem corrigidas/adequadas ao padrão usual, pois minimizam a ocorrência de desvios na execução dos procedimentos, propiciando o aumento da previsibilidade de seus resultados e diminuindo as variações causadas por imperícia ou adaptações aleatórias. Ainda vêm a contribuir na satisfação do cliente/usuário, aumentando a credibilidade da instituição.

Baixe um exemplo de POP elaborado pelo Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian.

Referências:

  1. Coren-GO.

Eletroencefalografia (EEG): Qual é a finalidade?

A eletroencefalografia ou o eletroencefalograma ou simplesmente EEG como também é chamado é um exame de extrema importância capaz de analisar a atividade elétrica cerebral espontânea, onde através da atividade apresentada, é possível identificar doenças e distúrbios do sistema nervoso central e possíveis alterações que possam ser risco ao paciente.

Os dados eletroencefalográficos são captados através de eletrodos posicionados sobre o couro cabeludo, que são capazes de medir a atividade elétricas de células neuronais detectando variações que podem indicar patologias específicas.

Por ser um exame não invasivo e indolor pode ser realizado por diversos indivíduos em idades e condições patológicas diferentes, não possuindo contraindicações desde que não haja impedimentos no posicionamento dos eletrodos no couro cabeludo. Graças à tecnologia a qualidade das informações são cada vez maiores permitindo o avanço no diagnósticos de diversas patologias e também na aplicação de diferentes técnicas terapêuticas.

Indicações para o EEG

As anormalidades que geralmente são procuradas ao solicitar um EEG estão relacionadas à epilepsia, porém além da investigação das diversas condições neurológicas que a epilepsia pode causar também é possível investigar outros problemas relacionados tanto a medula espinhal quanto outras regiões do sistema nervoso.

É possível também detectar alterações na qualidade do sono, hemorragias, presença de tumores, mortes teciduais causadas pelo acidente vascular cerebral, uso de drogas de abuso, diversos tipos de cefaleia, edema cerebral e além do diagnóstico destas doenças, o exame também possibilita um acompanhamento posterior, avaliando a resposta ao tratamento e o controle após a retirada da medicação.

Preparo para o Exame

Para o preparo do exame é necessário a privação do sono na noite anterior o maior tempo possível, sendo indicado dormir no máximo quatro horas, a utilização de medicamentos não pode ser alteradas, o paciente deve sair bem alimentado de casa, não deve utilizar lentes de contato durante o exame e é recomendado que o paciente esteja na presença de um acompanhante no dia de realizar o EEG.

Os cabelos devem estar lavados e secos, e não podem conter gel, mousse ou laquê, no caso de tinturas é necessário aguardar o prazo de 48 horas para realizar o exame.

Referências:

  1. https://portaltelemedicina.com.br/blog/eletroencefalograma-com-laudo-como-agilizar-diagnosticos;
  2. https://www.fleury.com.br/exames/eletroencefalograma;
  3. https://www.einstein.br/especialidades/neurologia/exames-tratamentos/eletroencefalograma