Evento Adverso (EA), como identificar na Enfermagem

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 16/09/2026.

O detalhe que muda tudo em segurança do paciente é simples: nem todo incidente causa dano e nem todo erro chega ao paciente. Saber diferenciar essas situações ajuda a equipe a agir corretamente e evita que um quase erro seja tratado como se fosse um evento adverso.

O que é evento adverso?

Evento adverso (EA) é um incidente que resulta em dano ao paciente durante a assistência à saúde. Esse dano pode ser físico, psicológico ou outro prejuízo relacionado ao cuidado prestado, e o evento pode ocorrer com ou sem um erro intencional ou não intencional do profissional.

Uma queda durante a internação que provoca uma lesão, uma administração incorreta de medicamento que causa dano ou uma falha assistencial que resulta em prejuízo ao paciente são exemplos de situações que podem ser classificadas como eventos adversos, conforme a análise do caso.

Incidente, near miss e evento adverso

Esses termos não são sinônimos. Incidente é o evento ou circunstância que poderia ter causado ou causou dano ao paciente — é a categoria mais ampla. Dentro dele, um near miss é o incidente que não chega a atingir o paciente, e o evento adverso é o incidente que atinge o paciente e resulta em dano.

Para entender a fundo a diferença entre os quatro níveis de classificação — incluindo o incidente sem dano — e ver a pergunta que resolve qualquer dúvida na hora da prova, veja nosso post completo: Incidente, Near Miss e Evento Adverso: Aprenda a Diferenciar.

Por que notificar?

Notificar não significa simplesmente apontar quem errou. A investigação procura compreender o que aconteceu, quais fatores contribuíram e quais barreiras podem ser fortalecidas para reduzir a possibilidade de repetição.

O Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) coordena ações de segurança, acompanha incidentes e participa da análise e implementação de medidas preventivas nos serviços abrangidos pela regulamentação.

Um exemplo comum aparece quando uma queda ocorre durante a transferência de um paciente. Além de avaliar o dano e prestar assistência imediata, a análise precisa olhar para o contexto: condição clínica, necessidade de auxílio, organização do ambiente, disponibilidade de equipamentos, comunicação entre profissionais e adequação das medidas preventivas. O objetivo é encontrar oportunidades de melhoria, não apenas registrar que “o paciente caiu”.

O que fazer diante de um evento?

A prioridade é cuidar do paciente e reduzir o dano. Depois, a ocorrência deve ser comunicada e registrada conforme o fluxo institucional, com informações objetivas sobre o que aconteceu.

Evite registros baseados em julgamentos, acusações ou conclusões que não foram investigadas. Descreva o fato, as condições observadas, as medidas adotadas e a resposta do paciente.

Como Notificar um Evento Adverso?

A notificação ao sistema nacional é feita pelo serviço de saúde no Notivisa – módulo Assistência à Saúde. O prazo varia conforme a gravidade: quando ocorre óbito atribuído a evento adverso, a notificação deve ser feita em até 72 horas; os demais eventos seguem o prazo regulamentar estabelecido pela instituição.

O Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), previsto pela RDC nº 36/2013, é responsável por coordenar essas ações — ele acompanha os incidentes notificados, participa da análise dos fatores contribuintes e conduz a implementação de medidas preventivas dentro do serviço de saúde.

Na prática, isso significa que notificar não é uma formalidade isolada: o NSP usa cada registro para identificar padrões — por exemplo, se várias quedas aconteceram durante transferências no mesmo turno, ou se um mesmo tipo de erro de medicação se repete entre plantões diferentes — e a partir daí propor barreiras reais, não apenas cobrar o profissional envolvido.

Cuidados de enfermagem

Diante de um incidente ou evento adverso, a equipe deve:

  • priorizar a avaliação e segurança do paciente;
  • comunicar imediatamente a ocorrência conforme o protocolo institucional;
  • registrar objetivamente o que aconteceu e as condutas realizadas;
  • preservar informações importantes para a investigação;
  • colaborar com o NSP e com a análise dos fatores contribuintes;
  • acompanhar as medidas preventivas definidas para reduzir a recorrência.

A prevenção depende de barreiras que funcionem no cotidiano: identificação correta, comunicação efetiva, protocolos, conferências, ambiente seguro e treinamento contínuo. A RDC nº 36/2013 estabelece ações para segurança do paciente e prevê a atuação do NSP na gestão de riscos, análise de incidentes e implementação de medidas preventivas.

Um erro que quase aconteceu também ensina

Se o medicamento errado foi separado, mas identificado antes de chegar ao paciente, não houve evento adverso. Houve um incidente sem dano, que pode ser classificado como near miss quando a situação foi interceptada antes de atingir o paciente.

Essa diferença é fundamental porque uma cultura de segurança precisa permitir que esses acontecimentos sejam reconhecidos e analisados. O fato de ninguém ter sofrido dano não significa que o processo esteja seguro.

A própria Anvisa mantém a notificação e investigação de incidentes como instrumentos de gestão de riscos e, no Plano Integrado 2026–2030, reforça a vigilância, notificação e investigação de incidentes e eventos adversos relacionados à assistência à saúde.

Resumo para salvar

Evento Adverso na Enfermagem

  • Evento adverso é um incidente que resulta em dano ao paciente
  • Near miss não chega a atingir o paciente
  • A prioridade após o evento é avaliar e proteger o paciente
  • A notificação ajuda a identificar fatores e fortalecer barreiras de segurança

Referências:

  1. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Anvisa, 2013. RDC nº 36/2013 – Anvisa
  2. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Plano Integrado para Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026–2030. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Plano Integrado 2026–2030 – Anvisa
  3. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. O que são eventos adversos? Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. FAQ sobre eventos adversos – Ministério da Saúde
  4. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Notificação de incidentes e eventos adversos relacionados à assistência à saúde. Brasília, DF: Anvisa. Notificação de incidentes e eventos adversos – Anvisa

Segurança do Paciente: Pulseira de Identificação

Pulseira de Identificação

A identificação correta do paciente é muito importante para garantia da segurança do processo assistencial. Essa ação é o ponto de partida para a correta execução das diversas etapas de segurança na instituição. Em qualquer situação, mesmo naquelas em que o paciente não pode responder por si mesmo, isso garante o atendimento correto para a pessoa correta.

O resultado desse programa é monitorado por meio do indicador de tripla checagem, que consiste na verificação, por leitura eletrônica de barras, do medicamento correto conforme a prescrição médica, do paciente correto conforme a identificação e da identificação do profissional que realiza o cuidado. A tripla checagem pode ser utilizada, além de medicamentos, para controle de materiais e outros procedimentos.

A identificação acontece no momento da admissão (internação ou atendimento no Centro de Diagnósticos, ambulatórios e Pronto Atendimento), por meio de pulseira ou de uma etiqueta afixada na roupa. Todos os processos de segurança incluem verificação prévia das informações contidas na pulseira ou etiqueta.

O processo de identificação do paciente inclui duas informações distintas: nome completo e número de prontuário/atendimento, inseridos no formato de código de barras utilizado para identificação do paciente antes de cada ação assistencial. Isso garante que o cuidado seja realizado no indivíduo certo.

Para quê identificar o paciente?

A identificação correta do paciente deve ser realizada para evitar inúmeros erros e riscos para a segurança do paciente, como erros na administração de medicamentos, transfusão sanguínea, procedimentos realizados em pacientes errados ou até entrega de bebês às famílias erradas.

Como identificar o paciente?

Pulseira de identificação;
Prontuários;
Etiquetas de identificação nos impressos de solicitações de exame, nos tubos e recipientes da amostra coletada;
Placas de identificação no leito;
Prescrição médica, entre outros.

Em que situações deve ser realizado a identificação do paciente?

A identificação correta e confirmação dos dados de identificação do paciente deve ocorrer na admissão, transferência ou recebimento de pacientes de outra unidade ou instituição, antes do início de cuidados, de qualquer tratamento ou procedimento, da administração de medicamentos e soluções;

Deve ocorrer em todos os ambientes de cuidado à saúde, como:

Pronto Atendimento;
Laboratórios;
Atendimento domiciliar;
Ambulatórios, entre outros.

O que fazer para identificar corretamente o paciente?

Participação ativa de todos os profissionais em todas as fases do processo de identificação do paciente, inclusive explicando a importância e estimulando o paciente e familiar a participar também de todas as etapas do processo;

Utilizar, no mínimo, 2 identificadores para confirmação da identificação do paciente, por exemplo, nome completo e data de nascimento. Em pediatria, é indicado também a identificação com nome da mãe;

Padronização da identificação do paciente, como os dados a serem preenchidos, uso de cores para identificação de riscos, placas de leito;

Protocolo para identificar pacientes com identidade desconhecida, comatosos, confusos ou sob efeito de ação medicamentosa e até estratégias para distinguir pacientes com o mesmo nome;

Verificação rotineira da integridade das informações nos locais de identificação do paciente, por exemplo, na pulseira e placas de leito.

O que não fazer?

Nunca utilize idade, sexo, diagnóstico, número do leito ou do quarto para identificar o paciente.

Veja mais sobre A Segurança do Paciente: Pulseira de Identificação em nosso canal YouTube:

 

Evitando Erros de Medicação: Medicamentos com Grafia e Som semelhantes

Erros de Medicação

Alguma vez você já ficou em dúvida sobre qual o nome do medicamento que está escrito na prescrição médica? Você tem certeza que o medicamento prescrito é realmente o que você está administrando?

Perceba como existe vários medicamentos com nomes parecidos, mas que muitas vezes tem efeito totalmente contrário.

Erros na escrita ou leitura dos produtos podem trazer sérios prejuízos ao paciente.

Toda e qualquer ação que se refere ao medicamento deve ser cautelosa, pois o erro poderá ser fatal. Mesmo os profissionais mais experientes estão sujeitos ao deslize. Uma das causas que pode provocar erros são os nomes dos medicamentos, por serem difíceis de entender, escrever e ler. Infelizmente, erros acontecem na prescrição, na dispensação e no próprio uso. A grande confusão pode acontecer com nomes parecidos. Alguns exemplos: haloperidol e alopurinol; prednisona e prednisolona; aminofilina e amoxicilina; clorpromazina, clomipramina e clorpropamida.

Para se evitar problemas, existe um registro oficial de nomes de substâncias usadas como medicamentos. A Denominação Comum Brasileira (DCB) é a forma correta de se escrever em português uma substância medicamentosa. Ela é derivada de outra lista oficial, a Denominação Comum Internacional ou International Nonproprietary Names elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segue uma tabela com alguma das medicações que mais causam confusão na hora da interpretação:

Alopurinol – Antigotoso Haloperidol – Neuroléptico
Cefuroxima – Cefalosporina 2ªGeração Cefotaxima – Cefalosporina 3ª Geração
Cefoxitina – Cefalosporina 2ªGeração Cefotaxima – Cefalosporina 3ª Geração
Ácido Fólico – Antianêmico Ácido Folínico – Antianêmico
Diamox – Diurético Diabinese – Agente Antidiabético
Celebrex – Inibidor da COX 2 Celexa – Antidepressivo
Quinina – Antimalárico Quinidina – Antiarrítmico
Eranz – Anticolinesterásico Invanz -Antimicrobiano Carbapenêmico
Vimblastina – Agente Antineoplásico Vincristinana – Agente Antineoplásico
Sulfadiazina -Antimicrobiano Sulfa  Sulfassalazina – Antimicrobiano Sulfa
Feldene – AINE sistêmico Teldane – Antihistamínico H1
Necamin – Antihelmintico Novamin – Antimicrobiano Aminoglicosídeo
Losec – Antiulceroso Lasix – Diurético
Retemic – Antiespasmódico Urinário Renitec – Anti-Hipertensivo
Vimblastina – Agente Antineoplásico  Vincristinana – Agente Antineoplásico
Salcep – Descongestionante nasal Cellcept – Imunossupressor
Oxapen – Antimicrobiano Penicilina Oxigen – Anti-Hipertensivo
Amiobal – Antiarrítmico Anlodibal – Anti-Hipertensivo
Floratil – Antidiarréico Foradil – Broncodilatador
Scaflan – AINE sistêmico Teflan – AINE sistêmico
Cetaz – Cefalosporina 3ª Geração Cemax – Cefalosporina 4ª Geração
Seloken – Anti-Hipertensivo Seroquel – Neuroléptico
Fortaz – Cefalosporina 3ª Geração For Gas – Antifisético
Dorless – Analgésico opióide (tramal) Dornot – Analgésico opióide(petidina)

Não administre nada em caso de dúvidas! Tire todas as dúvidas relacionadas aos fármacos que não correspondem conforme a prescrição médica com o Enfermeiro da unidade, com o médico responsável pelo paciente ou até mesmo ao farmacêutico disponível no hospital. Realize sempre a dupla checagem e leia a embalagem dos medicamentos!

Dez Passos para a Segurança do Paciente

É importante que os profissionais de enfermagem tenham sempre a mão e que consultem constantemente a cartilha Os Dez Passos para a Segurança do Paciente, desenvolvida pelo COREN em parceria com a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP).

O material, elaborado no sentido de contemplar os principais pontos de impacto direto na prática assistencial de enfermagem, capazes de serem implementados em diversos ambientes de cuidado, está disponível no link aqui.

A cartilha traz detalhes sobre estes dez tópicos. Relembre:

1. Identificação do paciente;

2. Cuidado limpo e cuidado seguro – higienização das mãos;

3. Cateteres e sondas – conexões corretas;

4. Cirurgia segura;

5. Sangue e hemocomponentes – administração segura;

6. Paciente envolvido com sua própria segurança;

7. Comunicação efetiva;

8. Prevenção de queda;

9. Prevenção de lesão por pressão;

10. Segurança na utilização de tecnologia.

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